domingo, 3 de janeiro de 2021

COMEÇO DE ANO COM GOLEADA NA B



 Manhã de estreias coroada com goleada!

O Benfica B entrou com tudo. Intensidade e mentalidade competitiva espelharam-se no resultado conseguido diante da Oliveirense na 14.ª jornada da II Liga.
O Benfica B entrou a todo o vapor numa manhã de estreias e arrancou o ano civil de 2021 com uma sólida goleada (4-0!) diante da Oliveirense. Henrique Araújo (2), Morato e Paulo Bernardo fizeram os golos (com nota artística!) no desafio da 14.ª jornada da II Liga, que decorreu no Campo n.º 1 do Benfica Campus.
A partida da 14.ª jornada ficou marcada inicialmente por duas estreias! A do treinador Nélson Veríssimo ao leme do Benfica B e a de Tiago Gouveia a titular num encontro do segundo escalão do futebol português. O jogo estava bastante disputado e físico, contudo, as águias não abdicavam dos seus conhecidos processos de jogo – futebol apoiado e de construção desde a primeira linha.
Aos 14', Paulo Bernardo testou os reflexos do guardião da Oliveirense com um remate potente de pé direito. O médio encarnado não deixou o esférico tocar na flor da relva e disparou um míssil para uma excelente intervenção de Coelho.
Na primeira situação de perigo, Coelho conseguiu afastar para canto, mas na sequência do lance (canto) chegou o tento benfiquista. Paulo Bernardo tocou curto para Kevin Csoboth, o médio húngaro ajeitou o esférico, centrou com conta, peso e medida e Morato agradeceu. O defesa-central, solto de marcação, cabeceou de cima para baixo e colocou a bola no fundo das redes (1-0).
Aos 16', o anfitrião podia ter dilatado a vantagem no Benfica Campus. Tiago Gouveia arrancou, fez um slalom pela zona central do terreno, travou, driblou para o lado direito e rematou para o lado contrário da movimentação do guarda-redes. Coelho estava batido, todavia, o esférico passou a muito poucos centímetros do poste esquerdo. Eram as águias que pautavam o ritmo de jogo. Vukotic – a realizar o 40.º jogo pelo Benfica B – era um dos pêndulos, a atuar na zona nevrálgica do terreno, que armava os velozes alas da turma orientada por Nélson Veríssimo.
Apesar da maturidade e da experiência dos seus atletas, a equipa de Oliveira de Azeméis não encontrava caminhos para furar a defensiva encarnada. Tomás Araújo e Morato, suportados pela visão de Fábio Duarte, controlavam as ocorrências e mantinham a vantagem até ao apito de Rui Lima – o árbitro principal desta partida. Ao intervalo: 1-0.


