segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

RASCORD FALA EM PRESSÃO DE JESUS AO MALHEIRO. QUE GRANDE LATA,E O MOREIRENSE?

MAS AFINAL ISTO EM BAIXO É O QUÊ?
CUMPRIMENTOS AMISTOSOS?




 

A FANTOCHADA!

 


Vamos continuar a brincar à fantochada que é este campeonato?

Steven Vitória seria o titular do jogo de hoje frente ao FC Porto, mas a direção do Moreirense quis intervir no 11 inicial e colocar Ferraresi no seu lugar. César Peixoto não gostou desta e de outras intromissões e demitiu-se. E quem é Ferraresi? Nada mais, nada menos que o ex-jogador do FC Porto B (emprestado pelo Manchester City), onde disputou 23 jogos. Foi precisamente este o jogador que cometeu o penálti forçado a favor do - seu - FC Porto.
Desde que Sérgio Conceição teve a distinta lata de pedir mais penáltis a favor, o FC Porto tem admiráveis 12 grandes penalidades em 19 jogos (13 em 20 se considerarmos o jogo da Supertaça, frente ao SL Benfica).

23/06 Porto-Boavista, 2 penáltis
29/06 Paços de Ferreira-Porto
05/07 Porto-Belenenses, 1 penálti
09/07 Tondela-Porto, 1 penálti
15/07 Porto-Sporting
20/07 Porto-Moreirense, 1 penálti
25/07 Braga-Porto
19/09 Porto-Braga, 2 penáltis
26/09 Boavista-Porto
03/10 Porto-Marítimo, 1 penálti
17/10 Sporting-Porto
24/10 Porto-Gil Vicente, 1 penálti
30/10 Paços de Ferreira-Porto, 1 penálti
08/11 Porto-Portimonense
28/11 Santa Clara-Porto
05/12 Porto-Tondela
20/12 Porto-Nacional, 1 penálti
29/12 Guimarães-Porto
03/01 Porto-Moreirense, 1 penálti
Na Liga NOS, o FC Porto leva 7 pontapés de penálti em 12 jogos, o Sporting CP 5 e o SL Benfica 0. Até quando irá continuar o regabofe?
É isto a Liga Portugal. Que siga o circo e não se esqueçam de consultar as imagens em anexo (e partilhar a publicação).
A equipa do Polvo das Antas.

