É uma consequência direta do modo pragmático de entender o jogo, mais vocacionado para a eficácia do que para a expressão artística. Do rosto inexpressivo nada se conclui: não sabemos o que está a pensar mas basta vê-lo em ação 15 minutos em continuidade para lhe detetarmos a exuberância de uma autoridade desajustada à idade e cuja influência se revela esmagadora no seu raio de intervenção. É um líder natural, que se impõe pelo exemplo, bem como pela resposta tática, técnica, física e emocional que vai dando em qualquer circunstância e nos mais diversos contextos do jogo. Rúben Dias satisfaz a paixão e tira prazer do futebol pela via de uma habilidade menos reconhecida pelas plateias: harmoniza as forças de segurança na defesa do seu cofre-forte (nomeadamente com o parceiro do lado mas também com o guarda-redes, os laterais e o médio-centro) e impede que os adversários expressem o talento criativo para o arrombar.
A maturidade que revela aos 20 anos, através de uma liderança sem ruído, chega a ser inverosímil. O ar pueril de adolescente, a insinuar-se como homem feito, anuncia um enorme defesa-central, pela confiança quase insolente no talento e na segurança absoluta com que aborda qualquer armadilha escondida nos terrenos sob sua jurisdição. Há nele a fragrância de um craque – e essa é uma sensação difícil de ganhar mas também de perder. Não se conhece o grau de convicção com que Rui Vitória o foi buscar à equipa B e o tem lançado na formação principal; mas está na cara que o miúdo se julga invencível e apetrechado das armas suficientes para iniciar um ciclo no Benfica e no próprio futebol português.
A altivez que o caracteriza, mesclada com a candura de quem só agora está a entrar na idade adulta, é natural, autêntica, logo aceitável; o entusiasmo juvenil colide com o ar taciturno de defesa inclemente, compenetrado, imune à distração e resistente a quebras emocionais no cumprimento da tarefa. Há nele a coragem serena de quem não precisa que lhe apertem os torniquetes do rigor, porque disso se encarrega ele próprio. É um central responsável e prudente que, por intuição e ensinamentos assimilados, tem sob controlo a eterna obrigação de manter intacta a ordem tática no sector mais recuado; não revela qualquer tendência para o exagero, porque domina cada passo da tarefa e, normalmente, chega antes de os factos ocorrerem; e orienta-se pelos padrões adultos de responsabilidade e sobriedade, que lhe estimulam uma das virtudes mais valiosas: a inteligência posicional e a perfeição na abordagem aos lances – é muitíssimo eficaz nos duelos individuais, com a particularidade de, na chegada à bola, não depender única e exclusivamente de contundência e despudor.
Para cumprir o destino, Rúben Dias tem agora de prosseguir o caminho, sem perder de vista a imperiosa necessidade de evoluir e interpretar este primeiro parcial da carreira como etapa de um processo em permanente evolução; não pode senti-lo como ponto alto e definitivo da sua construção como futebolista, antes está obrigado a entendê-lo como transição para um final que se antevê grandioso; como ponto de situação, é sinal seguro de que o trabalho está a ser bem feito e de que o sonho faz sentido. Mas não mais do que isso. O filme só terá o final feliz que o destino traçou se mantiver os sentidos despertos, continuar a ouvir os ensinamentos de Rui Vitória e não se desviar do rumo traçado. Tem tudo para vir a ser o central português do futuro e o líder absoluto no Benfica dos próximos tempos, no seguimento de uma longa dinastia de mitos defensivos que abrilhantam a história encarnada. Para consegui-lo não precisa de ser muito melhor. Basta-lhe continuar a ser o homem e o jogador que tem sido até aqui. Esperemos, então, que o tempo cumpra o seu dever.
Manuel Fernandes
merece o regresso
merece o regresso
É a grande referência do Lokomotiv Moscovo, líder do campeonato russo
Manuel Fernandes é um dos mais extraordinários jogadores da sua geração e um dos mais desaproveitados. No Benfica antecipou carreira ao mais alto nível europeu mas encetou peregrinações menores, todas desfasadas do talento que possui – Everton, Valência e Besiktas foi o melhor que conseguiu. É incrível como, aos 31 anos, só tem 9 internacionalizações (2 golos). Um regresso mais do que merecido.
Destino fatal
de Rony Lopes
de Rony Lopes
No Mónaco, há um geniozinho português que não tem passado despercebido
Rony Lopes está a confirmar o talento reconhecido em menino e que Portugal aproveitou nas seleções jovens. Após vários empréstimos está a confirmar-se como um dos avançados mais desequilibradores do futebol europeu. Leonardo Jardim pegou no diamante e está a lapidá-lo com resultados magistrais. A cereja em cima do bolo foi a chamada à Seleção Nacional. A glória é o seu destino inexorável.
Rúben Neves
está em grande
está em grande
Fernando Santos definiu a alternativa a William Carvalho e Danilo
Rúben Neves tomou decisão difícil, arriscada, mas que está a revelar-se correta. Trocar o FC Porto pelo Wolverhampton representou um passo atrás para dar, com maior segurança, dois ou três em frente. O médio é a máxima referência do líder do segundo escalão inglês, começa a ser referenciado no mercado europeu e, consequência de tudo isso, é hipótese para o Mundial russo. Pode vir a ser um caso sério.
Rui Dias, in Record

Sem comentários:
Enviar um comentário