terça-feira, 29 de janeiro de 2019

GOLEADA E EXIBIÇÃO CONVINCENTE ANTES DO DÉRBI


FUTEBOL
O Benfica recebeu e venceu o Boavista por 5-1 na 19.ª jornada da Liga NOS – foi o quarto triunfo seguido na prova sob o comando de Bruno Lage. Na próxima ronda há dérbi com o Sporting.
O quarto triunfo seguido do Benfica na Liga NOS sob a liderança técnica de Bruno Lage foi conseguido com cinco golos na baliza do Boavista (5-1) e uma exibição segura. Com a melhor das vitaminas, as águias encurtaram para dois pontos (à condição) a distância em relação ao primeiro lugar da tabela – e na próxima jornada (domingo), a 20.ª, há dérbi em casa do Sporting (4.º).
O Benfica não perdeu tempo a tomar conta do sentido da partida frente aos boavisteiros e haveria de concluir a etapa inicial com posse de bola nos 71% e uma eficácia de passe nos 83%, de acordo com os dados da plataforma Goal Point.
Ainda assim, com tudo controlado, foi dos pés de Gabriel que saiu uma devolução curta para Odysseas, dali resultando uma oportunidade, caída do céu, para o boavisteiro Tahar, que, perante a mancha do guardião das águias, acertaria no poste esquerdo (7').
[GOLO: 1-0] Aos 9', na execução de um livre descaído sobre a direita (a castigar falta rude, sobre João Félix, que passou sem mostragem de cartão amarelo), Pizzi levantou a bola para a área e João Félix, com boa impulsão e faro de baliza, bateu Edu Machado pelo ar e cabeceou para as malhas. Neste lance, Pizzi, o rei das assistências da Liga NOS, aumentou para oito o número de passes para golo.
O Benfica dominava, invadia a zona defensiva do Boavista e ia somando pontapés de canto (terminaria o primeiro tempo com 10). Aos 11', Tahar pareceu ter cortado a bola com o braço direito na área axadrezada num cruzamento de Pizzi, mas o árbitro Rui Costa, depois de escutar o videoárbitro, indicou pontapé de canto e não pontapé de penálti.

João Félix, com um passe vertical para as costas da defesa do Boavista aos 21', pôs Seferovic na cara do guarda-redes Helton Leite, que defenderia a bola rematada pelo pé esquerdo do camisola 14 das águias.
[BOLA NA BARRA] Rúben Dias, aos 26', fez tudo bem na área, venceu o marcador direto no lance de bola parada (livre batido por Pizzi na direita) e cabeceou com força, mas na direção da barra da baliza axadrezada. Helton Leite bem se estirou, mas não chegaria ao esférico

[GOLO: 2-0] Rafa, sobre a direita, viu Seferovic do lado contrário e solicitou a infiltração do internacional suíço com um vistoso passe de trivela. O camisola 14 recebeu, avançou com o esférico e chutou para defesa incompleta de Helton Leite. Pizzi, no sítio certo e rápido a atacar a bola, assumiu a recarga e não enjeitou (28').
Perto do final do primeiro tempo, o Boavista tentou acercar-se da grande área do Benfica e conquistou um canto no lado direito.

[GOLO: 2-1] No seguimento do canto a favorecer os axadrezados e do despique aéreo no coração da área, a bola sobrou, qual presente, para os pés de Talocha, que usou o esquerdo para rematar, batendo Odysseas (42').
O Boavista quis empertigar-se no arranque do segundo tempo, mas o Benfica não consentiu e avançou para a construção de uma vitória por números expressivos.

[GOLO: 3-1] João Félix recebeu na direita, passou por um oponente com um toque de classe, embalou a toda a velocidade e cruzou (assistência) com as medidas exatas para a entrada mortífera de Seferovic na esquerda da área (54'). Com esta finalização, o camisola 14 alcançou o 12.º golo na temporada, estabelecendo um novo máximo na carreira – nunca tinha faturado tanto numa época.
No ataque seguinte, Seferovic ficou a milímetros do bis, após cruzamento-remate de Gabriel sobre o lado esquerdo.

