quarta-feira, 2 de setembro de 2020

UEFA YOUTH LEAGUE | AS CINCO REVELAÇÕES DO SL BENFICA


 "A UEFA Youth League da época 2019/2020 ficou marcada por mais uma grande campanha das águias, ainda que, novamente, sem a tão desejada vitória numa final europeia, desta vez caindo perante o Real Madrid CF numa final honrosa e muito bem disputada, orgulhando o nome do SL Benfica e deixando, não só por causa do jogo da final mas por toda a campanha na prova, água na boca aos adeptos encarnados relativamente ao futuro de algumas destas jovens promessas.

Ainda que o plantel do SL Benfica vá sendo constantemente reforçado com jogadores de inegável qualidade, certo é que, com uma formação como a do Seixal, com bastantes provas de talentos ao longo dos últimos anos, é expectável perceber até que ponto Jorge Jesus poderá, já nesta temporada, aproveitar alguns dos jovens para trabalhos na equipa principal (treinos e jogos, provavelmente de menor dificuldade e responsabilidade).
Assim sendo, vamos conhecer mais ao detalhe os cinco jovens que, a meu ver, foram as grandes revelações do SL Benfica na UEFA Youth League que recentemente findou.

1. Gonçalo Ramos – Distinguido como melhor jogador e melhor marcador da prova (juntamente com Roberto Piccoli da Alalanta BC), Gonçalo Ramos foi a grande revelação do SL Benfica na Youth League 2019/2020, assim como o jogador mais preponderante na caminhada até à final, tendo inclusive bisado na partida decisiva, atingindo, deste modo, os oito golos na edição, aos quais somou mais três assistências.
É um jogador extremamente completo, podendo actuar em diversas posições (médio, segundo avançado ou ponta de lança), e oferecendo uma panóplia de recursos que o diferenciam dos demais elementos (passe, visão de jogo, ligação meio campo-ataque e faro de golo, com finalizações com ambos os pés ou a cabeça).
Num momento em que muito se fala da necessidade do SL Benfica em contratar avançados para as suas fileiras, Gonçalo Ramos provou, não só na Youth League mas também na primeira vez que foi chamado à equipa principal (bis nas Aves em poucos minutos) que deverá ser uma alternativa viável no plantel treinado por Jorge Jesus, uma vez que se encontra num nível diferenciado e a precisar de evolução para impedir a estagnação nestes escalões mais jovens.

2. Úmaro Embaló – Também nas alas se encontra destaque nestes jovens, nomeadamente, o extremo Úmaro Embaló. Com sete jogos na UEFA Youth League, três golos e duas assistências, o jovem nascido na Guiné-Bissau, mas com nacionalidade portuguesa, evidenciou a tremenda capacidade de imprevisibilidade, drible, a enorme velocidade que foi uma das suas principais armas e, ainda, atributos como os cruzamentos (alguns deles teleguiados para os avançados) e finalização.
Com a tenra idade, é comum vê-lo também, em alguns momentos, demasiado agarrado à bola, tentando resolver sozinho, errando no momento da tomada de decisão ou na própria execução, coisas que, com o tempo e trabalho, serão facilmente trabalhadas e melhoradas, evoluindo para um patamar de excelência, pois potencial é algo que abunda no jovem extremo.

3. Tiago Dantas – É considerado por muitos como o maior talento da formação encarnada, tendo já actuado na equipa principal (uns minutos frente ao Vitória FC num encontro da Taça da Liga) e também sendo chamado para treinar em alguns períodos.
Nesta edição da UEFA Youth League, foi um dos grandes pilares e destaques da equipa do SL Benfica, com participação em oito jogos, contabilizando quatro golos e duas assistências.
Ainda que muitos duvidem da afirmação do jovem de 19 anos devido à sua pouca estampa física, é no ponto de vista técnico, na sua inteligência e cultura tática que evidencia todo o seu futebol. Obviamente, num meio campo a dois fica mais exposto, mas num 4-3-3, tal como actuou preferencialmente a equipa do SL Benfica orientada por Luís Castro, conseguiu sobressair bastante, com passes de encher o olho, fintas curtas e simulações de corpo, a forma como protegia a bola e impedia o choque físico com os adversários e, claro, os golos que marcou e que, num médio, são sempre números assinaláveis. Pena enorme o pénalti desperdiçado na final, mas a certeza que o tornará mais forte mentalmente e capaz de muito rapidamente integrar a equipa principal do clube da Luz.