VITÓRIA NO FEMININO



  Três pontos desbloqueados na segunda parte

A equipa feminina de futebol do SL Benfica venceu o CF Benfica por 3-0 no jogo da 9.ª jornada da Liga BPI (Zona Sul), o último da 1.ª fase da competição.
A três dias de disputar a final da Taça da Liga 2019/20 em Aveiro, a equipa feminina de futebol do SL Benfica bateu neste domingo o CF Benfica por 3-0 no Estádio da Tapadinha, em jogo na 9.ª jornada da Zona Sul da Liga BPI, o último da 1.ª fase da competição.
No jogo que assinalou a estreia da treinadora Filipa Patão ao comando da equipa, o Benfica, dominou por completo no primeiro tempo, mas não coloriu com golos a superioridade patenteada.
Atuando com uma dinâmica de três centrais (Sílvia Rebelo, Carole Costa e Ana Seiça), o conjunto benfiquista teve Catarina Amado e Matilde Fildago a darem projeção ofensiva pelos flancos no primeiro tempo. Pauleta, Andreia Faria e Beatriz Cameirão compuseram o meio-campo, ficando o ataque entregue a Jolina e Carlota Cristo neste período do desafio.
Com linhas muito recuadas a tapar os caminhos para a baliza, o CF Benfica raramente incomodou a defensiva das águias.
Perto da meia hora (27'), o Benfica introduziu a bola na baliza adversária, numa finalização de Carole Costa, mas o golo foi anulado por fora de jogo, na leitura da equipa de arbitragem. Ainda antes do fim da etapa inicial, Ana Seiça (remate) e Sílvia Rebelo (cabeceamento) levaram o perigo à baliza do popular Fofó.
Filipa Patão aproveitou o intervalo para reconfigurar a equipa benfiquista, operando três mudanças: saíram Matilde Fidalgo, Jolina e Carlota Cristo, entraram Ana Vitória, Cloé Lacasse e Nycole.
As águias foram ainda mais pressionantes no arranque do segundo tempo e desbloquearam o resultado aos 63', num lance com assinatura final de Cloé Lacasse (1-0), pertencendo a assistência a Ana Vitória. O 2-0 aconteceu pouco depois, ao minuto 70, sendo apontado por Andreia Faria.
Entrada na segunda metade do desafio, a jovem avançada Francisca Nazareth faturou o 3-0 final aos 82', mas ainda houve uma bola ao poste, rematada por Ana Vitória, aos 89'.
O Benfica terminou esta 1.ª fase em segundo lugar e apurou-se para a fase final da prova, onde entram as quatro primeiras classificadas da Zona Norte e da Zona Sul.
Na próxima quarta-feira, dia 6 de janeiro, o Benfica enfrenta o Braga na final da Taça da Liga 2019/20 no Estádio Municipal de Aveiro. O duelo começa às 19h45.
DECLARAÇÕES
Filipa Patão (treinadora do Benfica): "A única gestão que fizemos neste jogo foi ao nível do que pretendíamos das jogadoras. Queremos colocá-las em campo, dar-lhes minutos e oportunidades para mostrar que fizeram um bom trabalho ao longo da semana. A gestão passou por aí, dentro plantel, para ter todas ao mesmo nível, todas capazes de dar o seu cunho. Em relação ao jogo da próxima quarta-feira [final da Taça da Liga 2019/20], estamos a trabalhar há algum tempo e vamos continuar a fazê-lo. Tenho a certeza de que vai ser um bom espetáculo para o futebol feminino, e estamos lá para marcar a diferença, é isso que queremos. Temos uma palavra a dizer e vamos dar tudo o que temos para demonstrar o nosso crescimento e as nossas ideias. Mais do que ganhar, é ganhar de uma forma diferente; é ganhar e convencer, porque é isso que pretendemos e que precisamos."
SL Benfica-CF Benfica, 3-0
FICHA
Local Estádio da Tapadinha
Onze do
Benfica Dani Neuhaus, Catarina Amado (Christy Ucheibe, 79'), Sílvia Rebelo, Carole
Costa, Ana Seiça, Matilde Fidalgo (Ana Vitória, 46'), Andreia Faria (Francisca
Nazareth, 72'), Beatriz Cameirão, Pauleta, Carlota Cristo (Nycole, 46') e Jolina
(Cloé Lacasse, 46')
Suplentes Carolina Vilão, Mariana Alberto, Christy Ucheibe
(79'), Ana Vitória (46'), Francisca Nazareth (72'), Cloé Lacasse (46') e Nycole (46')
Ao intervalo 0-0
Golos do
Benfica Cloé Lacasse (63'), Andreia Faria (70'), Francisca Nazareth (82)