O Benfica B entrou célere no recomeço da partida e Tiago Gouveia foi uma das imagens desta vertigem. O atacante das águias trabalhou bem a "caixa de velocidades" e deixou o defesa contrário para trás. Perto da linha de fundo, e já solto de marcação, levantou a cabeça e cruzou atrasado para a entrada de Henrique Araújo, que, com bastante frieza, rematou cruzado e rasteiro para dentro da baliza adversária (2-0). Aos 69', Nélson Veríssimo decidiu efetuar a primeira alteração: Samuel Pedro entrou para o lugar de Kevin Csoboth.
O 3-0 esteve sempre mais perto e chegou mesmo aos 75'. Henrique Araújo fez o bis na partida. Samuel Pedro rematou forte, Coelho efetuou uma defesa incompleta e, na recarga, o avançado madeirense encostou para os festejos (3-0). O Benfica B era dono e senhor da situação. Os ataques com perigo eram vários e a intensidade colocada em cada lance era sempre bastante elevada. Como tal, o técnico encarnado voltou a mexer no xadrez tático e, aos 79', entraram Rafael Brito e Ronaldo Camará para os lugares de Diogo Mendes e Tiago Gouveia.
Aos 82', Vukotic esteve muito perto de balançar as redes adversárias. Através de um livre direto, o médio montenegrino desferiu um potente remate que bateu com estrondo na barra da baliza à guarda de Coelho. Os benfiquistas estavam insaciáveis e foi uma questão de minutos até se voltar a gritar golo. O lateral-direito Filipe Cruz, um dos melhores em campo, avançou vários metros pelo terreno, fletiu para dentro e desmarcou Paulo Bernardo, que, efetuando uma diagonal, baralhou a defensiva de Oliveira de Azeméis e na cara do guardião não vacilou. O médio picou a bola e fez um golo de bandeira (4-0 aos 86').
Foi já com Luís Lopes e Zé Gomes em campo – entraram para os lugares de Henrique Araújo e Paulo Bernardo – que a Oliveirense ainda tentou chegar ao tento de honra, contudo, as intenções acabaram esbarradas nas intervenções de Fábio Duarte ou fora do terreno de jogo. O apito final surgiu e as águias carimbaram o triunfo com o resultado de 4-0. Na próxima ronda (15.ª), o Benfica B desloca-se ao Estádio Municipal José dos Santos Pinto para defrontar o SC Covilhã.
DECLARAÇÕES
Nélson Veríssimo (treinador do Benfica B): "Acima de tudo fomos eficazes, concretizámos as oportunidades que tivemos. O domínio do jogo é claramente nosso, mas houve momentos em que não estivemos tão bem. A entrada foi muito forte, tal como tinha pedido aos jogadores. Senti-me bem neste regresso. Estive umas semanas fora, fui acompanhando tudo o que dizia respeito ao futebol e às equipas do Benfica em particular. É uma sensação boa estar de volta. Sentir o cheiro do relvado, do balneário, estar com os jogadores e obviamente que tinha saudades disso. Agora é pensar já no próximo jogo."
"Não queria deixar de aproveitar a oportunidade para desejar boa sorte ao míster Renato Paiva, que vai abraçar um novo projeto. Quero desejar-lhe toda a sorte do mundo, e aproveito também para desejar um bom ano a todos os Sócios, adeptos e simpatizantes do Benfica. Indiscutivelmente, uma coisa são os estádios com adeptos e outra coisa são os estádios sem eles. Desejo, fortemente, saúde, sucesso e que eles consigam regressar rapidamente à nossa companhia."
Henrique Araújo (avançado do Benfica B): "Fomos superiores do início ao fim. Entrámos com uma mentalidade competitiva bastante interessante. Queríamos ganhar e fazer pontos. Criámos muitas oportunidades e concretizámos. Marcar é sempre bom, fico muito feliz e espero continuar a fazer golos. O míster Nélson Veríssimo, ao longo da semana, quis transmitir-nos mentalidade competitiva, intensidade e hoje isso já se refletiu no nosso jogo, aliado ao que o míster Renato Paiva já tinha feito desde o início da época. Poderemos fazer coisas muito bonitas para o resto do ano."
Vukotic (médio do Benfica B): "Fiz 40 jogos ao serviço do Benfica B. Estou muito satisfeito e vou continuar a dar o meu melhor para ajudar a equipa. Fizemos um grande jogo, tivemos posse de bola e criámos muito perigo. Foi um triunfo justo."
Benfica B-Oliveirense, 4-0
FICHA
Local Benfica Campus, Campo n.º 1
Onze do
Benfica B Fábio Duarte, Filipe Cruz, Tomás Araújo, Morato, Pedro Ganchas, Diogo Mendes
(Rafael Brito, 79'), Vukotic, Paulo Bernardo (Zé Gomes, 89'), Tiago Gouveia
(Ronaldo Camará, 79'), Kevin Csoboth (Samuel Pedro, 69') e Henrique Araújo
(Luís Lopes, 88')SuplentesCarlos Santos, Fábio Baptista, Gonçalo Loureiro, Rafael
Brito (79'), Tomás Azevedo, Ronaldo Camará (79'), Samuel Pedro (69'), Luís Lopes
(88') e Zé Gomes (88')Ao intervalo1-0GolosMorato (15'), Henrique Araújo (50' e
75') e Paulo Bernardo (86')Boletim clínicoSandro Cruz (lesão muscular na coxa
direita); Diogo Capitão (status pós-cirúrgico ligamentoplastia do cruzado anterior
no joelho esquerdo); Jair Tavares (lesão muscular na coxa direita), Godfried
Frimpong (lesão muscular na coxa esquerda); Branimir Kalaica (lesão muscular na
coxa esquerda); Daniel dos Anjos (miocardite aguda pós-infeção por COVID-19);
Umaro Emaló (infetado com COVID-19)

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA | ANTEVISÃO #CDSCSLB

                                                   

ESPAÇO, O MELHOR AMIGO DE RAFA - CURTAS DO BENFICA



 "Foi um encontro que se dividiu literalmente em… duas partes. Não só por uma questão cronológica, mas também pela diferença da qualidade.

