sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
RECORDES É NO ATLETISMO
"O 'aprendiz' Rui parece capaz de chegar tão ou mais alto do que o 'génio' Jorge, como fizeram Jesualdo Ferreira, Manuel José ou Vítor Pereira. É esperar para ver, porque a verdade vem sempre ao de cima.
Em Fevereiro do ano passado a imprensa espanhola fez eco de um recorde que pertencia a Pep Guardiola e que Luís Enrique, o seu sucessor no comando técnico do Barcelona, acabara de superar. No essencial, amplificou-se um ciclo de jogos oficiais sem derrotas, o que para o enriquecimento das estatísticas é sempre de relevante significado, sobretudo tratando-se de quem se tratava. Além de gerar interessantes exercícios jornalísticos quando preparados por profissionais aptos em desenvolverem peças valiosas a partir de dados aparentemente inúteis.
Como reagiu Luís Enrique à notícia? Como se esperava, aliás, sendo ele grande treinador, de grande clube e, por isso, obrigado a grandes (e pequenas) conquistas. Desvalorizou, sublinhando que recordes sem corresponderem a títulos valem zero.
O assunto é curioso e até oportuno por, nesta mudança de ano, ser frequente ler e ouvir louvores a Rui Vitória por causa da profusão de predicados que se lhe reconhecem, quando, um ano antes, ninguém apostava um euro na sua carreira no Benfica. Pelo contrário, como devem estar lembrados, sobretudo os que têm memória com autonomia para uma temporada desportiva, apenas lhe enxergaram defeitos, deste a má imagem, à deficiente comunicação, passando pela fraca liderança (este termo tem muito que se lhe diga, não há dúvida...) e pela dificuldade no controlo do balneário.
Entre outros 'mimos' que lhe dirigiram, ressaltaram as inabilidades estratégicas e tácticas, essas coisas que os mestres do mesmo ofício gostam de complicar para os estranhos não as entenderem, além de dificuldades na 'leitura do jogo' e na (má) prontidão com que corrigia os 'erros de ortografia' que se lhe deparavam.
Foi um movimento generalizado e agressivo, que me levou a escrever neste espaço que se tinha tornado moda bater em Vitória. Porque era fácil, embora sem razão, ou quase sempre sem ela, ao omitirem-se dois factores determinantes:
1. A mudança de Guimarães para a Luz, a requerer o necessário tempo de adaptação e que não lhe concederam, embora o visado jamais se tivesse queixado.
2. A campanha que lhe foi movida a partir do exterior, pública e de origem identificada, como se de repente o Benfica ficasse interditado de contratar outro treinador só porque o que lá estava resolveu mudar de patrão.
A verdade é que Rui Vitória, desconsiderado e enxovalhado, resistiu com a única arma eficaz de que dispunha: a qualidade do seu trabalho, provavelmente superior à de quem tudo tentou para que não vingasse.
Foi campeão nacional e num instante passou-se uma esponja sobre o que de injusto e desagradável se dissera ou escrevera em relação a ele. Críticos severos transformaram-se em adeptos do coração. Os erros evaporam-se e houve, enfim, espaço para os méritos, muitos. É o exagero do costume quando se fala de futebol.
Do fundo do poço da incompreensão começaram a retirar-se baldes de coisas boas e a descortinarem-se marcas e feitos suplantados por Rui Vitória recebido com duas pedras na mão e depressa promovido não a 'espécie de treinador', mas a treinador de verdade, 'espécie' de personalidade do ano, pelo volume de recordes ao qual se associou o seu nome. Reagiu com a humildade dos homens simples, principalmente após ter colocado o Benfica no topo dessa escala de proezas estatísticas: 44 vitórias em 2016, a par do Barcelona e à frente de todos os restantes colossos europeus.
O que aproxima Luís Enrique e Rui Vitória, então? A certeza de que nada vale sem títulos.
