sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

QUAL CRISE?


"Sim, no SL Benfica não estamos - nem nunca iremos estar - habituados a perder duas vezes seguidas. Neste Clube entra-se em todos os jogos, de todos as modalidades, de todos os escalões e géneros, sempre para ganhar. Às vezes, por um alinhamento errado dos planetas, por um pontapé falhado, por uma má decisão de quem treina, por uma defesa impossível do adversário ou por uma desprezível cobardia de um árbitro, tal não acontece. É nesses momentos que não pode haver a mínima dúvida: há que continuar a apoiar.
O mais fácil é apontar os erros, realçar as falhas, encontrar um bode expiatório e sentar-se no trono das redes sociais a ditar sentenças. O mais visceral é ir buscar avisos feitos no passado, teorias da conspiração saídas de mentes perversas e disparar insultos básicos em todas as direcções. Isso é o mais fácil, não necessariamente aquilo de que o SL Benfica precisa.
Aquilo de que o tricampeão nacional de futebol precisa é de mais de 60 mil nas bancadas nesse fim de semana, a apoiar de forma incondicional a equipa que lidera o campeonato, que tem o melhor ataque e que está a poucos dias de mais um jogo decisivo da montra da Champions.
Sim, as duas derrotas preocupam-me, mas estar a pôr em causa o trabalho deste grupo e duvidar da sua qualidade por duas noites mal conseguidas não faz parte da minha forma de ser benfiquista. Além do mais, continuamos na posição que todos os outros invejam. E ninguém disse que o Tetra ia ser fácil. No SL Benfica, ninguém nos oferece nada: nem aconselhamento matrimonial, nem férias pagas no Brasil, nem boleia para o centro de treinos dos árbitros. Aqui trabalha-se e aprende-se com os erros."

Ricardo Santos, in O Benfica

VITÓRIA JUSTA SÓ PECA POR ESCASSA!


O Caixa Futebol Campus, no Seixal, recebeu este início de noite de sexta-feira a ronda inaugural da 25.ª jornada da Ledman LigaPro.
O SL Benfica B, 6.º classificado, recebeu - e venceu - a formação de Vizela (13.º classificado), por 2-1.
Os golos surgiram todos na 1.ª parte, com o SL Benfica a dominar por completo as operações.
Aos 5', falta do Vizela sobre Yuri na quina da área ofensiva. Livre batido e eis que surge Diogo Gonçalves, com um toque acrobático, a fazer o primeiro!
O 2-0 surgiu aos 21’, com José Gomes, com um remate à meia volta a dar justiça à qualidade do coletivo.
Em cima do intervalo, Helinho reduziu para a margem mínima, sentenciando a partida.
Na segunda metade a toada manteve-se, com o Benfica a ser sempre superior, e o resultado acaba por ser escasso, face à produção da equipa e aos golos desperdiçados.
Com este resultado, o SL Benfica B regressa às vitórias, somando agora 38 pontos, subindo provisoriamente ao 5.º lugar da classificação geral.
A equipa B torna a entrar em campo no próximo sábado, dia 11 de fevereiro. O Caixa Futebol Campus (campo n.º 1) – Seixal – vai ser o palco do SL Benfica B – D. Aves, uma partida referente à 26.ª jornada - Ledman LigaPro – com início às 16h00.
O SL Benfica B alinhou de início com André Ferreira, Aurélio Buta, Rúben Dias, Francisco Ferreira, Yuri Ribeiro, Pedro Rodrigues, Dálcio, Romário Baldé, Diogo Gonçalves, Heriberto Tavares e José Gomes.
Declarações
“Senti-me bem, estamos aqui para ajudar o grupo. Estou feliz pelo golo marcado, mas devemos sempre valorizar o grupo. Foi um jogo constante da nossa equipa, podíamos ter feito mais golos e foi uma vitória justa e importante. Tive a felicidade de fazer golo, mas o mais importante é ter podido ajudar a equipa”, Diogo Gonçalves
“Na primeira parte entrámos muito fortes, conseguimos dois golos, mais ficaram por marcar, aliás, em transição podíamos ter feito o terceiro. Defensivamente estivemos muito bem. Estou satisfeito com resultado, com a postura dos meus jogadores. Foi uma vitória justa”, Hélder Cristóvão
Boletim Clínico do SL Benfica B
- Gonçalo Rodrigues - rotura do ligamento cruzado anterior do joelho direito;
- Igor Rocha - rotura do ligamento cruzado anterior do joelho direito;
- João Félix – lesão muscular na face interna da coxa esquerda;
- Ivan Zlobin – traumatismo no joelho direito.

