domingo, 26 de fevereiro de 2017
LEONOR E AS DESVANTAGENS DE JOGAR EM CASA
Reconhecendo quanto a todos aborrece o debitar de opiniões sobre a vida dos nossos clubes por parte de gente adversária do mundo do audiovisual e com acesso à imprensa escrita, longe de mim mora a ideia de proferir o que quer que seja de considerações pessoais sobre o confronto eleitoral em curso no Sporting e sobre os perfis dos candidatos a concurso do outro lado da rua. Houve, no entanto, na noite desta quinta-feira um pormenor de caráter exclusivamente logístico sobre o qual será permitida a estranhos uma fugaz e nada abusiva reflexão. Tratou-se da escolha do palco para a transmissão do único debate da campanha e que, ao contrário de todas as previsões, se veio a revelar de modo uma escolha funesta para a legítima ânsia de unanimidade do presidente em exercício e, sobretudo, para o alimento do seu ego exuberante. O facto do debate ter acontecido na Sporting TV o que, à partida, sugeriria grossa vantagem para o poder instituído - a vantagem indiscutível de jogar em casa - e, principalmente, sugeriria uma grossíssima ingenuidade do seu concorrente - a ingenuidade de se colocar à mercê da oratória e dos meios técnicos do regime - transformou-se em duas horas e quase meia de torrencial desmerecimento da figura do presidente em exercício sob a égide oficial e sob o logótipo do canal do clube. Manietado pelo arremedo de uma pose de Estado que julgou bastante para um triunfo em toda a linha, porventura surpreendido pela ousadia do concorrente e pela notável imparcialidade do moderador - que foi muito mais um jornalista em serviço do que um funcionário ao serviço -, muito se deve ter arrependido o presidente em exercício de não ter preferido à sua Sporting TV, o estúdio neutro de uma SIC, de uma TVI, de uma RTP onde se sentiria totalmente liberto dos constrangimentos do protocolo que a si próprio impôs sem ter de passar pelo incómodo de se ver publicamente desconsiderado na sua própria casa. O presidente em exercício, tudo o indica, continuará a "brincar" com as câmaras da Sporting TV por mais quatro anos mas tão cedo não se vai esquecer do que teve que suportar em nome da louvável democracia, interna, essa malvada.
Entretanto, o Benfica venceu ontem o Desportivo de Chaves que é a equipa-sensação da temporada ao ponto de ter afastado o Porto e o Sporting da Taça de Portugal. Ontem, jogando muito bem, não conseguiu afastar o Benfica do seu sonho. Mas deu uma trabalheira.
Leonor Pinhão, in record
SINAIS DA BOLA
Mitroglou (quem mais?) marcou dois golos e voltou a ser decisivo. Quinto jogo consecutivo a marcar - Nacional, Arouca(2), Dortmund, SC Braga e Chaves(2). O avançado grego é, neste momento, o abono de família benfiquista. Soma 22 golos em todas as provas.
Ui
O jogo a correr mal a Rafa e Pedro Tiba ainda lhe fez uma maldade (41'). O avançado avançou como um foguete para o médio e ficou com os olhos trocados quando Tiba passou a bola por trás das costas. O flaviense ainda foi finalizar o contra-ataque que lançou.
Quantos mais melhor
Cerca de dois mil flavienses estiveram na bancada a apoiar o Chaves. Caso raro de tanto apoio de um adversário das águias na Luz. O Chaves não visitava o palco dos encarnados para o campeonato desde 14 de Maio de 1999. Passaram quase 18 anos.
Inspira, expira
Benfiquistas com coração nas mãos nos últimos minutos. Pedro Tiba quase marcou aos 82' e o árbitro anulou golo a Massala por fora-de-jogo aos 83'. Depois de dois jogos a vencer por 1-0, Mitrolgou descansou o público ao marcar o 3-1 a dois minutos do fim.