[GOLO: 4-1] O Benfica estava lançado e alargou a diferença aos 72': Pizzi rasgou na direita, teve espaço para visar a baliza, disparou, Helton Leite defendeu para o lado e Seferovic, com o ângulo a fechar-se, tocou de pé esquerdo para novo momento de celebração no Estádio da Luz.
Realizadas as três substituições autorizadas pelos regulamentos (saíram Rafa, Seferovic e Pizzi, entraram Zivkovic, Ferreyra e Gedson), o Benfica forçou folga ainda maior no resultado e foi bem-sucedido num dos lances mais bonitos da noite.

[GOLO: 5-1] A bola passou pelos pés de Gedson no corredor central e viajou de seguida um pouco para a esquerda, aparecendo Grimaldo, em apoio ao ataque, a ajeitar o esférico e a chutar para um golaço! Helton Leite voou, esticou-se, mas nem de raspão chegou à bola (86').

Sobre o fim da partida, o árbitro Rui Costa assinalou um pontapé de penálti contra o Benfica por falta de Samaris sobre Carraça na área encarnada (88').
[PENÁLTI DEFENDIDO] Mateus foi para a marca dos onze metros, pontapeou colocado, mas Odysseas estirou-se para o seu lado direito e, com a luva, defendeu para canto, conservando o 5-1.

BENFICA DE VOLTA AO TOPO DA LIGA REVELAÇÃO


FUTEBOL
Na próxima jornada, a formação liderada por Luís Tralhão recebe o Marítimo.
Num jogo que durou mais de duas horas, o Benfica venceu o Belenenses pela margem mínima (0-1), na 24.ª jornada da Liga Revelação. O resultado permite aos encarnados voltarem à liderança da tabela classificativa.
Primeiros minutos mornos, com Ronaldo Camará a sofrer falta de Luca van der Gaag dentro da área dos azuis do Restelo, aos 4', mas o árbitro mandou seguir… Pedro Soares ainda tentou o remate, mas a bola acabou na cara do guarda-redes Iuri Miguel.
A formação de Luís tralhão – que tentava regressar aos triunfos, depois de três partidas que não venceu – ia saindo para o ataque à procura do golo, mas a grande oportunidade até surgiu dos pés de Gonçalo Agrelos (22’) para uma boa defesa de Fábio Duarte.
Aos 28’, boa jogada de entendimento dos jogadores do Benfica. Cruzamento difícil de pé esquerdo de Vukotic para o cabeceamento de Pedro Soares, travado por Iuri Miguel.
As oportunidades iam surgindo de ambos os lados, mas a falta de eficácia ia tomando conta do encontro. Aos 33’, Ronaldo Camará sofreu falta e Diogo Pinto foi chamado a bater o livre para mais uma boa defesa do guarda-redes da casa.
Numa altura em que faltavam cerca de 10 minutos para o apito para o intervalo, faltou a luz no Campo n.º 1 do Complexo Desportivo do Real SC, obrigando à interrupção do encontro. A partida foi retomada alguns minutos depois, para se jogar, pelo menos, o que restava do primeiro tempo.

