quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

SEMPRE OLHOS NOS OLHOS



O Benfica perdeu por 2-1 frente ao Real Madrid na 2.ª mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. As águias impuseram o seu futebol em muitos momentos do encontro e saíram de cabeça erguida da competição.
Um Benfica personalizado e sem promessas vãs perdeu (2-1) na deslocação ao recinto do Real Madrid, em jogo da 2.ª mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, disputado nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, no Santiago Bernabéu. As águias terminam a sua participação na prova com uma demonstração clara de competitividade e de qualidade, apenas traída pela eficácia.
Em Madrid, após o embate no Estádio da Luz, na 1.ª mão (0-1), o Benfica apresentou-se com a determinação própria de quem mantinha firme a convicção de que a eliminatória estava em aberto e a passagem à próxima fase era desiderato alcançável.




Sem José Mourinho no banco de suplentes, castigado após a expulsão no duelo anterior, e com o treinador adjunto João Tralhão como rosto de comando – ele que na véspera, na antevisão, deixou claro que a preparação foi no sentido de "ganhar e qualificar" a equipa para a próxima fase –, as águias surgiram em campo com Richard Ríos no lugar de Prestianni (suspenso), face ao onze inicial escalado para o duelo da 1.ª mão.
Se o Benfica alinhou com Trubin, Dedic, Tomás Araújo, Otamendi, Dahl, Aursnes, Barreiro, Richard Ríos, Rafa, Schjelderup e Pavlidis, a formação merengue colocou o central Asencio e o avançado Gonzalo nos lugares de Huijsen e de Mbappé, respetivamente.
Perante milhares de Benfiquistas a fazerem-se ouvir ainda antes do início da contenda – um apoio apaixonado e incondicional expresso além dos 90 minutos de jogo –, o Benfica partiu para cima do Real Madrid desde o primeiro instante.
Com Richard Ríos em zonas mais interiores no meio-campo e Dedic lançado no corredor direito, o Benfica deu o primeiro esticão com o lateral bósnio a conduzir para dentro e a lançar Schjelderup na esquerda, para que este, posteriormente, finalizasse contra um defesa junto à linha de fundo, ganhando um canto. Aos 4' estava dado o primeiro sinal, e segundos depois Barreiro cabeceou no canto subsequente para defesa de Courtois.




Aos 6', Rafa – servido por Schjelderup – recebeu a bola à entrada da área, ludibriou o aperto de Asencio com um excelente gesto técnico e, já dentro da área de rigor, atirou para nova intervenção do guardião belga.
Uma excelente abertura de Tomás Araújo para Pavlidis, aos 12' – dupla que efetuou frente ao Real Madrid o 100.º jogo oficial com o Manto Sagrado –, levou novamente perigo para o último reduto merengue, o qual viu o passe do goleador grego não sair com a melhor direção para Richard Ríos, ao 2.º poste.
As ameaças conduziram ao golo do Benfica. Decorria o minuto 14 quando a abertura de primeira de Richard Ríos para Pavlidis, a passe de Dedic, abriu campo para o avançado cruzar na área. A bola foi intercetada por Asencio na direção da sua baliza, Courtois defendeu instintivamente para a frente com a perna esquerda e Rafa, a dois tempos, finalizou, abrindo o marcador (0-1) e igualando a eliminatória. Foi o 14.º golo do camisola 27 pelo Benfica na Liga dos Campeões, precisamente no dia em que registou 50 jogos na competição.
A resposta do Real Madrid foi célere. Um cruzamento atrasado de Valverde a partir do lado direito, aos 16', encontrou Tchouaméni em posição frontal e perto da linha limite da grande área. O médio rematou sem hipótese de defesa para Trubin (1-1).
Ferido pelo sucesso da primeira aproximação dos da casa à sua baliza, o Benfica lançou-se em novas incursões ofensivas. Uma delas voltou a deixar as águias perto do golo. Aos 22', Aursnes descobriu Schjelderup em profundidade, no lado esquerdo. O extremo internacional norueguês cruzou para a pequena área e o toque ligeiro de Pavlidis não permitiu o desvio da bola para a baliza contrária. Barreiro, na sequência, após a tabela com Rafa, cruzou novamente com perigo, obrigando Rüdiger a um excelente corte para canto.
Atrevido e personalizado, o Benfica manteve-se sempre equilibrado nos processos ofensivos e defensivos, no entanto, aos 32', viu o Real Madrid chegar ao golo... que acabou por ser invalidado por posição irregular de Gonzalo antes do cabeceamento de Valverde e cuja sequência do lance levou ao remate bem-sucedido de Arda Güler. Leitura correta do VAR.
O Benfica manteve a sua postura e, aos 38', foi Courtois o salvador do Real Madrid: Schjelderup foi para cima de Trent, ultrapassando-o, e acabou por ver a bola intercetada por Asencio terminar num remate forte de Richard Ríos. Mas o esférico foi defendido pelo guarda-redes belga. Uma intervenção-chave, quando já se gritava golo!
Até ao intervalo, o Real Madrid respondeu com duas finalizações perigosas, aos 41' e 45', por intermédio de Arda Güler e de Valverde, ambas desviadas pela defesa encarnada e que levaram a pontapés de canto.
O início da etapa complementar trouxe um Real Madrid mais preocupado em fazer a gestão criteriosa da posse de bola e, aos 48', um cruzamento de Trent, na direita, levou perigo para a baliza à guarda de Trubin. O mesmo Trent, aos 57', rematou forte e rasteiro, na área, sobre a direita, e o esférico saiu rente ao poste esquerdo.
O Benfica, porém, teve sempre olhos para as redes contrárias. Aos 60', surgiu uma nova grande oportunidade de golo: Barreiro tirou a bola a Vinicius Júnior na zona intermediária, endossou-a a Pavlidis, que colocou em Rafa, à entrada da área, para uma trivela desviada ligeiramente por Asencio para a barra!
Aos 69', foi a vez de Pavlidis, desta feita servido por Rafa após recuperação de Aursnes, à entrada da área, rematar forte, com a bola a sair prensada em Rüdiger e a passar rente ao poste direito dos merengues.