LÁ EM CASA MANDO EU


Para ganhar, o Benfica tem de matar a alegria e sentir-se miserável.
Manuel Neves, o outro lado do Lá em Casa Mando Eu, escreve um texto sobre o clube do qual é adepto, perdão, sócio, perdão, fanático. Voçês já vão perceber.
“For alarmingly large chunks of an average day, I am a moron.” - Nick Hornby, Fever Pitch
Tenho vergonha de confessar isso, mas adormeço sempre bem, excepto quando o Benfica perde. A minha mulher goza-me, fica espantada com a minha capacidade de demorar dez segundos do beijo de boa noite ao ressonar, mas sou assim. Excepto quando o Benfica não ganha. Aí, deito-me irritado, fico a olhar para o tecto a rever jogadas mentalmente, a imaginar outras combinações, a sonhar acordado com jogadas que dariam golo.
Para irritação da pessoa que dorme comigo, adormeço bem mesmo se o meu filho não tem a roupa pronta para amanhã ou se não há fruta para a sobremesa dele. Mas quando o Benfica não ganha, fico a analisar os erros, os movimentos, as saídas de bola que não correm bem, a péssima forma física do Pizzi, o desastre que é o Lindelöf com cabelo e a central esquerdo, o ridículo de não termos comprado um número 8 desde a saída do Renato.
Depois, adormeço e acordo a meio da noite, com a vã esperança de que tudo foi um sonho e que hoje é madrugada de domingo para segunda e o Benfica só joga à noite – até perceber que são mesmo 4 da manhã de segunda-feira, o meu filho está a chorar e eu estou irritado porque o Benfica não ganhou.
Peço desculpa, não me apresentei. O meu nome é Manuel Neves e sou adepto do Benfica. Não tenho nenhuma função no clube, para além do meu lugar anual, e vivo obcecado com que o Benfica ganhe. Todo o tempo em que a minha cabeça não tem que estar a pensar nos mínimos olímpicos para a manutenção da minha vida profissional e familiar, estou a pensar no meu clube. Sem parar. E em dias como o de segunda-feira, depois do Benfica perder contra o Setúbal, toma conta de mim um vazio, porque percebo que o mundo e a vida não fazem sentido quando o Benfica não ganha, e porque tenho a vaga impressão que no meu clube nem toda a gente pensa e vive obcecada em ganhar como eu. E isso é uma coisa que me transtorna mais do que a eleição de Trump. E não há nada pior para um paranóico como eu do que ser efectivamente perseguido.
"Tristeza não tem fim, felicidade sim" - Tom Jobim
O meu problema com o Benfica, confesso, é a sua felicidade. O meu clube é o clube da alegria. O nosso cântico mais famoso é um grito acelerado das nossas sílabas, sem espaços, até ficarmos sem fôlego: “SLB! SLB! SLB! SLB! SLB!” seguido de um “GLORIOSO!”, que é uma exclamação sem mais, porque não há necessidade de explicar de quem é a glória, de tão óbvio que é.
O Benfica é uma alucinação contínua de vermelho, de pessoas que viveram convencidas que Nuno Gomes era sequer comparável a Jardel, de adeptos que só agora percebeu que Akwa não foi o novo Eusébio, e que é provável que Makukula também já lá não chegue.
Ser do Benfica é ter acreditado que íamos ganhar ao Porto com Ronaldo, Paulo Madeira ou com Rojas e Sérgio Nunes (eu era um deles). Quando entramos na Luz, há pessoas que sem nos conhecerem de lado nenhum gritam: "É O BENFICA!". Mas é o Benfica o quê? E é este o clube que eu, um adepto com alma de treinador, que vive pessimista e a achar que tudo vai correr tão mal como no outro dia, amo profundamente e para sempre.
É esta a minha cruz: acho sempre que vai correr tudo mal a um clube cuja idiossincrasia é acreditar piamente que vai ganhar sempre, não importando se temos Bossio na baliza ou Celis no meio-campo. Somos o Benfica, portanto é suposto que no fim corra bem, vá-se lá saber porquê.
