sexta-feira, 28 de março de 2025

VOO DA ÁGUIA MUITO COMPETENTE



O Benfica foi a Barcelos acertar o calendário, e não só: apanhou o Sporting na frente, e mostrou que aprendeu com o susto mais recente, em Vila do Conde. Equipa de Bruno Lage não deu qualquer chance ao Gil Vicente..
As vitórias valem todas três pontos, mas há ganhar e ganhar. Por exemplo, o Benfica triunfou muito justamente, aliás, em Vila do Conde, mas depois de ter o jogo na mão decidiu ‘meter’ a equipa de Petit na disputa da partida, e acabou a suar as estopinhas para não deixar pontos nas margens do rio Ave. Em Barcelos, nas margens do Cávado, a conversa foi outra: os encarnados foram autoritários de fio a pavio, tiveram o controlo das operações, assumindo a responsabilidade que o favoritismo frente a um adversário com menos meios lhes conferia, e cedo se percebeu que se a equipa de Bruno Lage não tivesse nenhum assomo de desleixo, ia regressar à Luz com três pontos fundamentais na luta pelo título.
FÓRMULA APRIMORADA
Frente a um Gil Vicente, orientado por César Peixoto, que representou ‘galos’ e ‘águias’, armado num 4x2x3x1 que muitas vezes, especialmente quando Amdouni trocava com Aursnes e ia dar apoio mais próximo a Belotti, se transformava em 5x4x1 com o recuo de Bamba para terceiro central, deixando as despesas do ataque (?) a Pablo, o Benfica repetiu uma fórmula que vai aprimorando, independentemente dos onze escolhidos para irem a jogo.




Bruno Lage tem a defesa definida (e Tomás Araújo, o que se passa (?), porque sem Bah, Dahl ainda vai ter de mostrar credenciais na lateral direita, em jogos mais exigentes), aposta num meio campo em que Florentino é o trinco (que infantilidade o ‘amarelo’ que viu aos 90+2!) e Kokçu baixa para se tornar no playmaker – curiosamente, desde que está em Portugal, nunca se tinha visto ao internacional turco tanta disponibilidade para trabalhar defensivamente – da equipa; à frente desta dupla, três jogadores com uma capacidade de permuta muito grande, Aursnes, Amdouni e Bruma, que estão bem entrosados com a necessidade de recuperar a bola depressa através de pressão alta, ficando desta feita o posto mais avançado a cargo de Andrea Belotti, o ‘gallo’, que não deixou de faturar numa cidade em que o galo é rei.
Qual foi, então, a diferença deste Benfica para outros ‘benficas’ que sofreram para vencer e deixaram, até, desnecessariamente, pontos em várias latitudes? A resposta é simples, como todas as coisas profundas: a equipa de Lage manteve-se concentrada durante todo o jogo, decidiu não meter folga em algumas fases da partida, e colocou sob ameaça permanente o Gil Vicente, que cada vez que se afoitava, percebia que deixava adversários entre linhas que assustavam, de imediato, as redes de Andrew. Foi da tática? Não. Foi da estratégia? Não. Foi, sobretudo, de uma atitude séria, vestida de intensidade, que fez parecer fácil o que noutras alturas foi um Adamastor.




