GD Fabril: O rescaldo da época
ESCREVEM OS LEITORES
Autor: DAVID PEREIRA/21 ANOS/ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO/BARREIRO
Sabendo previamente da extinção da III Divisão, depois de vários insucessos na tentativa de subir mais um escalão, a direção fabrilista escolheu para treinador o experiente Conhé, adepto do clube e com passagens por várias equipas técnicas do Vitória de Setúbal.
Em relação a 2011/12, o emblema barreirense reforçou-se em quase todos os sectores: Bonifácio (guarda-redes), Fabinho (lateral-direito), Manteigas (lateral-esquerdo), Mota (defesa-central/médio), Cunha e Janu (avançados) nunca passaram de alternativas. Já Marinheiro, Rui Correia (ambos centrais), Miguel Pimenta e Luís Conceição (ambos médios-defensivos) e Bolinhas (extremo) foram bastante utilizados. Rui Martinho, Rafael Matos e Banana foram os ex-juniores que compuseram o plantel, sendo que apenas o último foi opção regular.
A temporada começou bem, com oitos jogos sem perder, dois deles para a Taça de Portugal, onde o GD Fabril chegou até aos Oitavos-de-final, tendo acabado eliminado pelo Belenenses (0-4) em Dezembro, no Estádio do Restelo. O sucesso nessa competição e a possibilidade de mostrar serviço num maior palco acabou por pesar na consciência dos jogadores, que não “metiam o pé” como nos primeiros encontros.
Apenas concentrados no campeonato, os pupilos de Conhé venceram as três partidas a seguir à eliminação e terminaram o ano civil de 2012 na liderança da Série E. No entanto, janeiro não foi um mês fácil: duas derrotas, uma frente ao frágil Peniche e outra em casa diante do Sacavenense. Pelo meio, empate no derby do Barreiro (disputado no Pinhal Novo) e vitória suada diante do Amora.
Presença nos seis primeiros em risco? Nada disso. Até final da fase regular os fabrilistas não mais perderam e terminaram repartindo a liderança com o Sintrense.
E a intermitente temporada da antiga CUF não se fica por aqui. No Play-Off de subida, apenas somou um ponto nos primeiros cinco jogos, caiu para o 6º lugar e a promoção era agora uma miragem.
Aí, Manuel Correia, treinador experiente de outras andanças, assumiu o comando da equipa, substituindo Conhé, e à entrada para a derradeira jornada, estava na 3ª posição, a última que dava acesso ao Campeonato Nacional de Seniores. Para manter o posto, apenas precisava de que, na receção ao já despromovido Sacavenense, fizesse igual ou melhor que o rival Barreirense na sua deslocação a Sintra, frente ao já promovido Sintrense.
A subida de divisão parecia uma realidade praticamente já assegurada, mas nesse fatídico encontro, os jogadores entraram bastante ansiosos, sofreram um golo e foram a perder para o intervalo. A segunda parte trouxe o empate, mas da margem norte do rio Tejo surgia a notícia de que o outro clube do concelho tinha vencido o seu jogo, e por isso, a festa fez-se em tons de vermelho e branco. A desilusão, essa, estava pintada de verde, e era visível no rosto de atletas, dirigentes e adeptos.
Foi a autêntica “morte da praia”, de uma equipa promissora que hoje apenas pode sonhar com que haja uma série de desistências que tragam o GD Fabril para o Campeonato Nacional de Seniores por motivos de secretaria.
Quanto aos seus jogadores, individualmente:
Ruben Luís foi um dos pilares da equipa, um daqueles guarda-redes que dá pontos, com excelentes reflexos, extraordinários voos e até qualidade a sair de entre os postes. Formado no Sporting, se não chegar longe na sua carreira, dever-se-á sua baixa estatura, que pode ser vista com desconfiança por certos dirigentes e treinadores.
Bonifácio, veterano guardião, um velho conhecido da casa, poucos minutos fez esta temporada.
Carlos André, há sete anos no clube, já faz parte da mobília e esta época foi sub capitão. É um lateral-direito muito competente, que dá profundidade ao seu flanco, mas que também o fecha com qualidade.