Pé quente
Aprendeu a falar castelhano no Olympiakos e, no final do primeiro ano, já sabia português. Samaris, em declarações à BTV, falou em português corretíssimo e já conhece as expressões do futebolês. «Mitro está com o pé quente», assinalava."
Nuno Paralvas, in a bola
INDIGNAÇÃO
"Apesar do triunfo alcançado em Braga, e da manutenção da liderança do Campeonato, confesso que, no domingo à noite, senti uma enorme preocupação.
Independentemente dos resultados, o que se passou nos estádios em que se lutava pelo título não pode ser branqueado. O Benfica ganhou, mas o golo de Mitroglou não apaga mais uma arbitragem desastrosa, e muito penalizadora para o nosso Clube – algo que, sobretudo de há uns meses para cá, se transformou num hábito.
Dois penáltis por marcar e um golo mal anulado, entre outros erros menores, são matéria mais do que suficiente para estabelecer um padrão: o campo estava inclinado, como esteve nos jogos com o Boavista, com o Moreirense e com o V.Setúbal. Paralelamente, o FC Porto, em vésperas de compromisso europeu, viu a sua equipa simpaticamente guiada até a uma confortável vitória, por uma arbitragem digna dos anos noventa. Como disse o treinador do Tondela, o que ali se viu foi surreal, e é assustador para quem esperava um Campeonato decidido apenas dentro das quatro linhas.
Assusta mas, infelizmente, não surpreende. Quando, no início de Janeiro, os árbitros foram objecto de uma inusitada campanha de intimidação a duas vozes, temi desde logo os efeitos. Eles não se fizeram esperar. Aí os temos. Nas nomeações, e consequentemente nos jogos.
Este Campeonato é muito importante para nós, mas ainda mais importante para o nosso adversário directo. Os últimos quarenta anos ensinaram-nos muito. Alguns dos protagonistas mantêm-se e a falta de pudor também. As pressões metem medo e fazem mossa. Esperar algo diferente é como acreditar no Pai Natal."
Luís Fialho, in O Benfica
COACÇÃO
"A iniciativa do Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD de solicitar, na semana passada, uma reunião com a Secção Profissional do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol merece ser saudada por três motivos.
Em primeiro lugar, a transparência. A preocupação de o presidente Luís Filipe Vieira e seus pares tomarem o futebol português mais atractivo do ponto de vista desportivo e, sobretudo, mais integro a nível da transparência das suas competições é a melhor prova da importância que o Glorioso confere à credibilidade da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Por muito que custe a reconhecer a algumas mentes mais perversas, a verdade é que nas últimas semanas se têm verificado situações de coacção e condicionamento sobre a arbitragem.
As ameaças feitas do árbitro Artur Soares Dias, em pleno Centro de Treinos da Maia, no dia 5 de Janeiro deste ano, por membros da claque do FC Porto e o pertardo disparado pelos mesmos adeptos para o guarda-redes Moreira, no Estoril-FC Porto, foram dois episódios gravíssimos. Todos esperamos que as entidades competentes investiguem acusem e punam os infractores. É intolerável que um árbitro, seja o primeiro ou último classificado, se sinta condicionado em campo a pensar que algo de mal lhe poderá acontecer ou aos seus familiares se tomar uma decisão que prejudique o clube dos adeptos ameaçadores.
Basta analisar os jogos do Tricampeão com Boavista, V. Setúbal, Nacional, Arouca e SC Braga para detectar erros clamorosos que nos causaram a perda irreparável de três pontos, uma expulsão injusta, três expulsões perdoadas aos nossos adversários, um golo mal invalidado e cinco penálties por assinalar a nosso favor.
Basta analisar os jogos do FC Porto com Paços de Ferreira, Rio Ave, V. Guimarães e Tondela para perceber que o nosso adversário devia ter menos cinco pontos.
Só não vê quem não quer."
