Um golaço de Anísio Cabral ao cair do pano valeu um merecido triunfo sobre o Alverca, por 2-1, em duelo da 21.ª jornada da Liga Betclic.
Os ferros, a falta de eficácia e algumas decisões dúbias da arbitragem arrastaram o 1-1 até aos 86', mas um momento de inspiração de Anísio Cabral culminou na vitória do Benfica sobre o Alverca (2-1) em jogo da 21.ª jornada da Liga Betclic disputado neste domingo, 8 de fevereiro.
No final de um dia chuvoso e marcado pela realização da 2.ª volta das Eleições Presidenciais, 49 311 espectadores apresentaram-se nas bancadas do Estádio da Luz e aplaudiram entusiasticamente um onze com 3 alterações relativamente ao duelo frente ao Tondela: Sidny, Tomás Araújo e Rafa renderam Daniel Banjaqui, António Silva e Sudakov, e juntaram-se a Trubin, Otamendi, Dahl, Aursnes, Barreiro, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.
Subido no terreno visando condicionar a primeira fase de construção do Alverca, o Benfica instalou-se no meio-campo adversário e, logo aos 2', deixou o primeiro aviso. Aursnes desarmou um adversário à entrada da área ribatejana e a bola sobrou para Schjelderup, que rematou para boa intervenção de Matheus Mendes. Na sequência, Chissumba, em carrinho, evitou que Sidny visasse a baliza.
Num lance desenhado pelo lado direito, aos 15', Prestianni tabelou com Pavlidis e entregou a Aursnes que, em posição frontal, disparou por cima.
Das intenções, as águias passaram à prática, aos 16'. Sidny impôs o físico sobre Lincoln junto à linha lateral e a bola sobrou para Barreiro, que lançou Prestianni. O argentino serviu Rafa, e este, à entrada da área, rematou de trivela para defesa incompleta de Matheus Mendes. Na recarga, Schjelderup atirou a contar para o 1-0. Festa nas bancadas da Catedral a saudar o 2.º golo do internacional norueguês na Liga Betclic.
A resposta do Alverca surgiu aos 21'. Em esforço, Figueiredo alcançou um cruzamento puxado ao segundo poste e serviu Marezi, que, importunado por Otamendi, não conseguiu finalizar.
Aos 26', o guarda-redes da turma ribatejana voltou a brilhar. Lançado por Aursnes, Pavlidis trabalhou bem o esférico no interior da área e tocou-o para Sidny, que tirou as medidas à baliza e rematou forte para uma grande defesa de Matheus Mendes.
Isolado por Aursnes, Prestianni viu Matheus Mendes sair da baliza com rapidez e travar-lhe a finalização, aos 30', e, na resposta, o Alverca conseguiu chegar ao 1-1. Aproveitando o balanceamento ofensivo das águias, Chiquinho acelerou pelo lado esquerdo e soltou a bola para Marezi, que cruzou para a finalização certeira de Figueiredo.
Determinado a reagir o mais rápido possível ao empate, o Benfica continuou a carregar e, aos 34', ocorreu o primeiro lance polémico na área do Alverca. Schjelderup recebeu o esférico, partiu para cima de Touaizi e caiu no contacto com o defensor. O árbitro não assinalou penálti e mandou jogar.
Até ao intervalo destaque para 2 remates perigosos do Benfica: aos 38', Pavlidis combinou com Rafa e disparou para uma grande defesa de Matheus Mendes, e, aos 41', um remate com selo de golo de Aursnes sofreu um ligeiro desvio em Kaiky Naves e saiu ligeiramente por cima da barra.
No regresso dos balneários, a equipa comandada por José Mourinho protagonizou uma autêntica avalancha ofensiva.
Logo aos 50', o ferro surgiu em auxílio dos ribatejanos. Em mais uma incursão pelo lado direito, Sidny cruzou para o coração da área, onde surgiu Rafa a acertar no poste esquerdo da baliza do Alverca com Matheus Mendes batido.
Numa incrível cadência de oportunidades, o Benfica esteve perto de marcar aos 51' e aos 52'. Primeiro, Prestianni serviu Rafa, e este, em excelente posição, atirou por cima. Seguidamente, Sidny acorreu a uma bola de ressaca, encheu o pé e o seu remate saiu a rasar o poste direito.
