segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Temporada 5 Episódio 41 (#282) - Tondela vs BENFICA

                           

⌛ ÚLTIMO DIA DO MERCADO DE JANEIRO: AS ENTRADAS E AS SAÍDAS DO BENFICA! ⌛

                            

BENFICA: MAIS UM ANO PERDIDO ENTRE A EUFORIA REAL E A DEPRESSÃO TONDELA



É numa montanha russa de emoções e resultados que a águia de Mourinho - mas também de Lage e Schmidt - vive há muito tempo
Do 8 ao 80; e outra vez ao 8; e de novo ao 80 e, por fim, novamente no 8. É nesta montanha russa de emoções, de resultados, de exibições que o Benfica de Mourinho — mas também, já antes, de Lage e de Schmidt — vive há muito tempo, há demasiado tempo, até, tendo em conta os altos objetivos sucessivamente apontados, ano após ano, em cada discurso, ora do presidente Rui Costa, ora dos citados treinadores e jogadores. E o desfecho, inevitavelmente, repete-se, deixando à vista um cada vez mais provável novo ano perdido para os lados da Luz.
Desta vez, o problema nem esteve na irregularidade exibicional. Pelo contrário, o nível de construção das águias no enlameado e escorregadio relvado de Tondela até foi elevado, mas a finalização foi nula, como se percebe pelo 0-0 final — e isto após dois jogos em que os encarnados haviam somado oito golos (4-2 com o Real Madrid e 4-0 com o Estrela).
No espaço de quatro dias, o Benfica conseguiu ser épico e qualificar-se para o play off da UEFA Champions League, batendo o maior clube do Mundo — porém, longe de ser o melhor da atualidade — e empatar com o penúltimo classificado da Liga Portugal, num resultado que sabe a derrota, porque deixa os homens da Luz a cinco pontos do Sporting e em risco de ficar a 12 do FC Porto, caso este vença na noite desta segunda-feira o Casa Pia.
Um 0-0 em Tondela depois do 4-2 com o Real Madrid com um toque de fina ironia: se na noite épica de quarta-feira o herói foi Trubin, ontem o principal responsável pelo resultado final foi também um guarda-redes, neste caso Bernardo, o herói que tudo travou.
Tem a palavra o líder FC Porto, sabendo que vencer hoje lhe permitirá manter a vantagem de sete pontos sobre o Sporting em vésperas de clássico (é já na próxima ronda, dia 9) entre dragões e leões.
A ressaca europeia volta a fazer das suas. Várias equipas envolvidas nas emoções da derradeira jornada da Champions que, este fim de semana, sentiram mais dificuldades do que o habitual. O Sporting, após histórica vitória em Bilbau (3-2), o mesmo Sporting que bateu o PSG (2-1) e que assegurou lugar na elite do top-8 e apuramento direto para os oitavos, ontem só ao minuto 90+6 conseguiu conquistar a vitória frente ao Nacional.
Mas há mais: o Bayern empatou em Hamburgo (2-2), o Manchester City cedeu pontos com o Tottenham (2-2) e o Real Madrid só ao 90+10', de penálti, fez o 2-1 com o Rayo Vallecano, só para citar alguns exemplos.

João Pimpim, in a Bola 

BENFICA-REVISTA IMPRENSA 2 Fevereiro GLORIOSO TROPEÇA DE FORMA ESCANDALO...

                            

O NULO LEVOU A MELHOR...



Num duelo da 20.ª jornada da Liga Betclic em que tentou de tudo para chegar ao golo, o Benfica saiu de Tondela com um empate (0-0), que é extremamente penalizador em face das muitas oportunidades que criou.
Nem com 16 remates – sem contar com os bloqueados – e 76% de posse de bola o Benfica chegou ao triunfo no Estádio João Cardoso, no jogo da 20.ª jornada da Liga Betclic. Neste domingo, 1 de fevereiro, empatou (0-0) frente ao Tondela.
Com o duelo com o Real Madrid (4-2) na gaveta, para defrontar os tondelenses, José Mourinho meteu em cima da mesa o seguinte onze: Trubin, Daniel Banjaqui, António Silva, Otamendi, Dahl, Aursnes, Barreiro, Sudakov, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.
Ou seja, duas alterações em relação ao desafio europeu com os merengues: entraram António Silva e Daniel Banjaqui, saíram Tomás Araújo e Dedic.
Sob uma chuva intensa – que deixou o relvado muito pesado e encharcado, dificultando o deslizamento da bola –, nos primeiros minutos os encarnados controlaram um certo atrevimento dos homens do Tondela.




