sábado, 26 de abril de 2025

A FIFA E A AREIA EXÓTICA



 Começou por ser uma relação difícil, e está a ser uma solução em desenvolvimento. Se é verdade que o futebol, em versão tradicional, mesmo com o conservadorismo durante muitos anos revelado pelo International Board (IFAB), sempre concitou as atenções do mundo, não é menos certo que o tempo tem dado razão à FIFA na sua ideia de jogo global, envolvendo, também e cada vez mais, o futsal e o futebol de praia (beach soccer na sua designação anglófona, sempre mais do agrado dos especialistas em marketing desportivo), nas suas dinâmicas, no seu seio, com a sua tarimba de grandes organizações e o significado qualitativo do seu carimbo internacional.

Não é, portanto, com surpresa, que o organismo que gere a bola mundial divirja cada vez mais na geografia dos seus eventos, sobretudo os que ao futsal e ao futebol de praia dizem respeito.
O Mundial de futsal do Uzbequistão foi um dos exemplos mais recentes, com um nível de organização a que os próprios uzbeques não estavam habituados, e que catapultou o nome do país da Ásia Central para as parangonas dos media desportivos.
Posso garantir-vos que os 25 dias que passei entre cidades do Uzbequistão, em setembro e outubro do ano passado, deixaram memórias visuais, culturais, gastronómicas e, sobretudo, profissionais inequívocas, e talvez inesperadas à partida.
É nesta ótica de desenvolvimento sustentado aliado a descentralização que surge o Mundial de futebol de praia, que começa, nas ilhas Seychelles, na próxima semana.
Uma derivação geográfica para o oceano Índico profundo, e para o país com menos população do continente africano. Menos de cem mil habitantes estruturam um arquipélago com 115 ilhas (a esmagadora maioria não habitada), e que, curiosa e antagonicamente, é o país africano com melhor índice de desenvolvimento humano.
Pelo meio da aposta turística, que constitui, afinal, a trave mestra da economia seichelense, surge a magna oportunidade de hospedar o primeira evento FIFA de futebol de praia em África e um dos primeiros no âmbito da entidade gestora do futebol mundial no continente. É uma chance dourada para as Seychelles e, sobretudo, para a ilha de Mahé, a maior do arquipélago e onde se situa a capital, Victoria, a sede da competição.
O futebol de praia tem evoluído drasticamente nos últimos anos, quer do ponto de vista competitivo (com cada vez mais nações envolvidas nas fases de qualificação, tendo 72 tentado a sua sorte para a prova deste ano…), quer em termos técnicos, na exata medida da melhor e mais qualificada preparação de técnicos e atletas para levar a cabo um desporto exigente, demolidor fisicamente e altamente competitivo e imprevisível nos seus desfechos.
Sobressai, justamente, o número que escrevi no parágrafo anterior: 72. São muitos países (alguns deles sem linha de costa e, portanto, forçados à montagem de arenas artificiais para poder desenvolver a modalidade e os seus protagonistas), o que dá forma ao crescimento gradual mas muito sincopado do futebol de praia numa perspetiva verdadeiramente universal.
Todas as (seis) confederações integrantes da FIFA dispõem dos seus planos específicos de desenvolvimento, alicerçados, claro está, nas perspetivas reveladas por cada um dos países que as integram e pelo interesse gerado para praticantes, técnicos, público e patrocinadores.
Porque, de facto, são estas quatro vertentes que sustentam o desenvolvimento de qualquer projeto desportivo de grande alcance, acompanhados por uma quinta, a mediatização e o engajamento da comunicação social, sempre à procura de espetáculos mais emotivos, menos previsíveis, até, do ponto de vista da rentabilização, mais vendáveis.
O Mundial 2025, em Victoria, nas Seychelles, constitui assim mais uma significativa oportunidade de consolidação e de sustentação de uma modalidade, há alguns anos, vista como anichada em determinados interesses e algo marginal para conseguir a imposição entretanto garantida no universo FIFA.
E também constitui essa oportunidade para Portugal. Na dimensão de uma nação virada ao mar e às conquistas, bi-campeã do mundo (fruto das vitórias em Espinho, em 2015, e no Paraguai, em 2019), e com algumas das figuras mais marcantes da história da modalidade. Madjer será sempre referência incontornável, mas nomes como os de Jordan Santos ou os irmãos Martins (Leo e Bê), são os pilares do balneário dos Heróis da Areia que permitem à equipa comandada por Mário Narciso (outro dos elementos mais importantes na estruturação da modalidade e do caminho das seleções nacionais) sonhar com uma prestação meritória.
São apenas quatro os conjuntos europeus presentes (Portugal, Espanha, Itália e Bielorrússia), qualquer deles à procura de bater o pé e levantar areia no caminho do campeão mundial Brasil, que volta a surgir no oceano Índico como alvo primeiro, após ter conquistado o seu sexto título há dois anos, no Dubai.
De onde, curiosamente, chega o estádio. A Paradise Arena foi desmontada nos Emirados Árabes Unidos e transportada para as Seychelles, onde já está pronta a receber o Mundial mais exótico e, também por isso, mais apetecível.
Lá estarei, à espera que, como sucedeu no Uzbequistão, esta possa ser mais uma aposta ganha na verdadeira globalização do Planeta Futebol…
Cartão branco
Chegou, viu e está praticamente campeão. A diferença entre holandeses, no futebol inglês, escreve-se em organização e títulos. Arne Slot, transferido do Feyenoord há menos de um ano e com a responsabilidade enorme de fazer esquecer Jurgen Klopp, está à beira de devolver Anfield aos títulos, de fazer retornar o Liverpool à matriz máxima de campeão em Inglaterra. O seu compatriota Erik ten Haag (que, nos Países Baixos, havia sido rival no Ajax), teve menos sorte, porque os patamares estruturais do Manchester United estão, neste momento, a anos-luz do necessário e suficiente para lutar pela coroa máxima.
Cartão amarelo
A disciplina interna é um elemento não apenas estruturante, como absolutamente inegociável uma equipa desportiva de alto rendimento. A noitada de jogadores do FC Porto, cujos contornos foram amplamente noticiados e comentados ao longo dos últimos dias, deve ser exemplarmente a avaliada, retaliada e punida pelos responsáveis azuis e brancos, sob pena de perderem definitivamente o respeito e o controle do seu grupos de futebolistas profissionais. Se é verdade que já não há objetivos maiores, do ponto de vista competitivo, para os portistas, nesta temporada, é igualmente certo que o próximo se começa a preparar no imediato. E isso inclui o inevitável exemplo de disciplina interna.
Rui Almeida

