sábado, 5 de junho de 2021

MANIFESTO PELA UNIÃO DOS BENFIQUISTAS

 


"A uma direção do Benfica, exige-se que ganhe, pelo menos, dois campeonatos em cada quatro e leve sempre o clube à Liga dos Campeões. É a bitola mínima.

Uma parte fundamental da nossa história como adeptos é dor. Em qualquer equipa, em qualquer desporto. Claro que todos recordamos melhor as vitórias, os golos, os títulos, a festa – mas a seriedade, a tristeza com que vivemos as derrotas, as finais perdidas, a lesão do grande jogador, a goleada humilhante, dizem, pelo menos, tanto ou mais de como verdadeiramente somos do clube que somos.
Os gauleses de Astérix fingiam que não sabiam de nenhuma Alésia – e eu, às vezes, também juro a pés juntos que nunca ouvi falar de Vigo – mas é impossível negar uma época inteira de fracassos. Simplesmente fingir que ela não existiu, ou que é aceitável acabar em terceiro, ser eliminado sem apelo nem agravo da Champions, eliminado sem apelo nem agravo da Liga Europa, eliminado sem apelo nem agravo da Taça da Liga, derrotado sem espinhas na Supertaça e na final da Taça, derrotado sem espinhas pelo Gil Vicente, goleado pelo Boavista, sofrer para ganhar ao Paredes – e tudo depois de fazer o maior investimento de sempre. Isto não é aceitável para um adepto; muito menos para um treinador. Muito menos para um Presidente. Não é aceitável – e não é esquecível.
Se o Benfica pretende ganhar alguma coisa em 2021/2022, convém que comece a reconhecer o mais depressa possível o desastre que foi 2020/2021. Porque, ou aceita o que esteve mal e procura corrigi-lo, ou vai acontecer tudo outra vez. Pior: não terá dois jogos de tolerância, duas conferências de imprensa estapafúrdias de paciência.
O primeiro a assumir as suas responsabilidades tem de ser quem mais responsabilidades tem: o Presidente. Um Presidente do Benfica tem de estar no Benfica – e só no Benfica. O Benfica não é um part-time, nem um passatempo, nem uma medalha que se põe ao peito, nem muito menos um escudo e ainda menos um fardo. Luís Filipe Vieira foi eleito há menos de um ano. Como é público, fui um dos muitos milhares que contribuíram para a vitória. Mas apoiar não significa falta de autocrítica ou exigência; pelo contrário.
Em segundo lugar, o número dois Rui Costa é uma figura maior do universo benfiquista, um ídolo, uma referência. O seu primeiro ano como vice-presidente soube a muito pouco. Rui quer mesmo ser vice-presidente ou continua apenas diretor desportivo? Quer suceder a Vieira ou apenas seguir Vieira? Pelo seu passado, pelo seu carisma, pelo seu exemplo, Rui Costa habituou-nos a esperar e a exigir muito mais dele e se pretende unir os benfiquistas, como talvez só uma figura como ele possa fazer nos próximos anos, tem de liderar.
