quinta-feira, 30 de outubro de 2025
BENFICA CONSEGUE OS RESULTADOS, MAS ESTÁ A CONVENCER?
GLORIOSO E INESQUECÍVEL DIA NA HISTÓRIA DO BENFICA
A retumbante afluência eleitoral iluminou um dia glorioso e inesquecível para a história do Benfica, reforçando a sua expressão internacional. Um recorde mundial de votantes alcançado numa jornada feliz, bem organizada e que retrata a grande dinâmica do clube. A votação obtida, largamente recordista, ultrapassa, em muito, o melhor resultado eleitoral, mesmo somado, dos dois rivais nacionais.
Este era o contexto em que equipa do Benfica regressava à Luz com o peso de mais uma derrota na UEFA Champions League, transportando o cansaço físico e o desgaste anímico de quem perde quando precisava de pontuar. À partida, para mais um jogo de campeonato que era imperioso vencer, o cenário não era, assim, o mais propício. Porém, as eleições, consideradas por muitos como um problema em dia de jogo, viriam a funcionar, com o orgulho renovado do clube, como um importante condimento para a vitória. O ambiente de euforia clubística resultante da expressiva vitória eleitoral, por si só, elevava o jogo a uma jornada de consagração, mas que faltava confirmar no campo. Agora, o natural desejo de que no próximo dia 8 se repita mais um dia exemplar e à Benfica.
Goleada feliz
Quanto ao jogo, o Benfica entrou pressionante, empurrando o Arouca para próximo da sua área. A equipa visitante defendia as suas alas com rigor, contrariando a atual referência que Lukebakio representa na ala direita. No lado oposto, as dificuldades que o Benfica tem tido na criação atacante contavam, agora, com o regressado Prestianni, que funcionou como o maior agitador da equipa. O Arouca acabaria por colaborar, com intervenções faltosas na sua própria área, que deram os dois golos iniciais, ainda muitos dos orgulhosos eleitores se sentavam. Prestianni é alguém, disse-o Mourinho, que dificilmente consegue fazer o jogo inteiro. É daqueles jogadores que lembram as crianças. A gestão física não existe. Joga sempre no limite, até não poder mais. Uma rara irreverência que contagiou colegas e adeptos, com contributo direto na vitória conseguida. Pavlidis e Lukebakio, parceiros do ataque, estiveram ativos, mas bem tapados pela tática defensiva arouquense.
Já no meio campo o Benfica teve dificuldades. As equipas dependem muito dos seus médios, quer na defesa, quer no ataque e ainda nas necessárias ligações. Desta vez o talentoso Sudakov não esteve em dia, provocando até, com um passe paralelo perdido, a melhor oportunidade ao adversário. Rios e Enzo também estiveram abaixo do nível exigido. Muitos passes falhados e perdas da posse de bola foram permitindo que o Arouca dividisse o jogo. O esforço a que esta tripla intermediária esteve sujeita no recente confronto europeu também terá determinado o seu menor rendimento. No final, um dia feliz, celebrado com uma goleada com mérito, mas também resultante da fragilidade defensiva visitante.
Falar sem mudar
Os referidos duelos entre equipas nacionais e inglesas só atualizaram aquilo que é uma das nossas maiores limitações competitivas atuais. Nada de novo, portanto. O ritmo e a intensidade, dos quais muito se fala ma em relação aos quais pouco ou nada se muda, são ainda mais essenciais no contexto europeu, onde crescem as dificuldades. Reconhecendo que a função de arbitrar é especialmente difícil e sempre será, não poderemos, ainda assim, fazer algo que melhore a nossa arbitragem e valorize o nosso futebol? Penso ser possível. O perfil do nosso árbitro é de intenso gosto pelo apito, quase paixão, assinalando ligeiros contactos, num desporto de contacto, e parando constantemente o jogo. É só verificar o tempo útil de jogo, o número de faltas e cartões mostrados e compará-los com outros campeonatos. Os números não enganam. Será assim tão complicado mudar? Cristiano Ronaldo, quando saiu de Portugal para Inglaterra, teve que inverter o seu apurado instinto para o mergulho, quando percebeu que ninguém por lá apreciava essa habilidade. Um bom exemplo de alguém que chegou ao topo.
Egolândia
Muitas vezes a capacidade e o talento futebolístico convivem na mesma pessoa com a arrogância, o egoísmo e o descontrole emocional.