4. Ronaldo Camará – Sem dúvida um dos maiores diamantes do Caixa Futebol Campus. Iniciou o seu trajeto na UEFA Youth League com uns impressionantes 16 anos, assumindo na fase de grupos e, posteriormente, na fase a eliminar, por várias vezes, um lugar no 11 inicial, demonstrando tudo o que o caracteriza: médio ofensivo com qualidade de passe, visão de jogo, transporte de bola, remate, muita chegada à área, velocidade, finta e inteligência na ocupação de espaços. Apesar de muitos o verem como uma espécie de box-to-box, necessita de evoluir bastante no processo defensivo para ficar um médio mais completo e com hipótese de ser integrado no plantel de Jorge Jesus. Apontou um golo e somou duas assistências na UEFA Youth League, números interessantes para um jogador tão jovem, mas com tanto para oferecer nos próximos anos.

5. Morato – Contratado no início da época passada por uma quantia que, na altura, foi surpreendente para muitos (sete milhões de euros), já que nunca tinha realizado qualquer jogo oficial pelo São Paulo FC, o defesa central brasileiro passou grande parte da época a jogar nos escalões mais jovens das águias, com presenças na Segunda Liga e na Liga Revelação, contudo foi na UEFA Youth League que claramente demonstrou todo o seu potencial, qualidade e o porquê de o SL Benfica ter despendido uma quantia tão avultada na sua contratação. Ao longo da prova, foi totalista (10 jogos, actuando em todos eles os 90 minutos) e terminou sem qualquer cartão, o que também é um dado interessante.
Com 1.90m, Morato é fortíssimo no jogo aéreo, tem boa capacidade de posicionamento, joga com os apoios orientados, oferece outras valências clássicas num central, tais como desarme e marcação e, além disso, é um central moderno, ou seja, sabe jogar com bola, construindo com muita qualidade e critério desde trás, para depois sair em condução ou utilizar a sua boa capacidade de passe (curto e longo). O facto de ser canhoto também poderá ser algo que o valoriza no futebol atual, dada a menor quantidade de centrais que usam o pé esquerdo, podendo futuramente ser uma alternativa ao provável titular e recém contratação dos encarnados (Jan Vertonghen), experiente central que, na minha opinião, deverá ser um alicerce fundamental para o desenvolvimento e maturação do jovem brasileiro.

Para finalizar, gostaria ainda de deixar outros nomes que facilmente poderiam figurar nesta lista, pelo facto de terem realizado uma campanha de valor e exibições muito acima da média, sendo importante e interessante manter o acompanhamento e atenção no percurso destes jovens: Leo Kokubo, Pedro Álvaro, Filipe Cruz, Rafael Brito, Paulo Bernardo e Tiago Araújo."

REGRESSO EM CHEIO


 "A nossa equipa de futebol encontra-se em acelerada preparação para o regresso à competição após um defeso atípico, invulgarmente curto, devido aos acertos de calendarização inevitáveis, na temporada passada, motivados pela pandemia que grassa ainda e cujas consequências continuamos a ter de lidar. 

