segunda-feira, 9 de março de 2026

REAÇÃO ENÉRGICA CORTADA PELA METADE



Benfica empatou ante o FC Porto (2-2) após recuperar de uma desvantagem de 0-2, e a reviravolta no clássico da 25.ª jornada da Liga Betclic podia ter chegado ao cair do pano...
Numa 2.ª parte de enorme coração, o Benfica recuperou de uma desvantagem de 0-2 para chegar ao empate (2-2), e a reviravolta ficou ao alcance de um penálti não assinalado nos derradeiros segundos do clássico da 25.ª jornada da Liga Betclic, disputado neste domingo, 8 de março.
Num Estádio da Luz lotado e a ferver com um grande ambiente, a primeira homenagem escreveu-se no feminino, com os jogadores das águias a atuarem com os nomes das mulheres da sua vida nas costas da camisola para assinalar o Dia Internacional da Mulher.
Antes do apito inicial, momento solene na Catedral com um minuto de silêncio dedicado à memória de António Lobo Antunes, um dos maiores escritores contemporâneos portugueses e Benfiquista dos sete costados, que faleceu no passado dia 5 de março.
Desde as bancadas, uma sonora ovação para um onze com 3 mudanças em relação ao jogo com o Gil Vicente (1-2): Tomás Araújo, Barrenechea e Richard Ríos avançaram para os lugares de António Silva, Barreiro e de Aursnes (lesionado), juntando-se a Trubin, Dedic, Otamendi, Dahl, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.




O Benfica entrou pressionante e com muita posse de bola, mas, aos 3', o fumo proveniente de artefactos pirotécnicos motivou a interrupção da partida. Esta só foi reatada aos 6' e a quebra de ritmo foi notória, tornando o jogo confuso.
Aos 8', Pavlidis testou a atenção de Diogo Costa com um remate em posição frontal e, na resposta, o FC Porto revelou-se tremendamente eficaz. No meio-campo, Alan Varela lançou a desmarcação de Froholdt pelo meio, o qual, no interior da área, atirou rasteiro. Trubin defendeu para a frente e, na recarga, o dinamarquês fez o 0-1, aos 10'.
As águias lançaram-se para a frente à procura do golo, e a primeira grande oportunidade dos encarnados acabou por sair da perna direita de Martim Fernandes. O lateral do FC Porto desviou um cruzamento de Rafa na direção da própria baliza e obrigou Diogo Costa a uma grande estirada para evitar o empate, aos 24'.
Aos 26', na sequência de um livre em posição frontal a punir uma entrada perigosa de Pepê sobre Prestianni, Schjelderup voltou a criar perigo. O norueguês atirou forte e colocado, e a bola saiu muito perto da quina esquerda da baliza dos dragões.
Na sequência, a defesa do FC Porto mostrou-se sólida para anular as investidas do Benfica, feitas de jogadas individuais e de cruzamentos que, invariavelmente, esbarravam na muralha azul e branca. Num desses lances, aos 35', Diogo Costa saiu a punhos para afastar uma bola perdida e, no desenvolvimento, atropelou Pavlidis. Pediu-se penálti na Luz, mas o árbitro mandou seguir o jogo.




Aproveitando o balanceamento ofensivo dos encarnados, os forasteiros conseguiram ampliar aos 40'. Num contra-ataque rápido, Pietuszewski invadiu a área e, após o frente a frente com Otamendi, rematou para o 0-2.
Até ao intervalo, o Benfica não conseguiu criar nenhum lance de perigo e a melhor oportunidade pertenceu ao FC Porto. Aos 45'+3', na marcação de um livre direto, Gabri Veiga rematou forte e Trubin voou para afastar a bola pela linha de fundo.
No regresso dos balneários, as águias conseguiram reequilibrar a partida e, aos 58', construíram uma boa jogada que só pecou pela falta de sorte. Tomás Araújo fez um passe a rasgar para Rafa, que tabelou com Dedic, tirou um adversário da frente e... escorregou na hora do remate, que saiu para fora.
Mais acutilante e capaz de controlar o espaço nas costas da defesa, o Benfica continuou a carregar e renovou a energia com as entradas de Ivanovic e Lukebakio para os lugares de Prestianni e Rafa, aos 65'.
Num lance de velocidade pelo lado direito, aos 66', os dragões somaram uma das raras chegadas à área encarnada por Alberto Costa, que foi travado pela mancha de Trubin.