- Um primeiro tempo do Benfica bastante aceitável, principalmente até à meia hora de jogo. Muito espaço concedido pela equipa do Portimonense, principalmente no miolo, a possibilitar aos encarnados acelerarem na zona onde são mais perigosos: o corredor central.
- Portimonense a apresentar-se num 4-4-2 losango, procurando encaixar o seu médio ofensivo em Weigl. No entanto, o Benfica conseguiu sempre encontrar espaço, principalmente nas costas dos médios laterais, de forma a chegar à frente.
- Portimonense subia poucas vezes e com poucos elementos, sem ruturas de segunda linha. Bloco bastante afastado, sem e com bola. Também por isso, perdas pouco acauteladas na transição defensiva. 
- Na segunda parte, o Portimonense esteve bem mais junto. Isso possibilitou à equipa ter mais apoios à frente, mais tempo de posse de bola e uma recuperação mais rápida da posse.
- Em sentido inverso, o Benfica resguardou-se mais e, na transição ofensiva, procurava um Darwin Núñez que, desamparado, teve dificuldades em dar continuidade às jogadas.
- Demora dos extremos e médios do Benfica a chegar em apoio nesta fase. A equipa acabaria por ter ataques de pouca duração. O facto de este ter sido o primeiro jogo da época em que o Benfica termina com menos posse de bola que o adversário espelha bem as dificuldades que o Benfica teve em organização ofensiva neste segundo tempo.
- Ofensivamente, foram raros os lances em que o Portimonense incomodou a baliza de Vlachodimos, pese embora ter tido mais bola e domínio territorial.
- No entanto, não deixaram de assustar Jorge Jesus após terem conseguido o golo. Ferro e Samaris entraram aos 90min, num jogo frente ao último classificado do campeonato, sendo este um sinal de alguma insegurança por parte do técnico dos encarnados.

Destaques individuais
Rafa – um golo, uma assistência e muitos desequilíbrios criados na primeira parte, na qual o jogo do Benfica fluiu mais e o Portimonense concedia mais espaço. Em ambos os golos, ficaram bem patentes os estragos que pode causar quando esse espaço surge no corredor central. Indubitavelmente, o maior quebra-cabeças para os adversários das águias nesta fase da temporada.
Everton Cebolinha – continua bem longe de ser o jogador que todos esperariam. Nunca arrisca o duelo individual. Apenas se cinge a combinações curtas e, mesmo aí, falha alguns passes. Parece necessitar de frescura física e de perder o medo de errar quando tem a bola, ou então nunca “quebrará o gelo”."

OS 5 MOMENTOS MAIS IMPACTANTES DE 2020 | SL BENFICA



 "Foi um ano inesquecível para o SL Benfica. Pelas más razões, claro está, com uma percentagem de vitórias que só encontra valor semelhante nos anos negros de 2000 e 2001.

Perdido o campeonato, a Taça de Portugal, a Supertaça e a entrada na Champions, o SL Benfica não conquistou qualquer título em 2020, circunstâncias antes vistas só em… 2008.
Foi um ano de grandes mudanças a nível de cargos técnicos, a nível de transferências – começou com a bombástica contratação de Julian Weigl, continuou pelo defeso recheado de chegadas sonantes e a novela Cavani e terminará com a novela Lucas Veríssimo – e de grandes mobilizações da massa adepta, onde, apesar da pandemia, houve a vontade de 38 mil almas de dar o seu contributo à causa benfiquista, nas eleições mais concorridas de sempre.

1. Eleições Presidenciais (28 de Outubro) – Luís Filipe Vieira olhava para o lado e via João Noronha Lopes (entretanto apoiado pelo Movimento Servir o Benfica de Francisco Benítez), Rui Gomes da Silva e Bruno Costa Carvalho.
Nunca o presidente em funções há 17 anos tinha observado tanta concorrência para o seu posto e via, naturalmente, o caso mal parado: a época 19-20 tinha sido um desastre desportivo, a Justiça insistia em associá-lo a manobras duvidosas, a novela Cavani foi fracasso que demorou um mês e a eliminação da Champions cereja no topo do bolo.
Mas, bastou a contratação de Jesus e a dívida de gratidão da massa adepta, que o elegeu com 62,59% dos votos. Noronha, que fez campanha audível e que granjeou o apoio das camadas mais jovens, viu nos 34,71% – melhor resultado de sempre contra Vieira – enorme elogio aos seus esforços e o estímulo para continuar presente enquanto rosto da oposição.

2. PAOK 2-1 SL Benfica (15 de Setembro, Terceira Pré-Eliminatória da Liga dos Campeões) – No Toumba, os encarnados viram-se impotentes para contrariar o 3-4-3 de Abel Ferreira e viram os seus sonhos despedaçados: os de Jesus, os das suas finanças e os de Luís Filipe Vieira, que contava com apuramento para impedir surpresas em Outubro.
Aos pés de Zivkovic, dispensado umas semanas antes, o SL Benfica sofreu o segundo e não teve traquejo de ir atrás do empate e muito menos da vitória. Contra todas as previsões, era eliminado à primeira e atirado para a Liga Europa, competição cuja fase-de-grupos não jogava desde… 2009-10.