Mais uma coisa deve ser dita em relação ao Benfica: Bruno Lage tem à disposição um plantel rico (embora claramente penalizado pelas lesões de Bah e Manu), e tem sabido utilizá-lo. Vejam-se, por exemplos, as substituições que realizou em Barcelos, quando para se manter no controlo das operações refrescou o ataque com Di María, Akturkoglu e Pavlidis (um luxo), aproveitando ainda para compactar o meio-campo com Renato Sanches. Perante a exigência de uma temporada que já colocou muitos minutos nas pernas dos jogadores (Otamendi, em Barcelos, teve um jogo de repouso ativo, para os padrões que são habituais, enquanto que António Silva mostrou estar a crescer em confiança), o técnico encarnado não se fixou num número limitado de ‘fiéis’ e tem sabido manejar o plantel, que agora volta a ter Di María. Daíq ue seja legítimo perguntar que pplanos tem Lage para El Fideo? Usá-lo nas partes finais dos jogos, quando a sua frescura pode ser uma vantagem suplementar, ou dar-lhe a titularidade, sabendo-se que este sistema em que o Benfica joga passa muito pela pressão alta, que exige do ponto de vista físico muito aos jogadores. Os jogos que se seguem darão resposta a esta dúvida existencial.
SENTIDO ÚNICO
Quanto ao jogo, que teve numa cabeçada de Pablo, aos seis minutos que Trubin defendeu bem e que foi a exceção que confirmou a regra, pode falar-se, ‘mutatis mutandis’. De um ‘samba de uma nota só’, uma partida de sentido único que teve como única surpresa o magro 0-1 qua se verificava ao intervalo, da autoria de Aursnes, após obra de autor de Bruma, uma tremenda aquisição dos encarnados no mercado de inverno.
O segundo tempo trouxe mais do mesmo, e o 0-2, por Belotti após assistência de António Silva, apenas confirmou a superioridade flagrante dos forasteiros. César Peixoto jogou o que tinha, refrescou o meio-campo com Fujimoto e o ataque com Carlos Eduardo, teve até alguns momentos em que a sua equipa conseguiu trocar a bola com maior intencionalidade, mas à medida que os minutos passavam o Gil Vicente foi deixando de acreditar que era possível espremer algum ponto daquele jogo e a toda de superioridade encarnada não só se manteve como ainda terminou com uma cereja no topo de bolo, quando Ángel Di María, dos onze metros, fixou o ‘placard’ em 0-3. Vitória sem contestação de uma equipa que encontrou a tecla certa para ser mais competitiva. Como dizia Marco Silva em entrevista a A Bola, «pressão alta, pouco espaço entre setores e grande intensidade.» Simples, não é?
DESTAQUES DO BENFICA
Norueguês desperdiçou ocasião soberana para inaugurar o marcador, mas à segunda não perdoou; bem acompanhado por toda a equipa na primeira parte, e por António Silva todo o jogo
O melhor em campo: Aursnes (7)
Falhou à primeira, não falhou à segunda. Logo ao terceiro minuto, dispôs de ocasião flagrante para inaugurar o marcador, após bela desmarcação e passe brilhante de Amdouni. Só que recebeu um pouco para a frente, Andrew reagiu bem e já não teve ângulo para evitar a mancha do guarda-redes do Gil Vicente. Mas aprendeu a lição. Aos 22', de novo com leitura brilhante de jogo, apareceu no sítio certo para responder ao centro da esquerda de Bruma, e dessa vez nem tentou dominar — disparou de primeira para inaugurar o marcador. Sempre muito em jogo, e com papel importante na primeira linha de pressão, juntando-se a Belotti para importunar os centrais contrários, voltou a ser decisivo nos minutos finais, com o passe que lançou Di María na área no lance do penálti que valeu o 3-0.




6 Trubin — Chamado ao jogo a frio, com cabeceamento de Pablo no coração da área logo aos 6 minutos, respondeu com bela defesa, evitando que o Gil inaugurasse o marcador. Foi o único remate da equipa da casa na primeira parte e só voltou a intervir na compensação, afastando um centro venenoso da direita. Na segunda teve um pouco mais de trabalho — uns cruzamentos para segurar, um remate à figura, umas saídas atentas —, mas sem dificuldades de maior.
6 Tomás Araújo — Excelente entrada em jogo, com papel ativo na criação do primeiro lance de perigo do Benfica, logo aos 3’, solicitando Amdouni, que colocou Aursnes na cara do golo. Logo a seguir, mais uma boa subida pelo flanco direito e um centro atrasado ao qual Belotti não chegou. Mas ia borrando a pintura aos 6’, esquecendo-se de subir para deixar Pablo fora de jogo e permitindo ao avançado do Gil visar a baliza de Trubin, que respondeu com bela defesa. A partir daí foi menos desequilibrador a atacar, mas nunca deixou de procurar zonas avançadas... até que não aguentou mais, fechando a loja aos 55 minutos.
