quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

NO FINAL, SÓ PODE HAVER UM VENCEDOR


"Não é fácil encontrar uma época como a actual, em que, na viragem do ano civil, os principais campeonatos já estão decididos. É assim em Espanha; em França; na Alemanha; e em Inglaterra. Dúvidas só na corrida a dois entre Juve e Nápoles em Itália e, em Portugal, onde três equipas alimentam ambições realistas de alcançar o título.
Em condições normais, este contexto seria revelador de que a Liga NOS era disputada e competitiva. No entanto, está montado um cenário tal que a sensação com que se fica é que, se o Benfica for campeão, o país, arrastado pelo futebol autóctone, pode mesmo acabar.
Da mesma forma que o Benfica "não pode" ser campeão (grafo entre aspas, não vá o leitor tresler e disparar antes de interpretar), também Porto e Sporting, por razões distintas, não podem deixar de se sagrar campeões esta temporada.
O Porto por não estar habituado a tamanho jejum de títulos, ainda para mais estando numa situação financeira que precisa de ser revertida. Por isso mesmo, o Porto montou uma estratégia comunicacional eficaz, que teve o condão de fragilizar o adversário principal, ocultar os falhanços desportivos e unir os adeptos em torno da equipa. Claro está que sem resultados nada disto funcionaria, mas, com Sérgio Conceição, o Porto reinventou-se futebolisticamente e, num contexto de desinvestimento, é hoje uma equipa muito mais forte.
Já o Sporting, depois de quatro anos de presidência de Bruno de Carvalho e de quatro títulos do Benfica, investiu muito, preservando jogadores fulcrais, ao mesmo tempo que não hesitou em ir sucessivamente ao mercado – tudo indica, aliás, que a dose se irá repetir em Janeiro, com contratações de valores seguros, que poucos imaginariam ao alcance dos de Alvalade. Com três anos de Jorge Jesus – contratado para ganhar já –, o Sporting não pode não ser campeão este ano. 
Resumindo, depois da ofensiva comunicacional que orquestrou, o Porto tem de se sagrar campeão este ano; da mesma forma que depois do investimento que fez, o Sporting tem de conquistar o título. O problema é que, no final, só pode haver um campeão.
E onde fica o Benfica nesta equação? Para os adeptos, tudo o que não seja a conquista do penta é uma derrota absoluta. Ainda assim, enquanto organização, o Benfica está menos obrigado a vencer este ano. Aliás, tendo em conta o desinvestimento no plantel, o corolário natural é o Benfica não ser campeão.
Acontece que estamos em Janeiro e, mesmo com um futebol pobre, o Benfica está a três pontos da liderança e, caso vença as três próximas partidas (o dérbi de amanhã, mas, também, as duas deslocações sucessivas ao Minho), tornar-se-á o principal candidato à vitória. Porquê? Simples: ao contrário de Porto e Sporting, o Benfica está desobrigado de vencer, mas tem um balneário habituado a ganhar, a lidar com a pressão e a ultrapassar a adversidade. As melhorias exibicionais virão por acréscimo."

105x68 BENFICA TV HD :: 02 JANEIRO 2018

                                           

RESOLUÇÕES PARA 2018


"É tempo de perspectivar 2018. No plano profissional, renovo o compromisso do sindicato para a defesa do jogador:
1. Fundo de Pensões: Implementar este instrumento de poupança, respondendo aos problemas gerados pelo fim de carreira, lesão, doença ou desemprego.
2. Carreiras Duais: Formar e qualificar os praticantes durante a carreira, assegurando o sucesso na transição.
3. Saúde Mental: Investigar, diagnosticar, prevenir e assegurar tratamento adequado para os problemas psicológicos que afectam o jogador.
4. Educação Financeira: Capacitar os jogadores para uma gestão financeira sensata e criação de hábitos de poupança.
5. Responsabilidade Social: Afirmar o papel do jogador na relação com a comunidade, para que possa, realmente, fazer a diferença.
6. Academia do Sindicato:
Concretizar a visão desportiva, educativa e social do sindicato.
Em ano de Mundial, desejo a glória da nossa Selecção. Fora dos relvados, há muito para alcançar:
7. Diálogo Social: A pluralidade é a maior riqueza da governação. O movimento associativo deve assumir a sua autonomia, respeitar o diálogo e garantir compromissos.
8. Boa Governação: A ‘bolha’ que protege o futebol acabará por rebentar e será catastrófico. Impõe-se maior organização, disciplina e transparência.
9. Resultados Combinados: este flagelo exige Cidadania Desportiva Activa.
10. Justiça Desportiva: Devemos recuperar um modelo mais célere, justo e acessível a todos.
11. Conselho Nacional Desporto: Urge alterar a sua composição e definir novas competências. O Estado pode e deve fazer mais.
12. Formação e Futebol Feminino: A tutela e os clubes têm o dever de assegurar um espaço de progressão para jovens atletas portugueses e defender a igualdade de género através do futebol feminino. Não se admitem retrocessos."

