quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E FUTEBOL PROFISSIONAL



 "O que está errado é o Governo querer beneficiar da ‘força’ do futebol-espetáculo, e arrecadar para si o ‘prestígio’ nacional e internacional, dos sucessos alheios...


Visto que a mentira e a desinformação são apanágio das ditaduras, em regimes que oprimem os povos. Não entendemos a a razão pela qual o poder político atual persiste em fazer o papel de autista em relação à violência no futebol profissional, que teimosamente mantém na tutela do Ministério da Educação (ME) e não, como devia ser, na inspeção dos espetáculos, aonde estão integrados os seus congéneres da tauromaquia e do circo.
Não se trata aqui de maior ou menor consideração pelo setor, é sim apenas uma questão de lógica de metodologia classificativa relativa às características do espetáculo profissional público, que nada tem a ver com o Ministério da Educação, que é responsável pela educação dos portugueses e que, manifestamente, não está vocacionado para tutelar, sob qualquer aspeto, o futebol-espetáculo profissional com toda a sua carga negativa de problemas sociais e da constante alteração da ordem e tranquilidade públicas que, quase todas as semanas acontecem nesses recintos que, inapropriadamente, alguns pseudo-jornalistas, denominam de desportivos.
Há 40 anos fomos brindados com um prémio jornalístico sobre ‘Violência no Desporto e suas Causas’ e podemos hoje assegurar, que passados todos estes anos tudo continua na mesma. Não parece avisado ignorar as opiniões de peritos, diplomados por universidades do Estado, nestas matérias, pois são eles que têm essa competência.
Mas, enfim, parece que o Ministério da Educação só ouve quem não sabe, e não é de agora, sempre assim foi. A questão da violência no futebol profissional é simples para qualquer sociólogo que na sua juventude tenha praticado desporto amador, ou seja, sempre na tutela do Ministério da Educação que, com propriedade, já foi denominado, no passado, da instrução, já que a educação deve ser recebida em casa...
O desporto amador é praticado na escola e fora dela, em clubes desportivos que estão filiados em federações desportivas tuteladas pelo ME têm preocupações e objetivos pedagógico-educativos de formação do caráter e preocupações de convívio e inclusão social que vão contribuir para a formação do futuro cidadão adulto com a noção de cidadania e espírito de identificação com um legado cultural que recebeu dos seus antepassados, e que irá transmitida aos seus descendentes, de modo a fortalecer e consolidar aquilo a que se chama de nação.
Isto é aquilo que o Ministério da Educação deve almejar com o seu trabalho e nada mais que isto e, convenhamos que já é muito. O futebol profissional-espetáculo é essencial para a catarse do povo, para a diminuição de conflitos sociais, para a saúde psicológica dos mais introvertidos, que no futebol-espetáculo se transfiguram e ficam com dupla personalidade só voltando ao estado anterior na segunda-feira de cada semana. Também é essencial para o Governo já que distrai a atenção do povo dos assuntos políticos, do dia-a-dia, embora o povo tenha a possibilidade de aprovar ou rejeitar, essas políticas, de 4 em 4 anos.
Ora o que está errado é o Governo querer beneficiar da ‘força’ do futebol-espetáculo, e arrecadar para si o ‘prestígio’ nacional e internacional, dos sucessos alheios, por que além de politizar o futebol, desmotiva e transfigura o Ministério da Educação nacional. Para além disso é mais fácil manipular a inspeção dos espetáculos, a seu favor, sem ‘contaminar’ o Ministério da Educação e a juventude portuguesa."

GRANDES DESAFIOS



 "O ritmo vertiginoso das competições prossegue, iniciando-se amanhã, com a realização da partida frente ao Vitória de Guimarães na Luz, referente à última jornada da primeira volta da Liga NOS, um ciclo de jogos que poderá ser determinante para definir a temporada.

