terça-feira, 28 de junho de 2022

SILLY SEASON TODO O ANO

 


"A generalização do disparate ou da estupidez está a ir ao tutano do sentido dos princípios, valores e regras que norteiam o funcionamento da sociedade portuguesa.

Houve um tempo em que Verão era considerado a silly season, tantos eram os desmandos verbais e de ação que tomavam conta das instituições e dos protagonistas, mas o mundo mudou. Agora, a silly season assumiu vocação anual, pavoneia-se pelos 365 dias do ano, com aparente comiseração cívica e displicência de quem assume funções públicas pela conjugação da vontade política com o mandato popular.
O problema é que a generalização do disparate ou da estupidez, em português, está a ir ao tutano do sentido dos princípios, valores e regras que norteiam o funcionamento da sociedade portuguesa. Com complacência geral, há conceitos que estão em mutação, moldados à medida dos poderes vigentes, sem a sanção adequada e com perigosas derivas que caracterizaram outros regimes, noutras latitudes e longitudes. Vejamos o caso da responsabilidade política.
A responsabilidade política, pela ação ou omissão, sempre transportou consigo um juízo ético sobre o exercício e as consequências do exercício, mas agora não. Munidos de uma certa impunidade, os titulares de cargos políticos, desde logo, o líder do executivo, têm ensaiado a tese de que responsabilidade política é resolver os problemas, é trabalhar nas respostas, que acabam por ser quase sempre menos que soluções. O remendo é a resposta da responsabilização política perante um problema, um acontecimento ou uma situação.
Portanto, não importa se houve possibilidade de antecipação, se houve planeamento para evitar ou potenciar uma ideia, nem mesmo se as opções foram as adequadas para o que é estrutural, circunstancial ou emergente. Não há nenhum juízo sobre o exercício até à situação concreta ou à consequência. O que importa quase sempre é o futuro. O tempo que está para vir ou o que vai ser feito em reação à atualidade é a cenoura dos quotidianos políticos, sem ideia para o país, sem rasgo e sem coragem para as reformas e decisões que se impõem.
Governar é muito mais do que ter uma lista de tarefas para responder no dia-a-dia aos problemas que vão surgindo, porque não se fez, porque as dinâmicas nacionais são assim ou porque a conjuntura internacional afeta as realidades nacionais em função dos níveis de resiliência e exposição. Infelizmente, emerge uma certa perceção de incómodo com a maioria absoluta, primeiro na presidência da República, e cada vez mais no governo. Um governo que não sabe o que fazer com a maioria absoluta acaba a correr atrás do prejuízo, desfocado do que importa.
Houve um tempo em que a desculpa era o passado de Passos Coelho e Paulo Portas, depois a desculpa poderia ser as tentações do Bloco e do PCP, agora, ainda que havendo as sequelas da pandemia e da guerra, há cada vez menos desculpas para que se cumpra o potencial maior de uma maioria absoluta, com alguns recursos: fazer. Por agora, evidencia-se uma dificuldade em saber o que fazer com a maioria absoluta, mas esta debilidade de liderança facilmente se transforma no problema estrutural de “o que fazer”, mesmo com guiões de PRR e afins.
É o que acontece quando a responsabilidade política se dilui ou é absolvida pela tese da validação eleitoral. Se os eleitores aprovam o exercício pelo voto, não é preciso haver responsabilização política durante o exercício. A ética, a responsabilização consequente e o escrutínio passam a ser dispensáveis durante os exercícios políticos.
O drama maior é o da sinalização destas atitudes para os cidadãos e para a sociedade. O problema é o exemplo dado. E começa a assistir-se à generalização de situações, nos diversos setores da sociedade portuguesa.
Quando temos a Federação Portuguesa de Futebol a montar um esquema de fuga ao fisco para contratar o selecionador nacional e se considera que, pela liquidação do valor devido ao Estado como qualquer contribuinte, a atitude de promoção de uma ilegalidade por uma instituição de utilidade pública está resolvida, é uma expressão da desresponsabilização que se instala na sociedade portuguesa. Desde que resolvas o incumprimento detetado, tudo é possível. Se ninguém der por ela, temos pena. Convenhamos que esta deriva, em generalização, não pode ser a referência da República.
É claro que se pode sempre dizer que a ética da República é a que consta da lei e até se pode alterar as normas legais para ser mais favorável como já aconteceu várias vezes aos longo dos últimos anos, mas, num tempo de incertezas e dúvidas, caminharemos todos para a selvajaria social, com o triunfo da geometria variável. Tudo é possível, em função do protagonista, com a complacência das instituições e dos cidadãos. Basta corrigir o que é detetado ou anunciar que se vai corrigir a situação, com as propostas futuras resultantes de um qualquer plano, comissão ou grupo de trabalho.
Por muito que custe a alguns, responsabilidade e responsabilização política não são isso. Se não planeou ou antecipou, devia tê-lo feito. Se aconteceu e decorre da inação, desajustamento das opções ou da não resolução de problemas de sempre, alguma coisa consequente deveria ter sido feita. Tudo o resto é conversa para entreter a pouca exigência cívica e mediática vigente em Portugal que, conjugada com a volatilização da ética, senso e sentido de serviço, conduzem à instalação da silly season nos diversos dias do ano.
Sem reforço do sentido de responsabilização, com extrapolação consequente dos resultados, e maior exigência cívica, as derivas persistirão no sentido de fragilizar os pilares e as regras da sociedade portuguesa. Cada vez mais desigual e arbitrária. É o triunfo do vale tudo, pelo menos, para alguns, desde que mitiguem ou corrijam os incumprimentos quando detetados. Os outros, já eram.

