A Selecção Nacional é um entreposto de interesses
O jogo no Gabão não serviu para nada. Apenas para resgatar um cachet. O negócio até pode ser rentável. Mas então não associem o nome de Portugal ao negócio. E não cantem o hino de Portugal.
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Miguel Ribeiro Fernandes/VIA
Alguém verdadeiramente atento, que não fique hipnotizado pelos efeitos da ‘espuma’, pode ficar surpreendido com aquilo que se passou com a Selecção Nacional, na deslocação ao Gabão?
Alguém ainda tem dúvidas de que a Selecção Nacional deixou de ser há muito a ‘equipa de todos nós’ para se transformar num entreposto de interesses, alguns inconfessados?
A autonomia desportiva do seleccionador nacional não existe. Ele é um gestor dos interesses que se entrecruzam na Selecção. Aliás, exactamente por se perceber a aceitação da parte do actual seleccionador para representar este papel é que a escolha, quase consensual, com a bênção dos poderes que tutelam a Selecção Nacional, recaiu nele. Às vezes há algum espalhafato na comunicação, mas a aceitação desse papel de gestor é óbvia.
Uma gestão que, neste particular do jogo com o Gabão, conheceu um erro grave: o esquecimento de proteger os interesses do FC Porto. Pinto da Costa não perdoou e, indirectamente, deu a entender que os interesses do Real Madrid (e do Zenit) haviam sido salvaguardados e os do FC Porto não.
O jogo não serviu para nada. Apenas para resgatar um cachet. A Selecção Nacional não serve para isso. Não deveria servir para isso. Até porque os prémios que vem recebendo da UEFA e da FIFA chegam e sobram para que a FPF tenha milhões de euros em depósitos a prazo. O negócio até pode ser rentável. Mas então não associem o nome de Portugal ao negócio. Chamem-lhe a Selecção 4 da FIFA, atendendo ao respectivo ranking. E não cantem o hino de Portugal. Cantem uma canção qualquer. Pode ser reggae ou pop. Nessa altura, até podem colocar o Cristiano Ronaldo em... 'Gangnam Style'. Isso será com ele e com quem lhe pagar. Mas tirem Portugal deste filme. Uma vergonha, um desprestígio, com muita gente a alinhar nesta onda mercantilista. Nalguns casos... com style.
Alguém ainda tem dúvidas de que a Selecção Nacional deixou de ser há muito a ‘equipa de todos nós’ para se transformar num entreposto de interesses, alguns inconfessados?
A autonomia desportiva do seleccionador nacional não existe. Ele é um gestor dos interesses que se entrecruzam na Selecção. Aliás, exactamente por se perceber a aceitação da parte do actual seleccionador para representar este papel é que a escolha, quase consensual, com a bênção dos poderes que tutelam a Selecção Nacional, recaiu nele. Às vezes há algum espalhafato na comunicação, mas a aceitação desse papel de gestor é óbvia.
Uma gestão que, neste particular do jogo com o Gabão, conheceu um erro grave: o esquecimento de proteger os interesses do FC Porto. Pinto da Costa não perdoou e, indirectamente, deu a entender que os interesses do Real Madrid (e do Zenit) haviam sido salvaguardados e os do FC Porto não.
O jogo não serviu para nada. Apenas para resgatar um cachet. A Selecção Nacional não serve para isso. Não deveria servir para isso. Até porque os prémios que vem recebendo da UEFA e da FIFA chegam e sobram para que a FPF tenha milhões de euros em depósitos a prazo. O negócio até pode ser rentável. Mas então não associem o nome de Portugal ao negócio. Chamem-lhe a Selecção 4 da FIFA, atendendo ao respectivo ranking. E não cantem o hino de Portugal. Cantem uma canção qualquer. Pode ser reggae ou pop. Nessa altura, até podem colocar o Cristiano Ronaldo em... 'Gangnam Style'. Isso será com ele e com quem lhe pagar. Mas tirem Portugal deste filme. Uma vergonha, um desprestígio, com muita gente a alinhar nesta onda mercantilista. Nalguns casos... com style.
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