No entanto, a primeira parte teria mais de uma hora... Um choque de cabeça violento, num lance aparentemente normal na disputa de uma bola aérea entre Tomás Ribeiro (Belenenses) e João Ferreira, terminou com um grande aparato dentro de campo. Após ser assistido durante largos minutos, o lateral do Benfica acabou por abandonar o relvado de ambulância, sendo substituído por Tomás Domingos.
O jogo seria retomado mais de 20 minutos depois, altura em que Umaro Embaló teve a oportunidade do 0-1 nos pés com um remate muito forte e potente para (mais uma) boa defesa de Iuri Miguel. No cruzamento, à segunda bola, Pedro Soares, cabeceou para fora. Intervalo: 0-0.
O Benfica entrou forte, mandão e pressionante na segunda parte e, perante um Belenenses com dificuldade em chegar à baliza de Fábio Duarte, os frutos não tardariam...
[GOLO: 0-1] Umaro Embaló, de pé direito, aproveitou o corte deficiente de Luca van der Gaag e inaugurou o marcador, aos 56'.
O avançado de 17 anos voltaria a ameaçar, aos 62', em mais um lance individual, com um remate em arco de pé esquerdo, para mais uma grande defesa.
Bem organizado defensivamente e competente, o Benfica ia correndo atrás do segundo numa altura em que chovia copiosamente. Do outro lado, um Belenenses sem argumentos para dar resposta ao poderio encarnado no segundo tempo.
Onze inicial do Benfica: Fábio Duarte, João Ferreira (45' + 22' Tomás Domingos), Miguel Nóbrega, Gonçalo Loureiro, Frimpong, Henrique Jocu, Diogo Pinto, Vukotic, Pedro Soares (69' Ricardo Matos), Umaro Embaló e Ronaldo Camará (81' Tiago Gouveia).
Com estes três pontos, a formação de Luís Tralhão ascende novamente à liderança da tabela classificativa da Liga Revelação em igualdade pontual com Sporting e Rio Ave (46).
Na próxima jornada, a 25.ª, o Benfica recebe o Marítimo numa partida agendada para as 12h45 do dia 2 de fevereiro (sábado).

CHOVIA COMO SE O CÉU DOESSE


"25 de Janeiro nascia da Mafalala. A mãe queria uma menina. O Destino resolveu trazia um Mercúrio negro que voava com asas nos pés a caminho da eternidade.

Eusébio, Eusébio e mais Eusébio.
Janeiro é mês de Eusébio: digo e repito! Não será certamente o paciente leitor destas crónicas a fartar-se de Eusébio. Quando muito, fartar-se-á do cronista. Quanto a isso, as minhas sinceras desculpas.
Eusébio faria hoje anos: 25 de Janeiro.
A morte levou-o para a planície da eterne saudade onde florescem as rosas da memória...
Se Nelson Rodrigues dizia de Garrincha que foi o melhor jogador que o Brasil jamais viu depois de Pedro Álvares Cabral, então nós podemos dizer, descansadamente, que Eusébio foi o melhor jogador que Portugal jamais viu depois de D. Afonso Henriques.
É a minha opinião: por ela sou responsável. Odeio comparar jogadores de futebol. Sobretudo quando o tempo é tão diverso, que as contradições se tornam inevitáveis.
Eusébio não é comparável. Ele foi Portugal antes deste Portugal moderno, embora injusto. Ele foi para lá das fronteiras de um país tacanho, mazombo e triste e subiu até ao lugar mais alto do planeta ao qual os homens podem ambicionar. Ele foi para lá do mundo e estará ainda hoje a traçar órbitras arbitrárias nas quais os astros fingidos perdem a majestade, como dizia Miguel Torga, o poeta da montanha.
Às vezes, perguntaram-me: 'Como é que, depois de tantos anos, de tantas páginas de jornais, de dois livros dedicados a Eusébio, ainda consegues ter algo para escrever sobre ele?'
A resposta é simples: Eusébio escreve-se a si próprio!

