sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
AQUECIMENTO BENFICA TV HD :: 28 DEZEMBRO 2017
JORNAL O BENFICA - BENFICA TV - 28 DEZEMBRO 2017 HD
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
TÃO PERTO, TÃO LONGE, TÃO EXACTO
"Cá, qualquer SL Benfica - FC Porto ou vice-versa é sempre acompanhado da fantasia regionalista e das suas patetas farsas de trazer por casa.
O Real Madrid - Barcelona
Vi o jogo Real Madrid - Barcelona. Talvez o encontro (entre rivais) mais icónico do planeta. Sempre de resultado imprevisível. Quando me sentei para o ver, devo dizer que já estava de 'barriguinha cheia', depois de ter também acompanhado pela televisão um Arsenal 3 - Liverpool 3, com quatro golos em minutos e várias viragens do resultado.
Naquelas poucas horas, ali tão perto em Madrid, voltei a sentir o gosto pelo futebol. Puro, emocionante, imprognosticável, jogado apenas nas quatro linhas de um relvado. Sem comentadores aborrecidos ou lapalissianos dos jogos de cá. Sem o insuportável pseudo-moralismo de quem merece ganhar ou não perder. Sem eleger o árbitro como a figura central da partida entre onze de cada lado.
Em Madrid, o que pudemos constatar para além do jogo? Estádio cheio, ainda que a horas só explicáveis para apetência exportadora do espectáculo para a China e Extremo Oriente. Espectadores vibrantes, evidentemente de uma forma maioria merengue, mas com os adeptos do Barça respeitados e respeitadores, sem essas cretinas tarjas e palavreado odiento das claques que, por cá, militam. Presidentes dos dois clubes rivais, lado a lado, serenamente, sem jogos de palavras aparvalhados no antes, no durante e no depois. Treinadores apenas treinadores, não joguetes de recados de bandarilheiros e de instruções de patrões incoerentes e inconsequentes, não artistas foleiros de palavras em ditas e dispensáveis conferências mediáticas.
Acabou o jogo. Tudo sereno. A minoria no Santiago Bernabéu serenamente feliz e contente, e a maioria desoladamente calma. Os jogadores cumprimentaram-se, no fim, com o sentimento de dever cumprido, sem alardes patetas ou provocativos e sem quererem voltar às naturais quezílias dos 90 minutos de boa luta desportiva. Os dois melhores jogadores do mundo cumprimentaram-se antes e depois do jogo, e falaram. Assim Cristiano Ronaldo e Leonel Messi terão desiludido os que sempre procuram encontrar motivos de mal-estar, inveja, senão mesmo de ódio entre os dois mais lídimos embaixadores do futebol planetário. E alguém ouviu ou leu algo de importante sobre a arbitragem do jogo? Alguém reclamou sobre qualquer decisão ou omissão arbitral? Não, evidentemente. Repare-se que este clássico espanhol foi disputado dois dias depois das eleições catalãs e da complexa posição face à independência ou não da Catalunha. Cá, qualquer SL Benfica - FC Porto ou vice-versa é sempre acompanhado da fantasia regionalista e das suas patetas farpas de trazer por casa. Lá, e neste seríssimo ambiente político, um jogo de futebol foi assim e só isso. Aprendam...
Porque, no fim de contas, estes clubes e os seus jogadores, técnicos e empregados sabem quanto os seus rendimentos dependem da preservação saudável do ambiente concorrencial deste desporto. Perceberam que há matérias onde, mais até de que apenas não haver javardice pública de divergências, é imperativo consolidar e robustecer aquilo que a todos deve unir: a grandeza do espectáculo.
No fim, 14 pontos de distância entre o actual campeão do mundo, da Europa e de Espanha - Real Madrid - e o seu eterno rival, o Barcelona, ainda antes de ter terminado a primeira volta da Liga Espanhola. Desilusão dos madrilistas, evidentemente. Mas não desespero, como se o mundo desabasse amanhã. É este o encanto do futebol. Nem sempre se é o melhor, nem sempre se é o pior.