Apesar do meu ateísmo, a matriz judaico-cristã inculcou em mim este complexo de culpa: eu atribuo as culpas de todos os nossos desaires a esta felicidade. Há algo dentro de mim que acredita que se todos os benfiquistas fossem duros e meticulosos nas análises como eu, este clube seria mais exigente e iria mais longe. Mesmo com sete pontos de avanço para o Porto (na altura menos para o Sporting), era fácil intuir que nos faltava um número 8 (comprámos Rafa, Cervi e Zivkovic – todos excelentes – para colmatar a saída de Gaitan e para o centro nada), dado que em 2014/2015 Pizzi chegou para as encomendas por muito pouco.
Mesmo com a equipa em primeiro e a ganhar duas vezes em Guimarães, os métodos defensivos que Rui Vitória herdou de Jesus pareciam-me cada vez piores - e não me deixei convencer pelos elogios de Pep Guardiola, comparando-nos a Sacchi. Aliás, acho uma heresia comparar o mestre Arrigo a um treinador que tem de beber água antes de cada canto contra nós porque acredita que isso é que vai tirar dali a bola.
É como comparar um doutorado em meteorologia com um gajo que leva sempre guarda-chuva porque a Tia Amélia lhe disse que tinha dores nas artroses.
Rui Vitória é um tipo simpático a quem, de facto, foi dado um Ferrari e que pode ser campeão ainda este ano porque está a correr contra Fiats em terceira mão. Mas isso não lhe dá particular mérito. E se nós, Benfiquistas, não estivéssemos sempre felizes, talvez víssemos que falta uma peça ao Ferrari (um número 8 à Enzo ou Renato) e que o condutor até pode chegar ao fim em primeiro, mas com um a sério estávamos a dar voltas de avanço.
Ainda por cima, este ano não podemos contar com os discursos motivacionais de Jorge Jesus (que está ocupado a culpar Adrien e William pelos resultados da equipa) para colmatar as óbvias deficiências tácticas que já tínhamos e que as vitórias esconderam.
Mas se num clube normal ir em primeiro ilude, no Benfica cega. Achou-se que tudo estava controlado e que o tetra ia ser um passeio. Cachecóis ao vento e bazófia do tamanho do terceiro anel. De repente, temos só um ponto de avanço, Pizzi e Jonas estão com a forma física de Cavaco Silva, Grimaldo lesionou-se há tanto tempo que não me lembro se era o nosso defesa-esquerdo titular ou se era suplente do Veloso e finalmente acenderam-se os alarmes. Hate to say "I told you so", but... I told you so.
"In "Confessions of a Winning Poker Player," Jack King said, "Few players recall big pots they have won, strange as it seems, but every player can remember with remarkable accuracy the outstanding tough beats of his career." 
Matt Damon, em Rounders
No mundo em que eu quero viver, o Benfica era campeão todos os anos. Às vezes ponho-me a sonhar e penso: “Fazíamos o tetra, ficávamos com 36 depois o Porto ganhava um, ficava com 28 e nós logo um tri e íamos para 39 e...” e uma voz grita-me: “Porra, um título do Porto? Que é que correu mal?!” e imagino os Aliados cheios e o Carlos Abreu Amorim a falar e reformulo. “Fazemos o penta, ficamos com 37 depois o Sporting ganha um e fica com 19, mas nas cabeças deles até pode ser mais, e nós fazemos um tetra e...” - e vem a voz. “Um dos lagartos? Mas assim só faziam 16 anos sem ganhar! Queremos as bodas de prata sem campeonatos!”.
Até que a minha cabeça lá cede e pensa: “Yaaa, ganhávamos TODOS os anos. TODOS.” E sorrio.
O mundo seria, finalmente, perfeito.
É possível que eu exagere no meu grau de loucura e exigência, mas era isto que eu queria. E para isso acontecer, acredito piamente que tínhamos que matar esta alegria intrínseca de ser Benfiquista.
O Benfica tem que ser a máquina de guerra que foi no 3-1 para a Taça em 2013/2014 contra o Porto e durante toda a segunda volta da época passada contra o Sporting.