Multiplicando letras...
Outras vezes reescrevo-me. Passo as letras do QWERT atrás das imagens.
Como a imagem de Eusébio depois de marcar o primeiro golo ao Brasil no Mundial de 1966.
Corre, de braço no ar.
Corre, Eusébio, corre! Passada felina de pantera. Divino negro.
A cabeça está erguida, imperial, reparem bem: há no seu olhar, que abarca todo o estádio de Goodison Park, em Liverpool, a consciência de que a História está a passar por ele, pela sua agilidade elástica, veloz, o redor move-se em câmara lenta, só ele tem vida para além da vida corriqueira, insignificante, só ele ganha luz para além dessa vida-vidinha de que falava Alexandre O'Niell e que acabrunhava o país triste.
Corre, corre, corre, Eusébio, corre.
Estava apenas a comemorar um golo, mas até disso dir-se-ia depender a sua própria existência. Aquela corrida parece durar horas e horas. Aquela corrida merecia durar horas e horas.
Prestem bem atenção, agora: ele eleva-se no ar como se tivesse as asas nos pés de um Mercúrio negro. O seu braço erguido estende-se para lá do estádio, quase tocando o céu num soco vigoroso, vibrante. Não tirem os olhos dele: deixem-no ficar assim para sempre na parede lisa da vossa memória.
Dificilmente Eusébio poderá ser tão Eusébio.
Eusébio reescreve-se a si próprio.
Lá em Lourenço Marques, d.ª Elisa Anissabani, a mãe de Eusébio, já tivera três rapazes. Queria uma menina. O dia 25 de Janeiro de 1942 não lhe fez a vontade. Nasceu-lhe outro rapaz. Chamou-se Eusébio. Da Silva Ferreira. O mundo saberia, a devido tempo, decorar-lhe o nome.
O mundo não tardou a confundi-lo com Portugal.
'Chego a convencer-me de que, enquanto os outros bebés aprenderam a andar, eu aprendi a chutar', diria Eusébio, dezanove anos depois, numa entrevista concedida a Carlos Miranda. Um ano depois de chegar a Lisboa e à Metrópole, como então se dizia, Eusébio já era o Eusébio, e tinha uma história completa para contar.
'Não me lembro de brinquedos, não me lembro de jogos ou de partidas', continuava. 'Lembro-se da bola. Sempre da bola A trapeira, se coisa melhor não se conseguia arranjar, lá nos coqueiros, em desafios sem fim, sem prazos de tempo nem balizas medidas. Jogar à bola, fosse como fosse, era tudo quanto desejávamos'.
A bola morreu com ele nesse mês de Janeiro no qual chovia como se o céu doesse.
Ou melhor: ele levou-a comigo, debaixo do braço, preparado para voltar a chutá-la no pedaço mais pequeno de relva que encontrasse vago. Acredito que continuarão juntos. Donos ambos da eternidade dos únicos!
25 de Janeiro: nascia Eusébio, na Mafalala.
Para mim, nunca morreu!"