Em terceiro lugar, Jorge Jesus – e o terceiro lugar foi mesmo tudo o que Jesus conseguiu. Um 11 do Benfica tem que ter sempre três tipos de jogador: o jogador português consagrado, que gostamos de ver enquanto orgulho e símbolo do país; o jogador formado na casa, que carrega o ADN e a mística do clube, a reputação da formação do Seixal e que serve de modelo às gerações posteriores; e o jogador maduro, que acrescenta classe, experiência e nos faz sonhar.
Num ano, Jorge Jesus destruiu tudo. Interrompeu anos de aposta bem-sucedida no Seixal, devolveu-nos aos piores tempos de um onze sem portugueses, sem identidade, sem referências, desprestigiou a braçadeira de capitão e andou de desculpa em desculpa e desastre em desastre, como se não tivesse qualquer responsabilidade. Mas Jesus só não tem todas as responsabilidades pelo que se passou nesta época porque tem de dividir pelo menos algumas com a direção que o deixou sempre à vontade para ser a pior versão dele mesmo. Pela primeira vez em 10 anos, não fomos à Champions e estamos longe de a ter garantido para o ano, mas não vimos Jesus assumir uma só pequena parte de responsabilidade por isto. A sua arrogância é insuportável, as suas desculpas ridículas. Nunca será a pessoa certa. O Benfica precisa, agora mais do que nunca, de um treinador de futuro, de um líder que queira ganhar e não de um que se compraz em já ter ganho.
Só as vitórias unem. O Benfica está dividido e qualquer temporada que não passe por conquistas só o vai fraturar ainda mais. Os descontentes têm de ser pacientes e não abrir ainda mais feridas que só prejudicarão mais o clube, mas a maior responsabilidade cabe a quem está do lado de dentro. Presidente, vice-presidente, treinador – quem quer que ele seja – têm de fazer mais, muito mais, pelo Benfica. A Covid não explica todos os problemas do Benfica 2020/21.
A uma direção do Benfica, exige-se que ganhe, pelo menos, dois campeonatos em cada quatro e leve sempre o clube à Liga dos Campeões. É a bitola mínima! Estamos a entrar num círculo vicioso: a falhar o acesso à Champions, a perder as suas receitas e a oportunidade de ali mostrar os jogadores. E menos receita significa menos capacidade de investimento, menos capacidade de construir uma equipa capaz de sucessos desportivos.
Por outro lado, urge democratizar a vida interna do clube. O contínuo adiamento da revisão dos estatutos só vai conseguir uma coisa: cada vez mais crispação, cada vez mais fraturas, cada vez mais um ambiente de guerra que não aproveita a ninguém, muito menos a quem mais importa: o Benfica.
Enquanto adepto, e um que tem voz pública e apoiou e apoia assumidamente esta direção, não perdi o meu grau de exigência por isso. O mínimo que a direção tem de fazer é assumir o que de errado aconteceu nesta época e apresentar um plano claro do que será diferente para a próxima.
O Sport Lisboa e Benfica é a maior instituição portuguesa. Adeptos ou dirigentes, ou estamos cá para a unir ou dividimo-la. Ou estamos cá para a servir ou não servimos.
* Sócio nº. 25768"

