Que dérbi! No jogo 3 da final do play-off da Liga Placard, neste domingo, 21 de junho, o Benfica venceu o Sporting após desempate nas grandes penalidades (8-7), isto depois de uma igualdade no tempo regulamentar (4-4) e no prolongamento (5-5). Que noite no Pavilhão Fidelidade! Prevaleceu a alma do Glorioso!
Com a série empatada (1-1), as águias, sempre muito apoiadas pelos Benfiquistas, procuraram o golo num dérbi que começou com ritmo intenso.
Com diversos remates na fase inicial, Tomás Paçó atirou à base do poste esquerdo, aos 2'. De imediato, o Benfica respondeu com dois disparos consecutivos que ameaçaram a baliza leonina.
Cassiano Klein promoveu o regresso de André Coelho, optando por deixar André Correia, Peléh, Tchuda e Raúl Moreira de fora.
Além do Presidente Rui Costa, também os futebolistas António Silva e Samuel Soares marcaram presença no pavilhão. Na quadra, as estruturas defensivas de ambos os contendores mostraram organização, mas, aos 7', o Benfica dispôs de uma soberana ocasião. André Coelho abriu para Arthur, que, sem oposição, rematou de pé esquerdo. Bernardo Paçó defendeu.
Aos 11', num livre a castigar falta sobre Kutchy, uma jogada ensaiada ditou o 1-0. O Benfica baralhou os visitantes quanto ao marcador da bola parada e Diego Nunes passou para André Coelho que rematou de primeira ao ângulo. Que momento!
Poucos segundos depois, também de livre, Tomás Paçó ameaçou e Léo Gugiel disse presente.
O dérbi estava frenético e num lance a que habituou os Benfiquistas, o guarda-redes encarnado subiu no terreno e atirou rente ao poste direito.
Em mais uma bola parada, o campeão nacional chegou ao 2.º tento. Em relação ao 1-0, os papéis inverteram-se: André Coelho colocou a bola ao segundo poste, onde Diego Nunes, sem marcação, encostou para o fundo das redes (2-0, aos 12').
Os verdes e brancos reagiram e Merlim, na sequência de uma reposição lateral, reduziu, aos 13'.
O Benfica manteve o ímpeto e foi mais rematador. Porém, numa transição rápida, Felipe Valério atirou à trave, aos 15'.
Num dérbi empolgante, num erro dos leões, Carlos Monteiro recuperou a bola, progrediu e aumentou a contagem (3-1, aos 16'), celebrando com os adeptos.
No entanto, os visitantes reduziram por intermédio de Pauleta, que fez o 3-2, aos 18', após assistência de Felipe Valério, que cruzou a partir da esquerda.
Eletrizante, o jogo que contou com 2159 adeptos prometia mais remates certeiros e logo de seguida André Coelho fez estremecer a barra.
Num encontro em que os Matinados foram o Match Day Sponsor, ao intervalo, período no qual a equipa Sub-17 de futsal encarnada foi homenageada pela conquista do Campeonato Nacional, o Benfica estava na frente: 3-2.
No reatar do jogo, logo aos 22', num contra-ataque conduzido por Silvestre e por Arthur, o internacional canarinho finalizou e Bernardo Paçó negou-lhe o golo.
Com ascendente em quadra, os encarnados tentaram ampliar. Aos 25', Afonso Jesus e Carlos Monteiro não conseguiram superar o guarda-redes leonino.
Depois, Higor desperdiçou mais uma ocasião junto da baliza adversária, aos 29'. Do outro lado, o Sporting tentava ultrapassar a boa organização defensiva encarnada, sem sucesso.
Já o Benfica, acutilante, conseguiu criar bastas oportunidades para dilatar o marcador, errando o alvo ou esbarrando na eficiência do guardião oponente.
Nada estava decidido e das poucas vezes que houve espaços para os verdes e brancos, Léo Gugiel correspondeu.
Até que, num erro de Bernardo Paçó, subido no terreno, as águias recuperaram o esférico e Carlos Monteiro assistiu André Coelho, que bisou no dérbi (4-2, aos 34').
Ainda no mesmo minuto, o Sporting, muito eficaz, aproximou-se. Pauleta faturou e colocou o score em 4-3. Aos 36', o mesmo jogador igualou.
Zicky ameaçou aos 38' e Léo Gugiel negou o golo. Cumprido o tempo regulamentar, o dérbi avançou para prolongamento (4-4).
No tempo extra, uma defesa de Léo Gugiel projetou as águias para uma transição rápida e conclusão perfeita de Higor! Benfica em vantagem mais uma vez, aos 43'.
Com ambas as formações com cinco faltas, a primeira metade do prolongamento terminou com 5-4 favorável ao Glorioso.
Num ambiente extraordinário, nos cinco minutos seguintes, com o Sporting em 5x4 (Merlim como guarda-redes avançado), o Benfica defendeu bem e Léo Gugiel também tapou a baliza nos dois disparos mais perigosos por parte dos visitantes. A 29 segundos do final, a equipa leonina dispôs de um livre de 10 metros devido à sexta falta das águias. Tomás Paçó bateu e marcou com Diogo Carrera na baliza (5-5).
