Com um póquer de Pavlidis e o primeiro golo encarnado de Lenglet, o Benfica venceu o St. Gallen, por 5-0, na 2.ª mão da 2.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa.
Amparado por um Estádio da Luz bem-composto (59 563 espectadores), o Benfica operou uma reviravolta categórica na 2.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa, ao golear o St. Gallen, por 5-0, na 2.ª mão da eliminatória, disputada na noite desta quinta-feira, 30 de julho. Segue-se o Hearts, na próxima ronda de qualificação.
Com a intenção de que os seus comandados fossem "mais fortes coletivamente" do que no duelo da 1.ª mão (2-1) – tal como sublinhou na antevisão –, Marco Silva selecionou Trubin, Bah, António Silva, Lenglet, Dahl, Barrenechea, Barreiro, Rafa, Kamiński, Sudakov e Pavlidis para formarem a equipa inicial encarnada.
Deste modo, relativamente ao embate na Suíça, o onze titular das águias teve duas alterações, com Barrenechea e Barreiro a entrarem para os lugares de Manu e Miguel Figueiredo no meio-campo.
A entrada dos anfitriões revelou-se praticamente perfeita, os quais converteram a primeira ocasião da contenda. Aos 11', o coletivo vermelho e branco colocou-se em vantagem numa jogada rápida iniciada por Bah, que aproveitou uma desconcentração adversária numa reposição lateral para lançar Rafa na profundidade, pelo corredor direito. O avançado assistiu de primeira Pavlidis, e o internacional grego, também ao primeiro toque, inaugurou o marcador com um remate certeiro na área (1-0).
A resposta do St. Gallen surgiu dois minutos depois (13'). De ângulo apertado à esquerda da área, Balde forçou Trubin a uma defesa atenta, antes de Okoroji, de fora da área na insistência, disparar ao lado do alvo.
De seguida (17'), Balde tornou a criar perigo ao surgir em boa posição na direita, mas Lenglet, face à saída de Trubin, apareceu no momento certo para intercetar de cabeça o tiro adversário. No seguimento, Boukhalfa, no interior da área, cabeceou um pouco por cima.
Na sequência de um período mais amarrado, o Benfica voltou à carga aos 37'. Num canto à direita, Sudakov cruzou para António Silva, cujo cabeceamento obrigou Watkowiak a uma grande intervenção.
A melhor oportunidade do conjunto suíço surgiu a 5 minutos do intervalo (40'). Balde ganhou um ressalto a Bah, entrou na área pela esquerda e disparou com violência ao poste mais próximo.
Até ao descanso, os encarnados ainda ameaçaram mais duas vezes: à direita, Rafa tocou para Bah, e o cruzamento do lateral encontrou Barreiro, que desviou ao primeiro poste, por cima da baliza (43'); e, à esquerda, numa excelente iniciativa individual, Rafa ganhou a bola na frente, avançou e atirou em arco à entrada da área, vendo a bola passar muito perto do ângulo superior direito (45'+2').
Os comandados de Marco Silva também entraram bem na etapa complementar, e – após Barreiro, servido por um passe teleguiado de Sudakov, proporcionar nova intervenção de qualidade de Watkowiak (54') – tornaram a abanar as redes nos primeiros minutos.
Numa jogada de dinâmico entendimento coletivo à passagem dos 55', António Silva colocou a bola na entrada da área, Kamiński fez uma simulação e deixou-a passar de forma inteligente para Pavlidis, que tabelou com o internacional polaco e, perto da marca de penálti, completou a reviravolta na eliminatória (2-0). Foi a primeira assistência de Kamiński com o Manto Sagrado.
O cenário tornou-se ainda mais favorável para o Benfica aos 57', quando Stanic – que já havia sido admoestado aos 21' por falta dura sobre Pavlidis – viu o segundo cartão amarelo e consequente vermelho por travar Sudakov numa arrancada em direção à baliza do St. Gallen, deixando a formação suíça reduzida a 10 unidades.
As águias não tiraram o pé do acelerador, e, aos 64', António Silva protagonizou uma excelente arrancada pelo corredor central, entrou na área e descobriu Sudakov, cujo remate rasteiro foi segurado por Watkowiak.
Um minuto depois (65'), Pavlidis tornou a colocar a bola na baliza, mas o lance foi inicialmente anulado por alegado fora de jogo de Bah. Após análise do VAR, a decisão foi revertida e o golo acabou por ser validado aos 67'. Num lance de insistência, Bah voltou a cruzar depois de dois cortes da defesa suíça, e Pavlidis cabeceou na pequena área para o 3-0.