Notas finais
Nova variante dos portugueses piegas.
Já lá vão 10 anos. O país sob intervenção da troika indignou-se com as palavras de Pedro Passos Coelho, “Devemos persistir, ser exigentes, não sermos piegas...”. Agora surgiu uma nova variante. Graça Freitas pede aos “portugueses esforço para não ficarem doentes” porque “agosto não é um bom mês para ter acidentes ou doenças”. Portanto, num país com fragilidades no planeamento, os portugueses piegas, têm de agendar as doenças. Marcelo Rebelo de Sousa corrobora com um “cada qual fará um esforço para não estar doente, por si mesmo e para não pressionar o cuidado de saúde dos outros”. É silly e não é da season. O “não ir lá, ao SNS” nestes dois anos de pandemia, está provavelmente a evidenciar-se nos índices de mortalidade que se registam, mas a preocupação não é reforçar a resposta, é apelar ao alívio da pressão, como se estar doente fosse um gosto, um desporto ou ocupação dos tempos livres. Miséria.

Burnout institucional.
Há uma série de instituições e serviços públicos sem condições para responder às necessidades em que a solução não é pedir para não ampliar a pressão. O foco é mobilizar recursos e meios para planear, agir e antecipar, mas o Estado prefere desmantelar o que só não funcionava melhor por falta de recursos, como acontece com o SEF. E com isso abre novas frentes de disputas de áreas e territórios nas forças de segurança e órgãos de polícia criminal. Desfoca e amplia as quintinhas. Enfim, disparates."

IMAGENS DO DESPORTO

 


"1
No final dos anos 90, quando o FC do Porto foi a San Ciro defrontar o AC Milan para a Liga dos Campeões, Jorge Costa pisou a mão de George Weah quando este se encontrava no chão, num lance dividido entre ambos. No jogo da segunda volta, o AC Milan foi às Antas empatar por uma bola. No final do encontro, já nos balneários, Weah, que ainda tinha a mão engessada, deu uma forte cabeçada a Jorge Costa deixando-o coberto de sangue. Curioso, ou talvez não, o facto de na época anterior, em 1996, ter sido Weah o jogador a receber o prémio FIFA ‘fair-play’... George Weah, eleito em 2017, é actualmente o Presidente da República da Libéria…

2
José Luis Chilavert guarda-redes da selecção de futebol do Paraguai desde 1989 até 2003, em tempos disse: “O que opinem sobre mim pouco me importa. No papel de ‘mau da fita’, ganhei tudo. Dizem que não respeito os códigos do futebol?! Para mim não existem! O que existe são as leis da vida. Sendo como sou, cheguei onde cheguei.” Condenado num processo movido pelo presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, por calúnia e difamação, cumpre pena de um ano revertida em medidas alternativas. Neste momento anuncia que será candidato à Presidência da República do seu país em 2023…

