terça-feira, 1 de maio de 2018

O BENFICA PRESO POR ARAMES


O jogo com o Tondela acabou por ser um retrato sintético da temporada do Benfica. Começámos a ganhar para, logo depois, a equipa soçobrar, parecer um conjunto banal, sem princípios rudimentares na organização defensiva e com défices de qualidade individual. No entanto, tal como aconteceu a partir de Guimarães, na segunda parte, o Benfica reergueu-se, apresentou um futebol dominante e podia ter chegado à vitória. Só que, no último fôlego, a equipa colapsou, trazendo à tona problemas de fundo, inscritos desde agosto. No fundo, com o Tondela, como ao longo do ano, o Benfica foi-se aguentando preso por arames.
Permanece um mistério que um clube que podia conquistar um inédito penta, tenha feito uma fortuna em vendas e não tenha reinvestido quase nada. A baliza é o caso mais evidente, mas está longe de ser único. Depois de Oblak, Júlio César e Ederson, ter Varela como guarda-redes principal é estranho. Como é incompreensível que nunca houvesse uma alternativa a Pizzi (e que o jogador com perfil mais próximo, Horta, tenha sido emprestado ao Braga e agora vendido para os EUA). Na posição 6, Fejsa acabou por jogar quase sempre apenas porque fizemos poucos jogos (e, se tivéssemos tido muitos jogos, sem Fejsa, a equipa não iria longe). Já na defesa, a segunda unidade está a anos luz da primeira: quando falta um dos titulares nas laterais ou no centro da defesa, o cenário é deprimente.
A falta de ambição e as poupanças do Benfica vão sair bastante caras. Sem campeonato e com a Champions em risco, as receitas caem brutalmente, ao mesmo tempo que as necessidades de reforçar a equipa vão aumentar (à custa da dívida!). A aposta no Seixal faz todo o sentido, mas ninguém é campeão apenas com aposta na formação.
Depois há Jonas. Numa equipa com fragilidades no processo coletivo, a presença do brasileiro em campo ajuda a suprimir as debilidades, liga o jogo interior, oferece contundência atacante e maturidade emocional. Quando falta Jonas, o Benfica perde qualidade e os resultados revelam-no. Na próxima temporada, não esquecer, Jonas – provavelmente o melhor estrangeiro que equipou de vermelho – fará 35 anos.
Para o fim, o treinador. É fácil identificar os erros cometidos por Rui Vitória, mas foi também ele que teve o golpe de asa para alterar o sistema, que apostou em jovens e que soube gerir o balneário. O seu principal erro foi mesmo ter aceitado disputar o penta com este planeamento de temporada.
Nota: o Benfica tem-se insurgido – e bem – contra julgamentos baseados em informação libertada a conta-gotas e assente em violações de correspondência privada. Não escondo o incómodo com o que já se sabe, mas uma coisa são notícias, outra é o teor de uma eventual acusação. Por isso mesmo, foi com estupefação que percebi que o Benfica promoveu ativamente o conteúdo de uma denúncia anónima (como aquelas contra as quais se tem insurgido!) com acusações atentatórias do bom nome de pessoas concretas. Este passo (em falso) envergonha-me enquanto benfiquista e é, ao mesmo tempo, um tiro de pólvora seca e um precedente muito grave.
Pedro Adão e Silva, in Record

105 x 68 - BENFICA TV HD - 01 MAIO 2018

                                           

GOMES DA SILVA SAI DA CASCA


Rui Gomes da Silva (RGS) tem sido uma das (poucas) vozes críticas nos últimos tempos no Benfica, merecendo por isso resposta à letra sempre que ataca antigos companheiros de direção pelos quais não nutre especial simpatia. José Eduardo Moniz, por exemplo, é um dos alvos que não escapa às observações mordazes do antigo vice-presidente.
Acusado tantas vezes de ter uma agenda própria - mesmo quando estava na direção -, depois de abandonar o clube, RGS nunca disfarçou o caminho ambicioso que pretendia trilhar. Mas nele jamais estaria a hipótese de um confronto com Vieira.