DI MARIA E OTAMENDI: É ALTURA DE SE FECHAR O CICLO

 


Ángel Di María e Otamendi não voltarão a ser mais novos ou tão decisivos como foram antes. A sua influência já não justifica a renovação e pelo menos o setor defensivo reclama um novo líder.

O mais difícil numa organização é encontrar o planeamento perfeito, em que todas as peças do puzzle encaixem, espacial e temporalmente. Um clube, porque a análise deve ser feita de um plano superior ao da equipa, não é diferente. Plantel, formação e prospeção devem relacionar-se entre si de forma fluida, a fim de que não haja sobreposições. É que uma decisão de mercado refletir-se-á sempre no futuro de alguém do plantel ou que esteja a ser formado, seja na perspetiva de evolução ou até de futura venda. O mesmo se passa com uma renovação, em que ainda é preciso fazer contas ao rendimento de acordo com a idade.
Nos últimos dias, porque se aproxima o final da época e o término da carreira de parte dos principais craques vendidos para clubes estrangeiros, nomes como os de Bernardo Silva, João Félix, Nélson Semedo, Lindelof e Ederson batem à porta do Benfica, tal como Di María há dois anos ou Rui Costa há ainda mais tempo. É um processo natural. Porque a liga portuguesa é tudo menos atrativa, o único problema é que, quando a oportunidade aparece, parece já ser tarde demais, com os interessados com pé e meio reforma dentro. Desta vez, não é caso, mas até por isso parece cenário pouco provável.
Os encarnados não poderão, obviamente, atacar todos, e eventualmente há quem ainda não faça sentido atacar. Bernardo acha-se longe do adeus e mais ainda Félix, para quem o discurso soará irrealista. É provável que para ambos, e ainda que pudessem ser referências para a equipa, não seja agora. Já Lindelof não tem perfil de patrão para a defesa e Ederson taparia a evolução de Trubin. Semedo terá outras opções.
Para abrir novo ciclo, é também preciso fechar outros. Nenhum jogador, por melhor que seja, vai para mais novo, mesmo que não tenha havido cuidado para se lhe preparar a sucessão. O ciclo da liderança de um Otamendi que cada vez mais acumula erros – acaba sempre melhor as temporadas do que as começa – já se deveria ter começado a fechar há vários mercados, com o fortalecimento e renovação do setor. O de Di María, que se vê mais acossado por lesões e participa com argumentos de fora de série apenas no momento da definição, também está no fim. Ainda mais porque a equipa soube responder quando não esteve.
O extremo foi dos melhores estrangeiros por cá, mas a lógica diz-nos que será cada mais difícil impor-se nas partidas, como acontece com o capitão. Por isso, o adeus dificilmente poderá ser um drama.
Luís Mateus, in a Bola
Obs: Eu entendo como lhes lhes faz urticária o Otamendi e o Di Maria para os junta letras os quererem fora do Benfica, é sinal quem ainda são muito importantes para o clube...

PRESTIANNI SÓ PODE TER BICHO

 


Há um plano para Prestianni!» As palavras são de Bruno Lage, ditas convictamente há semanas. Soubemos, entretanto, através de A BOLA, que o processo estipulado para o jovem não está concluído, que o treinador principal e a restante equipa técnica continuam a poli-lo, a fim de que se transforme no belo diamante de muitos quilates que viram quando o descobriram nas Pampas argentinas, depois de um garimpo com investimento de 9 milhões de euros.

