terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O QUE É QUE O BENFICA TEM?


Esta crónica começa como o velho samba de Carmen Miranda: “o que é que a baiana tem”? No caso do Benfica é mais o que é que o Benfica teve e, sobretudo, não teve. Não teve Jonas durante praticamente toda a primeira volta do campeonato. Nas primeiras jornadas deste e da Liga dos Campeões chegou a jogar sem nenhum avançado de raiz, fruto das lesões de Mitroglou, Jiménez e Jovic, obrigando a inventar uma linha dianteira com Gonçalo Guedes e o ainda mais novo José Gomes.
Mesmo neste regime de “hospital da Luz” a equipa resistiu ao embate. Começou por não se atrasar significativamente no campeonato (tirando o empate cedido em casa com o Setúbal à segunda jornada), recuperando a liderança à 5ª jornada, ao vencer o Braga. Daí em diante nunca mais a perdeu, empatando fora com o Porto e ganhando ao Sporting em casa. Conseguiu qualificar-se para os oitavos da “Champions” e manter-se nas restantes provas nacionais, ou seja na Taça da Liga e na Taça de Portugal.
Isto sem a dupla Jonas-Mitroglou que na época passada fora a chave do sucesso da equipa, com mais de metade dos golos marcados. E isso reflecte-se numa coisa curiosa: no campeonato nacional tendo de longe o Benfica o melhor ataque (e já agora, a segunda melhor defesa, o que está longe de ser despiciendo), ou seja 34 marcados e 8 sofridos, isso é conseguido à custa de uma grande dispersão de marcadores (Mitroglou, Pizzi, Gonçalo Guedes, Salvio, Cervi, etc, sem esquecer esse defesa goleador que é Lisandro López). Daqui resulta que, neste momento, o Bota de Ouro provisório seja Bas Dost, do Sporting, mas repare-se que o grau de dependência do holandês é grande: 11 golos em 27.
Como se explica que, mesmo privado de um jogador-chave, o Benfica tenha tido este desempenho? Nalguns casos com sorte, como no jogo com o Braga, onde a vitória por 3-1 é enganadora. Ou em Chaves, onde na mesma jogada os flavienses mandaram duas bolas à madeira. Noutros, com tremendo espírito de sacrifício, como no Dragão (onde o empate foi arrancado a ferros depois de um jogo dominado pelo adversário) ou entre os minutos 60 e 80 do jogo com o Sporting. Noutros, ainda, com brilhantismo e nota artística, caso do Beleneses-Benfica ou do Benfica-Paços de Ferreira. E, no único caso de que me lembro, jogando sofrivelmente e vencendo pela margem mínima, como em casa do Estoril. Pior só no jogo com o Marítimo, verdadeira ilustração da Lei de Murphy: tudo o que podia ter corrido mal correu ainda pior…
A isto chama-se consistência. Era aquilo que Niki Lauda fazia na Fórmula 1, rodando voltas sucessivas exactamente na mesma décima de segundo, a que sabia ser necessária e suficiente para vencer mas sem degradar a mecânica nem correr riscos insensatos. É o resultado de uma táctica e de um sistema de jogo (mérito de Rui Vitória). Mas também de alguns interpretes geniais: Ederson com um punhado de defesas do outro mundo; Lindelöf, o verdadeiro homem de gelo que nunca treme na defesa; Fejsa, frequentemente comparado a um polvo, tal a quantidade de terreno que consegue ocupar; Pizzi que às vezes me irrita por ser macio nos choques mas que compensa com lances de génio; Jiménez que nem sempre acerta mas marca golos decisivos. Sem esquecer a capacidade atacante dos dois laterais (Grimaldo e Semedo), o incrível poder de explosão de Guedes e de Rafa (que se acertassem mais vezes na baliza seriam jogadores de outro planeta), as fintas de Salvio ou a alma de Luisão.
Foi isto que o Benfica teve. E agora passou a ter Jonas e, mais que isso, a dupla Jonas-Mitroglou. Com estes dois em campo o futebol deixa de ser uma espécie de ciência oculta para se tornar na coisa mais simples e bonita do mundo: meter golos. Em tempos idos, boa parte da hegemonia do Porto resultava da jogada mais simples que há: Drulovic ia à linha, centrava alto para a área e Jardel, que parecia estar escondido no meio dos centrais, voava por cima destes e marcava. Era simples, bonito e eficaz. Tanto que até dá vontade de fazer de conta que o guarda Abel nunca existiu, que nunca houve “fruta” para os árbitros nem jagunços a invadir a delegação do Expresso na cidade do Porto. Ou que Olegário Benquerença nunca fez uma leitura criativa da geometria euclidiana no famoso golo invalidado a Petit.
Cardozo marcava e muito. Mas era quase sempre em força e às vezes no limite do sacrifício físico. Jonas é um felino que se move com leveza na área adversária, parece adivinhar onde vai cair a bola antes de esta ser chutada, desmarca os outros e, no momento da verdade, raramente perdoa.
O Benfica foi campeão de Natal, vai ser campeão de inverno e tem tudo para chegar a um inédito tetra. Os dirigentes e adeptos dos clubes rivais que nos últimos dias se desdobraram numa campanha frenética contra os árbitros, sem prejuízo de poderem ter razão na interpretação de um ou outro lance deveriam meditar no seguinte: cinco minutos antes do tão falado penalti, o Sporting tem em Setúbal dois lances de golo cantado e não foi por causa do árbitro que não os marcou; o FCP tem pleníssimo direito de questionar pelo menos uma das expulsões em Moreira de Cónegos mas no campeonato empatou quatro vezes a zero e no conjunto das provas desta época fê-lo por nove vezes.
O que é que o Benfica tem? Joga à bola…

