sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

UM VALEU TUDO, QUE VALEU UMA MÃO CHEIA DE NADA!


O Sport Lisboa e Benfica disputou esta noite de sexta-feira a 12.ª jornada da Liga NOS. No Estádio dos Barreiros, o Tricampeão Nacional defrontou o Marítimo, 9.º classificado, numa noite marcada pela inauguração da nova bancada do recinto.
Face ao último onze, relativamente à receção ao Moreirense, Rui Vitória fez duas alterações, com André Almeida a surgir no lado esquerdo da defesa, enquanto Mitroglou regressou à titularidade. Em sentido inverso, Eliseu ingressou no Boletim Clínico e Raúl ficou no banco de suplentes.
E foi um Marítimo atrevido aquele que iniciou a partida, com a equipa orientada por Daniel Ramos a colocar-se cedo em vantagem.
Minuto 5 e G. Ghazaryan aproveita a escorregadela de Luisão (a cumprir o jogo 300 pelas águias na Liga) para rematar à baliza de Ederson. A bola acaba por tocar e desviar em Nélson Semedo e entra na baliza.
Ora, em desvantagem, reação imediata dos comandados de Rui Vitória… e que reação!
André Almeida (8’), Luisão (18’), Mitroglou (22’)… Pelo meio um valente susto… duplo!
Aos 20’, Éber Bessa isola-se e remata forte para grande defesa de um Ederson destemido. A bola sobra para G. Ghazaryan, novo remate colocado para defesa enorme do guardião brasileiro.
E o golo do Benfica! Aos 27’, Fejsa dá para Nélson Semedo, o lateral remata, a bola desvia em Gonçalo Guedes e acaba por morar no fundo das redes à guarda de Gottardi.
Tudo igual no marcador e mais Benfica! Mitroglou, Salvio, Lindelof e Pizzi deram o mote até ao intervalo, mas o resultado não se alterou.


Nota de destaque ainda nesta primeira parte para o minuto 39’. Lance muito duvidoso na área insular, com Nélson Semedo a cair num lance dividido com Edgar Costa. O árbitro, Vasco Santos, assinalou falta ao lateral encarnado…
Injustiça a 20 minutos do apito final
Segunda parte e mais do mesmo! Disputa, intensidade, rapidez e muita ambição. Salvio atirou à trave aos 47’ e deu o mote, com Luisão, aos 58’, a chamar Gottardi a nova defesa.
Aos 61’ mais um lance muito duvidoso desta feita sobre Salvio… Vasco Santos mandou seguir.
Aos 64’ gritou-se golo nos Barreiros. Cervi cruza para a área, o recém-entrado Rafa cabeceia com convicção, mas Gottardi voa para a defesa da noite e diz não.
O Benfica carregava, mas a 20 minutos do fim foram mesmo os insulares a colocarem-se novamente em vantagem. Dois cantos consecutivos e Maurício sobe mais alto e faz o 2-1.
Rafa e Raúl na resposta falham o empate… incrível! Até ao final, pressão intensa dos encarnados, algum azar, alguma ineficácia, muito anti-jogo do adversário, com o resultado a não sofrer alteração e o Benfica a perder a invencibilidade na Liga NOS.
Não obstante este resultado, o Tricampeão mantém a liderança, com 29 pontos.
O SL Benfica alinhou de início com Ederson; Nélson Semedo, Luisão, Lindelof e André Almeida (Raúl, 70’); Fejsa, Pizzi, Salvio (Rafa, 63’) e Cervi (Carrillo, 82’); Gonçalo Guedes e Mitroglou.
Na próxima terça-feira o chip muda… é que vem aí a 6.ª e derradeira jornada da Fase de Grupos da Liga dos Campeões. Sport Lisboa e Benfica e Nápoles defrontam-se pelas 19h45, no Estádio da Luz. Está tudo em aberto no Grupo B da prova e o Tricampeão só depende de si mesmo para seguir em frente para os oitavos de final.
O Campeonato Nacional regressa no fim de semana seguinte e com um dérbi. As águias recebem, no Estádio da Luz, o Sporting, às 18h00 de domingo, à passagem da 13.ª jornada.