Contido esse curto ímpeto dos anfitriões, as águias criaram a primeira situação de real perigo: lançado por Prestianni, Pavlidis entrou na área, mas, confrontado com a pressão de Brayan Medina, não conseguiu rematar nas melhores condições, e o guardião defendeu (11').
Quatro minutos depois, Barreiro caiu no interior da área, mas o árbitro Luís Godinho assinalou falta do... médio do Benfica (15').
Com o Benfica a aumentar o seu pendor ofensivo, aos 21' foi Prestianni a tentar a sorte, com um remate rasteiro, obrigando Bernardo Fontes a ir ao chão para suster o esforço.
Num lançamento longo do seu guarda-redes, o Tondela criou a sua única situação de golo: remate forte para as imediações da área, Dahl falhou a interceção, a bola sobrou para Rodrigo Conceição, e este cruzou para Jordan Siebatcheu tocar de calcanhar, com o esférico a ser devolvido pelo poste (25').
Quase como causa-efeito, quando o relógio passou o minuto 30, o Benfica aumentou o seu caudal ofensivo, construindo vários lances de perigo. O primeiro foi assinado por Prestianni. Em posição central, António Silva entregou para Pavlidis, que, de primeira, soltou o avançado argentino. Com o turbo ligado, o camisola 25 entrou na área e rematou forte e cruzado, mas viu uma enorme intervenção do guarda-redes do Tondela negar-lhe o tento.




No minuto seguinte foi Schjelderup a trabalhar bem na esquerda, a colocar no interior da área, onde Barreiro deixou passar para Pavlidis. O avançado internacional grego rodou sobre um adversário, rematou, mas, na hora do tiro, o guardião estava já muito perto e conseguiu a defesa (34').
Schjelderup, aos 36', foi vítima de uma entrada muito dura de Yaya Sithole, que pisou o avançado encarnado, e apenas viu o cartão amarelo...
Em ritmo diabólico, o jogo desenrolava-se todo no meio-campo e junto à área do Tondela, onde, aos 38', caiu Barreiro, fruto de ter sido agarrado e travado em falta por Bebeto. Numa primeira fase, o árbitro assinalou a infração e apontou para a marca da grande penalidade. Porém, chamado pelo VAR, Luís Godinho foi ver as imagens do lance e considerou que o jogador beirão "não comete infração" sobre o internacional luxemburguês, anulando o penálti...
Já dentro dos últimos 5 minutos do tempo regulamentar da 1.ª parte, Daniel Banjaqui esteve perto de inaugurar o marcador, mas Bernardo Fontes voou para negar o golo do jovem defesa encarnado, que rematou à entrada da área (43').
Nas bancadas, os muitos Benfiquistas desafiavam a chuva e puxavam a bom puxar pelos seus jogadores.
O Benfica continuou a forçar o ataque, mas ao intervalo era o nulo que imperava, o que não traduzia a claríssima superioridade das águias nos primeiros 45 minutos.
Nova parte, a mesma toada. No 2.º tempo, os encarnados entraram com a mesma disposição ofensiva com que tinham terminado a 1.ª metade.
Corria o minuto 54 quando o sempre irrequieto Prestianni ganhou uma bola à entrada da área e tentou desviar de Bernardo Fontes. O guarda-redes conseguiu travar a intenção, mas a bola sobrou para Schjelderup, que devolveu ao jogador argentino. À entrada da área, Prestianni rematou em arco, mas o guardião voltou a defender.
Pouco depois, na direita, excelente combinação entre Prestianni e Daniel Banjaqui. Este último, já no interior da área, deixou o primeiro em boa posição, mas o remate do argentino foi travado por Christian Marques (58').
Rafa e Sidny foram as primeiras apostas de José Mourinho para refrescar uma equipa que jogava em alta rotação, sem abrandar o ritmo. Schjelderup e Daniel Banjaqui recolheram ao banco de suplentes (62').
Na primeira ação no jogo, Sidny, no lado direito do ataque, cruzou diretamente para a cabeça de Pavlidis, que atirou, ligeiramente, ao lado (65').
Completamente instalado no meio-campo adversário, o Benfica voltou a buscar o golo aos 68'. Em posição frontal, Prestianni recebeu de Pavlidis e rematou de primeira, mas a bola passou a rasar o poste esquerdo da baliza do Tondela (68').