Entre estes momentos, Richard Ríos foi lançado para o lugar de Barreiro, aos 66'.
O Benfica continuava a criar perigo, e, aos 70', Dahl tentou a sorte de longe após um canto aliviado, obrigando novamente Watkowiak a intervir.
Pouco depois (73'), António Silva lançou Richard Ríos em profundidade, e o médio colombiano foi derrubado por Frokaj já dentro da área. O árbitro assinalou grande penalidade, e Pavlidis (vencedor da distinção de Man of the Match), chamado à cobrança, não desperdiçou, completando o notável póquer com um pontapé potente e colocado (4-0).
Marco Silva tornou a mexer no minuto 76: Schjelderup e Lukebakio substituíram Rafa e Kamiński.
Recém-entrado, Lukebakio esteve muito perto de marcar numa bela arrancada pela direita, mas, depois de fletir para dentro na área, a sua tentativa saiu ligeiramente ao lado do poste esquerdo (76').
Volvidos dois minutos, foram Dedic e Jhon Durán (estreia oficial pelo Glorioso) que saltaram do banco, rendendo Bah e Pavlidis.
Com o jogo a seguir na mesma tendência, aos 81', Sudakov, servido por um passe de Dahl para a área, voltou a testar a atenção de Watkowiak, que defendeu para fora com os pés.
No canto consequente, Sudakov deu curto para Lukebakio, e o extremo cruzou a meia altura para a área, onde Lenglet, de costas para a baliza, esticou-se e desviou com classe para o fundo das redes (5-0). Primeiro golo do internacional francês pelas águias a fechar a contagem.
Nos minutos finais, o St. Gallen ainda procurou reduzir a diferença, sem sucesso: Frokaj tentou a sua sorte de longe, Trubin defendeu com dificuldade, e Lenglet completou com um grande corte em carrinho (84'); e, isolado à entrada da área, o mesmo jogador ameaçou novamente, rematando muito perto do poste direito (86').
Ultrapassado o St. Gallen, o Benfica terá agora pela frente o Hearts (eliminado pelo SK Sturm Graz na 2.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga dos Campeões), na 3.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa. Assim, o próximo desafio é a 1.ª mão da eliminatória, que se realiza no Estádio da Luz, às 20h00 de quinta-feira, 6 de agosto.
SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Pavlidis foi o rei da eliminatória
Melhor em campo: Pavlidis (8)
Marcou golos (quatro) para todos os gostos, dois de pé esquerdo, um de cabeça e um de pé direito. Mas, para qualquer treinador, deve ser um gosto ver como foi muito mais que isso. Para lá de finalizador letal, deu-se ao jogo, ocupando por vezes as áreas de Sudakov, quando recuava no terreno, para receber a bola e combinar com os companheiros e permitir a saída de bola. Jogou bem, por isso, de costas para a baliza e ainda mais de frente para o guarda-redes . No primeiro golo, finalizou de primeira com o pé esquerdo; no segundo, recebeu a bola de António Silva, tocou para Kaminski, recebeu com pé direito e disparou com o esquerdo; no terceiro, cabeceou após centro de Bah; no quarto fuzilou com o pé direito no penálti. Éna, dío, tría, téssera. E como houve cinco, então pénte. Percebe-se que é um, dois, três, quatro, cinco em grego, certo?
Trubin (5) — Não passou tranquilidade à equipa, apesar de ter começado bem, agarrando um centro após um canto aos 3’ e defendendo um remate forte, cruzado e perto de Balde. Aos 17’, saiu mal da baliza, Balde ficou com a bola, mas Lenglet salvou o empate. Defesa complicada e apertada para a frente aos 84’.
Bah (5) — Com o St. Gallen distraído, lançamento lateral rápido a servir a velocidade de Rafa, que assistiu Pavlidis no primeiro golo. Também assistiu Pavlidis no terceiro golo, depois de um bom lance ofensivo. Aos 43’ também cruzou para finalização perigosa de Leandro Barreiro. Mas teve vários momentos negativos: aos 13’ foi batido por Balde e permitiu depois o remate perigoso do avançado; aos 17’ perdeu lance de cabeça com Boukhalfa na área; aos 40’ perdeu dois duelos com Balde, que rematou ao poste. Segunda parte mais tranquila.