Nos intervalos da execução do planeado, Prestianni pontuou aqui e ali na B e jogou as duas mãos das meias-finais da Taça com o Tirsense. Não foi titular. Entrou no decorrer dos dois jogos e, mesmo assim, acabou entre os melhores. Depois de Barcelos e do golo e da assistência, voltou à sombra. Agora, muito provavelmente, para lá novamente voltará. E talvez já não o voltemos a ver esta época.
Esta é, normalmente, a altura em que relativizamos: o Tirsense compete no quarto escalão, o que facilita e potencia melhores exibições. Só que o contexto do miúdo que aprendeu a dar os primeiros pontapés nas canchas de Ciudadela é aqui o mesmo que tiveram Tiago Gouveia, Dahl, António Silva, Florentino, Barreiro, Schjelderup, Bruma, Arthur Cabral, Belotti e Amdouni, só para citar os mais habituados às chamadas de Lage. Algum deles terá sido melhor?
Além disso, com a eliminatória mais do que resolvida, o treinador resolveu brindar os adeptos com um absolutamente desnecessário 4x4x2 raso, com dois médios de contenção, ainda que com algum usufruto de liberdade por parte do luxemburguês, mas sem qualquer lampejo de criatividade. Juntou-lhes dois avançados-centro parecidos, nada associativos, e alas e laterais com ordem para subir.
Os ataques esbarraram em bolas perdidas no corredor interior e os cruzamentos, para os quais a equipa estava naturalmente condicionada pelo onze elaborado, foram com maior ou menor dificuldade controlados pelos de Santo Tirso. Uma ou outra bola em profundidade, as individualidades, as bolas paradas e o desgaste físico nos visitantes acabaram por criar o resultado, porém não a exibição ou sequer o conceito de utilidade para as águias. É claro que Hugo Félix, Tiago Gouveia, João Veloso e outros agradecem os minutos, mas estes não significam necessariamente que passaram a ser aposta. Ficarão até ver apenas como memórias.
Em vez de aproveitar para trabalhar o ataque posicional, problema de há muito, ou testar jogadores diferenciados, o técnico das águias escolheu um caminho que só ele vislumbrou e entende. A segunda mão da meia-final com o Tirsense serviu sim para constatar os problemas de sempre, agravados pelo menor número de soluções no relvado.
Atenção, não acho que La Pulga deva ser favorecido em relação aos demais jovens do Seixal – tanto a formação como a prospeção têm andado um pouco à sua sorte nos últimos anos no clube –, no entanto, também aqui há diferenças. Prestianni era titular no Vélez, um dos principais clubes argentinos, e só perdeu esse estatuto depois de problema disciplinar. Já tinha, vale o que vale, rótulo de novo Messi e vários tubarões europeus atentos.
O Benfica antecipou-se e o argentino viajou antes dos 18 anos para se ambientar à cidade e ao clube e, por fim, assinar legalmente. Entretanto, lesionou-se, somou alguns jogos pela equipa B até que Roger Schmidt, durante a última pré-temporada, começou a acreditar que poderia ser ele a desempenhar o papel de ligação entre meio-campo e ataque, como segundo avançado.
Não resolveu todos os problemas da equipa, porém também não foi apenas por ele que o arranque foi trémulo. Schmidt saiu após o empate com o Moreirense, o seu último enquanto titular. Perdeu o lugar para Rollheiser na estreia de Lage e depois foi Aursnes a ocupá-lo, ainda que tenha entrado nos três jogos. Lesionou-se, falhou quatro partidas e ainda voltou ao banco em três da Liga, sem pisar todavia o relvado. Caiu finalmente no esquecimento. O mesmo foi acontecendo com o compatriota, também ele alguém em que Schmidt depositava confiança.
Admito que Prestianni peque pela personalidade. Em campo, das poucas vezes, vimo-lo algo fechado em si mesmo, sem falar, preferindo dialogar com combinações e passes decisivos, e irreverência ainda na altura de atirar de longe. Quando festeja também se sente a arrogância de quem sabe o que vale. Somam-se as tatuagens. Eventualmente lgum comportamento fora de campo. É possível, já o tinha tido na Argentina. Se houve, será que em vez de se tentar formatar, não se pode canalizar essa personalidade, essa necessidade de se expressar, essa arrogância positiva, de forma útil?
Não vemos tudo, não sabemos tudo, mas o que parece óbvio é que não há um plano ou se há não é para que todos o percebam. Tenho dúvidas de que esta seja a melhor gestão de uma grande promessa em que o clube realmente acredita, que vê explodir no próximo ano, por exemplo. Prestianni não é um jogador de equipa B, nunca deveria ter por lá passado, a não ser que fosse para recuperar de lesão ou o ritmo.
Chateia-me o preconceito, o não saber lidar com a diferença. Best, Maradona, Cantona, Garrincha, o futebol tem mil e um exemplos de jogadores que não só pensavam fora da caixa como tinham de viver todos os minutos foram dela, num mundo só eu, para que pudessem ser geniais. No caso de Prestianni, e depois de vários erros de análise no passado, o Benfica tem de voltar a perguntar-se: o que é que o argentino tinha de especial quando o contrataram? Perdeu-o irremediavelmente? Deram-lhe todas as condições para desenvolver o potencial? Tomaram todas as decisões mais indicadas? Integraram os treinadores no processo? Traçaram, agora sim, em conjunto, o tal plano?
Nem todos os jogadores cumprem as expetativas, mas na Luz nunca esteve um, que me lembre, que recolhesse tantas, sobretudo no seu país e na Europa, ainda que sobretudo para lá das fronteiras de Portugal. Será que Rui Costa e Bruno Lage já desistiram? Acreditam que Prestianni já veio assim ou entretanto ganhou bicho?
Luís Mateus, in a Bola

sexta-feira, 25 de abril de 2025

DÉRBIS À VISTA? "UM DIA À LA VEZ"