Ganhar tem que ser uma urgência, uma necessidade tão importante como respirar. Ganhar devia ser, para as pessoas que trabalham no Benfica, uma obsessão que os deixasse sem dormir. Sonho com um clube hiperprofissional, preocupado com a minha felicidade e bem estar mental (porque é isso que está em jogo) e que não me enfiasse o Filipe Augusto Mendes pela goela abaixo dia 31 de Janeiro.
Preciso de um treinador que acredite que o melhor método defensivo para um canto não é beber uma garrafa - quero Sarri, o treinador do Nápoles, com aqueles olhos de quem só vê futebol e com aquela ponta de cigarrilha no casaco, de quem fuma sempre que um avançado falha um golo fácil.
Quero um clube em que, volta e meia, toda a gente seja obrigada a ver o golo do Kelvin para nos lembrarmos do que é estar na lama para não querer lá voltar.
Imaginar que alguém no Benfica baixa a guarda durante um dia que seja é, para mim, como imaginar um cirurgião a operar sem luvas só uma vez porque “o que é que pode correr mal?”.
“Creo que está claro que hemos ganado un punto”
Luis Enrique, treinador do Barcelona, após empatar com o Betis, tendo tido um golo escandalosamente não invalidado e depois de uma exibição horrível.
“Forçámos de todas as maneiras e feitios”
Arnaldo Teixeira, treinador adjunto do Benfica, referindo-se a qualquer coisa que não o processo ofensivo do meu clube, suponho.
"Só a verdade é revolucionária" 
António Gramsci
É deprimente para mim fazer este papel, o de tipo que só aparece nas derrotas, como se as desejasse, mas não é esse o objectivo.
Não tenho amarguras contra ninguém e devo a Rui Vitória, um treinador que não consigo respeitar e que me parece uma pessoa que à noite vê novelas da TVI em vez de estar a estudar futebol, o título mais saboroso de sempre.
O meu problema é que vejo no Benfica uma daquelas crianças que come demasiados doces e está sempre feliz e a brincar sem cuidado nenhum, aos pulos entre sofás, a fazer equilibrismo numa cadeira só com um pé (“Olha só pai, agora só com um pé! Agora sem médios centro! Agora a ter como plano B mandar um central para a área nos dois últimos minutos de desconto e passando o Jonas para o meio-campo!”) e eu sou aquele pai que passa a vida a dizer “tem cuidado”, “está quieto”, “olha que partes a cabeça”.
Quando se ganha um campeonato com uma sorte impressionante (revejam o lance do nosso golo ao Boavista o ano passado, a carambola que nos dá a vitória em Vila do Conde, lembrem-se de Arnold a falhar o 2-2 na Luz pelo Setúbal e - pausa, pausa - uma ronda de aplausos para o eterno Bryan Ruiz e o seu lance espectacular e admitam-no nem que seja para vocês), ninguém nos ouve.
É como se a criança tivesse nascido para ginasta e está tudo na sala a bater palmas e ninguém ouve o pai (“Está calado, pá! Que chato! Dá-lhe, puto! CARREGA BENFICA!”). Mas quando a criança bate com a cabeça no canto da mesa, ninguém nos olha na cara porque não nos querem dar razão.
O Benfica tinha problemas mesmo quando foi campeão (sobretudo nas duas últimas épocas), e falar disso não nos faz menos Benfiquistas e é essa a cultura que eu quero.
Para chegarmos ao tetra e não vermos o Mal vencer, importa, de uma vez por todas, matar a bazófia, escrutinar cada erro e tomar conta do Benfica como se fosse um filho que já esteve nas drogas ou, pior, em Maio de 2013, e não como um mimado que acha que tem direito a tudo, quanto mais a fazer equilibrismo com um só pé na cadeira.
Há que exigir, exigir e exigir. Uma oportunidade histórica para o tetra não pode morrer aos braços da bazófia, do acreditar que um treinador que só diz banalidades e repete várias vezes “a família benfiquista” é suficiente.
O diagnóstico, para mim, é esse: temos que matar a alegria.
A alegria, as festas e os gritos devem vir lá para abril ou maio e aí sim, devem ser completos, com loucura, gente a abraçar-se na rua, a cantar e a dançar, celebrando esta magia que é ser do Benfica. E aí sim, eu dormirei bem.

