terça-feira, 3 de março de 2026

ÁGUIAS A VOAR PARA O CLÁSSICO



Pela 4.ª vez consecutiva, o Benfica ganhou na Liga Betclic, desta vez por 1-2, no terreno do Gil Vicente, em jogo da 24.ª jornada, disputado na noite desta segunda-feira, 2 de março. Os encarnados preparam-se, agora, para receber o FC Porto, no Estádio da Luz, na 25.ª ronda, defendendo, também, o estatuto de única equipa invicta no Campeonato.
Em relação ao jogo anterior, frente ao Real Madrid, para a Liga dos Campeões, o Benfica apresentou-se em Barcelos com duas mexidas no onze: António Silva e Prestianni entraram no elenco inicial, em troca de Tomás Araújo e Richard Ríos. Assim, as águias encararam o Gil Vicente com Trubin, Dedic, António Silva, Otamendi, Dahl, Barreiro, Aursnes, Schjelderup, Prestianni, Rafa e Pavlidis.
O apito inicial ouviu-se, mas desde o mesmo e durante todo o tempo de jogo, o que nunca faltou foi mesmo um incansável apoio dos Benfiquistas, que encheram as bancadas, entoando os seus cânticos de incentivo. Logo aos 2', uma primeira iniciativa do Benfica terminou com um cabeceamento de Otamendi à figura de Lucão. Mas, na resposta, uma ameaça do Gil Vicente veio colocar em alerta os visitantes para um adversário com vontade de disputar os 3 pontos: Agustín Moreira a assumir a bola, conduziu-a em dribles e, à entrada da área encarnada, disparou para defesa atenta de Trubin (3').




Desinibidos, os gilistas voltaram a ameaçar aos 7'. Novamente beneficiando de algum espaço concedido à entrada da área, Luís Esteves finalizou sobre a barra das águias, que ripostaram aos 14', através de um remate de Pavlidis, inicialmente desenquadrado, mas que, após desviar em Buatu, morreu nas mãos de Lucão.
Numa toada de equilíbrio, coube a Murilo Souza, num ataque pela ala direita, executar um cruzamento largo, que terminou numa intervenção segura do guarda-redes benfiquista (15'). No minuto seguinte, numa disputa aérea, Héctor atingiu Otamendi na cabeça, mas o árbitro nada assinalou.
Assumindo cada vez mais os esforços ofensivos, o Benfica foi atrás do golo. E, aos 18', Rafa teve-o mesmo na mira: Pavlidis, pela direita, cruzou para a área, onde o camisola 27 das águias rematou, em posição frontal. O guarda-redes Lucão, num movimento de recurso, conseguiu suster com as pernas. Já aos 21', coube a Schjelderup ameaçar, tentando um lançamento para a cabeça de Barreiro, que se intrometeu na grande área contrária, mas a conexão não resultou.
Tal como aos 16', Otamendi voltou a sofrer uma falta dura, um pisão, agora de Santi García, aos 23'. O amarelo voltou a não sair do bolso do juiz da partida, nem a falta foi sancionada. Mesmo sem estar a construir situações de real perigo para a baliza defendida por Trubin, o Gil Vicente mostrava-se um adversário ambicioso e sem medo, aplicando um forte rigor defensivo e justificando a classificação (5.º lugar) com que partia para esta jornada.
No entanto, os encarnados carregaram e, ao minuto 34, duas situações de enorme perigo fizeram abanar essa segurança revelada, até então, pela retaguarda dos galos. Primeiro, pela esquerda, Schjelderup libertou Dahl na área e o defesa sueco rematou, com Lucão a defender com os pés. No mesmo minuto, seria Dedic a executar um passe a rasgar para Prestianni. Este, em esforço, cruzou para o segundo poste, na direção de Schjelderup, tendo o norueguês cabeceado para a baliza. Valeu o corte de Zé Carlos para canto.
Ora, foi desse canto que nasceu o desbloqueio do duelo: Aursnes cobrou a bola parada, António Silva saltou mais alto do que a oposição e cabeceou na direção da baliza. A bola terminou no fundo das redes gilistas, passando perto de Pavlidis, que também estava na rota do esférico (0-1, aos 35'). Nas bancadas, coloridas de um vermelho vivo, os festejos tornaram-se gigantes. E só não foram ampliados aos 38' por mero azar. Novamente a perfurar pela esquerda, Schjelderup soltou para Dahl, que cruzou na direção de Pavlidis. O avançado grego fez-se à bola e desviou, fazendo a bola embater na barra! Quase o 0-2!