MAIS CULTURA PARA 2018


"Estes são os meus votos para o desporto português, em 2018: mais cultura, repito: mais cultura e que esta cultura seja prática e teoria, seja vida e não só retórica, seja profecia e não só memória. Começo com a conhecida definição de cultura de Malinowski (Une théorie scientifique de la culture, Maspero, 1968) : “Trata-se evidentemente de uma totalidade onde entram os utensílios e os bens de consumo, as normas orgânicas que regulam os diversos agrupamentos sociais, as ideias e as artes, as crenças e os costumes. Observemos uma cultura muito simples e primitiva ou, pelo contrário, uma cultura complexa, muito evoluída: estamos sempre perante um vasto aparelho, em parte material, em parte humano e ainda, em parte, espiritual, que permite ao homem enfrentar os problemas concretos e precisos que lhe são colocados”.
A cultura define-se, em primeiro lugar, como uma totalidade, que é o conjunto do que resulta do trabalho e da criatividade do ser humano, em contraste com o que é natural, com o que o ser humano não fez. Costuma distinguir-se a cultura popular da cultura erudita ou alta cultura, como o faziam os humanistas, que chamavam “bárbaros” aos que não ostentassem uma superior cultura literária, próxima dos nomes maiores da Antiguidade Clássica. No entanto, para mim, não há ninguém inculto. Como Ralph Linton o acentuava, “todas as sociedades têm uma cultura, por mais simples que pareça e todos os seres humanos são cultos, no sentido de que são sempre participantes de uma qualquer cultura” (Le fondement culturelle de la personnalité, Dunod, p. 3). De quanto precede se conclui que não há “homens incultos” e que, pela linguagem, a cultura se conhece, se compreende e se transforma. Desde os mais notados humanismos da Renascença, a cultura se estuda como criação e tradição, como imitação e criatividade. Afinal, cultos são os que não se deixam reduzir a um só arquétipo e procuram, procuram sempre… até, como actualmente, outras formas de dizer Deus!
A cultura resume, portanto, a nossa mundividência, os nossos métodos, as nossas aspirações. Nenhum comportamento nosso (não me refiro a casos excepcionais) é vazio de sentido. E a nossa linguagem assim o revela. Mas, como acima o referi, a cultura é uma totalidade, onde não há prática sem teoria, nem teoria sem prática. Cultos não são aqueles que, na sua “torre de marfim”, adormecem sobre pesados in-fólios e o seu mundo é o mundo literário da sua biblioteca. A cultura desportiva supõe a prática, a vivência de um “agente do desporto” (atleta, treinador, dirigente, médico, fisioterapeuta, etc.) e a teorização do significado e do sentido do desporto, na lógica do desenvolvimento político, social, humano. O desporto, ao libertar-se do cartesianismo e do positivismo, ao fazer trabalho interdisciplinar com as ciências da educação e o paradigma biomédico, tem de afirmar, antes do mais, que tem um estatuto epistemológico inconfundível, intransferível, por outras palavras: que é um texto onde pode ler-se a conduta humana, a dialética social, no movimento intencional e em equipa da transcendência.
Lembrando o conceito de “inscrição”, em Paul Ricoeur, tudo o que é prática desportiva é texto que permite interpretações e leituras várias, que permite o estudo e a análise do contexto e, usando as palavras de Habermas, do “agir comunicacional”. E é neste “agir comunicacional” que a competição desportiva ganha sentido, se revela cultura. Em Habermas, ser racional implica argumentação, discussão, debate. Ser desportista implica a discussão e argumentação e debate, típicos da competição desportiva, emancipada e fraterna. A promoção e a realização do desporto devem satisfazer, portanto, o que emerge de solidário, no diálogo e no consenso da competição desportiva. Ora, diálogo e consenso, em texto, contexto e sistema desportivo, situa o desporto no âmbito das ciências hermenêutico-humanas e é agente e fator de cultura.