7 António Silva — É verdade que deixou Pablo fugir nas costas para o único remate do Gil na primeira parte, mas não foi ele o responsável — subiu, bem, para deixar o ponta de lança em fora de jogo, mas não foi acompanhado por Tomás Araújo. Batalhou intensamente com o homem de área do Gil e ganhou muito mais do que perdeu. Juntou a isso várias compensações preciosas e cortes decisivos, o mais importante dos quais aos 71’, tirando centro atrasado que convidava remate de primeira. Como se não chegasse, ainda subiu à área para um livre de Kokçu e assistiu Belotti para o 2-0 das águias.
6 Otamendi — Para quem jogou 180 minutos pela Argentina e fez apenas um treino depois de voltar da América do Sul, nada melhor que uma primeira parte bem descansada, de atenção permanente mas sem muito trabalho. A segunda foi um pouco mais intensa, mas Otamendi controlou sempre bem o seu raio de ação, numa noite tranquila.
6 Carreras — Está no lance do primeiro golo do Benfica — foi ele quem fez chegar a bola a Bruma no corredor esquerdo —, mas foi muito menos influente no ataque do que em outras ocasiões, ou do que Tomás Araújo no outro flanco. Compensou com acerto quase total a defender, e na segunda parte, quando o Gil deu sinal de vida, teve de o fazer pelo outro lado.
5 Florentino — Seguro a defender, mas novamente com alguns erros na circulação de bola — nenhum tão grave como no encontro anterior, frente ao Rio Ave. Escusado o amarelo já na compensação, e que o deixa em risco para o clássico com o FC Porto — fica proibido de ver novo cartão na receção ao Farense, na quarta-feira.
6 Kokçu — Menos exuberante que noutras noites, mas altamente influente, fosse a pautar o jogo do Benfica, sobretudo na primeira parte, fosse a criar o segundo golo das águias, ao bater um livre exemplar que permitiu a António Silva assistir Belotti. Também tentou o livre direto, ainda na primeira parte, mas Andrew respondeu bem. Falhou alguns passes, mas esteve muito bem a defender, incluindo desarme a lançar Di María para a primeira ocasião do argentino.
6 Amdouni — Excelente entrada em jogo, colocando Aursnes na cara do golo logo no terceiro minuto, com bilhante passe de primeira, e remate ameaçador de pé esquerdo, aos 5’. Trabalhou muito defensivamente, e teve alguns roubos de bola importantes, mas foi perdendo influência no ataque com o passar dos minutos e acabou por ser o primeiro jogador de quem Bruno Lage abdicou, até para ter à direita alguém que apoiasse de outra forma o adaptado Samuel Dahl.
6 Bruma — Estava a ter exibição discreta quando, aos 22 minutos, fugiu pela esquerda e, com dois gilistas por perto, encontrou o ângulo para um passe atrasado perfeito, convidando Aursnes a inaugurar o marcador. A assistência deu-lhe confiança e acabou a primeira parte com sinal mais, e dois remates de algum perigo, mas no segundo tempo foi-se apagando.
6 Belotti — Titular em vez de Pavlidis (única alteração em relação ao onze que iniciara a partida com o Rio Ave), esteve pouco em jogo nos 45 minutos iniciais, mas na primeira ocasião de que dispôs, já a abrir a segunda, não perdoou — desvio oportuno de cabeça a responder a passe, também de cabeça, de António Silva, com tantas ganas que foram bola, guarda-redes e ele próprio para o fundo das redes. Foi pouco? Foi o que era preciso.
5 Samuel Dahl — Entrou para lateral-direito, como já tinha acontecido na receção ao Barcelona, também por lesão de Tomás Araújo, e sentiu algumas dificuldades — foi pelo seu flanco que o Gil conseguiu arrancar as poucas investidas que deram sinal de vida no segundo tempo. Teve uma falha potencialmente comprometedora aos 64’, mas foi salvo por António Silva.
5 Akturkoglu — Foi a jogo para dar mais apoio a Dahl do que aquele que Amdouni estaria então em condições de proporcionar, e cumpriu essa missão, mas faltou-lhe mais serenidade e eficácia a atacar.
6 Di María — Regresso muito saudado à competição em Barcelos, e com pormenores que mostram quão importante ainda pode ser para a equipa do Benfica nesta reta final da temporada: arrancada e remate em jeito aos 78’, um pouco ao lado; centro açucarado para Pavlidis aos 88’, a que o grego não chegou por centímetros; e, mesmo a acabar, o penálti sofrido e depois convertido com classe para fechar as contas do jogo.
5 Pavlidis — Foi prejudicado pela forma como o jogo seguia, como o futebol do Benfica perdera propósito, e o melhor que conseguiu foi um remate de pé esquerdo para fora, aos 79’, após bom trabalho individual.
(-) Renato Sanches — Oito minutos a frio, com o jogo resolvido, e sem oportunidade de deixar marca.