Aos 55', Pavlidis cabeceou ligeiramente ao lado, e, aos 60', chegou mesmo a balançar as redes adversárias. No entanto, o VAR indicou ao árbitro que a bola tinha tocado na mão do goleador das águias antes de este encostar, de peito, para o fundo da baliza. Três minutos volvidos, aos 63', chegou a decisão final: golo anulado.
Sem tempo para respirar, o Alverca continuou limitado à sua área e, aos 65', voltou a reclamar-se penálti no Estádio da Luz. Lançado em velocidade, Rafa invadiu a área adversária, foi arrastado por Meupiyou e caiu. Uma vez mais, o árbitro entendeu que o contacto não tinha sido faltoso e que não havia lugar a uma grande penalidade.
A polémica reacendeu-se aos 69'. Barreiro foi pontapeado por Chissumba num lance que ocorreu no interior da área do Alverca, mas esse não foi o entendimento do árbitro (nem do VAR), que mandou seguir a partida, não assinalando penálti.
Já após a troca de Sidny por Sudakov (73'), o público foi ao desespero com um lance incrível. Desmarcado por Aursnes, Prestianni entrou na área, tirou Meupiyou do caminho e rematou forte para uma defesa com a... cara de Matheus Mendes.
Incapaz de pisar no meio-campo do Benfica, o Alverca defendia-se como podia e, aos 79', Matheus Mendes voltou a aplicar-se para deter um disparo de Sudakov.
Aos 85', José Mourinho recorreu novamente ao banco para refrescar a equipa e encorpar a presença na área, lançando Bruma e Anísio Cabral para os lugares de Schjelderup e Prestianni. E a aposta do técnico revelou-se certeira.
Na sequência de um grande cruzamento de Dahl no lado esquerdo, o esférico sobrevoou a área e foi atacado por Anísio Cabral, que, num fulgurante cabeceamento, marcou o 2-1 na primeira vez em que tocou na bola. Golaço do jovem avançado Made in Benfica e explosão de alegria nas bancadas da Luz pelo seu 2.º golo em 3 jogos pela equipa principal.
Reposta a justiça no marcador, António Silva e Barrenechea entraram para os lugares de Rafa e Pavlidis (88'), e ajudaram o Benfica a controlar o jogo com posse até ao apito final.
Reconhecendo o incansável apoio num encontro decidido ao cair do pano, os jogadores deram uma volta olímpica ao relvado e agradeceram a força extra das bancadas com aplausos dirigidos à Família Benfiquista.
Sentenciado o regresso aos triunfos na Liga Betclic, o Benfica tem, agora, na agenda uma deslocação aos Açores: na próxima sexta-feira, 13 de fevereiro, visita o Santa Clara às 18h30 (hora de Portugal Continental) em duelo válido para a 22.ª jornada da competição.
SL Benfica
AS NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
O jogo estava difícil, o Benfica lutava contra o Alverca e contra os nervos que a arbitragem estava a provocar em jogadores, técnicos e adeptos, quando um miúdo de 17 anos entrou e, como se fosse a coisa mais simples do mundo, meteu a bola dentro da baliza ribatejana. Em grande estilo, ainda por cima...
Melhor em campo: Anísio Cabral (8)
Foi, sem dúvida, a figura deste Benfica-Alverca. Em primeiro lugar porque resolveu o jogo. Depois porque fê-lo na primeira vez em que tocou na bola, executando com maestria, sob marcação, um cabeceamento difícil, após cruzamento da esquerda de Samuel Dahl. Anísio, depois de ter marcado ao Estrela da Amadora, quando os encarnados já estavam na frente por 3-1, com a vitória garantida, um belo golo, foi desta feita chamado por Mourinho para a fogueira que ardia com labaredas altas, em que se transformara a receção dos encarnados ao Alverca. O ‘Special One’ deu-lhe a responsabilidade de resolver o jogo e o miúdo de 17 anos não desiludiu o ‘mister’. Ficou ainda a certeza de que o Benfica, contra equipas muito fechadas, precisa de dois pontas-de-lança. O golo salvador surgiu quando Pavlidis e Anísio estavam em campo em simultâneo.
5 Trubin — Sem culpas no golo dos ribatejanos, o guarda-redes ucraniano esteve bem no que fez, quer a segurar remates de meia-distância, que a lançar longo com o pé e a mão ou a mandar no jogo aéreo. Apenas um passe de risco para Sidny, aos 19 minutos.
