"No dia da Morte, glorifique-se a Vida. Ângelo Martins, o senhor Ângelo, bicampeão europeu pelo Benfica, foi um grande jogador. Mas foi também ele quem deu corpo a um fantástico projecto de formação na Luz, onde desenvolveu jogadores de enorme dimensão e profissionais de grande gabarito. Se o Benfica de hoje, que tanto tem flutuado entre a quimera do Seixal e o pragmatismo do mercado, quiser encontrar um padrão, que ponha os olhos no tempo de Duarte Borges Coutinho, que soube apostar na formação e na aquisição externa de forma inteligente, equilibrada e com resultados extraordinários. A prospeção trabalhava de forma ímpar, estivesse Nené no Ferroviário da Beira, Shéu no Beira e Benfica ou Jordão no Sporting de Benguela, e todos eles aterraram em Lisboa para serem burilados no oficina do mestre Ângelo, de onde saíram inúmeros jogadores de gabarito Mundial. Os tempos eram outros, com abordagens menos pedagógicas e mais severas, e ao contrário do que é desenvolvido por várias teses que acabaram por vingar, cada jogo era para ganhar. O Benfica de 1974/1975, ano da chegada de Fernando Chalana, foi campeão nacional de juniores só com vitórias e essa era a cultura que os mais velhos procuravam incluir nos mais novos: ganhar ou ganhar.

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