O seu suplente foi Fabinho, que teve algumas oportunidades durante a temporada, até como extremo, que exibiu algumas competências como a velocidade, mas insuficiente para ganhar o lugar.
A zona onde os fabrilistas estavam melhor servidos, arrisco-me a dizer, era no eixo defensivo. Rui Correiaé um central completo: forte no jogo aéreo, no corte, rápido, elegante e com capacidade para sair a jogar, exibindo uma classe que o catapultou para o Portimonense, das ligas profissionais.
O seu parceiro do centro da defesa era Marinheiro, mais discreto, mas também muito competente, também ele forte no jogo aéreo, mas também duro e com um espírito guerreiro, capaz de dar o peito às balas. Um exemplo disso foi na última partida, diante do Sacavenense, em que evitou um 0-2 com um corte milagroso, no qual ofereceu o corpo à bola para tapar a baliza.
A alternativa a estes dois era Mota, oriundo do vizinho Luso, que nunca comprometeu e ainda fez sonhar a antiga CUF com a subida, quando apontou o golo da vitória em Ponte de Sor, na penúltima jornada doPlay-Off.
Na esquerda, Paulo Letras foi o dono do lugar, apresentado com principal particularidade o facto de ser… destro. É ágil e forte a colocar a bola, é também um especialista em livres diretos.
Manteigas foi contratado para lhe fazer concorrência, mas do pouco que jogou, não convenceu.
Atuando maioritariamente, em 4x2x3x1, o duplo pivot do meio-campo foi talvez a zona que foi sofrendo mais alterações ao longo da época. Começou com Espanta (Nuno Jorge), ex-capitão, elemento forte na luta pelo esférico, e também com Miguel Pimenta, muito franzino, mas com grande empreendorismo, não dando uma bola como perdida, o tipo de jogador que faz falta a qualquer equipa.
Depois surgiu Luis Conceição, um centro-campista mais robusto, que foi opção durante parte da temporada, e já no final, Mário Jorge, que no Play-Off foi dos melhores da sua formação, chegando a fazer com que os adeptos perguntassem por que razão passou tanto tempo no banco.
Como “10”, houve essencialmente dois homens que ocuparam essa posição, e ambos passaram pela formação do Sporting. O dinâmico Danilo, com boa capacidade de transporte do esférico, foi quase sempre o dono do lugar, no entanto, o tecnicista mas cada vez mais pesado Bruno Cruz também foi várias vezes opção.
A faixa esquerda esteve quase sempre entregue a Bolinhas, um extremo de movimentos verticais, boa capacidade de cruzamento e até de remate, tendo apontado vários golos ao longo da temporada.
Na direita, se Ruben Guerreiro não ocupava essa posição era porque ou estava lesionado ou jogava como ponta-de-lança. Tecnicista, com visão de jogo e capacidade de drible e de elevação, foi dos melhores fabrilistas em 2012/13.
O ex-júnior Banana não desiludiu, mostrando velocidade e um estilo peculiar que lhe valeram oito golos ao longo da temporada. Verdade seja dita que ninguém conseguiu ter melhor registo, ainda que tenha sido igualado por dois colegas.
No eixo do ataque, Catarino (41 anos) não foi titular tantas vezes como na época anterior, mas ainda assim foi o jogador mais utilizado nessa posição. Não marcou 17 como em 2012/13, mas apontou oito tentos. Sempre perigoso no jogo aéreo e com faro para o golo.
Cunha fez a primeira parte da época, mas raramente foi titular, e quando o foi, não jogava como ponta-de-lança mas sim no apoio, fosse atrás ou num flanco.
Janu entrou em Janeiro, não faturou por nenhuma ocasião, mas mostrou ser um jogador pressionante, e de coletivo.
Rui Martinho e Luís Costa poucas vezes foram utilizados. O primeiro ainda marcou um golo decisivo frente ao Paredes, na Taça de Portugal, mas o segundo transferiu-se para o Comércio e Indústria na segunda metade da época.
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