Afonso de Melo, in O Benfica

PRIMEIRAS PÁGINAS


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

O SILVA DÁ MAIS UMAS BICADAS


Gomes da Silva e o "roubo videográfico": «Não levam a sério quem está no Benfica»
Antigo vice-presidente dos encarnados constata que há "falta de coragem para agir à Benfica por cada 'mail' conhecido"
Rui Gomes da Silva dedicou grande parte da habitual crónica que assina no blogue 'Novo Geração Benfica' ao jogo das meias-finais da Allianz Cup, que o Benfica perdeu diante do FC Porto. O antigo vice-presidente do Benfica fala em "roubo videográfico" e garante que hoje "não respeitam o Benfica", "nem levam a sério quem está" no clube.
"A vergonha da Taça da Liga", começa por constatar Gomes da Silva. "Que vergonha!!! O 1.º golo do FC Porto precedido de falta! E aquele que seria o 2.º do Benfica anulado por fora de jogo inexistente! Já não é um 'erro humano'! É um 'roubo videográfico'!."
O antigo 'vice' do clube da Luz, que por mais de uma vez já manifestou a intenção de se candidatar às próximas eleições do Benfica, questiona por que razão isto aconteceu. "Indignado com o 'roubo videográfico', mas - também - intrigado, de novo, em saber porque é que nos fazem isto? A nós - Benfica - de longe o maior clube português e (ainda) um dos grandes da Europa do futebol! E a resposta, sendo uma, é, em si mesma, composta de muitas partes!"
Depois passa a explicar: "Não respeitam quem, hoje, 'é' o Benfica! As partes de que é feita essa unidade é que podem variar! Porque ou odeiam a sua 'fanfarronice', ou desprezam a sua falta de classe, ou se riem dessa vulgaridade, ou acham irrelevante ser criticado por quem tem tantas 'histórias' em termos de seriedade! Ou seja, não levam a sério quem está no Benfica (embora esses julguem 'ser' o Benfica)!
Gomes da Silva analisa as razões que estarão por trás do desaire dos encarnados. "Então, porque perdemos assim? Se, antes, havia a desculpa do erro humano, porque continuamos a perder assim, em pleno séc. 21, com tanta tecnologia à mistura? Sejamos honestos! Como conseguimos fragilizar outro clube com tudo o que soubemos sobre o 'Apito Dourado', assim estaremos nós hoje, '10 anos à frente do nosso tempo', mas incompetentes para, fora do campo, conseguirmos as condições para não sermos roubados 'lá dentro'!"
E prossegue: "À incapacidade de gerirmos o futebol como um 'grande europeu', juntou-se a falta de coragem para agir à Benfica por cada 'mail' conhecido! E isso fragiliza-nos muito! A essa incapacidade de gerirmos os danos de cada ataque, 'respondemos' com a esperteza do momento sem termos um rumo definido."
O antigo vice-presidente aplaude a decisão dos encarnados de pedir o áudio das comunicações. "Espoliado de uma vitória contra o FC Porto, na passada terça-feira, o Benfica exigiu - e bem - a divulgação das conversas entre o árbitro e o VAR desse jogo. A pergunta que deixo é só agora?"
"No texto que escrevi aqui, em 13 de Dezembro de 2017, suscitei a questão, face à recusa do Presidente do Conselho de Arbitragem em os divulgar porque - pasme-se - 'o nosso futebol não está preparado para a transparência'! E não tendo Fontelas Gomes , desde então, feito nada para isso, só poderemos concluir que, a eles, interessa que a coisa continue assim! Ou seja sem transparência! Recusando a divulgação de áudios dos jogos em que o VAR falhou! Fontelas Gomes agiu de forma prepotente e o Benfica possivelmente mais preocupado, então (sabemos agora) com a venda do treinador, não quis saber dessa prepotência!"
Gomes da Silva: «Frederico Varandas está a pôr-se a jeito»
Antigo 'vice' do Benfica deixa recado ao presidente do Sporting a poucos dias do dérbi.
Rui Gomes da Silva dedicou parte da crónica que assina no blogue 'Novo Geração Benfica' ao dérbi com o Sporting, que se disputa domingo, em Alvalade. O antigo vice-presidente do Benfica deixou um recado a Frederico Varandas, que durante a Allianz Cup apontou o dedo a Luís Filipe Vieira a propósito das críticas que o líder benfiquista fez sobre a arbitragem. Gomes da Silva fala em "Sporting de 'papel'" e avisa que Varandas "está a por-se a jeito".
"Nesta deriva tática que vamos vivendo vem aí o Sporting! Um Sporting de 'papel' que veremos se um VAR qualquer não transforma em candidato ao título! Frederico Varandas está a pôr-se a jeito, com invocação de linhas imaginárias... Com o desejo - o meu - de que não haja linha que o salvem! No dérbi, como em todos os jogos que vá fazendo."
Gomes da silva deixa depois a receita para o sucesso: "Para isso, para voltar a ganhar, valores, princípios, estratégia! Com unidade mas sem unicidade! Com unidade em torno dos valores do Benfica, mas sem confundir esses valores com os interesses de ninguém! Como diria o Presidente do Benfica, depois da derrota em Braga, 'temos um chapéu por cima que é a bandeira do Benfica e quem não a respeitar não deve pertencer a esta família'. Não podíamos estar mais de acordo! Só que - talvez - não da mesma maneira! Porque o Benfica não se confunde nem se pode misturar com nada que não seja o interesse do Benfica! Porque prefiro mais, muito mais, as bandeiras empunhadas do que as bandeiras tipo chapéu! As bandeiras projeto do que as bandeiras abrigo! Ou, para ser franco muito mais os homens que seguem bandeiras do que os que se abrigam debaixo delas!"
E prossegue: "Porque a história do Benfica foi sempre feita por quem honrou a bandeira e lhe seguiu os ensinamentos e não por aqueles que a usaram e se serviram dela como abrigo! Uma bandeira do Benfica à Benfica! Ou um Benfica digno da sua bandeira!"