Rui Cardoso in coluna expresso

FIM DE SEMANA BAIXOU A TEMPERATURA


O futebol português precisa de bom senso para ultrapassar o momento delicado que atravessa. A alternativa é o abismo.
O futebol português saiu airosamente do fim de semana de todos os riscos. Não houve casos particularmente polémicos e a temperatura passou de insuportável a muito elevada, o que, a curto prazo, permite que as competições possam retomar alguma normalidade. Porém, seria bom que os vários protagonistas das cenas tristes da passada semana tivessem a humildade da autocrítica, porque foi ultrapassada a linha que separa o protesto da arruaça, retirando-lhes a razão que  eventualmente pudessem ter. Parece claro que, no contexto presente, por questão de mero bom senso, o Conselho de Arbitragem deve defender os árbitros evitando nomeações de risco, ou seja, os jogos dos trés grandes (especialmente esses) devem ser entregues a juízes experientes. Não quer isto dizer que estes estejam imunes à crítica ou à contestação (é ver o que o Sporting disse de Jorge Sousa, o mais experiente de todos, depois do jogo da Luz), mas terão outro traquejo para enfrentar as dificuldades.
Também se torna evidente a necessidade de moderação verbal por parte dos responsáveis. A razão pontual que possam ter não resiste a um discurso de hipérbole que mais parece ter como objetivo sacudir a água do capote perante os maus resultados.
Dito isto, o que se está a passar específicamente com o FC Porto merece atenção redobrada porque a sensação que dá é a de estarmos perante uma potencial fratura no clube. As ameaças a Artur Soares Dias, prontamente repudiadas pelo líder dos Super Dragões e pelo próprio clube em comunicado, seguidas de mensagens de contestação a esse mesmo chefe da claque e ainda a um administrador da SAD e a um empresário que trabalha com os dragões e é filho do presidente, configuram uma situação explosiva que já nem é disfarçada. Depois de trés épocas em seca de títulos e com mais um ano de dificuldades em perspectiva, só resultados particularmente bons poderão calar a contestação e devolver a margem de manobra à SAD portista. E este é um caminho cada vez mais estreito e perigoso.
PS: É difícil entender as razões que levaram a Direção da Liga de Clubes, nesta fase crítica, a optar pela invisibilidade. A Liga não tem que tomar partido por este ou por aquele clube. Mas deve defender a indústria e isso não fez.