OTAMENDI: A IDADE É SÓ UM NÚMERO

 


O mérito é fundamentalmente dele: foi a consistência que o levou de central questionado em determinado momento da época a nome consensual, indiscutível não só para o presente mas essencialmente para o futuro, a ponto de a sua renovação pelo Benfica, aos 37 anos, representar um ato tão natural como comer.

É do domínio do bom senso que Nicolás Otamendi prolongue a ligação às águias. Em primeiro lugar porque dificilmente ficarão os dois centrais com potencial de venda - Tomás Araújo e António Silva, um deles deve rumar a outras paragens porque o modelo de negócio continua a depender de saídas bem pagas; depois, a experiência continua a ser importante para o constante crescimento do elemento mais jovem de uma dupla; e em terceiro lugar (talvez a razão mais importante) porque não é fácil encontrar no mercado uma opção mais barata do que o custo dos salários do internacional argentino e com semelhante rendimento desportivo.
O antigo central da Seleção (provavelmente o melhor central português de todos os tempos) é e será sempre um caso à parte, mas começa a fazer sentido pensar que Otamendi poderá estar para o Benfica o que Pepe foi para o FC Porto na parte final da carreira – uma garantia de estabilidade num setor nevrálgico, voz de comando e exemplo do que deve ser um profissional de futebol ao nível dos cuidados com alimentação, descanso e restante treino invisível. E pensar, porventura, quantos mais anos (assim, no plural) poderá jogar de águia ao peito, tornando-se a Luz a casa onde ficará mais tempo (vai em cinco temporadas, tantas quantas as que esteve no Manchester City e mais uma que no FC Porto e no Vélez Sarsfield enquanto futebolista sénior).
Otamendi não é rápido, não é um ás na construção de jogo nem é particularmente assertivo nas bolas paradas ofensivas, mas também Pepe não era. No entanto tem consciência das suas limitações, um tipo de sabedoria que só se alcança no ponto mais alto da maturidade. Só dá o flanco quem pensa que pode ir a todas. E falha mais.
Basta ver o exemplo de Hummels: central de classe até aos 32/33 anos (foi, para muitos, o melhor da posição em certos períodos), perdeu protagonismo e impacto nas suas equipas (seleção alemã incluída). Dez meses mais velho, o argentino continua a ser capitão do Benfica e da seleção campeã do mundo. Há casos em que a idade parece ser mesmo apenas um número.

