quarta-feira, 6 de maio de 2026

ABRIL, A CENTRALIZAÇÃO A MIL



 Abril de 2026 marcou um ponto de inflexão no Futebol Profissional português. A centralização dos direitos audiovisuais deixou o plano das intenções para entrar numa fase de execução acelerada. Foi um mês de velocidade, que coroou um trabalho intenso, técnico e coletivo em torno de um projeto verdadeiramente transformador.

O primeiro resultado concreto foi a aprovação do Regulamento de Comercialização, documento desenvolvido em articulação com a Autoridade da Concorrência e com a participação ativa das Sociedades Desportivas, a quem é devido um reconhecimento especial às que, através da Liga Centralização, contribuíram de forma particularmente empenhada para que este regulamento ficasse concluído do lado da Liga Portugal e pronto para entrega formal, nos termos legais.
Mais do que um enquadramento técnico robusto, este regulamento conquistou legitimidade. Na Assembleia Geral da Liga Portugal, foi aprovado por mais de 92% dos votos — um consenso raro e esclarecedor, que demonstra um alinhamento estratégico amplo em torno da centralização e do seu rumo.
Abril foi também o mês em que o mercado respondeu de forma clara. Nos dias 20 e 21, o Arena Liga Portugal, no Porto, acolheu o primeiro Investors Day do Futebol Profissional português. Reuniram-se os 31 maiores investidores internacionais do setor do desporto, e a mensagem foi inequívoca: existe capital disponível, em escala relevante (verdadeira wall of cash), pronto para investir no Futebol Profissional português. Este sinal valida o trabalho desenvolvido e deixa um aviso claro: o processo não pode abrandar. O mercado move-se depressa — e recompensa quem chega preparado.
Em paralelo, registaram-se progressos muito significativos na finalização da chave de distribuição. Foi já circulada uma versão praticamente final, a submeter à aprovação das Sociedades Desportivas em Assembleia Geral a realizar em breve. Mesmo podendo não ser perfeita para todos, é amplamente reconhecida como uma proposta justa, equilibrada, proporcional e alinhada com os incentivos certos para uma Liga que ambiciona afirmar-se de forma sustentável entre as melhores do mundo. O apoio já manifestado por uma larga maioria reforça a confiança na conclusão deste pilar essencial.
Ainda em abril, o leilão dos direitos audiovisuais das competições UEFA confirmou uma forte procura e a valorização destes ativos. O sinal é inequívoco: o futebol continua a ser conteúdo premium, altamente valorizado dentro e fora de Portugal.
A centralização deixou, assim, de ser uma promessa para ser uma realidade em execução. Cumprimos o previsto no decreto-lei, testámos o mercado e confirmámos interesse concreto e capital disponível.
Entramos agora numa fase determinante. Com os principais instrumentos praticamente concluídos, a Liga Portugal prepara-se para avançar, na segunda metade do ano, com os leilões de produção e dos direitos audiovisuais. Em paralelo, continuará a desenvolver o projeto Liga+, potenciando receitas, modernizando a experiência e criando novas oportunidades de crescimento.
Abril mostrou que o caminho está a ser feito — com método, ambição e alinhamento. Agora, é tempo de o concretizar até ao fim.
André Mosqueira do Amaral, in a Bola

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