Ora, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e o momento mais delicado que o Benfica atravessa leva o antigo vice-presidente a ponderar seriamente avançar como candidato num eventual cenário de eleições antecipadas. Contra tudo e contra todos. E até contra Vieira. As pistas que lançou no seu escrito, confirmou-as à noite na televisão. Está farto e pronto a desafiar Vieira.
O que está por saber é se uma vitória do Benfica no dérbi de Alvalade arrefece o entusiasmo de RGS. Da mesma forma que uma derrota poderá acender essa chama noutros que, neste momento, estão mais próximos de Vieira. O 'espetáculo' vai começar.
António Magalhães, in Record

A DÍVIDA E A DÚVIDA


Com o conflito de abril com os jogadores, Bruno de Carvalho criou um monumental berbicacho. Agora é obrigado a gastar energias a resolvê-lo. Há que reconhecer que tem sido bem-sucedido. Recuou no conflito com os jogadores, desligou a conta no Facebook com visíveis efeitos positivos na escala de Richter da crispação e a ideia de convocar uma assembleia-geral para o destituir parece ter caído por terra, vergada aos últimos resultados desportivos.
Pacificados os jogadores (pelo menos nas aparências), amansados os sócios (certamente não todos) e silenciados os opositores (deixou de se falar neles), faltava passar a mão pelo pêlo dos investidores, dos quais as SAD dependem cada vez mais para se financiarem. Tarefa a que o presidente do Sporting se dedicou num artigo de opinião publicado ontem no ‘DN’.

Depois das dúvidas sobre a solidez da SAD levantadas pelo adiamento do reembolso da emissão obrigacionista de 30 milhões de euros, Bruno de Carvalho faz, naturalmente, um autoelogio à forma como gere as contas. O mais interessante é que ficamos a saber que, nos últimos meses, conseguiu "negociar uma melhoria das condições da reestruturação financeira" acordada em 2013. Segundo o próprio presidente do Sporting, em vez de 135 milhões de euros, a SAD terá de pagar apenas 40,5 milhões para comprar ao Novo Banco e ao BCP os Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC) detidos por estes.
Em vez de um euro por cada título, o Sporting vai pagar apenas 30 cêntimos, um desconto de 70%. Com a reestruturação do que já havia sido reestruturado, o Sporting consegue um perdão de 94 milhões de euros. Bruno de Carvalho garante que no início da próxima época terá 17,5 milhões para comprar VMOC suficientes para que o clube não perca a maioria no capital da SAD. Consegue mais: pode reforçar a participação e diluir a de Álvaro Sobrinho.
É o sonho de qualquer presidente, o pesadelo do costume para a banca. Os contornos da operação não são conhecidos – estranha-se não ter havido um comunicado à CMVM – mas é, no mínimo, polémico haver mais uma reestruturação em que os bancos ficam a arder (a anterior chegou ao Parlamento depois de uma petição). Claro que a última coisa que querem é ser acionistas de clubes, pelo que uma oportunidade para se verem livres destas dívidas é bem-vinda. Mas a que preço?
Convém lembrar que os bancos estão impedidos de aumentar a exposição dos seus balanços às SAD e compelidos a baixá-la. É por isso que os clubes precisam cada vez mais de recorrer às emissões obrigacionistas para substituir a dívida bancária. A dúvida é: haverá apetite para tanto? Pelo sim, pelo não, Bruno de Carvalho já está a vender a sua e a denegrir a dos outros.
André Veríssimo, in Record

