domingo, 1 de abril de 2018

DEIXEM-ME SONHAR!


Na passada segunda-feira estava em Madrid e, no intervalo do jogo entre Portugal e Holanda, o meu Whatsapp começou a ser inundado com mensagens dos meus amigos, todas elas dentro desta linha: "Estás a ver esta vergonha? Estás a ver esta humilhação? Como podes dizer que podemos ser campeões do Mundo a jogar desta maneira? Estamos a levar três secos e tudo aponta a que vamos sofrer mais três ou quatro golos na segunda parte e será maior derrota da história de Portugal. Que vergonha!"
Reinava o pessimismo e a todos respondi: "Isto é um jogo A-MI-GÁ-VEL." Nos segundos 45 minutos não houve golos, os holandeses acabaram por ganhar 3-0, mas as mensagens depois do jogo continuavam dentro da mesma linha do pessimismo. A minha resposta sempre era a mesma: "Isto foi um jogo A-MI-GÁ-VEL." No dia seguinte, Espanha jogou em Madrid contra a Argentina, uma das seleções favoritas para ganhar o Mundial, fez um jogo excelente, ganhou 6-1 e humilhou os argentinos. E apesar de não ter jogado Messi por lesão, os espanhóis estavam eufóricos pelo resultado e também pela fantástica exibição futebolística da sua seleção. Como não podia ser de outra maneira, na terça-feira à noite, depois do jogo, comecei a ser bombardeado no Whatsapp, desta vez pelos meus amigos espanhóis. "Português, pelo o que vi ontem de Portugal com a Holanda, e com este futebol espetacular, maravilhoso e galáctico que acabo de ver da 'Roja' tens de estar a tremer. Hoje vais ter o teu primeiro pesadelo com a seleção espanhola, porque já sabes o que poderá acontecer no primeiro jogo do Mundial entre Espanha e Portugal: seres humilhado e goleado como foi esta noite a Argentina." A brincadeira de todos eles ia dentro desta linha e eu respondia: "Ontem e hoje foram jogos A-MIS-TO-SOS."
"Sabem quantos jogos oficiais perdeu Portugal desde que o nosso selecionador Fernando Santos esta à frente da Seleção? Simplesmente dois: um foi na Suíça e o outro foi na Taça das Confederações com o Chile e nos penáltis - e como vocês sabem por experiência própria, porque foram muitas vezes eliminados desta maneira nas grandes competições, um jogo decidido nos penáltis é uma lotaria e tudo pode acontecer. Por esta razão a minha Seleção na hora da verdade e nos últimos três anos e meio só perdeu um jogo oficial nos 90 minutos regulamentares. Somos campeões da Europa", acrescentei. Dois destes meus amigos são do Real Madrid e fui para 'cima' deles. "Nos últimos quatro anos ganharam três vezes a Champions League e o grande culpado e protagonista destes êxitos incríveis que conseguiram foi o vosso número 7, porque é o melhor jogador do Mundo. Quando está bem fisicamente nunca falha. Como se costuma dizer ele ganha jogos e títulos sozinho. O vosso mito, lenda e deus joga no Real Madrid mas não é espanhol, que eu saiba é português. Como vão conseguir dormir na véspera do jogo entre Espanha e Portugal sabendo que o vosso deus naquele dia passa a ser vosso inimigo? Sabem melhor que ninguém se o 'Bicho' está nos seus dias ninguém pode pará-lo. Podem ter os melhores defesas do Mundo, como por exemplo Sergio Ramos, Piqué, Carvajal ou Jordi Alba, entre outros, que dará igual, porque o nosso deus português destruirá todos", atirei.
Como nos dois minutos seguintes nenhum deles me respondeu, continuei: "Ficaram todos sem bateria? Nenhum de vocês responde? Ou esta noite já vão ter pesadelos com o Cristiano?"Já passava da meia-noite e as respostas foram: "Hasta mañana, portugués, duerme bien." Estavam eufóricos depois do 6-1, bem-dispostos, quiseram brincar, mas esqueceram-se que o Cristiano Ronaldo é português, e nenhuma equipa ou seleção do Mundo quer ter o 'Bicho' como adversário. O nome do Cristiano mete respeito, medo e pânico a qualquer rival e ele é nosso. Um jogo amigável perto de uma grande competição é importante para o selecionador tirar dúvidas mas não passa de um A-MI-GÁ-VEL. Os jogadores querem sempre ganhar, mas para mim o resultado nestes jogos é totalmente secundário, pelo que não dei qualquer importância à derrota com a Holanda. O importante é que o Cristiano Ronaldo, e a maioria dos outros heróis que foram campeões da Europa em França, os jovens craques, que estão preparados para a guerra e que já são uma grande mais-valia para a nossa Seleção - como por exemplo Bernardo Silva, Gelson, André Silva ou Gonçalo Guedes - cheguem todos no seu melhor nível físico e sem lesões à Rússia para os jogos da verdade, a sério e a doer. Com o meu otimismo e com o selecionador que temos, o mestre Fernando Santos, já comecei a sonhar com o título. Se no primeiro jogo com Espanha vir que todos os nossos craques estão bem de saúde e no seu melhor nível de forma muito mais sonharei e acreditarei que Portugal pode ser campeão do Mundo.
Por isso, a todos os meus amigos espanhóis, italianos, franceses, ingleses e japoneses, apenas digo o mesmo que ouvi de José Torres antes do épico jogo com a Alemanha de 1985: deixem-me sonhar!
CALDEIRADA DA SEMANA
Injustos e mal-agradecidos
À entrada para o último jogo da qualificação a Argentina estava em risco de não ir ao Mundial. O grande culpado para muitos jornalistas do país era a estrela Messi. No último jogo, a Argentina foi ao Equador obrigada ganhar e o Leo abriu o livro: fez três golos e meteu o seu país no Mundial, fechando a boca a todos os críticos cruéis. Esta terça-feira a Argentina sofreu uma das maiores humilhações da sua história ao perder com a Espanha por 6-1. Messi assistiu ao desastre na bancada porque estava lesionado. Mas quando um jornalista embirra com um jogador não há marcha-atrás, nem para Messi. Vi vários programas da televisão argentina depois do jogo e faltou muito pouco para dizerem que o culpado da derrota era ele. Não se livrou de insinuarem que a lesão não o impedia de jogar e que está mais preocupado e comprometido com o Barça do que com o seu próprio país. Que injustos e mal-agradecidos.
NÓS LÁ FORA
O génio das conferências
Esta semana li que "as conferências de imprensa de Carlos Carvalhal no Swansea fazem as delícias dos jornalistas e as melhores frases do treinador português vão ser agora eternizadas em t-shirts e a receita das vendas será entregue a doentes com cancro da próstata". Senti um grande orgulho pelo meu companheiro de quarto nas Seleções inferiores de Portugal. 'O meu Carlinhos está mesmo feito um génio nas conferências de imprensa', pensei. Quando chegaste ao Swansea em dezembro o clube estava condenado à 2.ª liga e necessitava praticamente de um milagre para sair do buraco. Hoje é possível que isto aconteça devido ao trabalho de nota 10 que estás a fazer no País de Gales. Força, amigo!
ÁLBUM DE RECORDAÇÕES
Três gerações
No verão de 2016, nesta mesma caixa, escrevi isto: "O meu primeiro professor de espanhol, e a pessoa que me explicou como funcionava o futebol em Espanha, foi o meu companheiro de quarto, Marcos Alonso. (...) Não podia ter tido um professor melhor. Na quarta-feira, quando soube que o seu filho Marcos Alonso tinha sido contratado pelo Chelsea, fiquei muito feliz pelo meu querido amigo." E hoje tenho de voltar a falar da família Marcos Alonso, porque fez história. Com a estreia de Marcos Alonso pela seleção espanhola aconteceu algo único: a família Alonso - avô, filho e neto - foi internacional por Espanha. Impressionante! Parabéns, Marquitos!
Paulo Futre, in Record

