sexta-feira, 29 de maio de 2020
PRIMEIRAS PÁGINAS DOS JORNALEIROS TUGAS
quinta-feira, 28 de maio de 2020
DESCUBRA AS DIFERENÇAS!!!
"Meirim continua o seu ataque ao SL Benfica, desta vez com uma multa de 30 mil euros… por pedir árbitros estrangeiros.
Gostaríamos só de entender o critério para o valor das multas. Para o Benfica foram 40 mil, 30 mil e 20 mil euros.
Para o #PortoaoColo foram 15 mil euros cada vez que foram multados pelas mesmas críticas à arbitragem e 1150€...por uma tarja em que acusam árbitros, primeiro-ministro e juíza de influenciar e decidir campeonatos de futebol
Será que o estado de pré-falência dá desconto nas multas do Meirim?"
PortoaoColo, in Facebook
PESOS E MEDIDAS...!!!
"Nota no site do Benfica a sugerir árbitros estrangeiros - 08 Fev 2020
26 Mai 2020: multa 30.600 €
Crítica directa à arbitragem do Sonseição - 08 Dez 2019
Até 27 Mai 2020: multa de 0 €
É por isto que choram a saída do Meirim, a personagem mais parcial que alguma vez passou pelo Conselho de Disciplina. E é por isto que trataram de meter toda a cartilharia a trabalhar para assassinar a imagem da sua sucessora.
É o Fóculporquistão no seu auge!"
RELANÇAR DESPORTO PÓS-CONFINAMENTO
"A crise sanitária ligada à Covid-19 colocou os cidadãos em casa e os países ficaram “fechados”. Para além das incertezas que esta situação excepcional provocou (e provoca), esta crise oferece também um tempo de reflexão sobre a sociedade que queremos, colectivamente, construir depois desta crise. O desporto, nas suas múltiplas dimensões (prática desportiva, espectáculo desportivo, actividade económica), não se pode afastar deste questionamento. Algumas preconizações (a curto, médio e longo prazo) poderiam ser tomadas em conta quer a nível nacional, quer a nível europeu:
1. A curto prazo: relançar o desporto de forma partilhada e solidária. Na Europa o desporto pesa 2,12% do PIB europeu e representa 2,72% de empregos. Neste sentido, é essencial que o sector seja considerado como um elemento da retoma económica e que possa beneficiar de todos os apoios colocados em prática para fazer face a esta pandemia. A nível nacional: os actores desportivos devem beneficiar das medidas urgentes colocadas à disposição; estabelecer um plano de relançamento do desporto numa perspectiva de longo prazo (via fiscal, por exemplo); favorecer a convergência dos dispositivos de apoio; assegurar uma comunicação fluída e acompanhar os actores, por forma a responder à grande heterogeneidade de situações (associações desportivas, empresas privadas, etc.). A nível europeu: reorientar alguns apoios financeiros, nomeadamente dos fundos estruturais de investimentos europeus (FSE, FEDER), para acções que visem a promoção de bem-estar dos cidadãos, pelo desporto e exercício físico.
2. A médio prazo: apoiar o desporto durante a fase de desconfinamento. O desporto representa um importante instrumento de coesão social, susceptível de facilitar novas formas de viver colectivamente e de acompanhar o processo de saída da crise. A nível nacional: adaptar materiais de protecção às especificidades das disciplinas desportivas; propor, no quadro escolar, um programa de educação e de higiene relativamente aos gestos de segurança apropriados, adaptado segundo as idades (as associações desportivas deveriam ser chamadas para desempenhar essas funções); encorajar a digitalização e a individualização da oferta de serviços desportivos propostos pelos clubes, federações, e privados; coordenar os calendários desportivos, evitando uma concentração de actividades e locais de prática. A nível europeu: encorajar as boas práticas no âmbito do desenvolvimento de ferramentas pedagógicas, mobilizando o desporto e a actividade física na Escola; criar novas oportunidades de financiamento e apoiar as inovações técnicas e sociais associadas à actividade física e desporto.
3. A longo prazo: promover o desporto na sociedade. A nível nacional: encorajar o desporto para todos, nomeadamente para os mais frágeis socialmente; valorizar o estatuto do voluntário (colocar em prática contratos de trabalho associativos, permitindo aos clubes remunerar os voluntários com valores definidos e exonerados de impostos); desenvolver ferramentas informáticas (as universidades e os politécnicos poderiam auxiliar); transformar os espaços urbanos, para fazer das cidades, escolas, empresas, etc. ambientes de vida activos, combatendo o sedentarismo e a falta de exercício físico."