domingo, 3 de janeiro de 2021

EMPATE EM BRAGA



 Divisão de pontos em jogo frenético

Benfica teve soberanas oportunidades para sair de Braga com os três pontos, mas acabou a empatar (4-4).
A equipa de futsal do Benfica começou o novo ano com um empate no reduto do SC Braga (4-4), em jogo da 15.ª jornada da Liga Placard.
Primeiro minuto a todo o gás no Pavilhão Desportivo da Universidade do Minho. Benfica a ter uma soberana oportunidade para inaugurar o marcador, mas Leandro opôs-se bem a Chishkala. Na resposta, o SC Braga também poderia ter faturado. Bruno Cintra quase fez golo para os minhotos.
As águias, com uma pressão alta sobre a bola, e com maior acutilância ofensiva, obrigaram os bracarenses a recorreram a faltas para as pararem. Peixinho e Hébberth viram cartões amarelos antes dos 10 minutos de jogo. Ainda assim, aos 7', Miguel Ângelo atirou ao poste da baliza defendida por André Sousa.
Aos 9', golo do Benfica! Cruzamento tenso de Arthur desde o flanco esquerdo e Jacaré, à boca da baliza, a fazer o 0-1.
Mesmo a vencer, o Benfica não estava satisfeito e queria mais. Aos 11', Arthur trabalhou bem e atirou à base do poste da baliza minhota. Segundos depois, o 0-2. Outra vez Arthur, da direita para dentro, e de meia distância, a disparar sem hipóteses para Leandro.
Aos 17', Ricardo Lopes apareceu na cara do golo, mas André Sousa foi expedito a sair dos postes e a evitar o tento bracarense. O guarda-redes do Benfica mostrou-se no final da primeira parte com nova defesa aos pés de Bruno Cintra.
No último minuto do primeiro tempo (19'), o Benfica cometeu a sexta falta, Bruno Cintra foi para a linha dos 10 metros e atirou colocado a contar. 1-2 no marcador, resultado com que se chegou ao intervalo.
A etapa complementar começa com uma clamorosa oportunidade para os da casa. Aos 21', Miguel Ângelo, em cima da linha de golo, viu André Sousa oferecer a cara para não permitir que a bola entrasse. Aos 23', o 2-2 para o SC Braga. Forte remate de Miguel Ângelo, e Afonso Jesus, na área, a desviar para a própria baliza.
A reviravolta no marcador deu-se aos 27', por Bruno Cintra. Erro da defensiva encarnada, a tentar sair com a bola controlada, o esférico voltou para os minhotos, Hébberth assistiu e o capitão, à boca da baliza, a fazer o 3-2.
As águias responderam de imediato e, aos 29', Henmi, em cima da linha de golo, não conseguiu desviar para os festejos. Volvidos dois minutos, aos 31', nova infelicidade para o Benfica. Tayebi trabalhou bem de costas para a baliza, virou e rematou ao poste minhoto.
O golo andava perto e surgiu mesmo aos 34'. Canto para o Benfica, a bola ficou a saltitar na área do SC Braga e Chishkala, oportuno, atirou para o 3-3. Num livre direto, Henmi disparou contra a barra da baliza dos da casa. Os da Luz a ficarem a centímetros do 3-4.
Bola cá, bola lá, e quem não marca, sofre. Aos 35', Miguel Ângelo, com um estoiro do meio da rua, a "trair" a antiga equipa e a fazer 4-3. Aos 37', já a jogarem em 5x4, as águias chegaram ao 4-4, através de Tayebi, após assistência de Robinho.
O Benfica soma 41 pontos na classificação e na próxima ronda desloca-se à casa do Modicus.
DECLARAÇÕES
Joel Rocha (treinador do Benfica): "Já o tinha dito na minha antevisão. Vir a Braga é sempre uma deslocação difícil e de risco. O Benfica não correspondeu à exigência que se pedia. Foi uma equipa, demasiados minutos, conformada com o resultado. Sofremos quatro golos, três na segunda parte, o que é excessivo para o nosso padrão. Foi um dia mau da nossa parte, e espero que seja o primeiro e o último neste novo ano. Até ao 0-2 houve um Benfica e depois houve outro. Até ao 0-2 fomos dominantes, controladores e estivemos sempre por cima. Tivemos maiores índices de maturidade e de consciência. Depois do 0-2, relaxámos e imaginámos que o jogo já estivesse conquistado, mas não estava. Na nossa zona defensiva fomos muito permissivos."
Robinho (capitão do Benfica): "Não era desta forma que queríamos começar o ano. Jogamos sempre para vencer, mas hoje não foi possível alcançar o resultado esperado. Começámos bem a partida, tivemos uma boa vantagem, mas não controlámos o jogo. Agora é ter cabeça para reverter a situação, porque ainda há muita temporada."
SC Braga-Benfica, 4-4
FICHA
Local Pavilhão Desportivo Universidade do Minho
Cinco inicial
do Benfica André Sousa, Afonso Jesus, Robinho, Chishkala e Jacaré
Suplentes Martim Figueira, Fábio Cecílio, Tiago Brito, Arthur, Henmi, Nilson e Tayebi Resultado ao
intervalo 1-2
Golos do
Benfica Jacaré (9'), Arthur (11'), Chishkala (34') e Tayebi (37')

FELIZ 2021, BENFICA!



