quinta-feira, 2 de outubro de 2014

CRÓNICA DE LEONOR PINHÃO


Título:
É preciso saber jogar com as arestas
Texto:
Em Portugal vai correndo bem. Na Europa o Benfica é órfão de Garay e não há volta a dar-lhe. Os óbices a uma época triunfal não têm beliscado o Benfica interno mas o Benfica externo, com duas jornadas disputadas da Liga dos Campeões está à beira de deixar fugir até a Liga Europa se não se puser rapidamente em sentido.
A questão da baliza, as mazelas de Fejsa, Sílvio e de Ruben Amorim, a timidez de Samaris, a puberdade de Crisante, a ausência física de um goleador e a ausência física de um Garay qualquer para substituir o verdadeiro Garay são pedregulhos no caminho deste Benfica quando se defronta com os seus pares europeus.
Não custa admitir que o resultado de ontem foi melhor do que a exibição. O Benfica marcou um golo na única jogada que soube construir até à baliza alemã. Mas foi uma vez sem exemplo.
*
Cá por casa a história é outra. Ninguém quer ser o campeão das Vindimas, nem o campeão de Inverno nem o campeão de data alguma que não aconteça em Maio, o mês das flores.
Por isso mesmo o discurso de Jorge Jesus está acertado com as expetativas e com a realidade nacional.
Surpreendentemente para muita gente depois de uma pré-temporada difícil, o Benfica segue na liderança do campeonato quando, na verdade, ainda nada lhe correu particularmente de feição.
Enquanto Júlio César não estiver totalmente apto o Benfica continua com um problema por resolver na sua baliza, enquanto Feijsa não recuperar o Benfica continua com um problema por resolver no seu meio campo, enquanto Samaris não resolver o seu problema de timidez e Crisante não resolver o seu problema de puberdade as opções deixam de existir.
E enquanto Lima e Derley não desatarem a marcar golos à cadência desejável o Benfica continua com um problema no seu ataque que tem vindo a ser debelado, cá por casa, graças ao admirável Talisca do campeonato nacional e às bombas de Eliseu. Domingo o jogo é com o Arouca que veio empatar à Luz na época passada. É só para avisar.
*
Grassa a cobiça estrangeira por Talisca. Que não se vá embora já neste próximo Janeiro são os meus votos. A sua exibição ontem em Leverkusen dá asas ao desejo de o ver ficar mais uns tempos no Benfica.
*
O presidente do FC Porto diz que se está a repetir o filme da época anterior ainda que, nesta época, o filme tenha começado mais cedo. Lá saberá Pinto da Costa de que filmes fala.
Se fala para dentro do FC Porto, supostamente falará do filme da “força interior” que transborda de Julen Lopetegui neste ora findo Setembro de 2014 por comparação com o filme da “falta de força interior” que não transbordava de Paulo Fonseca no já longínquo Setembro de 2013.
E será esse, então, o mesmo filme com direito a sequela: Força Interior 1 e Força Interior 2.
Se, no entanto, a dita “repetição do filme da época anterior” foi um falar para fora e particularmente dirigido ao Benfica, que lidera o campeonato com mérito e sem favores, ficamos todos, os que somos do Benfica, a fazer votos para que se cumpre na íntegra a profecia do presidente do FC Porto.
Que se repita, assim, o filme da época passada no que aos duelos particulares entre os dois emblemas diz respeito. E que o Benfica volte a afastar brilhantemente o FC Porto da Taça de Portugal e da Taça da Liga jogando com 10 contra 11 durante mais de uma hora em cada partida.
Chama-se a isto ser levado ao colo.
E sem chorar.
*
A publicidade feita à absolvição dos casos da fruta e do café com leite foi uma manifesta manobra contra os interesses dos seus inocentados protagonistas que não tinham interesse algum em rever o assunto reerguido em praça pública e no youtube?
Mania da perseguição? Não.
Mania da absolvição, isso sim.
*
No fim-de-semana houve um clássico. Ainda o Sporting vencia o FC Porto por 1-0 quando o jovem Naby Sarr, com a bola nos pés, querendo presumivelmente lançar a sua equipa para o ataque acabou por desacertar de tal monta no seu propósito que o lance terminou com uma reposição de linha lateral favorável aos visitantes.
A bola, que era para seguir direitinha em frente, saiu-lhe tortíssima para o lado. Corria o minuto 32 do jogo. A transmissão televisiva pontuou o momento com um grande plano de Marco Silva sorrindo condescendente à oblíqua trajetória da bola saída dos pés poliédricos de Naby Sarr.
O que, certamente, não o impedirá de vir a fazer uma longa e profícua carreira se for aperfeiçoando o uso dos ângulos e arestas dos seus pés poliédricos de modo a imprimir à bola o efeito mais conveniente em prol do benefício do coletivo a que pertence.
Nesta fase ainda tão precoce da sua carreira tudo se resume a uma questão de humildade porque saber jogar com o que se tem, quer no futebol ou na vida, é definitivamente a atitude a tomar.
Tome-se o exemplo do “capitão” do Benfica, Luisão, também ele um defesa-central que leva uma bela carreira e longa internacional ao mais alto nível e que até foi titular da seleção do Brasil há uns anos.
Luisão, ao contrário de Naby Sarr, não tem pés poliédricos. Mas tem cabeça poliédrica, o que tem sido uma enorme bênção para as nossas cores.
A cabeça poliédrica do estimado Luisão tem valido ao Benfica uma excelente safra de golos nas balizas adversárias, golos que surgem sempre inesperadamente quando a bola bate no ângulo certo, na aresta exata daquele crânio impecavelmente rapado que confere ares de faraó ao nosso capitão.
É preciso saber jogar com as arestas. E Luisão sabe. De qualquer maneira, e em termos práticos, é menos angustiante dispor de um defesa central de cabeça poliédrica do que de um defesa central de pés poliédricos.
Não se queixe muito o Sporting destas irregularidades geométricas dos objectos sólidos porque, neste campeonato, já beneficiou de um golo e de um consequente empate oferecidos pelos pés poliédricos do nosso guarda-redes Artur que de uma devolução de bola conseguiu fazer um centro milimétrico para a cabeça de Slimani.
Sem este momento poliédrico do último derby, facciosismos à parte, quase acredito que o Benfica poderia ser líder do campeonato com mais uns quantos pontos à maior sobre os seus perseguidores. Mas não se pode ter tudo.
*
Naquela simpática competição de sub-19 paralela à Liga dos Campeões dos crescidos, o Benfica venceu por 3-2 o Bayer de Leverkusen na casa do adversário e, imagine-se, jogando contra 10 desde os minutos finais da primeira parte.
Está montada uma conspiração internacional.
*
Vítima de guerrinhas e de lesões, o brasileiro Kléber esteve dez meses sem jogar à bola e dois anos sem marcar um golo. Regressou em grande no sábado na qualidade de titular do Estoril marcando um golo ao Benfica.
E volto a repito: o Benfica é muito mais do que um clube, é uma obra social.
*
O filho do Zahovic e o Matic, ele próprio, são para já os autores dos golos sofridos pelo Sporting nos dois jogos que leva disputados a contar para a Liga dos Campeões. Ambos jogaram no Benfica.
Ora aqui está outra conspiração internacional.

