segunda-feira, 10 de agosto de 2026

TROPEÇÃO À PORTA FECHADA



No primeiro desafio na Liga Betclic 2026/27, disputado à porta fechada, o Benfica dispôs de inúmeras oportunidades – enviou três bolas aos ferros! –, mas acabou por empatar com o Académico de Viseu, por 2-2.
Afastado dos seus adeptos no interior do recinto, o Benfica carregou, criou um manancial de oportunidades de golo – enviou três bolas aos ferros! –, mas empatou com o Académico de Viseu, por 2-2, no Estádio da Luz, na noite deste domingo, 9 de agosto, numa partida da jornada inaugural da Liga Betclic 2026/27.
Afastado... mas não separado! Impossibilitados de poderem expressar o seu apoio nas bancadas da Catedral, os Benfiquistas acederam ao convite deixado pelo Clube e deslocaram-se em massa à Pepsi Fan Zone do Complexo Desportivo da Luz.
Assim, ao final da tarde, na Praça Centenarium, junto à Estátua de Eusébio, os adeptos receberam o autocarro que transportava a comitiva encarnada com bandeiras e cachecóis ao alto, cânticos e uma paixão fervorosa.
Após o Vermelhão navegar por entre um mar vermelho e branco, os jogadores do Benfica – todos eles saudados com tremenda emoção – saíram do autocarro, ficaram alinhados em frente à Porta 18 e fizeram a tradicional vénia em agradecimento aos milhares de Benfiquistas no local, que também se fizeram ouvir ao longo do encontro.
"Interessa-nos estarmos preparados para qualquer que seja a situação e a forma como o adversário irá tentar contrariar aquilo que é a nossa forma de jogar e a nossa forma de atacar e, depois, estarmos preparados para ela", havia Marco Silva afirmado na antevisão do embate.
Com este objetivo, o técnico repetiu o onze inicial que goleou o Hearts (6-1) a meio da semana: Samuel Soares, Bah, Tomás Araújo, Lenglet, Dahl, Barrenechea, Barreiro – que atingiu o 100.º jogo com o Manto Sagrado –, Rafa, Sudakov, Prestianni e Pavlidis.
Pela frente, as águias tinham o 2.º classificado da passada edição da Liga 2, o qual garantiu assim o regresso à 1.ª Divisão, onde já não participava desde a época 1988/89.
A primeira ação pertenceu ao Académico de Viseu. Num canto à direita logo no 2.º minuto, Kahraman cruzou para a área, e Messeguem fez o desvio diretamente para as mãos de Samuel Soares.
Todavia, foi o Benfica que entrou mais forte, rondando a baliza adversária desde cedo. Aos 6', na cobrança de um canto à direita, Sudakov fez o cruzamento, Lenglet ganhou nas alturas, e Pavlidis, também de cabeça e na pequena área, obrigou Ewerton Ferreira a uma enorme defesa à queima-roupa.




Dois minutos depois (8'), novo cruzamento do internacional ucraniano num canto, desta feita à esquerda. Ao primeiro poste, Robinho quase desviou para a própria baliza, valendo novamente Ewerton Ferreira aos viriatos.
A insistência encarnada teria recompensa aos 10'. Prestianni descobriu Pavlidis com um belo passe longo desde a esquerda do meio-campo, o internacional grego recebeu de peito, tirou partido do adiantamento do guarda-redes e, à entrada da área, assinou um belo remate colocado, de pé esquerdo, para inaugurar o marcador (1-0).
A formação vermelha e branca continuava a criar perigo e, aos 13', esteve perto de ampliar a vantagem. Servido por Barrenechea, Prestianni deixou Robinho para trás com uma excelente receção e, já na cara de Ewerton Ferreira, tentou picar a bola, mas esta saiu ligeiramente por cima da barra.
Os visitantes ripostaram aos 18'. Depois de uma boa saída de bola coletiva, Tomás Araújo cortou um cruzamento rasteiro de Messeguem, mas, na insistência, Zamora apareceu à esquerda da área e disparou forte, acertando no poste mais próximo.
Sem se deixar intimidar, o Benfica voltou imediatamente à carga e respondeu na mesma moeda. Aos 22', Prestianni fintou um adversário e fez a diagonal da esquerda para a direita até entrar na área, de onde rematou cruzado e potente ao poste esquerdo.
Três minutos depois (25'), foi Pavlidis quem ficou perto do segundo tento. Tomás Araújo lançou a bola, Rafa desviou ligeiramente, e o avançado ganhou espaço pela direita antes de cortar para dentro e tentar um remate em arco, de pé esquerdo, que saiu muito perto do ângulo superior esquerdo.




