sábado, 25 de fevereiro de 2017

UM AZAR DO KRALJ


Um Azar do Kralj viu Zivkovic a apreciar os prazeres da pesca à linha com o tio Jonas
Além de dedicar uma música de Renato Xavier de Souza a Jonas (que mete samba), Um Azar do Kralj viu Mitroglou a prolongar "a confiança que muitos de nós só recuperam depois de assistir a um vídeo de Gustavo Santos"
EDERSON
Que nem um paciente na triagem de urgências do S. José, esperou mais de uma hora até ser de facto chamado a pronunciar-se. Fê-lo com uma excelente defesa denotativa da elegância e do pragmatismo que caracterizam os grandes guarda-redes e os poucos utentes civilizados do SNS. Há 157 minutos que não pontapeia ninguém.
NÉLSON SEMEDO
É uma interessante jogada de marketing. O presidente Luis Filipe Vieira terá falado com Nélson Semedo no final do jogo e convencido o internacional português a mudar o número da camisola, à medida que o valor do seu passe aumentar. No próximo jogo, Nélson exibirá o 65 + prémio por objetivos nas costas. Enfim: foi mais um jogão do miúdo. Palavra de honra que rebobinámos o jogo para encontrar uma acção errada que fosse e só vimos o amarelo que o impede de jogar na próxima jornada. Entretimento fizemos flash forward e já lá estava o André Almeida.
LUISÃO
Uma sucessão bem conseguida de cortes atentos e intervenções esclarecidas que são um hino à sóbria eficácia do nosso capitão e uma chatice para quem tem de escrever sobre a sua exibição, mas pelos visto já escrevemos. Siga.
LINDELOF
Tem chegado a horas ao trabalho e demonstrado interesse nas tarefas menores delegadas pelos superiores hierárquicos, não obstante o interesse já demonstrado em abraçar um novo desafio profissional. Devia parar de publicar citações inspiradoras no Linkedin. Nunca ninguém foi contratado por ter lido Paulo Coelho.
ELISEU
Exibição pouco entusiasmaste, um pouco como aquele empregado do chimarrão que aparece com presunto, quando já enfardámos dois quilos de maminha. Vimo-lo algumas vezes como jogador mais recuado no terreno quando a equipa atacava, o que nos levou a imaginar Eliseu como protagonista num filme intitulado “O Ultimo Homem”. Sim, claro, um filme de terror.
SAMARIS
Continua a acusar o facto de não ser Ljubomir Fejsa. Ocupar esta posição na equipa do Benfica é uma tarefa ingrata, especialmente para alguém que cresceu a ler Aristóteles, besuntado em protector solar SPF50, numa praia qualquer. Naquela zona do terreno, precisamos de mais Sarajevo e menos Mykonos.
PIZZI
Manteve algumas das características que nos fazem gostar dele - o penteado, o toque de bola, a qualidade do passe um ou outro passe a romper - mas a sua condição física, digna de um Andrea Pirlo com 45 anos e uma artrite, leva a que se esconda um pouco mais nas acções ofensivas. Assim que viu o seu número no placar de substituição, abandonou o campo em passo de corrida, uma decisão da qual se espera que recupere totalmente no terceiro trimestre de 2017.
SALVIO
A sua melhor acção no jogo aconteceu quando evitou tocar na bola e isolou Nélson Semedo para o cruzamento do segundo golo. Agora pensem.
ZIVKOVIC