EXIBIÇÃO PERFEITA E GOLEADA DOS JUNIORES NO CLÁSSICO


FUTEBOL
O Benfica bateu o FC Porto por 4-0 e conserva a liderança isolada na fase de apuramento de campeão, quando estão decorridas nove jornadas.
Com uma excelente exibição coletiva, o Benfica superiorizou-se ao FC Porto no clássico da 9.ª jornada da fase de apuramento de campeão de Juniores: 4-0 foi o desfecho no Caixa Futebol Campus, um resultado que mantém as águias firmes na liderança da prova.
Sem medo de ter a bola e com à-vontade para estabelecer ligações e desencadear ofensivas, a equipa do Benfica controlou e dominou o clássico ao longo de toda a primeira parte. O intervalo chegou com as águias na frente do marcador, mas o 1-0 era curto em face da quantidade de oportunidades de golo construídas pelos jovens liderados por João Tralhão.
O primeiro golo do conjunto benfiquista podia ter sido materializado logo aos 5’, quando João Félix escapou à organização defensiva dos portistas e, já depois de contornar o guarda-redes Diogo Costa, viu o defensor Diogo Leite impedi-lo de tocar para as redes desertas.
Aos 21’, Gedson forçou a porta e, pelo eixo da linha de defesa do FC Porto, arriscou o remate. Diogo Costa defendeu, mas de forma incompleta, proporcionando a Nuno Santos a hipótese de recarga, que não se verificaria por infração do guardião sobre o atacante benfiquista. Penálti! Na execução do castigo máximo (22’), João Félix enganou Diogo Costa: 1-0.
João Filipe (27’), Nuno Santos (34’) e João Félix (37’) dispuseram de chances para alargar o diferencial no resultado, mas, no último instante das ações, houve sempre um portista a evitar danos. O período de pausa chegaria com apenas um golo a separar as equipas neste clássico.
O segundo tempo confirmaria e reforçaria a superioridade qualitativa e quantitativa do Benfica. Aos 53', João Félix ultrapassou Cláudio Silva com uma finta de grande classe, mas depois foi travado em falta pelo defensor portista. Pontapé de penálti assinaldo e cartão vermelho direto exibido ao jogador dos dragões. No minuto seguindo, João Félix bateu novamente Diogo Costa da marca dos 11 metros: 2-0.
Aos 65', Nuno Santos, descaído para a direita, já no interior da grande área do FC Porto, atirou cruzado, com força. Diogo Costa defendeu, mas não segurou o esférico, que ficou à mercê da recarga de João Filipe, que só teve de encostar para as malhas: 3-0.
O 4-0 foi construído aos 76'. David Tavares acreditou e insistiu, fazendo com que a bola chegasse a João Filipe, que, à entrada da área, com o caminho vedado, serviu à direita a entrada de Luís Pinheiro, que disparou na passada e venceu a oposição do guarda-redes Diogo Costa.
Com a vitória mais do que garantida, o Benfica fez a gestão do jogo e do resultado, averbando mais três pontos. Ao fim de nove rondas, a equipa benfiquista tem 21 pontos fruto de seis vitórias e três empates. Marcou 19 golos e sofreu apenas sete.
João Tralhão: "Cada jogo é para exigência máxima"
João Tralhão, treinador do Benfica, explicou à BTV como leu o triunfo por 4-0 sobre o adversário portista. “O resultado não reflete a qualidade do FC Porto. Sabemos todos que está aqui um adversário tremendo, mas também sabíamos que, se nos centrássemos em nós, estaríamos mais próximos de ganhar os três pontos, que era o nosso grande objetivo”, afirmou o treinador.

A atitude e o desempenho dos jogadores mereceram palavras elogiosas de João Tralhão. “Ganhámos e tivemos uma equipa ao nível da exigência. A perfeição é um termo que assenta bem neste jogo que fizemos”, declarou o técnico, orientando o seu discurso já para o desafio da 10.ª jornada da fase de apuramento de campeão, no dia 6 de maio, domingo.
“O futuro, para nós, é o jogo com o V. Guimarães. Estamos já a pensar em recuperar estes jogadores, porque fizeram um esforço tremendo. Isto é jogo a jogo, final a final. Não há jogos fáceis nesta fase, cada jogo é para exigência máxima de uma fase final. Também sabemos que não encontrámos facilidades em nenhuma das deslocações. Temos de jogar nos limites para conseguir os três pontos em cada uma das partidas”, assinalou João Tralhão.
Autor do último golo do clássico, o lateral-direito Luís Pinheiro ficou contente por ter contribuído para “a grande vitória da equipa”. “Mas são apenas três pontos, vamos jogo a jogo até ao final do Campeonato. Cumprimos bem a tarefa e o resultado foi bom”, comentou o defesa à BTV.
CLASSIFICAÇÃO
Lugar Equipa Pontos Jogos GM-GS
1.º Benfica 21 9 19-7
2.º SC Braga 18 9 22-8
3.º Sporting 18 9 20-13
4.º FC Porto 14 9 12-13
5.º U. Leiria 9 9 9-14
6.º Leixões 9 9 8-12
7.º V. Guimarães 9 9 13-13
8.º V. Setúbal 1 9 7-30
O QUE FALTA JOGAR NA FASE DE APURAMENTO DE CAMPEÃO
Jornada Jogo Data
10.ª V. Guimarães-BENFICA 6 de maio
11.ª BENFICA-Sporting 12 de maio
12.ª BENFICA-Leixões 19 de maio
13.ª SC Braga-BENFICA 26 de maio
14.ª BENFICA-U. Leiria 2 de junho