Vinícius Júnior, especialista em conflito, é o exemplo de alguém que cabe nesta descrição, desta vez confrontando o seu treinador Xabi Alonso, já consagrado enquanto treinador e lenda enquanto jogador do Real Madrid. O que fazer neste tipo de choques, ainda por cima públicos? Yamal é outro dos casos bem atuais, neste caso, de desvario juvenil e défice educacional a precisar de orientação. Tão bom quanto irresponsável, aceitará algum reparo, do alto da sua fortuna pessoal? Os pais ajudarão? Os golos, a fama e o poder económico não podem validar todas as atitudes. Este foi um fim de semana rico em incidências tristes, que não valorizam os implicados. O que dizer também de Lautaro Martinez e Antonio Conte, jogador e treinador em triste confronto, num dos mais importantes clássicos do futebol italiano? Sabemos que o futebol profissional é um meio competitivo em que o stress é enorme e desgaste também, quer no banco, quer no campo, mas não foi sempre assim? Quando os episódios se passam entre portas, tornam-se bem mais fáceis de gerir. É verdade que as redes sociais vieram também alimentar os conflitos, mas os artistas devem ter a capacidade e a destreza de exigir mais de si mesmos.
Rui Águas, in a Bola
SLB x TON. "Pénalti mal assinalado ao Benfica"
BENFICA x Tondela | RESCALDO 1/4 Taça da Liga (3-0)
EM FRENTE NA EUROPA
O Benfica conseguiu afastar as espanholas do CD Heidelberg Las Palmas ao vencer no golden set (10-15) e garantiu a vaga na 3.ª ronda de qualificação da CEV Women Champions League.
A equipa feminina de voleibol do Benfica garantiu, nesta quarta-feira, 29 de outubro, o acesso à 3.ª ronda da CEV Women Champions League diante das espanholas do CD Heidelberg Las Palmas, na Gran Canaria, através do golden set (10-15). As eslovenas do Banka Branik Maribor são as próximas adversárias das águias.
Em vantagem na 2.ª ronda de qualificação, após triunfo na 1.ª mão (3-1), no Pavilhão n.º 2 da Luz, Henrique Furtado garantiu, na antevisão da 2.ª mão, que as águias não queriam desperdiçar a oportunidade de fazer história na Europa. E foi isso que aconteceu num encontro que teve a duração de 92 minutos.
Após três sets (3-0) que caíram para a formação da casa (25-18, 25-19 e 25-17), a eliminatória foi decidida num golden set, e aí o Benfica entrou determinado em seguir em frente, vencendo com uma vantagem de 5 pontos (10-15).
DECLARAÇÕES
Henrique Furtado (treinador do Benfica): "Foi uma partida muito difícil. Uma partida na qual estivemos abaixo do nível que gostaríamos, mas, ao mesmo tempo, lutámos muito e nunca desistimos. A principal mudança no golden set foi em relação ao nível de ataque e no equilíbrio do nosso serviço. Nós temos um grupo de guerreiras. Elas estão a esforçar-se muito, e foi importantíssimo ter adquirido essa vantagem [3-1] no primeiro jogo e a possibilidade de disputar o golden set. A Champions League é a melhor competição do mundo e, para avançar, o sacrifício é sempre muito grande. [Próximo jogo com o Vitória SC] Não existe tempo para muito descanso, e as jogadoras têm dado o seu máximo. Tentaremos, como sempre, fazer o melhor possível e lutar para sair com a vitória na próxima partida."
ORGANIZADO O BENFICA ESTÁ. MAS SÓ MUITO DE VEZ EM QUANDO JOGA À BOLA
O Benfica está na final four da Allianz Cup, mas a vitória por 3-0 sobre o Tondela com que lá chega esteve longe de encantar.
Na terça-feira, em conferência de imprensa, José Mourinho dissera que nesse dia as águias só trabalharam organização ofensiva. Organizados, realmente, estiveram, nestes quartos de final da Taça da Liga. E a vitória foi mais que justificada, considerando que a equipa de Ivo Vieira, mesmo não tendo ido à Luz com bloco muito baixo, ou só preocupada em defender, não criou um lance de golo. Mas faltou bom futebol, e num jogo perante um adversário mais forte, o pouco que o Benfica cria raramente dará para marcar e, consequentemente, vencer.