In Record

A DIFERENÇA ENTRE ÁRBITROS E ARBITRAGEM


"Não se defende a arbitragem defendendo, em todas as circunstâncias, os árbitros. Quem o fizer estará muito enganado

futebol português tem laborado num erro a que já me referi noutras alturas, mas a que vale a pena retornar. A páginas tantas, entendeu-se que haveria toda a vantagem em que o presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da FPF fosse recrutado na APAF, órgão de classe dos árbitros. Percebe-se a bondade do raciocínio e a lógica de entregar as decisões a quem conhece por dentro o fenómeno, juntado-se a isto uma presunção de unidade dos árbitros em torno do seu Conselho.
O tempo tem-se encarregado de demonstrar que mesmo uma via seguida na melhor das intenções pode conduzir ao desastre.
Porquê, se estavam, em tese, reunidas todas as premissas para que a nau chegasse a bom porto?
Porque houve um pecado original que redundou em fracasso: vindos da APAF, os sucessivos presidentes do CA da FPF fizeram uma confusão trágica ao pensarem que ao defenderem corporativamente os árbitros, algo perfeitamente legítimo na associação de classe de que proviam, estavam a defender a arbitragem. Ora, os árbitros - a parte - e arbitragem - o todo - não são confundíveis e o bem dos primeiros não significa, automaticamente, a vitória da segunda.
Movidos por lógicas corporativas, os Conselhos de Arbitragem permitiram que se instalasse uma cultura de pouca exigência que manteve no activo elementos medíocres e impediu a progressão na carreira a candidatos promissores.
Hoje, e nem o presidente do CA da FPF se atreverá a desmenti-lo, temos um quadro de árbitros de qualidade mais do que duvidosa. Há alguns anos, até ao Apito Dourado, poder-se-iam imputar a lógicas corruptas os males da arbitragem. Nos dias de hoje, creio, estamos apenas perante incompetência pura e dura, fruto de uma geração que cresceu em regime de aviário, sem perceber o jogo e as suas motivações. Há uns anos havia uma expressão simples, «pisa mal» que se aplica que nem uma luva a uma série de árbitros-proveta que não têm a mínima noção do que é o jogo. Pedro Proença, hoje presidente da Liga, herdeiro do talento de Carlos Canuto, Joaquim Campos, António Garrido, Carlos Valente e Vítor Pereira, não poderá ter uma visão diferente desta. E será preciso que quem detém o poder arrepie caminho e assuma de uma vez por todas que defender os árbitros e defender a arbitragem são coisas muito diferentes...
(...)

O VAR na berlinda por acção e por omissão
Um golo marcado (de forma escandalosa) com o braço, esteve na eliminação do Everton de Marco Silva da Taça de Inglaterra. De imediato soaram gritos de revolta por não haver ainda VAR no melhor futebol do mundo (só chega em 2019/2020). Por acção ou omissão, o VAR está na berlinda, sem fronteiras...

As contradições de Sérgio
Sérgio Conceição mantém, como treinador, a matriz dos dias de jogador. De personalidade telúrica, é um daqueles casos em que é amado pelos seus e odiado pelos outros, defendendo a causa em que limita até à enésima potência. Por tudo isto, Sérgio nunca foi visto como exemplo de 'fair play', mantendo-se mais perto do guerreiro sempre disponível para dar o peito às balas em cada batalha. Nos últimos dias, relativamente ao treinador do FC Porto, a única coisa estranha foi o apelo que fez à paz e à concórdia e, até, ao respeito pelos árbitros (basta conferir o número de vezes que ele e o director de futebol dos dragões já foram expulsos por desavenças com os juízes de campo na corrente temporada). Só por isso se tornou mais contraditória a forma com o FC Porto reagiu à derrota na final da Taça da Liga, com incidentes na bancada e a ausência (tão justamente criticada ao Benfica na final de Taça com o V. Guimarães) no momento de consagração dos leões. Sérgio Conceição é um treinador de futebol de grande qualidade, disso ninguém tenha dúvidas. Mas não é, nem nunca foi, um modelo de 'fair play'. E, ao serviço do FC Porto ou em qualquer outro destacamento, assim continuará a ser. Sinceramente, do ponto de vista de adepto (e Sérgio já disse publicamente que o seu clube do coração é a Académica), antes alguém que 'morra' pelo clube que representa num determinado momento, que muitos que juram fidelidade eterna a um só clube e por lá permanecem mais para serem servidos do que para servir..."