Entra em 2017 quatro pontos à frente do FC Porto, seis do SC Braga e oito do Sporting e do Vitória de Guimarães e, no entanto, adverte que é mais longo e difícil o percurso que falta cumprir do aquele que já se cumpriu. Treinadores recordistas é giro, para os próprios, mas para os clubes o que verdadeiramente importa são os troféus conquistados. Paulo Bento, que tinha plena consciência dessa realidade, dizia que mão é no andebol, eu acrescento que recordes é (mais) no atletismo.
Tal como Enrique, Vitória não vive de elogios. Quer fazer parte da família dos grandes, como José Mourinho, um dos cinco treinadores que venceram a Liga dos Campeões por dois emblemas, no caso FC Porto e Inter. Sem esquecer Artur Jorge (Champions), André Villas Boas (Liga Europa) e Anselmo Fernandez (Taça das Taças), além de, obviamente, Fernando Santos, o maior de todos para os portugueses.
Em conclusão, o 'aprendiz' Rui parece capaz de chegar tão ou mais alto do que o 'génio' Jorge, como fizeram Jesualdo Ferreira, Manuel José e Vítor Pereira. É esperar para ver, porque a verdade, como o azeite,vem sempre ao de cima."
Fernando Guerra, in a bola
TECNICAMENTE FOI MESMO "PENALTY"
Um penalty decisivo no último lance do jogo é, sempre, polémico. Pior quando a decisão não é apenas de um jogo, mas da eliminação de uma prova oficial. Mias bombástico, ainda, quando o prejudicado e o eliminado é um clube grande. Dramático quando, depois de tudo isto, o lance não é, à primeira vista, de uma evidência absoluta e indiscutível.
Lembramos aquela meia-final do Euro - 2000, quando Portugal foi eliminado pela França num golo de ouro obtido num penalty em pleno prolongamento, quando o árbitro assinalou uma mão de Abel Xavier. Nessa altura, não houve português que não injuriasse o árbitro, jurava-se que não tinha havido mão, que era uma dádiva da UEFA a uma França que tinha de estar na final. A verdade é que, com o tempo, arrefeceram os ânimos, diminuiu a intensidade da ira e da deceção coletiva e percebeu-se melhor que tinha, mesmo, sido penalty.
O que sucedeu, ontem, no Bonfim foi que o lance decisivo começou na hesitação do árbitro, na informação sorrateira do seu assistente, na falta de convicção do gesto. É verdade que vistas e revistas as imagens televisivas se chega à conclusão de que o árbitro acertou. Tecnicamente foi mesmo penalty, porque Douglas desequilibra o avançado setubalense. E este aproveitou-se do impacto para se estatelar com maior aparato? É irrelevante. A mesma irrelevância que levará meio mundo andar por aí a discutir da maneira mais imbecil a (falsa) questão da intensidade da falta. As faltas são como a honestidade: Não há mais nem menos, ou há ou não há. As imagens demonstram que houve falta, mas não será isso que vai apagar a polémica.
Vítor Serpa in a bola
LANÇAS APONTADAS BTV :: 4 JAN 2017
SINAIS DA BOLA
Yuri Ribeiro, lateral-esquerdo de 19 anos, já jogara com o Real Massamá para a Taça de Portugal e teve nova oportunidade na Taça da Liga. Mais um bebé da formação do Benfica à procura de ganhar espaço. Ontem, porém, não impressionou.
2017 abre em festa
Depois de 44 vitórias no ano civil de 2016, o Benfica iniciou 2017 igualmente em festa. No primeiro jogo do ano, uma vitória tranquila, em casa, com o regresso da grande referência Jonas à titularidade. As águias andam felizes, abrem champanhe...
Lisandro leva 4
Lisandro López marcou o quarto golo da época: Tondela, Arouca e FC Porto para a Liga e, agora, Vizela. Muito mais do que qualquer outro central, pois Luisão tem um golo e Jardel e Lindelof estão em branco. Não será por este suplente que o Benfica terá problemas...