Confiantes, as águias continuaram a controlar até ao intervalo, criando mais uma ocasião, aos 41': na sequência de um passe longo de Trubin, Pavlidis penteou a bola para Schjelderup, mas o passe deste para Rafa acabou intercetado por Marvin Elimbi. Antes da ida para os balneários, nota para uma finalização acrobática de Santi García, com Trubin a recolher (44'), e um corte de António Silva, a cruzamento de Agustín Moreira (45'+2').
Para a 2.ª parte, tudo igual, de um lado e de outro. No entanto, pouco depois (50'), José Mourinho viu-se forçado a mexer, devido às queixas físicas apresentadas por Aursnes. Para o seu lugar, entrou Barrenechea.
Na sequência de um lançamento lateral rápido de Luís Esteves, o Gil Vicente chegou à igualdade. Santi García cruzou rasteiro, da direita para o meio da área do Benfica, onde Héctor encostou para o 1-1 (52'), num balde de águia fria para os encarnados. Aproveitando o momento, aos 56', após um canto, coube a Trubin brilhar, travando um cabeceamento de Héctor.
Reagindo, o Benfica esteve muito perto do golo aos 62': arrancada de Pavlidis, que serviu Schjelderup. Este driblou, pela esquerda, e cruzou para a pequena área, onde nem o internacional grego nem Rafa conseguiram atacar a bola, que se perdeu pela linha lateral contrária.
Aos 69', José Mourinho voltou a mexer na equipa, então para lançar Richard Ríos e Lukebakio, por troca com Barreiro e Prestianni, tentando dar mais força e frescura ao coletivo. E foi pouco depois que os encarnados voltaram a passar para a frente no marcador. Aos 73', Rafa combinou com Dedic e avançou para a área gilista, onde tentou um remate de escorpião, quando o lateral lhe endossou o esférico. A bola foi afastada pela defensiva contrária, mas "caiu" a jeito de Schjelderup, que, impiedoso, fuzilou a baliza de Lucão, com uma bomba de pé esquerdo (1-2). Golaço e nova explosão dos Benfiquistas em Barcelos!
A 4.ª substituição nas águias trouxe Bah a jogo, saindo Schjelderup, tendo o internacional dinamarquês passado a jogar na direita, em combinação com Dedic, enquanto Lukebakio se projetou pela ala esquerda. O jogo manteve-se vivo, com a fé do Gil Vicente no empate a permanecer e, aos 90', Konan, num estoiro de fora da área, com o pé canhoto, fez Trubin aquecer as mãos, desviando para o lado.
Terminada a partida, em que houve sempre uma comunhão plena entre adeptos e equipa, os Benfiquistas e os jogadores celebraram num aplauso mútuo, bem representativo da união coletiva, numa fase decisiva da temporada. E o Benfica terá, no domingo, 8 de março, um clássico no Estádio da Luz: as águias recebem o FC Porto às 18h00, em jogo da 25.ª jornada da Liga Betclic.
SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA
Os encarnados bateram o Gil Vicente na 24.ª jornada Liga. Prestianni foi titular, mas faltou alegria ao jogo do argentino.