Pedro Guerra, in O Benfica
sábado, 25 de fevereiro de 2017
MITROGLOU COM O LÍDER ÀS COSTAS
Tem sido assim ao logo das últimas semanas: um Benfica muito dependente de Mitroglou - e também de Ederson, que ontem voltou a ser obrigado a trabalho redobrado - para resolver os problemas que, embora líder, não consegue disfarçar. Claro que não é só demérito dos encarnados, o Chaves provou na Luz aquilo que já tinha mostrado em jornadas anteriores: é uma excelente equipa, muito bem orientada por Ricardo Soares, treinador que conseguiu pegar no grande trabalho desenvolvido por Jorge Simão e, apesar das baixas provocadas pelo mercado de inverno, manter uma equipa competitiva - talvez até mais competitiva do que na primeira fase da época. Ainda assim, o conjunto de Rui Vitória, repetimos, voltou a não conseguir esconder algumas dificuldades que vem revelando de há uns tempos a esta parte, em especial quando chega a hora de controlar o adversário. A ausência de Fejsa no meio-campo na partida de ontem (e noutras...) é, claro, um argumento a ter em conta, mas não explica tudo: a águia devia ter matado o adversário bem mais cedo, evitando os calafrios por que acabou por passar até Mitroglou, já em cima do final, bisar e fazer suspirar de alívio as bancadas da Luz. Óbvio que o essencial foi conseguido: o Benfica ganhou e colocou desta vez toda a pressão no FC Porto, que depois da desgastante noite europeia na quarta-feira tem amanhã teste muito duro no Estádio do Bessa, onde entra ciente de que um deslize pode complicar (embora nunca hipotecar) a equipa na luta pelo título. Para os adeptos benfiquistas ficará, talvez, a ideia mais otimista: mesmo não jogando de forma brilhante a equipa tem-se mantido na frente. E como não há mal que sempre dure, isso será sempre um bom sinal.
Ricardo Quaresma, in a bola
JUSTO MAS SEMPRE INCERTO
Início forte das águias
1 Tal como espectável, o moralizado e bem sucedido Desportivo de Chaves criou imensas dificuldades ao pressionado Benfica. Jogo a iniciar-se com forte presença do Benfica, a pressionar imenso a equipa de Chaves, com grande dinâmica do lado direito, através de Nélson Semedo, a castigar o lado esquerdo contrário convidando toda a equipa a acompanhar a sua dança frenética. Apesar deste forte cartão de visitas dos anfitriões, a estratégia dos personalizados visitantes passava por estancar o habitual e madrugador assédio contrário, espreitando criteriosamente as costas da defesa encarnada, tirando assim proveito das deambulações constantes dos seus competentes avançados para atingir a baliza de Ederson.
Semedo superlativo
2 Ao longo deste período e após entrada forte do Benfica, sempre que se soltava e conseguia estender-se no campo, o Chaves mostrava argumentos e os melhores momentos acabaram por ser dos visitantes com Fábio a desfrutar de trés oportunidades para visar com êxito a baliza das águias. O habitual 4x4x2 do Chaves, dispondo de dois jogadores nos corredores laterais mas que buscam constantemente o espaço interior (Perdigão e Fábio) e um experiente médio travestido de avançado (Braga), conferem aos momentos ofensivos da equipa grande dinâmica e mobilidade, revelando ainda a equipa de Ricardo Soares grande capacidade para garantir equilíbrio defensivo em todos os momentos do jogo. Mas, como no aproveitar é que está a virtude, o golo do Benfica pelo impagável grego alterou o figurino do jogo - mais um momento superlativo de Semedo -, trazendo tranquilidade ao Benfica e tirando o Chaves do jogo por largos momentos. Mas depois do golo - somámos mais 12/15 minutos em que o Benfica assumiu o jogo, organizando o seu jogo de forma mais pensada e posicional - tudo voltou ao equilíbrio e a toada de parada e resposta com alta intensidade e transições consecutivas voltou a dominar a partida. Neste contexto próprio de ténis de mesa, o fantástico golo de Bressan traz a verdade ao jogo (grande qualidade organizacional dos transmontanos) e obriga Rui Vitória a intervenção assertiva ao intervalo, trazendo Rafa para outros espaços (troca com Zivkovic) e amarrando Samaris à posição 6.