 


É cada vez mais difícil acompanhar o futebol português com interesse através dos protagonistas. Os jogadores só falam em flashs apressadas e com assessores ao lado que insistem naquelas frases cheias de nada. Os treinadores são os mais expostos, mas não parecem gostar muito disso (vi recentemente o documentário sobre Luis Enrique e este confessa que abdicaria de 25% do seu salário se não tivesse de responder a perguntas dos jornalistas). Já os presidentes sabem que quando falam, muito raramente, tudo pára para os ouvir. O mais expectável é que tenham algo para se queixar, mas também há uma tendência para o autoelogio quando as coisas correm bem, não vá alguém esquecer-se do quão importantes eles são.

Frederico Varandas decidiu falar aos jornalistas no final da vitória sobre o Rio Ave, que carimbou o passaporte do Sporting para a final da Taça de Portugal. Digo falar aos jornalistas, mas tratou-se mais de um monólogo com microfones à frente, uma vez que, a cada pergunta que tentava interromper a sua dissertação, o presidente dos leões sorria, não respondia e seguia em frente com o seu propósito. A mensagem a passar era um elogio ao plantel e ao treinador pelo superar de todas as adversidades esta época - tendo Varandas aproveitado a sua formação clínica para enumerar as lesões que afetaram a equipa - e ainda um apelo aos adeptos para um reforço do apoio nesta reta final onde tudo se irá decidir. Nada contra, mas para isto bastava um vídeo inspiracional nas redes sociais do Sporting.
Antes disto, já Bruno Lage tinha aproveitado a conferência de antevisão do encontro com o Tirsense para questionar um jornalista sobre os seus conhecimentos. Não é a primeira vez que o treinador do Benfica se antecipa às questões mais difíceis (neste caso, os amarelos forçados de Florentino e Di María), ou que se prepara para responder com um sorriso em forma de ataque. Nada contra o respeito pelo Tirsense e a concentração para a meia-final da Taça, mas os jornalistas não fazem as perguntas a pensar no foco de Lage ou do Benfica. Fazem-no para esclarecer, mesmo os adeptos que não gostam nada do nosso trabalho e que até aplaudem cada vez que algum protagonista brinca com este.
O que é certo é que vêm aí dois emocionantes dérbis e estamos focados, temos um plano e vamos trabalhar muito. Não adiantei nada de especial, mas estou só a entrar na onda. Um dia alguém há de perceber como tudo isto é desinteressante e afasta adeptos. Mas enfim, é como diz a sábia tatuagem: um día à la vez.
Catarina Pereira, in a Bola

EM CONTRAMÃO

 


Neste espaço de opinião, já abordei os dois maiores problemas sobre a cultura de trabalho e das organizações em Portugal: realizar um verdadeiro projeto e estratégia, e alinhar todos os que interessam em prol de um objetivo e compromisso comum. Nos últimos meses no futebol, temos observado outro: a incapacidade das pessoas em assumir, observar, entender — nem sei qual o melhor verbo — os factos e a informação que nos rodeia. E, tal como opinião não é ciência, convém não usar os factos como opinião.

Para o Mundial de Clubes, a FIFA nomeou 35 árbitros principais e 58 assistentes, com 24 a exercerem funções de VAR. E nenhum é português. Em tempos percebi melhor a tarefa árdua que é apitar, mas ignorar que vão 117 agentes de arbitragem e nenhum é português deveria levar os seus responsáveis a agir.
É verdade que podem andar ocupados a responder aos clubes que constantemente responsabilizam os árbitros pelo seu insucesso, mas se calhar o organismo que gere os árbitros também anda demasiado ocupado a responsabilizar os clubes ao afirmar que a intranquilidade é a principal razão para a falta de qualidade dos árbitros. Sejamos sinceros: algo se passa, ninguém guarda os melhores atores para o festival da aldeia em vez dos festivais mundiais.
O novo presidente da Liga Portugal tomou posse e assumiu, entre vários desafios, que, até ao dia de hoje, ainda não há nenhuma proposta de aquisição dos direitos televisivos. Uns dirão que ainda falta muito tempo, mas creio que, mesmo com as várias reuniões com todos os operadores e plataformas de distribuição de conteúdos a acontecer em breve, dificilmente se chegará a uma proposta nos valores pensados quando se iniciou este projeto.
Sou contra o projeto? Claro que não. Aquele número era viável na altura? Não sei responder. Mas há vários anos, pelo menos dois ou três, que se começou a perceber os problemas de outras ligas, como a francesa ou a dos Países Baixos, em conseguir valores que nos fizessem estar otimistas. E aqui temos de ser mais exigentes: pouco ou nada se fez para melhorar esta situação, ou pelo menos, com o efeito pretendido.
E o problema não é andar em contramão. Às vezes até é positivo, e é assim que nascem algumas das melhores ideias e visionários. O problema mesmo é não entender o sentido correto para os seus objetivos e contestar quando se começa a perceber que não se vai alcançar o objetivo, mesmo sem se perceber qual é a direção certa.
Rui Lança, in a Bola