José Manuel Delgado, in a bola

A DESRESPONSABILIZAÇÃO DO RESULTADO


"Um dos riscos dos treinadores e dirigentes culpabilizarem constantemente o exterior é a criação de uma certa cultura de desresponsabilização que possa passar uma mensagem errada para os atletas. E quando escrevo errada não é no sentido ético ou social. É errado porque pode criar nos atletas uma sensação que o que fazem é melhor ou menos errado do que a realidade. E com isto a capacidade de autocrítica é menos concreta e construtiva.
Não quero com isto assumir que os clubes se queixam sem fundamento. Existem vários casos que podem dar razão ao clube que se queixa. Mas a verdade é que quando esses clubes são beneficiados (e são quase todos) não se vê esse sentido crítico ou essa coerência e os jogadores podem ser levados a acreditar que fizeram tudo bem e que não há tantas coisas a melhorar. O velho exemplo de que quando o atleta é titular é mérito dele e quando não joga é por opção do treinador. Ou seja, o que é bom é meu mérito o que é menos bom é da responsabilidade dos outros.
Os melhores atletas são motivados de modo intrínseco. Podemos retirar várias informações por aqui e uma delas é que esses atletas têm uma maior capacidade de se motivarem por eles próprios do que os que são motivados de modo extrínseco, ou seja, por factores externos a si. Geralmente pelo reconhecimento que têm, colegas, ambientes de estádio, objectivos criados pelos seus líderes.
Mas também pressupõe outro aspecto bastante importante: os atletas motivados mais pela questão extrínseca também são mais permeáveis a aspectos negativos. Ansiedade, ambientes conflituosos, ruídos, desresponsabilização das suas acções, etc. E quando um plantel se vê no meio de uma disputa de acusações e desresponsabilizações, nem todos têm a capacidade de discernir que dentro dos possíveis erros dos árbitros ou outros agentes desportivos, há uma percentagem pequena ou grande de aspectos que devem ser melhorados e que são garantidamente da sua responsabilidade.
O risco de não se dividir que os árbitros erram de os insucessos da equipa se devem exclusivamente a esses erros, é que com esta última afirmação, retiramos dos atletas qualquer responsabilização e consequência do que fazem menos bem. E com isto deparamo-nos com um aspeto interessante de ser analisado: é que quando essas equipas não vencem e não há nada a apontar aos outros agentes desportivos envolvidos, os atletas têm alguma dificuldade em conseguir de modo claro, conciso e concreto em compreender onde podem claramente melhorar."

CAPAS DO DIA


NOVA CALINADA


BARBA & CABELO


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

OS MÉRITOS DE RUI VITÓRIA


Escolheu bem Rui Vitória o timing para puxar dos galões. Não fugiu ao tema da arbitragem, falou dos lances em que também o Benfica se sentiu prejudicado, mas - sem dizê-lo disse tudo - com uma diferença: mais penálty menos penálty, um ou outro golo mal anulado, a sua equipa consegue ganhar mais do que os outros. E por isso encheu-se de brios para dizer não admitir que todo o ruído provocado pelos adversário retire esse mérito aos seus jogadores.
E não foi preciso esperar muito para se ver que o treinador dos encarnados tem razão: sem casos de arbitragem o Benfica ganhou em Guimarães, sem razões de queixa do árbitro (pelo contrário...) o FC porto não foi além de um empate em Paços de Ferreira: ontem o Sporting sofreu para vencer em casa o Feirense. E assim se mostrou porque lidera o clube da Luz com vantagem tão confortável: Rui Vitória orienta a equipa mais regular do campeonato.
O futebol não entusiasma? Há uma excessiva obsessão pelo controlo do jogo? Talvez. Mas funciona. E é por isso - mais do que a vantagem de seis pontos para o FC Porto e de oito para o Sporting - que o Benfica é o principal candidato ao título. Ainda é cedo para na Luz se encomendar as faixas, claro. Só para a semana a Liga atinge a sua metade. FC Porto e Sporting podem encontrar, no mercado, soluções que lhes permitam tornar-se equipas mais competitivas, é verdade. O problema reside no facto de Rui Vitória poder fazê-lo sem ter sequer que ir às compras: chegou onde está com lesões em catadupa, das quais se começa agora a livrar. Jonas voltou, é verdade, mas convém dizer que por exemplo André Almeida tem sido o lateral esquerdo, porque Grimaldo e Eliseu se lesionaram ao mesmo tempo. Só mais um dos muitos problemas que o treinador tem ultrapassado com vitórias.
Se isso não é mérito, é o quê?

Ricardo Quaresma, in a bola

"AQUI NÃO HÁ JOGADORES EM SEGUNDO PLANO"