ESTRANHA-SE MAS ENTRANHA-SE

 


"Isto não é bem um Europeu, festa num país só, seleções em quarteis generais previamente adaptados, repórteres em correria em redor dos relvados de treino, adeptos aos magotes que pintam de cachecóis nacionais os aviões fretados, toda essa gente apinhada depois, copos de cerveja numa fan zone sem máscaras, dá saudade sim, discutia-se o país anfitrião, se era o certo, a tecnologia acrescentada em estádios, as regras de segurança mas só as da polícia, não contavam as das autoridades de saúde, que agora são as que mais contam neste torneio estranho de um tempo estranho, em 2021 mas ainda Euro 2020, como roupas que mantêm a etiqueta da Primavera/Verão anterior, tanta coisa adiada na vida de todos, já nos vamos habituando, mas agora também jogos de longitude incerta numa fase final, ao mesmo tempo em Sevilha e Baku, outros em Copenhaga, São Petersburgo, a Itália joga com a Turquia em Roma e não se pode dizer que a recebe, como Portugal vai ao Puskas de Budapeste defrontar a Hungria mas não joga fora, é outro Europeu, o mais estranho de que temos memória, mesmo se já pouco se estranha. E sabemos que depois se entranha, mal a bola role.
São muitas seleções, 24, lembro-me de quando eram só 8, em 1984 ou 88, só lá chegavam mesmo as melhores, uma elite, vale sempre a pena lembrar isso para reforçar o feito que era a qualificação, e o porquê de tantos craques que nunca lá foram, conseguiram-no por uma vez os nossos Chalana e Jordão, nunca o Futre, como é possível? o Futre nunca foi a um Europeu, ele e outros génios dessas dezenas de anos, Litmanen aguentou-se a jogar até aos 40 mas só agora vai ver a Finlândia num momento assim, a partir do sofá, provavelmente vacinado que já tem idade para isso, mas merecia lá estar, mesmo reformado, talvez pudesse haver sempre um jogador histórico, mais velho, um número suplementar nos plantéis, a quem fosse autorizado reviver o melhor da vida, mesmo a baixa rotação, nunca lá chegou Litmanen como nunca chegou Giggs, quantos houve ao nível de Giggs nas últimas décadas? e que jeito daria a Gales tê-lo no campo, ao menos Bale já vai para o segundo Europeu, e bem merece, os craques maiores devem estar sempre, há cinco anos chegou à porta do jogo decisivo, lembrámo-nos todos, Ronaldo e Nani travaram-no, a história era outra e outro seria o vencedor em estreia, também ninguém esquece, ficou-nos entranhado o pontapé do Eder.
Como sempre faço desde a infância, olho as escolhas, jogador a jogador, espécie de scouting caseiro que a internet elevou de nível, celebro o regresso de Benzema, o melhor jogador francês da geração que perdeu duas finais nos seis anos de ausência, como assumo o desconsolo pela lesão do miúdo húngaro Szoboslai, talento maior da geração de 2000 na Europa, mesmo que isso facilite a vida a Portugal no jogo de arranque, vou querer ver Soyuncu, o central que poderia ter saído da Guerra dos Tronos para liderar o regresso da Turquia, e perceber se Shaqiri ainda se transcende em torneios assim, Shaqiri e Xhaka, segue ao mesmo ritmo dos últimos anos a Suiça, e volta a República Checa guiada por Soucek após um ano de estouro em Inglaterra, não se nota é o talento hereditário dos Berger, Poborsky e Nedved, e a Escócia, caramba, finalmente a Escócia outra vez, aqui já com os “netos” de Souness, Strachan e Archibald, algo me diz que vou torcer por eles inconscientemente, carregado de cromos de camisola escura de 82 e 86, também Leighton, Gough, McStay, Graeme Sharp, só não torcerei mais porque não vai Gauld, bastavam uns highlits a Steve Clarke, para perceber quanto vale Gauld, ouro do pouco que ainda dá para garimpar em equipas menores do campeonato português. Nesta hora repetem-se as perguntas que nos motivam para horas seguidas em frente a televisores com fundo verde: como será a Áustria, guiada por Alaba em trânsito para Madrid? Pukki, o finlandês goleador, fará do Euro um Championship? Irão a Rússia e a Ucrânia revelar já os talentos que nascem entre postes, Trubin e Safonov, agora que Pyatov se despede e Akinfeev já nem está? E que esperar da Macedónia do Norte, nome acrescentado e equipamento mudado, que há sempre mais uma história política dentro do jogo?
A Macedónia traz Elmas e Bardhi, mas sei que o meu olhar vai sempre procurar Pandev, a marcar golos no calcio desde 2004, campeão da Europa pelo caminho com o Inter mas empurrado para uma seleção menor na desagregação da Jugoslávia, combateu o tempo e ganhou, vinga-se agora, que não há melhor palco que o de uma fase final para quem projeta um adeus glorioso. Eidur Gudjohnsen fê-lo, em 2016, na saga empática da Islândia e quando já tratava da papelada para a aposentação, destes torneios guardarei sempre os que deixaram marca nos últimos dias no escritório: Morten Olsen, Peter Shilton e Pat Jennings, El Hadary no último mundial, acima de todos Roger Milla, como se eterna juventude existisse mesmo. E talvez exista, o que não existe é justiça definitiva. Ibrahimovic ainda joga como poucos, aos 40 anos. Decidiu voltar à nacional sueca para fazer deste o Europeu do adeus. A lesão que lhe roubou o momento prova como o futebol é metáfora da vida, como ela injusto tantas vezes. A menos que haja Suécia no Mundial para o ano. E começa tudo outra vez.

