domingo, 26 de maio de 2024

ÚNICO!

 


🔴⚪ O Benfica é o ÚNICO clube a representar Portugal nas duas principais competições de clubes em 24/25! 🏆🇵🇹

Só 8 clubes na Europa igualam este feito.

Vamos, Benfica!

BENFICA NA FASE DE GRUPOS DA NOVA CHAMPIONS LEAGUE



 O Benfica vai participar na (nova) fase principal da Liga dos Campeões 2024/25. A vitória da Atalanta neste domingo, 26 de maio, em Bérgamo, frente ao Torino, e a obtenção, pelo menos, do 4.º lugar na Serie A, confirmou a entrada direta da equipa com melhor ranking entre as presentes na fase de qualificação para a Champions.

A Atalanta, vencedora da Liga Europa 2023/24, precisava de três pontos num dos dois jogos em falta na Serie A – frente a Torino e/ou Fiorentina – para subir na classificação e assegurar o 4.º lugar na prova, o que se verificou neste domingo, cenário que colocou as águias diretamente na Champions League.
Pela 14.ª vez nas últimas 15 temporadas – desde 2010/11 –, o Benfica acede à fase principal da Liga dos Campeões.
A Champions League 2024/25 será marcada pela introdução de um novo formato competitivo, o qual apresenta como principal novidade a substituição da fase de grupos – em que participavam 32 equipas, distribuídas por oito agrupamentos – por uma Liga em que 36 emblemas vão efetuar oito jogos. O sorteio está agendado para 29 de agosto.




Na fase de Liga, cada equipa terá quatro encontros na condição de visitado e outros tantos como visitante, frente a dois oponentes de cada um dos quatro potes definidos em função do ranking (acumulado) dos clubes nos últimos cinco anos nas provas da UEFA (Liga dos Campeões, Liga Europa e Liga Conferência).
Disputados os oito jogos num sistema de pontos igual ao dos campeonatos nacionais, os oito primeiros classificados garantem a passagem direta para os oitavos de final da prova. Os emblemas que ficarem entre a 9.ª e a 24.ª posição terão de se defrontar numa fase a eliminar, a duas mãos, num play-off, para se manterem em prova.
São eliminadas da competição as equipas que se classificarem entre a 25.ª e a 36.ª posição, estando excluída – ao contrário do formato que vigorou em 2023/24 – a passagem para a Liga Europa.
Dos oitavos de final em diante, até à final, a fase a eliminar será disputada a duas mãos.




A fase de Liga da Champions League será disputada entre 17 de setembro e 29 de janeiro de 2025, concretamente nas seguintes datas:
1.ª jornada: 17 a 19 de setembro
2.ª jornada: 1 e 2 de outubro
3.ª jornada: 22 e 23 de outubro
4.ª jornada: 5 e 6 de novembro
5.ª jornada: 26 e 27 de novembro
6.ª jornada: 10 e 11 de dezembro
7.ª jornada: 21 e 22 de janeiro de 2025
8.ª jornada: 29 de janeiro de 2025
Posteriormente, a fase eliminatória arranca a 11 de fevereiro de 2025:
Play-off: 11/12 e 18/19 de fevereiro de 2025
Oitavos de final: 4/5 e 11/12 de março de 2025
Quartos de final: 8/9 e 15/16 de abril de 2025
Meias-finais: 29/30 de abril e 6/7 de maio de 2025
Final: 31 de maio de 2025




Refira-se que o apuramento para a fase de Liga continua a ser feito pelo mérito desportivo e segundo o ranking de cada país, em função dos resultados desportivos das equipas nos últimos cinco anos nas provas da UEFA.
Assim, à fase de Liga têm acesso os vencedores da Liga dos Campeões e da Liga Europa em título, dois clubes das federações que tenham obtido coeficientes (pontos) mais elevados na época anterior, os campeões nacionais dos 10 países com melhor ranking, os segundos classificados dos seis países com melhor ranking, os terceiros classificados dos cinco países com melhor ranking, as equipas que tenham ficado na 4.ª posição nos quatro países com melhor ranking, os cinco vencedores das pré-eliminatórias pela via do denominado "Caminho dos Campeões" e os dois vencedores do play-off de acesso do "Caminho das Ligas".
Acrescente-se que este formato será igualmente replicado na Liga Europa e na Liga Conferência, ainda que neste último caso as equipas participantes vão disputar apenas seis jogos na fase de Liga.