Chegou a Lisboa menino e vai cumprindo o desígnio de se tornar homem, o que coloca os adeptos na difícil posição de terem que partilhar a sua paternidade e aceitar algumas infantilidades. Zivkovic começou o jogo a tentar compreender a chegada da puberdade e terminou, para surpresa dele próprio, e dos pais, a apreciar os prazeres da pesca à linha com o tio Jonas. Hoje só apanharam tainhas, mas isto vai lá. Tal como a maioria das pessoas ao longo das suas vidas, irá abandonar as tendências mais libertárias e irreverentes da juventude para se entregar à eficácia do tentado, que inevitavelmente o tornará um dos melhores extremos do mundo. Infelizmente isso já não será problema nosso.
RAFA
Depois de uma primeira parte em que foi quase, mas a intenção era boa, aproveitou a segunda vida no jogo para voltar a marcar no campeonato e, mais uma vez, convencer os adeptos de que está prestes a explodir. Lembrem-se do que aconteceu ao outro. Boa segunda parte, ainda com pulmão para ensaiar algumas jogadas de FIFA com Jonas e Mitroglou.
MITROGLOU
Os seus golos podem até valer 45 milhões para o Shuangzei Ca-ching, mas a alegria e a liberdade que demonstrou em campo não têm preço. O quê? Perdoem-nos o lirismo. 80 milhões, amigos. Ele foi lances individuais, combinações inteligentes com os colegas, recepções orientadas, adversários desorientados, artes marciais que quase davam golo da jornada na Eurosport, golos e mais golos, sorrisos rasgados. UFA. Aquele golo milagroso em Braga deu a Mitroglou a confiança que muitos de nós só recuperam depois de assistir a um vídeo de Gustavo Santos. É que talvez não saibam mas a vida é uma troca, como tal, tens de saber trocar o melhor de ti com o melhor dos outros e nunca o melhor que tens com o pior do que têm para ti.
JONAS
LÊ LÊ LÊ
LÊ LÊ LÊ
SAMBA,TIRA O PÉ DO CHÃO
SE SOLTA E SAMBA
O SEU CORAÇÃO JÁ BATE SAMBA
POIS, O NOSSO LEMA É A UNIÃO, SEM DISCRIMINAÇÃO
FAZ UM DOIS, UM LÁ E CÁ
DEIXA O CORPO BALANÇAR
QUANDO MENOS PERCEBER O MEU SAMBA É PRA VOCÊ
NA SEGUNDA, NO REFRÃO, SEM QUERER VAI BATER NA MÃO
E AÍ VIRA CARNAVAL,
ALEGRIA GERAL
LÊ LÊ LÊ
LÊ LÊ LÊ
ExaltaSamba, “Samba Alegria”, composição de Renato Xavier de Souza
FILIPE AUGUSTO
Continua a demonstrar fome de bola; perdão, uma furiosa galga. Assim que entra em campo não percebemos se é Filipe Augusto que corre muito depressa ou Pizzi que está a recuar. O brasileiro junta a essa velocidade um pé esquerdo mundividente com licenciatura na Universidade da Vida, mochilão no Sul de Espanha, e MBA no INSEAD. Se continuar a abordar cada lance como se fosse o último, ninguém conseguirá antecipar quando é que Jorge Mendes o levará para outro clube.
CERVI
Três minutos em campo, tempo suficiente para realizar um sonho de infância e trocar de camisola com Mitroglou.
CHAVES (GRUPO DESPORTIVO DE)
Que maravilha. Dá gosto ver. Os sistemas de classificação mais ortodoxos colocam esta agremiação em sétimo lugar, mas seguem imparáveis em segundo no coração do Kralj.
CHAVES (PASTÉIS DE)
Que maravilha. A massa que canta, a suculenta carne picada, o perfume dos temperos, o refluxo por termos comido um ao pequeno-almoço.
CHAVES (DIANA)
Tudo menos o refluxo.