LANÇAS APONTADAS BTV :: 30 NOV 2016

                                           

AQUECIMENTO BTV

                                           

CAPAS DO DIA


CRÓNICA DE RUI GOMES DA SILVA


"A vida, o futebol, as ideias, os clubes podem esperar para todo o sempre quando somos surpreendidos pela morte como nunca.

Jiménez,... Boavista,... VMC's,... incentivos,... vídeoárbitro,... túneis (nas suas mais diversas e feitios),... eram temas possíveis desta página de hoje, no jornal A Bola, que uma tragédia fez adiar.
Porque a vida, o futebol, as ideias, os clubes podem esperar para todo o sempre quando somos surpreendidos pela morte como nunca.
Cresci a ouvir o meu pai contar, vezes sem conta, a tragédia que ceifou a vida de todos os 31 passageiros e dos 4 tripulantes do avião que transportava a equipa do Torino, no desastre aéreo contra a Torre de Superga, em Turim, a 4 de Maio de 1949.
História tanto mais impressionante - para quem, então, nessas histórias de uns anos antes, descobria, como eu, os desafios e os encantos dos jogos com grandes equipas europeias - quando aconteceu envolvendo, de forma muito próxima, o Benfica e a festa de despedida de Francisco Ferreira.
O primeiro desastre aéreo de que eu haveria memória e, infelizmente, não o último!
Como aprendi a gostar de futebol e a ouvir que a final da Taça dos Campeões Europeus de 1968, em Wembley, onde perdemos com o Manchester United representou, de algum modo, a compensação divina pelo desastre sofrido pela equipa inglesa, 10 anos antes, a 6 de Fevereiro de 1958, em Munique, onde faleceram 17 dos 38 passageiros do avião que se dali não conseguiu levantar.
Uma recompensa materializada nos 4-1 finais, com que Best, Stiles, Laws, Charlton & Cia, nos venceram, mas que atingiu o seu ponto máximo naquele golo não marcado no último minuto do tempo regulamentar, por Eusébio, que nos daria o terceiro título de Campeões Europeus...
Porque achamos sempre - já que os outros desastres aéreos desportivos andam longe da nossa realidade mais próxima, como o de 8 de Dezembro de 1987, em que morreram todos os jogadores do Club Allianza Lima (sobreviveu apenas o piloto entre 37 passageiros e 6 tripulantes), ou o de 27 de Abril de 1993, em que o mesmo sucedeu a todos os jogadores da selecção da Zâmbia (vitimando 25 passageiros e 5 tripulantes) - que isso não acontece a equipas de topo!
Muitas vezes, nos voos que nos levam aos jogos de vida ou de morte das competições europeias ou naqueles em que vamos acompanhando deslocações particulares da equipa, nos questionamos sobre essa possibilidade, logo afastada com a ideia que, indo ali quem sabemos ir,... isso não acontecerá.
Ou - simplesmente - para jogar nos Açores ou na Madeira...
Até percebemos que isso... pode acontecer.
A uns, muito poucos (como eu), caindo e sobrevivendo!
A outros, infelizmente, caindo...


Como, agora, com a Associação Chapecoense de Futebol!
E se a notícia, em si, é chocante, por brutal e desumana (embora saibamos ser a morte o que temos de mais certo), eu, que sempre fiz minha a ideia que «um homem não chora», começo a admitir a possibilidade de poder haver... excepções.