A MAIS VALIA


A RESSURREIÇÃO!...


A Ressurreição de Cristo, ou seja, a vitória do Filho de Deus sobre a morte e portanto o anúncio de uma nova era para a humanidade, deverá significar, para cada um de nós, ou mesmo ao nível mais amplo de uma transformação social, que o novo, o verdadeiramente novo, não acontece unicamente com reformas ou revoluções, mas com a Ressurreição, quero eu dizer, com a transcendência do nosso comodismo, do nosso escolasticismo, do nosso “interesseirismo”. É preciso criar, para além de uma democracia social, uma democracia política e, para além de uma democracia política, uma democracia cultural e, para além de uma democracia cultural, uma ética donde nasça um homem novo. Este trabalho de transformação, no âmbito da ética, parece o mais difícil de conseguir-se porque releva mais do qualitativo que do quantitativo, porque exige uma vontade de transformação radical, isto é, individual e social, sem necessidade do recurso ao “braço militar”. Em poucas palavras: à existência de estruturas e de instituições, relativas à democracia social e política e cultural (onde integro o desporto), deverá corresponder uma vontade de transcendência onde eu, matéria e espírito, indivíduo e pessoa, natureza e cultura, me sinta reorientado, por uma decisão profética, por um ato de fé, para uma experiência vivida do Absoluto. Não é de leis, é de ética, que a sociedade portuguesa, que o desporto português, com especial realce para o futebol, se encontram pavorosamente carecidos. Não há desporto real, mas apenas desporto formal, enquanto o desporto não for, verdadeiramente, uma ética em movimento. Num espaço onde os dirigentes olham uns para os outros com desconfiança indisfarçável, onde a ultima ratio parece, na boca desta gente, um gargantear desesperado de sabedorias anteriores ao paleolítico, onde as “cabeças pensantes” são precisamente as de pessoas que não sabem pensar, pergunta-se: que desporto é este? Que futebol é este?
Não contesto que atravessamos a passagem de uma cultura logocêntrica para uma cultura imagocêntrica ou, se assim quisermos, de uma cultura literária para uma tecnocultura eletrónica, onde predominam a televisão e o computador. Só que, unicamente com isto, assiste-se à desvalorização da teoria e da filosofia, promovendo-se, no seu lugar, as opiniões do mercado, o fascínio da publicidade, o debate entre retóricos, vazios de qualquer matriz lógico-demonstrativa. E assim o que mais importa não é a verdade e a justiça, a ciência e a consciência, mas a defesa de certas pessoas, de certos interesses. É possível a mesma ética para todos? O humanista francês, Michel de Montaigne (1533-1592) poderá escutar-se, a este respeito, nos seus Ensaios (Gallimard, Paris, 1953): “Aqui, vive-se de carne humana; ali, é um ato de piedade matar o próprio pai, em determinada idade; noutro lado, os pais decidem, com as crianças ainda no ventre da mãe, quais as que irão ser alimentadas e conservadas e as que irão ser abandonadas e mortas: noutro, os maridos mais velhos emprestam as suas mulheres aos jovens, para delas se servirem; e, noutro ainda, as mulheres são comuns; em determinado país, elas trazem, como sinal de honra, tantas belas borlas franjadas na orla dos seus vestidos, quantas as vezes que copularam com machos” (p. 14). Blaise Pascal (1623-1662) generaliza: “Não vemos nada de justo ou de injusto, que não mude de qualidade, quando se muda de clima” (Pensées, Gallimard, Paris, p. 230). Quanto a David Hume (1711-1776), ele acentua que as coisas (e as pessoas) têm tanto mais valor, para nós, quanto maior é a paixão que nos toma, ao desejá-las ou ao possuí-las. Portanto, a variabilidade das normas morais radica na diversidade das culturas, das religiões, das tradições, irredutíveis entre si e que moldaram a sensibilidade e a mundividência dos diversos grupos humanos.
Claude Lévi-Strauss sugere, no seu célebre relatório à UNESCO, “Race et Histoire”, que os “desvios diferenciais”, entre culturas, são uma riqueza a preservar, na construção de uma “civilização mundial”. Quando, na segunda metade do século XX, os povos colonizados entraram de lutar contra a descolonização, em favor da sua integral autodeterminação política, faziam do livro de Claude Lévi-Strauss o seu “vademecum”. Mas, existe, ou não, um critério universal que nos garanta que um sistema de valores e de normas é melhor, ou pior, do que os outros?”. Ou seja, é possível fazer juízos morais sobre juízos morais? A dificuldade de um critério meta-ético reside no facto de só com muita dificuldade poder ser aceite, pacificamente, por gente que vive de normas e valores diferentes e que, com base nesse critério, se consideram até moralmente inferiores. Como a História tantas vezes no-lo ensina, um critério meta-ético acaba por ser imposto, pela força. A Declaração Universal dos Direitos do Homem não está isenta de ambiguidades e de mal-entendidos, uma vez que as diferentes culturas não a observam, à luz dos mesmos princípios e valores. No entanto, embora os referidos mal-entendidos e ambiguidades, conseguiu-se um vasto e sensato acordo, quanto à interdição de práticas abomináveis, como a tortura, a escravatura, os genocídios, o abuso sexual de crianças, a corrupção, etc., etc. De facto, é possível um direito universal e universalizável? Julgo que sim! É sempre possível um debate ético numa sociedade pluralista, entre pessoas de “boa vontade”. É verdade que, numa sociedade de mercado, a moral parece ser uma só: a da altíssima competição e a do lucro máximo. Mesmo assim, numa democracia política, parece-me possível sempre um debate ético, estimulado pela vontade esclarecida dos contendores democratas…
Jesus Cristo aponta-nos um caminho: o da Ressurreição! Segundo Gilles Lipovetsky e Jean Serroy , na introdução ao livro A Cultura-Mundo: resposta a uma sociedade desorientada, (Edições 70, Lisboa, 2010): “Eis-nos numa cultura pós-revolucionária e, ao mesmo tempo, hipercapitalista. O que triunfa e se difunde, em todo o lado, é o imaginário da competição, a cultura do mercado, que redefinem os domínios da vida social e cultural”. E continuam estes autores: “O que caracteriza de imediato este universo é a hipertrofia da oferta mercantil, a superabundância de informações e de imagens, a pletora de marcas, a imensa variedade de produtos alimentares, de restaurantes, de festivais e de música, os quais se podem encontrar agora em todo o mundo, em cidades que oferecem as mesmas vitrinas comerciais” (pp. 20/21).Volto ao que já disse: vivemos uma “sociedade de mercado”, ou seja, vivemos uma sociedade sem alma. Precisamos de ressuscitar, quero eu dizer: de ter presente que, ressuscitando, o ser humano é mais do que um simples homem e portanto a transcendência, a superação é a sua principal dimensão e definição, o seu primeiro atributo. E transcendência do homem todo e não só da sua dimensão física e atlética. O postulado da primazia da ação e do trabalho, num desporto unidimensional, onde o que mais conta é o desejo insaciável de vitórias espetaculares, de mais campeonatos, de mais poder – gera o crescimento pelo crescimento, o progresso pelo progresso, ou seja, um infinito quantitativo, sem referências a outros valores que não sejam os de um economicismo selvagem e de um clubismo pateta. Entretanto, Cristo ressuscitou e, enquanto não ressuscitarmos com Ele, continuaremos num mundo onde podem não faltar os meios, mas escasseiam assustadoramente os fins. Cristo ressuscitou! Aleluia!
Manuel Sérgio, in a Bola

BENFICA ESTÁ NA FINAL FOUR DA TAÇA DE PORTUGAL


VOLEIBOL
Voleibol carimba presença em Sines no próximo fim de semana, após vencer – na Luz – a formação da Fonte do Bastardo por convincentes 3-0.
A equipa de Voleibol do SL Benfica está na Final Four da Taça de Portugal, após eliminar, este Domingo de Páscoa, no Pavilhão n.º 2 da Luz, a formação da Fonte do Bastardo, por taxativos 3-0.
Boa moldura humana na Luz, com os adeptos a marcarem presença em apoio à formação de José Jardim, naquele que – à semelhança do Campeonato Nacional – é um dos assumidos objetivos da temporada.
Com Tiago Violas, Ivo Casas, André Lopes, Mrdak, Zelão, Winters e Honoré na formação inicial, início pautado pelo equilíbrio. Os açorianos até entraram melhor, mas as águias reuniram tropas e fecharam o set com um parcial de 25-22 no primeiro set point de que dispuseram.