BENFICA PERDE TÍTULO NO VOLEIBOL


DE CABEÇA ERGUIDA!
VOLEIBOL
Enorme espetáculo de Voleibol, emoção até ao final, com o eterno rival a ser mais feliz!
Acabou! Terminou, nesta terça-feira, o Campeonato Nacional de Voleibol 2017/18, com a disputa da negra da final do play-off. Depois de um empate a dois jogos na eliminatória, Sporting CP e SL Benfica rubricaram mais um enorme espetáculo, foi preciso - também aqui ir à negra - e aí os verdes e brancos foram mais felizes. Vitória, por 3-2, na eliminatória e a conquista do título.
Mais um grande jogo, mais um hino à Modalidade, com os dois eternos rivais a protagonizarem momentos espetaculares! Foram cinco jogos plenos de emoção, equilíbrio, entrega e muito, muito coração!

Pavilhão João Rocha praticamente lotado para a negra de todas as decisões! Entrou melhor o Sporting, a fechar o 1.º set num 25-19. Resposta pronta dos comandados de José Jardim a empatarem o jogo (19-25) e a concretizarem a reviravolta após um 22-25 no 3.º set. 1-2 para o Benfica e nova reação leonina a vencer o 4.º set (o mais desequilibrado) e a forçar a negra: 2-2!
Jogo impróprio para cardíacos, com as duas equipas a equiparem-se em todos os aspetos do desafio. Alternância no marcador, com os verdes e brancos a chegarem ao 1.º tempo técnico na frente (8-6).
Ora, estava tudo a correr bem, até que Tiago Violas é atingido por um objeto vindo das bancadas, com o distribuidor encarnado a ficar largos minutos deitado no terreno de jogo a receber assistência. Vergonhoso!
De regresso à partida, com 13-13 no marcador, e quando o Benfica se preparava para fechar novo ponto, Simões, jogador do Sporting, cai no chão, cortando a jogada e inviabilizando o ataque das águias… Mesmo assim, no reatar, ponto para o Benfica e Match Point!
14-14 e aí veio a sorte ao de cima… e que sorte! Serviço para o Sporting, a bola esbarra na rede, contudo, inacreditavelmente, cai no terreno das águias. Com novo Match Point, desta feita para os anfitriões, este não foi desperdiçado e o Sporting fechou a negra num 16-14, vencendo o jogo, por 3-2, bem como a eliminatória (3-2) sagrando-se Campeão Nacional.
O Benfica termina a temporada 2017/18 com a conquista da Taça de Portugal, sendo finalista vencido do Campeonato Nacional, onde lutou até ao último ponto e perdeu na negra com o Sporting, isto depois de ter aberto a temporada também como finalista vencido da Supertaça, onde foi derrotado pelo Sporting de Espinho. De realçar a caminhada europeia na Challenge Cup, onde a formação de José Jardim foi eliminada somente nos quartos de final da prova, perante o poderoso Bunge Ravenna, de Itália.
Honraram a camisola, deram tudo e lutaram até ao fim!
JOSÉ JARDIM: "LUTAMOS ATÉ AO ÚLTIMO PONTO PELO EMBLEMA QUE DEFENDEMOS"
VOLEIBOL
Técnico falou em conferência de Imprensa, analisando o último jogo do play-off.
Visivelmente emocionado – após a derrota com o Sporting no jogo 5 da final do play-off do Campeonato Nacional de Voleibol –, José Jardim analisou o encontro e garantiu que o Benfica lutou pelo título até ao final.
“Lutámos até ao último ponto, acho que fomos uma equipa muito coesa, por muitos considerada a melhor equipa – no verdadeiro sentido da palavra. Parabéns ao Sporting, que ganhou. Vejam como acaba a decisão de um Campeonato…”, analisou o treinador do Benfica, em conferência de Imprensa.
“Entra um jogador para servir porque o outro está lesionado, e até tínhamos contra-ataque para fazer. E atenção, quero deixar bem claro que não coloco em causa que o João Simões se tenha magoado. A verdade é que nós tínhamos bola do nosso lado para fazer o 13-14, essa é a verdade. Depois, o João Simões acaba por ser substituído e o jogador que entra, porque ele não pôde continuar, faz dois serviços e a bola bate na tela e cai”, explicou José Jardim.
“Quero passar aos adeptos do Benfica aquilo que os jogadores me passaram. Temos muita pena de não lhes poder oferecer este título… e os jogadores lutaram por isso. Mas fica um grande orgulho nos 25 títulos conquistados, mas, mais do que isso, é que quando perdemos, perdemos assim. Se se lembrarem de todas as finais perdidas pelo Benfica foram assim. Todas. O que quer dizer que lutamos até ao último ponto pelo emblema que defendemos e para conquistar mais títulos”, finalizou.

UM AZAR DO KRALJ


O CFO, o Rui Derrota, o negacionista e o Vasco: estes e outros seis tipos de reações ao Benfica, por Um Azar do Kralj
Agora que tudo parece perdido para os lados da Luz, é tempo de perceber como pode cada um dos benfiquistas reagir à deceção
1 - Chief Financial Officer
Estudou relações internacionais na Lusófona, mas fala da contabilidade do clube como se estivesse numa reunião do Eurogrupo ou, pior, como se soubesse o que é que foi pago a quem quer que seja. Na verdade leu tudo num blogue de um licenciado em história pelo ISCTE e a as suas justificações para a presente temporada têm sempre origem numa despesa qualquer que o clube fez. Fala sempre como se só agora tivéssemos descoberto que isto do futebol custa uma pipa de massa e dá prejuízo, ou como se os quatro títulos anteriores tivessem sido ganhos sem gastar dinheiro. Não foram. Custaram muitos milhões e não estou sequer a incluir os tais vouchers.
2 - O estadista
Não é vieirista mas só vê patetas na linha de sucessão e por isso vai tentando manter um certo equilíbrio na análise. Escreveu um post de 5 mil caracteres sobra o tema no Facebook em que dá uma no cravo e outra na ferradura. Não quer ser ingrato para com a direcção que lhe deu os anos mais felizes da vida, mas tem medo de regressar aos anos 90. Acima de tudo leva-se demasiado a sério, tudo porque acalenta a secreta esperança de um dia vir a ser presidente do clube, o que é um erro. Basta ver os muitos comentadores em condições de suceder a Luís Filipe Vieira para se perceber que o dirigismo desportivo não se presta a gente muito séria.
3 - O Guilherme Cabral
O lirismo com que fala da derrota em casa frente ao Tondela é capaz de induzir o vómito em qualquer pessoa equilibrada. Faz perguntas retóricas como “PORQUÊ?”, “QUE É FEITO DE TI, MEU BENFICA?” ou “ACHAM QUE VAMOS À CHAMPIONS?”. Se ao menos soubesse usar o iMovie, poderia vir a produzir o maior épico desmotivacional da história do clube. Felizmente para todos, passou os últimos 10 anos na internet a mandar postas de pescada e não lhe sobra energia para mais.
4 - O Hiper Desportivista
Assiste a muitos jogos de ligas de países civilizados, ou então jogou rugby e vive na ilusão de que o futebol devia ser igual. Deu os parabéns ao FC Porto uma vez e toda a gente achou “ok, sim senhor, era assim que devia ser” mas continua apostado em demonstrar a toda a gente que é um bom perdedor, como se parabenizar dezasseis vezes o adversário mudasse o pântano do futebol português ou, pior ainda, como se devêssemos alguma espécie de simpatia crónica a um justo campeão que, não obstante ser um justo campeão, instituiu a corrupção desportiva em Portugal e passou as últimas temporadas numa cruzada bélica composta por trolls da internet pagos pelo clube, apesar de apontar o dedo ao Benfica por fazer o mesmo. Uma cambada de tristes, portanto. Como todos os hiper desportivistas, vai acabar a ser insultado pelos mesmos jagunços que um dia o retweetaram.
5 - O técnico de comunicação
Nunca se percebe bem se é um ser humano ou um bot. Reagiu a tudo nos últimos dias com um RT de um gajo qualquer pago pelo Benfica para criar manobras de diversão em dias ou anos menos felizes para o clube. Perceberemos mais tarde que é um ser humano quando, em resposta a um técnico de comunicação sportinguista, escrever que “a gente vamos”.
6 - O perdedor
Passou as últimas 48 horas a explicar com uma condescendência algo ridícula que não se pode ganhar sempre. Os poucos amigos que existirem na sua vida deviam oferecer-lhe um kit de sócio do Sporting.
7 - O adepto das modalidades
Deu por si a aprender as regras do vólei este fim-de-semana, mas percebeu pouco depois que só mesmo nessa modalidade é que o Benfica se estava a safar. Decidiu aguardar fechado em silêncio num quarto escuro até começar o mundial e desatar a pintar a cara com as cores da bandeira, sob o pretexto de o país estar acima do Benfica e outras banalidades que tais. Não é desta gente que precisamos a puxar pelo clube na Internacional Champions Cup.
8 - O Rui Derrota
Acha que isto é tudo uma crueldade que nada fizemos por merecer. Defende a continuidade do treinador porque acha que o Rui Vitória é um tipo educado, que tem sabido estar e só teve o azar de contar com uma equipa de coxos, apesar de a esmagadora maioria desses coxos terem celebrado um tetracampeonato há menos de aum ano. No fundo, este adepto acredita que encontrou o novo Arséne Wenger, e tem razão. O Arsenal não ganha a liga inglesa desde 2004.
9 - O negacionista
Acredita que o Benfica perdeu o penta essencialmente devido a factores externos. Sabe quem apitou e avaliou o árbitro de um FC Porto - Moreirense em 2003, conhece a família dele, e tem orgulho em referir tudo isto como se a sua visão-helicóptero do futebol português à qual nada escapa, que tudo sabe e tudo ouve, não fosse uma versão patética de um Octávio Machado que em vez de plantar batatas só sabe plantar rumores. Infelizmente para este adepto, o tal helicóptero está em queda livre desde que o Benfica decidiu tentar ganhar o penta fora do relvado e está prestes a espetar-se nuns calhaus bem afiados algures a norte do Cabo da Roca. É bem feita. Não foi o Marega. Foi o karma.
10 - O Vasco
E finalmente o-gajo-que-foi-um-pouco-de-tudo-isto durante os últimos dias e semanas: eu.
Em suma, resta-nos ser a única pessoa possível se queremos conservar alguma honra neste campeonato. Sejamos, enfim, o gajo que levantou a cabeça e já só pensa no próximo jogo.
Um Azar do Kralj, in Tribuna Expresso

ANÁLISE ATUALIDADE DESPORTIVA SL BENFICA - BENFICA TV HD - 01 MAIO 2018

                                           

PRIMEIRAS PÁGINAS


LUÍS BERNARDO: "DEFESA DO BENFICA É FEITA COM TOTAL TRANSPARÊNCIA"


CLUBE
Diretor de Comunicação explica o funcionamento do Gabinete de Crise e convida “fonte judicial” do Expresso que suspeita daquela estrutura a estar presente numa das reuniões para verificar o trabalho meticuloso que é feito.
No passado dia 28 de abril, o semanário Expresso publicou uma notícia onde se refere que estaria em curso uma investigação da Justiça a todos os jogos do Benfica nas épocas do Tetra e também na corrente temporada. A mesma notícia relata ainda suspeitas sobre o funcionamento do Gabinete de Crise do Clube.
Luís Bernardo, diretor de Comunicação do Benfica, colocou os pontos nos is numa entrevista à BTV.
Que esclarecimentos pode dar sobre os conteúdos da matéria difundida pelo Expresso? Comecemos pelo funcionamento do Gabinete de Crise…
É uma estrutura criada para fazer o acompanhamento diário e permanente de tudo o que sai em relação a este caso dos emails. É composta por elementos dos gabinetes de Comunicação, Jurídico e também da equipa de advogados que tem acompanhado todo este processo, liderada pelo dr. João Correia. A grande preocupação do Gabinete são aspetos jurídicos, não é andar a fazer denúncias anónimas ou a controlar o que os jornalistas fazem – isso é completamente falso e absurdo. Se existe alguma suspeita sobre o modus operandi, fazemos aqui um convite para que estejam presentes numa das nossas reuniões para perceber o trabalho meticuloso que fazemos. Estamos a lidar com um crime extremamente complexo, como é o caso do cibercrime.
Houve violação da correspondência privada do Benfica e a mesma sai e continua a sair, de forma permanente, em blogues afetos ao FC Porto e ao Sporting. É de grande complexidade combater este tipo de criminalidade. A plataforma (Word Press) onde o principal blogue está sediado não consegue responder nem criar as condições de segurança para que este tipo de crime seja evitado. É isso que estamos a estudar, inclusive ao nível das instituições comunitárias. Se, como diz o Expresso, há uma fonte judicial que tem suspeitas em relação ao funcionamento do Gabinete de Crise, então venha cá que nós explicamos. Nós é que não temos nenhuma dúvida em relação ao funcionamento e à prática dessa dita fonte, que, essa sim, está a cometer um crime, e por isso o Sport Lisboa e Benfica já acionou uma queixa judicial contra incertos pelo crime de violação do segredo de justiça.
Outro aspeto que me deixou perplexo é a notícia do Expresso fazer referência a José Almeida Ribeiro, ex-quadro do SIS, ex-secretário de Estado do governo de José Sócrates, e criar uma dúvida sobre o tipo de atividade que está a exercer no Benfica. O Gabinete de Crise convida especialistas em diversas áreas para estarem presentes nas nossas reuniões e nos darem algum aconselhamento. São reconhecidas as competências de José Almeida Ribeiro a nível da análise estratégica, da legislação comunitária e do cibercrime. Fico espantado como os jornalistas do Expresso não tiveram a preocupação de fazer um trabalho rigoroso e saber quem é José Almeida Ribeiro. Curiosamente, o tipo de consultoria que lhe pedimos é exatamente aquela (a análise estratégica) que lhe foi solicitada nos últimos anos pelo presidente do Conselho de Administração do Grupo Impresa, dono do Expresso, o dr. Francisco Pinto Balsemão, e por outros administradores.
Algumas das imprecisões dessa notícia do Expresso já foram sublinhas por um comunicado posterior do Benfica…
Não admitimos a suspeita de que estamos por detrás das denúncias anónimas. Um mínimo de investigação levava a perceber que a denúncia anónima noticiada pelo Jornal I é de finais de fevereiro – e o Gabinete de Crise só foi constituído em março. Dão a entender que a BTV foi o primeiro órgão de comunicação a tornar públicos alguns nomes. Não! Os nomes já estavam em diversos blogues e mesmo em alguns sites de órgãos de comunicação social. Os factos desmentem a história que quiseram montar. Todas as denúncias que são contra o Benfica são credíveis; se alguma não é contra o Benfica, essa já é suspeita. Não consigo entender isso.