3. Apresentação de Jorge Jesus (17 de Julho) – Já depois de perder o campeonato e a Taça de Portugal, o SL Benfica via chegar o técnico português, que viu na pandemia o momento certo para deixar o projecto vencedor na América do Sul e voltar ao clube do qual saíra em maus termos.
Seria apresentado com pompa e circunstância, em cerimónia apoteótica, onde contou com o apoio da maioria das grandes personalidades do universo encarnado. Em tom de revisionismo histórico, prometeu «arrasar» e colocar a equipa a «jogar o triplo».
Com ele chegaria o maior investimento de sempre e a revolução num plantel onde as principais peças de 2018-19 continuavam presentes.

4. Demissão de Bruno Lage (29 de Junho) – Se na semana anterior o 4-3 do CD Santa Clara na Luz não fora aviso suficiente, o SL Benfica viajava à Madeira em estado muito fragilizado, resultado das duas vitórias nos anteriores 11 jogos.
A equipa não encontrava forma de recuperar os índices anímicos, via o Porto a fugir-lhe na frente – depois de já ter estado a sete – e encontrou nos Barreiros o recordista olímpico Nanu, que foi o herói do jogo e provocou a queda de Bruno Lage, que dizia na flash interview ainda sentir o «apoio de toda a gente». Vítima ou culpado? Perceberia-se uns meses depois.

5. FC Porto 3-2 SL Benfica (8 de Fevereiro, 20ª jornada da Primeira Liga) – O SL Benfica chegava ao Dragão depois de já ter ultrapassado prova de fogo na visita a Alvalade, mas o seu futebol há muito que não entusiasmava. Bruno Lage não conseguia impor o mesmo rendimento à equipa, apostava agora em Weigl e Taarabt para o meio e foi por aí que o FC Porto conseguiu vitória justa: ignorou um e condicionou outro, vingando a vitória categórica de um ano antes.
Começava a fase negra do técnico português, que perdera toda a aura mística de 2018-19."

JORNALEIROS QUASE NO MARQÊS


 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

LUCAS VERÍSSIMO | UMA NOVELA COM UM FINAL FELIZ?



 "O SL Benfica não atravessa os seus melhores dias. Quer pela (pouca) qualidade do futebol praticado, quer por esta última vaga de casos de coronavírus que tem assolado a equipa, o que é certo é que os encarnados precisam de reforçar algumas lacunas do plantel em janeiro, sendo o setor defensivo uma das prioridades. É aí que entra o nome de Lucas Veríssimo.

O defesa brasileiro de 25 anos, que fez um Brasileirão de muita qualidade, tendo sido o titular do centro da defesa do Santos FC, tem sido um dos nomes apontados à Luz, e crê-se na sua chegada por um valor a rondar os dez milhões de euros.
Lucas Veríssimo é um jogador muito forte fisicamente. Com 1.88m de altura e 77 quilos, torna-se difícil ultrapassar o jogador em força. A nível defensivo destaca-se pelo bom posicionamento, boa marcação e capacidade de desarme. Registou 2.2 interceções por jogo e 1.9 desarmes. Foi ultrapassado em drible apenas 0.5 vezes por jogo e realizou 4.5 alívios. Vence 62% dos duelos que disputa. Veríssimo não é um jogador nada impetuoso.
Mantém-se sempre calmo e tem uma boa tomada de decisão. O espelho disso mesmo foram as zero expulsões que teve no último campeonato brasileiro. Apesar da sua elevada estatura, o camisola 28 do Santos FC tem alguma qualidade técnica com a bola nos pés. Diversos são os lances onde podemos observar o jogador a ultrapassar, com habilidade, avançados bem mais rápidos e a progredir no terreno. 
No que à construção de jogo concerne, apesar de ter bons números (completa 87% dos passes totais), peca muito nos passes longos (completa apenas 44%) e tem alguma dificuldade em encontrar colegas em boas posições. Tem uma grande margem de progressão, pelo que jogar ao lado de um jogador do calibre e experiência de Jan Vertonghen poderá ajudar o brasileiro a dar um salto qualitativo enorme.
O jogo aéreo é uma das grandes armas do jogador. Defensivamente é muito competente, ganhando 68% dos duelos disputados no ar. Ofensivamente é sempre uma referência a ter em conta, somando já dois golos e uma assistência na presente temporada (um na Libertadores; um golo e uma assistência na Série A do Brasileirão).
Resta, agora, aguardar por janeiro e perceber qual será a abordagem encarnada ao mercado de transferências. Veremos um Benfica cirúrgico ou esbanjador como vimos em agosto? Só o tempo – e as exibições até lá – o dirá."