Até ao fim de semana de 21 de março são, para já, 12 os jogos agendados. Caso consigamos o apuramento, ante o Arsenal, para os oitavos de final da Liga Europa, serão 14 neste período.
Assim, ao desafio com o Vitória de Guimarães, seguir-se-á, já na próxima segunda-feira, a receção ao Famalicão, também no âmbito da Liga NOS. Dia 11 será a vez da visita ao Estoril, na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, e dia 14 a deslocação a Moreira de Cónegos, novamente para a Liga NOS.
No dia 18 terá lugar a receção ao Arsenal, para a Liga Europa. O jogo da segunda mão será realizado na semana seguinte, no dia 25. Pelo meio, dia 21, ocorrerá o regresso a Faro na 20.ª jornada da Liga NOS. 
O agendamento dos jogos seguintes está dependente do desfecho da eliminatória com o Arsenal. Se nos qualificarmos para os oitavos de final da Liga Europa, os jogos serão disputados nos dias 11 e 18 de março ante um adversário a ser sorteado no dia 26 de fevereiro.
Confirmados estão já os seguintes desafios antes da paragem, após o fim de semana de 21 de março, para os compromissos internacionais das seleções: Rio Ave, na Luz, para o Campeonato; Estoril (segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, na Luz); Belenenses, SAD (fora), Boavista (Luz) e Braga (fora), referentes à Liga NOS.
São objetivos imediatos da nossa equipa o regresso mais célere possível à luta pela liderança da Liga NOS e carimbar as passagens à final da Taça de Portugal e oitavos de final da Liga Europa. Focados, empenhados e consistentes estaremos mais próximos de consegui-lo.
Força, Benfica! 

P.S.: Aproveitamos para saudar a nossa equipa de voleibol pelo apuramento para a final 8 da Taça de Portugal (vitória, por 0-3, em Espinho) e para desejar boa sorte a todas as nossas equipas neste fim de semana, em particular a de basquetebol, que disputará, em Sines, a Taça Hugo dos Santos."

JORNALIXO SEMEOU ONTEM TEMPESTADE E RECEBEU HOJE UM MONTE DE MERDA


 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

O SL BENFICA ESTÁ À ESPERA DO QUÊ PARA SE MANIFESTAR?

 

"Não bastava o Sporting CP, através de Francisco Varandas, ter alegadamente utilizado tráfico de influências para conseguir obter uma decisão favorável em tempo recorde, algo nunca antes visto em território nacional num tribunal administrativo, como ainda teve o descaramento de ir a jogo com um jogador Castigado.
https://sicnoticias.pt/desporto/2021-02-01-Conselho-de-Disciplina-diz-que-tribunal-nao-suspendeu-o-cartao-amarelo-a-Palhinha

Será que os dirigentes do SL Benfica vão, finalmente, acordar do coma em que se encontram? É preciso chegarmos ao cúmulo de serem os adeptos a fazê-lo?!
Basta!"

AFINAL, AINDA TEMOS JOGOS ADIADOS...!!!

 


"Mais um jogo adiado por Covid. Relembram-se o que disse o comunicado do Benfica aquando do não adiamento do Benfica-Nacional em que perdemos 2 pontos? Pois nós lembramos o ponto 4: "4 - O Sport Lisboa e Benfica entende que, doravante, com exceção dos motivos regularmente previstos, não haverá justificação admissível que suporte uma decisão de adiamento de quaisquer outros jogos das provas disputadas sob a tutela da Liga Portugal. Em concreto, sempre que os pressupostos constantes do plano específico para o futebol profissional – que reforça a aplicabilidade da Lei 3 das Leis de Jogo – se encontrem salvaguardados. Ou seja, um mínimo de 7 jogadores disponíveis."
O Benfica foi a única equipa em Portugal que não teve os seus jogos adiados, nem com um surto de mais de 30 pessoas (incluindo 10 jogadores).
Entretanto, o Sporting joga com um jogador castigado, supostamente libertado por um Tribunal Civil, por intermédio de um Juiz fanático adepto do Sporting e não se passa nada. Zero. O Benfica não toma posição nenhuma, não diz nada. Um redondo ZERO.
São batidos recordes negativos de 70 anos, como nunca ter estado a 9 pontos do Sporting nesta fase da época, não se ganha um jogo a equipas teoricamente fortes, não temos um único penalti a favor e...não se ouve nada. ZERO.
Já não há palavras para descrever o estado de coma a que chegou o Benfica às mãos de Luis Filipe Vieira. 
Resta-nos a consciência tranquila de termos avisado em tempo."