Contra a tendência do encontro, o Real Madrid chegou ao golo. Valverde lançou Vinicius Júnior em profundidade, e este, apesar da perseguição de Otamendi, na área, colocou os espanhóis em vantagem com um remate cruzado (2-1).
Sem baixar os braços, o Benfica reagiu aos 82' com nova oportunidade flagrante para marcar. Cruzamento de trivela de Schjelderup a partir da esquerda para a pequena área, onde Rafa desviou subtilmente para o 2.º poste, valendo Álvaro Carreras a afastar o perigo e a bola para a linha de fundo.
Aos 85', Otamendi foi agarrado na área por Trent, na sequência de um livre de Aursnes, mas o árbitro nada assinalou.
Com Barrenechea e Ivanovic nos lugares de Aursnes e Schjelderup, o Benfica procurou fazer um forcing final para chegar à igualdade, mas o Real Madrid geriu a posse de bola e controlou o tempo. Sidny ainda foi a jogo em detrimento de Barreiro, encostando-se à direita do ataque, mas, até final, o ritmo do embate baixou consideravelmente e o resultado não se alterou.
Os aplausos dos Benfiquistas acompanharam a despedida de cabeça erguida do Glorioso na edição 2025/26 da Liga dos Campeões, após o 3-1 no cômputo geral do play-off frente ao Real Madrid, vencedor da prova em 15 ocasiões.
Os comandados de José Mourinho voltam à competição na segunda-feira, 2 de março, frente ao Gil Vicente, em jogo referente à 24.ª jornada da Liga Betclic, agendado para as 20h15, no Estádio Cidade de Barcelos.
SL Benfica

AS NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:

 Boa atitude não foi suficiente, sobretudo por pouca acutilância ofensiva e dois erros pontuais na defesa, fatais perante equipas como o Real Madrid. Norueguês e Rafa, a espaços, ainda abanaram os merengues.