Nesta altura, lembro-me do que agora se vem sentenciando em torno do Benfica. A três pontos da liderança, depois de quatro títulos consecutivos, até parece que tudo já descarrilou e quase tudo também se esfumou da memória recentíssima de quatro anos a tudo vencer. Os seus adversários falam e escrevem como se o Benfica estivesse moribundo. Essa sua (deles) alegria e exageração incontida são a prova da força do SLB e do quanto lhes incomodam estes anos de glória encarnada. Alguém que, por hipótese, chegasse agora cá e ouvisse e lesse o mainstream noticioso e comentarista, logo concluiria que o Porto e o Sporting são os maiores e, coitado, o Benfica um clube que já não ganha nada há longos anos! Deixem-me rir...
Factos: a última década
Vai acabar o ano. Vamos ter um novo ano, o que não significa necessariamente um ano novo. Entre previsões, premonições, desejos e efabulações, uma coisa é segura: podemos falar do passado, com certeza.
Para avivar as memórias do passado mais recente, dei-me ao trabalho de coligir dados e fazer uma análise da última década (2008/2009 até à parte já decorrida da actual) relativamente ao desempenho dos três 'grandes'. Vejamos os quadros:
A Última Década:
2008/09 até 2017/18 (primeira volta)
Benfica - Pontos 80%; Vitórias 74%; Empates 16%; Derrotas 10%
FC Porto - Pontos 79%; Vitórias 73%; Empates 19%; Derrotas 8%
Sporting - Pontos 67%; Vitórias 59%; Empates 24%; Derrotas 17%
Primeira Metade
2008/09 até 2012/13
Benfica - Pontos 76%; Vitórias 71%; Empates 17%; Derrotas 12%
FC Porto - Pontos 83%; Vitórias 77%; Empates 18%; Derrotas 5%
Sporting - Pontos 58%; Vitórias 50%; Empates 25%; Derrotas 25%
Segunda Metade
2013/14 até 2017/18 (primeira volta)
Benfica - Pontos 83%; Vitórias 78%; Empates 14%; Derrotas 8%
FC Porto - Pontos 75%; Vitórias 69%; Empates 19%; Derrotas 12%
Sporting - Pontos 77%; Vitórias 70%; Empates 22%; Derrotas 5%
Algumas óbvias ilações:
1. O Benfica foi o clube com mais pontos conquistados e com o maior número de vitórias
2. O Porto foi a equipa com menos derrotas.
3. O Sporting ficou a uma larga distância em todas estas bitolas.
4. Nos primeiros 5 anos da última década, o Porto foi claramente o melhor em todos os aspectos, com um baixíssimo nível de desaires.
5. Já na segunda metade, é o Benfica a atingir um máximo de 83% de pontos conquistados, tanto quanto o Porto nos anos anteriores.
6. Neste segundo quinquénio, o Porto foi ultrapassado pelo Sporting que tem um assinalável número mínimo de derrotas (5%), embora tenha sido o campeão dos empates (22%).
7. Se fizermos a comparação da primeira parte da década para a segunda (e já incluindo a quase primeira volta completa desta temporada), é notória a melhoria do Benfica (passa de 2.ª para 1.ª) e aumenta em 7 pontos percentuais o total de pontos alcançados. Também o Sporting evidencia uma assinalável melhoria, com um aumento de 19 pontos percentuais, depois de ter apenas atingido pouco mais do que metade dos pontos possíveis nos anos anteriores. Já o Porto, não obstante o desempenho deste ano, baixa de 83% para 75% o seu desempenho pontual.