Durante os escassos dias de férias para o plantel do futebol, foi apresentado o novo técnico, Jorge Jesus, tratando-se de um regresso muito saudado daquele que é o treinador que conquistou mais títulos e troféus ao serviço do Benfica, além de ser o que mais jogos e vitórias tem, em competições oficiais, pelo Clube.
O palmarés de Jorge Jesus é sobejamente conhecido e todos nos recordamos do bom futebol apresentado pela nossa equipa ao longo das seis épocas em que representou o Benfica. Mas são também os reforços já apresentados, juntando-se a um conjunto de jogadores com títulos de águia ao peito, a suscitarem entusiasmo entre os Benfiquistas.
Everton, Gilberto, Helton Leite, Pedrinho, Vertonghen e Waldschmidt são as caras novas, além do regressado Diogo Gonçalves, num plantel que se pretende extremamente competitivo para lutar pelo triunfo em todas as competições nacionais e chegar o mais longe possível na Europa.
Desde o início dos trabalhos, a nossa equipa disputou quatro jogos-treino (misto da equipa B e Sub-23; Estoril, Bsad e Farense) e um jogo particular (Bournemouth), estando previstas mais duas partidas, ambas no Estádio da Luz com transmissão televisiva pela BTV, frente ao Braga (hoje às 19 horas) e Rennes (sábado às 19 horas), englobadas na preparação da importante eliminatória de apuramento para o play-off de acesso à Liga dos Campeões, a disputar com o PAOK, num único jogo em Salonica, Grécia, no próximo dia 15, às 19 horas.
Caso o Benfica elimine o PAOK, o play-off será disputado com o Krasnodar, da Rússia, nos dias 22 e 30 de Setembro. Entretanto, a estreia da Liga NOS será no fim de semana de 19 e 20 de Setembro, com uma deslocação ao reduto do Famalicão, seguindo-se as recepções a Moreirense (26 ou 27 de Setembro) e Farense (3 ou 4 de Outubro) nas jornadas seguintes.
Por definir está ainda se o regresso às competições significará, também, o tão desejado regresso de público às bancadas e, caso este ocorra, em que moldes acontecerá. A saúde pública será sempre a prioridade e fazemos votos para que estejam reunidas as condições para que possamos voltar a frequentar, o mais rápido possível, os estádios e pavilhões em que os nossos atletas defenderão as nossas cores e emblema.
De todos, um. O Benfica!"

TODOS OS DIAS É MAIS UM...


 M’BAYE NIANG FECHA LISTA DO ATAQUE

O Benfica trabalha com urgência no reforço do ataque e tem shortlist com alguns atacantes referenciados, possíveis alvos da SAD. O último nome em agenda, apurou A BOLA, é M’Baye Niang, senegalês do Rennes.
Darwin Núñez (ver página 2) é a prioridade nesta altura, mas a vontade de Jorge Jesus passa por contratar mais um atacante. Se Darwin Núñez cair, os encarnados têm três nomes na lista: os já conhecidos Carlos Fernández (24 anos, avançado espanhol do Sevilha, emprestado ao Granada em 2019/2020), o colombiano Luis Javier Suárez (22 anos, dos quadros do Watford, jogou no Saragoça na época passada) e Niang, que, curiosamente, até pode defrontar o Benfica no próximo sábado, em particular na Luz.
M’Baye Niang, 25 anos, é senegalês, também tem nacionalidade francesa, e está avaliado pelo site Transfermarkt em €15 milhões. Passou por Milan e Torino e, da lista, pode ser um dos avançados mais caros. Na época passada marcou 15 golos em 35 jogos, com o Rennes a ficar em terceiro lugar no campeonato e a conseguir vaga na Liga dos Campeões.
ÁGUIA VOLTOU À CARGA POR RÚBEN SEMEDO.
Rúben Semedo, defesa central de 26 anos, continua em cima da mesa da SAD encarnada e nas próximas horas podem surgir desenvolvimentos relevantes em redor deste processo. Isto porque Jorge Jesus não deixou cair a ideia de precisar de mais um central e Rúben Semedo, português que representa o Olympiakos, é o homem que pode chegar em condições mais favoráveis para a SAD da Luz.
A BOLA sabe que nos últimos dias foram efetuadas diversas diligências junto do emblema do Pireu e do lado grego foi manifestada disponibilidade para iniciar negociações.
Jan Vertonghen, internacional belga, foi o único reforço para o eixo defensivo contratado a pedido de Jesus, treinador que identificou cedo a necessidade de encontrar mais meios para o setor.
De preferência também mais um esquerdino (como Vertonghen), daí ter identificado Leandro Cabrera, uruguaio do Espanhol, como alvo preferencial. Os catalães exigiram €15 milhões e da Luz a oferta avançada foi de metade desse valor. Lucas Veríssimo foi outro dos nomes colocados na agenda por parte de Jorge Jesus.
O central do Santos, de 25 anos, encheu as medidas ao treinador encarnado enquanto esteve ao comando do Flamengo, daí tê-lo tentado levar para a Luz. Mas o Santos, mesmo aflito para realizar encaixe financeiro, pediu demasiado (mais de € 10 milhões) para aquilo que o Benfica pensava desembolsar.