Não pela morte, em si - devastadora, inconformável e irreparável - mas pela onda de solidariedade que mereceu a tragédia.
Se «os campeões não morrem»,... «no dia em que o mundo chorou pela Chapecoense», confesso-me rendido aos sentimentos do futebol.
Desde a mensagem de Luís Filipe Vieira, expressando a solidariedade do Benfica, como «clube de valores, de afectos e de paixão...», passando pela disponibilidade de cedência de jogadores de outros clubes brasileiros e estrangeiros (onde se inclui o Benfica), até ao pedido, assumido por alguns emblemas que, durante três anos, a Chapecoense não possa descer de divisão.
Ou o desejo do Palmeiras, já campeão, ao pedir para jogar o último jogo (contra o Vitória da Baía, o do consagração do título alcançado) com as cores da Chapecoense, numa homenagem que tem já a anuência da respectiva marca de equipamentos, como prova provada que, também no futebol, há sentimentos para além do dinheiro...
E - sendo o futebol apontado como um dos exemplos maior da luta por títulos a qualquer preço - que dizer desse pedido do Atlético Nacional de Medellin, que nunca, nas anteriores 15 edições conquistou a Copa Sul Americana (a Liga Europa da América do Sul) para que o título fosse atribuído à Associação Chapecoense de Futebol, o pequeno clube de Chapecó, Santa Catarina?
E se a linha que separa a vida da morte é tão ténue, que dizer da mera opção de Caio Júnior (que o destino não quis que pudesse ver a «história acontecer»), o treinador com tantas ligações a Portugal, como referiu João Alves, no seu emocionado depoimento, à qual Marcelo Boeck deve a vida, possivelmente depois de ter ficado muito triste por não ser incluído na lista de convocados... para a tragédia?
Ou a prova de que, se as escolhas das equipas que entram em campo podem significar defesas, pontapés, cabeçadas, golos, tristeza, alegria, derrota, empate, vitória,... houve, pelo menos neste caso, uma opção que valeu a vida...
Porque, como diria o próprio Marcelo Boeck,... «os amigos dos meus filhos já não têm pais»!!!
Os pais dos amigos dos filhos do pai que jogava com os pais deles!
Ou a forma mais sentida para nos convocar, a todos para que (parafraseando, embora noutras circunstâncias bem menos difíceis, a declaração de John Kennedy, em Berlim, a 26 de Junho de 1963) possamos, hoje, afirmar... «somos todos Chapecoenses!!!»"

RGS in a bola

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

21 CONVOCADOS PARA A MADEIRA


O SL Benfica mantém-se na liderança invicta e isolada da classificação geral, com 29 pontos (9V2E0D)… e é nessa condição que o Tricampeão torna a entrar em ação na próxima sexta-feira, com uma viagem à Pérola do Atlântico, para defrontar o 9.º classificado, o Marítimo.
Após a Conferência de Imprensa de antevisão ao encontro, Rui Vitória divulgou a convocatória e são 21 os atletas que viajam até ao Estádio dos Barreiros.
Lista de Convocados
Guarda-redes – Ederson, Júlio César e Paulo Lopes;
Defesas – Lisandro, Luisão, Lindelof, Jardel, André Almeida e Nélson Semedo;
Médios – Fejsa, Samaris, Carrillo, Zivkovic, Salvio, Pizzi, Cervi, Celis e Rafa;
Avançados – Raúl, Mitroglou e Gonçalo Guedes;
O Marítimo-SL Benfica, referente à 12.ª jornada da Liga NOS, tem início às 20h30 e joga-se nos Barreiros.

"QUANTO MAIS NOS QUEREM DIVIDIR MAIS UNIDOS FICAMOS"

                                           

CANDELÁRIA - BENFICA, 1-7


HÓQUEI EM PATINS VENCE NOS AÇORES

A equipa de Hóquei em Patins do SL Benfica regressou esta noite de quarta-feira às contas do Campeonato Nacional.
No Pavilhão Desportivo do Candelária - Ilha do Pico – Açores, à 8.ª jornada da prova, as águias não facilitaram e venceram por taxativos 1-7.
                       
Carlos Nicolia (4), Jordi Adroher (2) e Miguel Rocha assinaram os golos de um triunfo que mantém o Benfica na liderança da classificação geral, com um pleno de oito vitórias.
Pedro Nunes fez alinhar de início Guillem Trabal, Valter Neves, Diogo Rafael, Carlos Nicolia e João Rodrigues.
De regresso à Luz e ao Pavilhão Fidelidade, sábado, pelas 17h00, o Hóquei em Patins mede forças com o Paço de Arcos nas contas da 9.ª ronda do Campeonato.

CAPAS DO DIA


O VIGILANTE


"Vieira funciona como segunda linha de betão, difícil de transpor. Parece ausente ou distraído, mas quase nada lhe escapa.