Ousadia criou espaços
3 A segunda parte iniciou com valor individual dos intervenientes a ditar leis. Samaris aproveitou uma vez mais a magnífica propensão ofensiva do seu lateral e Semedo a oferecer o golo a Rafa. O Benfica voltou a controlar o jogo, revelando maior capacidade para reduzir os espaços para as saídas de Tiba e companheiros, principalmente pelo melhor posicionamento de Samaris, mais altruísta na sua missão principal de 6, homem de coberturas, guardando as costas ao dinamizador de todo o jogo ofensivo encarnado, Pizzi. Mais Benfica na segunda parte, mas com o Chaves a mostrar-se sempre vivo, atrevido e incómodo no seu jogo. O treinador flaviense partiu em busca do resultado, promoveu alterações que trouxeram robustez ao processo ofensivo, convidando os seus homens ao assalto final à baliza de Ederson. Válida e digna de elogios a reação dos homens do Norte trazendo suspense à composta arena da Luz. Tanta ousadia deixou espaços e permitiu ao implacável Mitroglou aproveitar a inocência do central contrário na abordagem ao lance rápido e fez o terceiro golo que selou definitivamente a partida. Bom jogo e resultado justo mas sempre incerto em função de uma boa réplica da equipa que viajou de Trás-os-Montes carregada de justificadas e legítimas ambições.
Daúto Faquirá, in a bola
Obs: Ó Daúto O Benfica pressionado? Se o Benfica é líder e está pressionado como estará o segundo?
Composta arena da Luz? 53.180 espectadores a uma sexta feira às 21h00 é uma casa composta?
Sem comentários pá....
PODEROSO BENFICA
Não se trata de um número de ordem normal na vida de um jornal desportivo.
Agora, à medida que os tempos se mudam, os meios transformam-se: as expectativas e as ofertas vão-se tornando cada vez mais efémeras, enquanto os públicos se volatilizam ao ritmo de novas solicitações e disponibilidades do mercado. E se enquanto na sociedade dos cidadãos tudo depende, mais e mais depressa, da circunstância e do resultado, os efeitos do tempo na esfera desportiva são ainda mais severos: com verdade verdadeira e realisticamente provada, quantos jornais de clube já chegaram, efectivamente, ininterruptamente, à sua edição n.º 3800?
Em Portugal, nenhum! E, de que aqui haja conhecimento expresso, na Europa e no mundo, nenhum outro, também.
Temos como historicamente provado que, ao tempo do seu lançamento no inicio dos anos quarenta do século passada, o jornal O Benfica constituiria um dos primeiros dínamos próprios, não especificamente competitivos, a dar corpo real à lapidar consigna do Clube - E pluribus unum - Ser um, único, entre todos.
O nosso jornal foi criado há mais de sete décadas para gerar coesão informativa ao esparso universo dos adeptos Benfiquistas. Nasceu no momento próprio para acentuar as relações da instituição com os seus simpatizantes, mas também para estabelecer novas conexões entre os próprios adeptos do Benfica.
Através dos precisos registos das competições em que o Sport Lisboa e Benfica participava, O Benfica pontuava pari passu a crescente grandeza do Clube; e, mediante o noticiário informativo relacionado com as actividades conviviais e culturais do tempo, criadas no quotidiano comum daquelas centenas de atletas que progressivamente vinham acolher-se sob as asas da Águia, o semanário já estimulava o associativismo que mais tarde sedimentaria a coesão do único e poderoso Benfica português e internacional.
Hoje os tempos são outros, os atletas e as modalidades estão diferentes, os leitores e o jornal modificaram-se, como se alteram, e muito, os seus contextos. Mas, na essência, a ideia de Benfica permanece em todos os textos e todas as fotos em todas as páginas do jornal O Benfica: dar notícia e defender um Benfica vencedor que continue a ser sempre o primeiro e único, entre todos os outros."
José Nuno Martins, in O Benfica
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