 "Então o senhor covid decidiu invadir o balneário dos nossos jogadores? Não seremos o primeiro nem o último clube no mundo a levar com uma visitinha do vírus, mas fiquei muito frustrado com este timing. Tenho pena de que o bicho não tenha aparecido uma semaninha mais cedo, a tempo de poupar os jogadores e os adeptos daquela exibição tão pouco conseguida na Supertaça. Paciência, pelo menos alguém na estrutura que encomende já uma remessa de vacinas para protegermos o quanto antes os elementos mais importantes: o Taarabt e o Luisão.

2020 já lá vai, o que significa que abandonámos finalmente um dos anos mais difíceis de enfrentar em toda a nossa vida. Fomos obrigados a ficar trancados em casa, a usar máscara e a assistir de longe à perda da confortável liderança que tínhamos em Janeiro. Qualquer um deseja entrar em 2021 com o pé direito, no entanto espero que o Grimaldo, o Vertonghen, o Nuno Tavares, o Gabriel, o Cervi, o Pedrinho, o Waldschmidt e o Seferovic entrem com o pé esquerdo.
Este primeiro mês de 2021 será decisivo, o que significa que não há espaço para erros. E e todos os benfiquistas continuamos à espera de um Benfica à altura das exigências. Garantiram-me que esta equipa ia jogar o triplo, e é dessa raça, crer e ambição que eu gosto. Mas é uma promessa que tem de ser convertida em realidade. Merecemos um 2021 muito mais generoso que o antecessor, onde fomos privados de tudo e mais alguma coisa. Que este novo ano recomponha o mundo de saúde, harmonia e, sobretudo, que volte a encher as bancadas da Luz com 65 mil apaixonados carregados de saudades de sentir a pele arrepiada enquanto toca o hino."

Pedro Soares, in O Benfica

APAGAR 2020



 "Ano para esquecer, ano maldito, ano terrível, todas as palavras seriam poucas para definir aquele que seguramente foi, para a humanidade, o pior ano do século.

Uma pandemia irritante e inesperada destroçou vidas, famílias, empresas e empregos. Obrigou hábitos até há pouco impensáveis. Confinou e violentou populações. E o pior é que, mesmo rasgando as folhas do calendário, este passado e presente de ansiedade ainda não se pode extinguir na totalidade.
Também no desporto, e em particular no futebol, tudo foi diferente, para pior. Campeonatos interrompidos, bancadas vazias, competições burocráticas, sem chama, sem luz, nem cor.
Desde Março que não vou à Luz. Um infeliz recorde mesmo forçado a viver o Benfica à distância, nem assim houve motivos para comemorar: perdeu-se um campeonato que à entrada de 2020 parecia cantado, perdeu-se uma final da Taça a jogar contra dez, e nem a Supertaça se salvou.
Também nas modalidades pouca coisa há para reter. O vírus retirou-nos campeonatos de voleibol, hóquei, talvez futsal, talvez até basquetebol, várias competições femininas. Quando o mundo parou, também os nossos juniores caminhavam para o título. E além do título de atletismo, da nova Taça 1947 de hóquei, da Supertaça de voleibol, e agora da Taça de futsal feminino, não me recordo de mais nada de relevante para mencionar nestes doze meses.
Que 2021 seja bem melhor é o desejo de todos. E para o Benfica, em particular, queremos vitórias e troféus, sobretudo naquele que é o principal barómetro para os grandes clubes portugueses: o campeonato de futebol. Jorge Jesus e os seus jogadores têm a palavra."