UM AZAR DO KRALJ: MAIS UMA AZIA DO VASCO MENDONÇA



 2020 foi isto: terminar o jogo em casa contra o último encostado às cordas, com menos posse de bola, a segurar um resultado frágil. Bom 2021

"Vlachodimos

Safou-se de boa aos 76 minutos. O penálti sofrido pelo Beto só seria mais cavado se fosse feito com uma enxada, mas não deixa de ser penáti. O árbitro entendeu o lance de outra forma e garantiu-nos mais 15 minutos de paz podre, assim evitando a perda de mais pontos. Seguir-se-á agora um rol de insultos proferidos por gente que acha que eu queria era um tacho no clube e por isso é que critico as nossas exibições. Peço-vos que formem uma fila ordeira e aguardem pacientemente pela vossa vez.

Gilberto
Chegou à fase mais interessante do seu percurso no Benfica, em que as suas exibições merecem elogios mesmo quando ele marca um autogolo. Não é para todos, caro Gilberto, e não dura para sempre. Se puderes evita repetir a graça.

Otamendi
A confiança recentemente adquirida foi útil até certo ponto, transmitindo aos benfiquistas uma falsa sensação de segurança que levou a que alguns já tivessem desligado a tv quando o Portimonense reduziu. Ingénuos.

Verthongen
Tem passado agradavelmente despercebido. Chamam-lhe Super Jan e não é caso para menos: nos dias que correm, passar despercebido pela positiva neste Benfica é uma espécie de super-poder.

Grimaldo
Gostava muito que ele não apanhasse covid, se for possível.

Weigl
Queriam agressividade? Tomem lá. Passes para a frente? Inchem. Intensidade? Chuuupem. Grande exibição. Sempre no sítio certo, quase sempre bem a passar e a defender. Equivocou-se no regresso para a segunda parte convencido de que ainda havia 45 minutos para jogar, mas depressa abraçou o estado de apatia generalizada.

Taarabt
Interpretou bem a ideia inicial para o jogo de hoje - bater em mortos - e aproveitou para fazer das suas. Chega ao fim do ano civil com mais túneis do que a Mota Engil.

Rafa
Muito bem na primeira parte a jogar o triplo e a fazer o Portimonense parecer aquilo que é: um último classificado em casa da equipa mais forte da prova. Os momentos com a bola nos pés fizeram-me acreditar num país melhor e mais justo, mas acima de tudo convenceram-me que o Benfica estava de volta. Para a próxima vejo só a primeira parte.

Everton
Fiel aos princípios de jogo de Jorge Jesus para 2020/21. Zero em nota artística. Felizmente agora não é tão importante porque nós adeptos somos uma mera abstração, acessório dispensável deste jogo. O autocorrect escreveu merda em vez de mera. Devia ter deixado.

Waldschmidt
Ainda que pareça jogar com o entusiasmo de uma canção de Suzanne Vega, Luca Waldschmidt criou mais ocasiões de golo do que os restantes colegas juntos. Golos é que nem vê-los.

Darwin
Não é fácil quando o nível exibicional de um jogador vai de “ah, então é por isto que ele tem uma cláusula de 100 milhões” a “então e se metêssemos o Seferovic?” A falhar golos assim a única forma de chegar a Barcelona é indo para o Espanyol para ser suplente do RDT.

Nuno Tavares
“Faz a simulação, vai ser feliz”, disse o Hélder Conduto com uma inocência que eu já não consigo ter quando vejo o Nuno Tavares com a bola, um décimo de segundo antes de este a pontapear na direção de um quarto do hospital da Luz. Seria até bonito se eu não fosse adepto da equipa em que ele joga. 

Pedrinho
Essencial. Intenso. Acutilante. Vertiginoso. Apaixonante. A emoção do futebol de rua. A ambição frenética da busca pelo golo. Não perca o clássico de YouTube “Melhores momentos de Pedrinho contra o Portimonense”.

Cervi
Assistiu Otamendi para o único lance de perigo do Benfica nos últimos muitos minutos. Foi estranho ver um jogador do Benfica mais preocupado em ir atrás da baliza adversária do que em evitar que a sua fosse atingida.

Samaris
Se é para defender resultados, mais vale adaptarmos esta modernice do homem deitado atrás da barreira nos livres diretos e passamos a ter um Samaris e um Ferro deitados atrás do Vlachodimos nos últimos minutos.

Ferro
2020 foi isto: terminar o jogo em casa contra o último classificado encostado às cordas e com menos posse de bola, a ver o Ferro entrar em campo no último minuto para segurar um resultado que não aquece nem arrefece."

OS HOMENS BRUTOS DA FLORESTA DE SHERWOOD



 "1973, Junho. O Benfica conquistou o Troféu Vinho do Porto à custa de vitórias sobre o Nottingham Forest (3-0 na Luz) e Boavista (1-4 no Bessa. Eusébio marcou, no fim da festa, um dos golos mais excepcionais da sua carreira excepcional.


