sexta-feira, 3 de julho de 2020

É URGENTE REFORÇAR O BENFICA


"Sinto que estava mais bem preparado para o exame nacional de Física ou Química no 11.º ano do que para escrever a crónica desta semana. Não tenho saudade da tabela periódica e dispenso bem analisar esquemas com átomos e moléculas. Porém, estas matérias estão disponíveis para consulta em vários livros, ao contrário de um desperdício de sete pontos do Benfica que não vem leccionado em livro algum. Não vale a pena o leitor procurar, eu próprio já consultei a Biblioteca Nacional. O ensino português preocupa-se demasiado com teoria que nos prepare para o futuro profissional, mas em primeiro lugar deveria assegurar que temos as bases necessárias para sermos capazes de enfrentar obstáculos mais importantes. Qual é o manual escolar que explica detalhadamente como devemos reagir perante um empate com o Tondela ou uma derrota com o Santa Clara na Luz? Como aprendemos a diferir apenas duas vitórias em 13 jogos? Não preciso de aulas para aprender a lidar com recuperações extraordinárias como a da época passada, contudo desconheço a fórmula para me resignar perante uma quebra tão inesperada como a deste ano. Estou cada vez mais apreensivo. Receio que o Benfica não consiga assegurar o único reforço capaz de recolocar o clube num caminho de sucesso. Não estou a falar do Ronaldo nem do Messi, do JJ, do Marco Silva ou do Pochetino. Estou a falar dos benfiquistas. Nós, sim, somos verdadeiramente indispensáveis. A força que faz do Benfica um emblema tão forte. A diferença entre um nulo ou uma vitória com um golo no último segundo no Bessa. Enquanto os estádios estiverem vazios, o Benfica entra em campo em desvantagem."

Pedro Soares, in O Benfica

INEXPLICÁVEL


"Há precisamente um ano e meio, Bruno Lage assumia a equipa principal do Benfica, e partia para uma segunda volta de campeonato inesquecível, com triunfos categóricos em Alvalade, no Dragão e em Braga, futebol bonito, goleadas históricas, recordes de golos, tudo traduzido num brilhante e merecidíssimo título nacional.
Já no início da nova época, o jovem técnico selou a Supertaça com estrepitosos 5-0 ao Sporting, e nas primeiras 19 jornadas do campeonato alcançou 18 triunfos (prosseguindo assim uma incrível série de 36 vitórias em 38 partidas da liga), que elevaram os encarnados a uma vantagem pontual que então chegou a parecer definitiva. A partir de meados de Fevereiro, foi o que, incrédulos, temos visto: 13 jogos deprimentes, com resultados de mal a pior.


É lugar-comum dizer-se que o futebol tem destas coisas. A verdade é que, em mais de quarenta anos de benfiquismo, não me recordo de tamanho contraste de exibições e resultados dentro de uma mesma temporada, ou até de uma temporada para outra. E, tal como a generalidade dos benfiquistas, não consigo perceber o que aconteceu, nem como foi possível desperdiçar um campeonato que tinha tudo para ser nosso, mais a mais num momento de notória fragilidade do principal rival. Independentemente do resto, importa salientar que Lage sempre se mostrou um profissional digno, conquistou títulos, e é merecedor de todo o nosso respeito. Mas é também preciso encontrarmos explicações cabais para o que sucedeu nestes meses, de forma a que tal não volte a repetir-se no futebol, qualquer que seja o treinador que venha a sentar-se no banco."