Fernando Urbano, in a Bola

"EM NENHUM OUTRO CAMPEONATO SE VÊ AS RECEITAS TELEVISIVAS CONCENTRADAS EM TRÉS CLUBES"



 Presidente da empresa responsável pelos anuários do futebol profissional, Miguel Farinha, abordou a centralização dos direitos, o investimento em infraestruturas e a carga fiscal aplicada ao futebol profissional.

Investimento em infraestruturas, centralização dos direitos e carga fiscal com taxa especial para o futebol foram alguns dos temas abordados pelo presidente da EY, empresa responsável pelos anuários do futebol profissional, em parceria com a Liga. Miguel Farinha entende que o investimento nos estádios terá como consequência uma maior afluência de público-
«O investimento em infraestruturas é essencial e os clubes percebem isso. Mesmo tendo dificuldades financeiras, vão fazendo melhorias nos seus estádios. Isso pode ser feito de várias formas. Uma que faz todo sentido é olhar para as receitas das apostas desportivas, cuja maior parte não vai para os clubes, e fazer uma repartição diferenciada, que permita usá-las para aumentar e melhorar as infraestruturas», disse Miguel Farinha, em declarações aos jornalistas, à margem da apresentação do anuário do futebol profissional em Portugal.
Com Benfica, FC Porto e Sporting a conjugarem 62 por cento das assistências, Miguel Farinha defendeu a necessidade de os outros clubes atraírem adeptos das regiões onde estão.
«Depois, é preciso saber fazer e acho que os clubes têm estado a fazer esse trabalho de atrair os adeptos para o clube da sua terra. Em vez de invariavelmente sermos todos adeptos de três clubes em Portugal, apoiarmos cada vez mais os clubes locais», apontou.
A comercialização centralizada dos direitos audiovisuais dos jogos, cujo decreto-lei foi aprovado em 2021, permitirá ao futebol nacional estar em pé de igualdade com outros campeonatos europeus, argumentou o responsável da EY em Portugal.
«Não é centralizar por centralizar, mas porque irá seguramente melhorar o futebol e trará mais receitas, sobretudo para os clubes mais pequenos. Em nenhum outro campeonato europeu se vê as receitas televisivas concentradas em três clubes, pois estão muito mais repartidas. Se conseguirmos ter melhores clubes de forma global, e não só nos primeiros três ou quatro classificados, seguramente haverá melhor futebol», vincou.
Miguel Farinha entende que a centralização dos direitos audiovisuais e o aumento da competitividade conduzirão a um crescimento que irá ter reflexo no desempenho dos clubes nas competições internacionais.
«É preciso que todos percebam que só têm a ganhar se trabalharem juntos para aumentar este produto e a forma como o futebol é vendido. Mesmo assim, reparem que estarão três potentados económicos europeus [Alemanha, Espanha e França] e Portugal na ‘final four’ da Liga das Nações. Nós conseguimos jogar de igual para igual nesta indústria», avaliou.
À semelhança de Pedro Proença, ex-presidente da Liga, o presidente da EY defendeu uma «taxa particular para a indústria do futebol» no que respeita à carga fiscal - o setor pagou 268 milhões de euros em impostos em 2023/24.
«Tem muito a ver com o IRS, que é uma carga pesadíssima. O ideal seria haver uma taxa particular para a indústria do futebol. Por exemplo, temos de gastar o dobro em Portugal face ao que se paga em bruto pelo mesmo atleta em Itália para que este receba o mesmo valor líquido. Isso traz imediatamente uma desvantagem competitiva gigante. Dentro da Europa, há diferenças significativas e é preciso entendê-las e tentar corrigi-las», advertiu.
Helena Pires, presidente da Liga Portugal, sublinhou esta quinta-feira a importância de exigir junto do poder político a «implementação de medidas inadiáveis para travar os custos de contexto que condicionam fortemente» o setor. A ideia foi defendida no discurso da cerimónia de abertura das Jornadas Anuais 2025, no Arena Liga Portugal, que junta as 34 Sociedades Desportivas.
«Este é sempre um momento especial para o universo do futebol profissional, e hoje é particularmente gratificante estarmos todos reunidos na nossa nova casa: o Arena Liga Portugal. Trata-se do maior tributo ao espírito que aqui nos junta, nestas Jornadas Anuais: o tributo à resiliência do futebol profissional, à visão que temos para o futuro da nossa indústria; a capacidade de trabalharmos juntos para construir esse futuro, que desejamos à imagem deste edifício: sólido e de vanguarda», disse a dirigente.
«É isso mesmo que, ao longo da última década, fruto da visão do atual presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, sempre com o contributo das Sociedades Desportivas, temos vindo a fazer nos grupos de trabalho, onde, ao longo de meses, se discutem melhorias a introduzir em todas as áreas nas nossas competições», sublinhou.
E juntou: «Mais uma vez participaram neste fórum todas as nossas Sociedades Desportivas, o que demonstra bem o espírito de união e agregação que, desde a primeira edição, nos inspira na construção de um futebol cada vez mais profissional.»
«Devemos orgulhar-nos deste caminho, desta mentalidade, deste profissionalismo e desta exigência que nos colocamos, sempre com o contributo das Sociedades Desportivas, que só claramente demonstram que a única coisa que os separa são os 90 minutos dentro do campo. Estas Jornadas Anuais constituem, também nesse capítulo, uma evidência importantíssima da capacidade desta indústria na defesa da integridade e da estabilidade das competições profissionais de futebol», notou.
«O vosso contributo para a solidez da nossa indústria supera as conclusões dos grupos de trabalho que, hoje, aqui serão apresentadas: ele começa no profissionalismo e na união em defesa da nossa indústria. Portugal prepara-se para um novo ciclo governativo e é importante que o futebol tenha esta força para defender junto do poder político a implementação de medidas inadiáveis para travar os custos de contexto que condicionam fortemente este setor económico. Juntos, temos mais força para nos fazermos ouvir e respeitar por aquilo que valemos», frisou Helena Pires.
O futebol profissional ultrapassou pela primeira vez superou os 1.000 milhões de euros de receita na época 2023/24, de acordo com o mais recente Anuário do Futebol Profissional Português apresentado pela Liga de Clubes em parceria com a empresa EY.
Conforme ilustra a oitava edição do documento, conhecido esta quinta-feira, as Sociedades Desportivas alcançaram um total de 1.073 milhões de euros em volume de negócios, um aumento de 83 milhões de euros em comparação com o período homólogo .Já o contributo para o PIB português, de 662 milhões de euros, desceu em cinco milhões de euros face aos 667 milhões de euros na época anterior, representando 0,25 por cento da riqueza nacional.
As 34 sociedades desportivas atingiram também um recorde de 4.436 postos de trabalho, num aumento de 27 por cento. As 18 sociedades do primeiro escalão empregam 3.239 pessoas: 1.928 funcionários afetos às áreas de suporte, gestão e administração, 989 jogadores e 322 treinadores. Entre 2022/23 e 2023/24, as remunerações cresceram de 364 milhões de euros para 424 milhões de euros, com os atletas (294 ME) a auferirem mais do que os funcionários (75 ME) e os técnicos (55 ME).
Por sua vez, o futebol profissional pagou 268 milhões de euro em impostos ao Estado (desembolsou 228 milhões de euros em 2022/23), tendo a Liga concentrado 89 por cento desse impacto fiscal, o equivalente a 238 milhões de euros, enquanto o pagamento de IRS e as contribuições sociais foram de 216 milhões de euros, 81 por cento do total.
No que respeita às assistências, 4,2 milhões de adeptos marcaram presença nos estádios em jogos da Liga e da Liga II, o que representa uma subida de 10 por cento em comparação com o ano anterior.
Lucro de 774 mil euros
Pelo nono ano seguido, a Liga teve resultados operacionais positivos, registando cerca de 29 milhões de euros em receitas. As competições profissionais representaram 75 por cento deste valor e a Liga fechou a época com lucros de 774 mil euros, tendo distribuído mais de 9,8 milhões de euros às Sociedades Desportivas.
Em 2023/24, as competições profissionais representaram 75 por cento dos 29,1 milhões de euros de receitas apresentadas pela Liga, que teve ainda 26,5 milhões de euros de gastos e fechou com a época com lucros de 774 mil euros, tendo distribuído mais de 9,8 milhões de euros às sociedades desportivas.
O organismo vai a eleições a 11 de abril, com José Gomes Mendes e Reinaldo Teixeira a concorrerem à sucessão de Pedro Proença, que foi eleito como presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
Vítor Maia, in a Bola