PROCURA-SE ESTÁDIO PARA JOGO EUROPEU? | SL BENFICA



 "O SL Benfica vai defrontar o Arsenal FC nos 16 avos de final da Liga Europa. A primeira mão joga-se a 18 de fevereiro de 2021. Contudo, há um assunto que está a gerar alguma controvérsia. Devido às restrições de viagens entre Portugal e Reino Unido, a primeira mão poderá não ser jogada no Estádio da Luz, como estava inicialmente planeado.

O Primeiro-Ministro britânico, Boris Johnson, disse que os viajantes que regressam ao Reino Unido vindos dos países da “lista vermelha” serão “reunidos no aeroporto e transportados diretamente para a quarentena” por um período de dez dias.
Portugal é um dos países da “lista vermelha” e, como não haverá exceções para os atletas de elite, isso significa que o Arsenal FC teria de ficar em quarentena durante dez dias ao regressar de Lisboa, o que causaria um grande constrangimento no calendário dos ingleses.
Está agendado para que as “águias” enfrentem os “gunners” no dia 18 de Fevereiro, para a primeira mão do embate dos dezasseis avos de final, mas um local neutro estará, até informação contrária, a ser procurado.
A UEFA poderá intervir caso o SL Benfica não propuser, entretanto, um novo local, adequado para as duas equipas, onde se pudesse realizar o jogo sem constrangimentos burocráticos.
De recordar que esta situação já não é novidade, tendo acontecido, esta época, no embate entre FC Midtjylland e Liverpool FC. Na altura a partida esteve marcada para o Signal Iduna Park, também devido à imposição de um período de quarentena após deslocações à Dinamarca. Contudo, as restrições foram levantadas, e o jogo pôde ser disputado no país nórdico.
A segunda partida do embate entre SL Benfica e Arsenal FC está marcada para 25 de fevereiro, e deverá realizar-se no Emirates Stadium."

UMA VIAGEM INTERMINÁVEL



 "Entre Dezembro de 1914 e Janeiro de 1915, o Benfica realizou aquela que seria a primeira digressão da sua história


comitiva partiu de Lisboa rumo a Espanha pelas 16h35 do dia 23 de Dezembro de 1914, no rápido de Madrid. No entanto, a viagem não foi rápida, nem fácil para os benfiquistas: 'Depois de uma interminável noite, uns servindo de travesseiros a outros, alguns dormindo em pé, chegámos enfim a Madrid pelas 8 horas da manhã do dia em 24'. Em Madrid, ficou o manager Francisco Calejo, a tratar de assuntos relativos à viagem, enquanto o resto da comitiva seguiu viagem até Bilbau, mas não sem antes desfrutar do almoço volante que tinham levado consigo de Lisboa e que foi gentilmente servido por Cosme Damião
A viagem interminável não acabaria aqui. Depois de mais de 24 horas de viagem, o grupo desembarcou em Miranda do Ebro às 17h20, 'onde com grande desapontamento nosso, temos de esperar cinco horas pelo rápido de Bilbau'. O tempo disponível foi aproveitado com um jantar no Hotel Trocóniz, onde Cadete venceu uma partida de bilhar frente a um jogador espanhol, naquela que foi a primeira vitória do Benfica nesta deslocação a Espanha.
Perto das 2 horas da madrugada do dia 25, a comitiva chegou a Bilbau, e sem mais demoras 'marchámos para o hotel, onde nos refizemos do cansaço que já nos invadia, de uma viagem maçadora de 34 horas'. Durante o dia, os benfiquistas aproveitaram para visitar a cidade, assim como a sede e o campo do Atlético de Bilbau, que defrontariam no dia seguinte.
O cansaço da viagem, o estado do campo - que se encontrava bastante enlameado - e outros factores, como falta de experiência em jogos internacionais e calçado inadequado, levaram a uma pesada derrota dos encarnados por 6-0, que o empate do dia seguinte, de certa forma, vingou. De Bilbau, a equipa partiu para San Sebastián, onde defrontaria a experiente equipa da Real Sociedad, sofrendo novas derrotas: no dia 29 de Dezembro, por 4-1, e em 31 de Dezembro, por 4-0. No dia de Ano Novo, a equipa dirigiu-se à capital espanhola, onde chegou 'depois de uma viagem de 14 horas'. Foi de Madrid que os benfiquistas trouxeram as duas vitórias desta digressão, no dia 2 de Janeiro, frente ao Real Madrid, o jogo foi renhido, mas os benfiquistas venceram por 5-4. No dia seguinte, defrontaram um misto de jogadores de Real Madrid, Sociedade Ginástica e Atlético de Madrid, que derrotaram com uma goleada por 4-1.
Esta foi apenas a primeira de muitas outras digressões que o Benfica já realizou. Saiba mais sobre elas na área 26 - Benfica Universal do Museu Benfica -Cosme Damião."