Cinco meses depois
Jonas não marcava desde 7 de Agosto, Supertaça com o SC Braga, 3-0. Foi há cinco meses. Fora também nesse jogo a última vez que a temível dupla Jonas e Mitrolgou actuara de início. Ontem, renasceu uma velha e muito competente ordem benfiquista... Magia...
Tomem lá e marquem
Zivkovic passou o jogo todo numa atitude de «tomem lá que é só marcar...». Cruzou para a cabeça de Mitrolgou no 1-0, marcou o canto para o de Lisandro e ainda serviu Jonas no 4-0. E deu mais que só não contam como assistências porque os companheiros falharam."
Miguel Cardoso Pereira, in a bola
CAPAS DO DIA: REVOLTADOS? ORA VEJAM O QUE NINGUÉM FALA
JONAS VOLTA PARA AMEAÇAR O QUE TEM SIDO DE GELSON MARTINS E PIZZI
Mais do que o triunfo esperado sobre o Vizela ou a boa série de resultados dos encarnados, a grande notícia da noite para o Benfica é o regresso de Jonas aos golos.
O brasileiro, melhor marcador e melhor jogador da última temporada, estará ainda muito longe da forma ideal, mas após tanto tempo de afastamento provou que a sua relação com o golo permanece intacta.
Depois de ter passado longos meses sem o seu goleador, o regresso em pleno trará certamente maior impacto ao ataque da equipa de Rui Vitória, que viu também talvez a primeira prova de talento de Zivkovic em solo português, com três assistências do jovem sérvio. Para dois jogadores que procuravam recuperar ânimo perdido foi uma excelente noite.
Faltará ainda Carrillo e também Rafa aproximarem-se do seu melhor, bem como as recuperações de Salvio e Grimaldo, para a plenitude total de um plantel que irá ser posto muito à prova já em Guimarães e ao longo das próximas semanas, que incluem o duplo embate com o frenético e favorito Borussia Dortmund na Liga dos Campeões.
A recuperação de Jonas é uma excelente notícia para o futebol português, que tem tido esta época em Gelson Martins um dos seus maiores expoentes. É o jogador de maior influência da equipa de Jesus, a par talvez de Adrien, o que diz muito do seu crescimento, longe ainda de estar finalizado o seu potencial.
Ao jovem leão faltará encontrar a melhor definição em algumas jogadas, sobretudo no último passe, mas a irreverência e sobretudo o arranque imparável têm ajudado a inclinar muitos jogos para a equipa de Jorge Jesus, que até tinha ido ao mercado no verão, com as aquisições de Joel Campbell – que tem crescido do lado contrário, sobretudo no um-para-um e na facilidade de cruzamento – e Markovic. A Jesus ainda estará pela frente o desafio de encontrar o outro nome da dupla com Dost e uma alternativa à altura de Adrien para fazer descansar o capitão.
No Dragão, André Silva e Diogo Jota, e mais recentemente Brahimi, vinham a disfarçar alguma irregularidade da equipa de Nuno Espírito Santo, mas a ausência do primeiro por lesão coincidiu com o afastamento da Taça da Liga, e a perda do segundo para a CAN, com Otávio em recuperação, reduz substancialmente o potencial criativo da equipa. Algumas dores de cabeça para o treinador adivinham-se nos próximos tempos, sendo que o aumento do atraso na Liga é nesta altura probitivo.
Haverá ainda que pesar a influência que o mercado terá nos três grandes, seja em entradas ou saídas importantes, na corrida ao título, o seu maior objectivo. Vale a pena referi-lo como parêntesis.
Jonas disse presente para o sprint final, disposto a recuperar o lugar de grande figura do campeonato. Seria injusto não falar de Pizzi, o verdadeiro cérebro do conjunto da Luz, que aproveitou igualmente a ausência do brasileiro para se acercar mais da área e assinar vários golos, mas a volta do Pistolas acrescentará ainda mais ideias a um ataque que tem sido bastante competente e até o médio poderá beneficiar de ter mais alguém na equipa a falar a mesma língua.