Luís Fialho, in O Benfica

SEMANADA

"1. Nélson Veríssimo. O treinador adjunto de Bruno Lage ganhou alguma popularidade por assumir a equipa durante as bolas paradas. Sempre que havia uma bola parada, Bruno Lage sentava-se no banco e Nélson Veríssimo tornava-se, por momentos, o treinador principal. Eu não sei onde é que a “Estrutura” esteve nas últimas semanas, mas se há coisa que o Benfica tem sido péssimo, são as bolas paradas. Principalmente as defensivas onde temos sofrido golos atrás de golo. Mas aparentemente, nada disso conta. O importante era tirar Bruno Lage, sem ter qualquer plano B por de trás e calar meia dúzia de adeptos. Resultado: estamos a cinco jornadas do fim do Campeonato sem o 2º lugar garantido, pouco mais de um mês da Final da Taça de Portugal e andamos a brincar aos treinadores. Não faz sentido.
2. O Próximo Treinador. Até agora os nomes que têm surgido são nomes sonantes. O problema é que nem sempre um nome sonante é sinónimo de um bom treinador. E um desses casos é Unai Emery. O espanhol enterrou à grande no PSG e no Arsenal. No PSG conseguiu ser o único treinador a perder uma Ligue 1 nos últimos 8 anos. No Arsenal é responsável pela pior Premier League do clube desde 1995 (e com muito mais investimento do que Arsene Wenger). Ganhou três Ligas Europa com base num futebol modestamente fraco. Não é conhecido lançar jovens jogadores. Não se encaixa minimamente no perfil que precisamos. Mas como é um nome sonante, como há eleições em Outubro, e nomes sonantes caem sempre bem em eleições, tudo parece apontar que vamos por aqui. Espero é que LFV se lembre que o argumento “Um treinador que ganhou 3 Ligas Europas é mau?!” não vai ser suficiente se depois falhamos o apuramento para a Champions League.
3. Renovações no Futsal. O Benfica oficializou as renovações de Roncaglio, Fits e Robinho. Sendo que a imprensa Espanhola, Portuguesa e até, em alguns casos, o antigo clube já confirmaram as contratações de Nilson (Fixo), Hossein Tayebi (Ala-Pivot), Ivan Chishkala (Ala-Pivot) e Arthur (Ala), parece que o plantel de Futsal está fechado. Ao todo saem 6 jogadores (Fernandinho, Drasler, Chaguinha, Miguel Ângelo, Bruno Coelho e André Coelho). O plantel vai ser mais curto, mas vai ter maior versatilidade. Vamos ter 4 jogadores muito fortes no 1 para 1, o que promete alguma espectacularidade.Vamos estar menos dependentes de Robinho. Por outro lado, a equipa parece não ter nenhum Fixo de grande nível. O que é estranho visto que os Fixos servem para (não só mas também) cobrir os Pivots e o Sporting joga muito pelos seus Pivots. Neste caso, parece-me que estamos a fazer uma grande aposta em Afonso Jesus, que vem há alguns anos a ser apontado como uma das grandes promessas do Futsal Português. A partir deste ano, não há ninguém a tirar-lhe tempo de jogo. Se fizer uma época ao nível do que se diz dele, pode acabar a temporada como titular. Fizemos uma aposta muito semelhante no Rafael Lisboa no ano passado (onde deixámos o Miguel Maria sair) e revelou-se muito acertada. Esperemos que aqui seja igual.
4. Mehdi Taremi. Tudo indica que o iraniano vai mesmo reforçar o Benfica e eu não podia ficar mais satisfeito com esta contratação. Não sabemos ao certo que tipo de jogo o próximo treinador vai querer, mas o Taremi é tão versátil que facilmente se encaixa seja no que for que lhe seja pedido. É um jogador que sabe baixar no terreno, sabe jogar dentro da área, é forte com a bola no pé, é agressivo, é perfeito para ser uma segundo linha. Seria uma óptima contratação. Tem ainda outra vantagem, que é o facto de ter 27 anos, não tem um grande historial de lesões, o que significa que provavelmente teríamos ponta de lança para no mínimo 4-5 anos e a apanhar aqueles que são tipicamente os melhores anos da carreira de um jogador de futebol. Gostava que se confirmasse."