Marisa Manana, in O Benfica

CHEGAR LÁ NÃO É DIFÍCIL, DIFÍCIL É SABER DECIDIR





"O derby de Lisboa não foi muito distinto dos últimos jogos grandes a que assistimos. Duas equipas num 3-4-3 (o Benfica a moldar-se para encaixar no Sporting), um jogo equilibrado, sem muitas oportunidades, onde o receio de arriscar e expor a linha defensiva falaram mais alto. Apesar de ser mais uma derrota do Benfica frente a um adversário direto, não se pode dizer que houvesse um justo vencedor óbvio neste jogo: o Sporting acabou por controlar mais momentos do jogo, mas o Benfica até se aproximou bastantes vezes da área dos leões, teve os seus momentos de superioridade num jogo desinspirado de parte a parte e acabou por sofrer nos últimos minutos, algo inadmissível num jogo desta importância.
Ora, se o Benfica terminou o jogo com apenas dois remates enquadrados (ambos na segunda parte), o que aconteceu nas variadas vezes que se aproximou da área dos leões, seja através de contra-ataques rápidos, ou recuperações no meio-campo ofensivo? Problemas de ligação na equipa, erros na tomada de decisão, e muita, muita “ansiedade” no momento ofensivo. Reações típicas de uma equipa sem confiança, mas que também vive muito do desequilíbrio individual, principalmente nos jogos grandes. Grandes distâncias entre os homens da frente, nomeadamente entre Darwin e os seus colegas (recorde aqui o artigo em que falei disso); falta de entrosamento nas movimentações dos diferentes jogadores, e atacando frente a uma linha defensiva que tem estado exímia em situações de igualdade ou inferioridade numérica, o Benfica teve vários lances que vão deixar Jorge Jesus de mão na cabeça quando analisar o jogo. Afinal de contas, o mais difícil para o Benfica nem tem sido chegar a zonas perigosas, ou criar situações de superioridade, o problema tem sido a definição dos lances e a falta de inspiração dos seus jogadores, ainda mais evidente quando “a bola não entra”."

TRÊS GOLOS NO MESMO PONTAPÉ



 "Barnabé Ferreyra e o seu pontapé furioso transformaram-se numa fonte de histórias do futebol argentino dos anos 30


