domingo, 21 de setembro de 2025

PRIMEIRO ENTROU O MINDINHO, DEPOIS POLEGAR E INDICADOR



José Mourinho mudou pouco no onze inicial, mas mudou bastante, sobretudo na segunda parte, na agressividade e na capacidade de 'morder' os adversários, como referiu na apresentação.
Era a teoria do dedo e dos dentes. Mourinho anunciou que só meteria um dedinho e começou por colocar apenas o mindinho: Schjelderup por Ivanovic e Barrenechea ligeiramente mais recuado, transformando o 4x2x3x1 de Lage numa espécie de 4x1x3x2. Mais tarde, já na segunda parte e em vantagem com o golo de Sudakov em cima do intervalo, Mourinho acrescentou o polegar e o indicador, convertendo a equipa — que até então tinha sido insípida, inodora, incolor e insossa, embora vitoriosa nos dois jogos anteriores — numa ave bem mais vistosa e apetecível aos olhos dos adeptos. E, sobretudo, regressou a casa com a maior goleada para a Liga dos últimos sete jogos (6-0 ao Aves SAD, na 31.ª jornada de 2024/2025).
O arranque de jogo, porém, foi horrível de parte a parte: muito pontapé para o ar, muitas bolas perdidas e jogadas inconsequentes. Houve algumas arrancadas pelos flancos, mas quase sempre sem perigo. Quando este surgia, algo paralelo acontecia para impedir a celebração. Foi o caso do minuto 12, quando Ivanovic marcou, mas o cruzamento de Dahl já tinha saído com a bola fora de campo.
O Aves SAD não se intimidou, tal como não se deixara intimidar pelo nome do adversário ou pelo nome do treinador rival. Partia para cima da defesa do Benfica sem colocar ‘autocarros’ atrás e com bastante gente na frente. Não era um jogo brilhante e fluido? Não, mas também não o era da parte dos encarnados. Tudo demasiado previsível, com Sudakov a alternar movimentos da esquerda para o meio e do meio para a esquerda, tentando criar desequilíbrios.






O Benfica tinha mais posse de bola e mais tentativas de chegar à frente, mas nunca com verdadeiro perigo, muito menos criando uma avalanchea ofensiva. Até ao intervalo, apenas três lances levantaram os adeptos das cadeiras: um remate lateral de Ivanovic, com Devenish a cortar quase em cima da linha de golo; um disparo de Tomané à entrada da área, que embateu no poste esquerdo; e, por fim, dois remates de Sudakov — o primeiro, de pé direito, contra um defesa e o segundo, de pé esquerdo, a fuzilar a baliza de Simão Bertelli. Estava feito o 1-0 ao minuto 45+3.
A entrada na segunda parte foi arrasadora: Pavlidis ampliou para 2-0, de penálti, após falta desnecessária de Sidi Bane sobre Otamendi (59’); pouco depois, Ivanovic simulou sobre o adversário direto e desferiu um tiro certeiro para o 3-0 (64’). Esse terceiro golo, após a hora de jogo, praticamente fechava o interesse competitivo da partida. Mas não encerrava, de modo algum, o interesse em redor das ideias de Mourinho.
Pouco depois, o treinador do Benfica voltou a mexer: Barrenechea deu lugar a Schjelderup e Ivanovic a Leandro Barreiro (72’), Dedic saiu para a entrada de Tomás Araújo (81’), e, já aos 86’, Sudakov e Aursnes foram substituídos por João Rego e Prestianni.
Foi então que se começou a ver maior variabilidade tática no Benfica. Do 4x1x3x2 inicial, a equipa passou a apresentar variações, como o 4x2x3x1, com Ríos e Barreiro à frente da defesa, ou até um 4x4x2, com Schjelderup quase ao lado de Pavlidis. Foram, primeiro, mexidas de mindinho, mas que evoluíram para ajustes de polegar e indicador quando os encarnados já venciam por três golos e sem sofrer nenhum — algo que não acontecia desde o triunfo sobre o Fenerbahçe de Mourinho.

Rogerio Azevedo, in a Bola
DESTAQUES DO BENFICA:
O melhor em campo: Pavlidis (7)
Antes de dizer seja o que for, é preciso dizer que esteve nos três golos da equipa e só isso já é dizer muito, se não dizer tudo. Não fez uma primeira parte brilhante, mas não foi para intervalo sem oferecer de bandeja o golo a Otamendi e construir o lance que daria origem ao 1-0, apontado por Sudakov. Subiu de rendimento na segunda parte e começou por converter com qualidade um penálti, mas fez mais, muito mais, Ivanovic bem pode agradecer-lhe o passe para o 3-0. O grego desmarcou-se com categoria pela esquerda e depois colocou a bola com precisão na frente do companheiro, que fez o resto. Parece desfeita a dúvida que crescia nas últimas semanas, confirmando-se que Pavlidis não perde poder com a entrada de um jogador para o seu lado, o grego, aliás, parece gostar muito.