José Manuel Delgado, in A Bola

UMA SUGESTÃO AO VAR


"A Taça da Liga foi ganha pelo Sporting com sangue, suor e lágrimas. Dois jogadores de Alvalade partiram o nariz, com a coincidência de ocuparem o mesmo lugar em campo: um acabara de substituir o outro. Até por isso, a vitória foi um prémio merecido para os leões.
E a derrota acabou por ser um castigo merecido para o FC Porto, cujo treinador não soube respeitar o adversário. Desmereceu o triunfo leonino, classificando-o de “injusto”, num jogo quase igual ao que o Porto tivera com o Benfica, embora com história diversa. Nesse encontro, a primeira parte fora equilibrada e o Benfica dominara na segunda - mas o Porto acabou por ganhar. Neste jogo, a primeira parte foi equilibrada e o Porto dominou na segunda - mas o Sporting acabou por ganhar.
Perante isto, Sérgio Conceição só tinha de ficar calado. Quem com ferro mata, com ferro morre.
Mas esta Taça da Liga ficará célebre por outras razões: a violenta polémica sobre as arbitragens, que envolveu os presidentes dos quatro clubes participantes na fase final.
Diga-se desde já que ela teve um lado positivo: chamou a atenção para uma prova que era desprezada, trazendo-a para o primeiro plano. A Taça da Liga nunca mais será a mesma.
Mas a verdade é que as arbitragens das meias-finais foram incompreensivelmente desastradas. Não discutindo os outros lances, a anulação de um golo legal ao Benfica, por fora de jogo, atingiu foros de escândalo. É que, se nos livres ou nos penáltis há sempre um certo grau de subjectividade, nos foras-de-jogo não há dúvidas. Assim, não se compreende que um árbitro com recurso a tecnologia, que pode parar as imagens e andar com elas para trás, não tenha percebido que o avançado do Benfica estava atrás do último defesa do Porto.
Um homem que não conseguiu ver isto não pode arbitrar - e fez muito bem em retirar-se para reflectir e aprender.
Entretanto, para acabar com as dúvidas - e na esperança de que alguém com influência no futebol português leia esta crónica e leve a sugestão às instâncias internacionais -, faço uma proposta simples de alteração à lei do offside. A proposta é esta: um jogador só estará deslocado quando o seu corpo estiver “na totalidade” à frente do último jogador adversário. Assim, não haverá mais discussões sobre se o bico da bota está atrás ou à frente…
Tal como, nos foras ou nos golos, a bola tem de estar toda para além da linha, nos foras-de-jogo, um jogador, para estar offside, teria de ter todo o corpo destacado em relação ao adversário."

"QUEREMOS QUE OS ADEPTOS TENHAM ORGULHO NA EQUIPA"