PRIMEIRAS PÁGINAS


A MÃO QUE DÁ E A MÃO QUE TIRA


Disse Nuno Espírito Santo no final do jogo com a Juventus que o árbitro condicionou o resultado quando expulsou Alex Telles aos 27 minutos.. Não contestou a justiça da decisão - nem podia, só podia mesmo queixar-se da imprudência do seu jogador -, mas afirmou que o alemão Felix Brich podia ter «contemporizado». Percebo a ideia do treinador do FC Porto. Até concordo com ela, porque um jogo em que uma equipa fique em inferioridade numérica ainda na primeira parte fica estragado e muito menos interessante.  Mas são as regras - não há lá nada que diga ao árbitro para contemporizar em nome do espetáculo - e enquanto não forem mudadas são para se cumprirem.
Posto isto, há também que lembrar que o FC Porto desse rigor dos árbitros beneficiou para chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões. A justiça das decisões nos lances em causa (também) não merecem contestação, mas nos dois jogos do play-off a Roma ficou reduzida a dez ainda na primeira parte: Vermaelen foi expulso no Dragão aos 41 minutos e na segunda mão de Rossi viu o vermelho aos 39 e Palmieiri aos 50. E não consta que NES tenha vindo a terreiro defender o espetáculo. Assim como não o fez no final das partidas com o SC Braga (Artur Jorge expulso aos 35 minutos), Feirense (Ícaro, aos 3), Moreirense (Francisco Geraldes, aos 45) ou Tondela (Osório, aos 45+2).
Nuno Espírito Santo pode pode, claro, falar do assunto sempre que entender. Não deve é fazê-lo em tom crítico depois da sua equipa ser penalizada, esquecendo-se de que em situações semelhantes se referiu de forma elogiosa aos trabalhos de árbitros que tomaram as mesmas decisões, mas ao contrário. Este não é, atenção, um problema exclusivo do treinador do FC Porto. É até uma coisa muito portuguesa: «com o mal dos outros posso eu bem», costuma dizer-se. Talvez seja esse um dos grandes problemas do nosso futebol...

Ricardo Quaresma, in a bola

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

MITRO O DEUS GREGO DITOU LEIS NA LUZ


Sport Lisboa e Benfica e GD Chaves defrontaram-se esta noite de sexta-feira à passagem da 23.ª Jornada da Liga NOS. E que ambiente fantástico no Estádio da Luz com 52 810 nas bancadas! Os Benfiquistas responderam sim à convocatória e os adeptos transmontanos também fizeram questão de se apresentar em bom número.
Antes do apito inicial de Nuno Almeida, a Vitória voou, cantou-se o Hino do Clube e Rafa recebeu o prémio de Melhor Golo do Mês de Janeiro. Antes ainda, durante o período de aquecimento, Grimaldo, a convalescer de cirurgia à parede abdominal, surgiu no relvado para falar à BTV e, depois de elogiar o “ambiente incrível” da Luz, revelou que a recuperação está a correr dentro do previsto.
Mas voltemos ao jogo… Lance inicial e primeira oportunidade de golo para os encarnados. Depois de uma boa combinação entre Salvio e Nélson Semedo, Pizzi remata em zona central, com os esférico a desviar em Mitroglou. Bom lance, a dar o mote, mas anulado por fora de jogo – bem tirado – ao avançado grego.
Apesar do domínio do Tricampeão, o GD Chaves – na sua primeira visita à Catedral – não se atemorizou e mostrou-se bem atrevido. A última partida foi em 1999, ainda no Velhinho e saudoso Estádio da Luz.
Aos 10’, os flavienses remataram pela primeira vez à baliza encarnada. Fábio Martins disparou forte, mas Ederson encaixou, o mesmo Ederson que aos 16’, com uma enorme mancha, disse não ao mesmo jogador!
Bom início de jogo… e festa nas bancadas da Luz com o primeiro golo da noite. Minuto 18’, Nélson Semedo cruza com conta peso e medida, com Mitroglou – de cabeça – a fazer o que melhor sabe: golo! Sem hipótese para António Filipe.