texto de Leonor Pinhão in a bola

CAPAS DO DIA




IMPRENSA MUNDIAL









ALCANÇAMOS UMA GRANDE VITÓRIA FRENTE AO BENFICA

Roger Schmidt (foto AP)
Depois da derrota frente ao Mónaco, o treinador do Leverkusen elogiou a exibição e a vitória alcançada pelos seus jogadores, esta quarta-feira, frente ao Benfica, em jogo da segunda jornada do Grupo C da Liga dos Campeões.

«A minha equipa foi hoje recompensada com uma grande vitória frente ao Benfica. Dava para ver desde o primeiro momento que queríamos obter hoje a primeira vitória na Liga dos Campeões», afirmou Roger Schmidt.

O treinador do Leverkusen sabia que vencer era crucial para as aspirações do clube na Liga dos Campeões.

«Nós sabíamos que era um jogo quase decisivo para continuarmos a ter esperança e procurámos apagar a imagem deixada na derrota frente ao Mónaco. Tivemos um excelente desempenho desde o primeiro minuto, colocámos muita pressão e tivemos inúmeras oportunidades de golo», disse.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

VAMOS FAZER TUDO PARA PASSAR A FASE DE GRUPOS


Embora o Benfica tenha sofrido a segunda derrota consecutiva na Champions, após ter perdido frente ao Leverkusen (3-1), o treinador Jorge Jesus acredita que é possível superar a fase de grupos da Liga dos Campeões.