Já à passagem dos 36', a equipa da casa voltou a ficar a centímetros de aumentar a vantagem. Isolado por Bah, Rafa contornou Ewerton Ferreira, mas viu Rúben Pereira surgir à boca da baliza para impedir o golo. Na recarga, Pavlidis deixou Mestanza para trás, mas o seu disparo encontrou a trave.
O guardião viseense voltaria a ser decisivo aos 39'. Rafa rasgou a defesa com um passe para Pavlidis, e este, à direita da área, tentou picar a bola sobre Ewerton Ferreira, que saiu bem da baliza e fez uma grande defesa com o pé.
Antes do intervalo, houve ainda tempo para mais uma dupla oportunidade encarnada. Aos 43', Prestianni voltou a desequilibrar pela esquerda, fintou Robinho e disparou em arco para uma enorme estirada de Ewerton Ferreira. Na recarga, Bah rematou, mas Rúben Pereira apareceu novamente no caminho da bola.
Assim, à chegada ao descanso, os comandados de Marco Silva lideravam por 1-0, resultado curto para o elevado número de ocasiões clamorosas criadas.
O Benfica manteve a pressão no arranque da 2.ª parte. Aos 47', uma boa jogada coletiva pela direita terminou com Bah a rematar rasteiro para defesa apertada de Ewerton Ferreira. Na recarga, Barreiro disparou de pé esquerdo, mas Robinho cortou em cima da linha. A jogada ainda não estava terminada: Sudakov surgiu para o terceiro remate, de cabeça, mas desta vez a bola ficou nas mãos do guarda-redes.
Mais eficaz, o Académico de Viseu aproveitou uma das suas aproximações à área para chegar ao empate. Aos 55', após troca de bola prolongada, André Clóvis rematou à esquerda da área para uma defesa atenta de Samuel Soares. No canto que se seguiu, Kahraman colocou a bola na pequena área, e Rúben Pereira apareceu a desviar para o fundo das redes, fazendo o 1-1.
A reação encarnada não demorou. Três minutos depois (58'), Barrenechea encontrou Prestianni no flanco esquerdo, e o camisola 25 protagonizou um lance genial: fintou Robinho, entrou na área velozmente e, com um remate em arco, colocou a bola junto ao poste direito, devolvendo a vantagem às águias (2-1).
Numa altura em que o jogo estava "partido", os forasteiros ameaçaram aos 60'. André Clóvis adiantou para João Guilherme, que, à direita da área, puxou a bola para o pé esquerdo e rematou ao lado.
Aos 64', na primeira alteração promovida por Marco Silva, Schjelderup rendeu Sudakov.
O empate voltaria a surgir aos 68'. Numa reposição lateral à direita do ataque, Zamora atrasou para Robinho, que cruzou para o coração da área, onde André Clóvis atirou certeiro em vólei (2-2).
Com o resultado igualado, o técnico benfiquista lançou Lukebakio e Richard Ríos para os lugares de Rafa e Barreiro, aos 76'.
O Benfica voltou a assumir o controlo e, aos 78', Barrenechea recuperou a bola no meio-campo ofensivo. Prestianni avançou pelo corredor central antes de disparar de fora da área com potência, obrigando Ewerton Ferreira a mais uma defesa de elevado grau de dificuldade.
Aos 82', novas mexidas: Dedic e Jhon Durán substituíram Bah e Prestianni.
Sem deitarem a toalha ao chão, as águias criaram várias oportunidades nos últimos minutos. Aos 85', Dedic encontrou Jhon Durán na direita da área e o colombiano cruzou para a finalização de Pavlidis, tendo a bola desviado num defesa e saído ligeiramente ao lado do poste.
Dois minutos depois (87'), Jhon Durán serviu Schjelderup à esquerda da área com um grande passe. O internacional norueguês ultrapassou Robinho e tentou cruzar, mas a bola saiu pela linha de fundo, ainda tocando na parte superior da barra antes de abandonar o terreno de jogo.
No último minuto do tempo regulamentar, Richard Ríos serviu Dedic na área, e este deu de calcanhar para Lukebakio, que rematou forte, mas, mais uma vez, acertou na trave.
No derradeiro suspiro da contenda, já no tempo de compensação (90'+3'), Lukebakio bateu um livre muito próximo da linha direita da área por entre os dois elementos da barreira, e Ewerton Ferreira, miraculosamente, defendeu com o pé quando a bola estava já quase totalmente dentro da baliza. Na recarga, Schjelderup ainda tentou a finalização, mas o remate acabou por embater em Barrenechea. Deste modo, o placar não sofreu mais alterações.
O Benfica volta a entrar em campo às 19h45 de quinta-feira, 13 de agosto, no Tynecastle Park, em Edimburgo, para disputar a 2.ª mão da 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa, contra o Hearts.
SL Benfica

 NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:

Nesta fase, agosto de 2026, é ele e mais dez, pois o argentino está 'on-fire'. Pavlidis marcou e falhou três ou quatro. Jhon Durán? Nada egoísta. Barrenechea? A subir. Lukebakio? Entrou bem.





Prestianni (8)
Caros benfiquistas, os 166 centímetros do argentino estão on fire. Nesta fase, agosto de 2026, é ele e mais dez. Começou por ver, ao minuto 12, uma nesga por onde poderia colocar a bola em Pavlidis. Viu e meteu-a. O peito e o pé esquerdo do grego fizeram o resto: 1-0. Pouco depois, recebeu a bola de Barrenechea, passou em ritmo de velocista um defesa viseense e tentou o golo com um chapéu. Saiu ligeiramente por cima da barra. Em cima do minuto 15, obrigou Mestanza a ver amarelo e aos 22’ teve uma jogada absurda, passando, na direita, por dois defesas e rematando, fortíssimo, à base do poste direito de Ewerton. Em cima do intervalo, driblou um adversário e rematou cruzado, ligeiramente em arco, com Ewerton a esticar-se e a evitar o segundo do Benfica. Foi o primeiro a reagir, três minutos depois, ao golo do Académico: recebeu, junto à linha lateral, a bola de Barrenechea, em meia dúzia de toques chegou à área e rematou em arco, golo igualzinho ao que apontou frente ao Hearts. Aos 78’, de novo, remate de muito longe, com Ewerton a desviar para canto. Saiu, pouco depois, para entrar Jhon Durán, o que permitiu ao Benfica jogar com dois pontas de lança.
6 Samuel Soares — Viu ao minuto 18 a bola bater no poste direito, mas ficou a sensação de que, se o remate de Zamora fosse mais enquadrado, SS estava lá. Só muito mais tarde, aos 55’, foi verdadeiramente posto à prova. André Clóvis fugiu ligeiramente e disparou forte, mas Samuel Soares desviou pela linha de fundo. Do canto, marcado por Kahraman, nasceu o golo de Rúben Pereira. Sem culpas para o guarda-redes, tal como no golo de André Clóvis. Bem no chão, aos 90+2’, a desfazer um cruzamento rasteiro de Gohi.
6 Bah — Como tinha pouco para defender, foi-se aventurando no ataque e, perto dos 45’, rematou forte, na zona frontal da baliza do Académico, mas a bola esbarrou num defesa. Entrou bem na segunda parte, fugindo na área pelo lado direito e rematando contra os pés de Ewerton. Não atacou a bola, como devia, no golo de Rúben Pereira.