As oportunidades sucediam-se, e, aos 74', houve mais uma. Novo cruzamento bem tirado por Sidny, a bola a cair nos pés de Aursnes, que, após dominar, rematou contra Bernardo Fontes.
O tempo corria e o Tondela fechava-se cada vez mais nas imediações da sua área, com o Benfica a tentar de todas as formas visar a baliza adversária. Aos 82', procurou de duas maneiras: a primeira por Aursnes, que, após receber do calcanhar de Sudakov, rematou forte, para... outra intervenção complicada de Bernardo Fontes.
De seguida, o norueguês recuperou o esférico, colocou à boca da baliza, mas um leve desvio do guarda-redes tondelense fez com que Pavlidis não conseguisse encostar para o fundo da baliza.
Antes de a bola ser reposta em jogo, Prestianni e Sudakov cederam os seus lugares a Anísio Cabral e Bruma, respetivamente. Nota para o regresso do camisola 7 aos relvados, após vários meses ausente por lesão.
Aos 89', Bruma recolheu uma bola à entrada da área, ligeiramente descaído para o lado esquerdo, avançou uns metros, tirou as medidas à baliza e chutou forte, mas o disparo foi desviado para fora por um opositor.
Da mesma forma, mas aos 90'+2', foi Dahl a visar as redes adversárias. Em posição frontal, o defesa sueco rematou rasteiro, porém, ligeiramente ao lado.
Sem nunca desistir, aos 90'+5' – o árbitro deu apenas 5 minutos de compensação –, Anísio Cabral apanhou uma bola a jeito, e, à meia-volta, rematou para encaixe de Bernardo Fontes, o Homem do Jogo.
Pouco depois, Luís Godinho deu por terminado o encontro (0-0). Ficou assim sentenciado um resultado extremamente mentiroso em face de 90 minutos de enorme caudal ofensivo de um Benfica que do primeiro ao último instante fez de tudo para chegar à vitória – os 16 remates (sem contar com os bloqueados) e os 76% de posse de bola demonstram bem isso...
As águias recebem agora o Alverca, em partida da 21.ª jornada da Liga Betclic. O pontapé de saída está agendado para as 20h30 de domingo, 8 de fevereiro, no Estádio da Luz.

SL Benfica
NOTAS DOS JOGADORES DO BENFICA:
Prestianni esteve pelo menos três vezes muito perto de marcar. Schjelderup também criou muitos desequilíbrios. Só não houve felicidade do Benfica porque o gigante, desta vez, estava na baliza do Tondela
A figura do Benfica: Prestianni (7)