O TRUNFO DE SER E PARECER GENUÍNO

 


"Rui Costa tentou apaziguar os adeptos e abrir caminho à paz na relação com Schmidt. O treinador continua, mas com tolerância mínima


Rui Costa deu, enfim, uma prova de vida. Foi, manifestamente, uma escolha pensada, essa de falar só depois de passada a tempestade e já com o navio em porto seguro. Não me parece ter tido vantagens, bem pelo contrário. O povo benfiquista teve tempo e razões para acumular iras e opiniões firmes que estiveram na origem de uma contestação que acabou por envolver o treinador, pouco hábil a comunicar com o adepto latino, e o próprio presidente, que, pelo silêncio, transmitiu uma ideia de pouco corajoso e pouco decidido a enfrentar e a resolver os problemas.
A entrevista aberta a (quase) toda a comunicação social nunca poderia ser suficiente para emendar o erro de base, mas poderá ter ajudado a diminuir os efeitos.

O modelo
A comunicação do Benfica optou por um modelo inovador. Um grupo de jornalistas em redor do entrevistado, com direito a duas rondas de perguntas. Uma importante vantagem em relação às habituais entrevistas exclusivas ao canal do clube e, isso, deve ser devidamente salientado. Um critério aberto e que, respeitando princípios essenciais de independência, ofereceu desde logo uma imagem de disponibilidade do presidente para responder a todas as questões, por mais difíceis e incómodas que se apresentassem.
Não é, porém, um modelo ideal para a construção global de uma entrevista. Porque perde orientação, estrutura jornalística e coerência editorial. A entrevista, apesar de todas as evoluções tecnológicas no âmbito da comunicação, continua a ser um género jornalístico autónomo e de uma densidade específica. Há grandes jornalistas que nunca foram bons entrevistadores e há excelentes entrevistadores que nunca foram grandes jornalistas. A boa entrevista deve promover um todo, até mesmo uma certa empatia, entre entrevistador e entrevistado, sobretudo nos momentos de confronto.
Daí que seja muito mais difícil conseguir-se um resultado consistente para o entrevistado quando a entrevista resulta de uma soma de perguntas avulsas e que não obedecem, nem poderiam obedecer, a uma estratégia comunicacional. Daí que no final da entrevista de Rui Costa muitos benfiquistas tivessem ficado com a sensação de que muita coisa ficou por responder. Do plano de desenvolvimento das modalidades, ao crescimento do desporto no feminino; da análise da atual situação financeira, à relação com as claques mais radicais do clube, que continuam a afetar gravemente o seu património reputacional e se tornaram num grave problema interno, que deixa antever batalhas difíceis.

O entrevistado
Dentro das circunstâncias do meio caminho escolhido entre a entrevista e a conferência de imprensa, Rui Costa teve uma prestação positiva. Ser e parecer genuíno em frente às câmaras é sempre um trunfo. Seja na política, seja no desporto. Rui Costa não se apresentou como uma gestor frio e racional, mas como um presidente com amor à camisola, apaixonado pelo clube e companheiro dos seus adeptos. Para a maioria do universo dos benfiquistas é uma imagem importante. Para as necessidades de uma empresa desportiva com dimensão europeia seria pouco mais do que irrelevante. Mas toda a comunicação tem de saber definir bem as suas prioridades e a prioridade de Rui Costa era, manifestamente, a de abrir as portas ao apaziguamento com os sócios e os adeptos do clube, começando a preparar a nova época e a abrir espaço para a reconciliação entre adeptos e o contestado treinador, que continuará, sim, mas com mínima margem de tolerância.

