sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

CAPAS DO DIA


DESERTO À CHUVA


Chuva, ferros, GR, azar, desalinhamento dos planetas, o árbitro, claro, e mais o que a imaginação atingir para justificar esta derrota na meia final da Taça da Liga frente ao Moreirense. Eu só tenho uma: não jogamos nada, não fizemos o que se exige para ganhar um jogo. Nem o mínimo.
Não gostei da prestação da equipa, não gostei das opções de Rui Vitória e não gostei da imensa falta de atitude. Fico "doente" quando o Benfica perde mas fico muito pior que isso quando perde desta maneira que vi hoje.

Vitória justíssima do Moreirense que fez por ganhar, encarou o jogo com a seriedade para tal e tem todo o mérito em passar à final.



Assim não Benfica... Há quem jogue com a B, com as segundas linhas, com as terceiras, quartas e mais que houvessem, por considerarem esta competição de menor importância, aproveitando para fazer rodar essas linhas todas. Objectivos e gestão dos próprios que não se chateiam muito se ficarem pelo caminho. Não é nem nunca foi a nossa forma de estar ou de encarar competições, muito menos não ficarmos "chateados" em caso de derrota.
Mais importante que isto ainda.. A displicência, excesso de confiança e tiques de superioridade ou arrogantes não deviam, nunca, fazer parte da nossa forma de estar e nos apresentarmos.
Muitas ilacçõe a tirar por parte de todos desta pobreza franciscana, com o expoente máximo na 2 parte. E não, não estou a exagerar. Estou a falar e a sentir-me.. pelo Benfica.

Agradeço aos arautos da desgraça que devem estar no pico da forma a defender que isto tudo é por termos vendido o Guedes, que se juntem a tantos adeptos do Moreirense que vejo hoje a festejar, para uns copos. Os primeiros para esquecer, os segundos para festejar.. Afinal, a Taça da Liga não é assim tão má...

Um deserto, apesar da chuva, se fosse eleger alguém seria o menos mau. Distinção que dispenso.

Escrito por Marta Mesquita

BARBA & CABELO


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

AULA DE PORTUGUÊS


O INTRUSO MERCADO DE INVERNO


Lá tem de ser. Mais um defeso invernal, entre dois defesos de Verão. Como o tempo corre e a distância entre defesos escasseia, as movimentações, especulações e outras operações alimentam as notícias de futebol dia-sim, dia-sim. Agora ainda mais vincadamente por ter surgido um intrigante el dourado chinês, para gáudio do regime chinês (ainda oficialmente comunista!) e de várias placas giratórias em regime de bitola comissionista. Sou absolutamente contra esta janela (é assim que se diz, não é?) de transumância desportiva. Vicia a lógica de temporada, põe jogadores em roda-viva antes, durante e após, agrava o fosso entre os poderosos e os outros, trata atletas como mercadoria, hoje podem estar aqui e amanhã são recambiados para sítios de que nunca ouviram falar. Presentemente, há uma renovada modalidade de negociar em Janeiro para transferir no Verão. Uma espécie de mercado de futuros, com entrega a prazo e preço acordado agora. às vezes, acompanhado de derivados, mais conhecidos por sobras ou monos. Confesso que também não me agrada esta forma de transacionar, com os atletas a estarem meia época num limbo futebolístico e a pensar mais nas possíveis lesões do que nas boas exibições. Bem sei que a estabilidade de um plantel já não é o que era. Agora é uma miragem, de tal sorte que quando me quero lembrar de atletas de há poucos anos nos clubes que mais acompanho, me vejo em palpos-de-aranha, não podendo atribuir tudo ao natural desgaste memorial. Mas entre aquela estabilidade que já não volta e a total instabilidade que se acelera, não haverá mesmo um meio-termo?

Bagão Félix, in a bola

CAPAS DO DIA


MINÚCIAS?