PRIMEIRAS PÁGINAS: JUNTA LETRAS FAZEM LEILÕES DIÁRIOS


 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

O RGS ANDA MAIS PERDIDO QUE UM NEURÓNIO NUM FILME DE RAMBO


 O #DesafioSLB 3 aos Benfiquistas, assente no nosso programa para as eleições de Outubro de 2020 no Sport Lisboa e Benfica, abrange o maior ativo do Clube: os seus sócios. Entre estes, as claques e todos os outros que pelo mundo fora partilham desta paixão, designadamente nas Casas do Benfica.

Foi lançado hoje o convite às restantes candidaturas para debates sobre os projetos e a visão para o futuro do Sport Lisboa e Benfica que cada um leva a votos nas eleições de Outubro.

O modelo que preconizamos é o de debates online e ao vivo, com intervenção dos Sócios, que serão chamados a deixar as suas mensagens e questões aos vários candidatos.
Naturalmente, este convite não substitui os debates em direto que considero essenciais nos órgãos de comunicação oficiais do Benfica, designadamente a BTV, assim estes respeitem a pluralidade de pensamento dentro do Benfica.
A já prometida estação de rádio poderia mesmo efetuar a sua emissão experimental com um debate entre os candidatos, o que significaria mais um marco para a gloriosa história centenária do nosso Clube.
A newsletter oficial do Benfica, "News Benfica", na edição de hoje, é um inaceitável exercício de propaganda. Acentua também a já patente apropriação dos meios oficiais do clube por parte de Luís Filipe Vieira. Todos os órgãos de informação do Benfica, designadamente a BTV, terão de tratar por igual todos os candidatos. É o que vamos exigir. E, assim esperamos, o mesmo farão as restantes candidaturas. Contamos igualmente com os Sócios, os verdadeiros donos do clube, para que estejam solidários.
O Benfica é Nosso, dos sócios, dos adeptos do Sport Lisboa e Benfica!

QUANDO AS ÁGUIAS ATRAVESSARAM DOIS INFERNOS



 "Recorde-se uma das decisões mais vergonhosas da UEFA: em 1965, obrigou o Benfica a jogar a final da Taça dos Campeões Europeus em S. Siro, na casa do seu adversário, o Inter de Mrilão.