Aos 2' estava a conduzir a bola sozinho, com muitos adversários pela frente, sinal de que estava ali para lutar e procurar o golo, contra destino que se anunciava difícil. O baixinho desequilibrou no ataque com fintas, combinações e remates, criou e finalizou ocasiões. Veja-se só os disparos com perigo: remate fora da área para boa defesa de Bernardo Fontes, grandão de 1,97 metros; aos 33' lançado por Pavlidis atira para grande defesa do guarda-redes; aos 54' remate em arco muito perigoso, para desvio do brasileiro; aos 58' nova ameaça com perigo; aos 68' disparo de pé esquerdo com a bola a sair perto do poste direito. Pelo meio outros remates, ora desviados por defesas, ora sem força ou ao lado da baliza. Ainda isolou Pavlidis (11') e aos 46' fez a bola passar pela pequena área, mas ninguém encostou. Sempre com compromisso defensivo, saiu esgotadíssimo aos 82'.
Trubin (6) — Aos 3’ já voou para afastar com os punhos um centro ameaçador de Bebeto, aos 12’ sentiu dificuldade em agarrar a bola depois desta perder velocidade na lama, aos 25’ viu bola sair do calcanhar de Jordan Pefok para o poste esquerdo. Primeira meia hora agitada. O grandão da baliza do Benfica teve depois pouco trabalho. Ficou a ver o que estava a fazer o grandão da outra baliza.
Daniel Banjaqui (6) — Ficou em sentido, no início, com a velocidade de Aiko. Também algumas dificuldades em meter os primeiros passes. Mas não deixou de procurar o ataque, somou dois centros perigosos na primeira parte e aos 43’ rematou forte, sem balanço e fora da área, para difícil defesa de Bernardo Fontes. Aos 58', na área do Tondela, meteu Prestianni na cara de Bernardo Fontes. Foi perdendo fulgor e saiu aos 62' por Sidny.
António Silva (7) — Jogou sem complicar — bola para longe — sempre que se exigia, para evitar qualquer risco. Ensaiou dois maus passes longos antes de outros dois muito bons — primeiro a lançar Banjaqui aos 24’ e depois a encontrar Pavlidis (33’), permitindo que este isolasse Prestianni. Bons cortes aos 22’ e 73, de cabeça e com o pé, mostraram que soube estar no sítio certo. Muito sereno.
Otamendi (6) — Aos 25' Jordan Pefok desviou à frente do argentino para o poste, mas o principal mal tinha sido feito por Dahl. Foi somando bons cortes, aos 48' matou um contra-ataque ameaçador de Rodrigo Conceição. Falhou alguns passes longos, especialmente na segunda parte. Foi dos que mais mostraram vontade de vencer. Aos 31' encheu-se de ganas, avançou com a bola controlada e rematou forte fora da área, mas a bola saiu ao lado do poste direito.
Dahl (5) — Apesar de ter combinado várias vezes com Schjelderup ou Sudakov, não teve assim tantos lances positivos no ataque. A defender quase comprometeu aos 25' — má abordagem a um lance, falhou no tempo de corte e permitiu que Rodrigo Conceição cruzasse para Jordan Pefok finalizar com perigo. Aos 90+2' rematou forte ao lado do poste esquerdo.
Barreiro (6) — Formiguinha no meio-campo, sempre numa agitação, pressionou, cortou lances e tentou entregar depressa a bola. Caiu na área num lance com Bebeto na primeira parte, Luís Godinho assinalou penálti, mas reverteu a decisão depois de chamado pelo VAR para analisar as imagens. Com os minutos a passar, surgiu mais perto da área.
Aursnes (6) — Aos 74' esteve perto do golo, mas rematou com dificuldade e sem força contra Bernardo Fontes na pequena área. Aos 82' o guarda-redes voltou a travar-lhe um remate. Prático e com a preocupação de jogar para a frente, num toque de cabeça ainda deixou Schjelderup numa boa posição para marcar (59').
Sudakov (6) — Deu-se sempre ao jogo, combinou várias vezes com Schjelderup, Dahl, Aursnes ou Pavlidis, mas nem sempre tomou a decisão certa, sobretudo perto da baliza. Aos 61', por exemplo, perdeu tempo para rematar na área e perdeu uma oportunidade. Soltinho, bem fisicamente, fez com Pavlidis a primeira linha de pressão.
Schjelderup (6) — A exibição e os dois golos com o Real Madrid encheram-no de confiança, partiu com coragem para o um contra um, saiu-se bem várias vezes, meteu bem a bola em Pavlidis na área, abriu caminho para Dahl subir e rematou sempre que pôde. Aos 59' o pequenito norueguês esteve perto do golo, mas Bernardo Fontes estragou-lhe a festa.
Pavlidis (6) — Aos 11' recuperou uma bola, meteu em Prestianni, foi receber o passe do argentino, mas não conseguiu finalizar. Aos 33' grande passe para Prestianni, aos 35' rodou sobre um defesa, mas estava lá o guarda-redes, aos 65' cabeceou ao lado do poste direito, aos 90+2' entregou de bandeja para disparo de Dahl. Esteve na zona de finalização e criou oportunidades para os companheiros. Jogo de muitos duelos, difícil e de inverno, por isso nem sempre bonito.
Rafa (4) — Entrou aos 62', jogou primeiro ao lado de Pavlidis e depois na direita. Falhou vários passes e o jogo pareceu mais rápido que Rafa.
Sidny (6) — Também entrou aos 62'. Dois bons cruzamentos que Pavlidis e Aursnes não finalizaram. Tentou a sorte na marcação de um livre (contra a barreira) e num remate forte (ao lado).
Bruma (5) — Entrou aos 82' ainda a tempo de rematar forte com o pé esquerdo à entrada da área, mas a bola desviou em Rodrigo Conceição. Aos 90' recuperou a bola e lançou contra-ataque.
Anísio Cabral (6) — Entrou também aos 82'. Esteve muito bem — na primeira ação deu velocidade a um contra-ataque, usou o corpo para receber a bola e entregá-la bem, aos 90+2 meteu boa bola em Pavlidis, aos 90+5', à meia-volta sobre Medina rematou com perigo na área.
Nuno Paralvas, in a Bola

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TONDELA 0-0 BENFICA!! UM BATATAL, UMA EQUIPA DESESPERADA E UM AVANÇADO “...

