terça-feira, 31 de dezembro de 2019

EM FORA DE JOGO ESTAMOS NÓS


"No futebol inglês é tudo mais simples, directo e transparente do que no futebol português. Até a questão do VAR. Nada de novo, portanto.

Prefiro, por agora, não entrar na discussão sobre se deve, ou não, dar-se uma tolerância de alguns centímetros nos foras de jogo. Dependerá sempre, julgo, da justificação que me derem. Caso digam que as linhas que vemos nas transmissões televisivas, aparentemente oficiais, não são fidedignas, é provável que esteja de acordo. Se me disseram que é, apenas, injusto anular um golo por um centímetro é mais provável que seja contra, porque chegará, de certeza, o dia em que, num qualquer jogo decisivo, um centímetro será suficiente para fazer a diferença na forma como quem marca o golo chega à bola e entrarmos, aí, em nova discussão que é, precisamente, o que as linhas de off side pretendem evitar. Por isso, para já, vou partir de dois pressupostos:
1 - As linhas de nos dão na transmissão, e que o VAR vê quando tem de decidir, são fidedignas;
2 - Um fora de jogo é, sempre, um fora de jogo, seja um centímetro ou de um metro. Dizer mais do que isso é perder tempo, porque escancara as portas ao inútil o meu fora de jogo de um centímetro é ridículo e uma roubalheira, o teu fora de jogo de um centímetro é, apenas, a lei de que tanto nos queixámos ao longo dos anos.
Prefiro, portanto, falar de algo que me faz muito mais confusão no que à forma como nos mostram, como telespectadores, a decisão que, numa sala bem longe do local onde se desenrola a acção, alguém decide, muitas vezes, o desfecho decide, muitas vezes, o desfecho de uma partida. Já percebeu, caro leitor, a brutal diferença entre as transmissões dos jogos da Premier League e os da Liga Portuguesa? E não, não estou a falar na intensidade, no ritmo, no espectáculo. Estou a falar mesmo do momento em que o VAR entra em acção para confirmar ou anular um golo quando entra em campo a tal questão do fora de jogo que de repente tanta confusão parece fazer a tanta gente.
Das imagens que nos chegam de Inglaterra, o ecrã divide-se e na parte maior lá aparece a forma como o VAR utiliza as linhas para chegar a uma decisão. Podemos, portanto, acompanhar o momento em tempo real tudo o que está a acontecer e percebendo, de imediato, qual o desfecho da avaliação mesmo antes de o árbitro a anunciar ao estádio. Tudo às claras. Pode, depois, discutir-se, lá está, se um centímetro deve, ou não, se suficiente para anular um golo. Mas essa é oura questão. Em Portugal, claro, é tudo diferente. Temos as imagens de quem está a transmitir o jogo, é verdade, e delas podemos logo retirar algumas conclusões. Se o fora de jogo for evidente, não há sequer grande problema. A questão é quando se trata, de facto, de um off side de poucos centímetros. Lá ficamos nós à espera que alguém na Cidade do Futebol veja as imagens, lhes ponha as linhas em cima, veja onde está o é, o joelho ou a cabeça de quem ataca, veja onde está o pé, o joelho ou a cabeça de quem defende e decida. Só percebemos se o golo é anulado ou validado quando o árbitro o anuncia no estádio. E, muitas vezes, só podemos ver o que sustenta a decisão uns minutos depois (quase sempre muitos minutos depois...) quando a repetição, já com linhas em cima e o anúncio dos centímetros que colocavam em jogo ou fora dele o jogador que fez o golo, nos é concedida pela realização.
Prefiro - e calculo que a maioria dos telespectadores também prefira - a forma como as coisa são feitas em Inglaterra. É mais simples, mais directo e, acima de tudo, mais transparente. Como tudo no futebol inglês quando comparado com o futebol português. Nada de novo, portanto. Mas devia fazer-nos pensar- Sendo verdade que Portugal, e a Federação Portuguesa de Futebol, foi pioneira na questão do VAR, há o sério risco de, por uma questão de protecção dos árbitros que, já o escrevi, não os ajuda em nada (pelo contrário...), perdermos o comboio europeu e, pior, alimentarmos discussões absurdas em torno de uma ferramenta que devia ser unânime."

Ricardo Quaresma, in A Bola

PRIMEIRAS PÁGINAS


segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

OS PROTAGONISTAS DE 2019


"João Félix foi a revelação do ano. Viseu sente orgulho neste 'filho da terra'. E se viseense que escreve proclama-o sempre. Com orgulho.

1. Esta coluna tem como um dos seus lemas e palavra protagonistas. São eles - e elas - que nos motivam semana a semana. E nas vésperas do arranque de um Ano Novo, de uma nova década e da comemoração dos setenta e cinco anos deste jornal vamos fazer, nesta pausa desportiva em Portugal - em contraponto à atractiva e impressionante festa do futebol em Inglaterra - a lista dos nossos protagonistas em 2019. É; como sempre, uma perspectiva pessoal com a consciência que só os homens - e as mulheres - calados é que não erram. Vamos, então, às nossas escolhas.

2. Bruno Lage é o treinador do ano. Entrou, com desconfiança, no Benfica e conquistou tudo e todos. Ganhou a Liga, o que parecia impossível. Mobilizou consciências e entusiasmou as bancadas. E o seu discurso, bem diferente, cativou. E, depois, resistiu em momentos menos fáceis e chega ao final deste Dezembro na liderança da Liga NOS e sabendo que tem um arranque de 2020 com jogos bem complexos e determinantes. Tal como foi, aliás, o arranque de 2019.