«Desportivamente uma final da Liga Europa é melhor que chegar aos quartos-de-final da Champions, mas nós queremos estar na Liga dos Campeões. Queremos fazer tudo para passar a fase de grupos. Agora, temos menos hipóteses, mas sabemos que ainda estão 12 pontos em disputa num grupo muito equilibrado», afirmou Jorge Jesus.

O técnico do Benfica admitiu que a equipa alemã foi mais forte.

«Se o Leverkusen acabou primeira parte a ganhar por 2-0 é porque esteve melhor do que nós. Foi uma equipa com muita qualidade, com uma forma de jogar muito agressiva e nós estávamos preparados para eles. Os primeiros 45 minutos foram de pressão muito alta e os adversários têm muita dificuldade.»

LIGA EUROPA? AINDA FALTAM DISPUTAR MUITOS JOGOS

André Almeida, jogador S.L. Benfica (foto AP)
A derrota perante o Leverkusen (1-3) deixou as contas do grupo C muito complicadas para o lado do Benfica. André Almeida, uma das surpresas da noite no onze encarnado, reconheceu que o adversário foi mais forte.

«Foi um jogo complicado com um adversário muito forte. Procurámos sempre mudar o rumo dos acontecimentos, mas a equipa do Bayer soube gerir sempre a vantagem da melhor forma».

Questionado sobre se a equipa do Benfica já pensa (apenas) na qualificação para a Liga Europa, o lateral direito foi claro:

«Foram apenas dois jogos. Ainda faltam disputar 12 pontos. Tudo é possível», admitiu na zona de entrevistas rápidas, à SportTv.

LEVERKUSEN - BENFICA, 3-1 : SONO PROFUNDO : CRÓNICA, FOTOS (VÍDEO)


2.ª jornada da “Champions”

Leverkusen – Benfica, 3-1: Redimir desaire frente ao Arouca

A equipa de Futebol do Sport Lisboa e Benfica regressou, esta quarta-feira, à BayArena, local onde já foi feliz em 1993/94 (na altura como Ulrich Haberland) e em 2012/13. Desta feita não teve a mesma sorte e perdeu por 3-1.
A jogar em casa e fazendo jus ao pendor ofensivo que se previra antes do apito inicial, o Bayer Leverkusen entrou a exercer uma pressão forte, alta e que dificultou a primeira zona de construção do Benfica. O guarda-redes Júlio César fez duas defesas de bom nível antes do remate de Bender ao poste (14’).
Nessa fase a equipa portuguesa sentiu algumas dificuldades, mas a partir do meio da primeira parte tentou equilibrar a contenda, saindo a jogar em transições rápidas, mas a pressão alta teve resultados práticos aos 24 minutos com o golo de Kiessling que aproveitou uma abordagem menos positiva de Júlio César a um remate de Son Heung-Min.

Motivada pelo golo, a turma germânica continuou a carburar e chegou ao 2-0, aos 33’, através de Son Heung-Min que recebeu o esférico de Bellarabi da direita. Este golo teve efeito despertador imediato nos da Luz com o remate de Enzo Perez por cima da baliza de Leno aos 38 minutos. Porém, a última oportunidade foi do Bayer Leverkusen por intermédio de Son Heung-Min aos 45’+1.
Ao intervalo, o resultado teria de se aceitar perante a incapacidade do Benfica em parar a avalanche ofensiva do adversário, bem como a pressão alta exercida. No reatamento, Hakan Çalhanoğlu não marcou aos 51 minutos por milagre. Deu mal no esférico com a baliza escancarada. Este lance foi, contudo, lance cada vez mais raro, pois o Benfica subiu as suas linhas, teve mais bola e procurou com maior assertividade a baliza de Leno.
Os comandados por Jorge Jesus reduziram mesmo aos 61’ por Salvio após uma boa jogada de Gaitán e de Maxi Pereira. Dois minutos depois, o árbitro Martin Atkinson assinalou mal uma grande penalidade para os da casa e Hakan Çalhanoğlu concretizou no 3-1. Ao minuto 86, a bola vai à mão de um jogador alemão após livre marcado por Gaitán com desvio de cabeça de Jardel, mas aí já nada foi assinalado. Nos descontos, após um pontapé de canto, Luisão foi agarrado na área e uma vez mais nada foi marcado.
Com esta derrota, o Benfica continua com zero pontos ao cabo de dois jogos no Grupo C da “Champions”.

O Sport Lisboa e Benfica alinhou com o seguinte onze inicial: Júlio César; André Almeida, Luisão, Jardel e Eliseu; Cristante (Maxi Pereira, 46’), Enzo Perez (Samaris, 76’), Gaitán, Salvio e Talisca (Lima, 46’); Derley.