Benfica teve, pela primeira vez na história das taças da Europa, de jogar uma final no campo do adversário.
'Il Comendattore': só de si, a expressão é sinistra.
'Il Comendatore': do latim, 'comendator', aquele que recomenda; eclesiástico ou cavaleiro de uma ordem militar a quem, antigamente, por serviços prestados, era concedido um benefício, como uma igreija, mosteiro, terras ou uma povoação.
Esclarecido, mas não descansado: continua a ser sinistro...
Em Itália, dizia-se à boca cheia: 'Moratti compra tudo... árbitros incluídos'.
Em Itália, afirmava-se na imprensa: 'Angelo Moratti não perde a possibilidade de mostrar quem manda no Inter. Foi ele que, dias antes da final contra o Benfica, explicou aos jornalistas como iria jogar a sua equipa: 'Bedin marcará Eusébio; Suarez e Corso vão controlar as movimentações de Coluna; Guarneri bloqueará Torres; Fachetti perseguirá Torres por toda a parte'.
Estas palavras foram publicadas na revista Supersport.
Um ponto por toda a parte, havia o incómodo, o desconforto: a UEFA, pela voz do presidente do Comite Organizador da Taça dos Campeões, José Crahay, anunciava, após as meias-finais, que a final se disputaria em S. Siro, a casa do Inter, campeão europeu em título. A decisão era inédita, inacreditável. Mas foi levada por diante. Em caso de empate, finalíssima em Bruxelas.
S. Siro encheu, claro! 180 milhões de liras de receita, recorde absoluto do grande estádio de Mião, qualquer coisa como 8.500 contos da época.
80000 pessoas estariam nas bancadas para assistir à segunda vitória da equipa de Moratti e Helenio Herrera na Taça dos Campeões da Europa.
'Lasciate ogni speranza, voi chi entrate', dizia Dante, no 'Inferno'.
S. Siro seria o inferno. Não havia esperança para o Benfica.
O Benfica contrariou o Inferno, no entanto.
Vítor Santos, em A Bola'Sobre a relva encharcada, há dez rapazes de camisola vermelha, empapada em suor, prontos para, de cabeça bem erguida, saudarem o vencedor da batalha desigual que tinham sido chamados a disputar. Falta um ao grupo. Esse, saíra meia hora antes, corpo varado pela dor. E aqueles dez homens, sujos, desgrenhados, encharcados até aos ossos, tinham alguma coisa de um pequeno exército que se cobrira de glória frente a um adversário poderoso, numericamente superior e armado até aos dentes, que, ainda por cima, fizera a guerra no seu próprio terreno e com a grata colaboração de dilectos e poderosos aliados. Alguns choram. Um tem mesmo qualquer coisa como uma convulsãro. As lágrimas rolam-lhe pela face e ele, meio cambaleante, tem de se amparar a braços amigos para não cair. Chama-se Torres e lutara como um bravo (...) Esse Benfica que a UEFA quis transformar num grupo de convictos cristãos da era moderna, a lançar Às feras famintas da grande arena de S. Siro, fora a grande sensação do jogo e dera uma 'lição de bola' ao estranho e 'irrealizado' Inter, edição H.H., com o seu futebol manhoso e sádico, marcado por aquilo que se chama em Itália de 'profundo realismo'.
Impressionante! Frente a um conjunto enrolado na sua casca, como o bicho-de-conta, o Benfica efectuara uma exibição estupenda de determinação e de autoconfiança, produzindo um futebol construtivo, profundamente atacante e sempre imbuído daquilo que se pode chamar o espírito imperecível do 'association'.