Sérgio e a sede de cervejinhas
Longe do aquecimento global que todos os jogos lhe provocam, Sérgio Conceição ganha estatuto de cidadania e não prescinde do humor como forma inteligente de comunicação. Esteve bem a lembrar a confidência de Rúben Amorim, quando o treinador do Sporting disse que já tinha bebido umas cervejinhas na festa do título. Sérgio diz que, agora, deve ser a vez dele beber umas cervejinhas para celebrar o que chamou - e bem - a grande festa do Jamor. Só faltou dizer que no fim da época, iriam beber umas cervejinhas juntos.

A liberdade e os direitos
A discussão sobre a liberdade de expressão está na ordem do dia. Não há cão, nem gato que perca oportunidade de dizer o que acha sobre o assunto. O fogo começou no lugar improvável do hemiciclo da Assembleia da República. Pode dizer-se tudo? E José Pedro Aguiar-Branco respondeu: sim. Caiu o Carmo e a Trindade. Tudo? Mas se não se pode dizer tudo, quem é que marca a linha vermelha? Essa é uma questão a que os jornalistas estão habituados a responder. É que nenhuma liberdade é livre de atropelar todos os direitos."

Vítor Serpa, in A Bola

A CEREJA? OU O BOLO?



 "Renovar ou não renovar com Di María é uma questão perversa para a SAD do Benfica


Rui Costa falou aos adeptos na quinta-feira e confirmou que Roger Schmidt vai continuar a ser o treinador do Benfica. Não esclareceu, como não podia nesta altura ainda de arranque do mercado de transferências, se a SAD vai vender os passes de João Neves e de António Silva, e ficou por clarificar qual a vontade e orientação em relação a Di María.
O presidente dos encarnados contou apenas quais eram os planos iniciais do astro argentino, que passavam por um ano na Luz e depois regressar ao país dele, e deixou no ar a esperança de condições para que o extremo de 36 anos continue mais uma temporada em Portugal, juntando que no início da semana está agendada uma reunião com o empresário do jogador para falar sobre isso. Ficou, nas entrelinhas, dito o que parecia claro mesmo antes da intervenção pública de Rui Costa: Di María até pode continuar, mas não nas mesmas condições financeiras do contrato do início da época passada.
A continuidade do argentino, por muito que ele ainda seja um jogador extraordinário, encerra em nela uma perversidade que obrigaria, mais uma vez, como obrigou em 2023/2024, a desviar Schmidt e o Benfica do projeto de futebol e de equipa que colocou em marcha e resultou na conquista da Liga em 2022/2023 e numa campanha entusiasmante na Liga dos Campeões.
Di María foi o segundo melhor marcador do plantel, com 17 golos e 13 assistências, atrás dos 22 golos de Rafa, e a influência ofensiva do extremo não está em causa, o problema, e isso foi claro em muitos jogos, é que ele não é, nunca foi e certamente não será um jogador de equilíbrios e para ele jogar sempre (culpa, aqui, também de Schmidt, que talvez tenha exagerado ao quase nunca prescindir do atacante, mesmo que por vezes tenha sido claro que estava esgotado e incapaz de ajudar enquanto elemento coletivo) será preciso montar uma equipa para ele. E isso talvez faça pouco sentido.
Rui Costa também disse que os €100 milhões gastos em contratações são igualmente a pensar no futuro, mas se os extremos Schjeldrup e Prestianni têm, respetivamente, 19 e 18 anos, Rollheiser tem 23, Tiago Gouveia tem 22; quando será o futuro deles? Schjelderup pediu para ser emprestado precisamente no momento em que soube que Di María iria entrar no plantel, como não dar agora uma oportunidade ao melhor jogador da liga dinamarquesa?
Ter Di María como a cereja seria o ideal, mas que não estrague o bolo.
A impactante época de estreia de Schmidt assentou sobretudo numa equipa em que todos defendiam e atacavam; e a diferença de intensidade no momento da recuperação da bola foi um dos momentos que mais oscilou na época das águias.
Ninguém se atreverá a pedir a Di María que seja diferente, porque ele é muito bom como é, mas será mesmo de Di María que o Benfica precisa para voltar a ser feliz?"