FUTEBOL
Na antevisão do jogo com o Boavista, para a 19.ª jornada da Liga NOS, o treinador do Benfica explicou os pilares do foco da equipa.
Em conferência de Imprensa no Caixa Futebol Campus, Bruno Lage, treinador do Benfica, perspetivou a receção ao Boavista na 19.ª jornada da Liga NOS, agendada para as 19h00 de terça-feira. "Entrar em campo com determinação, organização, qualidade, proporcionar bons espetáculos aos adeptos, para que eles tenham orgulho na equipa, e vencer os jogos", apontou o técnico.
Teve mais tempo para passar as suas ideias ao plantel. Como correram estes últimos dias de trabalho?
Foram dias importantes para conhecer melhor os jogadores e evoluir o nosso processo de jogo, as dinâmicas de um 4x4x2. Foi uma semana muito produtiva. Eventualmente precisaríamos de outra, mas já estou satisfeito com o tempo que passámos juntos.
Que Benfica poderemos ver em campo frente ao Boavista? Uma equipa revoltada com o último resultado ou uma equipa frustrada?
Nem uma coisa nem outra, tem de ser um Benfica determinado. Jogar com vontade, determinação, organizados e com uma atitude tremenda para vencer o jogo.
Gabriel, em recentes declarações, identificou a intensidade nos treinos como uma mudança introduzida por Bruno Lage. É isso mesmo que o define enquanto treinador?
Cada treinador tem a sua forma de trabalhar, esta é a nossa. Estamos a trabalhar como fazíamos na equipa B. Não posso entrar em comparações, nem o quero fazer, porque não tinha oportunidade de ver os treinos da equipa A. Cada treinador tem a sua forma e metodologia de treinar, esta é a nossa e ficamos agradados por os jogadores terem uma resposta positiva.
Pegando ainda no tema intensidade... Quando chegou, notou que este plantel podia ter ido mais além?
É sempre muito subjetivo. Uma equipa que esteja a competir de três em três dias não consegue treinar, e o treino é fundamental. O Benfica esteve a competir desde agosto até esta altura de forma constante, e quando isso acontece há algumas coisas que se vão perdendo, não há hipótese nenhuma. O treino é que faz evoluir. Jogar, jogar, jogar... OK, é importante, mas, à medida que se vai jogando, vão-se perdendo coisas fundamentais naquilo que é a organização da equipa. Tem de se treinar, mas como? Os jogadores vêm cansados de um jogo, têm três dias para voltar a jogar. Esta é a parte mais difícil para qualquer treinador. Por vezes usa-se o exemplo do futebol inglês... É verdade que eles competem de três em três dias, mas semana sim, semana não, tendo tempo para treinar. O treino é muito importante.
O Boavista mudou de treinador recentemente, Lito Vidigal substituiu Jorge Simão. O adversário não terá ainda as ideias do novo técnico, mas que equipa axadrezada espera defrontar?
Temos visto uma equipa muito competente, com forte organização defensiva, um grupo compacto, com médios muito bons, de enorme qualidade, e avançados rápidos, sempre na procura da profundidade e do jogo entre linhas. Ter um novo treinador mexe sempre com os jogadores, que vão querer provar que pode contar com eles. Temos de fazer o nosso trabalho, entrar determinados e com uma vontade enorme de voltar a jogar no Estádio da Luz, com a qualidade própria de quem representa o Benfica.

O mercado de transferências de inverno está prestes a fechar. Vê necessidade de reforçar a equipa nalgum posto específico?
Temos vários jogadores para as várias posições e podemos jogar em qualquer sistema. Até final do mês, vamos avaliar o que pode acontecer em termos de saídas e depois falaremos sobre o resto.
Que baixas há para este jogo com o Boavista?

A seguir à convocatória... Mas posso adiantar que Jonas e Fejsa estão fora.
Como foi começar uma semana de trabalho após uma derrota?
O trabalho nunca é em função do resultado, mas, sim, da análise que fazemos do jogo. Esta é a nossa forma de trabalhar. Se queremos evoluir a nossa forma de jogar, temos de olhar para o jogo e a partir daí construir o que queremos melhorar. Foi nesse aspeto que nos debruçámos durante esta semana de trabalho. Queremos vencer sempre, disputar todos os jogos como se fosse uma final, mas o fundamental é crescer e evoluir a partir do que vamos fazendo.
Deu apenas cinco minutos de jogo a Krovinovic. A que se deve a pouca utilização?
Lá está, só podem jogar 11... Na semana passada perguntaram-me pelo Gedson, agora pelo Krovi, eventualmente na próxima vão perguntar-me por outro jogador. É um plantel com vários jogadores para as posições. Eles têm de continuar a fazer aquilo que conseguem controlar, que é trabalhar. E estão a trabalhar muito bem, com uma atitude tremenda. Têm de esperar pela oportunidade e corresponder quando a mesma surgir.
A derrota na meia-final da Taça da Liga serve de catalisador para o resto da época?
A equipa tem de estar determinada a crescer, evoluir e jogar bem. Esse é o nosso ponto de partida. Não olho para o lado nem para os nossos adversários. Olho para o que é nosso, é nisso que temos de estar focados. Entrar em campo com determinação, organização, qualidade, proporcionar bons espetáculos aos adeptos, para que eles tenham orgulho na equipa, e vencer os jogos. Este é o nosso foco. Não temos tempo a perder a olhar para o lado. É olhar para nós e vamos em frente.

PRIMEIRAS PÁGINAS