Mas talvez a organização seja o primeiro passo. A forma como as águias souberam reagir à perda de bola, matando à nascença a maior parte dos contra-ataques do adversário – com Barrenechea, nesse capítulo, em papel de destaque –, é uma mudança refrescante em relação ao que se viu nos últimos tempos na Luz.
Faz sentido que Mourinho comece por aí. Mas é bom que não demore a dar o passo seguinte, o de pôr a equipa a jogar à bola.
Sim, o Benfica teve momentos muito bons. O golo anulado pelo VAR por fora de jogo de um centímetro, por exemplo, a abrir a segunda parte, é uma bela jogada coletiva, com Barreiro a servir Lukebakio e o belga a dar de calcanhar para a finalização de primeira de Sudakov.
O 2-0, de Lukebakio, também – não só as fintas de Ríos na área, mas a forma como o colombiano ganhou espaço para arrancar, em combinação com Pavlidis e Barreiro.
Mas foi quase tudo. Sim, há um bom passe de Aursnes a desmacar Ivanovic aos 30’, com remate cruzado do croata para boa defesa de Cañizares. E há o terceiro golo, recuperação de João Rêgo em zona avançada, cruzamento imediato de Barreiro e finalização perfeita de Pavlidis.
Mas são momentos de qualidade individual, mais do que futebol coletivo. E poucos mais houve.
Aliás, para um Benfica que mudou apenas cinco jogadores no onze, e os que lançou de novo têm sido utilizados com regularidade, não eram corpos estranhos (mesmo assumindo a importância de Pavlidis ou Ríos na equipa), chegar ao fim do jogo com apenas 11 remates contra os suplentes do Tondela (só Medina tinha jogado de início contra o Sporting, para a Liga, no domingo, e saiu lesionado ao intervalo…) é pouco, muito pouco.
Penálti caído do céu
E convém não esquecer a forma como a história do jogo sorriu ao Benfica: com um penálti caído do céu, aos 41’, por mão de Afonso Rodrigues.
A análise da correção da decisão do árbitro deixo para Pedro Henriques, comentador de A BOLA. Mas não gosto de um futebol onde faça sentido aquilo ser penálti. O extremo do Tondela é atropelado por Barreiro; tem o braço aberto, porque está a equilibrar-se no domínio da bola, mas o médio do Benfica está a menos de meio metro dele quando toca a bola na direção da mão de Afonso Rodrigues. O árbitro, na justificação da decisão, referiu que o braço não estava em posição natural; o que não é natural, para mim, é que os árbitros tenham agora de ser especialistas em mecânica do movimento para perceber o que é natural ou não…
Otamendi converteu, trazendo até alguma recompensa justa às águias, que sem terem feito muito já tinham estado perto do golo por Lukebakio e Ivanovic.
Aquele golo brilhante anulado por um centímetro logo a abrir a segunda parte (48’) deu esperança aos mais de 50 mil adeptos que foram à Luz de que o jogo pudesse melhorar de qualidade nos derradeiros 45 minutos. Infelizmente, não foi o caso. Tirando um remate cruzado, um pouco ao lado, de Ivanovic, aos 59’, só na reta final a partida animou, já com Pavlidis, Ríos e Prestianni em campo e com o Tondela a tentar arriscar (na mesma sem criar perigo) um pouco na procura do empate.
Foi isso que deu espaço para o ataque rápido do 2-0, foi isso que ajudou à recuperação em zona ofensiva para o 3-0. Um resultado demasiado gordo para quem tem organização mas pouco futebol.
Hugo Vasconcelos, in a Bola
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA
exibição do Benfica só escapou ao cinzento a meio da segunda parte, com a entrada do avançado grego. Não foi jogo para grandes exibições individuais, ainda que o Tondela pouco tenha ameaçado no ataque
Melhor em campo: Vangelis Pavlidis, 7
O resultado marcava 1-0 aos 64 minutos quando Pavlidis teve ordem para substituir Franjo Ivanovic e entrar em campo. Além do resultado incerto, o Benfica também parecia ter perdido um pouco o controlo da partida, com o Tondela a aproximar-se mais da sua área. Não foi imediato, porém a equipa de José Mourinho ganhou com o passar do tempo uma referência mais próxima — em termos territoriais e de ligação — do que o croata, capaz de segurar a bola e combinar, alimentando cada vez mais transições. Aos 83', participa ativamente na jogada do 2-0, na qual contribuem ainda Barreiro, Rios e Lukebakio, e no quinto minuto de compensação marcou, de primeira, o terceiro da sua equipa, agora a passe do luxemburguês. No tempo em que esteve em campo fez quase tudo bem.
