domingo, 5 de julho de 2020
PRIMEIRAS PÁGINAS: GRANDE AZIA NA LIXEIRA JORNALEIRA TUGA
sábado, 4 de julho de 2020
REGRESSO ÀS VITÓRIAS
O Benfica recebeu e venceu o Boavista por 3-1 em partida da 30.ª jornada da I Liga portuguesa, regressando assim aos triunfos no Estádio da Luz, seis jogos depois, e vencendo o primeiro jogo da era 'pós-Bruno Lage'. Três golos ainda na primeira parte ditaram o triunfo, mas um golo dos visitantes a meio do segundo tempo ainda 'assustou' as 'águias'.
No seu primeiro jogo como treinador interino do Benfica, depois da saída de Bruno Lage, o até aqui adjunto Nélson Veríssimo apostou em algumas novidades em comparação com o 'onze' que havia entrado em campo na passada segunda-feira, ante o Marítimo. Rúben Dias, que tinha falhado a deslocação à madeira por castigo, regressou como esperado ao centro da defesa, mas para fazer dupla com Jardel e não com Ferro, enquanto no meio-campo Samaris cedeu o lugar a Gabriel e na frente de ataque Seferovic foi titular em detrimento de Carlos Vinícius.
Os primeiros minutos, contudo, não pareciam mostrar grandes melhorias em relação aos últimos jogos, com o Boavista a entrar mais pressionante e a acercar-se da área 'encarnada' nos instantes iniciais. Tudo iria mudar, porém, com um lance algo inusitado.
Os primeiros minutos, contudo, não pareciam mostrar grandes melhorias em relação aos últimos jogos, com o Boavista a entrar mais pressionante e a acercar-se da área 'encarnada' nos instantes iniciais. Tudo iria mudar, porém, com um lance algo inusitado.
Helton Leite 'mete' água e André Almeida aproveita
Estavam decorridos 13 minutos de jogo e o Benfica praticamente ainda não tinha chegado junto da grande área do Boavista quando Gabriel viu André Almeida a desmarcar-se na direita. O passe do brasileiro foi bom, mas Helton Leite, contudo, parecia ter tudo para chegar primeiro à bola. E chegou. Mas não a conseguiu agarrar, chocou com o lateral direito das 'águias', que ficou com o esférico à sua mercê para, de ângulo já apertado, abrir o ativo.
Estavam decorridos 13 minutos de jogo e o Benfica praticamente ainda não tinha chegado junto da grande área do Boavista quando Gabriel viu André Almeida a desmarcar-se na direita. O passe do brasileiro foi bom, mas Helton Leite, contudo, parecia ter tudo para chegar primeiro à bola. E chegou. Mas não a conseguiu agarrar, chocou com o lateral direito das 'águias', que ficou com o esférico à sua mercê para, de ângulo já apertado, abrir o ativo.
O golo libertou os 'encarnados' e pareceu ser o tónico de que estes precisavam, depois da série de resultados negativos que atravessavam, com duas derrotas nos últimos dois jogos e apenas dois triunfos nos últimos 13. Helton Leite redimiu-se por duas vezes do erro do golo e, com duas excelentes intervenções, adiou o segundo das 'águias', em ambas negando o golo a Seferovic, primeiro num remate cruzado e tenso do suíço e, depois, quando este surgiu isolado e tentou um chapéu com um toque subtil.
Pelo meio, Chiquinho e Weigl também ameaçaram com remates de fora da área.
Mais dois golos a fechar a primeira parte
Adivinhava-se, pois, o segundo golo do Benfica, que surgiu aos 31 minutos. Mais um passe para as costas da defesa do Boavista, uma vez mais a sair dos pés de Gabriel, desta feita a solicitar Pizzi que, com um cabeceamento certeiro, com pouco ângulo, bateu Helton Leite pela segunda vez.