A JANELA


"Hoje é um dia diferente. A noite, passou-a mal dormida, e os ponteiros do relógio pareciam movidos a vapor. Não tinha como esperar pelo toque irritante do despertador, que tardava em chegar apesar do volteio nos lençóis. Margarida, chamemos este pseudónimo a esta jovem real do projecto 'Para ti Se Não faltares!', levantou-se num salto quando, finalmente, o sol raiou pela janela iluminando o quarto que divide com duas irmãs. A mais velha, que passou há anos pelo projecto, candidata-se neste ano à universidade e acredita que vai entrar. A mais nova sonha-se maior e quer entrar no projecto quando passar para o 5.º ano, habituada a invejar as irmãs por tudo o que o projecto lhe dá e a celebrar as suas conquistas pessoais e o prestígio no bairro. Margarida é, no entanto, a estrela que mais brilha hoje ali no quarto e antecipa o momento da recolha do seu merecido prémio. Média de 4, a caminho de 5, quando há apenas dois anos acumulava negativas e acenava que não à matemática convencendo-se de que não nascera para estudar, ou, pior, ainda, de que não era lá muito inteligente. Hoje, Margarida fez um caminho, que segue por diante, acredita em si mesma e sonha como nunca antes. Como nunca antes, também, corre atrás do sonho com a voracidade dos campeões, paga o sucesso em esforço e colhe-o saborosamente a cada momento de celebração. Irmãs, família, colegas e professores orgulham-se da pessoa que ela mostra ser à medida que cresce e celebram com ela os sucessos alcançados, da mesma forma que lhe deitam palavras de incentivo quando, como todos nós, tropeça ou fraqueja na dureza do caminho. Longe vão os tempos de má memória em que pouco parecia valer para os outros e, portanto, de forma magoada e triste, também, cada vez mais, para si mesma. Hoje, todos acreditam na Margarida, pedem-lhe ajuda e conselho, os mais novos perguntam-lhe como fez e procuram seguir o seu exemplo. Margarida também acredita em si verdadeiramente nunca tinha deixado de o fazer, mas ia-se deixando ir numa dormência que lhe tirava a reacção e lhe tolhia a atitude. Que, pouco a pouco, lhe diminuía o sonho. Esse sobrevinha-lhe à noite, assomada à janela, de olhar posto da imensidão das estrelas, numa nostálgica própria de quem se sente perdido, que ia tomando conta de si sem que entendesse porquê. Hoje aquela janela abre-se de igual forma, mas as estrelas brilham mais, e Margarida vibra como nunca antes; aprendeu a abrir tantas e tantas janelas, a sonhar tantos e tantos sonhos, que quer conquistar um por um e sente-se capaz disso!
Por isso, quando no regresso fugaz à escola, dali a pouco, receber pela janela, das mãos da professora, o seu prémio de desempenho, nada terá um valor mais simbólico que essa janela."



Jorge Miranda, in O Benfica

PRIMEIRAS PÁGINAS DO LIXO JORNALEIRO TUGA


quinta-feira, 2 de julho de 2020

OBRIGACIONISTA EM CURSO

"Está a decorrer, desde dia 29 de Junho e até 10 de Julho, o lançamento do 11.º empréstimo obrigacionista da Benfica, SAD desde 2004.
Num semestre em que a Benfica, SAD reembolsou subscritores de empréstimos obrigacionistas em cerca de 73 milhões de euros, o montante agora pedido é bem inferior – 35 milhões de euros – cumprindo-se o compromisso da redução significativa do endividamento financeiro.
Não obstante o período de incerteza que vivemos a nível global, que naturalmente afecta a economia e os mercados financeiros, a banca não hesitou em apoiar esta medida de gestão, revelando confiança na capacidade da Benfica, SAD em honrar os seus compromissos.
É fácil de compreender este sinal de confiança: o endividamento da Benfica, SAD baixou para um nível histórico (menos de 100 milhões de euros), sendo apenas cerca de um terço da facturação anual, e a situação de tesouraria continua a ser boa, apesar da pandemia.
Torna-se óbvio, portanto, que a emissão deste empréstimo obrigacionista é motivada somente pela prudência face à incerteza, em todos os domínios, que atravessamos. Revela cautela e sentido de responsabilidade, assegurando-se que, independentemente do que venha a acontecer, todos os compromissos continuarão a ser escrupulosamente cumpridos.
A taxa de juro bruta estipulada (4%) é ligeiramente superior à mais baixa de sempre neste tipo de operações efectuadas por sociedades anónimas desportivas (havia sido 3,75% no último empréstimo obrigacionista lançado pela Benfica SAD) e bem abaixo das taxas aplicadas recentemente por outras SAD ou por empresas de referência em Portugal que recorreram a este instrumento de financiamento.
Trata-se de uma taxa interessante, que permite financiamento a um custo inferior do que se fossem utilizados outros instrumentos financeiros, e ao mesmo tempo atractiva para os investidores, por terem à sua disposição um instrumento que lhes permite obter um retorno do seu investimento bastante superior ao oferecido pela banca nos depósitos bancários e, em simultâneo, beneficiar do conforto de investirem numa aplicação com risco muito reduzido.
Este sinal inequívoco de confiança dos mercados resulta de um histórico sem quaisquer falhas. A Benfica, SAD reembolsou sempre os investidores nos prazos acordados (até fez um reembolso parcial antecipado).
Considerando que se trata da primeira emissão obrigacionista desde o aparecimento em força da pandemia, o possível sucesso desta operação será um sinal importante para todos os emitentes e, em especial, para as outras Sociedades Anónimas Desportivas."