PS: A selecção de sub-21 portuguesa está na final do Europeu, com uma geração incrível de talento multiplicado e sob a liderança competente e tranquila de Rui Jorge. Fez o jogo menos inspirado e ousado, foi feliz frente à Espanha, não há como negar, mas ganhou, em boa parte porque beneficiou das substituições bizarras do técnico espanhol. Escrevi aqui há umas semanas sobre o que chamei a síndrome do criativo cansado, ou a facilidade absurda com que os treinadores retiram dos jogos os futebolistas mais talentosos, como se os burocratas não se cansassem. Luis De La Fuente retirou os melhores, e os que estavam mesmo a jogar melhor, a desequilibrar a cada jogada, Bryan Gil e Brahim Díaz, com a intenção, disse depois, de “refrescar os corredores”, e no fim queixou-se de… não haver VAR. Muito do disparate do futebol está condensado nestas ações e explicações."

RISCO E ACASO

 


"O desporto comporta o factor risco. Tal como comporta o factor acaso. Sendo uma actividade humana, estes dois factores estão e estarão sempre presentes no mesmo. O necessário é que nos compenetremos disso porque só compreenderemos o desporto se reconhecermos a existência do risco e do acaso no mesmo – e sabermos onde e quando nele interferem.
O desporto foi atingido por mais uma morte: factor risco – neste caso, risco máximo. Jason Dupasquier, piloto luso-suíço de apenas 19 anos, foi a vítima em MotoGP – a 26ª vítima nesta modalidade (considerando-se MotoGP uma modalidade desportiva). Morte por acidente, tal como tem acontecido em inúmeras outras modalidades (e separamos já aqui estas mortes dos casos de morte súbita).
Se há modalidades em que o factor risco tem um maior peso – o boxe, onde entre 1945 e 1995 morreram cerca de 500 pugilistas, e as Mixed Martial Arts, em que de 1993 até 2016 morreram 14 competidores, ou a Fórmula Um (em 40 anos, de 1954 a 1994, ano da morte de Ayrton Senna, morreram pelo menos 41 pilotos) – outras há onde nem se equaciona tal… mas no entanto acontecem nas mesmas mortes por acidente: ciclismo, esgrima, desportos na neve, hipismo, futebol, alpinismo, basquetebol e surf entre outras.
Mas não se pense que quando falamos de risco estamos somente a focar esse bem supremo que é a vida, ou que só abordamos a questão em termos de se colocar em perigo a saúde. Risco é fazer uma opção sem se ter a certeza do resultado e depois ter de se viver com ela. Falamos de risco quando conseguimos traduzir uma incerteza que se pode expressar por um número recorrendo a dados empíricos. E sendo o desporto um palco de incertezas, inúmeras vezes estas são controladas pelo acaso.
Na Taça das Confederações de 2017, competição intercontinental realizada na Rússia, no jogo das meias-finais entre Portugal e o Chile chega-se ao final deste sem golos. Parte-se para o prolongamento e aos 119 minutos Arturo Vidal remata a bola ao poste e na recarga Martín Rodríguez acerta na trave. “Sorte” para Rui Patrício, “azar” para os chilenos… mas se fosse na baliza contrária seria “azar“ para a selecção portuguesa... Conveniente não esquecermos que os ferros também fazem parte do jogo.
Nas grandes penalidades (0-3 a favor do Chile) “azar” para Quaresma, Moutinho e Nani na marcação das mesmas e “sorte” para o guarda-redes chileno Claudio Bravo… No final do jogo Cédric declara que nos penalties existe sempre “alguma sorte”. Errado!!! O que existe é falta – ou não – de técnica do marcador (ou de concentração… ou de outra coisa qualquer) e mérito – ou não, ou outra coisa qualquer – do guarda-redes. O que existe é acaso! Bernardo Silva, sintonizado pelo mesmo diapasão, afirma também erradamente que “os penalties estão relacionados com a sorte”. A “sorte” ou o “azar”, termos banalizados e introduzidos de modo frequente no nosso vocabulário, são termos inventados pelo homem para justificar os sucessos ou os fracassos em que o acaso é determinante. O que prova a necessidade humana de constante atribuição causal…
No futebol americano cerca de 1,5 milhões de jovens praticam esta modalidade e todos os anos ocorrem, em média, 30 acidentes que resultam em morte, invalidez parcial ou total e danos cerebrais irreversíveis. Segundo uma estimativa de 1993, a duração média da carreira destes jogadores está estimada em 3,2 anos (1). Quanto de risco e quanto de acaso nestas situações?
O desportista, o competidor, é então apresentado à sociedade como um mártir e não como herói. Foi inculcado nele o fazer sacrifícios pelo “jogo”, o esforçar-se ao máximo para alcançar pódios tal como atingir prémios e distinções, o aceitar riscos e jogar ou competir através da dor e o aceitar não haver limites na perseguição dos objectivos mesmo que utópicos, porque, para além da vitória ou do ganho pecuniário, é lapidado na crença de que ser um “verdadeiro atleta” significa assumir riscos, fazer sacrifícios e jogar o preço de ser tudo o que se poderá ser.
A mercantilização do desporto transformou a sua matriz inicial e tornou-o numa actividade em que os fins parecem justificar os meios. Como nos dizem Miguel Nery e Carlos Neto (2), “o aumento de competitividade, associado à determinação económica dos objectivos, contribuiu para tornar a acção desportiva incompatível com a ética e fair play nos níveis mais elevados de competição”, o que fez aumentar ainda mais o risco e o acaso no desporto."