PRIMEIRAS PÁGINAS DOS JUNTA LETRAS TUGAS
quarta-feira, 27 de maio de 2020
EM MEMÓRIA DE UMA ANTIGA OPULÊNCIA
"O Benfica sempre se deu bem com adversários da Hungria, mesmo quando os húngaros ainda era dos grandes da Europa. Os velhos nomes passaram pela Luz: Upjest, Vasas, Honvéd... No dia 1 de Novembro de 1989, o mágico clube de Púskas perdeu em Lisboa por 7-0.
Um mal insidioso tomou conta do mundo, espalhando-se como um fedor, virando-nos de costas uns para os outros, transformando a nossa vida numa coisa qualquer que não é a nossa vida. Olho para a data do calendário e percebo que não saio de Alcácer há mais de dois meses, e foi como se tivesse posto na porta da existência letreiro a dizer. Volto já! Maio, não tarda, caminha para o fim. Deveria estar neste momento a preparar-me para ir para mais um Campeonato da Europa, o sétimo da minha carreira de jornalista, viajando para Budapeste, essa cidade sempre sentimental onde Portugal jogará, eventualmente para o ano, o primeiro jogo da fase final. Mas não. Os países escolheram-se dentro de si próprios. Fecharam fronteiras. O futebol caiu num desânimo que entristece adeptos, e nem o anúncio de que vai voltar, ainda que sem público nas bancadas, parece animar as gentes.
O Benfica sempre se deu bem com adversários húngaros. Desde o seu primeiro confronto, em 1960-61, com o Upjest, para a Taça dos Campeões que haveria de conquistar. Vitória por 6-2 em casa; 1-2 na Hungria. Em 1964-65, nas meias-finais, foi a vez do Vasas Gyor: 1-0 fora e 4-0 na Luz. Em 1967-68, nos quartos-de-final, outro Vasas, o de Budapeste: 0-0 e 3-0. O Ujpest vingou-se em 1973/74: 1-1 e 0-2. Em 1975-76, pagou o atrevimento com juros: 5-2 na Luz, 1-3 na Hungria. Depois, o futebol húngaro ficou doente, também atacado por uma espécie de epidemia. Mole, sem chama, perdeu a categoria do passado e os nomes de Kubala e Czibor, Púskas, Hidegkuti e Florian Albert não tiveram sucessores à altura. Ficaram para sempre guardados na memória do romantismo.
1 de Novembro
Quando, no dia 1 de Novembro de 1989, estive na Luz, em trabalho, no Benfica-Honvéd, sabia que o Honved já não era mais a equipa assustadora no final dos anos 40, princípios de 50. Clube do exército húngaro, tinha gente como Ferenc Púskas, que ganhou a alcunha de Major Galopante, Sàndor Kocsis, József Bozsik e Zoltán Czibor, e um treinador chamado Bélga Guttmann. Mas o nome estava ali, sobreposto à realidade. Era o Honved, e só isso merecia uma vénia e um obrigado por tudo quanto deu à história do futebol.
Na Hungria, o Benfica vencera por 0-2. O jogo de Lisboa foi um passeio, numa tarde agradável e luminosa. Os benfiquistas andavam felizes com o regresso de Sven-Góran Eriksson, apesar de Toni, que passou para seu adjunto, ter levado a equipa ao titulo nacional e à final da Taça dos Campeões Europeus perdida nos penáltis para o PSV Eindhoven. Era tempo de sonhos grandes na Europa dos grandes. Os jogadores de categoria afirmavam a categoria: Aldair e Ricardo Gomes no centro da defesa; Valdo, Thern e Vítor Paneira no meio-campo; Diamantino e Magnusson na frente.
Um vendaval vermelho percorreu o relvado verde, bonito. Um futebol gracioso, encantador, à moda dos antigos húngaros, aqueles que se atreveram a ir a Wembley bater a Inglaterra por 6-3, e, no encontro de desforra, chegaram ao descaramento divino que o Eça atribuía ao Alencar: 7-0.
E 7-0 também na Luz, primeiro de Novembro, feriado.
César Brito (15' e 42'), Abel Campos (36'); Vata (62' e 64') Mats Magnusson (86' e 89').