Outra análise que fiz respeito à classificação final. Vejamos:
Número de Vezes:
Benfica - Campeão: 5; 2.ª: 3; 3.ª: 1
FC Porto - Campeão: 4; 2.ª: 2; 3.ª: 3
Sporting - Campeão: 0; 2.ª: 3; 3.ª: 3; 4.ª: 2; 7.ª: 1
Lugar Médio da década:
Benfica - 1,6.ª
FC Porto - 1,9.ª
Sporting - 3,3.ª
O Benfica apenas no 1.ª ano (2008/09) não foi campeão ou vice-campeão. O Sporting teve a pior classificação de sempre em 2012/13 (7.ª lugar), superando, pelo pior, a mais negativa época do Benfica (2000/2002) com um 6.º lugar e a do Porto que foi 9.ª classificado em 1969/1970.
Se fizermos uma classificação ponderada, dando 1 ponto ao campeão, 2 ao vice-campeão, 3 ao terceiro classificado e assim por adiante, o Benfica e o Porto oscilam entre serem campeões ou vice-campeões (1,6.ª e 1,9.ª, respectivamente) e o Sporting oscila entre o 3.º e o 4.º lugares.
Por mais que se queiram espremer ou torturar os números, eles falam por todas as palavras. Mesmo as que agora se espalham virulentamente pelas redes sociais, em versão facebookiano, tweetista, ou outro qualquer...
P.S. - Hoje, entre o Natal e o Ano Novo, não há contraluz Fico-me pelo contador (da Luz).
(...)"
Bagão Félix, in A Bola
POLÍTICA, CORRUPÇÃO E DESPORTO
"Não é por acaso que o Colégio Militar é um bom exemplo da aquisição de uma boa formação, integral, através do desporto
Política e corrupção sempre andaram de “mãos dadas” por razões evidentes, ou seja, quem precisa de “resolver” problemas tem que ter a “boa vontade” do poder político, isto é, de quem decide, e, por vezes, essa “boa vontade”, tem um preço, a menos que as escolhas das pessoas para os cargos políticos levem em consideração princípios morais, éticos e deontológicos, o que só teoricamente acontece, já que o escrutínio é feito, em circuito fechado, dentro dos partidos, e estes são o que são, nem todos os seus membros andaram na “catequese” ... e daí, as notícias que temos tido de vários casos de corrupção na política que podem ser confirmados pela nossa “Polícia Judiciária,” que essa sim, tenta proteger a nossa sociedade da corrupção, do crime organizado, do banditismo, da droga, etc. ... etc. ... .
O que queremos dizer, de forma bem explícita, é que é na Escola Primária, e em casa, no seio da família, que se aprendem e assimilam os arquétipos, ou seja, os princípios, para que, depois de completada a nossa formação, possamos servir o País e a Grei, com lealdade e competência.
Mas também é na Escola que existe uma disciplina prática de Educação Pelo Movimento, que é Pedagogia pura, quando bem orientada, e Prática-Pedagógica, quando é bem aplicada.
Quer isto dizer que é através dessa prática, viva, verdadeira, espontânea, que são os “comportamentos em situação”, uma Pedagogia cara aos cinesiologistas, que por sua vez, são aqueles que estudam o “Movimento”.
E o que é o Movimento Humano?. É a forma como o ser humano utiliza as suas alavancas, para se deslocar, ou seja, para se movimentar, a que se chama de “Melodia Cinética”. Cada um tem a sua, que é característica de cada ser humano, tem que ver com a sua genética, com a sua educação, personalidade, carácter (marca) e, sobre tudo, com a sua determinação.
Não é por acaso que o “Colégio Militar” é um bom exemplo da aquisição de uma boa formação, integral, através do desporto, actividade central na vida dos alunos do “Colégio Militar” que é determinante na formação do carácter dos seus alunos. Pena que a Escola Pública, do Ministério da Educação, não tenha a mesma visão do problema, e acima de tudo, que não sinta, nem perceba, a sua importância, e por isso os resultados estão à vista, até se vende droga à porta das Escolas ... . Se não acreditam perguntem às várias Polícias!.
Continuando, como vamos equacionar a questão da droga, da doença, do peso morto, para a sociedade, que esta gente representa, e como vamos poder alterar isto e outras coisas na educação dos Jovens??? .