“A cultura não é mais do que um conjunto de textos”. É o Clifford Geertz quem no diz, na sua La Interpretacion de las culturas (editora Gedisa, Barcelona, 1992). E o que é a cultura desportiva senão um conjunto de textos? E textos não tanto do Homem, ao jeito do geral, do universal, do global do discurso universitário, mas também de homens que sofrem e cantam e gritam e choram, na prática desportiva. E, assim, porque intensamente sentem o que fazem, em qualquer futebolista, ou andebolista, ou basquetebolista, ou praticante de natação e ginástica e atletismo, etc., etc., um pequeno facto leva-nos sempre à interpretação de grandes questões.
E, se o treinador não tiver em conta estas grandes questões, que formam a base da conduta dos atletas, não pode entendê-los. Há treinadores que se encontram tão próximos dos jogadores que podem, diariamente, cumprimenta-los e tão longe que não conseguem compreendê-los. A cultura, para estes treinadores (e dirigentes, poderia acrescentar) não lhes dá acesso às crenças, aos sentimentos dos seus jogadores. Donde o facto, mais frequente do que se pensa, de o seu discurso não chegar aos jogadores, como princípios fundantes, mas como palavras, palavras, palavras, com muito plebeísmo à mistura.
A “linguagem do futebol” (um exemplo) é, demasiadas vezes, isto mesmo, não mais do que isto. A linguagem, no alto rendimento desportivo, deverá também, privilegiar o diálogo e não monólogo. É verdade que é o treinador quem decide, por fim, mas com a síntese do que sabia e do que aprendeu no diálogo com os seus adjuntos e com os seus jogadores. A verdade científica, no desporto, como em qualquer ciência hermenêutico-humana, deixou de concentrar-se numa pessoa só, ou até unicamente nos gabinetes e nos laboratórios universitários de um certo “magisterdixismo” porque, na prática desportiva, cada um dos praticantes recria um mundo significativo comum.
Há um mês, a convite da Universidade da Beira Interior, na companhia do Dr. José Lima, responsável do PNED/IPDJ, e de um atleta, o Carlos Lopes, que encheu o nosso País de espanto e de hosanas, pelas suas inesquecíveis vitórias, fui até à Covilhã palestrar aos alunos e professores do curso de Ciências do Desporto. Como sempre faço, aproveito a presença de quem me oferece um vasto e variado repertório, para questionar, para aprender um pouco (ou muito) mais e para registar o que ouvi, no meu caderno de viagens (para que nem tudo se dilua nos recessos da minha débil memória). Em determinada fase da conversa, sem se esbater em pormenores técnicos, disse-nos o Carlos Lopes: “O meu treinador, o Professor Mário Moniz Pereira, era, talvez, no atletismo, o melhor treinador do mundo. Pois não havia treino que ele me determinasse que eu, de mim para mim, não tentasse ver se era, ou não, o treino que mais me convinha. Acreditava piamente no Mário Moniz Pereira, mas acreditava também no que me dizia o meu corpo e até o meu estado mental”.
E filosofou: “O atleta que só cumpre ordens nunca será um campeão”. De facto, como ser de razão ético-prática, o ser humano é um fim em si mesmo e nunca deverá ser olhado como simples meio. Ele, o ser humano, “está dotado de um valor intrínseco absoluto” a que E. Kant deu o nome de “dignidade”. Porque muito respeitou o Professor Mário Moniz Pereira, porque muito se respeitou a si mesmo, o Carlos Lopes foi um campeão. E manifestou, sobre o mais, cultura desportiva, que é tecnociência e consciência, onde cabem um constante espírito crítico (e autocrítico) e também a capacidade para viver numa comunidade solidária e legal, ou seja, com deveres e com direitos, como sujeito, afinal. E ser sujeito é não sujeitar-se…"