RASCORD CONTINUA A COMPRAR E VENDER JOGADORES PARA O BENFICA, JÁ SÃO UNS 70


 

sexta-feira, 4 de junho de 2021

SL BENFICA | OS 3 TALENTOS DA SEGUNDA LIGA COM LUGAR NA LUZ

 


"Os campeonatos profissionais em Portugal chegaram ao fim, e é hora do SL Benfica começar a preparar o plantel para a próxima época. Relativamente à Segunda Liga, vários são os nomes que se destacaram ao serviço de algumas das 18 equipas que atuaram nesse escalão. 
No caso das águias, muitas são as opções no plantel principal e, por isso, apenas os jogadores de grande qualidade poderão ter a hipótese de encaixar nas ideias de Jorge Jesus, de modo a atingir os objetivos propostos para a época 2021/2022.
Os encarnados têm lacunas na defesa – ala direita e setor central – assim como na posição de ‘6’ e ‘8’. Depois de um mercado muito atarefado e com mais de 100 milhões de euros gastos em contratações, as águias vão reduzir a despesa no verão que se avizinha e, como tal, os responsáveis da Luz podem olhar para o mercado interno para procurar alterações mais baratas e com qualidade.
Assim, o Bola na Rede decidiu nomear os três grandes destaques desta edição que, porventura, teriam lugar no SL Benfica.

1. Miguel Crespo (GD Estoril Praia) – A principal referência do GD Estoril Praia é também a nossa escolha de eleição para reforçar o plantel das águias na próxima época. Um ‘8’ puro que encaixaria nas necessidades de Jorge Jesus e que traria bastante qualidade ao plantel encarnado.
Miguel Crespo tem 1,83m, apenas 24 anos e joga com naturalidade com ambos os pés, ainda que o seu preferido seja o direito. O médio português formado no CD Feirense apresenta uma visão de jogo e uma qualidade de passe notável, além de ser polivalente – atuando também como médio interior no lado esquerdo e mais à frente, na posição ‘10’.
A comandar o meio-campo do GD Estoril Praia numa temporada de título da Segunda Liga, Miguel Crespo fez seis golos e quatros assistências em 38 jogos com a camisola do clube “canarinho”.
Mas seria esta, de facto, uma escolha interessante para as águias? A resposta é curta e direta: sim.
Numa posição com grandes lacunas e onde Adel Taarabt sempre foi insuficiente para as ideias de jogo de Jorge Jesus, Crespo lutaria arduamente pela posição seja com quem fosse, até porque Gabriel começa a ser falado para uma possível saída da Luz.
O jogador está avaliado em 600 mil euros, mas o GD Estoril Praia deve fixar o seu preço por volta de um milhão de euros.