Luís Fialho, in O Benfica

HÁ MUITO POR GANHAR



 "Diz-se que, no desporto, 'o que conta são os resultados'. A análise é condicionada por eles, incluindo a de dirigentes, devendo estes, no entanto, e recorrendo ainda a um aforismo, ter a capacidade de olhar para a floresta como um todo e não para as árvores que os rodeiam. Temos um exemplo paradigmático e de sucesso relativamente recente no Clube, quando, em 2013, na sequência de tudo perdido, Luís Filipe Vieira percebeu, contra a opinião da maioria, que deveria renovar o contrato de Jorge Jesus, dando assim um passo vital para o inédito tetra que se seguiu.

Perder uma Supertaça, mesmo sendo apenas um troféu, é péssimo, seja com um dos adversários que fazem do ódio ao Benfica uma das suas forças motrizes, o FC Porto e o Sporting, seja com outro qualquer. E não o é somente por se tratar de uma derrota, das quais ninguém gosta. É-o porque o etos benfiquista tolera a possibilidade de derrota. Já dizia a canção, concisa e acertadamente, 'o nosso destino é o de vencer'.
O repúdio à possibilidade da derrota não significa, no entanto, que neguemos a sua ocorrência ou que, acontecendo, devamos proceder a purgas desprovidas de sentido para acalmar as hostes.
Tivemos períodos de maior e menor fulgor desportivo, não me constando que, desde a consolidação da presença do Clube na sociedade portuguesa, o activo mais sólido do Benfica, o benfiquismo, tenha sido afectado por aí além por essas oscilações. E, presentemente, sabendo que só com a devida distância poderemos, de facto, estabelecer os limites de um período, creio que perdura um caracterizado por sucesso desportivo (diferentes de ganhar sempre) e as bases do sucesso permanecem sólidas. Espero ter razão, acredito que terei."

João Tomaz, in O Benfica

FOI-SE 2020, FINALMENTE!



 "Hoje não vos vou falar de desporto, mas também se aplica. Este ano de 2020 foi tão invulgar e triste, que o campo desportivo foi apenas mais uma das áreas em que, enquanto sociedade, nos tiraram o tapete.

De Março para cá, as nossas vidas mudaram. Os afectos públicos deixaram de fazer parte das rotinas - há quanto tempo não abraçamos o beijamos, como merecem, os nossos pais e avós? As nossas liberdades enquanto cidadãos foram afectadas - ajuntamentos públicos e privados, acesso à cultura e ao ensino, tudo restringido. Em dados momentos, como o que vivemos nesta semana, até a possibilidade de nos movimentarmos pelo país foi proibida.
Centenas de milhares de portugueses e residentes em Portugal perderam os seus empregos ou viram reduzidos os seus empregos ou viram reduzidos salários, horários e transformada e organização do seu trabalho. No espaço noticioso fomos inundados pela covid-19, 24 sobre 24 horas. Tudo passou para terceiro plano. Em primeiro a pandemia, em segundo os cuidados a ter para evitá-la. No momento em que vos escrevo, os dados oficiais de mortes por covid-19 em Portugal estão à beira das 6700 pessoas, para um número total de casos que já ronda os 400 mil. Todos temos alguém, mais ou menos próximo, que já passou pelo quadro diário de números da Direcção-Geral da Saúde. A pandemia veio afectar-nos, como sociedade e individualmente, muito mais do que passaríamos. Provavelmente, mais do que alguém poderia prognosticar, mas estarmos cá.
Estamos prontos para enfrentar mais um ano com a palavra da moda: resiliência. A física diz-nos que resiliência é a 'capacidade de um corpo recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação'. Tenho dúvidas de que voltemos à 'forma original', mas com coragem, ambição e capacidade de superação, com ganas, foco e querer, podemos até melhorar enquanto seres humanos. Que 2021 nos traga, pelo menos, isso.
E saúde."