Os flavienses, 7.º classificados e a fazer um excelente Campeonato, não acusaram a desvantagem e estiveram muito perto do empate aos 20’, com Fábio Martins a atirar por cima.
Jogo espevitado, intenso, emotivo, com as duas equipas à procura daquilo que o Futebol mais quer, gosta e precisa… de golos!
Pedro Tiba, Rafa, Bressan e Mitroglou estiveram muito perto mas a “redondinha” não quis entrar… até ao minuto 45’.
Excelente jogada do coletivo orientado por Ricardo Santos, com Perdigão a assistir Renan Bressan para um golaço. Remate de meia distância de pé direito… indefensável! Um igual ao intervalo.
Emoção a rodos até ao fim!
Reinício e mais emoção! Primeiro o Chaves. Lançado por Braga, Fábio Martins tenta picar a bola mas Ederson faz a mancha e diz não.
Resposta e golo do Benfica. Samaris lança Nélson Semedo, com o lateral a cruzar para a segunda assistência da noite. Mitroglou não chega, mas chega Rafa ao segundo poste a devolver a vantagem ao Tricampeão.
E mais Benfica, muito mais Benfica nestes segundos 45 minutos, com Mitroglou, Zivkovic e Nélson Semedo a estarem muito perto de dilatar o marcador.
Jogava-se – e muito bem! – na Luz, com as duas formações a discutirem o jogo até ao fim… e que jogada espetacular aos 64’. Tudo ao primeiro toque entre Mitroglou e Rafa, com Jonas a atirar ao lado. Que pena…
Aos 81’, esteve muito perto o empate, com Ederson – chamado ao serviço – a defender de forma espetacular mais um remate do inconformado Pedro Tiba.
Resposta de Mitroglou… primeiro o esférico saiu ao lado, mas à segunda entrou mesmo. 3-1, com o grego a sentenciar o marcador.
Até aos 90’, emoção a rodos, com a vantagem mínima a lançar incerteza até apito final. Esteve e foi melhor o Benfica, perante um Chaves que, sem nunca desistir, vendeu cara a derrota e valorizou ainda mais os três pontos conquistados pelas águias. Grande jogo de Futebol!
O SL Benfica alinhou de início com Ederson; Nélson Semedo, Luisão, Lindelöf e Eliseu; Samaris, Pizzi (Filipe Augusto, 77’), Salvio (Jonas, 55’) e Zivkovic; Rafa (Cervi, 87’) e Mitroglou.
Com este resultado, as águias somam 57 pontos e mantêm a liderança da Liga NOS. Segue-se uma deslocação ao estádio António Coimbra da Mota. SL Benfica e Estoril disputam a 1.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal, uma partida agendada para as 20h15 da próxima terça-feira… dia em que se assinala o 113.º Aniversário do Glorioso.

PARECE IMPOSSÍVEL GANHAR ESTE ANO


"Desde treinador a jornalistas, foi unânime que o SC Braga fez contra o Benfica a sua melhor exibição da época. Nunca é fácil ganhar em Braga, mas este ano teríamos mesmo que o fazer para manter a chama do Campeonato acesa. Assim foi!
Nos últimos dois meses, os erros de arbitragem são em todos os campos, de todas as formas e no mesmo sentido. Braga não foi excepção, mas teremos mesmo que jogar e contar com essa realidade até ao fim. Parece ser quase impossível ganhar este ano.
Seguimos a agenda num difícil encontro com a equipa sensação do campeonato. Vai ser complicado o jogo contra o Chaves, logo à noite. O Chaves fecha bem e contra-ataca melhor. É mesmo das equipas que mais dificuldades pode criar ao estilo de jogo encarnado. Será mais uma etapa no nosso difícil percurso, faltam 12, e cinco das seis saídas são no grande Porto (Feira, Paços, Moreira, Vila do Conde e Bessa). Não há margem para lamentos.
O FC Porto não teve sorte no sorteio da Champions. A Juventus parece que não joga muito... e ganha sempre. Tem a vantagem de nunca quererem esmagar e golear, ao contrário de outros adversários mais predadores.
Alguns portistas queixaram-se da arbitragem. Acho injusto. Por um lado não podia ser nomeado o Luís Ferreira, por outro, foi este árbitro e as suas escandalosas actuações que deram a muitos dos adeptos azuis e brancos a única alegria dos últimos 40 meses. Sejamos justos, Nuno Espírito Santo pautou-se pelo equilíbrio. Chegados a este nível os emblemas nacionais chocam com uma barreira, onde também está a imensa qualidade adversária.
Terça-feira temos um problema que outros rivais não têm: uma meia-final da Taça de Portugal para resolver, contra o Estoril. Ainda bem que somos prejudicados por uma agenda tão cheia, é assim quando se é muito grande e se quer ganhar muita coisa."