Ah! Pobre Honvéd, de tal, forma destruído. Destruído pela sabedoria de Valdo, de régua e esquadro e tira-linhas, a fazer desenhos finos, a tina-da-china, traçando arbitrárias e pondo os companheiros no caminho da baliza de um infeliz Péter Diszit. Já não lhe bastava o nome complicado, de provocar cãibras na língua de qualquer cidadão português que resolvesse relatar o que se ia passando numa Luz cheia de luz, sobrava-lhe a infelicidade de ter pela frente defesas incapazes e avançados assassinos, os primeiros da sua própria equipa, claro está, os segundos com as camisolas rubras de águia ao peito.
Era apenas um Honvéd bisonho, só com nome e sem conteúdo, mas também tinha sido, primeiro, e Derry City(1-2 e 4-0), como seriam depois o Dnipro (1-0 e 0-3) e o Marselha (2-1 e 1-0), antes da final impossível com o Milan intratável dos holandeses Rijkaard, Gullit e Van Basten (0-1).
A águia voava pelos céus da Europa e sentia-se bem, era ali o seu lugar. Talvez esses céus ainda tenham guardado um lugar para o seu regresso. Um lugar vermelho, agora vazio."
Afonso de Melo, in O Benfica
EUSÉBIO, SUPERSTAR NO REAL MADRID
"Em dia de festa, o Real Madrid exibiu em Madrid uma equipa peculiar, com Eusébio a envergar a camisola dos 'merengues'.
Em Maio de 1962, o Benfica sagrava-se bicampeão europeu, após uma final sensacional em Amesterdão, contra o Real Madrid de Puskás, Di Stéfano e Gento. A estrela emergente do Benfica, o jovem Eusébio, marcou dois dos golos que deram o título europeu ao Benfica, o jovem Eusébio, marcou dois dois golos que deram o título europeu ao Benfica. Durante os anos seguintes, o avançado benfiquista assumiu o protagonismo no futebol nacional e internacional.
Ao longo da sua carreira, Eusébio foi convidado para diversos eventos, entre eles, em 1972, para participar num jogo de homenagem a Francisco 'Paco' Gento, extremo madrileno, inserido nas comemorações do 25.º aniversário do Estádio Santiago Bernabéu.
Curiosamente, a equipa convidada para o evento foi aquela que, 1947, inaugurou aquele mesmo estádio: o Belenenses. Para alinhar pelo Real Madrid, ao mais talentoso internacional português juntaram-se outros três grandes nomes do futebol europeu: o romeno Nicolae Dobrin de Arges, o jugoslavo Dragan Dzajic do Estrela Vermelha e o húngaro Ference Bene do Úspest FC, pois 'o Real quis formar uma linha dianteira à base de estrangeiros'. O homenageado, considerado por muitos como o nariz rápido extremo do mundo, era 'uma figura quase lendária do clube'. O jogo foi caracterizado pela imprensa nacional como 'um jogo artístico, quase de circo, com alguns futebolísticas, especialmente os 'super-stars', a quererem mostrar quanto valem'.
O avançado do Benfica, apesar dos seus 30 anos, impressionou os cerca de 70 mil adeptos que se deslocaram, naquela noite de 14 de Dezembro, ao estádio do Real Madrid. Era 'Eusébio que de vez em quando espantava o público com as suas arrancadas fulgurantes e colocava a bola à frente dos companheiros com passes primorosos' e tudo isto 'sem correrias, sem loucuras. Apenas com talento'. Somente um futebolista de primeira categoria como Eusébio seria capaz de um espectacular entendimento com companheiros de equipa com os quais não jogava, estando envolvido nos lances dos dois golos do Real Madrid. Eusébio e Dobrin 'fizeram do futebol um jogo extremamente fácil. Ambos montaram cátedra e demonstraram como se joga em tabela, como se coloca a bola à frente de um companheiro lançado para golo, como se refém o esférico e como se produzem jogadas'. Só faltou mesmo marcar, mas as suas palavras foram esclarecedoras 'não marquei golos porque não calhou, evidentemente, e porque a defesa do Belenenses não deixou. Mas ainda bem, porque, se tivesse marcado algum, agora quase estava com remorsos - o Belenenses é um clube português e de minha simpatia'. Apesar de não ter sido eficaz na festa de Gento, Eusébio foi o melhor marcador do Campeonato Nacional em 1972/73, com 40 golos, e o vencedor da Bota de Oura, a segunda da sua carreira.