No tempo de Barnabé Ferreyra os jogadores não usavam números nas costas e, no entanto, ele era inconfundível. Dele, diziam respeitosamente: «Não é um homem. É uma fera!». O nome ficou: La Fiera. Carlos Gardel, o milongueiro de Mi Buenos Aires Querido quis conhecê-lo. No momento em que se encontraram, Gardel tirou o chapéu, reverente: «Então és tu, La Fiera...». Ao que Barnabé respondeu: «La Fiera eres usted cuando canta».
Tudo isto se passava num mundo distante, de cavalheiros e brutos, perdido por entre as brumas da memória. José Manuel Moreno Fernández, seu companheiro de equipa no River Plate, ficava do lado dos cavalheiros. E dizia a quem queria ouvi-lo: «Se Barnabé te apertar a mão podes ficar certo que terás a partir daí um amigo para sempre».
Barnabé Ferreyra nasceu no dia 12 de fevereiro de 1909. Era o mais novo de uma fileira de seis irmãos. Tinha o mesmo nome do pai, mas mal chegou a conhecê-lo: morreu quando o garoto tinha dois anos de idade. Ficou a cargo do seu irmão mais velho, Paulino, um tipo teimoso como um muar que decidiu que o caçula tinha tudo para ser um bom jogador de futebol. Obrigava-o a chutar bolas contra uma parede, cada vez com mais força, até Barnabé ficar exausto. La Fiera começava a vir ao mundo.
«Hoy que dios me deja de soñar
A mi olvido iré por santa fe
Sé que en nuestra esquina vos ya estás
Toda de tristeza, hasta los pies», cantava Amelita Baltar a música de Piazzolla. Santa Fe era a terra de Barnabé Ferreyra. Mais propriamente Rufino. Por isso também chamado de El Mortero de Rufino. Paulino insistiu sempre para que o irmão aproveitasse qualquer oportunidade que lhe surgisse. Aos 14 anos jogava num clube local, o Jorge Newberry. Aos 18 partiu para a aventura de Buenos Aires e tento a sua sorte num clube de Junín, dos arrabaldes da capital, o Buenos Aires & Pacific Railway.
No Newberry, Barnabé fez furor com os seus pontapés violentíssimos a despeito de ter pernas finas como um flamingo. Marcava golos atrás de golos e, nas bancadas, havia quem lhe atirasse chapéus para o campo, comemorando as suas faenas. Em Buenos Aires, depois de deixar os ferroviários, tentou a sorte no Talleres que, pura e simplesmente, desprezou a sua figura magricelas. Jogaria no Tigre a partir de 1929. Era um marrom, nome que se dava aos jogadores pseudo-amadores que, tendo um emprego oficial, recebiam bónus por parte dos clubes. Como pintor de casas ganhava 7 pesos mensais; com os golos que marcava pelo Tigre recebia 200.
No dia 13 de março de 1932, La Fiera entrou em campo com a camisola branca de risca diagonal do River Plate. Barnabé Ferreyra chegara ao mundo do grande futebol. A estreia deu-se frente ao Chacarita Juniors, o River ganhou por 3-1 e Ferreyra marcou dois golos. Uns meses antes tornara-se internacional pela Argentina. Os sete anos que se seguiram foram dignos de uma explosão de estrelas e de cometas. Barnabé e o seu pontapé furioso levavam os hinchas ao êxtase. E os números não desmentiam a categoria do rapaz de_Santa Fe: em 185 jogos pelo River Plate marcou 187 golos e foi campeão argentino em 1932, 1936 e 1937. O jornal Crítica decidiu atribuir um prémio ao primeiro guarda-redes que defrontasse Barnabé e saísse do campo sem sofrer um golo dele. E então, o keeper Cándido de Nicola, do Huracán, ficou para a história do futebol argentino.
Com o passar do tempo, Barnabé Ferreyra começou a ganhar em seu redor uma aura que ultrapassou a sua já de si tão enorme fama. Entre exageros e invenções, entrou na lenda. Não que não o merecesse, era o que faltava. Muitos outros sem um terço da sua categoria viram as suas vidas transpostas para a literatura e para o cinema. Barnabé Ferreyra também teve direito a surgir na tela. Num filme que não teve um título muito simpático para ele – La Importancia de ser Ladron.
As lendas costumam escolher tempo e horas. E desfazê-los por via da comparação com a aborrecida realidade. Em 1931, contra o San Lorenzo, o Tigre ganhou por 3-2, depois de ter estado a perder por 0-2, com três golos de Barnabé em sete minutos, 29, 33 e 36 da segunda parte. Ele diria no fim do jogo: «As pessoas ficaram loucas quando marquei o golo do empate, mas quando marquei o terceiro golo foi tal a excitação que me caíram lágrimas de alegria». o jornal El Gráfico registou 10 mil espetadores, mas tantos foram aqueles que juraram a pés juntos terem assistido à proeza de Barnabé que o número se aproximou dos dois milhões. 
Barnabé Ferreyra era um moço bem disposto e brincalhão que não se levava demasiado a sério. Anotava num caderno o nome dos adeptos que o abordavam na rua. O caderno ganhou a grossura de uma lista telefónica. Falavam-lhe o hat-trick ao San Lorenzo e ele comentava: «Dizem que marquei os golos em 5,4 ou 3 minutos e eu já cheguei à conclusão que os marquei todos no mesmo pontapé». E ria-se, como era seu hábito."

PRIMEIRAS PÁGINAS DOS LETREIROS AMESTRADOS