Sílvio Cervan, in a bola

AQUECIMENTO BENFICATV :: 23 FEV 2017

                                          

PRIMEIRAS PÁGINAS


RUI LANÇA RECADOS E DEIXA CRÍTICAS PARA O INTERIOR DO BENFICA


A reação só apareceu quando constatámos que nos tinham tirado cinco pontos em dois jogos e oferecido dois (ou quatro) a quem interessava.
Ter razão antes do tempo - diz-se em política - é igual a não ter razão... Mas não ter capaidade analítica para perceber e saber ler os dados que a realidade nos oferece ou, lendo-os e tendo a perceção deles, não extrair, daí, as devidas conclusões, é, também, um erro que pode custar muito caro. Em política, claro. Todos os que por lá andam (ou que andaram e que lá querem voltar) sabem bem do que falo! Mas, no futebol, também! Ou pior, porque no futebol, não há tempo nem espaço que fiquem vazios por mais do que uns décimos(ou milésimos) de segundo! Dentro do campo, por maioria de razão! Mas, também, fora das quatro linhas, onde, tantas vezes, se conseguem as condições para que o trabalho no relvado não seja ensombrado por quem não quer que ganhemos e que usa tudo o que pode (e o que não pode, mesmo que seja proibido) para que nós não ganhemos!
Esta reedição do Apito Dourado é, assim, o regresso de um filme que já conhecemos, anunciado por quem teve capacidade para o anunciar e não se coibiu de dizer ao que vinha! Então uma invasão do centro de treinos de árbitros não exigiria uma repulsa institucional fortíssima precisamente de quem era o objeto principal (mesmo que indiretamente) dessa ação? Pois exigia! Mas não aconteceu!
Então o anúncio feito pelos líderes de uma claque inimiga (não confundir com adversária, porque não se trata disso) de que ou a arbitragem entrava por outro caminho ou então teriam que se haver com os meninos,... não merecia uma violenta posição de quem era o destinatário natural dessas movimentações? Pois merecia! Mas não se viu nem ouviu nada sobre isso! Então as sucessivas nomeações de árbitros dali da zona,  para os jogos da equipa em causa, porque mais fáceis de controlar, não implicaria uma voz forte de alguém para denunciar o que se estava a passar?
Pois implicava! Mas não apareceu! E, já agora, mesmo não sendo do nosso campeonato, a famosa história do Clube Futebol Canelas (porque tem quem tem lá dentro e segue os métodos que segue,... a acreditar no que lemos) não mereceria uma palavra de ninguém (até porque, um dia destes, corremos o risco de os vermos jogar contra nós, numa qualquer competição profissional, com tudo o que isso possa implicar)? Pois mereceria! Mas não surgiu! Ou seja, a reação só apareceu quando constatámos - como no ano passado - que nos tinham tirado 5 pontos em dois jogos e tinham oferecido 2 a quem interessava (ou 4,  se contarmos com a embalagem e a inércia com que iam e não os fez parar... no jogo contra o Tondela), Mais vale tarde do que nunca... dir-me-ão! Bem sei! Mas iremos a tempo? Muito a tempo, continuarão a dizer-me! Talvez! Mas para memória futura - nada como reafirmar o que sempre defendi (como é publicamente conhecido): uma atitude preventiva em relação a estas matérias...
Vieira Pensa a mesma coisa
Estou tanto ou mais à vontade em aqui o afirmar porque, do que conheço, e soube, por experiência própria, feita de 7 anos de convívio, é essa a posição do Presidente do Benfica. O que me preocupa, não é, por isso, o que pensa, o que quer e o momento em que pensa e quer Luís Filipe Vieira, sobre mais esta vergonha que se está a viver no futebol português. Não, não é! Porque quem teve a coragem de lutar como ele lutou - quase sozinho, ou mesmo, ou mesmo sozinho - contra o monstro da corrupção e do Apito Dourado, tem créditos ilimitados sobre isso. O que me preocupa é outra coisa. O que preocupa são... os conselhos! Sabemos, por experiência, que há sempre duas linhas que, no interior das organizações, se enfrentam de forma