segunda-feira, 2 de abril de 2018

CHAMA IMENSA - BENFICA TV - 02 ABRIL 2018 HD

                                           

CABEÇA SEM JUÍZO, O CORPO É QUE PAGA


"Sábado de Páscoa intenso na I Liga portuguesa. Jogos equilibrados e decisões difíceis das equipas de arbitragem marcaram uma jornada que pode representar muito para as contas finais da prova. Ontem, honra seja feita aos árbitros do Portimonense - Moreirense, Benfica - V. Guimarães e SC Braga - Sporting, estes não se refugiaram no VAR e foram (tele)ver os lances capitais, decidindo, depois, conforme a convicção criada. Concordando-se mais ou menos com o que foi o veredicto final, não lhes faltou coragem.
É evidente que o resultado da 'pedreira', que mantém os arsenalistas dentro do sonho do pódio e afasta os leões da luta pelo título, foi o facto mais relevante da jornada. Na noite da confirmação de Abel Ferreira como treinador de elite, duas questões, relativas ao Sporting, devem ser suscitadas.
A primeira tem a ver com o facto da turma de Alvalade ter perdido, entre a sexta e a vigésima oitava jornada, onze pontos para o Benfica. Trata-se de um trambolhão relevante, que poucas pessoas, no universo leonino, muito provavelmente antecipariam.
A segunda, em jeito de reflexão, dirige-se ao presidente do Sporting:
- O que ganhou a equipa de Jorge Jesus com a guerra que Bruno de carvalho criou com o SC Braga?
- Em que medida beneficiaram os leões do clima crispado que foram encontrar à 'predreira'?
- O que ajudou à época verde e branca a motivação extra que foi dada, neste momento capital, ao clube adversário, dos jogadores aos dirigentes e destes aos adeptos?
Diz o povo, num aforismo que aqui tem cabimento, que quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga..."

José Manuel Delgado, in A Bola

TUDO ACABARÁ COM O "PARA O ANO É QUE É"?


E agora, Sporting? Poderá uma eventual presença na final da Liga Europa ou uma vitória na Taça de Portugal – como aconteceu há três anos, com Marco Silva, lembram-se? – fazer esquecer o terceiro falhanço consecutivo da era Jesus na conquista do título? E se os leões, com um calendário mais difícil que o Sp. Braga, perderem ainda o terceiro lugar? Tudo se resumirá de novo ao clássico "para o ano é que é"? O que mais me surpreende é o modesto rendimento da equipa, que não será a ausência de William, na Pedreira, que conseguirá explicar. Daí que a partida da próxima quinta-feira possa apontar um destino. Porque pior do que fracassar na liga seria juntar-lhe a perda do resto que está em jogo. E tendo em conta que Atlético de Madrid e FC Porto são os obstáculos que se seguem, a missão de Jorge Jesus parece impossível.

Mistérios não faltam no futebol caseiro, mas no Benfica há um que me intriga: as poucas oportunidades dadas a um jogador precioso, Raúl Jiménez de seu nome. O sentido de baliza do mexicano – tal como a sua capacidade para aumentar a intensidade do jogo – é fantástico. E no sábado, a assistência para o segundo golo encarnado é a prova, irrefutável, do seu talento como executante. Espero que o Benfica não o dispense – e, sendo suplente, seguramente abaixo do seu valor – sem ele ter deixado uma marca entre nós.
Falando de classe. A estreia de Ibrahimovic na MLS foi um êxito inacreditável. Entrar a 20 minutos do final, marcar pouco depois um golo de antologia a 35 metros do alvo e, ao cair do pano, fazer o cabeceamento para o triunfo (4-3), do Los Angeles Galaxy, é uma proeza apenas ao alcance de meia dúzia de predestinados. Como é que um jogador ainda com esta capacidade há três meses que não era convocado por José Mourinho?
Grande luta na 2.ª Liga, com seis (!) equipas a discutir os lugares de promoção, a sete jornadas do fim. Na clara melhoria de nível global afundam-se as turmas B dos chamados "grandes". O FC Porto é o melhor, em 7.º, com o Benfica em 11.º e o Sporting em antepenúltimo, já na zona de descida, onde se encontra também o Sp. Braga. Projeto falhado, vai ter de mudar o paradigma da coisa.
Melhor na fotografia não está a nossa arbitragem, pois não teremos nenhum juiz de campo no próximo Mundial, o que constitui uma humilhação. Talvez um ou dois possam ir como VAR, ficando de qualquer forma confirmado que os árbitros portugueses não dispõem das competências necessárias para se afirmarem numa grande competição internacional. Não me espantaria, no entanto, que a ausência estivesse igualmente ligada a um trabalho deficiente junto do poder de decisão porque, não sendo boa, a arbitragem cá de casa não é pior que outras que vamos apreciando – a espanhola, por exemplo.
Nem de propósito, termino a destacar um facto preocupante: João Capela está a arbitrar, como estagiário, jogos de basquetebol! Por que será que as más notícias nunca param?
Alexandre Pais, in Record