TEMPO DESPERDIÇADO É JOGO ADIADO


" “Conciliar os interesses instalados com a necessária reforma da Governação da FIFA, tendo presentes assuntos tão complexos como, por exemplo, os Fundos de Investimentos, «match fixing», o fim das cláusulas de rescisão contratual, o «fair-play» financeiro, calendários competitivos conjugados com as provas internacionais; o dirimir de conflitos entre intermediários, clubes e jogadores de futebol; as janelas de transferências, restringindo-as, sem contender, com o direito ao trabalho (…); a titularidade das participações das sociedades desportivas e a origem dos fundos monetários para aquisição de direitos económicos, novas tecnologias no futebol; o controlo das transferências de menores de idade e o papel das academias, entre outros, são desafios vencidos ou adiados?” (Jerry Silva, Desafios e Rumos para Vencer, 2016;53)
Se as entidades que tutelam o nosso futebol tivessem sabido aproveitar a leitura do livro citado (entre outros) que além de pistas para futuro, de “radiografia” precisa da actualidade, permite caracterizar vícios que se alastram há décadas, poderiam ter arrancado mais cedo com decisões ajustadas, conseguindo prever e antecipar alguns problemas e polémicas. A ausência de contraditório, de abertura para diálogos mobilizadores, ainda não integra os critérios decisivos para transformar eleições em partidas para a vitória. Evitar que o jogo se adultere é tarefa nobre, indispensável e prioritária.
Vivemos um tempo de murmúrios e desabafos com anonimatos (medo?!) e não um tempo de frontalidade. As redes sociais não podem esgotar as hipóteses de afirmação do nosso descontentamento, há sempre mais a fazer. O populismo invade as fronteiras e com isso as “élites” apoderam-se do poder e da riqueza, aprisionando a liberdade com estratégias ancestrais… No futebol também. Mas o ADN do futebol é a coragem, que atinge dimensões extremas, por exemplo, no momento de finalização, no voo salvador do guarda-redes ou nos duelos (1x1) em que o domínio da bola simula a conquista do “mundo”. Essa coragem é indispensável para identificar, averiguar e resolver também, com a eficácia possível, o domínio com que a globalização do capital invade os clubes. Algumas vezes, graças a divulgação mediática, conseguem-se compreender tristes realidades e lamentáveis dependências sem que as diversas entidades que o deviam fazer, “disputem o jogo com garra e para vencer” definitivamente: será por incompetência ou por outra qualquer razão?
Todo o mundo consegue sugerir agravamento de sanções (por cá também é moda corrente), sabendo certamente que essa medida pode trazer em si uma enorme carga demagógica e exclusivamente com utilidade para a imagem repentina de quem as sugere. Fazer é sempre muito mais difícil do que dizer… Importa que as leis sejam adequadas, rigorosas, aplicadas, enquadrando um controlo e vigilância constantes, sem flutuações nem impunidades. Antes de “endurecer” as penas há muito a alterar e, eventualmente, alguma incapacidade e limitação para o fazer. Há momentos que são exemplares, que nos emocionam e encantam pela firmeza de carácter. Há momentos em que as condições criam imensa fragilidade (por exemplo, salários em atraso e não só). Há outros momentos que são dramáticas e infelizes fatalidades.
Mais do que grandes entrevistas, do que renascimentos éticos de ex-Donos da Bola, mais do que deslocações e envolvimento de Órgãos de Soberania, importam o exemplo e a coerência de quem exerce funções:
- “Olha para o que eu digo e não para o que eu faço” é ditado popular que serve bem para reflexão e para uma mudança mais radical – “Olha para o que eu faço e analisa se corresponde ao que eu digo”. A ética que se exige aos outros tem de ser a mesma que nos caracteriza a todos. Por vezes, amigos que ocupam funções de relevo no nosso futebol (e não só) afirmam-me que nem sempre se pode dizer o que se pensa pois é preciso ter “diplomacia” ao defender as nossas posições. Se essa “diplomacia” for sinónimo se servilismo, de obediência total a quem decide, de “compra” de silêncios, então será melhor mudar o termo e as pessoas que ocupam esses lugares. A incompetência e o oportunismo carreirista criam “buracos negros”, alguns impossíveis de esquecer, sempre com tardias e ineficazes substituições. Quem atira a primeira pedra, mesmo sem enquadrar o acontecimento na estrutura que o criou? Quem atira a primeira pedra, quando o previsível e alertado nunca foi tratado com a urgência que merecia? Quem atira a primeira pedra, quando quem dirige pode não ser um bom exemplo? Quem atira a primeira pedra, mesmo sabendo que “tudo vai ser questionado” provavelmente para nada (ou quase nada) mudar? Quem atira a primeira pedra, aos que fogem aos diálogos e ao contraditório?
No futebol (na família, na escola, no clube e com amigos) aprendemos a reforçar valores que nos orientam para tentar fazer sempre o melhor, a assumir as nossas convicções e a mudar comportamentos quando nos parecem evolução. A liberdade é um valor máximo desde que implique responsabilidade e responsabilização individual. Que 2018 não seja mais do mesmo. A Humanidade está perante desafios globais complexos. Urge mudar com ambição, com justiça, construindo confiança e solidariedade onde outros querem ver muros, valorizando a vida como um direito com dignidade e não como mais uma oportunidade para escravizar e alastrar miséria. Em termos de futebol, que se consiga distinguir o essencial do acessório, que nunca se perca a marca do saber fazer com portugalidade, que os clubes, especialmente os que se dedicam à formação, tenham muitos e maiores apoios, que se decida com imparcialidade, que as polémicas não extravasem para além dos limites da emoção momentânea do jogo e, já agora, que se criem condições para fazer, no Natal, a Festa da Família no Futebol (há quem a designe por Boxing Day). Preservar o futebol de influências estranhas e fraudulentas, envolver os agentes desportivos numa mesma missão, prestigiar o talento e o jogo de excelência e, por fim, que a Selecção Portuguesa consiga um grande Mundial na Rússia, são alguns dos nossos desejos."