Os dois sets seguintes foram mais desequilibrados, com os encarnados a cedo mostrarem que queriam muito estar em Sines no próximo fim de semana. Os visitantes ainda reagiram no 2.º set, contudo, o Benfica não permitiu veleidades de maior e venceu com um parcial de 25-19. No derradeiro set só deu Benfica, com as águias a fecharem o 3.º set com um 25-15 e o jogo num taxativo 3-0 final.
Missão cumprida com raça e talento! Está assim garantida a presença na Final Four da Taça de Portugal, sendo que a mesma será disputada no próximo fim de semana, 7 e 8 de abril, em Sines.
Nas meias-finais, agendadas para sábado, no primeiro jogo, defrontam-se Castelo da Maia e Leixões; no segundo desafio do dia, medem forças SL Benfica e Académica de Espinho.
A final terá lugar no domingo.

"ESTOU COM GRANDE FEZADA DE QUE VAMOS SER CAMPEÕES"


FUTEBOL
Glória benfiquista, o Luvas Pretas esteve no Estádio da Luz e deu uma grande entrevista ao Jornal O Benfica.
Espalhou classe pelos relvados nos anos 70 e 80. Hoje com 65 anos é lembrado como um dos melhores médios encarnados. Em entrevista exclusiva ao jornal O Benfica, João Alves falou sobre a sua história com o Clube.
Como recorda a sua primeira chegada ao Benfica?