                            

domingo, 1 de fevereiro de 2026

O HERÓI DO BENFICA FORA DA FOTOGRAFIA



 A vitória e qualificação históricas do Benfica na Liga dos Campeões frente ao Real Madrid tiveram muitos heróis. José Mourinho, Andreas Schjelderup e Anatoliy Trubin — sobretudo o guarda-redes ucraniano, que, com aquele golo de cabeça nos instantes finais, entrou para a eternidade benfiquista e para a estratosfera mediática que só esta competição proporciona. Mas, para mim, houve outro homem que se destacou e continua a impressionar pela serenidade e competência com que se move dentro e fora de campo: Fredrik Aursnes.

É daqueles jogadores que não precisam de gestos teatrais para se impor; a força dele está no detalhe, na inteligência e no rigor. Aursnes é o símbolo do que significa ser um profissional de futebol. Não apenas um jogador, mas alguém que entende o jogo como um todo. Ele está sempre lá. Nunca se esconde, nunca se desliga. Foi dos primeiros a puxar pelos companheiros depois do Real Madrid marcar o primeiro golo, num momento em que tudo parecia pender para os espanhóis. Controlou ritmos, ligou setores, impôs calma e confiança. E foi dele o cruzamento perfeito que encontrou Trubin no coração da área para o golo que mudou a história da eliminatória.
É daqueles jogadores que não precisam de gestos teatrais para se impor
Desde que chegou ao Benfica, o norueguês tem estado num nível altíssimo, sempre fiável, sempre influente. Os treinadores adoram-no porque é taticamente polivalente. Pode ser lateral, extremo ou médio, e em todas essas funções joga com a mesma competência. Mas vê-lo onde realmente pertence — naquele meio-campo que justificou a sua contratação ao Feyenoord, em 2022/23 — é um privilégio. Aí ele é maestro, o fio por vezes invisível que une a orquestra.
Não estejam à espera que seja ele a decidir jogos, mas quando a equipa joga bem, ele faz todos os outros jogarem ainda melhor.
Pierre van Hooijdonk, antigo internacional neerlandês e ex-ponta de lança do Benfica (curiosamente treinado na Luz por José Mourinho), disse-me quando o entrevistei para comentar a contratação do Benfica: «Não estejam à espera que seja ele a decidir jogos, mas quando a equipa joga bem, ele faz todos os outros jogarem ainda melhor.» Nem mais, é isso mesmo. Aursnes é o maestro silencioso. Pode não ter o brilho criativo de um artista, mas faz do seu pé direito uma extensão da cabeça. Cada passe dele tem intenção. Faz o jogo parecer fácil — e isso é o mais difícil de conseguir.
Fora de campo, mantém a mesma compostura. Vibra, mas sem exageros; responde com calma mesmo nas perguntas mais delicadas; encara desafios sem atalhos. Quando lhe perguntaram sobre as palavras do presidente do Benfica, que expressou o desejo de vê-lo terminar a carreira na Luz, respondeu com uma simplicidade desarmante: «Pode ser, parece-me uma boa solução.» Essa frase diz tudo sobre ele — equilíbrio, lealdade.
Não é por acaso que já integra a hierarquia dos capitães.
Não é por acaso que já integra a hierarquia dos capitães. Num plantel com nomes grandes e talentos em ascensão, Aursnes é o elo que liga o plano, lúcido e competitivo. Numa noite em que muitos brilharam, ele voltou a ser o mesmo de sempre: o jogador que melhora todos à sua volta, o cérebro silencioso de uma equipa que escreveu mais uma página inesquecível da sua história europeia.
Nélson Feiteirona, in a Bola

INFERNO DA LUZ

 


"Depois do golo do Trubin ouvido em todas as línguas e de a Europa inteira falar do jogo, fui ver o detalhe que me faltava: o número de espectadores em cada estádio nesta noite mágica.
Segunda maior assistência em 18 jogos.
Os adeptos do Benfica são enormes."

Mauro Xavier, in Facebook