4 Sidny — Joga muito bem, dá tudo o que tem, possui uma excelente meia-distância e colocou tudo isto ao serviço do Benfica, frente ao Alverca. Faltou-lhe, contudo, lembrar-se que a primeira missão de um defesa é defender e deixou demasiadas vezes desguarnecido o seu setor, incluindo o lance que deu o golo dos forasteiros.
6 Tomás Araújo — Sempre certo, com bom timing a desarmar, e com velocidade para dar profundidade à defesa encarnada. Ensaiou alguns passes longos, uma das suas especialidades.
6 Otamendi — Mais uma noite em que foi o patrão do Benfica, rigoroso nos cortes (aos 20 minutos tirou o pão da boca ao Alverca) e a arrastar dois defensores contrários nos lances de bola parada a favor do Benfica. Num deles, aos 67 minutos, subiu ao terceiro andar mas o cabeceamento saiu ao lado.
6 Dahl — O defesa sueco fez um jogo de menos a mais. Começou demasiado hesitante, executando cruzamentos que foram peras-doces para os defensores ribatejanos. Com pouca iniciativa, deixou as principais despesas do ataque para Schjelderup. À medida que a partida foi caminhando para o fim, mostrou-se mais confiante e arrancou um belíssimo cruzamento no lance do golo de Anísio.
7 Aursnes — O canivete-suíço do Benfica fez um jogo muito competente, que teve nota artística em dois passes, aos 29 e 55 minutos, para Prestianni e Pavlidis, que os desaproveitaram. Recuperador de bolas e ao mesmo tempo iniciador de muitas jogadas, o norueguês teve ainda a versatilidade suficiente para derivar para lateral direito, primeiro, fazendo a seguir a ala desse lado quando António Silva se juntou a Tomás Araújo e Pavlidis.
5 Leandro Barreiro — O que lhe sobrou em luta e entrega faltou-lhe em inspiração (ou capacidade para executar alguns números mais exigentes). A equipa cresceu após a sua saída.
6 Prestianni — O jovem argentino tem tudo para vir a ser um grande jogador. Porém, ainda não o é, alternando, ao longo dos 90 minutos coisas muito boas – como a jogada em que acertou com a bola na cabeça do guarda-redes do Alverca – com jogadas em que quebra a sequência de jogo da sua equipa. No deve e no haver, o saldo é positivo, e tende a sê-lo ainda mais, assim consiga definir melhor o último passe.
6 Rafa — Um bom regresso à titularidade do Benfica, apesar de ainda não ter os 90 minutos nas pernas. Posicionou-se bem entre linhas, procurou combinações com Pavlidis, e assinou uma belíssima trivela que Schelderup aproveitou para recargar, fazendo o 1-0. Aos 48 minutos ainda fez a bola bater no poste da baliza do Alverca, numa finalização de fino recorte.
7 Schjelderup — Finalmente o jovem norueguês começa a justificar as sucessivas apostas que foram feitas nele. Tivesse o Benfica outra presença na área e das muitas situações que construiu teria saído mais alguma coisa. No golo que marcou estava no sítio certo à hora certa e teve duas jogadas (a segunda deu o golo de Pavlidis anulado pelo VAR) de primeira água. Promete.
5 Pavlidis — Não foi a noite mais inspirada do matador grego, e esse facto ficou ilustrado aos 55 minutos, quando falhou, a passe de Aursnes, um golo cantado. Quando tem de jogar entre três centrais, a vida torna-se difícil, e se procura a bola recuando ou caindo nas alas deixa o Benfica sem presença na área.
6 Sudakov — O internacional ucraniano entrou numa fase escaldante da partida e conseguiu colocar alguma ordem na casa, criando condições para o sufoco final que o Benfica deu no Alverca. Mostrou-se também útil, já depois do 2-1, a esconder a bola dos adversários.
4 Bruma — Faltou-lhe ritmo para acelerar o que o Benfica precisava. Depois da vantagem foi generoso defensivamente.
5 António Silva — Foi juntar-se a Otamendi e Tomás Araújo, garantindo segurança para a baliza de Trubin.
4 Barrenechea – Teve um trabalho essencialmente defensivo, sem conseguir soltar-se para lançar o contra-ataque.
José Manuel Delgado, in a Bola







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