Adivinhava-se, pois, o segundo golo do Benfica, que surgiu aos 31 minutos. Mais um passe para as costas da defesa do Boavista, uma vez mais a sair dos pés de Gabriel, desta feita a solicitar Pizzi que, com um cabeceamento certeiro, com pouco ângulo, bateu Helton Leite pela segunda vez.
Os visitantes tentaram responder e até chegaram a colocar a bola no fundo das redes, mas Dulanto estava em posição irregular e o árbitro auxiliar levantou de pronto a 'bandeirola', não sendo sequer necessário recorrer ao VAR. E, no minuto seguinte, seria o Benfica a marcar.
Gabriel, regressado à titularidade neste primeiro jogo sob as ordens de Nelson Verissimo, fechou uma primeira parte de grande nível com um golo. Remate à entrada da área, a bola sofreu ainda um pequeno desvio em Ricardo Costa e traiu Helton Leite, que não conseguiu evitar o 3-0.
O Benfica saía, assim, com uma vantagem confortável para o intervalo e com meio caminho andado para colocar fim à série de cinco jogos consecutivos sem ganhar em casa.
'Águias' continuam a mandar no arranque do segundo tempo
Quem esperava algum tipo de reação por parte do Boavista no início da segunda parte, viu as expectativas defraudadas. Os 'axadrezados' acusaram em demasia os golos que foram sofrendo na etapa inicial e pareciam dar mostras de baixar os braços. Mesmo sem um ritmo de jogo muito acentuado, era o Benfica que continuava a mandar nas operações e a criar algumas ocasiões de golo, tal como sucedeu sempre desde que André Almeida abriu o ativo.
Quem esperava algum tipo de reação por parte do Boavista no início da segunda parte, viu as expectativas defraudadas. Os 'axadrezados' acusaram em demasia os golos que foram sofrendo na etapa inicial e pareciam dar mostras de baixar os braços. Mesmo sem um ritmo de jogo muito acentuado, era o Benfica que continuava a mandar nas operações e a criar algumas ocasiões de golo, tal como sucedeu sempre desde que André Almeida abriu o ativo.
Nuno Tavares encontrava muito espaço na esquerda e chegava muitas vezes à linha de fundo para cruzar, Pizzi também se via com demasiada liberdade e quase bisou aos 52 minutos, e Seferovic teimava em não conseguir levar a melhor no seu duelo particular com Helton Leite, vendo o guardião brasileiro negar-lhe o golo mais uma vez, à passagem do minuto 58.
'Golaço' de Dulanto lança reação 'axadrezada'
Contra a corrente de jogo, porém, o Boavista iria reduzir a desvantagem. Livre batido para a grande área do Benfica e Dulanto, com um espetacular remate de primeira, não deu hipóteses de defesa a Vlachodimos. O golo motivou os visitantes, que voltaram a visar a baliza contrária pouco depois. Desta feita, contudo, de o guarda-redes do Benfica esteve à altura do remate de Yusupha.
Contra a corrente de jogo, porém, o Boavista iria reduzir a desvantagem. Livre batido para a grande área do Benfica e Dulanto, com um espetacular remate de primeira, não deu hipóteses de defesa a Vlachodimos. O golo motivou os visitantes, que voltaram a visar a baliza contrária pouco depois. Desta feita, contudo, de o guarda-redes do Benfica esteve à altura do remate de Yusupha.
O Benfica tremia e Nelson Veríssimo mexeu na equipa, lançando Rafa e . Mas foi o Boavista a voltar a ameaçar, num remate de pé esquerdo de Sauer, defendido com algumas dificuldades por Vlachodimos.
'Axadrezados' esmorecem e Benfica volta mesmo aos triunfos
Aos poucos, porém, o ímpeto que o golo deu ao Boavista foi-se perdendo, também por culpa das mexidas introduzidas por Nelson Veríssimo. Um dos homens que saltou do banco, Vinícius, chegou mesmo a introduzir a bola no fundo das redes e o Benfica festejou, por momentos, o quarto golo, que seria o da tranquilidade definitiva, mas o brasileiro estava em posição irregular na altura do cruzamento de Nuno Tavares e o VAR deu ordem ao árbitro da partida, Fábio Veríssimo, para anular o golo.