SAMUEL SOARES (5) — Noite calma. Controlou a profundidade e só fez uma defesa, a fechar.
AURSNES (6) — Dos primeiros a animar o ataque. Lançou Sudakov (4'), que não finalizou, e Ivanovic (30'), com o croata a obrigar Cañizares à primeira boa defesa, e apareceu ele mesmo na frente, como quando não segurou passe letal de Lukebakio, já na área (21'), e não aproveitou a bola longa de Otamendi para cruzar bem para Ivanovic (32'). Sempre em jogo.
ANTÓNIO SILVA (5) — Estava atrasado na jogada mais perigosa do Tondela na primeira parte, num raro erro de Aursnes, que não segurou a bola de frente para a própria baliza. Valeu-lhe a lentidão de Yefrei Rodríguez e a recuperação do resto da equipa. De resto, noite descansada.
OTAMENDI (6) — Disse a Mourinho que queria jogar e carimbou o 250.º encontro pelas águias com o 1-0, de penálti, num pontapé cheio de confiança e manha suficiente para enganar Cañizares. Sempre perigoso nas bolas paradas ofensivas. Lá atrás, tranquilo qb.
DAHL (4) — Nova exibição cinzenta do sueco. Cumpre no seu papel na organização defensiva, porém, mais à frente, é incapaz de desequilibrar. Deixou muitas vezes Schjelderup demasiado só, a lidar com dois ou três rivais pela frente, o que obrigava o norueguês a reciclar muitas vezes a posse.
ENZO (6) — Dominador na maior parte das ações, percebe-se a importância que tem não só como referência defensiva, mas também como elemento determinante para o desdobramento da equipa para o ataque. O passe sai-lhe sempre redondo do pé direito, mas precisa de trabalhar o pior, o esquerdo, e também o excesso de confiança.
BARREIRO (6) — Ofereceu-se à construção e sempre que não o pressionaram ligou-se com os colegas como na jogada do golo anulado por 1 centímetro (!) aos 48' ou mesmo no 2-0, todavia, quando mais apertava à sua volta mais hesitava e a equipa não progredia. Sem bola, voltou a fazer movimentos de rotura para a área, a fim de surpreender, contudo esteve bem vigiado. Ainda assistiu Pavlidis.
LUKEBAKIO (6) — A equipa reconhece-lhe destreza no 1x1 e chama-o muitas vezes a esses momentos, ainda que nem sempre com o espaço necessário para que tenha maior sucesso. Duas boas jogadas no primeiro tempo: aos 13', ultrapassou o rival direto e não conseguiu encaixar o passe com a diagonal de Schjelderup e, seis minutos depois, fintou Vita e rematou contra o corpo de Canizares. Desapareceu até marcar o 2-0, numa simples tapinha.
SUDAKOV (6) — Parece crescer em confiança a nível do passe de rotura. Grande desmarcação de Aursnes aos 23, muito bem a servir Ivanovic perto do intervalo e a libertar Schjelderup antes da hora de jogo. Injusta a anulação do golo que marcou, pela beleza da finalização com o pé esquerdo.
SCHJELDERUP (5) — Demasiado só para poder ter impacto no ataque posicional, ainda que tenha tomado algumas más decisões quando apareceu a conduzir transições. A sua melhor iniciativa surgiu aos 59', quando serviu Ivanovic para o tiro.
IVANOVIC (5) — É avançado de explosão no remate, porém teve guarda-redes atento pela frente aos 30' e, aos 59, atirou ligeiramente ao lado. Pouco alimentado, ainda assim trabalhou.
PRESTIANNI (5) — Mexe sempre com o jogo, pela velocidade que acrescenta, mas precipita-se na tomada de decisão.
RÍOS (6) — Entrou muito bem no encontro. Já depois de carregar a bola em alguns ataque, virou do avesso Afonso Silva antes de oferecer o golo a Lukebakio e ainda obrigou Cañizares a bela intervenção.
JOÃO REGO (-) — Cinco minutos em campo.
TOMÁS ARAÚJO (-) — Entrou para para ser lateral e dar um pouco de descanso a Aursnes.
Luís Mateus, in a Bola
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
CHAPA 4 NOS ANDRADES
Vitória no clássico e voo para a liderança
O Benfica bateu o FC Porto, por 4-2, no jogo da 3.ª jornada da 1.ª fase do Campeonato Nacional e isolou-se no topo da classificação, sendo a única equipa que ainda não perdeu pontos.