No entanto, a pressão das águias deu os seus frutos aos 69'. Lançado por Dedic, Lukebakio cortou do lado direito para o corredor central e, à entrada da área, rematou de canhota ao poste. No coração da zona de rigor, Schjelderup conseguiu chegar primeiro à bola e, na recarga, atirou para o fundo das redes para o 1-2. As bancadas da Luz irromperam em festejos e apontaram a mais golos.
Aos 75', José Mourinho voltou a mexer na equipa: Otamendi, com dificuldades físicas, e Barrenechea foram rendidos por António Silva e Barreiro.
Empurrado para a sua área, o FC Porto abusou das faltas para travar os ataques do Benfica, que, apesar do domínio territorial, via as suas finalizações intercetadas por jogadores portistas, como sucedeu com Lukebakio (74' e 81') e Dahl (76').
Aos 83', Dedic acusou a exigência da investida encarnada e, com queixas, foi substituído por Bah.
E o banco revelou-se preponderante no lance que originou o empate dos encarnados. António Silva recuperou a bola a meio-campo e tocou-a para Ivanovic. Este tabelou com Bah, atacou a profundidade à direita e cruzou para o centro da área, onde Barreiro, em vólei, rematou de pé direito junto ao poste para fazer o 2-2, aos 88'.
Estava dado o mote para uma reta final frenética de jogo e, após uma confusão junto aos bancos que resultou na expulsão de José Mourinho (e de Lucho González), o Benfica voltou à carga.
Aos 90'+4', Schjelderup arrancou pelo lado esquerdo e Bednarek evitou que a bola chegasse a Pavlidis. E, aos 90'+8', mais um lance que espelhou bem o que sucedeu na 2.ª parte. Um primeiro remate de Dahl foi intercetado por um opositor e, na sequência, o disparo de Ivanovic tabelou em Bednarek e Kiwior antes de o esférico "morrer" nas mãos de Diogo Costa.
Segundos depois, em mais uma ofensiva encarnada, a área do FC Porto foi palco de um lance que podia ter ditado outro desfecho no clássico. À esquerda da área, Schjelderup executou um cruzamento/remate, Diogo Costa defendeu para a frente e a bola continuou viva nas imediações da baliza. Na disputa do lance, o guarda-redes azul e branco chocou com Pavlidis e amarrou o esférico. João Pinheiro não assinalou penálti e o VAR também não interveio.
O apito final do clássico surgiu pouco depois e, apesar do travo de injustiça, o público saudou a reação da equipa com aplausos e cânticos, manifestação de apoio devidamente agradecida pelos jogadores.
Divididos os pontos no clássico, as águias voltam a entrar em campo às 20h30 do próximo sábado, 14 de março, no terreno do Arouca, em duelo válido para a 26.ª jornada da Liga Betclic.
SL Benfica

AS NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Acordou tarde o Benfica, a quem as substituições fizeram muito bem. Depois de gritante falta de entrosamento durante uma hora, os encarnados ganharam lucidez na reta final, aceitaram o risco que o contra-ataque do FC Porto representava, e até podiam ter ganho a partida. Invencíveis ainda, mas com o ‘39’ longe demais...




Melhor em campo: Andreas Schjelderup, 7
O jovem norueguês, que luz na camisola o número da sua idade (21), além de ter marcado o golo do 1-2, mostrando faro pela baliza ao ser o primeiro a perceber para onde o poste direito da baliza de Diogo Costa ia desviar o remate de Lukebakio, foi o benfiquista com rendimento mais constante ao longo dos 90 minutos (ele, que apenas uma vez não tinha sido substituído...), criando inúmeras dificuldades a Alberto Costa, especialmente na parte final do encontro. Foi travado em faltas para amarelo (que o árbitro exibiu), por William Gomes e Alberto, e tanto nas vezes em que procurou a linha como quando se decidiu pelo jogo interior revelou sempre grande concentração e lucidez. Ficou na retina a execução de um livre direto, aos 27 minutos, com a bola a passar muito perto do ângulo superior direito da baliza portista.
Trubin (5) — Podia ter feito mais no golo de Froholdt? Francamente, creio que sim. O remate, embora desferido relativamente perto, saiu fraco e à figura, e a bola devia ter ‘morrido’ nas mãos do ucraniano. Tal não sucedeu e o médio portista faturou na recarga. Sem qualquer hipótese no 0-2 (uma obra de arte), brilhou com grande intensidade ao deter um livre superiormente apontado por Gabri Veiga (45+2).
Dedic (4) — O lateral bósnio teve a melhor ação no encontro ao 73 minutos, com um grande corte a uma iniciativa de Deniz Gul que parecia destinada ao fundo da baliza de Trubin. Porém, o contributo que deu à equipa nunca foi sólido do ponto de vista defensivo, enquanto que a atacar continua sem ter a mínima ideia de como definir as jogadas.