Saiba mais sobre este especular jogador na área 24 - O 'Pantera Negra' e Outras Lendas do Museu Benfica - Cosme Damião."
Carina Santos, in O Benfica
EM MAIO COMEÇARAM AS "NORTADAS"
"Ainda faltam duas semanas para a retoma da Liga mas sente-se já a poeira que anda no ar, trazida por palavras que espalham a desconfiança e agitam a suspeição
A cartinha que resolveu enviar ao Presidente da República, solicitando-lhe, pelo que consta, que intercedesse junto das operadoras no sentido de aceitarem a transmissão de jogos da Liga em canal aberto, foi apenas o último problema que Pedro Proença arranjou desde que decidiu interromper o campeonato sem se dar ao cuidado de abordar o caso com elas ou, no mínimo, ter a elegância de informá-las do facto consumado e dar-lhes as necessárias explicações antes da notícia ser pública.
No desejo de tornar-se o actor principal em todo o processo, foi ziguezagueando para não perder o equilíbrio e retardar até ao limite do possível o trambolhão anunciada. Era uma questão de tempo. A missiva dirigida a Marcelo, na sequência de outras tendo por destinatários membros do Governo, foi apenas a gota que fez transbordar o copo. Não lembraria nem ao Diabo procurar envolver a primeira figura de Estado em tema menor e, ainda por cima, que o tivesse feito, mais uma vez, sem sujeitar a sua magnífica ideia a uma discussão prévia com quem se julgava no direito de ser informado. Se bem percebi, a direcção da Liga.
Pedro Proença diz entender mal a reacção que a sua atitude suscitou e respaldou-se na posição antes assumida pelo secretário de Estado de Juventude e Desporto, o qual também admitira a solução de abertura de transmissões televisivas, de modo a evitar ajuntamentos em cafés, restaurantes e outros espaços comerciais. O governante em causa pode ser muito hábil noutras tarefas e noutras áreas, mas no exercício específico das funções para que foi eleito, enfim, o ainda presidente da Liga só por ingenuidade imperdoável terá tomado como boa a comparação que se lembrou de apresentar em sua defesa.
Marcelo sem sequer leu a cartilha, pois claro, e o caldo entornou-se, não só pelo atrevimento do remetente, mas também pela trapalhada que deve ter incomodado as administrações das operadoras por causa do défice de contenção revelado por quem se deixou trair pelo seu excesso de entusiasmo.
Vejo em Pedro Proença uma pessoas inteligente, educada, cortês e que sabe pensar, mas a solidão perturbou-se e retirou-lhe a capacidade de reflectir, procurar apoios e delinear uma estratégia segura e que a protegesse de uma constipação à primeira corrente de ar. O acordo com transmissões em canal aberto deveria ter sido tratado nos locais próprios. Não sei se alguma abordagem foi feita, mas partindo do princípio que sim não me custa acreditar que todas as operadoras, até por respeito aos seus assinantes, terão destacado a inoportunidade da sugestão, que também tem motivado discussão em Inglaterra, por exemplo, sem progressos significativos.
O calendário está concluído e creio que houve a preocupação de retirar os jogos de FC Porto e Benfica dos fins-de-semana, pois só na jornada 30 a águia recebe o Boavista, no sábado, e o dragão o Belenenses, no domingo.
Nas restantes, os dois candidatos ao título jogam a meio da semana e em dois horários, apenas com uma excepção, o Marítimo-Benfica, às 18 horas, sempre depois das sete da tarde ou das nove da noite. Prevaleceu esse cuidado e as aglomerações,que até ao momento a população em geral tem sabido evitar com sábia prudência, a ocorrerem, não passarão de atropelos isolados, sobretudo no exterior dos estádios, e promovidos pela estupidez das claques, mas sem nenhuma relação com o facto de os jogos serem transmitidos em canal aberto ou pago.
Voltando a Pedro Proença, e como a coerência não é uma das características da classe dirigente, vou seguir com interesse as cenas dos próximos capítulos, para ver o que irá acontecer na assembleia geral de 9 de Junho: se ela aprovará ou não a sua saída e independentemente da deliberação que vier a ser tomada qual será a atitude do ainda presidente da Liga. Isto é, se aceita continuar a servir de bola neste pingue-pongue de interesses ou se, tomando consciência dos erros que cometeu (só não erra quem são decide), agradece a confiança nele depositada e vai à sua vida.