Manuel Neves, in Coluna Expresso

CAPAS DO DIA


"OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE",... VAMOS A ISTO, BENFICA?


PARA A DERROTA DO BONFIM CONTRIBUIU NOVO ESCÂNDALO PROVOCADO PELA ARBITRAGEM DO FUTEBOL PORTUGUÊS
SONHOS... OU PESADELOS?
1 Na madrugada de terça - feira passada tive vários sonhos que seriam - a concretizarem-se - verdadeiros pesadelos. Sonhei que o Benfica tinha perdido com o Vitória de Setúbal para o campeonato. Sonhei que o Gonçalo Guedes tinha sido vendido. Sonhei que as saídas de Raúl Jiménez, Lindelof, Nélson Semedo, Ederson, Samaris, Mitroglou e Jonas estavam a ser negociadas.
felizmente acordei e percebi que todos esses sonhos não passavam de meros sonhos, sem consequências...
A não ser o que virou mesmo pesadelo... a derrota em Setúbal...
E - claro o de Gonçalo Guedes. Ainda bem que o Mercado encerrou...
NAUFRÁGIO NO SADO
2 Ainda assim,afastados quase todos os possíveis pesadelos... houve um verdadeiro desastre no Sado. Logo após a derrota com o Moreirense, na meia-final da Taça da Liga - jogo revelador da necessidade de alguém precisar de ter saído de um determinado clube para poder ganhar alguma coisa - voltámos a perder. Confirmou-se uma tendência: perdemos, por 1-0, com um golo que resultou do único remate enquadrado do Vitória de Setúbal. Ou a de não ganharmos quando o Benfica começa a perder (a sétima vez esta época). Esta derrota, frente ao Vitória, foi o culminar de uma das mais fracas exibições  da temporada (ou a pior!). Seria, sempre, um jogo difícil, até porque tinha sido no Bonfim que Porto e Sporting (também) perderam, embora em competições distintas. Mas, para esta derrota, também contribuiu um novo escândalo provocado pela arbitragem do futebol português: uma grande penalidade clara por assinalar (a mais que revista "queda" de Carrillo), imediatamente antes do fim do jogo (e já nem falo do resto). Não obstante esse facto,  a verdade é que já começam a ser muitos pontos perdidos. Ultimamente, para o campeonato, além da derrota frente ao Marítimo, nos Barreiros, empatámos com o Boavista, em casa. Uma quebra de rendimento e de resultados, que encontra a sua razão no abaixamento de forma da equipa. Eu sei que fomos atingidos, desde o início da época, por uma gigantesca onda de lesões - o que, inevitavelmente, tem consequências na disponibilidade física e mental do plantel. e essa quebra física foi, naturalmente, visível no jogo com o Vitória de Setúbal. Só espero que esta perda de pontos não nos venha a fazer falta, no fim, na tão ansiada e pretendida conquista do tetra. Porque, para a história, alem desse registo, fica a lição. essencialmente pela falta de garra, de intensidade e de eficácia - a tal condição necessária e suficiente à concretização da vitória. E como, na segunda feira passada, quem costumava fazer a diferença não a fez...
DOS OUTROS LADOS
3 ... nem bons ventos, nem bons casamentos. Na verdade, nenhum dos outros, dos ditos grandes, tem jogado bem. Do que se vai vendo, fazem jogos fracos contra equipas menores. Há 19.ª jornada, ainda que com apenas mais um ponto, continuamos lideres. E, ainda que com "apenas" um ponto, prefiro estar na frente. Porque, acabando com um ponto de diferença, conquistarei o tetra!
O resto é treta...
Há muito campeonato pela frente e os principais candidatos ao título - os dois expectáveis e o outro por cortesia - ainda vão perder muitos pontos. Há deslocações muito importantes e decisivas, para um, como a ida a Guimarães. E a Braga, onde os 3 ainda têm de ir. Por isso, nada melhor que continuarmos - todos nós - a acreditar no Tetra.
4 Mas, perante tanta adversidade, de nada nos servirá termos, neste momento, uma postura permissiva. Vão por mim: com essa postura não seremos tetracampeões!
desengane-se, também, quem acha que o caminho é protestar contra a equipa. como aconteceu, recentemente no Seixal. Todos estamos insatisfeitos. Todos, sem exceção. Mesmo aqueles que estão sempre presentes, os que, perante a adversidade de um jogo, aplaudem e incentivam a equipa em cada desaire. Os tais que, mesmo perante qualquer perda de pontos, no fim, aplaudem e incentivam a equipa para o próximo desafio, pedindo - como já aconteceu - o "36.º". Isto é o Benfica.
Mas não me canso de repetir (e de lembrar a quem tem, hoje, responsabilidade nisso): a estratégia que deveríamos adotar perante a tentativa de desestabilização e de "chicoespertice" alheia... tem de ser a de "olho por olho, dente por dente". Porque ela é a única linguagem que os nossos adversários entendem.Criou-se a imagem que o Benfica era beneficiado e todos os outros clubes eram prejudicados. E há quem esteja a deixar-se embalar pelos cantos de sereia. Por isso, a nossa revolta e protesto terão de ser a da expressão desse nosso inconformismo e dessa nossa disposição para combater a mentira dos outros, para que, por tantas vezes repetidas sem oposição nem desmentido, passe a ser verdade. Porque não concordo com a ideia da nossa superioridade assentar no silêncio. Qual é a estratégia do Benfica perante a teoria do nosso benefício?
Qual é a estratégia do Benfica perante quem, embora jogando com as mesmas regras, recorre à batota?
Perante quem quer - com essa estratégia de invocação  do benefício do Benfica - corromper quem decide?
Perante quem, achando que ainda vive nos tempos de impunidade, nos provoca em cada declaração, em cada entrevista, em cada "graçola"?
Será que a nossa estratégia é não ter estratégia?
E, por isso, ignorar pacificamente a violência verbal, fazendo de conta que nada se passa, quando nos provocam e nos prejudicam?
Será este o nosso silêncio a nossa melhor arma?
Pois, para mim - volto a repeti-lo - nada mais errado!
No jogo com o Boavista, por exemplo, na Luz, (3-3), estivemos a perder 3-0 com 3 golos irregulares!!!
Alguém falou sobre essas irregularidades?
Situações como essas precisam de ser denunciadas, sobretudo por quem tem responsabilidade, que coincide. essencialmente, com quem tem legitimidade institucional. Bem sei que há quem não fale por elevação!
Mas alguém com legitimidade tem de falar!
Porque, como diz o povo - ... "quem cala consente"!
Para que não nos confundam com quem prefere, nas palavras de Cícero "a paz mais injusta à mais justa das guerras". Porque, com outra postura,contrária a essa,que não a da conflitualidade em resposta à conflitualidade dos outros, seremos - como diria (e bem) Rui Vitória na época passada - "comidos de cebolada".
"Olho por olho, dente por dente",... lembrem-se!
E quem avisa...