3
Natela Dzalamidze, tenista, é a atual 44.ª classificada no ‘ranking’ mundial de pares. Sendo de nacionalidade russa, e de acordo com as sanções impostas, não se poderia apresentar no torneio de Wimbledon. No entanto, a moscovita contornou a situação naturalizando-se pela Geórgia. Para além de Natela Dzalamidze, vários desportistas russos optaram por outras nacionalidades nos últimos meses. Foram os casos do ciclista Pavel Sivakov (França), assim como dos xadrezistas Evgeny Romanov (Noruega) e Alina Kashlinskaya (Polónia) entre outros…
Entretanto o defesa Maciej Rybus foi excluído da selecção nacional de futebol da Polónia e vai falhar o Mundial por continuar a competir no campeonato russo: foi anunciado na semana passada que, após cinco temporadas ao serviço do Lokomotiv de Moscovo, seria reforço do Spartak de Moscovo para a próxima época desportiva.
Já em Fevereiro o presidente da federação sueca de basquetebol tinha anunciado o afastamento do jogador Jonas Jerebko da selecção nacional do seu país por este ter assinado contrato com o clube russo CSKA Moscovo…

4
Notícias que nos chegam do Japão dizem-nos que a All Japan Judo Federation decidiu cancelar um seu prestigiado torneio nacional para crianças com idades entre os 10 e os 12 anos. Yasuhiro Yamashita, presidente desta associação e também presidente do Comité Olímpico Japonês diz que a eliminação desta competição colocou em evidência "um problema que envolve a sociedade japonesa". E realça que "o judo é um desporto que enfatiza o sentimento de humanidade. Se só a vitória tem valor, se só o resultado conta, então a filosofia do judo está deformada". Casos de crianças forçadas a perder peso, levadas até ao limite nos treinos ou sujeitas a castigos corporais têm sido revelados. A existência de uma associação japonesa de vítimas do judo revela a contabilização de 121 mortes atribuídas à prática do desporto nas escolas entre 1983 e 2016…

5
A nadadora artística norte-americana Anita Álvarez foi resgatada do fundo da piscina pela treinadora, Andrea Fuentes, depois de desmaiar no final da sua prova a solo no Campeonato Mundial de Natação, em Budapeste, na Hungria. Ao ver que a jovem não vinha à tona, a treinadora espanhola saltou para a piscina. Só quando já estava a trazer a jovem para fora um nadador-salvador da organização foi ajudar a treinadora a tirar Álvarez da água. Andrea Fuentes, quatro vezes medalhada olímpica, declarou ter saltado para a piscina "porque os nadadores-salvadores não o faziam". Em comunicado, a FINA revelou que os salva-vidas contratados para trabalhar em campeonatos mundiais de natação só podem entrar em acção após autorização dos árbitros… e admite rever os regulamentos…"

BENFICA NO FEMININO



 "Entre 1966 e 1975, o desporto português testemunhou um feito único. As 'Marias', nome pelo qual era conhecida a equipa de voleibol feminina do Sport Lisboa e Benfica, sagraram-se eneacampeãs da modalidade, perdendo apenas um jogo ao longo de nove temporadas. O legado das 'Marias' parecia inigualável até que, neste fim-de-semana, a equipa de hóquei em patins feminina do Benfica se sagrou, também ela, campeã pela nona vez consecutiva.

Este feito histórico das hoquistas benfiquistas reflete uma temporada inesquecível para as modalidades femininas, em que o Benfica se sagrou campeão nacional de andebol, basquetebol, futebol, futsal e hóquei em patins, confirmando assim, uma vez mais, o seu estatuto de clube mais eclético de Portugal. Como assinalou o presidente Rui Costa, o Benfica é hoje o único clube que participa em seis modalidades femininas, para além do projeto olímpico e ainda do râguebi.
Segundo dados do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), na última década o número de praticantes do desporto cresceu mais entre as mulheres do que entre os homens. O desporto feminino já não pode ser visto como um mero ato de responsabilidade social, praticamente como se tratasse de um privilégio que é concedido às atletas. O Benfica tem a obrigação de continuar a investir nestas atletas, que tanto fazem por amor à camisola, dando-lhes todas as condições necessárias para dignificar o emblema que envergam ao peito. O futuro do desporto joga-se no feminino e a maior instituição desportiva nacional não pode faltar à chamada.
Também fora de campo existe ainda um longo caminho a percorrer. Segundo os últimos dados oficiais disponíveis, um em cada quatro sócios do Benfica são mulheres. Apesar dessa realidade, a participação feminina na vida interna do clube continua a ser uma raridade.
O Benfica tem vindo a tomar passos importantes para tornar o clube mais inclusivo, como os 'Red Pass' com preços distintos e também as linhas de merchandising dedicado, mas ainda resta muito por fazer. Um dia, muito em breve, o clube terá tantas sócias como sócios e, até lá, precisaremos da participação ativa das mulheres benfiquistas na vida do clube, tanto dentro como fora dos relvados. A bola está do lado das nossas consócias. Contamos convosco para construir o futuro do nosso clube!"