quinta-feira, 27 de março de 2025

DÉRBI VAI DECIDIR O TÍTULO

 


A Liga está de volta, após o interregno para os compromissos das seleções, com o Benfica a deslocar-se já esta sexta-feira a Barcelos para acertar o calendário. O jogo com o Gil Vicente é referente à 24.ª jornada, mas como o Sporting visita o E. Amadora logo no dia seguinte, a contabilidade do campeonato só ficará em dia na quarta-feira, quando os encarnados receberem o Farense. Aí, sim, será o momento mais indicado para começar a fazer prognósticos sobre o que sucederá na reta final, com ênfase, naturalmente, nas contas do primeiro lugar.

Diria que se tudo correr dentro da lógica, Sporting e Benfica, que considero os dois únicos candidatos ao título — FC Porto e SC Braga discutirão entre eles o último lugar no pódio —, entrarão para as últimas sete jornadas lado a lado. Favorito? Não arrisco.
Do meu ponto de vista, o Benfica conta com a vantagem de ter um melhor plantel. Mais extenso e com mais opções de qualidade para as várias posições, com exceção para a de lateral-direito, para a qual não se precaveu na reabertura do mercado e que se agravou com a lesão, grave, de Bah. Tomás Araújo tem resolvido bem a situação, mas não deixa de ser uma adaptação e o central poderá a qualquer momento ter de regressar ao eixo da defesa, na ausência de Otamendi ou António Silva. O mercado de inverno foi bem aproveitado, com Dahl, Bruma e Belotti a revelarem-se mais-valias — Manu Silva também o mostrou ser, mas uma lesão, também grave, traiu-o.
Já o Sporting continua a debater-se com muitas contrariedades, nomeadamente físicas. Mas mais do que as lesões, o problema do plantel dos leões é estrutural, uma vez que foi construído por e para Ruben Amorim, com excesso de opções para umas posições e défice para outras. A ideia era clara, mas apenas para o atual treinador do Manchester United... Com a saída deste para Inglaterra tudo, naturalmente, se complicou e Rui Borges, inteligentemente, tem tentado minimizar os estragos. Como na adaptação do central Debast ao meio-campo e, principalmente, ao ter abandonado o seu 4x3x3 e ter regressado ao 3x4x3 de Amorim, no qual, indiscutivelmente, os jogadores se sentem mais confortáveis.
A reabertura do mercado não foi aproveitada para equilibrar o plantel, acredito que por razões, sobretudo, financeiras. As contratações resumiram-se a Rui Silva, uma garantia de segurança para a baliza, e Biel, cuja contratação continuo sem perceber.
Os encarnados têm também a ser favor o maior tempo de trabalho de Bruno Lage, que substituiu Roger Schmidt à 5.ª jornada, e a fase ascendente da equipa. São já seis vitórias consecutivas para o campeonato. Já em Alvalade a época tem sido atípica. O que parecia um mar de rosas no início, num ápice se transformou em dias de tempestade, com João Pereira, o eleito pela Administração para manter a equipa em águas calmas, a não conseguir segurar o barco. Os leões caíram a pique no final do ano após a saída de Amorim e Rui Borges chegou no Natal para evitar que se afundassem. Isso conseguiu-o.
A qualidade do futebol está bem longe da apresentada nos primeiros meses da temporada, mas os resultados são aceitáveis, a nível interno, entenda-se. O ex-treinador do V. Guimarães estreou-se à 16.ª jornada e já cumpriu 11 jogos para o campeonato, com sete vitórias e quatro empates. A que soma um triunfo para a Taça de Portugal e uma vitória e um empate (com sabor a derrota, no desempate por penáltis com o Benfica) na Taça da Liga. Contas feitas, leva 18 jogos de leão ao peito e só foi derrotado na UEFA Champions League, na qual não venceu — dois desaires e dois empates.
Importante para as contas finais é também o calendário, com o Benfica a ter, em termos teóricos, uma ponta final mais complicada, com saídas, além de Barcelos, a Dragão, Guimarães, Estoril e Braga — Farense, Arouca e Aves SAD são os adversários em casa. Já o Sporting, depois da Reboleira, tem de visitar Santa Clara e Boavista, recebendo SC Braga, Moreirense, Gil Vicente e V. Guimarães. Os encarnados, contudo, têm neste capítulo a vantagem de defrontarem, nas meias-finais da Taça de Portugal, o Tirsense, o que permitirá gerir a equipa, com todo o respeito para a equipa do Campeonato de Portugal, enquanto os leões vão medir por duas ocasiões forças com o Rio Ave.
Fica a faltar um jogo, no qual, acredito, tudo vai decidir-se: o Benfica-Sporting, da penúltima jornada. Vantagem para as águias por jogarem na Luz e... vantagem para os leões — se, claro, até maio as atuais circunstâncias se mantiverem —, que poderão beneficiar de um eventual empate, já que na 1.ª volta venceram (1-0), em Alvalade, o dérbi.
Hugo do Carmo, in a Bola

O FATURAS...


NAS MEIAS-FINAIS DA TAÇA

 


Triunfo por 5-3 sobre o detentor do troféu, o SC Braga, após primeira parte de grande equilíbrio, colocou na agenda o encontro entre águias e Leões de Porto Salvo no jogo da próxima sexta-feira.

Jogo frenético em Matosinhos esta quarta-feira. Benfica e SC Braga entraram a todo o gás no jogo, determinados em carimbar o passaporte para as meias-finais da Taça de Portugal. A equipa de Cassiano Klein até entrou melhor em termos ofensivos, foi mais rematadora nos minutos iniciais, mas esbarrou numa muralha chamada Dudu na baliza dos bracarenses. Menos rematadores, os guerreiros do Minho, todavia, chegaram primeiro à vantagem, quando, aos 5 minutos, Ygor Mota assistiu Hemni, que rematou para o lado esquerdo de Léo Gugiel e desfez o nulo no marcador.
O Benfica correu atrás do prejuízo, mas a alta velocidade imprimida dos dois lados teve reflexos na eficácia de passe e foi preciso esperar praticamente até ao apito para o descanso para se voltar a gritar golo no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos. E que golo! Higor de Souza recebeu a bola de costas para a baliza, rodou e ludibriou tudo e todos ao picar a bola por cima de Dudu, fora do alcance do guarda-redes da equipa de Joel Rocha. O 1-1 ao intervalo espelhava bem o equilíbrio da primeira parte e a superioridade do acerto defensivo sobre o acerto ofensivo das duas equipas.