JAMOR, LÁ ESTAREMOS

 


"Benfica 4 - 0 Tirsense

Começo pelas fotos, porque os que nelas me acompanham bem o merecem: Na de cima, a dona Maria, grande Benfiquista do Porto, que sem medo se veste com os nossos adereços e assim circula indiferente às provocações pela cidade.
Na de baixo, o José Manuel Oliveira, de Famalicão, e o António Ferreira Ferreira, de Viseu, mais dois heróis que em dia de jogo a feijões fizeram centenas de quilómetros para marcarem presença na Catedral.
Quantos Benfiquistas estarão hoje na Luz? Quarenta mil? Já seria um bom número. Mais à frente, mais perto do fim do jogo, saberemos. Nova oportunidade para ver jogadores menos utilizados. E a equipa a jogar em 4-4-2.

E VAMOS AO JOGO! (desde o meu lugar de Fundador)
15 por mais lento que possa estar a ser o nosso jogo, a grande interrogação que paira no estádio é esta: a que minuto será o primeiro golo? E a segunda dúvida: por quantos vamos ganhar?
23 Samu a ser assistido, Lage com todos os outros junto de si para lhes dar indicações. Vamos acelerar o jogo? Schjelderup tem sido o único a agitar isto.
28 Florentino a querer molhar a sopa do meio da rua: três pontos para o País de Gales! Valeu a sugestão que deixou aos homens da frente: temos que rematar!
31 o Arthur Cabral, lançado pelo António, entendeu o recado do Tino: belo remate, grande defesa do redes deles.
37 o António está a fazer uns belos passes longos, longuíssimos até.
40 isto não está mesmo a pedir o Prestianni?
42 o redes deles a brilhar outra vez a grande nível, agora a remate do Tiago. E assim vai aguentando o jogo a zeros.
45+1 ora até que enfim: António a aproveitar um remate falhado do Barreiro e a emendar quase em cima da linha de golo: um-zero. Demorou mais do que se esperava...
45+2 primeira parte em ritmo de jogo de pré-época, só não vão entrar é onze novos para a segunda. 48 e já lá vão dois golos perdidos.
50 o Bruma está um bocado fução. Talvez por ter estado tantos jogos à míngua.
55 eles parece que já não aguentam, já não saem lá de trás. Mas, tal como lá, têm umas entradas durinhas.
60 Lage bem gesticula a pedir mais velocidade, trocas de bola mais rápidas. Vem aí Prestianni. E João Veloso. E Amdouni.
64 Prestianni a primeira vez que toca na bola é logo com classe a deixar Amdouni na cara do golo. Este miúdo tem futebol, um dia vingará no Benfica, assim o espero.
74 grande jogo do redes deles. E finalmente um canto aproveitado com Bajrami a empurrar em cima da linha de golo. Um prémio merecido para o jovem central que está a fazer um bom jogo.
48.601 na Catedral. Muito bom número para o jogo que é. Muito bom mesmo!
78 Ederson, aliás Samu, a isolar o Tiago e este a assistir o Belotti, que não perdoa: três-zero. Bonito! 90+1 mais um canto, mais um golo marcado com o pé em cima da linha, agora Barreiro: quatro-zero. Resultado mais de acordo com o que se passou no jogo.
90+2 palmas para o Tirsense, do quarto escalão, que veio aqui dar tudo o que tem para dar. Dia 25 de maio será no Jamor com o Sporting. Carrega BENFICA!"

Jaime Cancella de Abreu, in Facebook

quinta-feira, 24 de abril de 2025

BENFICA: ROLETA POPULAR



 Muita da popularidade do futebol relaciona-se com a sua variabilidade e incerteza relativamente ao que no jogo seguinte possa acontecer. As previsões muitas vezes saem furadas e poucas certezas existem. Não importa o que antes se fez porque o que se segue nunca é garantido.