JORNALEIROS TUGAS VEÍCULOS DE DELÍRIOS CONSTANTES, AGORA FORAM OS €30M DO PEPÊ RECUSADOS


 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA | ROGER SCHMIDT

                                                   

PRÉ-ÉPOCA: ENTREVISTA GILBERTO

                                                   

ENEACAMPEÕES!



 "A conquista do nono título consecutivo do Benfica no hóquei em patins feminino, o arranque da época no futebol encarnado e a negra que decide o Campeonato de hóquei em patins masculino são os temas em destaque na News Benfica.


1
Que feito extraordinário da nossa equipa feminina de hóquei em patins: o Benfica é eneacampeão nacional! Nove títulos consecutivos, como só as Marias, do voleibol, tinham conseguido de águia ao peito numa modalidade de pavilhão. A vitória, por 3-2, na Luz, ante o Sporting, num pavilhão repleto de benfiquistas incansáveis no apoio à equipa, selou nova conquista na modalidade. Veja as imagens do jogo e da festa e o resumo da partida.

2
Constatamos que o despudor da tomada de posição das entidades federativas, às quais cabe regular de forma equidistante e na defesa de todos os clubes as competições, é cada vez mais gritante. Ontem, já chegámos ao ponto que quem entrega o troféu de campeão de hóquei em patins feminino ter tatuado na mão "1906", o ano de fundação do Sporting Clube de Portugal, adversário do Benfica nessa luta pelo título. Já não há vergonha nenhuma em assumir que as federações estão capturadas por interesses clubísticos. Não é admissível e lutaremos para que esta situação se altere.

3
Já arrancou a preparação da nova temporada do futebol. Ontem foi dia de exames médicos no Hospital da Luz, hoje é dia de testes físicos no Benfica Campus. Veja as imagens do primeiro dia de trabalho e conheça quem são os membros da equipa técnica liderada por Roger Schmidt. Veja também a entrevista exclusiva de Gilberto aos meios do Sport Lisboa e Benfica. "Vamos começar uma nova era"é o mote dado pelo lateral.

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A final do Campeonato Nacional de hóquei em patins está ao rubro, com tudo a decidir-se na negra (quarta-feira, dia 29, às 20h00 no Dragão Arena).
No quarto jogo, realizado ontem na Luz, vencemos o FC Porto por 5-3, num embate em que, mais uma vez, temos razões de queixa legítimas em relação à arbitragem.
A contribuir decisivamente para o triunfo esteve o impressionante apoio vindo das bancadas, o que mereceu palavras de enaltecimento do técnico Nuno Resende: "Os adeptos mais uma vez a carregar-nos, dá-nos uma crença e uma felicidade de que valeu tudo o que fizemos." Sobre a negra, o nosso treinador deixou uma certeza: "Por mais que nos quisessem tirar desse jogo, nós não deixámos. Vamos dar tudo em prol desta camisola e dos adeptos do Benfica, respeitando, e muito, o adversário, que é extremamente forte."
Veja o resumo e leia a reportagem do jogo, aqui.

5
Terminou a temporada da nossa equipa de futsal, classificando-se no segundo lugar do Campeonato. A final, apesar das três derrotas sem qualquer triunfo ante o Sporting, pautou-se pelo equilíbrio, com todos os jogos saldados pela margem mínima e os dois primeiros a serem resolvidos no prolongamento. Foi insuficiente, mas voltaremos mais fortes!