O Nottingham Forest é, para mim, um dos mais fascinantes clubes do mundo. A começar por aquele pormenor adorável de ter mais Taças dos Campeões (duas) nas suas vitrinas do que taça de campeão de Inglaterra (apenas uma). Fundado em 2 de Setembro de 1865 na cidade de Robin dos Bosques, tem um campo pequeno mas terrível, o City Ground, à beira do rio Trent, de onde se vê, a pouco mais de um quilómetro de distância, na outra margem, o estádio do grande rival, o Notts County.
Em 1995 e 1996, na altura a trabalhar para o jornal A Bola, viajei por toda a Inglaterra, tanto para fazer reportagens sobre os lugares onde a selecção nacional iria jogar como para cobrir o Mundialito de 1995 e, em seguida, o Euro 96. Fiquei com um carinho especial por Nottingham, uma daquelas cidades que nos recebem bem e nos fazem sentir em casa.
Ontem lembrei-me de Nottingham. E lembrei-me, igualmente, de que o Benfica tinha defrontado o Forest nos anos 70. Mais precisamente em 1973, dia 20 de Junho. Estava em jogo o Troféu Vinho do Porto, e Boavista e FC Porto também estavam na liça. Uma espécie de meia-final, portanto, o Benfica - Nottingham do Estádio da Luz, à hora tardia das 21h45. Sempre cavalheiros, os ingleses resolveram fazer uma pequena festa na embaixada para agradarem tanto aos encarnados de Lisboa como aos encarnados de Nottinghamshire. A bola rolaria depois... Ou pelo menos era ssim que deveria ter sido.

A dureza dos ingleses
Nessa noite da Luz, o Benfica desfez o Nottingham por 3-0, mas os moços da floresta de Sherwood jogaram com a brutalidade de um João Pequeno. O facto foi indesmentível e entrou pelos olhos adentro: estavam mais interessados em acertar nas pernas de Jordão, Eusébio, Nené e Jaime Graça do que propriamente na bola. Azar o deles, podemos dizer. Os encarnados levaram a coisa a peito e não estiveram para aturar aquela agressividade excessiva, mesmo à escala britânica que vê no jogo qualquer coisa de bruto. A forma como os médios e os avançados, sobretudo Jaime Graça e António Simões, resolveram embrulhar a violência contrária foi notável. Os passes curtos, bem medidos, de uma rapidez estonteante, enervaram os ingleses ao ponto de os deixarem como baratas ziguezagueantes: quando chegavam ao portador da bola, para fazerem a pressão individual, já a bola ela tinha mudado de pés, e assim por diante.
É preciso acrescentar que, nessa altura, o Nottingham Forest estava na II Divisão inglesa. Depois, com a chegada de um treinador formidando, Brian Clough, explodiu por entre as estrelas: em dois anos consecutivos foi campeão da II Divisão e da I Divisão. Depois conquistou a Taça dos Campeões. Mas ainda iriam ter de esperar mais oito anos até lá.
Nelinho, Eusébio e Jordão marcaram os golos do Benfica. A vitória foi tão categórica, que, no final, os jogadores do Nottingham acabariam por pedir desculpa por alguns exageros. Que tinham sido muitos, mas não aleijaram nenhum dos artistas lisboetas. Distribuíram-se handshakes, soaram umas palmadas nas costas, e prometeu-se um reencontro que nunca veio a acontecer.
Na outra meia-final, se assim lhe quisermos chamar, o Boavista bateu o FC Porto por 1-0. O golo de um tal Rufino, que tinha vindo da Guiné-Bissau à experiência, e não deixou marca por aí além.
Belíssimo Boavista esse, com Rogério, Salvador e Moinhos na frente. Sendo o nome do troféu Vinho do Porto, entende-se que a final tenha sido marcada para o Porto. Neste caso, para o Bessa. E aí se encontraram, frente a frente, Boavista e Benfica.
Enquanto o FC Porto batia o Nottingham Forest no desempate por grandes penalidades e atirava os ingleses para o último lugar da classificação do torneio, Eusébio voltava a ter uma das suas tardes plenas de magia. Os joelhos massacrados podiam fazê-lo sofrer de uma forma que pude testemunhar muitas vezes, seu amigo que fui. Mas, de repente, soltava-se dele o duende do Lorca, e ninguém era capaz de pará-lo.
O resultado da partida foi de 4-1 para o Benfica, golos de Eusébio, Jordão(2) e Vítor Martins contra um de Salvador.
Diz quem viu que  golo de Eusébio foi de dar arrepios na espinha. À beira do final, arrancou com a bola colada ao pé direito e começou a deixar adversários pregados ao chão. A cada passada, a sua velocidade aumentava como se se tratasse de uma locomotiva ganhando poder à medida que o carvão derrete nas caldeiras. Quando se encontrou com o guarda-redes pela frente e com o espaço cortado ao mínimo, decidiu picar a bola, assim com a parte de dentro do pé, num corte perfeito que levou a bola a bater na trave antes de entrar. Aimoré Moreira, o treinador do Boavista, figura ímpar no mundo do futebol, seleccionador campeão do mundo com o Brasil em 1962, não esconderia no final: 'O golo de Eusébio é das coisas mais extraordinárias que jamais vi num campo de futebol!' Falava quem sabia. E muito!"