PRIMEIRAS PÁGINAS DA LIXEIRA JORNALEIRA TUGA


quarta-feira, 1 de julho de 2020

UM AZAR DO KRALJ


O Benfica está entregue a um piloto sem brevê e as únicas recordações de Weigl serão o diploma do 3.º lugar, um tipo a correr nu e um calhau
Vasco Mendonça, cronista da Tribuna, comentador televisivo e metade de Um Azar do Kralj está num momento particularmente sensível da sua carreira de aficionado benfiquista. É ler o que escreve a propósito dos jogadores que foram derrotados pelo Santa Clara, em casa, e também as críticas a Bruno Lage. Vasco pede, inclusivamente, a intervenção de Adel Taarabt para que leve o treinador pela mão a ver o mar à praia das Avencas.
Vlachodimos
A culpa não foi dele, mas Vlachodimos desceu hoje à galeria dos horrores onde figuram os pouquíssimos guarda-redes do Benfica batidos por 4 vezes num só jogo do campeonato na Luz. Tem a companhia de um dos melhores que eu vi até hoje naquela posição, Michel Preud’Homme. À sua frente, no dia 16 de Março de 1997, o guarda-redes belga teve Tahar El-Khalej, Jorge Soares, Bermudez e El Hadrioui, quatro jogadores que, vendidos em conjunto ao Desportivo das Aves, não dariam para pagar uma daquelas bandeletes do Rúben Dias.
André Almeida
Há uma diferença entre essa derrota com a Salgueiros e a de hoje. Nesse dia estavam alguns milhares de pessoas no estádio, que tiveram de sofrer pelo seu amor ao Benfica. Felizmente desta vez houve uma pandemia que poupou os adeptos à humilhação. Obrigado, Covid-19. Quanto ao André, pareceu melhor jogador com o Zivkovic em campo, uma situação que só nos pode deixar deveras surpreendidos.
Ferro
Bati hoje um novo recorde pessoal de terços rezados entre uma falta cometida de forma desnecessária por um jogador do Benfica e a marcação do respectivo livre. Tenho a dizer-vos que é por estas e por outras que o ateísmo vai ganhando terreno. Não sei o que me deu, mas decidi que era boa ideia ver o lance do quarto golo em câmara lenta ao som de Andrea Bocelli e acabei a limpar o vómito dos cantos da boca.
Rúben Dias
A ele se deve um verdadeiro hino à verdade desportiva visto na Luz, e não falo apenas da justíssima vitória do Santa Clara. O lance em que o Ruben decide estupidamente tocar com a mão na bola permitiu a João Pinheiro, árbitro cujo carácter foi assassinado duas dúzias de vezes nos últimos anos, ter o seu momento de redenção ao assinalar um penálti contra o Benfica na sua própria casa. Desculpem repetir-me, mas com padres destes não admira que o ateísmo ganhe terreno.
Nuno Tavares
A confiança tem destas coisas. Por vezes catapulta-nos para níveis impensáveis; noutras ocasiões, revela a distância que nos separa da realidade, e há ainda algumas circunstâncias em que a confiança parece dar a entender que andamos a brincar com esta merda. Aquela saída a jogar seria inadmissível num gajo que chegou direto da noite para uma futebolada entre amigos. Agora imaginem num jogo em que o maior clube do mundo tem obrigação de ganhar.
Weigl
Posso estar enganado, mas começo a achar que as únicas recordações que o Weigl vai levar de Portugal são um tipo a correr nu na rua por causa dele, um diploma de terceiro classificado e um calhau.
Gabriel
O jogo com o Marítimo ainda não começou, mas eu antecipo-me já ao Goalpoint: 0% de passes falhados. Inchem. Assim está bem. Os haters dirão que essa estatística só é possível porque Gabriel está suspenso no próximo jogo. Não liguem. É gente que não sabe ver futebol.
Pizzi
Não sei quanto a vocês, mas eu estou pronto para a segunda vaga da pandemia.
Adel
A sua dívida de gratidão para com Bruno Lage é seguramente muito grande, mas não supera aquilo que o Benfica lhe pagou em salários e prémio de assinatura ao longo destes anos. Sendo assim, e porque o presidente não tem coragem de falar com o Lage, sugiro que peçam ao Adel para o levar à praia das Avencas onde poderão recordar os bons momentos passados juntos e acertar os termos da rescisão amigável.
Rafa
Rafa, se me estiveres a ler combinamos já uma coisa: só voltas a aparar a barba quando o Benfica vencer 3 jogos consecutivos.
Seferovic
Sugestão: começamos com o Dyego Sousa a titular, este recebe entre linhas e faz as coisas todas que o Lage lhe pede mesmo não marcando um único golo. Pouco depois sofremos um golo e, aí sim, colocamos o Seferovic e o Vinicius em campo. Não vale a pena alterar constantemente a ordem natural destas coisas quando finalmente se descobre uma fórmula para conquistar 3 pontos - a não ser que essa fórmula vencedora seja um mero acaso e estejamos entregues a um piloto sem brevê.
Vinicius
Tornou evidentes as fragilidades da defesa do Santa Clara e devolveu a esperança aos adeptos, contribuindo assim para mais uma vantagem enganadora no marcador. Já lhe deveriam ter explicado que o golo da vitória deve surgir sempre após o minuto 90, para que os colegas não tenham tempo de desperdiçar a vantagem. Marcar a 25 minutos do fim é simplesmente suicida.
Zivkovic
Parece a caminho da titularidade. Só precisa de mais minutos nas pernas e de um novo treinador. Já faltou mais.
Dyego Sousa
Digo-vos uma coisa, sem falsas modéstias. É preciso gostar mesmo MUITO do Benfica para estar aqui às 2 da manhã a tentar encontrar palavras que me permitam caracterizar os minutos do Dyego Sousa em campo.
Cervi
Autor do último cruzamento do Benfica durante o jogo, que acertou em cheio no Zivkovic, momentos antes do quarto golo do Santa Clara.