Poderá parecer uma saída cambaleante, mas de cara levantada. Porque se adivinham tempos muito complicados que podem obstruir o imenso esforço que está a ser desenvolvido para se completar o campeonato com a normalidade possível, dado ser no mês de Maio que começa a época dos nortadas e acaba a época dos futebóis. A diferença é que, por força das exigências da pandemia, este ano vão conciliar até ao final de Junho, o que nada, mesmo nada, indicia de tranquilizador.
O confinamento obrigatório foi sufocante e apesar de ainda faltarem duas semanas para a retoma sente-se já a poeira que anda no ar, trazida palavras ditas escritas que espalham a desconfiança e agitam a suspeição. O costume, tal como convém a quem aprecie este tipo de comunicação feito de frases suspensas, usual em ambiente de cabaré do antigamente: todos fazem de contam que se entendem, sem ninguém se comprometer. Assim nascem os boatos..."
Fernando Guerra, in A Bola
DISNEY
"1. Uma gelataria de Hong Kong criou o sabor a gás lacrimogéneo para recordar os protestos. Será que têm sabor a estupidez? Calma senhores dirigentes dos clubes portugueses, façam fila. Copo ou cone?
2. Frederico Varandas diz que o nosso futebol é doentio. O diagnóstico é bom, sem dúvida, falta a vacina da coragem contra o terrível vírus da autorregulação.
3. Nunca fui fã do estilo de liderança de Pedro Proença na Liga, mas adiantaria ter mão de ferro em trono de gelatina?
4. «Uma orquestra boliviana de flautas de pan está presa em castelo alemão rodeado por lobos.» Se eu não estivesse habituado ao futebol português, esta notícia (Blitz) até seria surpreendente.
5. A NBA está em negociações para acabar a época no complexo desportivo da Disney. Era uma óptima solução para a nossa Liga. Não nos faltam ratos e patetas.
6. Curioso: o regresso do campeonato fomentou a retoma de outros dois desportos: ginástica artística e tourada.
7. Acho muito bem que se tenha limitado ao máximo o número de estádios. 18 eram muitos, 15 é que é (talvez 16, vá).
8. Não vejo nenhum problema em os árbitros viajarem com as equipas. O único risco é comerem marisco para lá e um pacotinho de snacks para cá.
9. A ministra da Saúde não quer concentrações para assistir aos jogos. Imagino que as agressões entre claques também fiquem limitadas a pequenos grupos.
10. O Marselha contratou um Cientista de Informação Desportiva, para analisar dados. Lembro-me logo da frase épica de Manuel Cajuda. «Hoje fala-se em encurtamentos, transições multissetoriais, passe de primeira e segunda estação, mas ninguém fala do passe de m...»
11. Quase todos os dias são dias D em Alvalade: dívidas ou demissões. Assim não há clube que aguente.
12. O PAN quer impedir que os deputados tenham cargos no desporto. Só uma dúvida: a ideia é proteger os deputados da selva ou a selva dos deputados?
P. S. - Caro leitor, continue a cuidar-se e lembre-se: mais vale um desconfiado na mão do que dois desconfinados a voar."
Gonçalo Guimarães, in A Bola
SUICÍDIOS NO DESPORTO
"No passado fim de semana fomos confrontados com as notícias de que o futebolista sérvio de 38 anos Miljan Mrdakovic, que alinhou pelo Guimarães em 2007/2008, e de que a japonesa Hana Kimura, ‘Pro Wrestler’ de 22 anos, teriam cometido suicídio. Ventila-se que o primeiro caso poderá ter acontecido devido a uma depressão do jogador, enquanto o segundo poderá ter origem em ‘online bullying’.
De imediato nos vem à memória os nomes do antigo guarda-redes do Benfica, Robert Enke (suicídio em Novembro de 2009, aos 32 anos), e a do ciclista Marco Pantani (suicídio em Fevereiro de 2004, aos 34 anos)… e colocam-se também de imediato as questões: serão frequentes os suicídios entre os desportistas? Quais as causas prováveis dos suicídios conhecidos?
No ano do suicídio de Robert Enke demos conta também também das mortes semelhantes de Christophe Dupouey (campeão do mundo de BTT em 1998), de Mike Whitmarsh (vice-campeão olímpico de voleibol em 1996) e do futebolista brasileiro Marcelo Moço, do ASK Bruck/Leitha, que aos 30 anos foi encontrado enforcado no sótão da casa onde vivia. Ainda em 2009 o ciclista belga Dimitri de Fauw pôs termo à vida aos 28 anos.