Trubin (5) — Voou para intercetar cruzamento perigoso de Babatunde perto do intervalo. E foi tudo. O resto foi mais susto do que outra coisa qualquer.
Dedic (5) — Apareceu com o joelho direito ligado, ele que recuperou rapidamente de uma entorse naquela zona ao serviço da seleção bósnia, e sugeria cautelas. Poderá ter-se defendido do ponto de vista físico, e clínico, moderando o seu futebol veloz, virtuoso, apaixonante, que os benfiquistas já validaram. Primeira parte discreta, segunda com um pouco mais de Dedic, mas em dose pequena.
António Silva (5) — Viu o cartão amarelo aos 29' por impedir com as mãos a fuga de Tomané, aos 82' errou um corte na área, falhando literalmente a bola, mas teve sorte, pois acabou por morrer nas mãos de Trubin. Foram dois pontos negativos numa exibição globalmente tranquila e competente, sem risco no passe.
Otamendi (6) — Poderia ter feito o golo perto do intervalo, errou a baliza, no segundo tempo sofreu falta de Sidi Bane para penálti. O argentino sobressaiu principalmente no ataque, pois lá atrás não passou por grandes apuros.
Dahl (6) — Começou o jogo a acelerar pela esquerda e até foi à linha de fundo para construir um golo, mas não conseguiu que o cruzamento saísse com a bola dentro de campo e o lance, finalizado por Ivanovic, acabou por nada dar. Segundo tempo menos ambicioso.
Barrenechea (6) — Terminou sem cartão amarelo, o que é novidade, mas terminou bem. Sem grandes altos e baixos, foi competente no passe e na recuperação.
Aursnes (7) — Ao minuto 2 servia o golo a Ivanovic. Era só a primeira vez e o croata atirava ao lado. Aos 33', novo passe a deixar Ivanovic em posição de fazer estragos na área, desta feita foi Devenish que impediu o ponta de lança de marcar, mas aos 62' Fredrik Aursnes fez mais um bom passe para Ivanovic, desta feita atrasado, a pedir o remate na passada: não correu bem a Ivanovic. O médio norueguês também tentou visar a baliza, mas sem sorte. Atirou ao lado e atirou contra adversários. No segundo tempo pisou mais corredor central, como Sudakov.






Richard Ríos (5) — Boa ação defensiva transformada em boa ocasião para a equipa logo ao minuto 2, quando intercetou de cabeça bola reposta por Simão Bertelli e apanhou o Aves SAD desposicionado. Não foi feliz no remate e nota-se que anda ansioso por fazer um golo. Um bom passe para Sudakov foi ponto alto da segunda parte.
Sudakov (7) — Fez um golo, o primeiro pelo Benfica, e tentou bisar, obrigando Simão Bertelli a voar e a fazer boa defesa, mas sobressaiu principalmente pelo papel que desempenhou: Mourinho entregou-lhe a batuta, é o maestro. Fugiu à esquerda para dar espaço a Dahl e porque gosta mais do centro.
Ivanovic — Começou por errar a baliza, isolado, ao minuto 2, mais tarde contornou Bertelli e viu Devenish cortar perto da linha de golo. No segundo tempo ainda teria novas oportunidades não concretizadas, mas não deixou o relvado sem o seu golo. E sem aclarar a ideia de que pode realmente funcionar com Pavlidis na frente. A verdade é que o croata esteve muito em jogo e contribuiu para a permanente instabilidade da defensiva avense.
Schjelderup (5) — Perdeu o lugar no onze, mas teve direito a 20 minutos, correndo bastante e nem sempre a atacar. Manteve o ataque a funcionar.
Leandro Barreiro (5) — 20 minutos a meio-campo e descaído sobre a esquerda, novidade da era Mourinho. Cumpriu.
Tomás Araújo (5) — Entrou aos 81', rendendo Dedic, e ocupando o lado direito da defesa, sem sobressaltos.
João Rego (-) — Entrou aos 86', para a estreia nesta Liga.
PRESTIANNI (-) — Entrou aos 86', sem tempo para grande coisa.
Nuno Reis, in a Bola

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