Nélson Feiteirona, in A Bola

sábado, 25 de maio de 2024

OS VERDADEIROS EXIGENTES



Candidatem-se a presidente do glorioso SLB, tem um ano e meio para prepararem as vossas candidaturas o que não será muito difícil para vocês ,visto serem uns "exigentes" adeptos , por conseguinte uns exigentes e super presidentes. Mostram capacidade para lerem e examinarem os relatórios de contas, e todos os outros relatórios ,médicos ,psicológicos e outros mais. Alguém vera em vocês esse virtuosismo de gerir uma instituição como a do Benfica ,capaz de todas as proezas desportivas e financeiras. Treinadores convosco virão de outra galáxia, porque nesta não haverá algum com a capacidade e mestria de liderar um plantel tão forte como aquele irão formar, capaz de corar de vergonha Eusébio , Simões, Zé Augusto, Toni, Chalana etc etc(nem ele ganharam sempre),de ir todos os anos festejar para o Marquês, não uma mas várias vezes por ano, pois não esqueceremos a Champions League que a ganharemos interruptamente. Convosco o Benfica será o de todos os adeptos ,os exigentes e os outros que vem o futebol como um desporto ,mesmo esses serão tão profissionais nos seus apoios porque só aceitarão esse tipo de gente no vosso Benfica (desculpem no vosso Benfica de sonho)... As contas estarão sempre na ordem ,mesmo que para que agora e para se saber como estão basta ler o relatório, mas para vocês isso não chegará, irão informar pessoalmente cada adepto e sócio numa carta. As assembleias gerais serão tão do agrado dos sócios que convosco serão tão concorridas que serão feitas no estádio da Luz com palco no relvado ,e lançamento de engenhos pirotécnicos a cada aprovação. Só assim o vosso Benfica será o maior da Inter-galáxia (isto porque o vosso treinador vem de outra galáxia)... 

ESTABILIDADE NA BUSCA DE TÍTULOS

 


"O tema em destaque nesta edição da BNews é a entrevista concedida pelo Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa.

1. Entrevista
Perante jornalistas de 12 órgãos de comunicação social, Rui Costa abordou diversos temas da atualidade benfiquista, tais como a continuidade de Roger Schmidt na liderança da equipa técnica, a contratação, em definitivo, de Álvaro Carreras e a chegada de Leandro Barreiro, a eventual permanência de Di María, o estado da auditoria e da revisão dos estatutos, e muito mais.
Pode ver ou rever, na íntegra, na BTV e no Site Oficial.

2. Embate no basquetebol
O Benfica recebe a Oliveirense, às 20h30, na Luz, no jogo 2 das meias-finais dos play-offs do Campeonato Nacional. Na primeira partida, as águias venceram por 100-55. Norberto Alves alerta que "pode ser tudo diferente" frente a um oponente "com imensa qualidade."
O acesso ao pavilhão está condicionado pela realização do concerto de Taylor Swift no Estádio da Luz, pelo que se recomenda, a todos os interessados, a consulta das informações para adeptos. Os bilhetes estão esgotados.

3. Foco no pentacampeonato
A equipa feminina de polo aquático do Benfica pode sagrar-se, já amanhã, pentacampeã nacional. Para tal terá de vencer o jogo, marcado para as 17h30, com o Fluvial Portuense em piscina adversária. António Machado releva o equilíbrio entre os adversários: "É mais um jogo da final. Se o primeiro foi complicado e muito difícil de vencer, este não vai ser diferente. Todos os jogos são difíceis quando as equipas são muito equilibradas."

4. Prossegue a final
Em futsal no feminino, o jogo 2 entre Benfica e Nun'Álvares é em Fafe, domingo às 15h00. Alex Pinto só pensa em ganhar: "Queremos a todo o custo trazer a segunda vitória de Fafe e colocar-nos, assim, numa posição muito vantajosa."

5. Arranca a meia-final
No Campeonato Nacional de futsal, Benfica e Braga defrontam-se na Luz, domingo às 21h30, no primeiro jogo das meias-finais dos play-offs.

6. Jogo de consagração
As já tricampeãs nacionais de andebol disputam a última jornada do Campeonato Nacional na Luz, com o CJ Almeida Garrett (domingo às 18h30).