Ricardo Santos, in O Benfica

UMA NOITE QUE PARECIA DIA



 "240 projectores orientados na direcção do relvado iluminaram uma festa gigantesca que terminou com um jogo entre Benfica e Flamengo (1-1). No meio de tanta alegria encarnada, os brasileiros saíram irritados por terem sofrido um golo fora-de-jogo a 2 minutos do fim


Sabem aqueles que têm a infinita paciência de ler estas minhas páginas há mais de dez anos que gosto particularmente de ir em busca de jogos já fugidos da memória que envolveram a equipa do Benfica ao longo dos tempos. Desta vez entretive-me na pesquisa de uma visita do Flamengo a Lisboa em Junho de 1958. Vinham os cariocas para uma festa. Uma festa de luz na Luz, já que se inaugurava o sistema de iluminação do estádio. Razão mais do que suficiente para que o orgulho encarnado inflasse como inflou.
Esperava-se uma enchente extraordinária.
Recordava-se que os encarnados nunca tinham conseguido bater os rubro-negros do Rio de Janeiro. Seria agora?
Vindos de França, onde tinham realizado o último encontro particular de uma digressão que os levara à Hungria e a Inglaterra, totalmente imbatíveis nos seis jogos realizados, os brasileiros chegaram ao aeroporto da Portela envoltos na habitual alegria que faz parte da sua idossincrasia. Tinham nomes sonantes para a altura, como Joubert, Décio, Carlinhos, Dequinha, Alfredinho e Luís Carlos, e um treinador pachola, de discurso simpático e correcto, Jaime de Almeida: 'Jogar contra o Benfica só pode ser, para nós, um autêntico prazer. Ainda por cima, porque nos sentimos em Lisboa como se estivéssemos em casa'. A imprensa portuguesa levou a bem estas palavras. Nada com um elogio para trazer ainda mais vida ao jogo do dia seguinte. Ou, melhor, da noite seguinte. Sob a luz mágica dos novos holofotes.

240 projectores e um offside
Ainda não seria desta vez que o Benfica haveria de bater o Flamengo. Aliás, a festa de amizade há tanto tempo programada acabou de forma feia, com os brasileiros a discutirem bravamente com o árbitro o golo que permitiu ao Benfica atingir o empate (1-1) a 2 minutos do fim.
Facto indesmentível e intocável: a exibição dos encarnados não foi das tais coisas. Talvez por causa da ansiedade de vencer um adversário até aí imbatido, talvez porquê faltasse ao conjunto o toque colectivo que se exige para que seja isso mesmo: um conjunto. É preciso acrescentar que o Flamengo estava desfalcado no seu onze titular: Joel, Dido, Zagallo e Moacyr estavam na Suécia, integrados na selecção brasileira que não tardaria a conquistar o seu primeiro título de campeã do mundo. Ainda assim, a linha defensiva carioca foi de uma ligeireza e de uma elasticidade notáveis, ao ponto de baralhar por completo a movimentação dos atacantes portugueses, sobretudo José Águas, que ficou perdido entre as torres adversárias.
Alegres e matreiros, os flamenguistas trataram de ensaboar a cabeça a Serra e a Coluna, os melhores do Benfica, que andavam por ali, campo fora, atrás deles com os bofes de fora, tamanho o descaramento das tabelinhas rápidas e precisas que iam sendo desenhadas a meio-campo.
O público, que era muito, ficou naturalmente desiludido.
A esperança de bater finalmente o Flamengo desvanecia-se, e mais ainda quando Henrique, um avançado poderoso, à europeia, marcou o golo que dava vantagem aos visitantes.
Com o passar do tempo, não se viam jeitos de alterar o resultado.
Verdade que, também como é seu costume, os brasileiros se preocupavam mais em divertir-se com a bola, em passes e repasses, do que propriamente em chutá-la à baliza de Costa Pereira, ainda assim protagonista de algumas defesas notáveis. Otto Glória, o brasileiro que estava sentado no banco dos portugueses, parecia ter sido apanhado desprevenido pela forma de actuar do opositor, com a infelicidade acrescida de não poder contar com dois dos seus mais lutadores elementos, Ângelo e Pegado, cuja ausência lhe esburacou o meio-campo.
Andavam as coisas por este caminho com o final do encontro cada vez mais próximo, quando Águas recebeu uma bola isolado frente ao keeper Fernando e repôs o empate. Festa nas bancadas, pois calro, mas confusão no relvado. Os brasileiros reclamaram fora-de-jogo, e as testemunhas presentes confirmaram, na sua maioria, a ilegalidade do golo benfiquista. Empurrão para cá e empurrão para lá, mas nada a fazer, a decisão estava tomada, o Benfica safava-se de uma derrota aborrecida em dia que deveria ser de festa. E foi. Porque, para lá do jogo, houve todo um espectáculo de luz e cor.
Procuro nos canhentos e encontro: Em tudo, foi uma festa 'à Benfica'! Multicolor, alegre, imponente, espectaular e rica de beleza. Tal como a luminosidade que brota de 240 projectores orientados para a tapete verde. O clube caprichou em delinear um programa variado, repleto de sugestão desportiva e que se documentou pela estafeta Chama do Benfica, cujos corredores passaram pelos locais onde existiram campos da colectividade, demonstrações de ginástica, todas impressionantes na harmonia e no ritmo, exposição campista e fecho com o jogo frente ao Flamengo'.
Foguetes estralejaram no ar.
Os brasileiros saíram irritados. Com razão, muito provavelmente. Mas, se calhar, naquele coite que parecia dia, o resultado do jogo nem era o mais importante..."