AS REGRAS DOS JOGOS BENFICA TV HD :: 02 ABRIL 2018

                                           

OS CRAQUES E AS EQUIPAS


"Uma Argentina sem Messi vale metade. Pode até valer menos de metade. Mas nunca deve perder por 6-1 seja contra quem for. Mesmo perante uma Espanha renovada, sob o comando de Lopetegui, mesmo sem contar com Leo.
Esta é a primeira análise que se retira da escandalosa derrota sofrida pela selecção de Sampaoli. Com Messi a ver na bancada, e sem conseguir ver mais, depois do 6-1 apontado por Isco. Claro que há o jogo. E o resultado nem sempre explica tudo. Higuaín até podia ter feito o primeiro e Otamendi ainda animou os argentinos quando fez o 1-2.
Mas o descalabro foi, sobretudo, defensivo. Muitos espaços, pouca pressão, desorientação táctica. Uma equipa puxada por rasgos individuais, sem ideias de colectivo, sem um conceito futebolístico. É preparação, claro, não havia Messi e ainda falta tempo até chegar o Mundial. Mas não falta assim tanto. Selecções como Espanha, Alemanha e Brasil já mostram uma rotação muito superior a argentinos ou portugueses.
Messi e Ronaldo vão chegar a este Mundial com o mesmo estatuto com que aterraram nos anteriores: são os melhores jogadores do Mundo. Há muito tempo. Como nunca se viu antes no futebol. Mas, por esta altura, as suas selecções dificilmente podem aparecer no top 5 das principais candidatas à vitória final (e nesse aspecto Portugal mostra, ainda assim, mais saúde do que a Argentina). Verdade: nem sempre ganham os favoritos. Foi assim no Euro 2016. A excepção, contudo, não faz a regra. E um craque, por melhor que seja, já não chega para fazer uma equipa inteira."

DA COMPOSTURA


"Tudo se passou por 1914. Na primeira vez em que o Benfica foi jogar com o FC Porto ganhou por 8-2. Se por todos os jornais correu a ideia de que Artur José Pereira era «jogador extraordinário», só num deles de falou do «lance insólito»que se vira no Campo da Constituição: «Um jogador do Benfica meteu uma bola na própria baliza, sofrendo a seguir um pontapé de canto, porque o referee achava que assim rezava a lei» - e, apesar disso, não houve protestos, iras ou destrambelhos. (ainda era um futebol muito romântico - mas também não era preciso chegar-se onde se chegou...)
Do Porto foi o Benfica à Corunha - para mais três desafios. No último, para recolha de fundos a favor dos «Niños Descalzos», tinha a vê-lo «muitas senhoras de mais alta sociedade galega» - e, a dado instante, Artur José Pereira sofreu entrada rude. Quando o jogador do Corunha se levantou para lhe pedir desculpa, recebeu, em fúria, insulto que se ouviu «como trovão» na tribuna - «fazendo corar algumas das senhoras»«Vexado» pelo vitupério (e pela «falta de educação e compostura») na sua condição de capitão de equipa, Cosme Damião acercou-se do Artur e expulsou-o do campo (o árbitro não achara razão para tanto) - e quando chegaram ao hotel, fechou-o à chave no quarto, para que não fosse ao jantar de gala que o Corunha oferecera. Ao sabê-lo, Carruncho, o capitão galego, suplicou-lhe que lhe cessasse o castigo. Por duas vezes escutou que não, só à terceira ouviu de Cosme:
- Não querendo eu ser descortês consigo senhor Carruncho - vamos, então, buscar o preso ao hotel!