Depois da vitória no estádio D. Afonso Henriques na 16.ª jornada da Liga NOS, o SL Benfica torna a entrar em campo amanhã, terça-feira, no mesmo local e frente ao mesmo adversário, desta feita para as contas da Taça da Liga (CTT).
Rui Vitória realizou esta segunda-feira a antevisão ao desafio que vai decidir quem segue em frente na competição e a meta é clara.
“A dificuldade vai ser semelhante face ao último desafio, agora, vai ser um jogo diferente porque acredito sempre que mesmo que sejam as mesmas equipas, no mesmo local, basta ser um dia diferente e, se calhar também com intervenientes das duas equipas diferentes, para que as coisas mudem. Nesse sentido, espero um jogo difícil, frente a uma equipa que vai - naturalmente - lutar muito porque também tem objetivos nesta competição. Um jogo muito exigente para nós, mas que como é nosso apanágio em qualquer competição, vamos a Guimarães para vencer e é esse o nosso propósito, obviamente, respeitando muito aquilo que é o valor da equipa do Vitória, um valor que vimos muito recentemente. Queremos ganhar, resolver logo esta Fase de Grupos e atingir a Final Four”, começou por dizer em declarações à BTV.
O SL Benfica soma duas vitórias na Fase de Grupos (Paços de Ferreira e FC Vizela) e só precisa de um empate, em Guimarães, na terceira e última jornada da competição. Apesar disso, o objetivo é a vitória e quando instado a comentar uma possível “rodagem” de jogadores, Rui Vitória é taxativo e explica qual a postura do Clube.
“Rodar é algo que vem como acessório. O objetivo fundamental é ganhar, seja em que competição for, e isso era dizer que os meus jogadores não estão prontos para a competição ou que alguns estão em segundo plano. E isso não existe aqui! Todos o jogadores são importantes, há os que estão à espera de uma oportunidade, mas sempre com o objetivo principal que é a nossa equipa ganhar, somar três pontos e passar esta fase e depois então, sim, se houver essa possibilidade poderemos juntar aqui mais um ou outro objetivo. Amanhã entrarão os melhores, prevejo que haja aqui uma outra mudança, mas entrarão os melhores para aquilo que é este contexto competitivo, com jogos com poucos dias de intervalo, e tendo em conta o adversário que vamos ter pela frente. É sempre esta a equação que é colocada em cima da mesa quando temos de decidir e nunca exclusivamente o facto de o jogador ter de rodar… isso não!”, disse taxativo.
O último encontro da Fase de Grupos, e que decidirá qual das formações vai marcar presença na Final Four da prova – no Algarve –, está marcado para as 21h15 e segue-se um mês de janeiro intenso em várias frentes. Como se encara esta situação?
“Sem qualquer drama e com satisfação! Sinceramente, é mesmo assim. Quem anda nesta vida aquilo que mais quer é competir e jogar. E se perguntarmos a todos os jogadores eles preferem jogar muito e treinar menos do que o contrário. É um desafio grande para todos nós, quer para os jogadores que têm de estar sempre muito ligados áquilo que é a alta competição, quer também para toda uma estrutura que está por trás, naquilo que é também a preparação do contexto. São jogos de três em três dias. Mas estamos preparados e estamos desejosos que venham. Desde que haja o período de recuperação mínimo para os jogadores nós já ficamos satisfeitos… depois é encarar cada jogo com esta enorme vontade de ganhar”, concluiu Rui Vitória.
O Vitória de Guimarães – SL Benfica está agendado para as 21h15 de terça-feira e terá arbitragem de Carlos Xistra.

NINGUÉM QUER TER UM FILHO ÁRBITRO!



"Árbitro não devia ser ouma profissão, mas uma condenação. Crimes graves, pena de prisão ou, no máximo, dez anos de árbitro de futebol.