Tomás Araújo (5) — Um jogo de menos a mais. Inicialmente também sem confiança, quer no transporte, quer no passe, o central encarnado foi crescendo à medida que os minutos foram passando, marcou bem Deniz Gul (um duelo muito físico) e acabou a empurrar o Benfica para a frente.
Otamendi (4) — O capitão teve uma noite apenas sofrível, dando a sensação de estar condicionado fisicamente. Durou 74 minutos, mas nunca esteve confortável e foi apanhado desposicionado na desmarcação de Froholdt no 0-1. Aos 19 minutos teve uma ação que o define, ao dar o corpo, com graves riscos para a sua integridade física, a um remate de Gul.
Dahl (6) — Outro dos jogadores do Benfica que esteve vivo durante todo o encontro, combinando bem com Schjelderup e tapando com eficácia o seu flanco. Percebeu-se a dificuldade no momento de cruzar, atendendo à superioridade no jogo aéreo que o FC Porto estava a revelar.
Barrenechea (4) — Perdido no jogo, perdido no campo, perdido ante a superioridade numérica do FC Porto a meio-campo, o argentino nunca revelou confiança e não foi o motor de que José Mourinho precisava. Foi bem substituído por Barreiro (74).
Richard Ríos (5) — Melhorou quando fez dupla com Barreiro. Até lá, esteve intermitente, ora a falhar passes fáceis, ora a ganhar bolas divididas, onde não virou a cara à luta. O Benfica precisava mais lucidez do seu playmaker colombiano.
Prestianni (5) – Muita parra e pouca uva. O jovem argentino merecia um dez em entrega e um zero em definição. Deu-se ao jogo como se não houvesse amanhã, mas das suas constantes iniciativas pouco ou nada resultou, quer a cruzar, quer a rematar.




Rafa (4) — Um jogo muitos furos abaixo do que pode e sabe. Nitidamente desinspirado, Rafa não aproveitou inúmeras bolas entre linhas em que ficou de frente para os centrais. Teve um lance que desperdiçou ao cair sozinho (63) e outro em que, em boa posição, escorregou no momento do remate (58). Aos 24 minutos, num cruzamento da direita desviado por Martim Fernandes, obrigou Diogo Costa a grande defesa.
Pavlidis (6) — O que trabalhou o grego em prol da equipa, sem ter, quase nunca, a mínima hipótese de ganhar lances em que estava em gritante inferioridade numérica. Foi dele o primeiro remate do jogo (8) à figura de Diogo Costa e assinou uma excelente jogada, da direita para a esquerda, aos 34 minutos.
Lukebakio (6) — Entrou aos 65 minutos e de imediato o Benfica ganhou maior dimensão no flanco direito. Quatro minutos depois rematou ao poste e, na recarga, Schjelderup diminuiu o prejuízo. Fez bons cruzamentos, da direita de pé trocado e não se escondeu defensivamente.
Ivanovic (6) — Com o croata em campo, aumentaram as dificuldades para a defesa portista que, declaradamente, juntou Varela aos centrais. Precioso, pela excelente técnica, o cruzamento da direita para o 2-2 de Leandro Barreiro. Aos 90+7 ainda assustou, mas a bola saiu à figura.
Leandro Barreiro (6) — Entrou muito bem no jogo, mandando no seu espaço e arrumando uma casa que estava anárquica. Teve ainda chegada à área no lance do golo do empate, que conseguiu através de um remate de difícil execução.
António Silva (5) — Substituiu Otamendi aos 74 minutos e nunca tremeu. Aguentou bem os duelos e ainda tentou municiar o ataque.
Bah (5) — Fez uma boa dupla com Lukebakio, temporizando quando era caso disso. Uma grande diferença entre estes dois e Dedic e Prestianni que querem sempre fazer tudo muito depressa e muito bem.
José Manuel Delgado, in a Bola

Sem comentários:

Enviar um comentário