Eu vim para as camadas jovens do Clube com 14/15 anos. O meu primeiro ano de futebol passa-se nos juvenis do Sanjoanense, depois tive um convite para ir treinar ao FC Porto, mas fui indicado, por um amigo do Fernando Cabrita, ao Benfica. Acabei por ir na mesma fazer uns treinos no Porto, fui convidado para ficar, mas, aparecendo o Benfica e tendo em conta que vivi a minha infância numa altura em que estávamos na época em que o Benfica foi campeão europeu acabei por ir para Lisboa.
Jogou em Espanha, onde brilhou no Salamanca. Deve ter sido o único jogador da história do futebol a preferir o Benfica ao Real Madrid…
Sem a menor dúvida. Em Espanha fui o melhor jogador estrangeiro e o jogador do ano, mesmo estando todas as grandes vedetas no campeonato espanhol. No fim da temporada, entre Salamanca e Real Madrid estava tudo acertado, mas apareceu o Benfica. Eu tinha metido na cabeça que haveria de ser campeão com aquela camisola e, de facto, preferi o Benfica ao Real Madrid.
Foram bem mais de 100 jogos pelo Clube. Qual o significado de realizar tantas partidas de águia ao peito?
Poderia ter feito muitas mais. No ano em que volto do Salamanca não fomos campeões e fiquei muito desiludido. Depois vou para o PSG, que me tinha feito uma grande proposta. Em França partem-me uma perna e fico muito tempo parado. O que me levou a ganhar vontade de voltar a Portugal, até porque continuava com vontade de ser campeão pelo Benfica, e regressei. Recupero muito bem da lesão e ganho vários títulos com o Lajos Baróti, logo no primeiro ano. Curiosamente no dia 14 de Março fez 37 anos em que marquei o golo da vitória frente ao FC Porto que me deu o meu primeiro título de campeão no Benfica, e na noite anterior tinha nascido a minha filha, logo é uma data muito simbólica. Foram quatro anos magníficos.
É capaz de eleger os momentos que mais o marcaram na sua passagem pela Luz?
O primeiro momento positivo é a final do torneio internacional organizado pelo Benfica. Na final ganhámos por 1-0, sou considerado o melhor jogador da prova e nesse dia conheci a minha mulher. O jogo que referi frente ao FC Porto, no dia em que nasce a minha filha, também foi muito especial. Um momento importante foi também a primeira vez que fui eleito o melhor jogador do Campeonato. Uma grande desilusão foi a final da Taça UEFA, com o Eriksson. Outra foi a lesão num jogo de preparação antes do campeonato da Europa de juniores, em que fomos vice-campeões.
João Alves
Foi uma das grandes figuras na campanha do Benfica em 1982/83 na Taça UEFA. Contudo, na final a duas mãos acabou por jogar apenas cerca de 30 minutos no segundo jogo. Ainda sente alguma mágoa por Eriksson o ter deixado 150 minutos de fora frente ao Anderlecht?
Foi realmente uma grande desilusão. A minha única final europeia e, logicamente, quem é titular uma época inteira e quer jogar em grandes palcos gosta de participar. Acabei por jogar meia hora na Luz, mas foi uma grandedeceção em termos futebolísticos. Contudo, esta questão com o Eriksson está ultrapassada e aproveito para dizer que foi um dos meus mentores enquanto treinador.
Houve, ou há, algum jogador do Benfica em que encontre semelhanças consigo?
Enquanto futebolista eu era alguém que marcava muitos golos. No Benfica quem jogava atrás de mim era o Shéu, um jogador fabuloso. O meu papel era de pautar o jogo da equipa, e talvez nesse aspeto fossem Pablo Aimar e o Rui Costa os mais parecidos comigo. Pode-se dizer que eu era um misto dos dois.
Por falar em treinadores, qual aquele que mais o marcou na Luz?
Como já referi, o Eriksson teve um papel muito forte. O Mário Wilson foi alguém com quem gostei muito de trabalhar, assim como os meus treinadores de Formação.
Ganhou vários títulos, realizando sempre temporadas brilhantes. Qual foi a época em que sentiu que se viu a melhor versão do João Alves?
Na temporada em que ganhámos tudo com o Lajos Baróti (1980/81), em que marquei 14 golos. Também aquela em que regresso do Salamanca, em que não fomos campeões mesmo à justa. Essas duas foram as minhas grandes épocas no Benfica. Os anos com o Eriksson também foram muito bons mas aí já sou um jogador diferente, mais posicional, menos ofensivo e não atingi o meu máximo.
Ao falar com o João Alves, é praticamente impossível não falar das luvas pretas, herança do seu avô. Existiu algum jogo em que sentiu que foram mesmo um amuleto de sorte?