Aos poucos, porém, o ímpeto que o golo deu ao Boavista foi-se perdendo, também por culpa das mexidas introduzidas por Nelson Veríssimo. Um dos homens que saltou do banco, Vinícius, chegou mesmo a introduzir a bola no fundo das redes e o Benfica festejou, por momentos, o quarto golo, que seria o da tranquilidade definitiva, mas o brasileiro estava em posição irregular na altura do cruzamento de Nuno Tavares e o VAR deu ordem ao árbitro da partida, Fábio Veríssimo, para anular o golo.
Um golo que, contudo, acabou por não fazer falta aos da casa, com o Boavista a não mais conseguir criar perigo. O Benfica regressou mesmo às vitórias, depois de duas derrotas consecutivas na I Liga, somando o seu segundo triunfo em dez jogos, o primeiro em casa em cinco partidas.
COMBINAÇÃO CÓSMICA
"Presidente do Benfica tem de contratar treinador, excelente de preferência, e dar um sinal de ânimo à nação encarnada
A demissão de Bruno Lage não resolve, por agora, qualquer problema no Benfica, mas abre a porta, se houver capacidade como todos acreditamos, de inverter o ciclo com escolhas de qualidade.
Na Madeira viu-se um Benfica, profissional, esforçado, a entrar bem no jogo, a desperdiçar golos em quantidade e a perder o jogo em erros repetidos contra a lógica e sentido da partida.
Bruno Lage sai campeão e fica nos adeptos a sensação que desde Fevereiro há uma combinação cósmica não explicada sobre a equipa.
O presidente do Benfica tem de contratar treinador, excelente de preferência, e dar um sinal de ânimo à nação encarnada.
Neste momento, o projecto é relativamente simples: vencer. Chegar às vitórias de forma rápida e consistente como nos habituou a liderança encarnada.
O Benfica tem de lutar pelos jogos que faltam e segurar o segundo lugar (mau seria) e disputar a final da Taça de Portugal para a vencer. Taça de Portugal que sai do Jamor. Uma vergonha para o futebol português. Falta de segurança do Jamor num jogo sem público? Não, há é falta de respeito pelo que significa o Estádio Nacional e a tradição da Taça no Jamor. Muitos que sempre criticaram o Jamor têm uma grande vitória e conseguiram o que queriam. O futebol tem uma estrondosa derrota. Numa FPF que tem realizado um trabalho positivo, com áreas onde obtém excelentes resultados, fica aqui um sinal menos de desempenho por esta decisão. Há dinheiro para tudo menos para o mais básico, ter o Jamor como a sala de visitas do nosso futebol, até porque o estádio é bonito. A Taça de Portugal deveria ser no Estádio do Jamor e encerrar a época desportiva.
Na Europa do futebol o (meu) Liverpool de Klopp venceu o título e procura cilindrar o objectivo/recorde dos 100 pontos, o que era justo para uma equipa que ficará na história pela qualidade do futebol. O Barcelona fez questão de entrar o titulo em Espanha e parece que o Real Madrid aceita e agradece. Pedro Martins merece o aplauso por recuperar o título de campeão na Grécia e Luís Castro também por conseguir o título na Ucrânia. Os treinadores portugueses são bons, um pouco por todo o mundo."
Sílvio Cervan, in A Bola
CONFERÊNCIA DE IMPRENSA | ANTEVISÃO #SLBBFC
SEMPRE BENFICA!
"Sete a zero em Vigo. Sete a um em Alvalade. Zero a cinco na Luz. O penálti defendido por Van Breukelen. Artur Jorge. O golo do último minuto da final da Liga Europa. Jesus de joelhos. As falcatruas de Vale e Azevedo. Os onze anos de jejum. A falência desportiva e financeira. A tudo sobrevivemos. A tudo sobreviveu o meu benfiquismo.