Até ao final, Lúcio Rocha ainda rematou, mas Bernardo Paçó defendeu. A decisão estava reservada para as grandes penalidades. Na baliza encarnada, Diogo Carrera foi a opção nos 3 primeiros castigos máximos.
Na série de cinco, André Coelho, Kutchy, Silvestre e Higor marcaram, enquanto Afonso Jesus não converteu. Do outro lado, Diogo Carrera defendeu o 5.º penálti, apontado por Merlim. Depois, na morte súbita, Carlos Monteiro, Diego Nunes, Jacaré e Pany Varela não vacilaram. Diogo Carrera parou a tentativa de Zicky e o Benfica ganhou por 8-7.
Com este triunfo, as águias estão a uma vitória da revalidação do título. Vencendo na quinta-feira, 25 de junho, no Pavilhão João Rocha, no 4.º desafio da final, agendado para as 20h30, o objetivo será cumprido.
DECLARAÇÕES
Cassiano Klein (treinador do Benfica): "É um jogo muito dinâmico. As emoções no desporto atrapalham. Tínhamos um trabalho para fazer, que era vir aqui e vencer o jogo, tínhamos de nos focar somente nisso. Os golos acontecem para um e para o outro. As tomadas de decisões equivocadas acontecem e eu vejo que fomos uma equipa muito consistente. Lutámos muito e essa sinergia dos nossos adeptos é fascinante, é fascinante. Houve um momento em que a nossa equipa estava muito desgastada e, sem dúvida nenhuma que esse carinho, essa alma que eles colocam aqui no pavilhão, nos ajudou muito. Temos uma competição ainda em andamento e esperamos recuperar agora para fazermos um grande jogo na próxima partida. [Prejudicados por não serem eficazes?] É um jogo muito rápido, muito dinâmico. É sempre desafiante para as equipas, para todos. Neste jogo, onde se procura ter vantagem em qualquer momento, em cada oportunidade tem de se acreditar. E hoje, nos dois primeiros golos, conseguimos uma vantagem que, com certeza, nos manteve vivos na partida. Feliz pelos jogadores, porque foram eles que tiveram a competência. Porque uma coisa é pensar, outra coisa é executar. Naquele momento, eles foram muito eficientes e conseguimos o resultado graças a essas situações e a outros comportamentos que tivemos. Há coisas muito ricas numa equipa. Por exemplo, o André Correia não foi chamado para nenhum jogo da reta final e foi um dos que mais nos ajudou agora, passando a mensagem para o Carrera. Nessas coisas, eu vejo que é isso que vale uma equipa. Todos a ajudar, todos a contribuir. Os outros jogadores que também não estavam passaram uma sinergia muito grande. Mas o André Correia, que não conseguiu jogar, e a maneira como ele encarou, emocionado no final, pela alegria do Carrera, realmente é algo que nos orgulha bastante. [Importância de ter dois match points para ser campeão] A reta final é importante, mas, durante a época, trabalha-se muita coisa. E é ali, longe dos holofotes, que muitas coisas acontecem. Claro que agora é um momento muito da superação também, e entra a questão mental. Ter um grupo onde se consiga ter mais jogadores para se dividir essa carga, é muito importante. E nestes dois próximos jogos, acredito que a equipa que vai conseguir surpreender a outra, é aquela que chegar com energia para jogar estes grandes jogos. [O apoio das bancadas] Só quem veste esta camisola pode entender o sentimento, não é simples. Isso mexe sempre muito comigo, porque quando fazemos uma coisa que amamos, como eles aqui, eles amam isto aqui, isto aqui para eles é tudo. E nós sentimos isso no campo, isso é que é o mais fantástico. Eles conseguem passar essa sinergia para nós e essa unificação de campo com as bancadas, com certeza, é algo a mais para nós. Espero contar ainda, neste próximo jogo, que eles [os adeptos] vão lá ajudar-nos muito."
Léo Gugiel (guarda-redes do Benfica): "Costumo dizer que isto é o Benfica. Além de qualidade técnica e de esforço, nós temos de deixar sempre a alma em campo. Refletimos muito nos últimos dias, o que faltou muito no segundo jogo lá, e hoje a nossa postura, o mínimo que tinha de ser era lutar até ao último milésimo de segundo, foi isso que fizemos e fomos recompensados com uma grande vitória nos penáltis. Penso que se calhar devia ter sido no tempo normal, não aconteceu, erguemos a cabeça, fomos muito fortes mentalmente, muita resiliência entre todos nós, e fomos coroados com uma grande vitória nas penalidades, o que nos deixa muito fortes para o próximo jogo, porque, afinal de contas, ainda nos falta uma vitória, então, há que ter os pés bem assentes na terra, porque vai ser uma grande luta na quinta-feira. Trabalhámos fortes o ano inteiro, agora não é momento para tranquilidade, é sempre estar em alerta, mesmo depois desta vitória. No ano passado nós estávamos a perder por 2-1 a série final, conseguimos fazer uma remontada, então isso serve de alerta agora para o nosso lado. Estamos no match point, mas temos de estar muito concentrados, muito focados para ir com tudo no próximo jogo, para deixar tudo em campo. No final, quem sabe já saia com o título de campeão. E agora falando do público, agradecer a todos os que vieram, foi uma festa incrível. Espero que estejam juntos connosco até ao final porque nós vamos dar tudo por eles também."
SL Benfica

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