Ficámos a saber, como é possível afastar políticos incompetentes, em Outubro, quando o Presidente da República disse, de forma clara e directa, ao Governo, ou mudam já os procedimentos e os responsáveis , incompetentes, por tudo o que vem acontecendo desde Pedrógão, ou mudo eu! Esta é a única forma de resolver a questão, porque certos políticos não querem perder o poder político, ou seja, a possibilidade, de mais tarde, terem um futuro melhor, e só por isso é que mudaram a sua postura, de um dia para o outro.
Sem a ameaça do Presidente, tudo teria continuado na mesma. Esta a diferença entre aqueles que tomam decisões e iniciativas, sem terem que ser ameaçados.
É esse o comportamento dos ex-alunos do Colégio Militar, e de todos aqueles que tiveram o privilégio de ter recebido, através da prática do desporto, do verdadeiro, uma formação de carácter.
Só é pena que o Ministério da Educação e o Conselho Nacional de Educação, não aprendam, para poderem colocar em marcha um programa deste quilate, antes eu sejam “ameaçados” com uma “Guia de Marcha” .... Bom dia."
O QUE NOS TRARÁ 2018
O Natal passa e com ele muitas vezes vai também o tempo de qualidade que tentamos dar às nossas famílias, demasiadas vezes esquecidas ou pelo menos passadas para segundo plano durante o resto do ano, numa equação que não faz qualquer sentido, mas em que quase todos caímos num momento ou outro. O Natal é uma oportunidade para nos libertamos das obrigações do dia-a-dia, hoje no desporto português muito limitadas ao ódio sem quartel, que não afeta apenas os clubes que o manifestam sem lamentos, mas também adeptos e jornalistas, todos submersos num mar de intrigas e conversas de escárnio e maldizer. Aposto que passados estes dias voltaremos à linguagem belicista e a processos de intenções, uns dignos de atenção, outros meramente casuísticos, mas enquanto o pau vai e vem sempre folgam as costas. Não é difícil de prever, não ambiciono costela de Nostradamus. Aliás, a proximidade do dérbi provavelmente vai piorar o ambiente.
Então o que desejar? Acreditar que 2018 pode trazer a paz ao nosso futebol? Difícil. Para não dizer impossível. Mas pode ser que as coisas melhorem. Que haja conclusões sobre as suspeitas lançadas de um lado e de outro. Que os clubes entendam que há mais formas de travar guerras. Que o poder instituído perca o medo de deixar o futebol ao deus-dará. Sonhar ainda é permitido. Pelo menos hoje.
Bernardo ribeiro, in Record
VAMOS FALAR DE MILHÕES?
Após mais um empate, desta vez com o Burnley (sensacional 7.º lugar), José Mourinho voltou à carga contra o rival de Manchester. O português tem razão: os mais de 400 milhões de euros que City gastou em contratações nos últimos dois anos fazem com que seja impossível pensar numa competição equilibrada, quer em Inglaterra quer na Liga dos Campeões. O problema é que Mourinho é dos últimos que pode falar sobre o assunto.
Primeiro, porque acabara de empatar em casa com um clube que gastou pouco mais de 30 milhões de euros em reforços esta época. Depois, porque o Manchester United também está entre os clubes que mais gastam, não só na Premier League mas como em toda a Europa. Por fim, porque o atual City não é muito diferente do Chelsea que Mourinho tornou grande a partir de 2004: um novo rico, com dinheiro que até estorvava.
As diferenças entre os ricos e os outros alargam-se a cada ano que passa e a Premier League deste ano já sabe a Liga espanhola. É certo que todos vão recordar o título do Leicester durante vários anos, mas será uma exceção que dificilmente se repetirá, pelo menos enquanto houver clubes capazes de gastar num só futebolista mais do que outros, na mesma prova, gastam com todo o plantel.
A médio prazo isto será o princípio do fim das ligas domésticas. City, United, Real Madrid, Barcelona, Paris SG, Bayern e mais meia dúzia de clubes terão de encontrar alguém do tamanho deles para jogar. E isso só acontecerá a nível continental.