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Já é conhecido o primeiro adversário do Benfica na Liga dos Campeões de futebol feminino, é o Hajvalia, campeão do Kosovo. Em caso de vitória na meia-final da ronda 1 segue-se o confronto com o vencedor do FC Twente-Agarista CSF Anenii Noi 2020, dos Países Baixos e Moldávia, respetivamente. A ronda 2, de acesso à fase de grupos, é disputada em duas mãos.
Entretanto, a seleção portuguesa voltou a defrontar a Grécia no âmbito da preparação para o campeonato da Europa. Andreia Faria, Carole Costa e Lúcia Alves alinharam de início, Catarina Amado, Jéssica Silva e Sílvia Rebelo foram chamadas do banco. Carole Costa marcou o golo da vitória lusa. Nota ainda para Cloe Lacasse, convocada pela seleção do Canadá para a Concacaf Women's Championship 2022.

7
Os CTT evocam os 60 anos do Benfica Bicampeão Europeu. Conheça os selos comemorativos, aqui."

JUNTA LETRAS COMEÇAM A SEMANA COM A LAGARTADA


 

domingo, 26 de junho de 2022

O CRIME COMPENSA

 


Francisco J. Marques e Júlio Magalhães, então responsáveis pelo Porto Canal, assim como o comentador Diogo Faria vão mesmo ser julgados por terem divulgado o conteúdo de vários e-mails do Benfica no Porto Canal.