Afonso de Melo, in O Benfica

BENFICA FEMININO?



 "Com o futebol feminino a dar os primeiros passos, um grupo de jogadoras encontrou uma maneira de chamar a atenção.


Nas primeiras décadas do século XX, acreditava-se que 'o futebol era um desporto, varonil. Exigindo um fundo atlético de grande relevância, a sua prática era aconselhável a indivíduos de forte capacidade física e de grande resistência ao esforço' e, como tal, 'não parecia reunir grandes motivos de atracção do elemento feminino. Por boas e muitas razões se tem entendido que o futebol é um desporto... para homens'. Em meados do século, essa ideia começou a dissipar-se com o aumento de praticantes femininos dessa modalidade, especialmente no Brasil e em Inglaterra.
O público comparecia em massa para esse tipo de eventos, ainda para mais quando as partidas era frente a equipas estrangeiras. Assim, em Dezembro de 1959, quando o treinador da formação feminina do Darlston viu 'o papel timbrado com a palavra Benfica, supôs que se tratava de um grupo estrangeiro' e aceitou de imediato o convite.
O entusiasmo estendeu-se por toda a cidade, fazendo com que os habitantes de 'dirigissem em grande número ao campo de futebol'. A informação oficiosa de que seriam italianas fez com que António Morgillo, emigrado há vários anos e residente na cidade vizinha de Wolverhampton, quisesse assistir ao encontro por forma a contactar com as suas conterrâneas.
A expectativa era imensa, contudo, ainda na primeira parte, alguns 'espectadores começaram a ficar intrigados ao ouvir as «italianas» exclamarem frases em inglês corrente'. Morgillo aproveitou o intervalo para ir cumprimentar as jogadoras e saber novidades da sua terra natal, o que gerou um enorme silêncio, quebrado com o anúncio da guarda-redes: 'eh, nós não somos de Itália, somos de Lancashire'.
A situação foi desmitificada pela treinadora das 'benfiquistas'. Na verdade, eram todas inglesas, que tinham estado em Portugal e visitando as instalações do Benfica. As atletas ficaram tão fascinadas, que, ao regressarem a Inglaterra, quiseram formar um clube com o nome dos 'encarnados'. Ainda assim, no final do encontro 'a maior parte dos adeptos continuava sem compreender que não tinham estado a presenciar' um jogo de uma equipa feminina do Benfica, mas sim uma magnífica demonstração de puro fascínio pela mística e pela história dos 'encarnados'.
A equipa feminina do Benfica levou mais algumas décadas a ser uma realidade, mas finalmente aconteceu na época 2018/19. Conheçam algumas das suas conquistas na área 1 - Ontem e Hoje do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica