segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

FELIZ 2019 - BRINDE À VIDA


"Vamos assistir, igualmente, e com claras tensões, à reformulação das competições do futebol, seja ao nível da FIFA seja ao nível da UEFA

1. Neste final de ano recordamos as alegrias e as tristezas que vivemos em 2018 e fazemos os melhores desejos para o ano que se vai iniciar, para 2019... Na nossa vida pessoal e no nosso sentir como comunidade independente. E, também, como vizinhos de uma aldeia global e como seres, que não se repetindo, sabem que a identidade e a memória fazem parte do nosso devir existencial. Permitam-me, assim, que deseje a cada um(a) dos nossos leitores(as) um Feliz 2019. Brindemos, acima de tudo, à vida!

2. Mas permitam-me que nesta última crónica de 2018 equacione algumas das questões que, no meu modesto entender - sempre sujeito a erros e a omissões! - vão marcar o ano que no final do dia de amanhã arranca. Em termos desportivos ambicionamos a conquista da primeira Liga das Nações em futebol. Esta nova competição da UEFA, que superou as expectativas dos seus criadores- e com indiscutível e craveira mão portuguesa - vai proporcionar às cidades do Porto e Guimarães um atractivo e sugestivo arranque de Junho. Vão viver um verdadeiro São João antecipado. Serão milhares os fiéis adeptos das selecções apuradas para esta final four a rumar a Portugal, a encher os espaços do Norte de Portugal, a combinar o vinho do Porto com a cerveja, a degustar a nossa singular gastronomia e a encher os estádios do Dragão e o Afonso Henriques. E sempre com a nossa secreta, viva e sentida esperança de erguermos, afinal e no final, o primeiro troféu de conquistadores da Liga das Nações em futebol. Seria mais um título para estes tempos fantásticos da nossa Federação e, também, da nossa principal selecção de futebol.

3. Vamos assistir, igualmente, e com claras tensões, à reformulação das competições de futebol, seja ao nível da FIFA seja ao nível da UEFA. Aqui as três competições europeias de clubes serão uma realidade confirmada e ao nível da FIFA o processo conducente a um atractivo Mundial de clubes prosseguirá a sua marcha. A FIFA quer organizar competições entre clubes e não apenas entre selecções. Mas a reformulação atingirá as competições internas com a rápida evolução da nossa segunda liga - que caminhará para duas séries, ou seja duas zonas - e para a esfera federativa e com as competições profissionais, sob a direcção de uma reformulada Liga de clubes, a concentrarem-se, apenas, na primeira Liga. O que será, em conjunto, uma verdadeira revolução. Com derrotados e vitoriosos. Mas com as Federações nacionais e assumiram mais poder, que não apenas mais e mero protagonismo.

4. Vamos em 2019 confirmar a sedimentação do VAR como instrumento importante para uma maior verdade desportiva também no futebol. Vai chegar, já, aos oitavos de final da Liga dos Campeões o que significará a sua consolidação em termos de futebol europeu. É claro que sendo o VAR humanocontinuará a suscitar controvérsias e múltiplas discussões, ou seja continuará a permitir, em grau bem menor diga-se, o sal e a pimenta que levaram à afirmação do futebol como um dos marcos - e exemplos - desta globalização que tem na tecnologia nas suas diferentes formas e vertentes  um dos marcos deste nosso tempo civilizacional. Se o meu neto João Maria, com o sorriso ternurento dos seus três anos, já mexe tablet com uma destreza que me impressiona estou certo que o VAR se vai aperfeiçoar ao longo do ano de 2019!

5. Neste Ano Novo vão continuar as disputas judiciais a envolver questões relacionadas com o desporto, com clubes desportivos e com sociedades desportivas. E digo judiciais em termos de justiça do Estado e não em termos de justiça desportiva onde, aqui, irão surgir duras sanções disciplinares que provocarão sérias rebeliões. E logo no ano, este de 2019, onde surgirá um novo elenco de árbitros no Tribunal Arbitral do Desporto e com um processo de avaliação necessariamente exigente.

6. O ano de 2019 será marcado por eleições europeias e por eleições legislativas em Portugal. Entre outras eleições em outros Estados europeus. O desporto não será, em qualquer delas, prioridade para a apresentação de concretas propostas - ou ideias - por isso, o desporto passará ao lado de múltiplos temas que perturbam a unidade e a comum (?) ideia de Europa e, também, entre nós, e com a excepção do tema da violência que estará, por questões disciplinares, a desviar atenções, os temas de desporto, por demasiados quentes, serão remetidos para alguns parágrafos dos programas eleitorais das candidaturas às eleições de Outubro próximo. Salvo se a disciplina perturbar tudo... e desencadear rebeliões!

7. O desporto electrónico ganhará cada vez mais adeptos e praticantes. São já milhões de praticantes, que já ganham - os melhores milhares de euros por mês, fartam-se de viajar e são reconhecidos e acompanhados por outros milhões de adeptos e fans! São estes eSports que vão crescer, e muito, em 2019. E também aqui ser número 1 do Mundo exige muito tempo, muita saúde e muita pressão. E mesmo neste jornal é importante dar nota de uma realidade deste tempo de mentes digitais brilhantes!

8. Nas outras modalidades convém acompanhar a crise de talentos no atletismo, a força do surf, da canoagem, dos ténis e do motociclismo, a crescente relevância do futebol feminino e a consolidação da presença dos três grandes do desporto português nas principais modalidades colectivas, como basquetebol e andebol, hóquei em patins e voleibol (aqui sem Porto). E com o COP a continuar a ser a instituição que agrega todos e todas, o que implicará a ponderação da existência, duplicando representações, de uma Confederação do Desporto. E com a presença paralímpica reconhecida e motivada.

9. O ano de 2019 será o ano do arranque de um novo canal desportivo, o canal da Federação Portuguesa de Futebol. É uma aposta forte e arrojada. Cheio de grandes nomes do jornalismo e da comunicação em Portugal vai mexer, e muito, no mercado televisivo, nas suas ofertas e pode perturbar realidades já existentes. Estou convicto que todos os operadores e, em particular, a Federação Portuguesa de Futebol não deixarão de prestar toda a atenção a projectos portugueses, com memória e história, com identidade e vontade, com consciência e experiência.

10. Agora, no arranque do novo ano, teremos o fim da primeira volta da Liga NOS, a final four da Taça da Liga, a decisão acerca dos semi-finalistas da Taça de Portugal e, logo no arranque de Fevereiro respectivamente os oitavos e os dezasseis avos de final da Liga dos Campeões e da Liga Europa. E com um fim de semana bem rico em termos da globalmente atractiva Liga inglesa. Feliz 2019. Bom desporto. Mas acima de tudo que arranque 2019 com um brinde à vida!"

Fernando Seara, in A Bola

O DILEMA DE RUI VITÓRIA


"Ao treinador do Benfica só resta um caminho: o equilíbrio entre ganhar e jogar bem - ou, pelo menos, jogar mais vezes bem do que mal

que é, de facto, mais importante no futebol: o resultado ou a exibição? Os mais românticos - e não há mal algum em para o jogo olhar com romantismo - dirão que ambas, mesmo sabendo que não é verdade: porque pode ser-se campeão jogando mal desde que ganhando mas o mesmo desfecho revelar-se-á impossível para quem, mesmo jogando o melhor futebol do mundo, não consiga ganhar mais do que os outros, mesmo que joguem pior.
Há, ao longo dos tempos, vários exemplos disso. A Selecção Nacional, por exemplo, venceu o Europeu graças a essa visão pragmática do futebol, trocando o jogar bonito sem nada ganhar de que tanto nos orgulhámos durante tantos anos pelo jogar bem, que é diferente de jogar bonito mas traz melhores resultados que, convenhamos, sendo menos atraente aos olhos enche de forma bem melhor o ego. Porque, olhado com romantismo ou pragmatismo, o mais importante no futebol é, deixemo-nos de lirismos, ganhar.

Vendo jogar este Benfica poderá pensar-se que o novo Rui Vitória decidiu, à falta de melhores soluções, olhar para o futebol pelo seu lado mais pragmático. Tão resultadista na Luz só há memória do Benfica de Trappatoni, campeão em 2004/2005, num outro exemplo de que é possível vencer mandando o espectáculo às malvas. É, contudo, preciso perceber que há um tempo para tudo. Trappatoni acabou com um jejum de títulos que durava há onze anos. Tinha, além disso, uma equipa com bem mais limitações do que a actual, ainda mais dependente de Simão Sabrosa do que esta é de Jonas. É, pois, natural que os adeptos tenham sempre perdoado ao italiano essa visão tão redutora do jogo, tal como os portugueses não deixarão de perdoá-la a Fernando Santos.
Rui Vitória não terá, já se percebeu, essa sorte, até porque a realidade é muito diferente; uma coisa é a Selecção ser pragmática contra a França, Itália, Croácia ou Polónia. Outra é o Benfica fazê-lo em jogos contra equipas que lutam pela manutenção. É por isso que o único caminho de Vitória (se não quiser seguir o das arábias...) será encontrar o equilíbrio entre a necessidade de ganhar e a obrigação de jogar bem - ou, pelo menos, de jogar mais vezes bem do que mal.

Os adeptos podem ser o que de melhor o futebol tem para dar. Mas neles também se encontram, às vezes, o pior que as sociedades têm para nos oferecer. O que os adeptos do Inter - um clube que vibrou com Ronaldo, Eto'o, Maicon, Roberto Carlos ou Seedorf, só para citar alguns - fizeram a Koulibaly no jogo com o Nápoles é a todos os níveis repugnante. Dois jogos à porta fechada é, até, pouco. Por cá - sempre atentos  à forma como lá fora actuam de forma mais dura e célere mas pouco dispostos a com isso aprendermos alguma coisa - o castigo aplicado ao Inter foi aproveitado para aquilo em que somos melhores: atacar os rivais e quem tem o dever de aplicar a justiça. Dá para rir. Ou não fossem os próprios clubes a aprovar o Regulamento Disciplinar da Liga. Mão pesada? Só interessa se bater nos outros. E como um dia me pode tocar a mim... mais vale ficarmos pela mão leve e fazer muito barulho, que sempre dá para enganar os tolos.

A bárbara agressão a um adepto do Benfica que regressava a Barcelos depois de ter visto, na Luz, o jogo com o SC Braga é um caso de policia. Não vale a pena estarmos a falar de punir um clube, por ser impossível responsabilizá-lo por acção criminosa a um grupo de adeptos a 20 quilómetros do seu estádio - ou, até, à sua porta numa noite sem jogo. Mas devia ser suficiente (mais um...) para alguém obrigar os clubes a definirem bem os limites das relações com as suas claques, legalizadas ou não. É esse o meu único desejo desportivo para 2019. Se bem que, em ano de eleições, talvez seja utópico pensar que alguém queira meter as mãos no assunto..."

Ricardo Quaresma, in A Bola

O ANO DE 2018


"Para além das inúmeras conquistas do desporto e dos desportistas portugueses durante 2018, houve o registo, também, de algumas novidades no campo do Direito do Desporto, tanto em Portugal como no estrangeiro, algumas motivadas por acontecimentos ocorridos no ano que agora termina.
Em jeito de balanço, fica o apontamento de algumas novidades que 2018 trouxe neste âmbito: o alegado esquema de dopagem na Rússia continua a dar azo a novas decisões no CAS; a decisão do Tribunal Belga que (só aparentemente) veio colocar em causa a sustentabilidade e credibilidade do CAS e que trouxe novamente o tema da proibição de TPO à ordem do dia; a proclamação da Declaração Universal dos Direitos dos Atletas; as alterações do RSTP da FIFA; a criação, em Portugal, de uma Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto e o processo legislativo de alteração ao Regime Jurídico do Combate à Violência nos Espectáculos Desportivos; o litígio entre a Federação de Surf e a Federação de Canoagem sobre o Stand-Up Paddle; a suspensão do campeonato de râguebi; a decisão (que motivou tantas e interessantes questões) do CAS sobre a decisão da UEFA relativo ao processo de fair-play financeiro do AC Milan; as normas referentes e aspectos de integridade e antidopagem divulgadas pela FIFA relativamente a uma competição de eSports; a resolução da ONU que reconhece a importância do Desporto no desenvolvimento sustentável da sociedade; a crescente importância, que também se reflecte a nível normativo, do futebol feminino; o aumento da litigiosidade, o que se verifica pelo aumento exponencial de processos no TAD e o consequente aumento de recursos nos Tribunais Administrativos."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

PRIMEIRAS PÁGINAS: MAIS UMA VERGONHA QUE PASSA EM CLARO


domingo, 30 de dezembro de 2018

COMPARAÇÕES EM SACO ROTO E MAIS SACRIFÍCIOS


O Benfica comparou o atentado contra um grupo de adeptos seus - que no domingo regressava áa Barcelos pela A1 - ao atentado que contra os jogadores e técnicos do Sporting que aconteceu em Alcochete no último mês de maio. Formalmente o Benfica tem razão. A coberto da noite, no caso recente da autoestrada, ou cobertos por capuzes, no caso da Academia do Sporting, bandos de meliantes atacaram cidadãos tão inocentes quanto desprevenidos. A comparação caiu, no entanto, em saco roto porque a imagem da cabeça ensanguentada de um adepto não se compara em impacto mediático à cabeça ensanguentada de um profissional de futebol.
A cabeça do adepto Bruno Simões, não tem o valor da cabeça do jogador Bas Dost, nem em termos das chamadas "audiências" nem sequer em capacidade para suscitar o mesmo nível de indignação social. Cinco dias já se passaram, entretanto, sobre o ataque que ocorreu no alcatrão entre Grijó e Gaia. E a Federação Portuguesa de Futebol e a Liga de Clubes continuam tão absorvidas por este género de questões em abstrato que ainda não conseguiram produzir uma palavra sobre o crime de domingo à noite. Para o Ministério da Administração Interna o assunto não existirá porque é "futebol". O MAI talvez se intrometesse se os utentes agredidos da A1 voltassem a casa depois de uma visita ao Oceanário de Lisboa ou ao Portugal dos Pequeninos em Coimbra. Sendo "futebol", tenham lá paciência...
O Sérgio Conceição foi multado por ter tirado a braçadeira de treinador e o Benfica foi multado por ter passado uma imagem em direto de Abel Ferreira nos ecrãs gigantes da Luz. Não há nada de verdadeiramente importante que escape à alçada civilizacional do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol.
O Benfica somou no domingo a sua 7ª vitória consecutiva desde que a Luís Filipe Vieira lhe deu a luz no Seixal. Aparentemente foi uma exibição categórica.sobretudo na segunda parte, da equipa de Rui Vitória, que ficará sempre para a história como o primeiro treinador do Mundo a substituir-se a si próprio depois de ser alvo de uma chicotada psicológica. A exibição produzida e o resultado averbado nesse jogo com o Sporting de Braga terão sido só ‘aparentemente’ categóricos porque, tal como tem vindo a ser exposto em todos os areópagos de gente séria e bem informada, o Sporting de Braga fez um frete, ofereceu-se ao sacrifício na Luz por força do amor que o seu presidente, o treinador e todos os jogadores, um a um, dedicam ao Sport Lisboa e Benfica.

Ontem, na Vila das Aves, o Benfica até parecia que estava a fazer um frete ao Desportivo local. As situações de quase-golo dos donos da casa teriam produzido um resultado histórico se a bola estivesse em noite de entrar na baliza de Svilar. Mas Seferovic lá fez um golito e assim segue o Benfica para a final four da Taça da Liga. Mas que o resultado foi injusto, isso foi.

Leonor Pinhão

EMOÇÃO E INCERTEZA ATÉ FINAL


"Com o empate o jogo assumiu nova forma: o Aves a arriscar e o Benfica a gerir o tempo

Intensidade concentração
1. O futebol é um jogo estratégico/táctico desenvolvendo acções técnicas individuais e colectivas num ambiente psicológico e fisiológico positivo. Esta partida revelou a essência do jogo: intensidade, concentração nos objectivos, velocidade decisional e de deslocamento, pressão constante sobre a bola, adversários ou nos espaços vitais de jogo, alterações na organização das equipas, substituições, emoção e incerteza no resultado até ao final.

Modelo de jogo e de treino
2. Todos os treinadores e equipas objectivam a concretização de um modelo de jogo, denominando-o de identidade. Porém, para cada jogo, utilizam o conhecimento do adversário, congeminando alterações pontuais perante as condições que plausivelmente se irão verificar. Consequentemente, modelo de jogo e de treino são duas faces de uma mesma moeda.

Alterações nos onzes
3. Em função da densidade e do momento competitivo, os treinadores efectuam alterações, colocando jogadores que, não tendo tanto ritmo de jogo, possam contribuir para os objectivos da equipa mantendo os mesmos níveis de rendimento. Logo, tanto o Aves como o Benfica, em função das mesmas ou diferentes razões, realizaram alterações. Assim, não é de admirar a alteração dos guarda-redes (Bernardeau/Svilar), da estrutura defensiva (Jorge Fellipe/Yuri Ribeiro), média (Falcão) e ofensiva (Derley/Seferovic).

Aves melhor
4. O Aves dispõs das melhores ocasiões da 1.ª parte, usando um bloco defensivo alto, baixando quando o Benfica conseguia ultrapassar as linhas de pressão, tendo como referências Falcão, Oliveira, Gomes e Fellipe. A dinâmica ofensiva do Aves residiu na transição ofensiva com 3 referências: Amilton, Derley e Baldé. Respondeu o Benfica com um jogo ofensivo rápido, qualidade técnica, jogando à largura e à profundidade, destacando-se Zivkovic, Gedson e Pizzi.

Jonas mudou
5. Ao golo do Aves respondeu o Benfica, recorrendo a Jonas e utilizando um sistema de 4x4x2 aumentando o volume de jogo ofensivo. O Aves baixou os seus sectores, mantendo a sua transição ofensiva em profundidade. Restabelecida a igualdade, o jogo assumiu uma nova forma, com o Aves a arriscar o que era possível, enquanto o Benfica geriu o tempo e o resultado de jogo."

Jorge Castelo, in A Bola

2019!


"Dificilmente Rui Vitória reconquistará adeptos só pelos resultados. E mais dificilmente ainda os reconquistará pelo discurso

Nem mesmo um mau resultado, esta sexta-feira, na Vila das Aves, num jogo que é para a Taça da Liga, e que conta, portanto, para a parente ainda pobredas competições nacionais, tira razões aos benfiquistas para, apesar de tudo, fecharam 2018 com um sorriso bem menos amarelo do que na verdade se estava à espera. A goleada sobre o Braga foi realmente uma espécie de Pai Natal benfiquista que madrugou pela chaminé da Luz na tarde de 23 de Dezembro e levou particularmente a Rui Vitória uma consoada bem mais tranquila do que o próprio Rui Vitória estaria, provavelmente, a pensar ter, sobretudo tendo em conta o novelesco folhetim em que se viu e de algum modo quis ver-se envolvido quando, depois de levar cinco do Bayern, esteve quase, quase despedido e foi, por fim, apenas agarrado pelo presidente, num momento que facilmente ganharia no futebol o prémio confusão do ano.

que sucedeu com o Braga foi uma goleada verdadeiramente inacreditável para quem se habituou a ver nos últimos meses o Benfica a ir delapidando o seu talento como equipa e a perder capacidade de competir a um grande nível.
O Benfica - Braga foi mesmo um jogo estranho na medida que andava mal e tudo mal a um Braga que andava bem. Fez o Benfica quase tudo ao contrário do que vinha fazendo e fez na realidade o Brava bem menos do que nos tinha mostrado na maioria das jornadas anteriores.
Já se sabe que há quase sempre dois pontos de vista em jogos com resultados desta natureza. Há os que defendem que o verdadeiro mérito foi do Benfica, porventura a maioria, mas nunca faltam os que resolvem reduzir o derrotado à menor das expressões e atribuir-lhe a total responsabilidade do resultado.
Nem oito nem oitenta. O Benfica jogou surpreendentemente bem, sim, mas apenas bem; e o Braga acabou esmagado pela tremenda eficácia dos encarnados - sempre que tentou reagir não foi capaz de equilibrar.
É bom lembrar, aliás, que podia o Braga ter feito o 1-1 por mais de uma vez; que sofreu o 0-2 quando estava mais próximo do nível do Benfica e o 3-0 logo no arranque da segunda parte, reduzindo três minutos depois para tentar reentrar no jogo e sofrendo novo golo (4-1) apenas mais três minutos decorridos. O golpe final.
Depois, em quatro minutos, o Benfica faz 5-1 e 6-1 e o Braga rende-se à inesperada evidência de ver o Benfica ser premiado com a lotaria de Natal.
Do lado dos encarnados, deu para tudo, até deu para Grimaldo fazer um golo com o pé direito e André Almeida um com o pé esquerdo, naquele que foi uma espécie de golo da noite que ninguém, no estádio, queria acreditar que fosse acontecer mesmo quando André Almeida lançou intencionalmente o pé esquerdo àquela bola que vinha, pelo ar, para a entrada da área, aliviada por um defesa do Braga, como se ninguém acreditasse que André Almeida fosse capaz, dali, de fazer um golo com o pé direito quanto mais com o esquerdo.
A verdade é que, quando se deu por ela, a bola estava dentro da baliza do Braga, após entrar rigorosamente no canto em que a trave se une com o poste. Miraculoso.

O quê? Grimaldo marcou com o direito e André Almeida com o esquerdo? E o Benfica fez pressão alta? E reagiu rápido à perda de bola? E envolveu quase sistematicamente três, quatro, cinco jogadores no ataque à baliza do Braga?
Mas o que é que deu, afinal a este Benfica para, subitamente, fazer quase tudo ao contrário do que andava a fazer?
O que se passará, afinal, para o Benfica não conseguir jogar mais vezes como jogou com o Braga? Porque não consegue ser mais constante? Falta-lhe confiança? Falta-lhe preparação? Falta-lhe mais trabalho?
Ou é só do treinador e da mão que tem, ou não tem, para organizar o jogo da equipa, construí-la e ir tomando as respectivas opções?
Pelo menos Jardel, agora o capitão, e André Almeida - que acredito que seja figura importante no balneário - quiseram mostrar afinidade com o treinador e de algum modo protegê-lo um pouco, aos olhos de quase 60 mil pessoas na Luz, de toda a pressão sofrida por Rui Vitória sobretudo nos últimos dois/três meses.
Se não quisessem mostrar que estão com o treinador não teriam Jardel e André Almeida (ainda por cima dois dos mais antigos no balneário) ido a correr para os braços de Vitória quando fizeram os seus golos.
Mas será isso, mais a defesa de Vitória feita também por jovens jogadores da casa como Rúben Dias ou Gedson, suficiente para mudar o tom das criticas que se têm abatido sobre o treinador do Benfica? Não creio. É preciso que a equipa jogue, é preciso que mostre muito mais o futebol que mostrou com o Braga, é preciso que dê muito mais do que tem dado a ideia de ser uma equipa trabalhada, coesa e consistente.
Caso contrário, saberá Rui Vitória o que o espera. Porque a ganhar mal e a perder como chegou a perder, Rui Vitória já dificilmente reconquistará adeptos só pelos resultados. E muito menos pelo discurso.
Veremos o que lhe trará 2019!"

João Bonzinho, in A Bola

PRIMEIRAS PÁGINAS


sábado, 29 de dezembro de 2018

JUNIORES TERMINAM O ANO COM 14 PONTOS DE AVANÇO


FUTEBOL
A equipa do Benfica empatou em casa do Tondela na 17.ª jornada do Campeonato Nacional, Zona Sul.
A equipa de Juniores do Benfica empatou com Tondela (1-1) na 17.ª jornada do Campeonato Nacional, Zona Sul. Os encarnados terminam o ano de 2018 na liderança com um avanço de 14 pontos.
Desde o primeiro minuto do encontro, a equipa encarnada demonstrou toda a sua filosofia e superioridade. Controlou a posse de bola e as ações da partida.

[GOLO: 0-1] Na sequência de um canto, Gonçalo Ramos inaugurou o marcador aos 32' a favor do Benfica.
Ao intervalo o marcador assinalava 0-1, um jogo pautado pela supremacia das águias, comprovada pelas estatísticas. 59% de posse de bola registada pela equipa encarnada nos primeiros 45 minutos.
Primeiros 15 minutos da segunda parte disputados de parte a parte, mas sem grandes apontamentos de perigo junto das duas balizas.
Quando o jogo se encaminhava para o final, a equipa da casa conquistou uma falta dentro da área encarnada e o árbitro apontou para a marca da grande penalidade.
[GOLO: 1-1] Na marcação de um penálti aos 88' o Tondela restabeleceu a igualdade na partida.
Até ao fim o resultado já não se alterou e a equipa do Benfica arrecadou mais um ponto. Com este empate os encarnados somam 47 pontos (15 vitórias e dois empates) e terminam o ano de 2018 na liderança do Campeonato Nacional, Zona Sul, com mais 14 pontos do que o segundo classificado, o Tondela.
Onze inicial do Benfica: Carlos dos Santos, João Ferreira, Gonçalo Loureiro, Pedro Ganchas, Sandro Cruz, Rafael Brito, Gonçalo Ramos, Ronaldo Camará, Kevin Csoboth, Jair e Ricardo Matos.

VITÓRIA FOLGADA NO CAIR DO PANO DE 2018


BASQUETEBOL
O basquetebol do Benfica bateu o Terceira Basket nos Açores com nova marca acima dos 100 pontos, e continua invicto na LPB após 12 jornadas.
A equipa de basquetebol do Benfica encerrou 2018 da melhor forma ao bater, este sábado, no Pavilhão do Complexo desportivo Tomás de Borba, o Terceira Basket por 64-101, em jogo da 12.ª ronda da Liga Portuguesa de Basquetebol.
Um cinco inicial com muitos centímetros – Fábio Lima, Álex Suárez e Xavi Rey – permitiu uma boa entrada do Benfica. Forte na luta das tabelas, eficaz no jogo interior e no tiro exterior, as águias rapidamente conseguiram uma vantagem larga no marcador (5-15), o que obrigou o técnico da turma açoriana a pedir um desconto de tempo.

A chamada de atenção teve pouco efeito, pois os encarnados continuaram agressivos do ponto de vista defensivo, com o Terceira Basket a sentir dificuldades na hora de atirar ao cesto. O resultado manteve-se desnivelado até ao final do 1.º quarto do jogo: 13-32.
No 2.º quarto, a toada manteve-se, com o Benfica a chegar aos 20 pontos de vantagem (18-38) logo no seu arranque. Com o resultado em 20-44, uma vez mais, o treinador do Terceira Basket, Hugo Salgado, a tentar inverter o jogo através de um time out.
Contra um Benfica muito eficaz a defender e em todos os capítulos ofensivos do jogo, os insulares nada conseguiam fazer para suster o avolumar do resultado. Ao intervalo, os comandados por Arturo Álvarez estavam na frente, por 32 pontos (26-58).
No recomeço, o Terceira Basket esteve melhor do que nos primeiros dois quartos do jogo. Equilibrou os primeiros minutos do 3.º quarto, sem que, todavia, conseguisse aproximar-se das águias. Arturo Álvarez, por sua vez, aproveitou a vantagem pontual para dar minutos a jogadores menos utilizados: Rafael Lisboa e Gonçalo Delgado.
À entrada para os derradeiros 10 minutos da partida, o Benfica estava na frente, por 46-78. No último quarto, as águias voltaram a alargar a distância pontual até aos 37 pontos (56-93), obrigando Hugo Salgado a novo desconto de tempo para fazer acertos na equipa. Até final, registo para o triplo de Fábio Lima, que permitiu que os encarnados ultrapassassem a barreira da centena de pontos.
Os marcadores do Benfica foram Micah Downs (31), Xavi Rey (14), Álex Suárez (14), Miguel Maria (12), José Silva (12), Fábio Lima (8), Jacques Conceição (6) e Gonçalo Delgado (4).
Cinco inicial do Benfica: Miguel Maria, José Silva, Fábio Lima, Álex Suárez e Xavi Rey.
Na próxima ronda, a 13.ª, o Benfica recebe o Esgueira, no Pavilhão Fidelidade. A partida está agendada para as 16h00 de 5 de janeiro.