quarta-feira, 27 de março de 2013

A SELEÇÃO DE BENTO


Seleção de Bento - sobre o 11

Autor: DANIEL OLIVEIRA, 23 ANOS, ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO

Mais específica e directamente estes, na minha opinião, são os principais problemas da equipa de Paulo Bento:

• A dupla de centrais. Com Pepe – Bruno Alves temos uma defesa forte e imponente. Mas também temos uma defesa que vive envolta no mito de qualidade que não existe. Pepe necessita de jogar com um central que lhe garanta as costas, que leia o jogo e compense a sua atitude mais aguerrida. B. Alves é um central para as bolas paradas. Peca no posicionamento defensivo e na leitura e clarividência defensiva. No papel temos uma boa dupla mas em campo tal não se verifica. O R. Carvalho errou mas os interesses nacionais estão acima de qualquer pessoa e todos devem poder remediar-se dos seus erros. Não havendo Carvalho exigia-se que o seleccionador procurasse o seu sucessor em vez de se resguardar na opção mais fácil.

• A lateral-direita. João Pereira é um bom jogador mas as suas performances na Selecção estão abaixo da sua capacidade. Jogador muito preso, pouco confiante e pouco espicaçado. Temos laterais de qualidade que poderiam render mais que ele ou pelo menos dar-lhe o incentivo competitivo para subir de nível.

• O meio-campo. No papel é o aspecto mais forte da selecção mas em campo é o ponto fraco. Usamos três jogadores, três jogadores de qualidade mas que se atropelam em campo, que actuam num meio-campo onde não podem expor os seus pontos fortes. Um 4-3-3 precisa de um meio-campo dinâmico, diversificado e que ofereça distintas soluções defensivas, organizacionais e ofensivas. Meireles pode jogar a 6 mas é um 8. Veloso pode jogar a 6 mas é um 8. Moutinho joga a 8 e é muito melhor 8 que os outros 2. Moutinho abafa os seus companheiros no meio-campo da Selecção, os quais o condicionam na sua liberdade qualitativa. Para Moutinho espelhar em campo toda a sua capacidade precisa de jogar num meio-campo organizado e não nesta mescla. Veloso e Meireles não conseguem coexistir com Moutinho. Pouco importa se individualmente têm mais qualidade que as outras opções pois colectivamente oferecem menos do que poderia oferecer um verdadeiro 6 e um verdadeiro 10.

Ainda é preciso referir que a ausência de um trinco condiciona a subida e desequilíbrios dos laterais o que também afecta negativamente a envolvência ofensiva da equipa.

• O Ponta de lança. Postiga não é um tosco, tem qualidade técnica. A questão é que traz pouco ao colectivo da equipa e dentro da área não é um matador. A selecção precisa de um avançado que saiba jogar nas alas e que consiga combinar com os extremos. Não havendo esta opção precisaria de um avançado goleador, que dentro da área não perdoasse. Não havendo melhor a aposta teria de ser no João Tomás, por mais que a sua idade pese.

• Por fim, Cristiano Ronaldo. Com este jogador a selecção tem dois problemas: Envolvimento e Liderança.

Relativamente ao primeiro, o Paulo Bento e o CR têm de perceber que a Selecção não é o Real Madrid. No Real o Ronaldo joga na sua posição e faz o seu papel enquanto o resto da equipa faz o resto, no Real o papel do Ronaldo é desequilibrar no contra ataque e aparecer na zona de finalização. Mas a Selecção precisa que um jogador com esta qualidade faça muito mais. Enquanto o Ronaldo ficar preso à sua posição não vai ter bola, não vai participar no jogo e a Selecção não vai ter envolvimento nem capacidade ofensiva. Na Selecção o Cristiano não pode jogar para os números, para os golos, tem de trabalhar mais para a equipa, tem de jogar mais em esforço e sacrifício pelo colectivo. A sua qualidade é desperdiçada enquanto não perceber o que a equipa nacional necessita como Figo, tão bem, fez. Quando a selecção tinha mais problemas o Figo abandonava o seu papel de 7 e, enquanto melhor e mais talentoso jogador, assumia o papel de todo-o-terreno. Era assim que nas maiores tormentas este conseguia carregar a equipa a maiores sucessos. Não era através de golos nem de grandes arrancadas mas sim de um maior esforço colectivo, de um exemplo de personalidade em campo e liderança pelos relvados. Figo não era a ponta da equipa, era o centro. Colocava-se no meio dos seus companheiros e fazia o jogo rodar à volta da sua qualidade e dedicação. Jogava e fazia jogar. Ronaldo não é Figo mas a selecção precisa mais da sua qualidade de jogo do que dos seus golos. Nesta equipa CR tem de assumir a bola e organizar e dinamizar o futebol de Portugal.

Quanto ao segundo ponto, é a questão da braçadeira de capitão. O melhor jogador não tem de ser o capitão, o melhor líder tem. Todos os jogos percebemos que o CR não tem vocação de capitão, todos os jogos manifesta pouca capacidade para o cargo. È necessário deixar o Ronaldo focar-se naquilo em que é craque e simultaneamente devolver á selecção a liderança de um verdadeiro capitão.

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