Clássico vermelho e branco! O Benfica recebeu e bateu o FC Porto, por 4-2, no jogo da 3.ª jornada da 1.ª fase do Campeonato Nacional. Com este desfecho, as águias são líderes da prova.
Foi numa autêntica fortaleza vermelha e branca (1557 espectadores nas bancadas) que o Benfica recebeu o FC Porto no Pavilhão Fidelidade, nesta quarta-feira, 29 de outubro. Com o 3.º triunfo em outros tantos jogos da competição na mira, a concentração, intensidade e paciência foram identificadas por Edu Castro como fatores-chave para ultrapassar o rival.
Para o clássico – que teve a CIN como Match Day Sponsor –, o treinador escalou um cinco inicial composto por Conti Acevedo, Zé Miranda, Roberto Di Benedetto, Nil Roca e João Rodrigues.
Depois de muito insistir, e pela frente encontrar um Xavi Malián sempre pronto a dizer "presente", o Benfica chegou ao golo aos 9', através de um penálti convertido por Zé Miranda. Inaugurado o marcador, o jogo entrou numa toada mais equilibrada e aos 13' e aos 14' foi Conti Acevedo a mostrar serviço na baliza encarnada, ao defender os remates de Hélder Nunes e Gonçalo Alves.
Na resposta, o Benfica ampliou a vantagem (15'). Pela direita do ataque, Zé Miranda rematou forte, mas o esférico ainda encontrou Gonçalo Pinto, que, à boca da baliza, tocou para o 2-0.
Os comandados por Edu Castro continuaram a carregar e, nos minutos 17 e 18, Zé Miranda voltou a ameaçar, mas o guardião azul e branco negou. Numa 1.ª parte que dominou por completo, o conjunto benfiquista fixou o 3-0 com que se chegou ao intervalo aos 20': pela direita do ataque encarnado, Viti rematou forte e indefensável, fazendo abanar novamente as redes azuis e brancas.
Durante o descanso, os atletas encarnados João Antunes, Martim Nunes e Vasco Moreira foram homenageados pela conquista do Campeonato Europeu Sub-17 em representação da Seleção Nacional do escalão.
No reatar, aos 30', o FC Porto reduziu para 3-1 com um golo assinado por Hélder Nunes. Três minutos volvidos, o Benfica atingiu a 10.ª falta cometida e os visitantes beneficiaram da execução de um livre direto. No frente a frente, Conti Acevedo negou a Hélder Nunes.
O jogo entrou numa toada mais física, emocional e, aos 35', uma falta de Xavi Malián sobre Roberto Di Benedetto concedeu ao Benfica a execução de uma grande penalidade. Zé Miranda atirou ao lado e, na recarga, também errou o alvo.
Sempre à procura de mais, o Benfica esteve perto de dilatar aos 40', mas Nil Roca atirou ao lado.
Em grande plano na baliza encarnada, Conti Acevedo voltou a negar ao FC Porto o golo de livre direto, desta feita executado por Gonçalo Alves (43'). O mesmo não sucedeu aos 45' e, numa grande penalidade, o avançado bateu o guardião das águias e encostou a 3-2.
Num clássico em que, impulsionado pelo apoio dos adeptos, impôs o seu jogo, o Benfica fechou as contas do marcador com chave de ouro: com a baliza contrária desprotegida, Nil Roca rematou da área encarnada e fez o 4-2 final!
Com este resultado, os encarnados são líderes e a única equipa com registo 100 por cento vitorioso na prova.
Segue-se o duelo da 4.ª jornada da 1.ª fase do Campeonato Nacional, agendado para as 19h00 de sábado, 1 de novembro, na casa da AD Sanjoanense.