ÉPOCA 17/18 BENFICA TV HD :: 01 JANEIRO 2018

                                           

PRIMEIRAS PÁGINAS


domingo, 31 de dezembro de 2017

A ERA DO PERNIL DE PORCO JÁ CHEGOU


Cobardes e miseráveis. Nas vésperas de mais um dérbi da Capital foi deste modo que o presidente do Sporting batizou os presidentes dos demais clubes com exceção feita, naturalmente, ao presidente do FC Porto por uma questão de respeito. Tudo isto por ocasião da última assembleia geral da Liga de Clubes que aconteceu ontem. O presidente do Sporting, presume-se, ter-se-á sentido sabotado pelo "ensemble" associativo a quem chamou de miserável em geral e pelos homens presentes a quem chamou de cobardes em particular, salvaguardando, nunca é demais repetir, a figura referencial do presidente do FC Porto.

Tal como o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros veio a público afirmar que "o governo português não tem o poder para sabotar o pernil de porco" – referindo-se ao diferendo alimentar com o presidente Maduro da Venezuela –, deveria ter vindo imediatamente a público o presidente da Liga de Clubes dizer exatamente a mesma coisa, por outras ou até pelas mesmas palavras, se entendesse curial fazê-lo pela urgência de serenar os ânimos exaltados neste momento tão conturbado do futebol português. Para mais vem aí mais um derby.
Se, por analogia do momento, a assembleia geral da Liga de Clubes teve ontem o poder para sabotar o pernil de porco diligentemente confecionado pelo presidente do Sporting com os prestimosos temperos emprestados pelo presidente do FC Porto, fez bem o presidente do Sporting em protestar veementemente contra a ausência de cultura democrática que detetou entre os seus pares do dirigismo nacional sabendo-se – é da cultura geral – que não há nenhum par que lhe chegue aos calcanhares em matéria de cultura democrática.
Mas deixemos os calcanhares em paz. Não é por causa dos calcanhares que a vida associativa do futebol português chegou a este estado. Foi mais por causa do pernil de porco, em sentido figurado, que ontem os patrões da bola não só se viram batizados de cobardes como também se viram intempestivamente deixados ao abandono quando o presidente do Sporting bateu com a porta levando a sua pequena comitiva atrás. Por não estar "ali a fazer nada" – segundo as suas próprias palavras –, bateria também com a porta o presidente do FC Porto, uns minutinhos mais tarde, solidário com o presidente do Sporting na indignação contra o poder evidenciado pela assembleia geral da Liga no que tocou a sabotar o pernil de porco, em sentido figurado, obviamente.
E é nisto que estamos em vésperas de mais um derby da Capital. Antes da modernidade trazida ao futebol pelo presidente do Sporting, os dias que antecediam os dérbis eram passados num já secular, e talvez por isso mesmo pachorrento, arremesso de vitupérios exclusivo entre os dois lados da Segunda Circular. Era apenas uma coisa entre eles. Agora, com a chegada da modernidade e vai tudo a eito no que toca ao insultar. Oh, que cambada de lampiões!
Destaque:
É nisto que estamos antes de mais um derby da Capital.
Leonor Pinhão, in Record