7. Outros jogos
Com a posição definida na tabela classificativa, o Benfica visita o ABC em andebol na 6.ª e última jornada da fase derradeira do Campeonato Nacional.
Os juniores de Benfica e Sporting têm encontro marcado, hoje às 17h00, no Benfica Campus. Luís Araújo antevê um desafio "muito equilibrado, aberto, competitivo e com incerteza no resultado".
Os Sub-15 de futebol recebem a Ac. Santarém na 15.ª jornada da fase de apuramento do campeão, estando a duas vitórias da renovação do título quando estão por disputar quatro rondas."

Benfica News, in SL Benfica

RUI COSTA: A ESTABILIDADE É UM BEM MAIOR

 


"Presidente do Benfica muito mais à vontade a falar do jogo do que de finanças ou política(s)


RUI COSTA foi corajoso. Decidiu, desta vez, não se resguardar no conforto de uma entrevista caseira e não se limitou à opção 2: escolher um canal de televisão generalista para explanar as suas ideias. Submeteu-se a um cenário que por vezes pareceu assustador, filmado de cima, por mais que depois se vissem os passarinhos a debicar na relva por detrás dele, aqui e ali alguns insetos a esvoaçar no idílico cenário do Seixal. Em várias alturas da entrevista coletiva concedida ontem, o presidente do Benfica chegou a parecer um réu autosubmetido a interrogatório que poderia vir a ser implacável.
Mostrou-se preparado e respondeu rapidamente — ou começou a responder — a todas as perguntas que lhe foram colocadas.
Rui Costa é um homem genuíno, e por isso dificilmente poderia disfarçar o óbvio: está muito mais à vontade a falar de futebol, do jogo e de jogadores do que a versar assuntos de finanças, direito ou política(s).
Embora pudesse fazê-lo (quem sabe mais disso do que quem jogou ao nível dele?), não se atreveu muito por questões táticas, mas ficou claro que sabe como a equipa jogou, como era suposto ter jogado e como é suposto que jogue no futuro. Foi muito menos assertivo a falar de contas ou das eleições do clube, que afirmou estarem «muito longe» (outubro de 2025), quando qualquer político que se preze sabe bem que ano e meio é muito pouco tempo para preparar uma campanha.
Disse, logo de início, o que já se tinha adivinhado: Roger Schmidt continua como treinador do Benfica. Talves pudesse tê-lo feito antes — os especialistas em comunicação e política(s) saberão mais sobre o tema.
Escolheu fazê-lo agora, para evitar mais especulações, e fê-lo recorrendo a argumentos extremamente válidos, a começar por uma ideia de estabilidade que muito escasseia em vários clubes do futebol português, mais que nos outros futebóis europeus.
Mário Wilson disse um dia, com toda a propriedade, que «qualquer treinador do Benfica se arrisca a ser campeão». Faz sentido, diria mesmo que é lógico. Mas isto não tem de significar algo como «se não é campeão no Benfica tem de ser despedido».
Rui Costa lembrou várias vezes que Roger Schmidt era venerado há pouco mais de um ano. Chegou e venceu, cumprindo a profecia do Velho Capitão. No ano seguinte não venceu e não convenceu as bancadas, mas se as contas forem feitas com honestidade verifica-se que tem alguma razão ao reclamar que a época não foi tão má quanto a exigência dos adeptos a pinta.
O presidente do Benfica apelou à estabilidade. Recusa «começar sempre do zero» quando uma época corre menos bem. Assumiu alguns erros (embora sem os explicar por aí além) e reassumiu a confiança em Roger Schmidt. A avaliar por múltiplos exemplos, a estabilidade é um bem maior. Assim não esteja tudo a ser julgado à terceira jornada da próxima Liga..."