PS: Está história é (obviamente...), dedicada a todos os que continuam a fazer do futebol (que não é o futebol) o que parece ser cada vez mais a ala psiquiátrica dum hospital num jogo jogado através de actos vis ou palavras sujas espalhadas pelo Facebook (e não só) - ou através do ventriloquismo reles de cartilheiros e directores de comunicação (aliás, de propaganda), de manigâncias em denúncias anónimas ou de outros ardis."

António Simões, in A Bola

DA ELEVAÇÃO E DA GRANDEZA


"O futebol português tem vários problemas. E um deles é haver tanta gente com responsabilidade a assobiar para o lado.

presidente do Sindicato dos Jogadores vai levar alguns capitães de algumas equipas de Liga e Liga 2 para discutirem com a Liga, a Federação Portuguesa de Futebol e o Governo para discutirem o momento do futebol português, em especial o ambiente criado aos seus profissionais com as tão na moda denúncias anónimas, um novo mal inventado por uma indústria que, em Portugal, parece sentir uma irresistível tentação pela lama. A medida é boa, como boas são todas as medidas que visem tentar alterar o estado das coisas. Mas podia Joaquim Evangelista, antes de mais, falar com os capitães dos três grandes (estarão nas reuniões?) e pedir-lhe primeiro para falarem com os seus presidentes, exigindo-lhes bom senso e respeito - a eles e a todos os que, em nome deles, falam nos canais, oficiais ou não oficiais, dos clubes - pelos seus companheiros de emblemas mais pequenos, usados como carne para canhão numa guerra com a qual não têm nada a ver.
Porque é preciso perceber uma coisa: por serem anónimas as denúncias são órfãs de pai e mãe. Mas têm sempre, um objectivo concreto, pensado por mentes mais ou menos perversas para quem os fins justificam os meios. Não lhes interessa quem atingem pelo caminho, desde que esse caminho os deixe mais perto de ganhar. É triste, mas é a realidade a que chegou o futebol português. Por isso, claro, fale-se e discutam-se formas de acabar com este ambiente. Mesmo que já não vamos lá só com conversa. Mas enfim, pode ser que se trate só de um primeiro passo.

Marcelo Rebelo de Sousa pediu, na Gala das Quinas de Ouro organizada pelo Federação Portuguesa de Futebol, «elevação e grandeza» aos responsáveis pelo futebol português. Mesmo tratando-se do Presidente da República, há um risco (muito elevado, até) de também este apelo cair em saco roto, engolido por essa máquina trituradora em que todos conseguimos transformar algo que devia, de facto, estar acima de tudo e todos. Por ter esperança de que alguns possam, tendo ouvido as palavras da maior figura de Estado, não saber bem o que quis dizer, aqui fica, com a ajuda do Dicionário, a definição das duas palavras.
Elevação: «1. Acto de elevar; ascensão. 2. Distância desde o solo, ou a partir de um ponto dado; altura. 3. Lugar que fica sobranceiro; eminência; outeiro, colina. 4. Aumento. 5. Exaltação a uma dignidade. 6. Grandeza, nobreza; distinção».
Grandeza: «1. Qualidade de grande; tamanho; extensão; a altura; comprimento. 2 (Figurado) Excelência (em coragem, magnanimidade, etc.). 3. Fausto, pompa, opulência. 4. Nobreza. 5. Dignidade, hierarquia. 6. Título honorífico de grande do reino».
Pode ser que ajude...