contínua e permanente. Quem não ouviu falar de pombas ou falcões, de entre uma qualquer administração americana? Ou entre a linha negra e a linha vermelha dos partidos mais revolucionários? Ou de movimentos revisionistas nos partidos comunistas mais tradicionais? Para não falar dos traidores kautsquistas ou trotsquistas que combateram o marxismo-leninismo e que deram origem às III e IV internacionais? ou dos sociais democratas, como traidores reformistas de uma qualquer revolução a todo o vapor? Ou para usar a prata da casa, numa invocação numa citação de quem penso ter sido (no que estarei muito bem acompanhado) o maior estadista português, o Rei D.º JoãoII,...«há tempos de usar de coruja e tempos de voar como o falcão»!!! Pois há! Mas usar de coruja contra quem rouba de forma de forma descarada só pode acabar mal!!! Também nesta guerra sem quartel,... que é a de combater as ajudas a quem só quer que percamos! No futebol - que faz parte da vida, da sociedade e que trata de... poder - também há sempre estas duas realidades...
Nada de mal nessa dicotomia... até porque o Benfica não foge à realidade, antes faz parte dela!
O que me preocupa, é poder ser essa a estratégia vencedora e seguida (como, me  parece, o foi até aqui). Podem crer que cá fora, entre os sócios, os adeptos, os simpatizantes, não há - entre as águias - pombas que queiram esperar mais para só começarmos a reagir depois de termos perdido (de nos terem sonegado...) mais pontos. Ou depois de os terem oferecido a outros. E não podemos contar com a ajuda de ninguém para esta luta que terá de ser permanente e contínua até à conquista do 36.º.
Só com nós. Que somos muitos, mas só podemos contar connosco! Os outros - convençam-se - não vão ter contemplações. E, se, em momentos específicos, poderemos ouvir as vozes escandalizadas de quem foi prejudicado, como o Tondela foi (e falar, ali, logo depois do jogo... é de uma coragem digna de enaltecer e sublinhar), só se ouvirão vozes contra nós. Porque uns e outros só querem que não ganhemos. Ou, para voltar a designar as coisas pelos nomes... o clube anti-Benfica do Porto e o clube anti-Benfica de Lisboa só querem que percamos, sendo indiferente, entre eles e para eles, quem possa ganhar!!!
Adulterar a verdade
Mas, voltando ao relvado... que diferença abissal  no comportamento das equipas de arbitragem... Na véspera de dois jogos europeus,... a nós poem-nos a jogar 10 contra 11,... 50 minutos. A outros, inventam um penalti e poem-nos a jogar 11 contra 10,... 50 minutos. Lembram-se dos tempos do Apito Dourado, onde ouvimos e vimos facilidades em jogos cá dentro para poderem estar descansadinhos para jogarem lá fora? Pois é, apesar de ainda nos atirarem à cara com essas vitórias na Europa para tentar disfarçar a forma como conseguiam as vitórias por cá,... como se umas e outras não fossem faces da mesma moeda. Por isso - disse e repito - não compreendo que não se tenha carregado em cima da arbitragem do último domingo...
Porque fomos objetivamente prejudicados, . Desta vez não teve relevância... mas só falaremos se Mitroglou ou outro qualquer não desatar um dos muitos nós que todos - no campo e cá fora - nos irão criar para que não consigamos o tetra/36? Como também não percebi como se deixa sem referência - repetida e continuada - os ataques aos adeptos indefesos do Benfica... por pretensos adeptos do Braga quando as claques do Benfica ainda lá não tinham chegado. Apesar de - e nisso andou muito bem o Benfica - se ter alertado as forças policias para essa eventualidade...
As gentes de Braga, mesmo as mais fanáticas, nunca entrariam nessas agressões, tanto mais que, ao que se percebe, quem atacou os adeptos do Benfica não estava identificado e... não estava lá para ir ao jogo. Como diz o outro, para bom entendedor...Ou... meia palavra basta.... Nas agressões, como em tudo o resto!!!
CARREGA BENFICA!!!