1 O Sporting, depois do jogo no Funchal, onde empatou, mas poderia ter ganho não fora um fora-de-jogo mal tirado, foi recebido em Lisboa por 20 (vinte) leões furiosos. Tal manifestação foi objeto de reportagens e notícias nas televisões, com se 20 (vinte) tardivagos adeptos significassem um avassalador protesto. Assim vai o entretenimento televisivo. Um pormenor adicional: eram mais os repórteres e operadores de cámara do que os desconsolados tiffosi.
2 Nuno Espírito Santo fez bem em expulsar, perdão tirar, Layûn do jogo com o Rio Ave. É que Jorge de Sousa queria bater o recorde do número de pancadas necessárias para receber ordem de expulsão. Nem com um penálti e respetiva canelada, o coitado do Layûn teve direito a um segundo amarelo.
3 Segundo as contas de Octávio Machado, o Sporting deveria ter mais 11 pontos. O FC Porto queixa-se de quase 20 penáltis não marcados e muitos pontos a menos. Não sei se, no conjunto, não excederiam todos os pontos possíveis, o que seria inédito. Certamente «a culpa é do Benfica».
4 Rafa marcou finalmente um golo, e que golo! Também debutante foi o agora lateral-esquerdo e melhor 12 do futebol português André Almeida, no jogo da Taça. Ambos foram seguidos de unida e significativa manifestação de carinho dos colegas que lhes deve ter deixado a tola dorida, apesar de, no caso de Rafa, estar protegido por um chapéu.
5 O guarda-redes do Tondela começou a demorar uma eternidade nos pontapés de baliza ao minuto 1. O árbitro preparava-se para lhe mostrar o amarelo ao minuto 90. Lógico!

Bagão Félix, in a bola

O DIA EM QUE O "REI" FAZ ANOS


No dia 25 de janeiro de 1942 nasceu, no bairro de Mafalala, Lourenço Marques, um português irrepetível, Eusébio da Silva Ferreira. A carreira futebolística do pantera negra é património imaterial da humanidade e ao cidadão  Eusébio, que teve o mundo a seus pés, foi conferida honra de Panteão como morada eterna. Eusébio nasceu nos idos do império e foi como cidadão português que cresceu e demandou a metrópole, onde o esperavam fama e fortuna. Foi com a camisola das quinas que se cobriu de glória, tornando-se o primeiro português global do século XX,: e teve o estado novo a usá-lo como exemplo de um país, multicultural, multirracial e multicontinental.
Com a independência de Moçambique, em 1975, poderiam ter-se levantado dúvidas a Eusébio. Porém, nunca vacilou nem em relação à sua condição de português, nem quanto ao carinho com que sentia a terra que o viu nascer e da qual foi embaixador. Esta singularidade merece ser destacada no dia em que faria 75 anos. Eusébio é nosso, mas também é de Moçambique, na medida em que subsiste um elo invisível entre povos que durante séculos seguiram no mesmo trilho e que há mais de quatro décadas convivem e se respeitam, na soberania de cada um, como iguais.
O futebol é o instrumento mais eficaz para a aproximação dos povos da lusofonia, uma impressão digital de Portugal que ficou nos países que falam a língua de Camões, capaz de resistir ao tempo e ao modo. E Eusébio, tão vivo apesar da morte é o porta-estandarte desta comunidade de afetos e emoções, construída em torno de uma bola de futebol...

José Manuel Delgado, in a bola

A TAÇA HABITUAL DO BENFICA


"Algarve recebe a fase decisiva da Taça da Liga com uma certeza: haverá um não grande na final pelo 8.º vez em 10 edições. Sem Sporting e FC Porto, Rui Vitória quase obrigado a erguer troféu