A figura do Benfica - Schjelderup (7)
Está um caso sério, como que a confirmar a existência de jogadores que precisam de alguma continuidade e muita confiança para mostrarem o verdadeiro potencial. Ou, mais exatamente, para transformar em ato o que se sabe terem em potência. Aparece nos espaços, mostra-se à equipa, recua quando é preciso e quando recebe a bola assume a posse, não necessariamente (ou sempre) com grandes cavalgadas e sobressaltos para a frente, mas também, e muitas vezes, com critério, temporização e análise do que podem os companheiros fazer em seu redor e qual a melhor solução para romper linhas do adversário. Está nos melhores lances de ataque encarnados e aos 68 minutos fica a sensação de que poderia ter coroado a exibição com um golo quiçá decisivo. Não rematou, foi pena.
5 Trubin — Jogo extremamente ingrato para um guarda-redes capaz de resolver sem sobressaltos o que pôde resolver (remates fracos ou à figura, cruzamentos insípidos) e absolutamente impossibilitado, pelas circunstâncias, de evitar os golos do adversário. Nem ele nem ninguém o poderia ter feito.
6 Dedic — Foi dos melhores jogadores do Benfica, sobretudo na primeira parte e nas tarefas ofensivas. Foi visto várias vezes fora da zona atrasada, perfeitamente englobado nas tentativas de ataque encarnadas. É claro, já se sabe, que tinha como adversário direto Vini Jr., e isso não se deseja a ninguém. Aos 32 minutos o brasileiro fez dele gato-sapato na área e ofereceu o que teria sido o 2-1, invalidado por posterior fora-de-jogo de Gonzalo, mas isto não é suficiente para baixar a nota do bósnio. Até porque iniciou a jogada do golo encarnado e aos 70 minutos foi brilhante na dobra a mais um erro central e evitou um golo de Valverde.
4 Tomás Araújo — Tinha sido absolutamente brilhante na primeira mão, desta feita leva uma noite para recordar mas não pelas melhores razões. Sem uma grande tormenta atacante madridista, fica ligado a dois golos do Real, um deles invalidado (o de Guler aos 32 minutos). Neste não chegou ao turco. Aos 80 minutos, no segundo, que valeu, falhou abordagem no meio-campo a Valverde, que isolou Vinícius, e a eliminatória ficou decidida.
4 Otamendi — Exibição mais ou menos plasmada da do companheiro do eixo defensivo. Noite relativamente tranquila, acerto generalizado (belo corte a remate de Guler aos 48 minutos), mas erro capital no primeiro golo espanhol, com um passe disparatado que Tchouameni intercetou para vir, mais tarde, a concluir a jogada.
5 Dahl — Discreto e na maior parte das vezes competente. Foi mais cauteloso no seu flanco, perante a maior ousadia de Dedic no lado contrário, e segurou o lado direito ofensivo do Real sem problemas de maior. Foi muito raro permitir espaço a Alexander-Arnold, que era na realidade o extremo merengue.
5 Leandro Barreiro — Trabalho de sapa no meio-campo e ainda um ou outro atrevimento na frente, um dos quais deu enorme frenesi na área espanhola, aos 60 minutos. Raramente sobressai, mas mata-se a trabalhar e mantém intensidade no jogo.
6 Aursnes — Foi o pêndulo do costume durante a maior parte do tempo. Posicionado à partida no duplo pivô do meio-campo, foi justamente a partir daí que depois surgiu à esquerda, à direita, ao centro, na área do Real, na área do Benfica. Aos 70 minutos teve medo de fazer falta sobre Valverde e quase deixava o capitão madridista marcar, valeu Dedic.




6 Ríos — Era aguardado no meio, formalmente foi interior direito, mas na verdade andou sempre ali numa posição híbrida que conferiu equilíbrio no centro mas teve o preço, às vezes, de deixar Dedic desamparado perante Vinícius Júnior. Um bom jogo global, com notas para a participação na boa jogada do golo de Rafa e para o remate mais perigoso do Benfica, que proporcionou a Courtois mais uma boa defesa nesta eliminatória.
7 Rafa — Desta vez teve espaço para se virar para a baliza e aplicar velocidade ao jogo. Mostrou-se atrevido no drible e na tentativa de remate desde muito cedo, mantendo um jogo assertivo até final. Marcou, oportuno, o golo encarnado, dinamizou vários ataques, arrancou amarelo a Asencio, atirou uma trivela de classe à barra e logo após o 2-1 quase empatava de calcanhar.
5 Pavlidis — Jogo ingrato, em que procurou muitas vezes vir atrás, como tão bem sabe fazer, mas raramente conseguiu espaços. Cruzou para o golo de Rafa e teve um remate perigoso ao lado da baliza de Courtois. Aos 56 minutos podia ter comprometido quando quis sair a jogar à saída da própria grande área.
— Barrenechea — Entrou e chegou a tocar na bola, mas estava tudo decidido e acabado.
— Ivanovic — Ainda teve tempo para uma ou outra iniciativa insípidas.
— Sidny Cabral — Sofreu falta e bateu um livre indireto, já pode dizer que jogou no Bernabéu.
Alexandre Pereira, in a Bola

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