Rui Gomes da Silva in a bola

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ESCALA DE RICHTER


O sísmógrafo futebolístico, ao longo de uma temporada, é a expressão de sucessivos e antagónicos estados de alma e de tão definitivas como precárias sentenças mediáticas de ciência exata.
Um bom exemplo é o que se diz e escreve sobre o Benfica, que já passou por todas as fases da escala de Richter. O favorito dos favoritos, um tipo de jogo sustentado, uma defesa inexpugnável, uma equipa inconsistente, um ataque com soluções para dar e vender, uma eficácia tremenda, uma equipa com duas faces, uma forma de jogar sem soluções, uma equipa segura, um conjunto de tremedeira, confiança a rodos, perda de identidade, equipa abalada, suplentes à altura, etc. Enfim, para todos os gostos. Ainda que em tempos e de modos diferentes, Porto e Sporting são apreciados com o mesmo e telúrico ritmo bipolar. O porto, o outro candidato ao título, já passou entre cinzento e luz (salvo seja), paciente e impaciente, previsível e surpreendente, sem banco e com banco para todas as variações, sem estofo de campeão e campeão à condição, etc. Nós, adeptos, olhamos para estas variações vertiginosas, entre optimismo e pessimismo inconsequentes. São matéria - prima para todas as apaixonadas discussões. O curioso é caráter provisoriamente definitivo de cada uma das variações, até que outra definitivamente provisória se instale a seguir. Basta um golinho, um erro do árbitro, um sopro de sorte ou uma bola na trave, para que estabilidade e instabilidade troquem de posição, a depressão vire euforia e esta retorne à deceção, e jogadores sofríveis se tornem imprescindíveis e vice-versa. Bipolar, mas não tanto, por favor!

Bagão Félix, in a bola

O JOGADOR MALANDRO


Luís Filipe Vieira não deverá demorar muito tempo para voltar a fazer mais uma ou duas vendas milionárias. Ederson e Nélson Semedo serão os próximos a sair (André Moreira e Pedro Pereira parecem ter o perfil para os substituírem no futuro) por valores que fazem com que a venda do passe de Bernardo Silva (€15,75 milhões ao Mónaco, em 2014) tenha sido uma borla. É certo que não se pode ter tudo (basta pensar, por exemplo, que Ivan Cavaleiro rendeu o mesmo valor e que Gonçalo Guedes custou ao PSG  €30 milhões, o mesmo que o Manchester City pagou por Gabriel Jesus ao Palmeiras), mas isto serve apenas para dizer o quão valorizado está o esquerdino português, a fazer no Mónaco o que fez na Luz: percurso ascendente, de quase desconhecido chegado ao Principado a estrela cintilante do competitivo futebol europeu. Ao contrário do que aconteceu em Wembley, quando marcou frente ao Tottenham (casa emprestada), para a fase de grupos da Champions, Bernardo silva não marcou em Manchester, nesse louco jogo que terminou 5-3 para o City, mas é como se o tivesse feito. Jogadores como ele não precisam tanto da estatística porque a alegria não se traduz em números. Faz parte de uma casta especial: apesar de interpretar a tática, mantém o espírito libertino, faz o adepto sorrir pela forma como trata a bola e desmonta as linhas adversárias com elegância e a desfaçatez de jogador malandro. Ainda estamos longe, Portugal nem sequer está qualificado, mas ao crescimento de Bernardo e esta nova forma de estar de Cristiano Ronaldo (mais leve, mais artista, menos robótico, mais Cristiano que Ronaldo) podemos esperar no Mundial da Rússia não apenas uma Seleção forte e ambiciosa mas também a jogar muito à bola. Com a palavra ainda a caber a João Mário e André Silva. Haja esperança.

Fernando Urbano, in a bola