Dramático!
O Benfica foi, em S. Siro, personagem principal de um dos momentos mais dramáticos do futebol português. A três minutos do intervalo, um remate enrolado do brasileiro Jair, faz a bola fugir, em jeito de galinha assustada, por entre as mãos, por debaixo do corpo, pelo meio das pernas de Costa Pereira. Grande especialista do futebol de não perder, Herrera era o mestre dos mestres no futebol de guardar vantagens inesperadas. O Inter defendeu-se, recolheu-se, fechou-se. Todos os verbos que pudesse utilizar seriam reflexos: eram onze homens trancados sobre si próprios, auxiliados pelo lamaçal em que se transformou um relvado infame. E contra isso nada pôde a valentia lusitana.
Aos 12 minutos da segunda parte, Costa Pereira, herói de Berna, réu de Milão, não resiste a uma hérnia discal e a um traumatismo no pé direito. Não sendo ainda tempo de substituições, é Cavém quem se prepara para vestir a camisola de guarda-redes. Mas é Germano que toma, finalmente, o seu lugar, incapacitado, também ele, por um rotura muscular na coxa.
São dois infernos: o de S. Siro e das lesões.
Nenhum ser humano seria capaz de atravessar dois infernos assim.
Rodolfo Pagnini, jornalista do L'Unitá: 'Escrevemos estas linhas febris enquanto os jogadores do Inter correm em redor do rectângulo, transportando bem alto, sobre as cabeças, a Taça da Europa. No centro do terreno encharcado de chuva e de suor, distingue-se o vermelho das camisolas do Benfica. Eusébio, Germano, Coluna e os seus companheiros olham para a festa que os envolve, desconsolados, tristes. A alegria do Inter, é a sua tristeza. Uma tristeza, uma amargura, plenamente justificada. O público apercebe-se disso. E rompe num aplauso fragoroso e espontâneo. O Benfica perdeu, mas sai de campo com todas as honras. Pode levar consigo para Lisboa, as armas do nobre vencido. Como há dois anos, em Wembley, frente ao Milan, a sorte não foi sua aliada. Nesse encontro, perderam Coluna num momento em que o resultado se encontrava em 1-1. Ontem, como se não bastasse o golo de Jair, numa autêntica 'gaffe' de Costa Pereira, jogou os últimos trinta e três minutos sem o seu guarda-redes. Saído Costa Pereira, todos pensaram: o Inter tem a vitória na mão. E prepararam-se para saborear mais golos. Ao invés, a partida terminava, nesse momento, para a equipa de Milão. Porquê? Porque o Benfica, essa maravilhosa equipa, actualmente a mais forte da Europa, não quis render-se ao inelutável, o fez um apelo ao seu desmesurado orgulho, lançando-se para a frente, de cabeça erguida, indo buscar forças ao fundo do coração e da alma'.
Jaques Ferrari, um dos enviados-especiais do L'Équipe'Eram oitenta mil milaneses contra fez portugueses. E foi uma afronta ao futebol que o Benfica não saísse de S. Siro pelo menos com o empate, tão visível foi o medo dos italianos perante a equipa portuguesa. O Benfica fez ontem tudo quanto é humanamente possível fazer em futebol. Lutou contra a multidão, lutou contra o adversário, lutou contra a má-sorte. E foi sempre uma equipa de coragem, de decisão e lucidez, além de alardear uma superioridade técnica e um sentido de jogo que obrigou os próprios adeptos do Inter a ohs! de admiração'.!

Afonso de Melo, in O Benfica

MORATO | UM OLHAR SOBRE A PRIMEIRA ÉPOCA NO VELHO CONTINENTE



 "Felipe Rodrigues da Silva, conhecido dentro das quatro linhas por Morato, chegou ao SL Benfica no verão de 2019, proveniente do São Paulo FC, a troco de seis milhões de euros por 85% do passe, com a particularidade de nunca se ter chegado a estrear com a camisola do plantel principal tricolor.