ÉPOCA BASQUETEBOL 2019/20

"A época de Basquetebol terminou e é altura de fazer uma introspecção à temporada que passou. 
Depois do despedimento de Arturo Alvarez a meio da temporada anterior, Carlos Lisboa acabou por regressar e ficar, numa decisão que não foi muito consensual para os adeptos. Houve muitas mudanças no plantel. A começar pelas saídas dos portugueses Miguel Maria, Jacques Conceição (angolano mas que contava como português) e Cláudio Fonseca, e dos estrangeiros Juan Cantero, Álex Suárez, Xavi Rey, Mickell Gladness. Além de Quentin Snider e Kris Joseph que já tinham saído no decorrer da temporada. Entraram para os seus lugares Toure' Murry (que viria a desaparecer das convocatórias a meio da época), Anthony Ireland (que chega já com a época a decorrer quando nos apercebemos que Murry não era um base organizador), Betinho, Damian Hollis, Eric Coleman, Gary McGhee e Anthony Hilliard (que também chegou a meio da época depois da lesão de Micah Downs e do desaparecimento do Murry). Resta dizer que mexidas nos americanos a meio da temporada, tem sido anormal para o Benfica, mas que na Europa fora é algo bastante comum no Basquetebol.
O racional por trás destas mexidas todas fez sentido. Rafael Lisboa precisava de mais minutos, como tal Miguel Maria só lhe iria tirar espaço. Este ano as regras permitiam ter cinco estrangeiros. Como a nossa base de portugueses é mais forte no back-court (com Rafael Lisboa, Tomás Barroso, Zé Silva, Fábio Lima) podemos ter um front-court mais pesado em estrangeiros. Daí termos dois postes americanos (Coleman e McGhee). O regresso de Betinho, permitia-nos ter o melhor português da modalidade, que contava, a nível de talento, como um estrangeiro.
A nível interno fizemos 26 jogos e vencemos 23. No Campeonato estávamos a 4 jornadas do fim da Fase Regular, com 22 jogos, 20 vitórias e 2 derrotas. As derrotas tinham sido contra o FC Porto e Sporting. Ambos fora de casa. O Sporting ia em primeiro, só com uma derrota, nos pavilhões da Luz. Na Taça Hugo dos Santos eliminámos o FC Porto no prolongamento, mas depois perdemos na final contra a Oliveirense, que tinha eliminado o Sporting, por apenas dois pontos. Fizemos apenas dois jogos para a Taça de Portugal. Vencemos ambos. Estávamos agora na meia-final, contra o FC Porto. Ou seja, não estava a ser uma época extraordinária, mas ainda tínhamos boas hipóteses relativamente aos dois principais títulos, até porque tivemos diversas baixas ao longo da época. A mais importante de todas foi a lesão de Micah Downs, mas não se ficou por aí.
Na Europa, foi uma das nossas melhores temporadas no passado recente. Demos boa luta na Fase de Qualificação da Champions League. Na primeira ronda eliminámos o Donar Groningen (1º lugar na Liga Holandesa). Na segunda ronda caímos diante do Mornar Bar de Montenegro (5º lugar na Liga Adriática). Seguimos daqui para a FIBA Europe League onde pela primeira vez passámos a primeira Fase de Grupos, num grupo com ZZ Leiden (4º lugar Holanda), BK Inter Bratislava (1º lugar da Eslováquia) e PVSK-Panthers (5º lugar da Hungria). Tivemos cinco vitórias e apenas uma derrota contra o Leiden. Na segunda Fase de Grupos, não nos apurámos para os quartos-de-final por uma unha negra. Ficámos no grupo com Medi Bayreuth (12º da Alemanha), Bakken Bears (1º da Dinamarca) e Spirou Charleroi (5º da Bélgica). Vencemos os dois jogos contra os belgas e o primeiro contra o Bakken Bears. Se temos ganho o último jogo contra os Bakken Bears na Dinamarca, tínhamos conseguido o apuramento.