António Costa, o primeiro-ministro, não quis ficar atrás e falou, em entrevista à Visão, do momento do futebol português. Entre várias palavras de circunstância, foi-lhe perguntado se em Portugal havia alguma hipótese de o Governo fazer o que se fez na Grécia, onde o governo suspendeu o campeonato. «Na Grécia um dirigente entrou com uma arma em campo. Ainda não chegámos a esse ponto», atirou o primeiro-ministro. Tem razão António Costa: não chegámos a esse ponto. Ou melhor: AINDA não chegámos a esse ponto. Mas não estamos livres disso. Porque se há coisa que já aprendemos é que não há limite para aquilo que podemos esperar do futebol português. Até o que nos parece impossível é, afinal, possível. É bom, portanto, que o Governo se deixe de palavras bonitas, descruze os braços e deixe de fazer de conta que não há um problema. Porque há. Vários, até. E um deles é haver tanta gente com responsabilidade a assobiar para o lado."

Ricardo Quaresma, in A Bola

OS "50+1" DA BUNDESLIGA


"Os clubes alemães têm vindo repetidamente a público afirmar que se estão a tornar incapazes de competir com os clubes das outras grandes ligas europeias, dizendo que não têm capacidade para chegarem aos astronómicos valores que se registam em contratações de jogadores.
Em reunião do passado dia 22 de Março, a maioria dos clubes participantes da Bundesliga decidiram manter a regra dos 50+1, o que está a criar uma divisão ideológica dentro da própria liga.
Em traços muito gerias, esta regra, prevista nos regulamentos da liga alemã, exige que, para obter a respectiva licença para competir, as SAD's (por mera comodidade, utiliza-se a terminologia da lei portuguesa) têm de ser controladas, maioritariamente, pelo correspondente clube fundador, numa lógica de 50% das acções, mais uma. O objectivo é, portanto, garantir que o clube fundador mantenha o controlo da SAD de forma a proteger os clubes da influência de investidores externos. Esta regra foi ainda pensada para garantir a estabilidade financeira dos clubes alemães e a integridade da respectiva competição nacional.
No entanto, nem todos os clubes estão de acordo com esta obrigação. Os opositores do 50+1 entendem que esta regra levou a um desinvestimento comparada com outras ligas europeias e que, por isso, está a perder competitividade. Há mesmo quem diga que esta regra pode comprometer uma violação da lei da concorrência da União Europeia, na medida em que restringe estas organizações comerciais (as SAD's) de tomarem as decisões que, financeiramente, entendam melhor para os fins por elas prosseguidos."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

PRIMEIRAS PÁGINAS


ÁGUIA LÍDER; LEÃO DIZ ADEUS


Dois golos de Jonas, um deles com toque artístico de Jiménez, deram ao Benfica a liderança à condição. O FC Porto ficou assim sob pressão e para recuperar a almofada de dois pontos de vantagem – além do 1º lugar, claro – está obrigado a ganhar no Restelo. Jonas bisou e chegou aos 33 golos na véspera de fazer 34 anos. O brasileiro representa 45, 2 por cento dos tentos do Benfica na Liga e tem sido o combustível de um tetracampeão que está superconfiante. O penta nunca esteve tão perto.

O Sporting disse adeus ao campeonato e vê o Braga à distância de um curto ponto. Os leões entraram bem no jogo, mas à medida que o tempo foi avançando, o Braga cresceu e as forças equilibraram-se. O golo do triunfo minhoto surgiu quando o leão já estava reduzido a dez. O Sporting deve agora apontar as baterias para a Liga Europa e muito especialmente para a Taça de Portugal, onde, mesmo em desvantagem com o FC Porto, está mais perto de chegar a uma final e a uma conquista.
Depois do póquer de Edinho, o hat trick de Pires. Curiosamente, tal como Jonas, também faz hoje anos e vão ser 37. Decididamente, 1 de abril foi um bom dia para nascerem goleadores. A sensacional reviravolta do Portimonense é uma das histórias mágicas desta Liga e fica associada ao homem golo de Amares.
António Magalhães, in Record