Cristiano Ronaldo quer que o seu Cristianinho seja, como ele, jogador de futebol, mas não o autoriza a ser guarda-redes. Um pai tem, pelo menos, a legitimidade de sonhar com um bom futuro para os seus filhos e Cristiano tem todas as boas razões do mundo para desejar que o seu filho seja como ele.
Já a minha mãe queria que eu fosse médico e como eu gostava muito de contentar a minha mãe fui para medicina, vesti bata, entrei na faculdade, no Santa Maria, mas passei mais tempo com a propaganda revolucionária nas mãos e a fugir do capitão Maltês, do que com o bisturi nas aulas de anatomia e isso foi necessariamente fatal para as minhas aspirações e para os sonhos da minha mãe, que se teve de contentar com um filho que seguiu o exemplo do pai e se tornou jornalista.
Há muitos casos, em que os filho optam pelas profissões dos pais. Muitas vezes porque, perante a imensidão da incerteza preferem escolher o que já conhecem; outras vezes, porque os caminhos se tornam mais abertos. Um advogado com escritório tem sempre espaço para o filho licenciado em direito, tal como um médico com consultório tem sempre uma sala disponível para um filho que se formou em medicina, ou um arquitecto tem sempre um cantinho para a mesa de trabalho, uma régua e esquadro para emprestar ao seu filhinho arquitecto.
O que eu, de facto, não conheço é um árbitro a desejar que o seu filho lhe siga as pisadas e que estude para a profissão de juiz de leis de jogo de futebol, como é sabido, profissão de maior risco do que para-quedista ou especialista em minas e armadilhas.
O defeito - admito - pode ser meu, de conhecer pouca gente no mundo, mas a verdade é que ainda não me deparei com uma senhora lavada em lágrimas porque o seu filho não passou no exame para um honroso e glorioso começo como árbitro das distritais.
Pelo contrário, conheço casos em que há miúdos que pedem ao pai e à mãe para se sentarem, porque têm uma coisa muito importante para lhes dizer. Os pais ficam lívidos, assustam-se muito, não sabem o que pensar daquela solenidade, ficam muito quietos e ouvem com a maior atenção os seus filhos. E eles, sérios e directos, dizem: «Pai... Mãe... tenho pensado muito na minha vida e já decidi. Quero estudar para árbitro de futebol». Aí, a mãe sofre um desmaio, ou até mesmo um enfarte do miocárdio e, enquanto não acorda, o pai atira à cara do filho: «Estás doido! Antes me dissesses que querias ser assaltante de bancos ou que te ias casar com o solitário vizinho do primeiro andar. Estás parvo, ou quê? Árbitro de futebol? Mas tu endoideceste de vez?» Entretanto, a mãe acorda e além de repetir, com pouquíssimas variantes o que antes tinha sido dito pelo marido, acusa o filho de só lhe querer mal porque ele sabe bem o que toda a gente chama às mães dos árbitros.
Aliás, muito sinceramente, não entendo o que pode levar um homem, ou uma mulher, a quererem ser árbitros de futebol, em Portugal. Coveiro, prostituto, porteiro de discoteca, segurança do Professor Marcelo, carmelita descalça, político, enfim, são gostos estranhos, mas posso compreender. Árbitro de futebol, e ainda por cima, em Portugal, não.
Para mais, agora, que ser árbitro até já pode ser uma profissão de escolha livre. Eu pensava que só podia ser uma condenação e  nunca escolha. Alguém cometia um crime, ia não sei quantos anos para a prisão ou, em alternativa, cumpriria a pena como árbitro de futebol. Mesmo assim, a pena mais pesada não deveria ultrapassar os dez anos de árbitro. Sempre há a questão dos direitos humanos...

As tragédias e os culpados
Certamente com as melhores das intenções, o líder dos super-dragões alertou para a hipótese de «poder acontecer uma tragédia no futebol», porque os adeptos não aguentam ver o seu clube se prejudicado num jogo de futebol. Aliás, quando os prejuízos se acumulam, segundo o líder da claque portista, «é impossível conter a revolta». Daí à tragédia, é, pois, um passo pequenino. E o chefe da claque acusa: «Depois sempre quero ver quem assume as responsabilidades». Pelos vistos, o autor do acto tresloucado é que não.

E o Governo pede 'fair play'?
Os árbitros, e as suas famílias, são ameaçados de morte, magotes desesperados de jogadores, dirigentes, médicos, treinadores, desesperam por não conseguirem devida e justamente apertar a garganta ao árbitro que assinalou penalty, nos jornais, nas rádios, nas televisões, lê-se, ouve-se e vê-se o crescente do discurso degradante e irresponsável, a polícia apressa-se a reunir-se para medidas excepcionais de segurança nos estádios de futebol, a guerra está instalada, o fogo arde sem controlo. E um secretário de Estado pode «fair play»."

Vítor Serpa, in a bola

VAI DE XISTRA E TUDO...


Carlos Xistra nomeado para o Vitória Guimarães - Benfica

O Conselho de arbitragem anunciou as nomeações para os próximos encontros da Taça da Liga, destacando-se a escolha de Carlos Xistra, da Associação de Castelo Branco, para a partida entre Vitória de Guimarães e Benfica, marcada para esta terça-feira, a partir das 21.15 horas.

Eis as nomeações:

Terça-feira, 10 janeiro:
Paços de Ferreira - Vizela, Tiago Antunes (Coimbra)
Vitória de Guimarães - Benfica, Carlos Xistra (Castelo Branco)

Quarta-feira, 11 janeiro:
Marítimo - SC Braga, Bruno Paixão (Setúbal)
Rio Ave - Covilhã, Manuel Mota (Braga)