Vejamos o que está em causa: houve ou não houve um roubo de toda a correspondência privada do Benfica dos últimos 10/11 anos? Houve, ninguém tem dúvidas! Quem é que foi o porta-voz desse roubo? O diretor de comunicação do FC Porto foi a primeira pessoa a aparecer, no Porto Canal, a relatar o conteúdo do teor de alguns emails, o que é um crime. Também temos assistido a blogues afetos ao FC Porto e ao Sporting a divulgarem sistematicamente essa correspondência, alguma de teor pessoal. Eu pergunto: para as fontes da justiça não há nada de suspeito nesta situação? Depois de se conhecer a denúncia anónima, se para alguma coisa serviu a notícia do Expresso foi para credibilizar essa mesma denúncia.
Estabelece uma relação de causa e efeito entre o crime e a entidade que o tornou público?
As evidências são óbvias, só não vê quem não quer. A quem interessava o roubo? De repente, aparece como porta-voz desse roubo o diretor de comunicação do FC Porto. Posteriormente, ao longo de todo este tempo, assistimos a blogues afetos ao FC Porto e Sporting a divulgar essa correspondência privada. Isto acontece por acaso? Mas estamos a brincar? Ninguém percebe? O Gabinete de Crise foi criado para que uma instituição como o Sport Lisboa e Benfica se possa defender com total transparência.
Fica surpreendido com a aparente inação ou diversidade de sensibilidade da Justiça e das entidades judiciais?
Acreditamos no trabalho da Justiça e esperamos que faça o seu trabalho, que investigue tudo minuciosamente. Se olharmos para os órgãos de comunicação social, todas as fugas de informação e violação do segredo de justiça são base de notícias que vão contra o Benfica. Todas! O Clube está extremamente tranquilo, sendo necessária uma investigação profunda, porque a suspeição criada é insuportável. Vejamos um exemplo: esquecem-se de quem é que levantou suspeitas quando o Benfica ganhou em Tondela? E agora, com este resultado na segunda volta? É inadmissível o ambiente criado no futebol português, com suspeitas sobre tudo e todos! Quem é que começou isto? O Benfica será intransigente com todos aqueles que o ataquem e com notícias plantadas que resultem do crime de violação do segredo de justiça.
Os beneficiados aparentemente são FC Porto e Sporting. É estabelecível uma relação de causalidade?
Todo este ambiente surge numa fase histórica em que o Benfica acabava de ganhar o Tetracampeonato, sendo também o clube mais sólido a nível financeiro. O FC Porto está intervencionado pela UEFA, o Sporting está com dificuldades para pagar um empréstimo obrigacionista e por meio de uma análise rigorosa à sua contabilidade percebe-se que há ali o risco de insolvência. Em termos de infraestruturas de futuro, o Benfica tem uma série delas programadas. O Sporting não tem, procura ganhar o próximo Campeonato para salvar uma situação caótica. Tudo isto levou, como se sabe, a uma espécie de união de esforços entre aqueles clubes. E os factos vêm demonstrar que há aqui um nexo de relação.
Esperava outro tipo de comportamento da entidade reguladora da competição, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional?
Olhando para o futuro, considero que é fundamental haver bom senso de todos aqueles que intervêm nos momentos estruturantes, haver a noção de que é insuportável a forma como se está a destruir esta indústria. O papel do Gabinete de Crise não é fazer denúncias anónimas, mas defender a instituição Sport Lisboa e Benfica e identificar um conjunto de situações para depois poder transmiti-las às autoridades no momento adequado, para que as mesmas possam agir em conformidade. O futebol português tem de mudar radicalmente e espero que na próxima época haja bom senso. A Liga, A FPF e outras entidades vão ter um papel importante para a imposição de regras que contribuam para a melhoria desse ambiente.
Falou do futuro, mas ainda faltam duas jornadas para terminar esta época. Que mensagem passa aos Sócios e adeptos do Benfica?
Estamos muito focados nas duas finais que faltam. Toda a nossa atenção deve estar centrada nesse aspeto. Por isso o presidente fez questão de dar todo o apoio aos jogadores nesta fase difícil. As boas lideranças assumem-se principalmente nos momentos difíceis, não é só nos bons momentos, com uma palavra de apoio e incentivo, não se escondendo atrás de críticas a treinadores e jogadores, ou hibernando para aparecer com graçolas nos momentos das vitórias. Estamos tristes porque estes últimos resultados não foram de encontro aos nossos desejos, mas os Benfiquistas devem dar este último apoio, força e confiança à equipa. Há um objetivo importante a atingir e é para isso que todos os juntos devemos remar.
Sport Lisboa e Benfica