Claro está que nenhum dirigente do FC Porto, a começar pelo seu Presidente, teve conhecimento, foi conivente e coautor da prática dessa série de crimes. Na verdade, nenhum deles vê televisão, nomeadamente o canal do próprio clube, nem esteve presente na Gala Dragões de Ouro, em 2017, quando Francisco J. Marques foi distinguido como funcionário do ano e, no seu discurso de agradecimento, se mostrou orgulhoso pelo trabalho desenvolvido na divulgação de emails do Benfica, em prol de “um futebol português mais saudável”. Provavelmente dirão que estava a brincar e foi só para fazer humor, em substituição da Joana Marques.
Ao longo dos últimos anos temos afirmado, de forma reiterada, e pondo de lado a nossa paixão clubística pelo Benfica, que não vislumbrávamos na divulgação dos e-mails, mesmo truncada, a prática de qualquer ilícito criminal, muito menos o de corrupção desportiva. Também sempre afirmámos que, tendo Francisco J. Marques e Diogo Faria passado a pente fino 10 anos de correspondência eletrónica privada furtada, se tivessem encontrado qualquer prova da prática - ou da mera suspeita da prática - de algum crime teriam, imediatamente, reportado às autoridades para que fossem instaurados os devidos procedimentos criminais. Como nada encontraram, porque nada havia para encontrar, resolveram truncar os e-mails e andar a divulgá-los durante um ano no Porto Canal, montando uma telenovela semanal para fazer crer que o Benfica tinha praticado ilícitos criminais, quando bem sabiam que isso não correspondia à verdade.
O despacho de pronúncia proferido esta semana pelo Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) veio corroborar tudo o temos escrito. Para o juiz Carlos Alexandre, ficou claro na instrução que os arguidos “preferiam que os papéis estivessem invertidos e fossem eles os assistentes”, mas resume o caso em dois pontos:
1) Os arguidos obtiveram informação que acreditavam ter sido obtida através de crimes contra as assistentes;
2) Os arguidos devassaram essa informação ilegalmente obtida, filtraram-na, reportaram-na, reorganizaram-na e montaram uma telenovela semanal sob capa de investigação jornalística, de forma a destruírem a credibilidade do Sport Lisboa e Benfica.
E, para o magistrado, fizeram-no apenas com duas motivações: pela rivalidade clubística e pelas audiências. Porém, no nosso entender, as motivações não eram apenas essas. Andaram a acusar o Benfica da prática do crime de corrupção desportiva com o intuito claro de desestabilizar, interna e externamente, e de pôr em causa o seu bom nome, de afetar os patrocínios do clube e de intimidar e pressionar a arbitragem no sentido de esta prejudicar o Benfica. E conseguiram-no!
Curiosamente, a comunicação social, nomeadamente a de investigação, aderiu à narrativa do FC Porto e não se preocupou em investigá-la e confirmá-la. Como é óbvio, essa comunicação social foi mais um instrumento, um peão, ao serviço do crime organizado. Toda a informação foi trabalhada pela equipa de comunicação do FC Porto onde filtraram, truncaram e deturparam documentos fora do seu contexto, de modo que viessem a dar origem a denúncias via Porto Canal, resultando assim na abertura de processos-crime, como o E-Toupeira. Os avençados nos média fizeram o resto.
Foi montado um esquema criminoso de manipulação de massas, concertado por certos dirigentes e diretores de informação. Existem provas cabais de uma reunião em Lisboa, no hotel Altis, em maio de 2017 entre os diretores de comunicação do FC Porto e do Sporting, juntamente com Manuel Tavares, Diretor Geral da FC Porto Media, onde se concertou uma estratégia para denegrir a marca SL Benfica. Essa estratégia passou por uma vasta equipa multidisciplinar que contou com a colaboração de hackers, jornalistas, comentadores, Polícia Judiciária e Ministério Público. Agora todos tentam limpar as mãos dos crimes que cometeram.
Embora sejam de retórica porque as respostas são óbvias, várias questões se impõem:
Quem furtou os e-mails ao Benfica?
Com que intuito?
Qual é o clube do Rui Pinto?
Quem furtou os e-mails fê-lo a mando de quem?
A quem foram entregues os e-mails furtados?
Como é que os e-mails furtados foram parar ao FC Porto, nas mãos dos seus funcionários Francisco J. Marques e Diogo Faria?
Qual a razão para estes não terem entregado os e-mails às autoridades?
Qual a razão para estes terem truncado os e-mails, alterando o seu sentido, procurando enganar a opinião pública?
Por que razão as instâncias desportivas ficaram em silêncio perante a divulgação ilícita por parte do FC Porto, no seu canal televisivo?
Por que razão o Conselho de Disciplina não atuou?
Por que razão o Conselho de Disciplina continua a não atuar?
De que está à espera o Conselho de Disciplina para atuar?
De que estão à espera os Presidentes da FPF e da Liga de Clubes para se pronunciarem sobre a situação em questão e para atuarem?
Tendo o FC Porto tido acesso a 10 anos de e-mails do Benfica, nomeadamente, com informações confidenciais sobre estratégias de negócio, patrocínios, dados clínicos de jogadores, scouting e muitas outras, para além da questão do crime de furto desses dados, o FC Porto não beneficiou, ilicitamente, de todas essas informações numa clara concorrência desleal?
As instâncias do futebol assobiam para o ar em relação a essa concorrência desleal?
Sucederia o mesmo, por exemplo, numa Premier League ou na Fórmula 1?
Muito mais haveria a dizer, mas é notório que depois da conquista do tetra o FC Porto quis evitar, a todo o custo, que o Benfica conquistasse o penta e, por isso mesmo, não olhou a meios para a persecução desses fins.
Não tendo o FC Porto capacidade para evitar, dentro do campo, a conquista desse penta, jogou por fora para desestabilizar, interna e externamente, o Benfica, lançar a suspeição sobre ele, pôr em causa o seu bom nome, afetar os patrocínios do clube encarnado e intimidar e pressionar a arbitragem no sentido de esta prejudicar o Benfica e beneficiar o FC Porto (e Sporting, que também fez parte da estratégia).
Evidentemente que Francisco J. Marques, Diogo Faria e Júlio Magalhães são apenas 3 peões do FC Porto sem importância e que foram sacrificados para a persecução dos objetivos a atingir.
Quiseram acusar a Benfica SAD de corrupção, e o fundamento? Com que sustentação se fez a acusação? Não houve compra de árbitros, não houve viciação de resultados, Luís Filipe Vieira não recebeu nenhum árbitro na sua habitação, os padres afinal não eram padres, Varandas Fernandes não depositou dinheiro na conta de nenhum árbitro assistente, no estádio da Luz não foram encontrados, dentro de um cofre, envelopes timbrados com o emblema do Clube com dinheiro, nada. Absolutamente nada. Mas o julgamento público foi feito e a imagem do Benfica destruída, o que para os mais incautos é suficiente.
Nesse sentido, porque os danos reputacionais causados pelo FC Porto e sofridos pelo Benfica são irreversíveis, uma eventual condenação judicial dos 3 funcionários do clube levar-nos-á a concluir algo muito simples: o crime compensa.

UMA MÁXIMA ÀS AVESSAS