O BENFICA SEMPRE VENCEU COM VERDADE DESPORTIVA


Há uma campanha desesperada que visa impedir a conquista do Penta.
Encontrando-me ausente do País com a minha família e confrontado com as mais recentes notícias, faço questão de transmitir uma mensagem muito clara a todos os nossos Sócios, adeptos e simpatizantes.
Os Benfiquistas podem estar totalmente tranquilos de que nunca ninguém do Benfica comprou qualquer árbitro ou jogador de uma equipa adversária, ou em qualquer circunstância procurou manipular a verdade desportiva.
Todas as nossas vitórias resultaram apenas do nosso mérito e do nosso trabalho. Mais do que nunca, a melhor resposta que podemos dar é reforçar a nossa unidade e coesão, porque juntos somos mais fortes.

O que verdadeiramente está em causa em toda esta campanha negativa montada pelos nossos rivais é evitar a todo o custo que o Benfica conquiste o Penta. Porque, em desespero, necessitam de apresentar resultados para a sua própria sobrevivência.
Esta nova leva de denúncias anónimas resulta do facto de não conseguirem demonstrar a existência de qualquer indício de corrupção ou tráfico de influência.
Quero que todos saibam, e digo-o com orgulho, que no Benfica podemos andar de cabeça erguida. Aqui, não existem nem perdões de escutas, nem apitos dourados, nem árbitros convidados para casa, nem frutas oferecidas e também plantéis com seis e sete guarda-redes.
Estejam certos de que a nossa resposta será sempre compatível com a grandeza da nossa história e do nosso Clube.
Este ataque agride todos e cada um dos Benfiquistas na sua dignidade e na sua honra. Eles sabem que a nossa cultura é incompatível com a corrupção. Também sabem que jornalismo se presta a estas encomendas. Mas alerto para o seguinte: toda a Nação Benfiquista vai ser chamada para tomar nas suas mãos o ataque a esta vil e falsa campanha.
Reafirmo a confiança de que a justiça saberá repor a verdade dos factos. E este é o tempo da justiça.
Em breve, terei oportunidade de falar de viva voz a todos os Benfiquistas e como sempre estarei na linha da frente na defesa intransigente do bom-nome do nosso Sport Lisboa e Benfica.
A todos desejo um feliz ano novo rumo ao Penta.
Luís Filipe Vieira

AS RECLAMAÇÕES JUNTO DOS ÁRBITROS


"1. Mas, afinal, o que é que um Jogador ou um Dirigente pode dizer quando quiser reclamar com os Árbitros?
Leiam-se exemplos do que tem vindo a ser decidido, a diferentes níveis, sobre esta matéria: em 2008, em Coimbra, no Tribunal da Relação, faz-se notar que "o direito à crítica sofre limitações estruturais e de apresentação, nomeadamente: a manifestação de opinião expressa há de estar imbuída de uma verdade objectiva dos factos, bem como o modo como é veiculada a opinião ou crítica há de ser conduzido com correcção de linguagem". Há muitas mais ilustrações desta lógica, mas, face à limitação de espaço, centremo-nos dentro do universo desportivo, federativo e futebolístico. Em Março de 2016, no Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol decidia-se que um jogador dizer "isto é vergonhoso, esta partida foi vergonhosa", dirigindo-se à equipa de arbitragem, não é algo indigno para com a mesma, não sendo crítica directa a essas pessoas, nem lesam o seu direito à reputação, não se traduzindo num ataque pessoal. Em Novembro de 2016, em sede similar, escreveu-se que é limite à liberdade de expressão que um dirigente desportivo queira dirigir expressões depreciativas e injuriosas que violem a dignidade e honra profissional do agente de arbitragem, pois afronta valores tutelados pelo Direito Disciplinar Desportivo. Em causa estava a seguinte afirmação : "Estragaste o jogo todo, andaste a brincar connosco. Andamos a treinar para isto."

2. E os Regulamentos que possam atribuir direitos aos Clubes ou lhes provocar Sanções ou Punições? 
Quem se quiser informar melhor sobre o porquê de as coisas estarem a ser como são, leia alguns artigos em especial e compare. Na Liga de Futebol Profissional, desde o Artigo 35.º do Regulamento de Competições (Medidas preventivas para evitar manifestações de violência e incentivo ao fair play), ao Artigo 14.º do Regulamento de Arbitragem (Exposição sobre arbitragem incorrecta), até ao Regulamento Disciplinar…"