Como a memória é curta, e no futebol ainda mais, quando dá jeito, manda a verdade recordar que há um ano, igualmente com onze jornadas disputadas na Liga, o cenário era bem diferente daquele que hoje se regista. O Sporting, inebriado pelo efeito Jesus, que se julgava ser prenúncio de conquistas a perder de vista, liderava com mais dois pontos que o FC Porto. Em patamar abaixo, consideravelmente abaixo, a sete pontos do leão, surgia o Benfica, desconsiderado e a enfrentar ventos e marés no combate a vaga de ataques sem rosto.
De fora e de dentro do clube, o cerco crítico assumiu proporções gigantescas. Adivinharam-se terríveis prejuízos. Conjecturaram-se colapsos traumatizantes no projecto de Vieira. Deu-se como garantido o despedimento do treinador. Sentenciou-se o fim do consulado do presidente.
Enfim, gerou-se uma barulheira sem ponta de credibilidade e de uma excentricidade opinativa mal sustentada, como se alguma vez a sobrevivência de um clube com a dimensão e a história do Benfica pudesse ficar dependente dos caprichos de um treinador, por mais rico que fosse o seu currículo internacional, o que nem sequer era o caso, como é público.
Um ano depois, já sem poeira no ar, verifica-se que o Estádio da Luz continua de pé e mais concorrido do que nunca, sendo na actualidade, como li em A Bola, o oitavo da Europa com mais assistências, apenas superado, convém sublinhar, por Borussia de Dortmund, Barcelona, Manchester United, Bayern, Real Madrid, Schalke e Arsenal, não constando na lista mais algum clube português entre os 20 primeiros deste ranking. Além de, em comparação com a mesma jornada da última época (11.ª), quem lidera agora é o Benfica, cinco pontos à frente do Sporting e sete do FC Porto. As voltas que muitos juravam que isto ia dar e... não deu. Melhor, deu, embora em sentido contrário: Jesus não funcionou como se pretendia em Alvalade, Lopetegui/Peseiro marcaram passo no Dragão e Vitória teve de fazer o favor de ser campeão, permita-se-me a ironia.
As forças demoníacas erraram. Nada do que previram aconteceu. Os factos falam por si e demonstram que tudo se resumiu a uma manobra desestabilizadora de grandes proporções que Luís Filipe Vieira - entretanto reeleito com 90 e tal por cento de votos e ainda assim houve quem tivesse visto nesse resultado sinal de distanciação por parte da família encarnada - destruiu pela discrição, pela firmeza das suas convicções e, principalmente, pela mais poderosa arma que utiliza quando quer proteger de intromissões alheias a instituição a que preside: apelo à união da família benfiquista para um Benfica maior e mais forte, inovador e preparado para vencer os desafios do futuro.

Vieira pode parecer um romântico ao adoptar um estilo de presidência cordato e dialogante, em choque com a truculência partilhada pela maioria. Nem sempre procedeu com o tempero conveniente, sem dúvida, mas teve a virtude de aprender depressa e, mais significativo, de saber estar à altura da grandeza do emblema da águia.
Cedo compreendeu que ser presidente do Benfica o devia inibir de alinhar em algazarras de bairro disfarçadas de rivalidades ou dar troco a reptos futeis de quem, provavelmente, gostaria de ser como ele mas não sabe como.
Proclamou o objectivo do tri quando muito boa gente chorava baba e ranho por causa da saída de Jesus. Reflexo de bem urdida operação de maledicência que gerou embaraços na organização encarnada e interferiu no trabalho de Vitória. Sem dramas, porém. Para quem o conhece minimamente já deve ter verificado que Vieira funciona como segunda linha de betão, difícil de transpor. Parece ausente ou distraído, mas quase nada lhe escapa.

É um vigilante atento, daqueles que se for preciso não dormem. Revela especial intuição para prever as coisas a preparar soluções. De aí que decorriam ainda os festejos do campeonato que Jesus prometeu e Vitória venceu e já Vieira apontava a meta do tetra, indiferente aos outros.
Esse é, aliás, um dos seus trunfos mais valiosos, acreditar na organização que criou, saber com o que conta em termos de disponibilidade/qualidade dos praticantes e ver no seu treinador, além de elevada competência, firmes traços de seriedade e lealdade.
Por outro lado, a boa saúde da águia na fase pós-Jesus permite acreditar que o V de Vieira associado ao V de Vitória traduz uma relação destinada a ser feliz."

Fernando Guerra, in A Bola