Afonso de Melo, in O Benfica

THE LAST OF US 🎵



 "S/S Benfica 2010/11 Away

Começo este post precisamente como o anterior, recorrendo a um trecho publicado no último:
A título de curiosidade:
- Esta foi a minha camisola nº 53 do Benfica;
- É uma camisola 100% vitoriosa: vesti-a em duas vitórias na Choupana (2015/16 por 4-1 e 2018/19 por 4-0 no início do campeonato), 2-1 ao 1º de Dezembro na Taça de Portugal e 3-1 em Braga no ano do penta (.l.);
- Este ano estava planeada para a deslocação a Vila do Conde
Na altura falava na camisola alternativa de 2014/15, que acabei por não vestir aquando da deslocação a Vila do Conde (visto que isto embrulhou-se tudo), tendo o Benfica ganho o jogo por 2-1 (com um golo do Weigl no final). Esta época, essa camisola 100% vitoriosa foi considerada novamente para ser envergada em jogos fora e calhou em que jogo? Bessa. Derrota por 3-0. Única vitória do Boavista.
Que forma perfeita de descrever o ano do Benfica de 2020.
Querem outra? Trago-vos hoje a camisola alternativa da época 2010/11.
Uma camisola que, em minha opinião, tem tudo a ver com o ano de 2020 para o Benfica. Senão, vejamos:
- Foi sujeita a sufrágio entre três concorrentes, tendo sido a mais votada;
- Tem boas componentes individuais- a marca Adidas, as cores azul e amarelo (cuja combinação, imortalizada na expressão "ouro sobre azul", funcionam muito bem estécticamente), o emblema bordado e as quinas de campeão na manga - mas não funciona como um todo ( o que é aquela mancha azul que envolve o emblema? e o patrocínio da frente? E pior: o patrocínio atrás com um rectângulo gigante vermelho da sagres para depois ter o nome numero de jogador a azul escuro?!?);
- Apesar de ter o nosso emblema, não tem carisma nem transmite emoção.
E que memórias tenho eu desta camisola? Apenas uma: vitória nos barreiros com um golaço do Fábio Coentrão.
E que memórias tenho da época de 2010/11? Bem, vindo de ser campeão na época do rolo compressor, o ano começa com a derrota na Supertaça em Aveiro diante do Porto por 2-0. Depois, goleados por 5-0 no Dragão, perder o campeoanato em casa e ser eliminado nas meias finais da Taça de Portugal (depois de ter ganho 2-0 no Porto). 3 títulos seguidos para o Porto? Sounds familiar...
Para mim, esta é a pior camisola alternativa do passado recente. Tal como 2020 é pior ano civil do Benfica do passado recente. Haja esperança que 2021 seja totalmente diferente e que, pelo menos, recuperemos a emoção.
A título de curiosidade:
- Esta foi a minha camisola nº 27 do Benfica;
- É também uma camisola 100% vitoriosa: vesti-a na deslocação a Moreira de Cónegos no ano do tri (vitória por 4-1) e na viagem a Kiev na época seguinte (vitória por 2-0)
- Este ano, embora não estivesse planeado, vou vesti-la no 1º jogo de 2021. Nos Açores. Pode ser que dê sorte!

"My curse is to love you
Until we see the last of us"

Moonspell - The Last of Us 
https://open.spotify.com/track/3WsKFYlCiKRl61mlN7X1aw "

OPERAÇÃO ALMA BENFIQUISTA



 "Não sei porque sou Benfiquista, se calhar nem estava destinado a ser.