DECLARAÇÕES
Edu Castro (treinador do Benfica): "Tudo correu na perfeição no 1.º tempo. Na 2.ª parte, dependia muito de quem marcasse o primeiro golo. O jogo estava aberto, e eles aproveitaram a oportunidade. Subiram mais as linhas, e nós tentámos jogar um pouco com a ansiedade que eles poderiam trazer de jogos anteriores. Tiveram de arriscar mais no 2.º tempo e, defrontando equipas deste nível, é impossível não enfrentar dificuldades em algum momento das partidas. No terceiro jogo, sofremos o nosso primeiro golo no Campeonato, e aconteceu na 2.ª parte. Essa foi uma situação nova com que tivemos de lidar. Porém, estávamos bem na defesa e, no final do jogo, pensei que terminaria 3-2, como costuma acontecer nestas partidas. Mas, mais uma vez, os jogadores, tal como na final [da Elite Cup] contra o Sporting, decidiram que 4-2 era mais bonito, e foi mesmo. Temos de ser capazes de repetir o início da época passada, que foi espetacular. Estamos no bom caminho, focados em ser muito competitivos. Precisamos de nos lembrar que estamos na melhor liga do mundo e que temos de corresponder às expectativas dos nossos adeptos. Somos mais fortes com eles. Queremos dar-lhes alegrias, não só nos jogos, mas também conquistando títulos."
APOSTAS: O RISCO DE CORRUPÇÃO DO DESPORTO
No sábado decorreram as eleições no Benfica que resultaram numa 2.ª volta: Rui Costa teve 42,13% e Noronha Lopes 30,26%. Pode parecer serem favas contadas para o atual presidente, mas não esqueçamos que, em 1986, Freitas do Amaral ganhou a 1.ª volta das Presidenciais com cerca de 46%, bem acima dos 25% de Mário Soares. Na 2.ª volta, contra todas as apostas, Soares ganhou com 50,7%, superando os 48,4% de Freitas. História, simbolismo ou futuras possíveis coincidências à parte, em quem aposta, o caro leitor, para ganhar a presidência do Benfica? A verdade é que antes do dia das eleições, quem quis pôde apostar no resultado. E agora, na 2.ª volta, pode fazê-lo de novo.
A possibilidade de apostar em eventos desportivos, cujo resultado é influenciável pelos próprios protagonistas — jogadores e árbitros —, é, no mínimo, controversa. Hoje, a própria Liga portuguesa é patrocinada por uma casa de apostas. Um sinal dos tempos. Mas nem sempre foi assim.
Durante anos, as apostas desportivas foram ilegais em Portugal. A internet veio mudar tudo: tornou-se impossível travar o fenómeno num mundo onde há sempre um país em que é legal apostar — e onde se aposta até nos mercados onde isso é formalmente proibido.
Os números ajudam a perceber a dimensão do negócio. Estima-se que, na Liga dos Campeões, o volume de apostas em 2022/23 tenha rondado os 225 milhões de euros. Em Portugal, calcula-se que, por jogo, se apostem cerca de 899 mil euros na Liga e 282 mil na Liga 2. São valores enormes — e sempre que há muito dinheiro envolvido, há quem tente manipulá-lo. Por exemplo, nos EUA, na semana passada, mais de 30 pessoas, incluindo um treinador e um jogador da NBA, foram presas pelo FBI na sequência de investigação ao jogo ilegal.
É por isso que se torna essencial definir regras claras para impedir qualquer tentativa de influência sobre os resultados. A lei portuguesa é inequívoca. O artigo 20.º da Lei n.º 14/2024, conhecida como Lei da Integridade do Desporto, estabelece que «quem atuar no sentido de influenciar as incidências ou os resultados de um jogo, evento ou competição desportiva, com o propósito de obter uma vantagem em aposta desportiva, é punido com pena de prisão até cinco anos».
E vai mais longe: o artigo 21.º proíbe expressamente jogadores e árbitros de apostarem em competições nas quais participem ou estejam envolvidos, punindo a infração com pena de prisão até três anos. As normas da Federação Portuguesa de Futebol são igualmente claras e reforçam estas restrições.
O caso Jogo Duplo, que investigou práticas de match fixing em Portugal, terminou com cinco arguidos condenados a penas de cinco e seis anos de prisão. Um sinal de que as autoridades estão vigilantes — e de que a integridade do jogo é levada a sério.
Porque o futebol, e o desporto em geral, vivem da imprevisibilidade. Da emoção de não sabermos o que vai acontecer. Se o público começar a duvidar de que cada equipa está a dar o seu melhor, o espetáculo morrerá. Apostar é legítimo. Corromper o jogo não.
O Direito ao Golo esta semana é dos adeptos do Benfica. 85 mil foram votar em liberdade. 85 mil mostraram elevação. Liberdade e elevação são duas palavras que poderiam descrever Francisco Pinto Balsemão. A minha pequena homenagem ao grande homem que foi.
João Caiado Guerreiro, in a Bola
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