2. Kiko Bondoso (FC Vizela) – Uma das principais figuras do Campeonato de Portugal na época de 2019/2020 – onde criou mais de 30 oportunidades claras de golo -, voltou a sê-lo na presente temporada, desta vez na Segunda Liga.
O extremo do FC Vizela tem 1,71m, 25 anos e atua preferencialmente no lado direito do ataque, ainda que mude para o corredor oposto conforme as opções táticas ao longo do jogo.
As funções que o jogador desempenha ao longo dos 90 minutos estão em constante mutação: no lado direito do ataque, o português atua como um extremo “natural”, ou seja, percorre o corredor – algumas das vezes até à linha final – e opta pelo cruzamento quando lhe convém fazendo uso do seu pé preferido, o direito. Já no lado esquerdo, a sua função é a de criar o jogo mais por dentro, driblando sobre adversários e servindo os colegas de equipa na frente de ataque.
Exemplo deste companheirismo são os números de Kiko Bondoso na época que finalizou na última semana. Em 31 jogos, o jogador do FC Vizela fez apenas três golos, mas serviu por 10 vezes os seus colegas, terminando num dos primeiros lugares da tabela de assistentes da competição.
Numa altura em que se fala da possível saída de Rafa Silva dos encarnados e da quase certa venda de Franco Cervi, Kiko Bondoso poderia ser uma opção segura e relativamente barata para o plantel de Jorge Jesus na próxima época.

3. Cassiano (FC Vizela) – O melhor marcador da Segunda Liga dá pelo nome de Cassiano, atua no FC Vizela e foi uma das principais figuras da época 2020/2021.
O brasileiro ex-Boavista FC transferiu-se no passado verão para o emblema de Braga e a escolha não podia ter sido melhor. Numa parceria com Kiko Bondoso, o avançado brasileiro fez 17 golos, duas assistências e jogou em todas as partidas da Segunda Liga. Ainda somou 104 minutos em dois jogos na Taça de Portugal.
Um avançado possante de 1,84m que deixou toda a gente com “água na boca” e vários emblemas do principal escalão do futebol português “de olho aberto”.
Contudo, ainda que tenha sido o melhor marcador da competição em análise, dificilmente o avançado seria uma primeira escolha para Jorge Jesus dadas as opções disponíveis: Haris Seferovic, Luka Waldschmidt, Darwin Núñez e, ainda, Gonçalo Ramos. No entanto, a sua experiência, porte físico e instinto goleador poderia muito bem preencher uma lacuna que tarda em aparecer num avançado do plantel encarnado.
Com um valor de mercado a rondar os 250 mil euros, seria uma aposta bem interessante para os emblemas ditos “grandes” em Portugal, nem que seja para uma segunda ou terceira linha do plantel."

NUNO TAVARES | UM PEDIDO EXPRESSO DE MOURINHO

 