O central destacou-se na Copa de São Paulo de Futebol Júnior, onde, através de exibições de grande qualidade, que ajudaram os paulistas a conquistar a taça, tendo até marcado uma grande penalidade na final frente ao Vasco da Gama, o jovem despertou interesse de vários clubes europeus. As “águias” anteciparam-se e garantiram os seus serviços até 2024.
O balanço da primeira época do jovem brasileiro no velho continente é positivo. Morato somou um golo e uma assistência em 2419 minutos, distribuídos por 15 jogos na Liga Pro, dois jogos na Liga Revelação, um jogo na Allianz Cup e dez jogos na UEFA Youth League, onde foi totalista.
Foi nesta última competição onde Morato se superiorizou aos seus colegas do sector defensivo, tendo demonstrado uma enorme maturidade face aos restantes. Morato, devido à sua frieza e à sua capacidade para sair a jogar, era muitas vezes solicitado na primeira fase de construção do jogo das “águias”, notabilizando-se pela sua amplitude de recursos no que ao passe diz respeito. Noutras palavras, Morato tanto tem capacidade em jogar curto como em alongar com critério e qualidade, tornando-se numa incógnita para os adversários.
No entanto, o jovem de 19 anos ainda precisa de correr muitos quilómetros se quiser chegar ao plantel principal do Sport Lisboa e Benfica. Ficou visível no jogo da Allianz Cup, frente ao Vitória FC, que o jovem ainda não tem “estaleca” para tais andanças, tendo comprometido no lance que resultou no golo da vitória aos sadinos. Não obstante, Morato tem tudo para ser uma aposta sólida nos próximos anos. 
Com 1,90m, ágil, rápido, agressivo e com uma leitura de jogo acima da média, que lhe permite antecipar-se aos adversários na disputa pela bola, Morato poderá até já ser o quarto central na hierarquia de Jorge Jesus para a próxima temporada. O facto de ser canhoto, algo que Jorge Jesus aprecia em centrais que jogam no lado esquerdo da defesa, também pode contribuir para a sua inclusão no plantel principal.
Rodeado por defesas experientes de topo como Vertonghen, Rúben Dias e Jardel, o jovem brasileiro tem tudo para seguir as pisadas de David Luiz e Luisão e tornar-se numa das referências defensivas brasileiras a passar pela Luz."

UM JOGO SOLIDÁRIO E NOSTÁLGICO



 "Na homenagem a Álvaro Gaspar e Francisco Stromp reinou a boa disposição entre antigas glórias do futebol português


público acorreu numeroso ao Campo das Amoreiras, a 1 de Maio de 1936. A causa era nobre, pois as receitas revertiam para a construção dos mausoléus de Álvaro Gaspar (Benfica) e de Francisco Stromp (Sporting). O ambiente era de camaradagem e de solidariedade desportiva, mas também de saudade.
A atracção principal do programa era um desafio entre a 'Selecção de Portugal (1921)' - composta pelos elementos do 'grupo representativo de Portugal, que em 17 de Dezembro de 1921 disputou em Madrid o I Portugal - Espanha, jogo que serviu para o nosso baptismo internacional' - e o 'Resto', formado por jogadores da mesma época. Cosme Damião seria o árbitro, António Couto e Dionísio Hipólito os juízes de linha.
No momento em que entraram no rectângulo de jogo, os ases de outros tempos foram ovacionados e alinharam-se de frente para as bancadas. Os antigos internacionais estavam equipados com as cores da selecção nacional de então, 'camisola preta e calção branco', enquanto os seus opositores envergaram as cores do Benfica.
Do camarote central, o presidente do Comité Olímpico Português, José Pontes, pronunciou, emocionado, um discurso de forma inusitada, mas notável. O 'seu discurso era para ser transmitido pelos auto-falants do «camion» da Companhia dos Telefones, mas a corrente eléctrica não servia. Pôs-se de parte a ideia. O infatigável orador encontrou a solução, - heróica: «Falarei ao público do camarote; com silêncio absoluto a minha voz dominará o campo»'. E assim fez, até a voz ficar rouca. A seguir, a assistência fez um 'respeitoso e comovente silêncio', em homenagem a Álvaro Gaspar e Francisco Stromp.
Guilherme Pinto Basto deu o pontapé de saída, deixando-se ficar estático por uns momentos, como quem desejava também participar na partida. Apesar da passagem do tempo ter deixado as suas marcas nos jogadores, pois o aspecto geral de 'barrigudos... Quási todos os componentes apresentam anfractuosidade no ventre... Por cima disto, uma calva luzida...', pôde-se verificar que 'muitos dos «velhos» ainda seriam capazes de botar figura em confronto com alguns novos se os não atraiçoasse o fôlego'.
A 'multidão dispensa-lhes palmas - hoje de simpatia e amizade - antigamente de grande fervor clubista. «Penalty» contra os «internacionais», por infracção de Pinho. Cobra-o Jaime Gonçalves, o «terror dos guarda-rêdes», e bate Carlos Guimarães. A pontaria ainda não falhou...'. Vítor Gonçalves empatou o desafio, ao converter, também, um penálti. A equipa do 'Resto' voltou a ficar em vantagem, com um golo de Simões, mas Crespo, com um golpe de cabeça, obteve pela segunda vez o empate, fechando o marcador. Cosme Damião 'dirigiu admiravelmente' este 'original «match»' que decorreu sempre num ambiente de confortante e sadia alegria'.
Pode ver a camisola da selecção nacional de 1921 na área 15 -No Caminho do Tempo do Museu Benfica - Cosme Damião'."