Domingo que vem, nesse bonito elefante muticolorido que é o estádio do Algarve, o Benfica deverá erguer a sua oitava Taça da Liga (em dez edições). Tudo o que não for assim tem de ser considerado surpresa. Da grossa. Por dois motivos. Primeiro: o Benfica tem imenso jeito para vencer esta competição talvez porque é o único dos três grandes que a tem levado a sério (e faz muito bem). Segundo: não estão na final four algarvio as duas únicas equipas que, nos confrontos directos, têm sido superiores ao Benfica de Rui Vitória - FC Porto e Sporting. Afastados esses dois incómodos e sabendo-se que o Benfica de Vitória tem por hábito aviar todos os outros clientes - tanto os pequenos (como o Moreirense), como os médios (como o V. Setúbal) e os médios-grandes (como o Braga) - há uma probabilidade altíssima, seja qual foi a final, de a nação encarnada festejar o título que a Liga algo pomposamente designa de «campeão de Inverno». Há ainda outro lado estatístico a favorecer Rui Vitória, que é o da looooonga invencibilidade benfiquista na Taça da Liga: o clube soma 42 jogos (!) e mais de 9 anos sem perder neste torneio, o que é um argumento tão impressionante quanto o resultado do último Benfica - Moreirense para a Taça da Liga: 6-1 para as águias em Moreira de Cónegos, há exactamente um ano! É claro que Augusto Inácio vai lembrar tudo isto quando fizer a antevisão da meia-final de amanhã, quicá lembrando que o FC Porto também era favoritíssimo e ficou pelo caminho.
Na meia-final de hoje medem forças os outros dois clubes que ganharam a Taça da Liga: o V. Setúbal (vencedor da primeira edição, em 2008, com Carlos Carvalhal no banco) e o SC Braga (201; José Peseiro). Aqui não há favorito claro, tendo em conta o belo momento de forma dos sadinos (chapeau a José Couceiro, o que este homem tem feito com um orçamento pindérico...); e o que tem sido o percurso do Braga de Jorge Simão, algo titubeante e não isento de fricções - o corte drástico com o central André Pinto colheu os próprios braguistas de surpresa. Deve acrescentar-se que o SC Braga chega ao Algarve algo desfalcado e sob o efeito de uma derrota muito dolorosa - com o rival V. Guimarães em casa; conhecendo o perfil de António Salvador, que quer ser campeão nos próximos quatro anos (e faz muito bem em pensar assim), não me custa imaginar a fúria que o assaltará se o Braga hoje falhar a presença na segunda final da época - provavelmente contra o mesmo adversário da Supertaça.
Independentemente do nome do finalista apurado hoje é cenrto que haverá uma equipa não grande na final da Taça da Liga pelo 8.ª vez em 10 edições. O que, ironia!, reforça o perfil popular de uma prova prensada, para ter sempre os três grandes nas meias-finais... o que só acabou por acontecer em duas edições (2008/09 e 2009/10). Repara-se que pelo segundo ano seguido o Benfica é o único grande nas meias-finais, e aqui a Taça da Liga não faz mais que imitar a tendência da bem mais importante Taça de Porgual, que regista a mesma fórmula - um grande para três não grandes - em cinco das seis últimas meias-finais! (aqui não se podendo dizer que FC Porto e Sporting desdenham a competição...). Se olharmos para o quadro de semifinalistas das duas competições na última década (ver anexo) concluiremos que o tempo em que os três grnades não deixavam nada para os outros acabou. Nos últimos sete anos, Benfica, FC Porto e Sporting nunca estiveram em maioria nas meias (embora tenham ganho a maioria dos troféus)! Falta ver se ou qual dos três desafiantes - Moreirense, Braga, V. Setúbal - consegue evitar aquilo que parece inevitável: mais uma taça para o Benfica.
(...)

Soares, Pinto & Guedes
Se Soares é fixe para o FC Porto como foi em Guimarães, logo veremos. Parece reforço (avançado ágil, matreiro, esquivo, com faro de golo) mas a verdade é que a história portista recente (Ghilas, Suk, Marega, Depoitre...) apresenta demasiados tiros ao lado neste sector para podermos gritar «gol!». Ver para crer, mas acredito que o FCP, com Soares e com o talentoso Brahimi de volta 15 dias mais cedo que o esperado, pode ter ganho um alento importante para a 2.ª volta.
No Sporting: André Pinto é um bom central português e vai juntar-se a outros bons centrais portugueses (Rúben Semedo, Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo) num Sporting que tem mostrado agilidade a desfazer-se dos flops estrangeiros (Markovic, Meio e Elias na calha). Sobre o propalado interesse do Liverpool no campeão europeu William: há uma restrita elite de clubes a quem nuncase diz não. O Liverpool é um deles. Se William sair para Anfield honrará a tradição de Alcochete: as melhores pérolas saem para clubes verdadeiramente de topo.
No Benfica. Falhadas as vendas de Liindelof e Jiménez, calhou a Gonçalo Guedes ser a vítima da absoluta necessidade de dinheiro em caixa. De outra forma não se prestaria o presidente da instituição, qual Oliveira Figueira das aventuras de Tintin, a andar por esse Mundo fora na companhia de Jorge Mendes a tentar impingir os seus produtos - quem dá mais?, quem dá mais? - em vez de esperar no seu cadeirão presidencial pela chegada de propostas dos putativos interessados (até porque foi dito várias vezes que o Benfica não tinha necessidade de vender. Pois...). A confirmar-se a transferência por 30 milhões para o novo riquíssimo Paris SG - um clube da média-alta com aspirações de grandeza -, é mais um negócio mirabolante de Jorge Mendes, que assume importância transcendental na vida do Benfica. Nenhum outro empresário teria sido capaz de colocar um projecto de jogador por esta fortuna num clube onde não tivesse relações privilegiadas."

André Pipa, in a bola

PS: Isto é uma crónica escrita com uma grande azia de um lagarto assumido...

A DOR DA PARTIDA