"Há futuro otimista para o jovem encarnado, apesar da época menos conseguida em termos individuais, proporcional ao abjeto rendimento coletivo. Nuno Tavares não melhorou os números em comparação com o ano transato e um rol de más exibições atirou-o para as catacumbas da opinião pública – situação que se deteriorou com o esfaqueamento reputacional resultante da partilha de vídeos inapropriados nas redes sociais – , azares que representam contexto adverso para o bem-estar do internacional sub-21 português.
No meio deste caos, surge a figura de José Mourinho, segundo se noticia por Itália, interessando-se pelo seu talento, tendo-o em conta para o novo projeto romano no qual Tiago Pinto tem responsabilidades: e é por estas duas figuras que passará a definição duma nova etapa na carreira do Nuno Tavares.
No entanto, até agora, certezas apenas uma: o desgaste que apresenta no SL Benfica torna-se, em certos momentos, obstáculo intransponível para o desenvolvimento do seu futebol, sendo uma mudança de ares fundamental para a sua evolução. Apesar da confiança de Jorge Jesus, as oportunidades escasseiam na sombra de Grimaldo, impedindo sequência consistente de minutos jogados.
Na Série A, o contexto tático transalpino seria lugar ideal para almejar a afirmação plena enquanto futebolista, ambiente propício para a correção das principais lacunas do seu jogo – a parte mental e as capacidades defensivas – e dar o passo em frente na caminhada prevista pelo atual técnico das águias, quando afirmou que Nuno seria o “futuro lateral da Seleção Nacional”.
Depois de uma época de estreia onde completou 24 jogos sob orientação de Bruno Lage e Nélson Veríssimo (acumulando dois golos e seis assistências), Nuno partiu para 2020-21 com estatuto reforçado, principalmente depois de ser um dos únicos elementos nascidos e criados no Seixal a merecer a confiança de Jorge Jesus.
Além de Nuno Tavares, apenas Ferro e Gonçalo Ramos resistiram à transição entre gerências no banco. O lateral acumulou quase a mesma dose de minutos (1302′ contra os 1376′ de 19/20), dispersos por 25 jogos – 14 dos quais a titular, o que lhe permitiu assistir para golo três vezes.
Se a lógica fazia prever uma melhoria significativa das estatísticas, que não aconteceu, muito mais preconizava o desenvolvimento das capacidades técnico-táticas do atleta: as potencialidades físicas do seu jogo foram úteis em determinados momentos da época (o jogo no Dragão, por exemplo), mas em causa estiveram quase sempre as suas debilidades ao nível da concentração nos momentos defensivos, com erros caricatos a marcarem muitas das suas exibições, nunca sendo possível discernir uma melhoria significativa nessa vertente ou mesmo em questões técnicas, nos capítulos do controlo de bola ou do passe, aspetos onde há muito a melhorar.
O potencial, porém, continua intacto. Há muito por explorar no talento de Nuno Tavares e Tiago Pinto, melhor do que a grande maioria, sabe-lo. No comando da AS Roma desde janeiro, como diretor desportivo, olha agora para a antiga equipa como fornecedora de talentos para o projeto que promete revitalizar o clube de Rómulo e Remo.
A escolha de José Mourinho não é alheia a essa vontade de revolucionar toda a equipa de futebol profissional, e a dupla portuguesa olha para o lateral esquerdo encarnado como opção muito viável enquanto concorrência para Spinazzola, o italiano titular do flanco esquerdo giallorossi.
Numa época marcada por lesões em catadupa, a posição foi um dos principais problemas do conjunto treinado por Paulo Fonseca, que teve que imaginar todo um leque de substitutos: desde as adaptações de Karsdorp ou Bruno Peres, passando pelo recurso a talento de origem caseira, de nome Calafiori, canhoto de 19 anos, que ascendeu à equipa principal em alturas de maior necessidade.
O contexto não foi o mais indicado e o peso da responsabilidade mostrou-o ainda frágil para aquele patamar competitivo, sendo essa a opinião generalizada dos superiores romanos segundo o La Gazetta dello Sport, decididos a ceder o jovem por empréstimo para facilitar a adaptação à competitividade sénior. O jornal aponta outros nomes além de Nuno Tavares, como Biraghi (ACF Fiorentina) ou Dimarco (Hellas Verona FC), enquanto hipóteses para o próximo plantel.
Porém, há concorrência a sul da ‘bota’ peninsular, onde o interesse é replicado: em Nápoles, o valor de mercado de Nuno é aliciante (7 milhões) para De Laurentiis, presidente do clube, que procura desesperadamente um reforço à esquerda para suprimir a ausência de Ghoulam, por lesão – Mário Rui é, neste momento, a única alternativa disponível.
A outra opção de mercado, muito mais complicada, é Alfonso Pedraza, uma das figuras do campeão da Liga Europa, o Villarreal CF. O “Submarino Amarelo” pedirá, segundo o mesmo periódico, um valor a rondar os 12 milhões de euros – também acessível aos cofres napolitanos, mas que exige confronto muito mais demorado à mesa de negociações.
Acontece que, perdendo Pedraza, os espanhóis comandados por Unai Emery olham para Tavares como forte hipótese para reforço da lateral, informações desvendadas por Nicólo Schira, reputado jornalista italiano que colabora com o jornal supracitado.
Efeito dominó que se espera como último recurso do destino em relação à carreira do lateral português. A dupla portuguesa que prepara a AS Roma 2021-22 seria fator determinante na vontade e desenvolvimento de Nuno Tavares.
Além disso, a aquisição do jogador encarnado representaria operação de baixo vulto para Dan Friedkin, CEO do clube, e encarada como de fácil e rápida resolução. Resta esperar pelas ideias dos encarnados e de Jorge Jesus no planeamento da sua época.
Grimaldo é sempre peça aliciante para o mercado internacional e poderia representar encaixe significativo, tão necessário para as contas defraudadas do clube. Nesse caso, Nuno seria obrigado a manter-se por Lisboa, ascendendo na hierarquia e tendo oportunidade de se consolidar finalmente no onze das águias."