Dos 14 jogadores que utilizámos na FIBA Europe Cup, 13 fizeram pelo menos 6.1 pontos por jogo. Se Micah Downs não se tem lesionado (acabou por participar apenas em 2 dos 12 jogos), podíamos ter ido mais longe. Os nossos melhores atletas foram:
- Anthony Ireland - 15º melhor jogador da FIBA Europe Cup em pontos por jogo e 4º em assistências 
- Eric Coleman - muita garra, muito impacto nos dois lados do campo - Betinho Gomes - top50 melhores jogadores em pontos por jogo e top10 melhores ressaltadores
- Micah Downs - no pouco que jogou, foi sempre dos melhores
- Arnette Hallman - outro jogador muito lutador, com maior impacto defensivo, mas que também contribui para o ataque
- Zé Silva - 46% de 3 pontos na Liga Portuguesa - Fábio Lima - melhor percentagem de 3 pontos da FIBA Europe Cup
- Rafael Lisboa - mostrou que pode ser o base da seleção nacional para os próximos 10-15 anos
Do lado menos positivo, tivemos:
- Gary McGhee - no papel era esperado que fosse o poste titular, à frente de Eric Coleman e que se enchesse de estatísticas defensivas. Na prática passou muito ao lado de quase todos os jogos
- Toure’ Murry - desapareceu do Benfica. O rumor que consta é que o treinador o tirou da equipa
- Damian Hollis - foi um regresso apagado. É um jogador que precisa de muita bola e nós já tínhamos 3-4 jogadores que têm muita bola também.
No geral, acho que a equipa esteve a menos uma derrota de ter tido uma boa época. Bastava termos ganho um dos jogos contra Sporting (F), Oliveirense (Final da Taça HdS) ou Bakken Bears (F) e tinha sido uma boa época. Acho que com o regresso de Micah Downs para a fase mais importante da época, que teríamos um reforço de muito peso que iria desequilibrar o Campeonato a nosso favor. Logo, nem se pode dizer que foi uma má época. Mas para a diferença de qualidade nos plantéis, particularmente em Portugal, esperava-se outra coisa.
Na próxima época para já ainda não há muitas novidades. O clube até agora já anunciou a saída de Gary McGhee, Anthony Ireland e Anthony Hilliard, sendo praticamente certo que pelo menos Toure’ Murry também deverá sair. Damian Hollis, para o que rendeu, também não me espantava que estivesse de partida. Além de que é raro os americanos ficarem no clube mais do que uma época, como tal Micah Downs poderá sempre ter mercado para outros voos. A nível de portugueses, não parece que vá haver nenhuma saída, visto que todos têm contrato ou já o renovaram (Zé Silva e Fábio Lima). O primeiro, e até agora único, reforço é Scottie Lindsey, um extremo jovem que estava a jogar na G-League. Faltam ainda, pelo menos, mais dois reforços. Um base organizador para o lugar que Anthony Ireland andava a ocupar, e um poste para competir com Eric Coleman."

PRIMEIRAS PÁGINAS DA LIXEIRA JORNALEIRA TUGA