As luvas sempre foram o meu amuleto, em todos os jogos em que joguei. Se há um encontro que culminou com todas as intenções que tinha na minha carreira desportiva, é o tal jogo com o FC Porto. Pois a minha filha nasce na noite anterior e marco um golo muito difícil, um tento fantástico devido a essa dificuldade, que me dá o primeiro título de campeão.
João Alves
A poucas jornadas do fim do Campeonato, acredita no Penta?
Sim. O Benfica melhorou muito. Andou titubeante durante uns tempos, a saída de jogadores importantes até ser definitivamente ultrapassada foi um pouco complicada. Mas a transição de um sistema de jogo para outro veio trazer ao de cima as características principais da maioria dos grandes jogadores que fazem parte do plantel. Jogadores versáteis, muito habilidosos e com muita mobilidade.
Se fosse Rui Vitória, o que aconselhava aos jogadores para atingirem o título?
É muito fácil perceber o que acontece no Benfica. O toca a unir na equipa já se deu há muito tempo e, por isso mesmo, o Clube está com todas as condições para ser campeão nacional. O pior foi quando andou algum tempo sem depender de si próprio. Para esta melhoria há duas coisas que são fundamentais. Uma é o espírito de equipa, que se nota que é familiar e demonstra que todos eles lutam por um objetivo. O segundo é o peso do Clube e a grandeza que empresta aos seus atletas. Digamos que os jogadores se sentem campeões, pois jogar neste estádio obriga os jogadores a sentir a envolvência entre os adeptos e o próprio cenário do espectáculo que os galvaniza.
Qual a sua opinião sobre o técnico encarnado?
A primeira coisa é que foi uma grande surpresa para mim. Conheço o Rui Vitória desde os juniores do Benfica e depois disso andou a “comer feijão com arroz” para subir a pulso. Ganhou uma final da Taça de Portugal ao Benfica, com um banho de bola ao treinador da altura. Tudo isso deu-lhe arcaboiço para dar passos para chegar a outro lugar. Ao princípio foi uma aposta de risco do presidente, mas ganhou por mérito toda a confiança que é depositada nele. Gosto muito de ver toda a atenção que tem para com as camadas jovens. Isso significa muito para o Clube em termos de política desportiva. Tem conquistado títulos com a equipa a jogar bom futebol mesmo superando todas a contrariedades que lhe têm surgido. Por outro lado, é um excelente colega de profissão, que sabe estar no seu lugar.
Tem um passado com ligações à Formação do Clube, tendo já trabalhado no Caixa Futebol Campus. Qual a sua opinião sobre o trabalho que se tem vindo a desenvolver nos escalões mais jovens?
O Caixa Futebol Campus foi um sonho realizado e é algo fundamental para o Clube. Comecei a trabalhar nos primeiros anos do Seixal e desde muito cedo começaram a aparecer grandes jogadores, sendo que alguns deles estão fazer uma boa carreira. Contudo, há casos de outros jovens que poderiam ter tido outro tipo de oportunidades no Benfica, mas a política na altura era completamente diferente. Destaco o papel dos torneios internacionais, como a Youth League, que dá aos jogadores o passo que é preciso para posteriormente chegarem aos seniores.
Como analisa o atual momento do futebol em Portugal, cada vez mais marcado pelos jogos de bastidores.
Acho nojento o que está a acontecer. Não se está a olhar a meios para atingir os fins. O futebol é o mais bonito desporto que existe, e a pureza da modalidade tem de voltar a ser transportada para o público. Os jogadores têm de voltar a ser os artistas, têm de voltar a ser o Robert de Niro do futebol.
E sendo comentador desportivo no ativo, considera que alguns os programas televisivos estão a ajudar a este clima mais tenso?
Alguns sim, sem dúvida. Mesmo aquele em que participo deveria ter mais imparcialidade, mas compreendo que existam pessoas a quem seja difícil manter a neutralidade. Enquanto puder dar a minha opinião, e a mesma servir para abrir mentes e favorecer o Clube, logicamente que o farei.
Há alguma mensagem que queira deixar para o mundo benfiquista?
Nasci benfiquista, chorei muitas vezes por este emblema e tive um orgulho enorme por ter representado este Clube. Após ter andado um pouco à deriva, vejo novamente que existe suporte, estaleca e capacidade. Estou com uma grande fezada de que vamos ser campeões, pela demonstração que tem vindo a ser realizada por esta equipa.