AS LANÇAS APONTADAS - BTV - 02 JUNHO 2021

                                                   

LEONOR PINHÃO - BTV - 01 JUNHO 2021

                                                   

105 x 68 - BTV - 01 JUNHO 2021

                                                   

O VULCÃO DAS BANCADAS

 


"Na sequência da final da Champions League, aliás uma comovente gentileza das nossas reverenciais autoridades para com a UEFA, eis que desabou toda uma torrente de críticas: que é inaceitável a implícita “capitis diminutio “ objectivamente atribuída aos adeptos portugueses, quando comparados com os adeptos ingleses, flagrante e infeliz exemplo de desordeiros da bola; que os desacatos nas ruas da Invicta podiam e deviam ter sido prevenidos e evitados, confinando os excitados súbditos de Sua Majestade a uma bolha sanitária; que Portugal é, lá fora, motivo de galhofa por conta da mão firme com os submissos portugueses e mãos largas em relação aos fregueses britânicos de que espera sempre a revitalização do sector turístico...e muitas críticas mais - a ponto de haver inclusive um responsável máximo de um clube e com históricas culpas no cartório da violência no futebol que exige a imediata assunção das consequências políticas, com a expressa sugestão de demissão do próprio Primeiro-Ministro.
Sem deixar de concordar, até à última vírgula, com o coro de vozes indignadas com o comportamento farisaico dos nossos políticos - solícito e servil em relação aos ingleses e desdenhoso e prepotente em relação aos cidadãos portugueses - , um ponto há que me faz conceder uma pitada de tolerância e até de compreensão às autoridades sanitárias portuguesas quando persistem no notório medo de autorizar o público nas bancadas dos estádios.
É que se, por um lado, não há qualquer dúvida de que a matriz genética do futebol é essencialmente multitudinária e, nesse sentido, persistir na ausência de público é lavrar irremediavelmente a sentença de morte deste electrizante espectáculo, por outro lado, ninguém, à luz do critério mínimo e elementar da sensatez, pode deixar de reconhecer a singularidade da tipologia psico-emocional do adepto do futebol: na bancada, que é o território favorável à “unidade mental “ (Gustave Le Bon), ele passa por sucessivos e paradoxais picos de frenética emotividade, como se de um processo de transfiguração se tratasse - com um pormenor decisivo: não é algo que aconteça a um ou outro e mui excepcionalmente. Não: acontece a todos e sempre.
Um cavalheiro que, à tarde vai ao futebol e à noite ao cinema, sendo, no plano protocolar, a mesma pessoa, a verdade é que exibe um comportamento completamente diferente numa e noutra situação.
Na bancada, ele vai-se transfigurando ao ritmo da colectiva ventania, enquanto na sala de cinema se contenta com o formalismo contido de uma mundana frivolidade de circunstância.
E eis-nos chegados ao que poderíamos designar como a aporia moderna do futebol:
Se é verdade que a reiterada ausência de público nega a natureza mesma deste jogo e que é, como vimos, de índole multitudinária, não é menos verdade que considerando o clima passional em que o espectáculo decorre, as reticências das autoridades sanitárias parecem encontrar aí o limiar mínimo de aceitabilidade.
O problema está em que não logramos superar e muito menos ignorar o grito de socorro que o mundo do futebol não se cansa de lançar aos responsáveis políticos.
Só uma miraculosa convergência de sensatez (de todos) e de coragem (sobretudo dos decisores políticos) poderá adiar o”requiem “ que, silenciosamente, se entoa nos nossos estádios.
Porque o espectáculo faz-se para o público, mas é com o público que ele sobretudo se faz."