Sérgio Krithinas, in Record
VÉNIA
"1. Ou muito me engano ou, no final da temporada, o número de conferências de imprensa abandonadas a meio por José Mourinho será tão grande como o número de pontos de atraso para o City.
2. Segundo um artigo recente do El Mundo, o futebol actual do Barcelona é sexo sem amor, por não ter a beleza do passado recente. Com 14 pontos de avanço sobre o Real (menos um jogo), seguramente que os adeptos catalães não se incomodam com os prazeres da carne.
3. Tenho alguma dificuldade em perceber certos desejos dos clubes portugueses. Apenas um exemplo (entre tantos outros): Rúben Ribeiro, 30 anos, é melhor do que Hernâni, 26? Não. É melhor do que Iuri Medeiros, 23? Não. Então...
4. O FC Porto foi multado em 2869 euros pelo facto de, no clássico com o Benfica, no Dragão, um adepto seu ter invadido o relvado para abalroar Pizzi. O V. Setúbal foi multado em 153 euros por causa de um gato preto que, na parte final do jogo com o SC Braga, para a Taça da Liga, se passeou por instantes junto à linha lateral, sem chegar a entrar no relvado. O futebol português é isto.
5. Acho piada à chegada do videoárbitro ao ciclismo. Não estou a dizer que não seja importante vigiar e punir comportamentos entre os corredores durante as etapas, mas todas sabemos que os graves problemas da modalidade estão fora da estrada. Refiro-me à elevação da taxa de ciclistas com doenças (obrigados a tomar medicamentos) ou simplesmente com azar (já ouvimos de tudo, desde rebuçados enviados por uma tia do Peru a hormonas de crescimento para a sogra, passando por frascos de EPO e morfina para o cão). O videoárbitro no ciclismo é, portanto, como filmar uma operação do lado de fora da sala.
6. Eu sei que todos partimos um dia e que a morte não tem critério, mas que maldita doença esta que destrói famílias e sonhos sem dó nem piedade. E tantas vezes cedo de mais. Que o jovem Edu descanse em paz. E uma vénia para o Boavista, que lhe tinha renovado o contrato no dia 7 de Dezembro."
Gonçalo Guimarães, in A Bola
O LABIRINTO DE MOURINHO
A estrela de José Mourinho está mesmo a empalidecer e o destino de sonho que parecia ser o cadeirão de Old Trafford ameaça tornar-se, afinal, num labirinto interminável. O último desgosto aconteceu ontem: mais um desaire, mais uma frustração caseira, mais uma exibição sofrível e, assim, a possibilidade de ver já hoje os ‘inimigos’ (Manchester City e Guardiola) distanciarem-se para quilométricos 15 pontos (!) quando o campeonato ainda vai a meio. O pior de tudo, desta vez, não foi a fraca qualidade do futebol do United, nem sequer o 2-2 frente ao surpreendente Burnley. O pior, agora, foi perceber que o treinador está a perder o pé.
Mourinho tocou o céu em 2004 (FC Porto) e 2010 (Inter) quando venceu a Champions contra adversários com muito mais dinheiro. Para justificar o atual atraso para o City diz agora que "323 milhões de euros não são suficientes para competir". Chega a ser perturbador ouvir um treinador com um percurso tão notável argumentar desta forma.
Quem tem Pogba, Matic, Lukaku, De Gea, Mata, Mkhitaryan, Martial ou Ibrahimovic não se pode queixar. O que realmente separa os dois rivais de Manchester é aquilo que se vê em campo. E é aí, naquilo que está à vista de todos, que Mourinho precisa de encurtar distâncias e voltar a ser o génio que já mostrou ser. Hoje, o futebol do City é um sonho e o do United é um sono.
Nuno Farinha, in Record
TEMPOS DIFÍCEIS PRECISAM DE LIDERANÇAS INTELIGENTES
Um Feliz Natal e um Ano que seja NOVO na dignidade, na justiça, na transparência, na inclusão, na competência… No fundo, que nos permita ganhar o jogo do sentido da vida em sociedade, erradicando as diversas faces da miséria.