Não conseguimos saber se serão frequentes os suicídios entre os desportistas, mas quase que poderemos dizer que são mais do que aqueles que imaginamos ou até daqueles que chegam ao nosso conhecimento através da comunicação social.
O mais antigo suicídio de um desportista que temos conhecimento remonta a 1886 e refere-se ao cavaleiro James Archer. Em 134 anos muito aconteceu… Recordamo-nos entre outros, por terem nomes sonantes devido aos seus desempenhos, de Abdón Porte (futebol), de Luís Ocaña (ciclismo), de Sandor Kocsis (futebol), de Melvin Turpin (basquetebol), de Antonio Pettigrew (atletismo), da judoka austríaca Cláudia Heill e do andebolista sérvio Novak Boskovic.
Devido à sua tenra idade realçamos o suicídio do halterofilista russo Igor Tepikin, de 15 anos, ocorrido em Moscovo, em 2012… e da ‘snowboarder’ britânica Ellie Soutter em 2018, nos Alpes Franceses, no dia em que completava 18 anos…
Entre nós registamos os suicídios do nadador Rui Abreu (este ocorrido nos Estados Unidos em 1982), assim como do ciclista Gonçalo Amorim em Santarém e de um cavaleiro francês na Herdade da Comporta, ambos em 2012.
A grande maioria destes suicídios é provocada por estados depressivos e de ansiedade, os quais são resultado da pressão colocada em cima dos desportistas, pela sua ânsia de ganharem ou atingirem bons resultados competitivos e pelas exigências de um desporto sujeito ao mercantilismo, a patrocinadores, a dirigentes e treinadores sem escrúpulos, ao uso da imagem e ao consumismo. A máquina desportiva (ao contrário do que muitos parafraseiam) não se compadece com a formação dos desportistas, com a sua maturação, a sua sociabilização e a sua adaptação. Mas o competidor também tem a sua quota parte das responsabilidades ao tentar alcançar os maiores feitos a qualquer preço, ao querer ultrapassar o inultrapassável – os seus próprios limites –, ao arriscar a sua saúde e a sua vida, e a correr atrás da fama, da glória e do dinheiro. E não, não estão sozinhos nesta corrida: nós temos também as nossas responsabilidades ao aclamá-los, ao incentivá-los, ao continuarmos a correr atrás da vitória, do recorde, da exaltação e do herói.
Muitos destes factos ocorrem nas cercanias de outros fenómenos: o treino intensivo precoce, o ‘doping’ e o terminar de uma carreira…
O médico Jean-Pierre Mondénard mostrou-nos em 1998 que dos 667 ciclistas franceses que participaram na Volta à França num espaço de 51 anos (de 1947 a 1998), 77 morreram prematuramente, 30 morreram de cancro, 18 de doenças vasculares, 19 em acidentes de viação e 5 suicidaram-se. Estes últimos são só 0,74%, dirão alguns…
Mas no desporto o suicídio não atinge só os principais intervenientes. Ainda não há muito, em 2011, na Alemanha, o árbitro Babak Rafati tentou cometer suicídio horas antes do encontro entre o Colónia e o Mainz. Em 2012 o treinador russo da equipa feminina de voleibol, Sergey Ovchinnikov, de 43 anos, consumou o suicídio. E só mais um exemplo, este mais recente: Robert Follis, treinador de MMA, cometeu suicídio mais recentemente, em 2017.
Resultado diferente tiveram aqueles que escaparam aos seus impulsos ou que não sucumbiram à depressão. Michael Phelps reconheceu ter pensado em suicidar-se logo após os J. O. de Londres em 2012. Em 2015 o futebolista Emmanuel Adebayor confessou já ter pensado em cometer suicídio em várias ocasiões, tal como em 2016 Ronda Rousey também admitiu que chegou a ponderar o suicídio após a derrota por KO frente a Holly Holm…
Urge estudar esta problemática. Urge proteger a saúde e a vida de competidores seja qual for a sua modalidade, a sua idade ou o seu estatuto desportivo. Urge modificar comportamentos e criar condições para que estes exemplos não se repitam. É urgente que o desporto o permita. E o possibilite!"
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