CHEGAMOS A ENTRAR?

Salvio (foto ASF)
Salvio admite que o Benfica entrou mal no jogo e que faltou intensidade para fazer frente ao Leverkusen:

«Entrámos mal no jogo. Sabíamos que era uma equipa forte e faltou-nos intensidade.»

Questionado sobre as alterações no onze inicial, o extremo foi perentório:

«Houve sempre rotações. No ano passado também e chegámos a finais mas hoje não funcionou. O adversário foi superior e temos que aceitar.»

Apesar da situação delicada no grupo C, depois das duas derrotas nos dois primeiros jogos, Salvio recusa atirar a toalha ao chão e garante que a equipa irá «lutar até ao fim» pelos objetivos.

LEVERKUSEN - BENFICA, 3-1 : DESTAQUES INDIVIDUAIS

Destaques Individuais: Noite de desinspiração colectiva

Bayer Leverkusen – SL Benfica, 3-1

Destaques Individuais: Noite de desinspiração colectiva

O Sport Lisboa e Benfica defrontou esta noite de quarta-feira a formação alemã do Bayer Leverkusen. Em partida relativa à 2.ª jornada da Fase de Grupos da Champions, os “encarnados” perderam, por 3-1, numa noite de franca desinspiração colectiva.

Júlio César – Regressado depois de debelada uma lesão, o internacional brasileiro começou bem a partida, com um par de boas intervenções, contudo, aos 25’, defendeu para a frente um remate de Son e, na recarga, Kiessling fez o 1-0. Sem culpas no segundo e terceiro tentos.

André Almeida – Esta noite foi dele o corredor habitualmente a cargo de Maxi Pereira e, tal como o uruguaio, foi sinónimo de raça. Lutou! Na segunda metade subiu para a posição seis.

Luisão – Foi do capitão a voz de comando da equipa mas há noites em que nada sai bem e a desinspiração é colectiva por mais que se tente inverter a situação.

Jardel – Tal como Luisão, fez o que conseguiu para suster a armada alemã. Quando assim é…

Eliseu – É um poço de força mas esta noite nem isso lhe valeu… Tentou!

Cristante – O grego de 19 anos já o dissera, joga em qualquer posição e, esta noite, foi dele o lugar n.º 6 da equipa. Faltou-lhe “calo” e ritmo. Saiu ao intervalo.

Enzo Perez – Aos 38’ (!) foi do argentino o primeiro remate à baliza alemã. Incansável! Foi substituído, aos 76’, para dar lugar a Samaris.

Gaitán – Tal como o colectivo, noite uns furos abaixo do que nos habituou. Há jogos assim!

Salvio – 61’… finalmente, uma jogada atacante com conta, peso e medida e Salvio descobre o caminho para a baliza alemã. Sol de pouca dura…

Talisca – Face à teia adversária, e à pressão exercida, praticamente não se deu por ele. Saiu ao intervalo para dar lugar a Lima.

Derley – Foi o homem mais avançado no terreno na estratégia montada por Jorge Jesus mas é difícil jogar quando a bola não chega…

Lima – Entrou no início da segunda parte para se juntar a Derley na frente atacante. Sem consequências.

Maxi Pereira – Entrou no início da segunda metade para o seu lugar de origem, com a subida de André Almeida para o meio-campo. É dele a assistência para o golo de Salvio.

Samaris – Entrou aos 76’. Raçudo.

S.L. BENFICA

TIAGO JÁ DEVIA TER SIDO CHAMADO HÁ TRÉS, QUATRO ANOS


O avançado hispano-brasileiro Diego Costa, antigo companheiro de Tiago no Atlético Madrid, não tem dúvidas sobre o valor do médio português. Diz que tem lugar em qualquer equipa do Mundo e também na Seleção Nacional.

«Está a jogar numa das melhores equipas do Mundo, é um jogador importantíssimo e titular absoluto no Atlético Madrid. Já disse tudo. Para mim, já devia ter sido chamado à Seleção de Portugal há três, quatro anos. Tem lugar em qualquer equipa do Mundo», disse Diego Costa, do Chelsea, que ontem regressou a Portugal para jogar contra o Sporting, na Liga dos Campeões.

Depois de vários anos afastado da Seleção Nacional, Tiago voltou a ser chamado à equipa das Quinas, estando pré-convocado na primeira lista elaborada pelo novo selecionador Fernando Santos.