Amigo enviou-me no facebook uma frase que merece reflexão, ou não fosse o autor um dos “craques” do pensamento, Eduardo Lourenço:
- “Um tempo é todos os tempos. Não antecipa só o futuro. Recicla todos os passados.”
- “Um tempo é todos os tempos. Não antecipa só o futuro. Recicla todos os passados.”
Com base em diversas leituras e análises sobre o tempo que vivemos, por paradoxal que possa parecer, vale a pena tentar descobrir exemplos, que merecem estudo.
A política pode ser um dos universos a melhorar bastante com essas aprendizagens e, consequentemente, o próprio país e a sociedade em geral.
É sempre tempo de parar mediocridades, estratégias de manutenção no poder a todo o custo, impunidades que nos penalizam e ainda procurar limitar acesso a quem é incompetente.
O treinador de futebol como personagem que se destaca na paisagem, porque consegue transformar coisas interessantes em importantes, revela aspetos que os diversos líderes (ou candidatos) deveriam meditar com muita atenção.
Naturalmente, as nossas opiniões são sempre fundamentadas, baseadas e escolhidas, nos desempenhos daqueles que consideramos como importantes referências (entre muitos outros Sérgio Conceição, Vítor Oliveira, etc.).
Algumas características que no futebol são evidentes e que podem contribuir para uma melhor governança:
1. Persistência: treinador que nunca desiste, que transforma uma falha em oportunidade, sabe construir êxito futuro. Interliga sempre todos os acontecimentos.
2. Valorização de “ativos”: treinadores que no início da época, sem jogadores “ditos de milhões”, repescando muitos emprestados (que estavam desvalorizados na própria casa), conseguem integrá-los, motivá-los, qualificando-os para atingirem dimensões de talento, de eficácia, de entrega ao jogo, imbatíveis e sempre prontos para assumir o que for necessário (cultura tática coletiva e individual ao mais alto nível), são bons exemplos.
3. Coerência: treinadores com decisões frontais, firmes, corajosas (algo que se torna um perigo para quem não quer mudar) desvalorizam o ruído exterior, a hipocrisia e conseguem blindagem segura e consciência grupal com forte unidade.
4. Comunicação: treinador que comunica com eficácia, eficiência, dizendo o que quer, quando quer, onde quer e como quer, segue o rumo definido por si e nunca pelos outros. Comunicação clara, nítida, transparente, diferencia a qualidade das lideranças.
5. Superação do erro: treinador que entende que deveria ter feito de outra forma, é o primeiro a “pedir desculpa”, independentemente da opinião pública externa, pois antes de decidir, investiga muito, analisa pormenores, reflete e decide com confiança. Por último, não dá seguimento a diálogos desviantes, debates aleatórios, provocações encapotadas, aleatórias e com eventuais interesses estranhos ao que o motiva. Saber corrigir é exemplo cada vez mais raro e elimina suspeições.
6. Simplicidade: treinador com uma imagem natural, não apresenta sinais de desperdício de tempo à volta do supérfluo, contradições, nem construções especializadas, mas antes muito trabalho sobre o essencial, nunca permitindo que lhe desviem a concentração do que quer fazer.
7. Emotividade: sendo o futebol (e a vida) um espaço de emoções fortes, contínuas, por vezes contraditórias, o treinador vive intensamente o jogo, notando-se, nos melhores, um reforço de técnicas de contenção e perante a imprevisibilidade do resultado, nunca se desliga da procura da vitória. Jogar sempre para ganhar, onde for, com quem for, até ao fim.
8. Criatividade: o talento e a genialidade carecem de muito esforço. A ideia falaciosa de que a inspiração é suficiente para alcançar as metas pretendidas não é valorizada por um treinador qualificado, pois a ideia que alimenta para todos os outros e para si, é considerar que mais importante do que a inspiração é a transpiração, o trabalho árduo, intenso, como a real chave do sucesso e da unidade da equipa.