Da goleada do Benfica no último clássico ao empate com o Arouca em casa, passou só uma semana. Dois episódios bem diferentes em que o título do segundo poderia ser: Muito rematar e pouco acertar. A última versão vivida em Guimarães trouxe, ao contrário, uma economia rematadora da equipa, mas uma invejável pontaria. Tudo isto em três jogos consecutivos. Uma verdadeira roleta para os adeptos. Para quem se tem queixado, com razão, de falta de eficácia atacante do Benfica, teve então a resposta em Guimarães.
O Vitória, sempre confortável em casa, entrou ameaçador e quase marcava no minuto inicial. Já o Benfica aguentou e marcou sem avisar, o que surpreende e afeta duplamente a equipa que sofre sem esperar. Trubin foi a principal figura, mas a equipa soube sofrer e aproveitar inteligentemente os espaços para atacar. Do apoio frontal que garante na ligação do ataque, ao desequilíbrio que uma receção perfeita provoca, juntando a variação para o lado contrário, até à conclusão final. Assim se escreveram os passos do primeiro golo de Pavlidis. Semear na construção para mais à frente colher foi o que fez o goleador grego. Kokçu, Akturkoglu e mais tarde Schjelderup foram os outros veículos fundamentais do ataque rápido da equipa.
A repetir: Trubin memorável; Pavlidis em alta; coesão e eficácia da equipa em grande destaque.
A evitar: ter a posse de bola determina o controlo da partida. Mesmo tendo ganho o jogo, dá-la ao adversário não é nunca um princípio saudável e pode trazer problemas, como quase aconteceu. Ficou visível a extrema dificuldade nos duelos aéreos, mesmo considerando a estatura de Relvas e Villanueva, que podia ter dado golos ao Vitória e complicado as contas. Mesmo marcando, Pavlidis e o fora de jogo têm uma relação ainda demasiado próxima, algo que um avançado evoluído deve procurar ajustar.
Negativo: a lesão de Di María afasta um jogador de alta definição da última fase onde tudo se define.
Baliza a baliza
Baliza a baliza era um jogo popular de rua, disputado mano a mano. Cada miúdo defendia o seu portão e atacava o portão em frente, com a rua ao meio. Isto só era possível no tempo em que poucos carros passavam... Hoje, que falamos de futebol profissional, todas as posições são fundamentais e o poder coletivo crucial, mas ser guarda-redes ou goleador de uma equipa será sempre diferente e muitas vezes decisivo. Na dúvida, basta lembrar aquilo que as defesas de Trubin e os golos de Pavlidis representaram na última vitória do Benfica. Nas balizas se faz a história, atacando ou defendendo.
Da frente para trás
Descer no campo para crescer na carreira. É provavelmente o que está a acontecer com Tiago Gouveia, ala de formação, que tudo indica, será lateral-direito residente daqui em diante. É uma operação de mudança de hábitos, que considera as realidades dos atletas em questão: as suas caraterísticas e valências, mas também a concorrência que enfrentam para as posições que podem ocupar. Paulo Ferreira, outro caso bem expressivo, foi um médio transformado em defesa que brilhou por cá e no Chelsea, sendo um exemplo passado de grande sucesso. Quanto a Matheus Nunes, internacional português do Manchester City, foi recentemente classificado por Pep Guardiola, como um jogador cujos argumentos não são suficientes para jogar na zona central da sua equipa. Compreendo, tendo em conta o nível dos seus colegas de setor... Na última partida foi decisivo com uma assistência feita, mas surgindo de zona lateral.
Segundo dados da sua Liga, é dos jogadores mais velozes da Premier League, mas, na opinião do seu treinador, não suficientemente esclarecido para decidir rápido e bem na zona central onde o tráfego é intenso.
Patinho feio
Poucos jogadores têm despertado tanta crítica, até gozo e desrespeito, como Harry Maguire, defesa-central do Manchester United e da seleção inglesa. Eleito o alvo preferido da imprensa e dos próprios adeptos, há já largo tempo. Ruben Amorim, mesmo em dificuldade, não prescinde da sua utilização e saberá porquê. Um treinador que acredita e por isso insiste, ignorando o maldizer do povo. Afinal, quem melhor conhece o atleta é quem o treina dia a dia e não quem fala de futebol entre cervejas britânicas. Memorável a recente reviravolta com o Lyon justamente selada por Maguire, premiando alguém que muito tem passado.
A sua capacidade mental resistente faz dele um exemplo na defesa da sua equipa e o seu hábil cabeceamento torna-o um herói especial de uma noite inesquecível.
Rui Águas, in a Bola

O FRACO E PROMISSOR ÁLVARO CARRERAS



 «Mais uma má gestão», «flop», «fracote e mediano», versus «boa margem de progressão, boa compra», «vai ser figura este miúdo no próximo ano», «tem muito potencial e talento». O futebolista em causa é Álvaro Carreras, 22 anos, que só viveu meia época acossado pelas saudades que muitos benfiquistas sentiam de Grimaldo. Os comentários foram recolhidos de duas notícias de A BOLA no Facebook sobre a compra dos direitos económicos do lateral-esquerdo ao Manchester United por €6 milhões.

Uma pechincha, como hoje se percebe, ainda que os ingleses tenham a possibilidade de recomprar o seu passe por €20 milhões. Normalmente nunca abro comentários. Não são um verdadeiro barómetro do sentimento dos adeptos, porque poucos podem sobrepor-se a milhões. Basta ter mais vontade, o acesso é livre e o País também. Por razões profissionais tenho de utilizar a rede social X, que, isoladamente, já enche de satisfação o meu lado negro, sem que o outro lado, o mais social e divertido, saia saudável desse confronto.
Contudo, talvez Carreras seja um dos casos em que a divisão de águas se tenha aproximado mais da realidade. Naquela meia época no Benfica viu-se de tudo: um lateral promissor, por vezes desajeitado, outras destemido, um jogador capaz de se rebelar e encolher numa fração de minutos. O que o Benfica viu foi todo o seu potencial, com a vantagem de o poder estudar nos treinos. Fez uma grande compra. Agora o desafio é não se ver forçado a fazer uma venda fraca. Quem diria? Pela amostra, muitos...