Alexandre Pereira, in A Bola

sexta-feira, 24 de maio de 2024

DI MARIA, UM LUXO

 


"Schmidt não conseguiu resolver o paradoxo de ter alguém com tanta qualidade e que ao mesmo tempo enfraquecia a equipa a defender


Roger Schmidt foi o primeiro a defender Ángel Di María da insatisfação de alguns adeptos. Que ferveram, várias vezes e sobretudo no final da época, em pouca água com alguns erros ou dificuldades do campeão do mundo em momentos de jogos quando já deles deveria ter saído, ou seja, quando já deveria ter sido protegido pelo treinador e estar a descansar.
Agora que a época acabou, o regresso de Di María ao Benfica, saudado por benfiquistas e provavelmente por poucos questionado no último verão, parece ter sido um paradoxo que não foi resolvido. Se dá muito à equipa a atacar, também tira a defender. Se esteve tanto tempo em campo como há dez anos não acontecia, a idade (36 anos) aconselhava outra gestão física. Se ficar no plantel, jovens por quem o Benfica pagou muito dinheiro, como Rollheiser ou Schjelderup, têm o caminho da afirmação dificultado.
Não é difícil concordar que Di María é um dos melhores jogadores de sempre, o percurso e os títulos falam por ele, e que mantém algumas das melhores qualidades. Tem o lastro de uma carreira ímpar e o comportamento de líder. Deles se valeu, também, quando algumas vezes ultrapassou o risco vermelho em campo.
Esta época foi o sétimo mais utilizado do plantel, marcou 17 golos e somou 13 assistências, contribuiu com o primeiro golo para a conquista da Supertaça contra o FC Porto, marcou o golo da vitória sobre o FC Porto no clássico da Luz para o campeonato, foi muitas vezes um raio de luz na escuridão. A isso se poderá juntar a vantagem intangível de ser, apenas e só, Di María, com tudo o que isso representa.
Para o bem e para o mal, Di María é um luxo para o Benfica. E um clube como o Benfica tem de dar-se ao luxo de ter alguém em campo com a qualidade rara de resolver um jogo com um passe ou um remate. Continuar no Benfica, porém, só faz sentido se Schmidt encontrar a solução para se proteger das fragilidades que a presença do argentino provoca e que Sérgio Conceição, com a magnanimidade que uma goleada de 5-0 no clássico oferece a qualquer um, tão bem explicou. O que não se consegue imaginar, sobretudo a quem está prisioneiro do momento, ou seja, da má época do Benfica, é como o treinador será capaz de fazê-lo, apesar de estar interessado em fazê-lo, tomando por bons os elogios ao argentino no final do jogo com o Arouca, penúltimo do campeonato. Para quem está dominado pelas atuais circunstâncias — e talvez possamos estar todos —é mesmo difícil imaginar que o Benfica possa dar-se ao luxo de continuar a ter Di María.
Rui Costa fala, hoje, aos benfiquistas. Explicar bem explicadinho como será possível reconciliar sócios e adeptos com o treinador é só um primeiro passo para que a próxima época possa correr bem. Foi Schmidt que disse ser impossível o Benfica voltar a ser campeão nestas circunstâncias e colocou o presidente nesta situação."

DANÇANDO COM JOSEPHINE BACKER JUNTO A UMA BANDEIROLA DE CANTO

 


"Um ano após o Mundial de 1990, o tenista Yannick Noah convidou Roger Milla para cantar com ele.