Não ir à Europa. Ver Nelo e Tavares com a camisola do Glorioso. Perder todos os jogos da pré-época. Ser eliminado pelo Gondomar. Estar na antiga Luz com menos de 10 mil pessoas. Ser roubado anos a fio nos campos do Norte de Portugal. Ver corruptos a serem campeões quando deveriam estar a disputar a Liga interprisões. A tudo sobrevivemos. A tudo sobreviveu o meu benfiquismo.
Não somos todos os iguais, reagimos de forma diferente aos descalabros. E é disso que se trata, um descalabro quanto tínhamos tudo para vencer. Quem for campeão sê-lo-á porque o SL Benfica perdeu este campeonato, não foi outra equipa que o ganhou.
Custa, claro, mas será isso razão para colocar tudo em causa? Recordo as palavras de Bruno Lage há pouco mais de um ano na festa do Marquês: 'Se tiverem a força, se tiverem a exigência que têm no futebol noutros aspectos de Portugal, na nossa economia, na nossa saúde, na nossa educação nós vamos ser um país melhor'. Respeito."
Ricardo Santos, in O Benfica
BRUNO LAGE
"No auge da veneração a Lage e ao seu trabalho, pensei que faltava ver ainda duas facetas do nosso treinador para se aquilatar definitivamente a sua competência, conforme possível distanciada e amadoristicamente. Como lidaria com o eventual insucesso, que quase não conhecera até então (a eliminação da Liga Europa criou alguma renitência, mas secundarizada face à extraordinária campanha no campeonato), e como planearia a época e construiria o plantel.
Não o escrevo para exibir supostos dotes de adivinhação ou uma pretensa capacidade invulgar de antecipação. Primeiro, porque as dúvidas por mim colocadas eram meramente hipotéticas, eu admirava Lage. Segundo, porque a nossa equipa iniciou a época brilhantemente e reagiu muito bem ao desaire caseiro com o FC Porto.
Na Liga dos Campeões, encarei o início titubeante como uma consequência, sobretudo, de lacunas competitivas do futebol português. Afinal de contas, passeávamos a nível nacional, apesar da tal derrota, e o desempenho na Europa até melhorou significativamente ao longo da fase de grupos.
O quase ano e meio de Lage deveria ser caso de estudo. Pela positiva e negativa, houve macas significativas. O percurso é inusitado, com a extraordinária ascensão seguida de uma derrocada sem precedentes. Por exemplo, 18 triunfos nos primeiros 19 jogos do campeonato nesta época, superado só pelo pleno de vitórias em 1972/73. Mas só dois triunfos nos últimos 13 jogos em competições oficiais, igualando os piores registos. E mesmo apenas com duas vitórias nas últimas dez jornadas, Lage ainda é o 3.º melhor treinador de sempre do Benfica, em percentagem de vitórias, com mais de 30 jogos nesta prova. Há uns meses, ninguém adivinhava este desfecho."
João Tomaz, in O Benfica
PRIMEIRAS PÁGINAS DA LIXEIRA JORNALEIRA TUGA
sexta-feira, 3 de julho de 2020
O NEGÓCIO ROUBOU A ALMA AO BENFICA (II)
"Perderam-se no meio de tanto negócio e perderam a vontade de vencer, esquecendo-se de que a sociedade anónima desportiva é detida na sua maioria por um clube feito de gente de todas as classes que vive intensamente esta paixão, gente séria e trabalhadora que abdica de muito para seguir a sua paixão para qualquer parte e que não gosta de ver o nome do Benfica na lama.