A figura - Andreas Schjelderup (7)
O extremo norueguês fez uma exibição adulta, na forma como garantiu perigo constante pelo corredor esquerdo e também como ajudou Dahl a defender. Aos 34 minutos Schjelderup rematou de cabeça com muito perigo e poderia ter sido feliz, não fosse o bom corte de Zé Carlos, defesa com quem travou um duelo muito interessante, perdendo e ganhando duelos ao longo do jogo. Aos 62', o extremo das águias bailou e cruzou com muito perigo, mas Rafa e Pavlidis não acreditaram e esfumou-se excelente oportunidade de golo. Schjelderup foi inconsequente em mais um par de lances até que, aos 73 minutos, novo bailado nórdico e um remate fulminante que Lucão foi incapaz de suster. Correu muito atrás dos três pontos e mereceu o grande golo e o destaque deste jogo.
(5) Trubin — Mostrou segurança em vários momentos, como no remate de Agustin (2'), no cabeceamento de Héctor Hernández (51') e num remate do avançado espanhol (56'), mas ficou a sensação de que poderia ter feito melhor no golo do mesmo Hernández (52') — pareceu querer antecipar e acabou por não tapar o espaço mais óbvio. Finalizou a exibição com grande defesa a remate de Konan (90') e algumas más decisões na reposição de bola com os pés.
(6) Dedic — Ligado à corrente, mas com menos voltagem que o habitual. Agustin deu-lhe algum trabalho e também Luís Esteves, quando caiu na direita, mas Dedic manteve rigor defensivo. No ataque tentou o desequilíbrio, poucas vezes teve sucesso, mas lutou para fazer a diferença. Cruzou bem para Rafa tentar o remate no lance em que a bola sobrou para Schjelderup marcar golo (73').
(6) António Silva — Tentou o passe longo e defendeu com competência, à exceção de um remate que Héctor Hernández fez livre de marcação (56'), parecendo na zona que caberia ao central guardar. Marcou de cabeça o primeiro golo, que deu nova alma à equipa.
(6) Otamendi — Sempre no caminho da bola, pelo ar e junto à relva. Foi dos primeiros a tentar empurrar a equipa, na forma como apertou na marcação mais à frente. Falhou a marcação a Hernández, é verdade, mas o principal pecado nesse lance não foi dele, tendo sido apanhado desprevenido.






(5) Dahl — Ganhou e perdeu duelos com Murilo e fez crescer a exibição com um bom remate (34') para defesa de Lucão e um cruzamento para Pavlidis enviar à trave (38').
(4) Leandro Barreiro — Sentiu dificuldades para lidar com a qualidade de Luís Esteves e a velocidade de, por exemplo, Konan. Foi dele a primeira e capital distração no lance do golo do Gil, quando deixou fugir Santi García para receber o lançamento lateral de Esteves — García depois cruzou e Héctor Hernández finalizou. Remou contra o Gil, mas muitas vezes de forma desconexa.
(4) Aursnes — Sempre muito clarividente no passe e solidário na recuperação da bola, mas sem fulgor para fazer crescer a equipa, ou pernas para a segurar.
(5) Prestianni — O compromisso defensivo do costume, mas desinspirado nas ações ofensivas e alguma aparente falta de alegria. Foi ele quem recuperou a bola que mais à frente permitiu a Rafa rematar com perigo (18') e se esforçou para cruzar para remate de cabeça de Schjelderup (34').
(5) Rafa — Muitas vezes de costas para a baliza, teve pouca bola, ou demasiado longa. Fez um bom remate para boa defesa de Lucão (18'), mas teve pouco envolvimento e resultado.
(6) Pavlidis — Baixou muito para ter bola e funcionou também como um dos melhores médios do Benfica, além do trabalho que fez na frente. Ofereceu a Rafa uma boa oportunidade (18'), teve movimentação decisiva no golo de António Silva, rematou (de peito, aos 38') à trave e lançou Schjelderup no segundo golo. Faltou mais qualidade na definição de lances de potencial perigo. E foram vários.
(5) Barrenechea — Deu alguma geometria ao jogo, mas sem capacidade para mandar no meio-campo e estancar o Gil.
(5) Richard Ríos — A energia e capacidade de choque que levou para campo foram importantes para ligar a equipa.
(4) Lukebakio — Tentou deixar marca, mas não conseguiu. O drible ainda não lhe sai e teve poucos minutos de jogo para ganhar confiança e poder crescer, sobretudo porque com a entrada de Bah passou para o corredor esquerdo, onde parece menos confortável.
(5) Bah — Fisicamente muito intenso, deu-se ao jogo sem constrangimento e marcou posição no flanco direito, especialmente perigoso para o Benfica.
Nélson Feiteirona, in a Bola

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