Rui Gomes da Silva, in a bola

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

BARBA & CABELO


DE VENTO EM POPA


CARTOON


GRANDES, MÉDIOS E PEQUENOS


O futebol alimenta-se muito da imprevisibilidade. Ou para nosso gáudio, ou para nos amachucar. Esta é uma característica que mais o distancia de outros desportos colectivos, onde a surpresa é nem menos frequente. E é, também, um dos factores que distinguem as competições inglesas, onde a anormalidade de um resultado viria normalidade em cada fim-de-semana.
Em Portugal, sempre houve uma muito vincada e excessiva hierarquização dos comentadores. Daí a divisão entre 'grandes' e 'pequenos', aqui a acolá sacudida por um intruso,que alguns rotulam de 'médio' ou 'aspirante a grande'. Na história do futebol português, o Belenenses foi o único clube que já passou pelas três situações. Já o Benfica, uma vez campeão, nunca garantiu o estatuto de 'grande'. Nos 'médios', o Braga está à frente, seguido do Vitória de Guimarães. Restam o outro Vitória (de Setúbal) e a Académica, uma vezes médios, outras, pequenos.
Este ano, não nos faltam resultados de todo improváveis. Nenhum 'grande' na final da Taça da Liga, vergados pelo Moreirense (duas vezes) e Vitória. Na Taça de Portugal só o Benfica resiste depois do Desp. Chaves ter mandado pela borda fora FCP e SCP. No campeonato, basta lembrarmo-nos da primeira parte do Rio Ave contra os leões (3-0), da primeira meia hora do Boavista na Luz (0-3) ou do Tondela que resistiu ao Porto.
Excesso de confiança, falta de estimulo, emulação dos oponentes, aproximação dos treinos, aperfeiçoamento das tácticas, sorte, tudo tem o seu contributo para isto. Algo parece estar a mudar.
P.S. «Adeptos do Benfica atacaram autocarro». Adeptos? Do Benfica? Nem pensar..."

Bagão Félix, in a bola

ALENTEJANO NA LUZ


O Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol divulgou esta quinta-feira as nomeações para a 20.ª jornada da Liga.

Nomeações:

Sexta-feira
Paços de Ferreira - Vitória de Guimarães, Tiago Martins (Lisboa)

Sábado
Chaves - Boavista, Carlos Xistra (Castelo Branco)
FC Porto - Sporting, Hugo Miguel (Lisboa)

Domingo
Arouca - Vitória de Setúbal, Artur Soares Dias (Porto)
Benfica - Nacional, Luís Godinho (Évora)
Belenenses - Tondela, Bruno Paixão (Setúbal)

Segunda-feira
Marítimo - Moreirense, Bruno Esteves (Setúbal)
SC Braga - Estoril, Vasco Santos (Porto)
Feirense - Rio Ave, Rui Oliveira (Porto)