O Benfica precisa de um projecto desportivo. Os últimos quatro anos revelaram-se um tremendo disparate, com uma perda clara de qualidade no plantel relativamente a anos em que o dinheiro não era tão abundante – desequilíbrios evidentes que todos os sócios reconhecem e que foram sendo camuflados com algumas vitórias, fruto do enfraquecimento dos rivais. Ainda assim, perdeu-se a oportunidade de conquistar um penta e, nos últimos três anos, estamos prestes a perder dois campeonatos para um clube intervencionado pela UEFA. Supostamente, um melhor processo financeiro desagua em melhores plantéis, que resultam em mais vitórias e campanhas europeias com outro brilho que até permitem, no devido tempo, transacções mais elevadas. Os últimos anos mostram-nos, no entanto, uma realidade diferente: resultados financeiros cada vez mais robustos, jogadores mais medíocres. O objectivo passou a ser construir para vender ao invés de construir para ganhar. E o princípio está errado logo à partida.
Mas o problema é bem mais profundo e estrutural. Foram saindo figuras que eram reconhecidamente importantes, como Lourenço Coelho, Shéu Han ou José Boto. Não sei se, em alguns casos, estas ausências foram bem colmatadas, mas noutros é bem evidente que não. O que transparece é uma estrutura amorfa e obediente, sem sangue benfiquista nem chama e que ostraciza quem ousa ter uma voz incómoda e diferente, como António Simões. Perderam-se no meio de tanto negócio e perderam a vontade de vencer, esquecendo-se de que a sociedade anónima desportiva é detida na sua maioria por um clube feito de gente de todas as classes que vive intensamente esta paixão, gente séria e trabalhadora que abdica de muito para seguir a sua paixão para qualquer parte e que não gosta de ver o nome do Benfica na lama. Um amor que vai passando de geração em geração, como foi o meu caso, cheio de recordações e conquistas que nos envolvem e nos unem de uma forma inexplicável. Só assim, aliás, se explica pedirem-nos o cachecol (sem retorno) que nos acompanha para todo o lado. Eles sabem lá o que aquilo significa para nós. O que já viveu connosco e nos traz à memória.
Não é exequível ter um departamento de comunicação que se esgota em apagar os fogos de casos e mais casos que todas as semanas são revelados, em vez de ter uma mensagem estratégica. Uma área jurídica onde se gastam milhões para tentar evitar escândalos quando a marca Benfica tem uma capacidade tremenda para se superiorizar a todas as outras e quando devíamos estar preocupados no desenvolvimento, e não nos processos em tribunal. Um departamento de prospecção em que não se percebe se tem uma palavra a dizer nas ( erradas ) contratações ou se quem define tudo é o presidente. O Benfica, há 20 anos, estava uma miséria. Nós reconhecemos isso e estamos imensamente agradecidos pela recuperação, sobretudo financeira. Mas isso não pode fazer-nos reféns desta direcção. Temos todo o direito de querer mais mas, acima de tudo, de querer de forma diferente.
Aproximam-se tempos importantes. Façamos, por isso, este debate com elevação. Sei que não é fácil. Eu próprio praguejo sempre que vejo um Pedro Guerra a comentar na BTV, mas não podemos cair no erro de atingir o clube quando o objectivo será denunciar os procedimentos de alguns. Há muita gente a gravitar à volta do nosso clube que não presta. O Benfica tem 116 anos , feitos de muita gente boa. Muito sacrifício. O Benfica é dos sócios. Não é o quintal de ninguém. Mais do que nunca precisamos de uma vaga de fundo, gente nova e competente, cheia de alma benfiquista, plasmada no suor da camisola, que honre a nossa história mas que se projecte no futuro, que contemple ao mesmo tempo um projecto sólido, uma visão profissional e uma ambição desportiva. Que não vá contra ninguém, mas pelos nossos ideais. Que nos encha de orgulho e nos devolva a credibilidade, o sonho, a magia e a convicção. E pluribus unum! Sócio 10 638."
ESPANTO
"1. No fim do último jogo no Funchal intrigou-me o que ouvimos de um dos capitães da Equipa, ao considerar que 'Não conseguimos explicar isto. Tivemos duas ou três oportunidades muito, muito claras e, depois, não há explicações para o que se passa. Parece que tudo nos acontece. Mas a culpa é inteiramente da nossa parte, dos jogadores'.