Pascoal Sousa, in a Bola

JAMOR ESTAVA GARANTIDO, FOI SÓ ASSINAR POR BAIXO



 Tirsense não incomodou o Benfica, mas chegou a divertir-se. António Silva (45+3) marcou pouco antes do intervalo, Bajrami (75') e Belotti (78') aumentaram a vantagem quando o jogo caminhava para o final e Leandro Barreiro (90+1) fechou o resultado na compensação do segundo tempo.

Pum, está feito: Benfica na final. Era o que se esperava. Desde o sorteio e, sobretudo, desde o 5-0 da primeira mão. Sabiam os jogadores e sabiam os treinadores (o do Tirsense chama-se Emanuel Simões). Por muito que Bruno Lage tivesse frisado o respeito que tinha pelo adversário, o passaporte para o Jamor estava garantido. Se assim não fosse, Lage tinha posto mais carne no assador. Mas não pôs. Colocou apenas muita alface na saladeira, com António Silva e Florentino a serem os únicos habituais titulares na ficha de jogo.




O Tirsense entrou com um onze praticamente igual ao da primeira mão. O treinador da equipa do quarto escalão do futebol português (chama-se Emanuel Simões) optou por apenas duas trocas: Gonçalo Cardoso e Alex Reis por André Fontes e Júlio Alves. Sabia que a passagem à final era impossível (só o FC Porto, na Supertaça de 1996, ganhara por cinco de diferença em casa do Benfica) e, assim, a ideia seria divertir-se e tentar incomodar os encarnados.
Não conseguiu. Teve apenas um remate enquadrado com a baliza de Samuel Soares, facilmente defendido pelo jovem guarda-redes. Porém, se não incomodou, teve bola para jogar, esticou-se pelo relvado e, até quase ao intervalo, foram poucas as vezes em que a baliza de Tiago Gonçalves esteve em verdadeiro risco.
Apenas em três, aliás. Leandro Barreiro (16’) desviou, de cabeça, rente ao poste, na sequência de pontapé de canto; mais tarde, Arthur Cabral (31’) tem bom remate sobre a direita, já na área e sem oposição, com o guarda-redes do Tirsense a desviar pela linha de fundo; por fim, foi a vez de Tiago Gouveia (42’) incomodar o homónimo Gonçalves.
O jogo encaminhava-se para o intervalo e o 0-0 mantinha-se, o que, claro, dava algum encanto à exibição do Tirsense. Porém, aos 45+3’, na sequência de um primeiro remate de Leandro Barreiro, António Silva desviou para o primeiro do jogo. Momento de satisfação para o treinador do Benfica e de desilusão para o do Tirsense (chama-se Emanuel Simões). Levar o 0-0 para o intervalo seria uma mini-prenda para o Tirsense.




Calculava-se que a segunda parte fosse muito mais complicada para o Tirsense, pois os seus jogadores não estão habituados a jogar num relvado tão grande e frente a uma das equipas mais poderosas de Portugal.
Mesmo assim, Tirsense, tal como o Benfica, reentrou com o mesmo onze. Talvez por isso, os encarnados começaram a encostar o adversário bem mais para junto da sua área, embora sem grandes lances de perigo.
Pouco depois da hora de jogo, os dois treinadores decidiram mexer, finalmente, no onze. O do Benfica fez entrar João Veloso, Prestianni e Amdouni para os lugares de Florentino, Bruma e Schjelderup e o do Tirsense (chama-se Emanuel Simões) trocou André Fontes por Alex Reis. Pouco depois, mais mexidas nos visitantes: Daniel Rodrigues, Bernardo Mesquita e Júlio Alves por Geovanny, Túlio e Diogo Gonçalves.
O Tirsense refrescava-se, mas logo de seguida, no espaço de três minutos (75’ e 78’), Bajrami e Belotti elevaram o marcador para 3-0. Fechava-se o resultado da Luz, pois a meia-final há duas semanas que estava fechada.
Faltava mais uma pequenina cereja no bolo encarnado e esta, tal como no primeiro tempo, apareceu na compensação. Canto de Prestianni, desvio de cabeça de António Silva e, por fim, Leandro Barreiro a marcar o nono da eliminatória: 5-0 mais 4-0.
O treinador do Benfica (chama-se Bruno Lage) vai ao Jamor e o do Tirsense (chama-se Emanuel Simões) regressa a casa com a satisfação de, durante 45 minutos, ter complicado um pouco a vida aos encarnados.
DESTAQUES DO BENFICA:
Centrais em grande, com golos e tudo, Dahl e Barreiro a jogar com toda a seriedade; estreias na equipa principal para João Veloso, André Gomes e Hugo Félix.
O melhor em campo: António Silva (7)
O encontro não foi tão fácil como a diferença entre as equipas poderia sugerir, António Silva teve de ser sério e honrar a braçadeira de capitão de equipa e não facilitou, assumindo defensivamente perante um Tirsense atrevido, mas sobressaindo também pela execução de passes longos, normalmente bem direcionados. O melhor deles surgiu ao minuto 31, a lançar Arthur Cabral, que ficaria perto golo. O golo, todavia, pertenceria ao central, que desviou na passada, a um metro da baliza, bola cabeceada por Belotti. 1-0, aos 45+3'. Manteve o nível na segunda parte, já com menos trabalho, e ainda apareceu novamente em zona de golo, pertencendo-lhe o cabeceando que conduziu a bola até Tiago Gonçalves e, depois, até à recarga vitoriosa de Leandro Barreiro. O dono da braçadeira, Otamendi, deve ter gostado.