PRIMEIRAS PÁGINAS


O PREÇO A QUE ESTÃO AS BOLAS


Não consta um único árbitro português de carne e osso na lista de nomeados da FIFA para o Mundial. Trata-se de uma discriminação cometida contra o país campeão da Europa? Os nossos melhores árbitros não são, certamente, piores do que os piores entre os seus colegas estrangeiros que vão estar na Rússia. Não terão os árbitros portugueses quem os defenda nos imponentes centros das decisões desta indústria global? Não, provavelmente, não têm. O facto de não haver árbitros compatriotas no próximo campeonato do mundo não deve, no entanto, ser considerado como um sintoma de desconsideração. No campo do otimismo, é um sinal do nosso progresso. Árbitros-tradicionais-jeitosos é o que mais há por toda a parte. Vídeo-árbitros-jeitosos é que são mais difíceis de encontrar. Daí haver ainda a justificadíssima esperança de a FIFA convocar dois VARs portugueses para o Mundial da Rússia. Que vão e sejam felizes são os desejos de todos os que, por cá, se entretém semanalmente a usufruir das excelências desta modernidade testada em Portugal.

O país do campeão da Europa é de extremos. Tanto se deleita com a tal modernidade que vamos agora exportar para a Rússia como se deprime com misérias impossíveis de ultrapassar. Esta jornada do campeonato arrancou na noite de 5.ª feira na Vila das Aves sob uma intempérie que alagou o campo e atrasou o início do jogo. Fenómenos meteorológicos e os decorrentes relvados impraticáveis são vulgares por esse mundo fora. Quando a bola não rola não pode haver espetáculo. O que é só nossa, mesmo só nossa, é aquela miseriazinha a que se assistiu no fim de tudo quando foi recusada a oferta da bola do jogo a Edinho, autor de 4 golos em 27 minutos. O poker do veterano avançado do Vitória de Setúbal não teve direito à tradicional recompensa esférica porque as bolas de futebol custam dinheirinho. Só pagando, Edinho. Oh, pobreza.

Com maior ou menor aparato, vai dando conta a imprensa da cobiça de emblemas estrangeiros pelos serviços de João Félix, o mais promissor jovem jogador português dos tempos que correm. É provável, vão-nos dizendo de mansinho, que João Félix não chegue a fazer sequer um jogo pela equipa principal do Benfica porque a voragem internacional em torno do seu nome poderá levá-lo da Luz já no próximo mercado de Verão. Só não lhe poderemos chamar o novo Bernardo Silva porque o atual jogador do Manchester City ainda jogou meia-dúzia de minutos na equipa de honra – era assim que se dizia antigamente – antes de embarcar para o Mónaco. Os adeptos do Benfica que se têm revelado pacientes, e até solidários com a administração, face a todos os ataques públicos e privados, oficiais e oficiosos, de que a SAD tem sido alvo, poderão muito basicamente perder a paciência se lhes for sonegado o direito de ver, pelo menos uma vez, este Félix jogar na equipa adulta do Benfica. Oh, pobreza.
Leonor Pinhão, in Record