O Benfica voltou a entrar melhor no início da segunda parte, teve maior acerto no passe e também melhor pontaria, e operou a reviravolta no marcador aos 24', por intermédio de Jacaré, que, servido por Arthur, tirou Ricardo Lopes da frente e rematou para o 2-1. Quatro minutos depois, o SC Braga empatou, com Tiago Brito a aproveitar lance confuso à frente da baliza de Léo Gugiel para meter o pé à bola e devolver a igualdade ao marcador. No lance seguinte, porém, o Benfica voltou a colocar-se em vantagem, com Higor de Souza a bisar e a castigar os bracarenses após erro fatal de Ygor Mota, que perdeu a bola em zona proibida quando Dudu não estava na baliza e pagou caro, vendo os encarnados de novo na frente.
A partir daí, o Benfica foi quase sempre melhor que os guerreiros e chegou a vantagem de três golos no marcador. Primeiro, aos 30', Jacaré bisou, assistido por Arthur, que recebera a bola de Léo Gugiel; depois, aos 37', Arthur também fez o gosto ao pé, numa altura em que o SC Braga jogava em 5x4, com Tiago Brito como guarda-redes avançado. A perda de bola dos bracarenses foi fatídica e o brasileiro só teve de escoltar a bola até à linha de golo, fazendo o 5-2 a três minutos do fim. O Benfica estava com pé e meio nas meias-finais e, apesar do autogolo de Afonso Jesus aos 39', não deixou escapar o triunfo e marcou encontro com o Leões de Porto Salvo, também em Matosinhos, esta sexta-feira (20h30).

FAVORITISMO AFLITIVO

 


Um jogo vibrante aquele que se viu na Liga das Nações, frente a uma destemida Dinamarca. Impressionam os diferentes momentos que um mesmo jogo pode conhecer, balançando entre uma qualificação portuguesa prevista e uma realidade aflitiva. A eliminatória era incerta, tremida por uma derrota fora, que de positiva só teve mesmo a magreza do resultado adverso. Portugal entrou desta vez forte, mas rapidamente o cenário se equilibrou e complicou.

Trincão, já o jogo ia longo, depois de muitas emoções e condimentos vários, acabou por ser o elemento decisivo no duelo final. Com direito a pouco tempo, rentabilizou-o decisivamente, tornando-se o homem do jogo. Mesmo sabendo que hoje a Seleção é representada por um lote de jogadores cuja categoria é enorme e de difícil acesso, era de senso comum ver Trincão entre o lote regular dos eleitos.
Colega preferido de Gyokeres, o avançado português será neste momento dos dianteiros nacionais com maior dimensão. Não sendo fixo nem referência, é daqueles que aparecem para decidir, mas que nunca estão para serem marcados. Mostra-se pela agressividade da rápida progressão com bola, pelo drible e rara capacidade de remate que define resultados. Ele e Bernardo Silva, dois esquerdinos de exceção, foram os expoentes maiores deste triunfo mais suado do que o resultado. No caso do ex-jogador do Benfica, a distinção resulta do admirável labor e humildade coletiva que consegue juntar aos seus conhecidos recursos técnicos. Bernardo Silva é um excelente exemplo de maturidade de um atleta diferente.
Um dos jogadores portugueses em especial destaque foi também, na minha opinião, Rúben Dias. Implicado diretamente num golo adversário, a sua reação imediata foi a expressão imperturbável de um grande jogador. Sem mãos na cabeça ou semblante sofredor, olhou em frente e arrancou para um jogo de verdadeiro líder.
Opções e dúvidas
Antes do jogo, Ronaldo lembraria e bem, que as seleções e os jogadores se reúnem pontualmente e que tal não permite coordenações táticas como nos clubes. Esta questão leva-me para a escolha dos dois centrais que jogaram na Dinamarca. É aconselhável estrear uma dupla de centrais, base de qualquer defesa, num jogo fora e de previsível dificuldade?
Sobre o jogo destaco ainda os seguintes pontos:
— Juntar três médios de perfil marcadamente técnico, poderá ser arriscado, face a adversários fortes e que exigem poder físico e equilíbrio defensivo;
— O segundo poste nos cantos contra, foi alvo da Dinamarca. Um golo e uma oportunidade adversária, surgiram nessa zona, entregue somente a Bernardo Silva;
— A via aberta promovida por Martínez entre a bancada e a titularidade e vice-versa, de alguns jogadores, sendo legítima, é original mas estranha.
Eu ou eu
A pausa para as seleções trouxe a público o regresso de Courtois aos convocados belgas. Lembro que o mesmo tinha recusado integrar a sua seleção, por divergências com o anterior selecionador. Se esta podia ser uma boa notícia para os respetivos adeptos, não o foi para o guarda-redes que vinha sendo titular, Koen Casteels, que decidiu, agora ele, recusar ser convocado.
Concorrência é normal, mas este caso imagino que se explique também pela relação ou rivalidade pouco pacífica que já existia entre os dois. As seleções, como sabemos, vivem uma realidade específica. Os treinadores selecionam e decidem quem joga ou quem se senta à espera de uma oportunidade. Os escolhidos são normalmente titulares nos seus clubes e os estatutos respetivos são medidos pela grandeza dos clubes onde jogam. Notar que no seu regresso, Courtois ficou no banco, o que se compreende em função da sua ausência voluntária e do confronto com o anterior treinador.
A imperial vénia
António Simões, histórico do Benfica, aproveitando a justa homenagem que lhe foi feita na última gala Cosme Damião, recuperou a curiosa origem do ritual da vénia, única em Portugal, saudação habitual da equipa do Benfica aos seus adeptos.
No longínquo 1970, numa digressão ao Japão e para o espanto geral face ao rígido protocolo japonês, os Príncipes Herdeiros desceram ao relvado para cumprimentar os jogadores do Benfica. O normal era o inverso. Os atletas é que eram obrigados a ir venerar os herdeiros do Imperador! Tal rara consideração explica o porquê da adoção do costume oriental, seguido e respeitado até hoje.
A estreia da famosa vénia em Portugal, seria no mesmo ano, frente à CUF do Barreiro.
Inclinar o corpo é então, a forma de cumprimento mais tradicional do Japão desde o século VIII.
Foram muitas as vezes que fiz a vénia, sem saber a história invulgar que a iniciou, até agora. É, portanto, este especial gesto de respeito e humildade, que os atletas fazem aos adeptos benfiquistas, simbólico agradecimento do apoio que vem contribuindo para uma gloriosa história de sucesso.
Rui Águas, in a Bola