2. 'Isto', assim dito depois daquele jogo com tão prometedor início e tão inusitado fim, logo me pareceu muito mais do que como um mero desabafo circunstancial de incredulidade e perplexidade, da parte de um jogador do Benfica.
3. 'Isto', e o resto, afinal, era a justificação para duas derrotas consecutivas no Campeonato.
4. Mas, infelizmente, era bastante mais do que isso: 'isto' havia sido, desde o mês de Fevereiro, a quinta desfeita em todos os torneios que disputamos.
5. E, pelo que me apercebi, houve muitos Benfiquistas a quem 'isto' surgiu como uma declaração de passividade e conformação perante 'tudo' aquilo que nem o Povo do Benfica, nem a Cultura, nem a História do Benfica e nem muito menos a Direcção, poderiam aceitar de ânimo leve.
6. Por fim, não menos grave, no contexto de uma feroz competição sem limites quanto ao descaramento e às poucas-vergonhas com que os nossos inimigos tinham voltado a interpretar o jogo do futebol fora (a dentro) das quatro linhas, 'isto', depois de noves-fora-nada dos últimos seis anos deles (com as contas e os resultados que se lhes conhecem e os envergonham nacional e internacionalmente), este nosso inaudito conjunto de desempenhos e desfechos, acabava a representar a mais iníqua e regeneradora dispensa de 'oxigénio' que tais velhacos - estendidos num anunciado leito de morte estrutural - podiam beneficiar agora, da nossa parte...
7. Mas, de facto, no mundo do Futebol, as coisas são assim. O futebol chega a ser cruel: e quase sempre que um treinador parte sem o que esperássemos (nem sequer o desejássemos), a culpa não morre sozinha.
8. E, ao confessar que 'não conseguia explicar', o jogador pelo menos teve o mérito de ser sincero e mais revelador do que talvez quisesse ser.
Mas, para espanto dos Benfiquistas."
José Nuno Martins, in O Benfica
BRUNO LAGE
"Em plena crise de resultados desportivos, aconteceu aquilo que é normal acontecer - a mudança do comando técnico. Devemos a Bruno Lage meses a fio de vitórias, a reconquista de um título que estava perdido e uma Supertaça brilhantemente conquistada frente ao Sporting. Devemos, sobretudo, a Bruno Lage uma nova aragem no futebol português. O seu discurso desempoeirado, o fair play com que sempre pautou as suas intervenções e a sua obsessão em falar sobre futebol e sobre o jogo fizeram dele uma figura maior do desporto nacional. Jamais nos esqueceremos do seu discurso, no Marquês de Pombal, naquela noite mágica. Jamais nos esqueceremos dos jovens que Bruno Lage lançou na equipa principal, com particular destaque para esse verdadeiro fenómeno chamado João Félix. Jamais nos esqueceremos do seu equilíbrio e da sua ponderação na hora das vitórias e dos recordes que foi alcançando. De repente, tudo virou. Haverá, seguramente, várias explicações para a quebra de rendimento da nossa equipa e para esta fase de resultados negativos. A hora é de reflexão. Bruno Lage resolveu pôr o seu lugar à disposição e foi igual a si próprio - pensou nos interesses do Sport Lisboa e Benfica e não nos seus interesses pessoais. É este exemplo que deve ser seguido por todos os que sentem o Clube. Apenas da distância pontual para o líder da Liga, ainda acredito que iremos lutar até ao fim, por um benfiquista nunca desiste. Tal como iremos lutar pela conquista da 27.ª Taça de Portugal. Aguaremos pela lucidez do presidente e pela clarividência do conselho de administração da SAD. Foram eles que nos conduziram à hegemonia do futebol português. Só eles saberão a fórmula certa para voltarmos aos êxitos."
Pedro Guerra, in O Benfica
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