5 Tomás Araújo — Muito lento a subir na sequência do cruzamento de Robinho, permitindo que André Clóvis estivesse em posição legal no segundo dos viseenses.
5 Lenglet — Tentou alguns lançamentos longos para os atacantes, mas todos sem grande perigo. Tal como Tomás Araújo, muito lento a subir no golo de André Clóvis.
5 Dahl — Primeiro tempo a tentar ajudar nas tarefas ofensivas, já que, a defender, pouco teve que fazer. Baixou de rendimento até ao 2-2 e voltou a ser influente no final da segunda parte, em combinações sucessivas com Schjelderup.
6 Barrenechea — Está a subir de rendimento. Mais solto, mais rápido, mais intenso. Se continuar assim, Richard Ríos vai ter vida difícil para reentrar no onze. Fez, aos 58’, a assistência para o golo de Prestianni. Assistência semelhante à de Héctor Enrique no golaço de Maradona à Inglaterra no Mundial-1986, mas, mesmo assim, assistência. Quis, já com Ríos em campo, ajudar a desbloquear a defesa viseense, mas era tempo em que havia muitos homens de negro junto do guarda-redes Ewerton.
3 Leandro Barreiro — Muito discreto. Sem a intensidade que se lhe conhece e, por isso, sem qualquer influência no jogo dos encarnados.
5 Rafa — Andou um pouco escondido até perto da meia hora e depois melhorou um pouco. Primeiro, a contornar Ewerton e, sem ângulo aberto, a rematar com perigo contra um defesa. A bola sobrou para Pavlidis rematar à barra. A segunda parte, porém, foi semelhante ao início da primeira. Saiu aos 76' e saiu bem.
6 Sudakov — Apareceu bem cedo a dar nas vistas, quando, sobre a esquerda e junto à linha de fundo, contornou Mestanza. Contemporizou e rematou, mas o espanhol recuperou e intercetou o remate. Baixou de rendimento com o passar do tempo e saiu pouco depois da hora de jogo, cedendo o lugar a Schjelderup.
4 Schjelderup — Não foi o dinamizador atacante que costuma ser. Tentou por diversas vezes o golpe de asa, mas mostrou-se pouco objetivo e perdido em demasiados rodriguinhos.
5 Pavlidis — Começou por ser um pouco lento a tentar o golo na sequência de um canto de Sudakov, permitindo que Ewerton fizesse a mancha. Pouco depois, redimiu-se. A bola veio pelo ar e desceu quando Pavlidis foi ao seu encontro. O peito do grego fê-la cair na relva e depois o remate de pé esquerdo saiu forte e espontâneo, rente ao poste esquerdo: 1-0. Aos 36’, a bola surgiu-lhe na frente, bem dentro da área, depois de jogada de Rafa, rematando com estrondo à barra. Logo de seguida, rematou forte para grande mancha do guarda-redes do Académico. Podia ter feito melhor no golo de Rúben Pereira, pois a bola, vinda do canto marcado por Kahraman, passou-lhe ligeiramente por cima da cabeça.
5 Ríos — Conseguiu fazer o que Barreiro não estava a conseguir: rasgar um pouco as linhas do Académico, indo em busca de cruzamentos para a área. O ponto alto surgiu aos 90’, colocando a bola, na área, em Dedic, que atrasou para o remate perigoso de Lukebakio.
5 Jhon Durán — Dizem que é egoísta e só pensa nele próprio, mas não foi isso que se viu na Luz. Muito bem e nada egoísta, junto à linha de fundo, a ceder a bola a Pavlidis, quando poderia ter tentado o golo. Bem também em alguns lançamentos para Schjelderup.
5 Lukebakio — Entrou bem. Rápido e incisivo, com sucessivos cruzamentos para a área. Quase marcou em cima dos 90’, após combinação com Dedic. Livre direto muito bem marcado, na direita, com Ewerton a evitar o golo, em cima da linha de baliza, com o pé esquerdo.
-Dedic — Sete minutos em campo e um atraso para remate perigoso de Lukebakio.
In a Bola

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