UM AZAR DO KRALJ


As placas da Securitas, as insta stories do Seixal e o rácio dos tempos do Peyroteo (por Um Azar do Kralj)
Vasco Mendonça escreve sobre os jogadores do seu Benfica, depois de uma paragem que parece não ter feito bem a ninguém. A não ser, claro, a Jonas
Bruno Varela
A sua presença aparentemente confiante na baliza continua a ter o mesmo efeito dissuasor de umas placas da Securitas que eu pus nas entradas de minha casa. Espero que ninguém descubra que a porta se abre com um cartão Lisboa Viva.
André Almeida
Os dois maiores símbolos vivos do Benfica tiveram um dia não. A águia Vitória julgou ter ouvido uma sirene e fugiu. Já André Almeida teve uma das exibições mais apagadas desde que se tornou o melhor lateral direito português da actualidade.
P.S. - a piada sobre os símbolos vivos só funciona se ignorarmos que o Senhor José Augusto viu o jogo na tribuna.
Rúben Dias
Das duas uma: ou Rúben Dias tem uma cara de poker extraordinária ou é de facto a muralha de aço que se tem visto, um jogador que não se deixa afectar por rigorosamente nada. Quando já nada sobrar e todos os computadores, taças e funcionários tiverem sido levados pela PJ, quando todos os emails tiverem sido lidos e cartilheiros despedidos, Rúben Dias continuará a fazer a única coisa que lhe interessa: chegar primeiro ao lance.
Jardel
E por falar em autoridade suprema no jogo aéreo, há muitos anos participei num processo de recrutamento para controlador de tráfego aéreo. Se bem me recordo, o último teste em que participei durou uma hora e meia. O objectivo era coordenar as operações no aeroporto de Lisboa e fazer aterrar algumas dezenas de aviões. Vários candidatos entraram numa sala, colocaram uns auriculares e deram tudo o que tinham. Eu percebi que tinha corrido mal quando, à saída, vi que era o único com a camisa colada ao corpo por causa do suor. Felizmente chumbei e foi assim que se evitou a maior catástrofe da aviação moderna.
Grimaldo
Um absurdo excesso de misericórdia na cara de Miguel Silva impediu-o de marcar o segundo golo do jogo aos 49’. Como qualquer formando do Barcelona, Grimaldo é um estudante do jogo e sabe que precisa de melhorar neste capítulo. Deve por isso parar e analisar exaustivamente este lance, até porque não cometeu mais nenhum erro enquanto esteve em campo.
Fejsa
Histórico. Desde 2012 não falhava um passe para um colega no centro da defesa, mas aconteceu hoje aos 59 minutos. É estranho olhar para Ljubomir Fejsa e ver nele, afinal, um ser humano.
Zivkovic
Foi dos que mais procurou contrariar uma posse de bola dependente da pontaria de Jonas
Pizzi
Segundo um site na internet, a associação da letra z ao sono remonta a 1918, quando alguém resolveu descrever uma pessoa a ressonar com a expressão zzz. Pizzi juntou-se às celebrações do centenário desta onomatopeia com uma exibição que foi somando caracteres ao seu nome até perto do final, quando Pizzzzzzzzzzzzzzzzzzzzi finalmente se lembrou que a equipa conta com ele para liderar o meio-campo rumo ao penta e, num laivo de pressão alta, libertou Jimenez para o momento mais bonito da noite.
Rafa
A paragem no campeonato fez-lhe mal. Acontece, em especial a esta nova geração. É gente com muito tempo livre e uma vida santa. A ausência de problemas reais faz com que caiam num estado de anomia combatido com um número excessivo de selfies, fotos banais de comida de outro país, opiniões pouco amadurecidas sobre todo e qualquer tema, e perdas de bola desnecessárias. Em vésperas de clássico, os benfiquistas precisam que Rafa volte ao essencial: fotos da nova tatuagem do Fejsa, instastories com peixe grelhado na cantina do Seixal, nada a dizer sobre aquela história da Compal e a acutilância que lhe vimos em jogos anteriores. Em suma: vê lá se atinas. Precisamos de ti.
Cervi
Só aceitou ser substituído aos 69 minutos depois de perceber que iria ceder o lugar a Jimenez. Uma pessoa anda tão mal habituada que até é capaz de dizer barbaridades como “fez uma exibição menos inspirada do que é tem sido habitual”. Enfim. Não sei onde é que o Expresso vai buscar estas pessoas.
Jonas
Enquanto alguns aproveitavam a pausa no campeonato para estar com a família, pôr as leituras em dia ou apagar a sua conta de Facebook, Jonas treinava a marcação de penalties. Ainda bem, porque alguns de nós não teriam sobrevivido a mais um falhanço. Não satisfeito, voltaria a marcar, desta vez meio golo (o cruzamento do Raul vale no mínimo outra metade). Se arredondarmos, soma agora 33 golos em 28 jogos, que parece um daqueles rácios estapafúrdios do tempo do Peyroteo, mas em relação ao Jonas ninguém duvida que ele marcou mesmo os trinta e três.
Jiménez
É agora o único jogador da Liga NOS a ter tido o privilégio de ver as suas chuteiras engraxadas pelo melhor jogador a actuar em Portugal, depois de André Almeida ter recusado a honra. Jimenez voltou a ser decisivo, combinando a já conhecida vontade de decidir jogos com a alegre resignação de quem sabe que jamais será titular e não quer saber. Tal como nós, Jimenez prefere pensar nisso depois de uma boa noite de copos no Marquês de Pombal.
Salvio
Uma opção acertada de Rui Vitória, que apenas peca por ter acontecido com 50 minutos de atraso e não ter sido o Rafa a sair para lhe dar o lugar. De resto, perfeito.
Seferovic
Entrou para o lugar de Zivkovic, protagonizando a primeira substituição da Liga NOS em rima esta época, um dado estatístico que nem a Goalpoint se atreverá a desmentir.
Um Azar do Kralj, in Tribuna Expresso

SABE QUEM É? - JOÃO PAULO II, O PAI...


"Ídolo de Messi por causa do telefonema de Passarella --- Jogador do Benfica por Rui Costa lhe aparecer à porta de casa