Parte com atraso e concorrentes de peso, mas certamente que Rui Vitória agradecerá nível de ambição semelhante ao passado. A classe é inegável."
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
O PRIMEIRO REFORÇO DE 2017
“JOGAR NO BENFICA É UM SONHO REALIZADO”
Marcelo Hermes é reforço do Sport Lisboa e Benfica, onde vestirá a camisola 38. O lateral-esquerdo, de 22 anos, chega do Grêmio de Porto Alegre, para assinar contrato válido até 2021.
“Estou muito feliz por estar neste grande Clube e sou mais um para acrescentar de forma a ajudar o Benfica a conquistar muitos títulos”, começou por afirmar, em declarações à BTV.
Já em Lisboa, o brasileiro assistiu à vitória por 4-0 ante o Vizela, mas ainda não teve o prazer de privar com os futuros companheiros de equipa. “Ainda não tive oportunidade de falar com os meus colegas de equipa. Assisti ao jogo com o Vizela, mas não consegui falar com ninguém”, revelou.
Mesmo a jogar no Brasil, Hermes já conhecia o Benfica e tinha noção da sua grandeza. “O Benfica é um grande Clube. Qualquer jogador sonha jogar na Europa. Jogar no Benfica, que é um Clube tricampeão, é um sonho realizado”, assumiu.
Na hora de se dar a conhecer, Marcelo Hermes considerou-se “um lateral bom defensivamente” que apoia “bem no ataque”.
O reforço do mercado de inverno partilhou, ainda, o que espera atingir na Luz: “Espero fazer uma boa carreira no Benfica. Quero ajudar o Clube e os meus colegas.”
O plantel liderado por Rui Vitória tem vários jogadores de nacionalidade brasileira, aspeto que ajudará à adaptação de Marcelo Hermes ao futebol português. “Acho que me vou adaptar com facilidade, pois todos me têm recebido bem e o plantel tem vários brasileiros”, lembrou.
Aos adeptos deixou uma promessa: “Vim para trabalhar e ajudar a conquistar vários títulos.”
Em dois anos na equipa principal do Grêmio de Porto Alegre, Marcelo Hermes marcou dois golos em 34 jogos.
UMA ANÁLISE DA ENTREVISTA DE VIEIRA
A entrevista que Luís Filipe Vieira concedeu a A Bola é, antes do mais, uma entrevista de estado. Um presidente que vive um tempo de estabilidade, sem oposições manifestas, que não precisa de efeitos especiais para chamar a atenção dos adeptos do seu clube.
Daí que a direção do discurso de Vieira tenha sido, sem qualquer desvio, a da continuidade da obra.
O presidente do Benfica sabe bem que não precisa de recorrer à ideia da mudança para motivar e mobilizar os benfiquistas. A sua opção para o futuro é clara: continuar a ganhar e, para isso, o que Vieira propõe é que se continue a trabalhar muito e a falar pouco, numa evidente alusão ao prolífero discurso do homem de quem o presidente do Benfica estrategicamente não fala: Bruno de Carvalho.
Percebeu-se, na entrevista, uma intenção clara de desvalorizar o adversário, recusando-lhe lugar no mesmo palco. Daí a insistência em falar, apenas e só, do Benfica, aproveitando para lançar novidades importantes como o centro de alto rendimento para as modalidades, novas formas de financiamento, como a construção de um hotel no centro da cidade de Lisboa, ou o reforço da aposta de comunicação, criando a Benfica Rádio.
Vieira tem indiscutivelmente bons resultados da sua gestão para apresentar publicamente, por isso, o seu discurso é o da consolidação de um projeto que ele anuncia como longe de estar terminado.
Perante o perigo de uma liderança de desgaste, já feita de satisfação e conforto, Vieira apresenta o futuro do Benfica com o manifesto entusiasmo de quem o quer protagonizar.
Vítor Serpa in a bola
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