Lídia Jorge, in O Benfica

DE TODOS, UM. O BENFICA


 "Estamos em vésperas do arranque da próxima época e, apesar dos tempos de incerteza que ainda vivemos, quero deixar uma palavra de confiança a todos os Benfiquistas.

Uma confiança alicerçada numa redobrada ambição que nos levou à contratação de uma nova equipa técnica de reconhecida qualidade, liderada pelo treinador com mais títulos na história do Sport Lisboa e Benfica e pela capacidade de ir ao mercado contratar jogadores internacionais de enorme prestígio.
É nestes momentos de crise que as entidades mais robustas e consistentes conseguem por norma fazer os seus melhores investimentos.
E é mesmo isso que temos feito. Aproveitar este momento de crise para, com base num nivelamento por baixo dos valores de mercado, ter acesso a talentos que noutras circunstâncias estariam fora de hipóteses para nós.
Mas ainda mais decisivo é o factor credibilidade. Como tenho dito, a credibilidade é um dos nossos principais títulos conquistados. E só a forte e reputada credibilidade que temos no mercado possibilita fazer este reforço do plantel com uma gestão eficaz e racional do seu esforço, diluído ao longo de vários anos.
Como fundamental tem sido também o reconhecimento unânime à qualidade do projecto e das infraestruturas que criámos – bem testemunhado nos depoimentos de todos os técnicos e jogadores que têm passado nesta casa – e que nos permite atrair algum do melhor talento, apesar de estarmos fora das consideradas cinco principais ligas europeias.
Vimos de uma década com resultados desportivos no futebol só superada pela década de sessenta, voltámos a ver o nosso Clube em duas finais europeias nos seniores e três nos juniores, em sequência de uma estratégia e rumo de aposta no centro de formação do Seixal que é tida como exemplo internacionalmente.
Tivemos a melhor década de sempre de vitórias nas modalidades.
Hoje, temos os alicerces necessários para redefinir algumas prioridades e procurar chegar mais longe e de forma mais ambiciosa a alguns objectivos.
Como sempre e desde a primeira hora, só esse tem sido o meu foco, trabalhar em prol do Benfica. E neste momento, mais do que nunca face aos tempos de incerteza que vivemos, defender o Clube e reforçar os seus pilares com os olhos postos num futuro ainda mais ganhador.
Mesmo sem ainda sabermos quando poderemos voltar a expressar a paixão da presença no Estádio da Luz, nos estádios e nos pavilhões, transportamos em nós a ambição, a crença e o sentimento de que "De todos, um. O Benfica".
Em cada um, aquela força única de sentir e de gritar "Benfica!".
É essa a força do Benfica e o compromisso de todos e cada um de nós!

Luís Filipe Vieira
Presidente do Sport Lisboa e Benfica"

CAPAS DO DIA DOS JUNTA LETRAS TUGAS