9. Liderança: treinador assume, sistematicamente, riscos, decisões, alterações sucessivas no próprio jogo, descobrindo alternativas e essencialmente aplicando-as. Quando o sucesso não é o esperado não procura palavras ocas de desculpabilização, nem desviar o foco das atenções para lateralidades, mas reforça objetivos pretendidos e justifica se atingiram ou não os resultados aguardados.
10. Motivação: para o treinador é decisivo analisar o percurso dos jogadores do seu plantel (especialmente se for, como muitos insinuam: curto e inicialmente sem reconhecimento da qualidade), a avaliar o resultado dos seus desempenhos, o prestígio alcançado, para se entender que jogadores com uma liderança forte e competente, potenciam confiança e capacidades, ultrapassam limites e expectativas, e se afirmam certezas bem valiosas.
11. Mas qual a razão ou utilidade em analisar aspetos de liderança de um treinador de reconhecida qualidade e ambição?
Primeiro, porque se destaca como grande caráter e exemplo de coerência, de profissionalismo.
Depois, pelo exemplo de saber fazer e pela capacidade em motivar o envolvimento de uma equipa técnica e restante staff de nível muito elevado.
Numa altura em que no país a crise de liderança é enorme, a desconfiança nos decisores é muito grande e justificável em muitos casos (porque nas situações mais dramáticas falta quase sempre a decisão certa, a resposta da sabedoria), os treinadores são um bom referencial.
Por outro lado, nunca mais acabam os dramáticos e trágicos caos, porque há falta de vergonha e abuso de lóbis que dão a ideia de ter alcançado poder sem ser pelo trabalho intenso, mas unicamente por “favores ou amizades” sejam antigas, modernas ou raríssimas…
Mesmo quando se analisa o “confuso” universo do VAR, o treinador, que marca pela objetividade, usa as palavras com sentido, com verdade, sem receios e com uma clareza dificilmente contrariada… Fundamenta as suas opções.
Mesmo quando se analisa o “confuso” universo do VAR, o treinador, que marca pela objetividade, usa as palavras com sentido, com verdade, sem receios e com uma clareza dificilmente contrariada… Fundamenta as suas opções.
O futebol pode ser útil a todos, inclusive também aos que não jogam, não assistem e nem gostam de ver…
Por exemplo, levar os decisores a pensarem no modelo de construção de liderança de um treinador que sabe subir a pulso, que não se perde em “mind games” ou “dislates linguísticos”, é uma excelente aprendizagem para a vida.
O treinador competente fala como tendo sempre a ambição de ser campeão, age dessa forma, mas sem cair em exageros ou devaneios irrealistas e, por vezes, ridículos porque surreais.
Que os responsáveis (incluindo governantes) pensem um pouco como conseguirem melhorar o seu desempenho e deixem a bola em paz.
Procurar aprender com quem sabe é uma atitude inteligente… Permite ainda errar muito menos.
Procurar aprender com quem sabe é uma atitude inteligente… Permite ainda errar muito menos.
Manter “jogos” de conduta que se dirigem ao precipício nunca dará bom resultado. O pior é que lideranças incompetentes custam muito ao país, aumentam a dívida pública e todos o sentimos na pele.
Aprender está ao alcance de todos. Basta começar pela humildade do querer e de reconhecer como e com quem se pode evoluir.
“Não chega ter ideias. Estas têm de ser implementadas e como tal sujeitas a um conjunto de operações que as vão transformar em realidades.” (Gustavo Pires, Agôn, Gestão do Desporto, O Jogo de Zeus, Porto Editora, 2007;298)
Pode ou não ganhar-se mas os resultados são sempre imprescindíveis para evoluir com sustentabilidade.
Campeões são sempre um grande exemplo, seja em que área for, não só pelos títulos mas essencialmente pela mentalidade e atitude perante a vida.
Aníbal Styliano, in a Bola
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