1. Nasceu a 3 de Novembro de 1979, Maradona encantava-o - e sonhava ser médico. Com ele a caminho dos quatro anos, lesão grave impediu o pai de continuar a jogar futebol - e foi o pai que, certa vez, o desafiou à aventura de um teste num clube a mais de 600 quilómetros de casa.
2. Não foi apenas o espírito de aventura que o arrastou para o teste no River, foi sobretudo a curiosidade de saber se podia ser mesmo o que se dizia que podia: «o novo Maradona». De Rio Quatro para Buenos Aires fez a viagem num ronceiro autocarro, não precisou de muito jogo para mostrar o génio - de ponto ouviu que sim, que o queriam, que podia ficar. Mas ele não quis ficar no Monumental Nunez.
3. Tinha 14 anos e fosse qual fosse a resposta que lhe dessem no River, já o decidira: voltaria para a sua cidade no interior de Córdoba - e ao Estudiantes de Rio Quarto. Talvez não contasse que sucedesse o que sucedeu: Pekerman chamou-o à selecção de sub-17 - e para lá foi, outra vez, em autocarro de carreira.
4. Daniel Passarella não mais se esqueceu da conversa que tivera com o treinador dos iniciados, três antes: «Aquele chico de toque de bola formidável, era o único que podia ser génio, mas é incrível não quis ficar» - correu a pedir-lhe número do telefone e ligou para Rio Quarto...
5. Antes de se soltar palavra do outro lado da linha, Daniel Passarella atalhou: «Olá! É o pai dum muchacho chamado Pablo?» - e ouvindo que sim, apresentou-se: «Pois, eu sou Passarella, o treinador do River». Apercebeu-se da gargalhada a que se colou a frase despachada: «Ai sim?! Pois eu sou o Papa João Paulo II e não tenho tempo para brincadeiras» - e Passarella revelou-o: «Felizmente, o senhor não desligou o telefone»...
6. Além de o pai não desligar, percebeu que era mesmo verdade, era mesmo o Passarella - a pedir-lhe que convencesse o filho a ir para o River, prometendo-lhe todas as condições para estudar medicina, pagar-lhe o curso até. Puseram-no a viver numa pensão, adormecia todas as noites enxugando as lágrimas na almofada - por achar que «Buenos Aires era um tortura». Não, não foi para os juniores que foi, Daniel Passarella puxou-o, sem pestanejo, para o plantel principal.
7. O primeiro treino do Monumental marcou-lhe o destino: recebeu a bola, correu com ela dentro do pé para o Altaminaro (de quem se dizia que era o monstro na defesa do River) - através dum «drible impossível» deixou-o de gatas, no chão. Com o resto da equipa à gargalhada, adeptos nas bancadas abriram bocas de espanto.
8. Achando que o seu futebol «era puro divertimento», um jornal fez sessão fotográfica com ele disfarçado de palhaço (palhaço porque divertia) - e passaram a tratá-lo por El Payaso. No River estava outro dos seus ídolos: o Francescoli - mas por timidez nunca foi capaz de fazer o que todos os dias lhe apetecia: pedir-lhe um autófrago.
9. Ainda sub-17, Pekermann pô-lo a jogar nos sub-20. Da Malásia, a Argentina saiu campeã do mundo - e ele o Melhor jogador do torneio. Em Janeiro de 2000, o Valência contratou-o por 25 milhões de euros, deixara pouco antes, o curso de medicina  - e ao partir para Espanha levava vitória na Supercopa Libertadores de 1997 e três títulos de campeão argentino.
10. Maradona dissera dele: «É o único jogador por quem ainda vale a pena pagar bilhete para o ver jogar». Além de dois campeonatos de Espanha, o seu Valência venceu a Taça UEFA - e a Supertaça europeia ganhou-a ao FC Porto. Por esta altura, lesões em rodopio estavam a cortar o brilho à sua chama, razão porque, contra os portistas, só jogou cinco minutos.
11. Messi já o afinançara: «Meu ídolo? É El Payaso!» (e não deixou de o ser). O destino continuou a atacá-lo cruel: por entre lesões sofreu duma meningite - em meados de 2006, do Valência foi para o Saragoça. Estava para mudar-se para o Newcastle, quando sucedeu o que ele contou: «Já tinha pé e meio em Inglaterra, mas quando homem como Rui Costa apanha um avião, bate, de surpresa à porta da tua casa e diz: 'Vou retirar-me, quero que uses, no Benfica, a minha camisola 10' - é impossível deixar passar um gesto assim». O resto? É o que se sabe, num encanto muito para lá do ganho de um campeonato ou quatro Taças da Liga..."

António Simões, in A Bola

REGRESSO AO CAMPEONATO COM GOLEADA PLENA DE AMBIÇÃO


FUTSAL
A equipa de Futsal Feminino do Benfica venceu a formação da Quinta dos Lombos por 7-0. Após a brilhante prestação na Taça Europeia, aí está o ataque ao título Nacional.
O Benfica recebeu e venceu, esta noite de sábado, a formação da Quinta dos Lombos, por 7-0, numa partida referente à 7.ª jornada da Fase Final do Campeonato Nacional de Futsal Feminino.
Após a brilhante prestação da equipa na sua estreia na Taça Europeia, eis o regresso vitorioso às provas lusas. Recordar que o Benfica já conquistou esta temporada a Supertaça e a Taça de Honra e tem como objetivos assumidos a revalidação do Campeonato Nacional e da Taça de Portugal.

Primeira metade com domínio encarnado, com Sara Ferreira e Janice a assinarem os dois golos com que se chegou ao intervalo no Pavilhão Fidelidade (2-0). Resultado a pecar por escasso! No reatar, ainda mais Benfica, com o resultado a ser dilatado naturalmente: Fifó, Maria (2), Sara (2) e Nina foram as autoras dos tentos das águias: 7-0!
Bruno Fernandes fez alinhar de início o seguinte cinco: Ana Catarina, Janice, Inês, Nina e Sara.
Com este resultado, o Benfica soma 18 pontos e segue firme, no 2.º lugar da geral, na perseguição ao líder Novasemente (19 pontos).
O Benfica torna a entrar em quadra no próximo sábado, dia 7 de abril, com uma receção à formação do Santa Luzia. A 8.ª jornada da Fase Final da competição está marcada para as 19h30, no Pavilhão n.º 2 da Luz.