Samuel Soares (6) — O guarda-redes do Benfica encaixou bem bola de Daniel Rodrigues, que rematou de longe, aos 45+2', e no segundo tempo deu nas vistas com passe de 50 metros a isolar Tiago Gouveia na direita. Competente com os pés e no ar.
Tiago Gouveia (7) — Nem todo o seu futebol foi tão elegante como certamente gostaria, mas desequilibrou na direita. Bela ação ofensiva aos 19', entregando a Arthur Cabral, boa combinação com Bruma, aos 37', e remate perigoso de fora da área aos 42', que Tiago Gonçalves defendeu. E ofereceria mesmo um golo após várias tentativas: aos 78', em nova fuga, deixou Belotti mesmo à frente da baliza. 3-0.
Bajrami (7) — Mais discreto que António Silva, mas igualmente competente. Até na área adversária: fez o 2-0, aos 74'.
Samuel Dahl (7) — Fez quase tudo bem, tanto no plano defensivo como na missão ofensiva. Grande corte à boca da baliza evitando o desvio de André Fontes, cruzamentos impecáveis para Leandro Barreiro e Belotti (duas vezes), deixando os companheiros em posições vantajosas. Depois, tentou colocar o nome na ficha de jogo, primeiro com um livre bem marcado e bem defendido e, por fim, com um desvio de primeira, que não saiu tão bem como desejaria, mais a mais face à qualidade da bola de Prestianni.
Schjelderup (5) — Virtuoso, procurou o drible, por vezes com exagero, e os desequilíbrios. Mas quando chegou a sua vez de finalizar, aos 48', bola mesmo boa de Bruma, errou clamorosamente.
Florentino (5) — Tentou o remate ao minuto 28, bola muito afastada da baliza, e cruzou para a área, na direção de Belotti, no início do lance do 1-0. Jogo tranquilo, sem altos e baixos.
Leandro Barreiro (5) — Acertou no poste, aos 16', salto de peixe ao segundo poste, aos 45+3' disparou na área e a bola saiu direitinha na direção de António Silva, funcionando como assistência para o 1-0. Esteve novamente perto de marcar, aos 46', desvio de cabeça que não terminou bem, mas faria golo com o jogo a acabar. A meio-campo jogou pelo seguro.
Bruma (5) — Trabalhou bem ao minuto 37', rodando e disparando de pé esquerdo, com a bola a sair perto do poste direito, e fez boa abertura para Schjelderup aos 48'. Mas não jogava bem quando deixou o relvado (61').
Belotti (6) — Nem sempre é o jogador mais elegante, por vezes complica, mas também é inteligente e eficaz. Começou por fazer desvio de cabeça aos 16', quase oferecendo o 1-0 a Barreiro, depois chegou em esforço a uma bola difícil aos 45+3', mas ainda conseguiu devolvê-la, de cabeça, contra a barra, balão perfeito que surpreendeu a defesa e permitiu a Barreiro disparar e a António Silva fazer o 1-0. O italiano foi perseguindo o golo, errou, acertou no guarda-redes, mas aproveitou bola perfeita de Tiago Gouveia. Não havia como falhar.
Arthur Cabral (5) — Que disparo aos 31'! Fugiu à marcação em velocidade e atirou de primeira, grande bola defendida por Tiago Gonçalves. Aos 74' ganhou de cabeça e ofereceu o 2-0 a Bajrami. Não chegou ao golo e foi isso que o distinguiu de Belotti.
Prestianni (6) — Entrou aos 62', aos 64' deixava Amdouni em posição de finalizar para golo. Aos 68' assumiu a finalização, mas atirou ao lado e apontou depois o canto que deu origem ao 2-0. Sempre em jogo, perto do final ainda ofereceu o golo a Dahl.
João Veloso (5) — 30 minutos, estreia absoluta. O primeiro lance não foi feliz, perda de bola, mas recompôs-se, integrou-se e ainda visou a baliza. Ganhou canto.
Amdouni (5) — Entrou aos 62', aos 64' trabalhou bem, mas errou a baliza, por pouco.
André Gomes (-) — Entrou aos 79', estreia absoluta na baliza.
Hugo Félix (5) — Estreia aos 79'. Apontou o canto do 4-0.