António Silva (8) — Que bela forma de se despedir da Luz. A partir da meia hora, depois de já ter feito um excelente passe vertical para Rafa, percebeu que a equipa precisava dele a atacar. Aos 35’ arrancou para o meio-campo adversário, quebrou a marcação individual, meteu a bola em Pavlidis e foi recebê-la na área de Rafa, mas Balde cortou o lance. Forte nos duelos individuais, o lance do segundo golo nasce depois de um passe do capitão para Kaminski. Ainda foi protagonista de mais duas arrancadas com bola de fazer inveja a qualquer médio e foi eficaz também a meter bolas longas no ataque. Foi líder quando a equipa precisou. Ah, e esteve perto de marcar num cabeceamento após canto apontado por Sudakov.
Lenglet (7) — Salvou de cabeça o empate (13’), evitou que Hunziker marcasse aos 84’ e falhou o momento de corte a Frokaj que se isolou e falhou na cara de Trubin. Fez dois bons passes para Rafa e Sudakov na segunda parte e fez de avançado ao marcar, com o pé esquerdo, o quinto golo, depois de centro de Lukebakio.
Dahl (5) — Sem grande influência ofensiva na primeira parte, melhorou na segunda, destacando-se num remate de pé direito fora da área para defesa de Dumrath e num bom centro de Sudakov.
Leandro Barreiro (6) — Energético, não deixa qualquer adversário descansado. Aos 19’ queixou-se de ter sofrido penálti e pela área surgiu a finalizar várias vezes, aos 43’ até esteve bem perto de marcar, mas a bola saiu por cima da barra. Andou para a frente e para trás, para a esquerda e para a direita, e aos 54’, isolado por Sudakov, rematou para defesa de Dumrath.
Enzo Barrenechea (5) — Aos 3’ apanhou um susto, deixando escapar Boukhalfa para um ataque perigoso. Demorou a encaixar no jogo, ou seja, onde posicionar-se, que movimentos fazer, quando e onde e como pressionar. Também raramente foi a melhor solução para a saída de bola. Tinha sempre Gortler. Estabilizou depois do intervalo, aos 52’ recuperou uma bola perto da área do St. Gallen e meteu-a logo em Pavlidis, que decidiu mal.
Rafa (7) — Veloz como uma chita, desmarcou-se nas costas da defesa suíça e meteu a bola em Pavlidis no lance do primeiro golo. Aos 19’ isolou Leandro Barreiro com um toque de calcanhar. Aos 45+2’ recuperou a bola e rematou em arco por cima da barra. Aos 53’ cruzou com açúcar, mas Pavlidis e Kaminski não chegaram a tempo para encostar. Aos 65’ isolou Bah no lance do terceiro golo.
Sudakov (6) — Pouco influente na primeira parte, apesar de ter cruzado para cabeceamento perigoso de António Silva. Deu-se ao jogo na segunda parte. Aos 54’, fez um grande passe de trivela a isolar Leandro Barreiro. Três minutos depois foi derrubado por Stanic, que viu o segundo amarelo e o vermelho. Somou ainda três remates. E foi, sobretudo, uma solução ofensiva, mais confiante e com muita vontade de ter influência.
Kaminski (6) — Primeira parte negativa, com más decisões, embora com compromisso defensivo. Subiu muito de rendimento na segunda. Aos 55’ simulou receber a bola, deixou-a para Pavlidis, foi receber mais à frente para fazer assistência para o segundo golo do grego. Sentiu-se melhor quando pisou terrenos interiores.
Ríos (6) — Entrou aos 66’ e pouco depois estava a ser derrubado na área. Com larga área de ação e sem estar pressionado, até pareceu soltinho, apesar de ter poucos dias de trabalho.
Schjelderup (5) — Sem impacto ofensivo, ainda tentou acelerações pela esquerda.
Lukebakio (6) — Entrou cheio de vontade e genica, na primeira jogada deixou Owusu para trás, tirou Okoroji da frente e rematou rasteiro em arco ao lado do poste direito. Fez também a assistência para Lenglet. Manteve o ritmo alto da equipa.
Dedic (5) — Logo no primero lance já estava perto da área com a bola. Aos 90+3’, depois de arrancada, meteu a bola em Lukebakio, que decidiu mal.
Durán (5) — Apenas lhe chegou uma bola, após centro de Lukebakio, que quase nem conseguiu cabecear. Mas também vinha muito alta.
Nuno Paralvas, in a Bola





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