Dominique Claude Rocheteau: chamaram-lhe o Anjo Verde quando, ainda rapazinho, fez parte daquela equipa do Saint-Étienne que jogou a final da Taça dos Campeões contra o Bayern de Munique. Vi-o jogar tantas e tantas vezes, na televisão, depois também ao vivo, e conheci-o num campo de futebol, em Issy-les-Molineaux, quando A Bola com Eusébio e Humberto Coelho e um conjuntos de jornalistas e camaradas que marcaram uma época da Travessa da Queimada defrontou o l’Équipe com Michel Platini e, precisamente, Dominique. Depois houve mais dois jogos, em Lisboa, um na Luz e outro no Estádio Nacional. Rocheteau sempre foi aquilo que os franceses chamam de ‘un gentil garçon’. Platoche, por seu lado, era e continua a ser ‘un vieux blagueur’, ou um ‘chenapan’, se preferirem. Com o primeiro perdi o contacto. Com o segundo, ódio de estimação de tantos portugueses, vou mantendo uma amizade saudável e brincalhona.
Em 1989, o Anjo Verde despediu-se do futebol muito pouco à francesa: uma festa de três dias e três noites em Paris, hotéis cheios de convidados, um jogo de velhas e novas estrelas. A grande figura do acontecimento foi Roger Milla, o camaronês que acordava a cantar e adormecia a dançar, fossem que horas fossem. Seu companheiro de quarto, o argentino Alberto Márcico, espantava-se: «Quando acordei na primeira manhã pensei que estava a dar em maluco – olhei para a banheira e vi aquela figura negra a bailar debaixo do chuveiro como se estivesse numa discoteca. Percebi que não iam ser dias sossegados». Nessa altura, Roger cumpria a sua última época pelo Montpellier e estava decidido a reformar-se. Morrera-lhe a mãe, que ele adorava, e a mulher ficara grávida, estava na altura de mudar algo na sua vida, afinal já estava com 37 anos e apesar de festeiro não era nenhuma criança. Exilou-se. Foi jogar para a Jeunesse Sportive Saint-Pierroise, da ilha da Reunião, perdida no Oceano Índico, a leste de Madagáscar, basicamento onde Judas teria perdido as botas se tivesse tido a decência de as usar. No ano seguinte, Paul Barthélemy Biya’a Bi Mvondo, Presidente dos Camarões e seu amigo de infância, moveu todos os cordelinhos que estavam ao seu alcance, e eram muitos, para o enfiar entre os convocados do russo Valeriy Nepomnyashchiy que comandou a selecção do país no Mundial de 1990, em Itália. O resto é história por demais conhecida. Quem consegue lembrar-se da forma como Milla enganou o enlouquecido Higuita num jogo que marcou o apuramento para os quartos-de-final e comemorou junto à bandeirola de canto com um balancear de ancas capaz de fazer inveja a Josephine Baker, sabe do que estou a falar.
Milla passou definitivamente a fazer parte não apenas da história do futebol como, até, do anedotário do futebol. Quatro anos depois, com 42 anos e 39 dias, fez um golo inolvidável contra a Rússia. Valeu-lhe de pouco, porque os Camarões foram goleados por 6-1 e, ainda por cima, Oleg Salenko assinou cinco golos só à sua conta. Nesse tempo, Roger confessara numa entrevista que, para se manter operacional, deixara de comer carne. Como pilhéria, um jornal inglês tratou de achincalhar a alcunha dos camaroneses: Os Leões Indomáveis, como gostam de se apelidar, passaram a ser Os Leões Vegetarianos.
Não sei se alguém esqueceu verdadeiramente Roger Milla, e se o fez cometeu uma injustiça ao futebol mais selvagem e mais autêntico que passou por todos os Mundiais. Sei que Yannick Noah, tenista vencedor de Roland Garros, fez os possíveis para o manter inesquecível quando, um ano após o Campeonato do Mundo de Itália, publicou um álbum de música no qual_Saga África era a canção ‘piéce de résistence’. Convidou Roger para se juntar a ele, embora a voz do camaronês fosse do timbre da de um devorador de bagaços.
«François Omanbiyik amortit et glisse un zolo
Deux zolos et passera Milla
Milla dribble la balle, un dribble
Qui sort des laboratoires
Foot balistiques d’Etudi
L’affaire est grave, il tire au goal
Il y est!».
Quantos jogadores ficaram eternizados em canções?, eis uma pergunta à qual não sei responder embora já tenha trazido um bom ror deles para estas páginas. Com Milla, eternizar não será o mais correcto dos termos pois Noah como cantor ficou quase ao mesmo nível que a princesa Stephanie do Mónaco com o seu Irristible. Mas cantou futebol tal como Milla dançou futebol.
«Hey là, le type-là
Oui oui, petit blanc
Paris-Yaoundé
Connexion mais venez
Allons ambiancer
Ambiance soukouss
Ambiance makossa
Ou l’ambiance du bikutsi
Ambiance assiko
Mouvement partout…».
Para a minha memória fica sempre Roger Milla dançando como um garoto em redor de uma bandeirola de campo. Bendita imagem que o tempo não apaga."