Nunca tive referências nem influências nesse sentido (a minha mãe torce pela dupla Chaves/FCP) e o meu pai, gostando do Benfica, não liga muito e nem se importa que o Sporting ganhe. Nunca tive sequer um tio ou avô que me guiassem.
Nascido e criado junto ao antigo José de Alvalade, desde sempre fui "sequestrado" por amigos sportinguistas para passarmos incontáveis dias e horas nos corredores daquele estádio: assisti a treinos de todas as modalidades (incluindo kick-boxing com o Fernando Fernandes) e foi a afinar a pontaria numa baliza deserta que me cruzei pela primeira vez com o grande Paulinho. Às vezes corria a noticia de que os seniores de futebol fariam treino aberto no Campo Grande e lá íamos nós ver os craques do Sporting. Lembro-me bem do corredor humano que os adeptos faziam à saída da porta 17(?) e do valente "caldo" que um amigo mais entusiasmado espetou no Figo. Se houvesse sorte, no final do treino e já depois de os jogadores recolherem, ainda conseguíamos bater uns quantos penalties antes que nos expulsassem do campo. No ano seguinte, recordo as muitas tardes passadas a ver o Juskowiak marcar golos mesmo à minha frente já que havia muitos jogos onde até aos 11 anos não pagávamos bilhete na bancada da Torcida Verde. Outros tempos. Do Benfica é que nada!
Até essa altura, e voltando atrás no tempo, apenas por uma vez tinha ido ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica. Foi no dia 12 de Abril de 1987, nem 5 anos tinha portanto, e não me consigo recordar quem me terá levado - algum familiar de visita a Lisboa seguramente. O adversário nessa tarde foi o Salgueiros (1-0 golo de Rui Águas) e a única recordação que tenho desse jogo é de estar sentado bem lá no alto (foi aí que senti vertigens pela primeira vez) em cima de cimento frio. Curiosamente o nosso GR nessa tarde, Silvino Louro, viria também a apadrinhar a minha estreia no Municipal de Chaves em 22 de Março de 1998 quando defendia as cores do...Salgueiros (0-0)! Ele há coisas... 
A partir daí recordo-me de passar tardes em casa a gravar relatos inventados para um microfone. Cada jogada imaginada por mim era magistral e o "matador" era invariavelmente Magnusson. É o primeiro nome que associo à palavra ídolo, só mais tarde acompanhado pelo de JVP.
Um par de anos mais tarde comecei a jogar futebol de rua. Era avançado e marcava muitos golos e os vizinhos diziam à minha mãe que eu tinha de ir para uma escola de futebol. Um dia tive o seguinte diálogo com a minha mãe:
- Se quiseres podes ir treinar para o Sporting, que vais sozinho a pé.
- Mas, Mãe, eu quero ir para o Benfica!
- Benfica é longe para ires sozinho e eu não te posso acompanhar. É Sporting ou nada!
- Então é nada!
Peguei na minha bola e lá fui para a rua imaginar que era o sueco do Benfica.
Uns meses depois a minha mãe ainda fez uma derradeira tentativa e levou-me às escolinhas de verão do Humberto Coelho (não era o Benfica, mas já dava uns "ares"). O sr. Humberto - himself - veio receber-me à entrada e, ao ver aquela figura apertar a minha mão, aconteceu-me o mesmo que ao Rushfeldt. E assim continuei a ser o melhor marcador da minha rua.
Não foi até finais dos anos 90 que comecei a frequentar com mais assiduidade o nosso Estádio - belas tardes a ouvir a música da Fafá ao intervalo, era a única coisa boa daquela altura!
Hoje, emigrado há 9 anos, sinto como nunca a falta do meu Benfica.
Do Benfica que me fez ser informático em vez de futebolista. Do Benfica que me faz ir a reuniões com o portátil cheio de "Tó.colantes".
Não o digo pelos 1300km que nos separam - o grupo sólido de amigos que aqui tenho tem a sua génese num bar português a ver jogos do Benfica -, mas porque sinto o Benfica distante.
Distante dos seus adeptos, mais preocupado com a matemática financeira que com as lutas e as conquistas, mais preocupado em vender que com as bancadas a ferver de "Benfica".
Falta Benfica ao meu Benfica.
Falta um sentimento guerreiro, lutador. Faltam capitães à altura. Falta o INFERNO e o temor dos jogadores (contrários e da casa) pelo Terceiro Anel.
Eu sei que nós, os adeptos, ainda cá temos tudo dentro, disponíveis para dar do nosso Benfiquismo ao Benfica.
Qualquer dia ficamos sem referências como Toni ou Simões e aí poderá já ser tarde. Mais do que os resultados, há posturas e atitudes no nosso clube que nao representam os nossos valores.
Uma vez Benfiquista, Benfiquista para sempre. Só que às vezes preciso de ir ao Youtube ver imagens do antigo Pavilhão. nº2 cheio até ao tecto para relembrar velhos tempos.
Ando triste, agastado (afastado?), mas se der para transferir Benfiquismo para alguma conta, como sucedeu em meados dos anos 90, avisem-me que quero contribuir.
Viva o Sport Lisboa e Benfica!"