quarta-feira, 26 de março de 2025

39 27, OS NÚMEROS




"1. Campeonato e Taça de Portugal. São estes os objetivos da equipa de futebol do Benfica a pouco mais de dois meses do fecho da época de 2024/25. No que diz respeito ao Campeonato, o Benfica só de si depende. Quanto à Taça de Portugal, passa-se exactamente a mesma coisa, porque o Benfica depende apenas do seu esforço para a conquistar. O campeonato seria o 39.º, a Taça de Portugal, seria a 27.ª Impressionante, não?

2. Em Vila do Conde, sem favores de ninguém - e esta parte do 'sem favores de ninguém' é mesmo importante por ser uma grande verdade - , o Benfica fez o que lhe era suposto fazer, venceu o Rio Ave, somou os 3 pontos, regressou a casa com o seu dever cumprido e com o sabor extra de uma reação categórico e vitoriosa na parte final da partida quando, de repente, se viu empatado e soube 'desempatar-se' com muito querer e acerto. Rio Ave já está.

3. No sábado há dérbi feminino no palco principal da Luz. Quartos de final da Taça de Portugal. Benfica-Sporting, 18 horas. Vamos lá? Vamos, pois. Carrega, Benfica!

4. No Tribunal de São João Novo, na cidade do Porto, iniciou-se o julgamento dos arguidos da chamada Operação Pretoriano. Como é do conhecimento geral, esta operação do Ministério Público visa apurar responsabilidades criminais entre os protagonistas de uma noite da violência por ocasião de uma assembleia geral do FC Porto em Novembro de 2023. Foi, é e vai continuar a ser um assunto do FC Porto e, agora, um assunto dos tribunais, e não cabe dos benfiquistas opinar sobre essas matérias que, felizmente, não nos dizem minimamente respeito. Mas tem sido uma leitura educativa o noticiário sobre as perguntas levantadas pelos juízes e as respostas fornecidas pelos arguidos.

5. Não há necessidade de qualificar o teor e à qualidade do que se tem dito no Tribunal de São João Novo desde que o julgamento começou. E também não se vislumbra o menor interesse em estabelecer qualquer consideração ética sobre as lágrimas derramadas e os choros conclusivos na sala de audiências. Enquanto tiveram 'cobertura', foram todos uns grandes 'valentões' capazes das maiores 'proezas' que a imprensa regional e nacional cobriu durante décadas com palavras cautelosas em prol das curiosidades do 'tipicismo'.

6. Mas foi este bando de delinquentes que, objetivamente, mandou no futebol português durante décadas. Impôs uma ordem, intimidou muita gente e serviu um regime.

7. E foi esta gente que o ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol empossou como claque oficial da seleção nacional na Euro 2016. Foi esta matilha que andou por França a vender bilhetes no mercado negro. O ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol que assume agora a presidência do Comité Olímpico de Portugal. Será possível?"

Leonor Pinhão, in O Benfica