segunda-feira, 27 de julho de 2026

DIA 30 ESTÁ JÁ AÍ...



Dizia, com muita piada, o Luís Afonso, no excelente ‘Braba e Cabelo’, a propósito do jogo do Benfica na Suíça, que «nunca há uma segunda oportunidade para deixar uma primeira boa impressão.» O que há é uma segunda-mão que pode colocar o comboio encarnado nos carris, para a grande viagem que o espera em 2026/27. Eliminar o St.Gallen deve ser, acima de tudo, para os da Luz, um ponto de honra.
Quis o destino, em forma de surpresa a que chamou Torreense (foi surpresa, sim, mas feita de mérito e superação!), que Benfica e SC Braga tivessem que fazer de jogos oficiais de acesso a competições europeias, jogos de preparação.
Mais penalizados os da Luz - que para agravar a situação têm sido pouco lestos no reforço do plantel - do que os de Braga, em função do Campeonato do Mundo, cada um a ter de fazer pela vida porque não há calendário que lhes valha como desculpa, em caso de insucesso. Para já, o conforto dado por uma vitória fora mora na Pedreira, enquanto que se sente o fervilhar da nação encarnada, após a derrota (e sobretudo a forma como perdeu) na Suíça. No final do St. Gallen-Benfica, o treinador germânico dos helvéticos teve uma frase bem humorada, a que o Benfica deve agarrar-se: «É pena que haja segunda volta.»
O jogo da próxima quinta-feira, onde Marco Silva contará com mais umas gotas do conta-gotas que tem sido a disponibilidade dos seus jogadores, deve ser encarado pelos encarnados como a final que é, para a Liga Europa, claro está, mas sobretudo para o prestígio europeu do clube.
Recordo que há pouco mais de um ano o Benfica registou, na Luz, o pior resultado do seu longo percurso na UEFA, ao perder (depois de estar a vencer por 2-0) com o Qarabag por 3-2, na fase de grupos da Liga dos Campeões. Mais tarde, o golo de Trubin ao Real Madrid levaria a equipa de Mourinho à fase a eliminar, onde viria a cair aos pés dos merengues. Mas se não há detergente que limpe essa nódoa no currículo, frente aos azeris, o mesmo pode ser dito de uma eventual eliminação pelo St. Gallen.
Li várias declarações de personalidades do universo encarnado a queixarem-se da falta de atitude dos jogadores, na Suíça. Não concordo, via-se que a entrega ao jogo era boa e a vontade de ganhar, muita. O que faltou - e faltou mesmo - foi personalidade para ter bola e mandar no jogo, houve jogadores que se esconderam (e quando a cabeça não ajuda e as dúvidas se instalam, o caldo está entornado…), obrigando outros a saírem de posição para darem linhas de passe, e alguma descoordenação defensiva no jogo aéreo.
Nada disto teria o impacto que se conhece se os jogos fossem a ‘feijões’, como seria normal nesta fase da pré-época. Mas não são. E a segunda-mão frente ao St. Gallen é uma oportunidade perfeita para aqueles que têm mais responsabilidades darem um passo à frente, mostrando o caminho aos ‘rookies’, e outros deixarem de acusar tanto o peso da camisola. Por muito bons que sejam, se a camisola lhes pesar demais e tolher os movimentos, o melhor mesmo é encontrarem futuro noutras paragens. Depois, há a questão política, reavivada por uma época insossa, e por várias decisões questionáveis: se o campo de batalha das várias fações for o interior das quatro linhas, procurando atingir Marco Silva para fragilizar Rui Costa, não tardará e ouvir-se-ão justificados sinais de regozijo vindos de Alvalade e do Dragão. O ex-treinador do Fulham merece, pelo crédito que conquistou, que lhe deem tempo para apresentar serviço, precisando, para isso, pelo menos, de ter o plantel completo à disposição. Pois é. Mas quinta-feira já está à porta…
Tadej Pogaçar, a estrela que joga em equipa
Pogaçar já está junto de Anquetil, Merckx, Hinault e Indurain, no ‘clube do penta’ do Tour. Mas, na segunda-jornada do Alpe d’Huez, apesar de ser quem é, transformou-se em gregário de Del Toro, levando o mexicano, às costas, até ao pódio de Paris. Esta humildade, só a têm os grandes campeões. E é por isso que recebem, como retorno, tudo o que a equipa tem para lhes dar. E há quem ainda não perceba isto…
Pedro Gonçalves
‘Pote’ já disse adeus a Alvalade, onde marcou uma época, com um futebol de fino recorte, deixando como imagens de marca muitas finalizações subtis, com passes para o fundo das redes adversárias, sem necessitar de rematar. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…
Nélson Évora
O campeão olímpico de Pequim/08, sagrou-se campeão nacional do triplo-salto, aos 42 anos, com uma marca 1,71 metros abaixo do seu melhor. Louva-se a persistência de Nélson Évora, os 16m03 conseguidos, para a sua idade são respeitáveis, mas, pergunta-se, onde estão os sucessores?
DUQUE
Rui Costa
Bastou um jogo negativo do Benfica para se ver sob uma chuva de ataques e críticas, que prenunciam ventos e tempestades se a temporada não correr de acordo com as aspirações dos encarnados. Com a imagem desgastada, Rui Costa só pode responder de uma forma: ganhando.
ALMA DE CAMPEÃO. Impressionante o número de adeptos que acorreram ao estádio do Dragão para a apresentação da versão de 2026/27 da equipa de Francesco Farioli. Foi perante casa lotada que o FC Porto derrotou o Aston Villa (nesta fase da temporada o resultado nem é o mais importante, o mesmo não podendo dizer-se do banho de confiança dado aos azuis-e-brancos), revelando uma coesão clubística que nunca deve ser subestimada. Sabendo-se que é sempre mais difícil renovar o título do que conquistá-lo pela primeira vez, a pronúncia do norte ecoou alto naquele que pode ser o primeiro aviso sério à concorrência…

José Manuel Delgado, in a Bola 

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