3. Jorge Jesus conquistou o Brasil, o Rio de Janeiro, o Flamengo, o Brasileirão e a Libertadores. Levou ao Brasil de hoje o Portugal contemporâneo, competente e de excelência no que respeita à liderança de equipas, à sua mobilização técnico-táctica e a um forte espírito colectivo. Como se pressente com a ida de Jesualdo Ferreira para o mesmo Brasil. E assumindo, Jorge Jesus nos momentos marcantes, a nossa bandeira e a nossa forma de ser e de estar. Do Rio de Janeiro a Doha, palco da final do Mundial de Clubes, muito lhe agradecemos. E a justiça da outorga da comenda por parte do nosso Presidente da República é indiscutível e merece um geral aplauso.

4. Fernando Santos levou, uma vez mais, a nossa Selecção à fase final de uma grande competição internacional de futebol, no caso o próximo Europeu, o Europeu de doze cidades. E também nos levou à conquistou da primeira edição da Liga das Nações num ano de ouro da nossa Federação, com conquistas igualmente no futebol de praia, no futsal e no futebol jovem. Fernando Gomes, e a sua estrutura próxima - onde entra o novo Canal 11 - mais o Tiago Craveiro, fazem parte de uma equipa vencedora. Que vai ter um 2020 com novos desafios. E um deles é a complexa fase final do Europeu de 2020. Entre Budapeste e Munique. Numa primeira fase, assim o desejamos!

5. João Félix foi a revelação do ano. Chegou à equipa principal do Benfica e embalou, com uma transferência extraordinária e milionária, para Madrid e para o Atlético. Torna-se um jovem dourado e merece toda a sorte do Mundo. Viseu sente orgulho neste filho da terra! E este viseense que escreve proclama-o sempre. Com orgulho.

6. Pizzi e Bruno Fernandes são profissionais de futebol. São excelentes jogadores, fazem a diferença nos seus clubes e são rivais aguerridos. Mas, para além de tudo, são amigos e assumem, publicamente, essa amizade. Dão um exemplo de um desportivismo que muitos sentiam perdido. Cada golo ou cada assistência de um deles é uma explosão de competência e instantes de excelência. Mas cada troca de simpáticas palavras entre eles levam-me a um imenso sorriso onde se combina a identidade e a amizade, a sinceridade e a disponibilidade. Eles são grandes! Mesmo grandes!

7. Jorge Fonseca, judoca campeão do mundo, e Fu Yu, tenista de mesa e que conquistou o ouro nos Jogos de Minsk, são dois exemplos marcantes do Portugal inclusivo. Do Portugal que acolhe e que mobiliza talentos. Um e outra não são portugueses de origem. Mas um e outra são a expressão, no desporto, de um Portugal que sabe receber e sabe potenciar. E um e outra foram justamente considerados os atletas do ano.

8. O desporto no feminino cresce em Portugal. Mais clubes e mais praticantes. Grandes clubes a chegar a modalidades, como o Benfica no futebol,  que aumenta a sua atractividade. De Bárbara Timo (judo) a Cláudia Neto (futebol), de Diana Durões (natação) e Patrícia Esparteiro (Karaté) vamos conhecendo grandes atletas que acompanham Rosa Mota e Aurora Cunha, Ana Oliveira e Manuela Machado, Inês Henriques e Telma Monteiro, Patrícia Mamona e Carla Couto, entre tantas e tantas outras que em diferentes momentos mostraram um  imenso talento e nos fizeram sorrir de alegria!

9. No hóquei em patins, modalidade que merece mais cuidado entre nós, fomos campeões do mundo -em Barcelona! - e no atletismo com João Vieira, por exemplo, ou no surf  com Frederico Morais mostrámos ao Mundo, e uma vez mais, um Portugal de competência e de excelência. Um País pequeno, mas com uma língua imensa, mas que se afirma no desporto e em diferentes modalidades. Que não, apenas, no futebol com Cristiano Ronaldo ou Bernardo Silva ou com treinadores como José Mourinho e Marco Silva, Pedro Martins e Paulo Sousa, Luís Castro e Paulo Fonseca, entre tantos outros que em diferentes ligas projectam, e muito, o nome de Portugal.



10. O VAR também foi um protagonista do ano. O VAR e o assistente do VAR (AVAR). Ajudou, em muitos casos, para a efectiva verdade desportiva. Mas em outros momentos, por vezes em situações inequívocas, falhou redondamente. Sabemos que os olhos do árbitro de campo e do VAR são olhos humanos. Mas perturba, e muito, que se nós em casa vimos um empurrão claro, o VAR, com mais câmaras à disposição, o não veja, ou sequer o vislumbre. Ele e o AVAR! E estas falhas não ajudam, antes pelo contrário, na credibilização de uma nova ferramenta do futebol contemporâneo. E que custa milhões!



11. No meio de 2019 Iker Casillas apanhou um valente susto e abandonou, naturalmente, os relvados de futebol. Ele que no Real Madrid, na selecção espanhola e no Futebol Clube do Porto encheu as balizas e fez defesas impressionantes. Também Jonas deixou os relvados. Aquele beijo ao Rui Costa no final do jogo em que o Benfica conquistou mais um título é um momento único de afecto. De um homem e de um cidadão, de um profissional e de um benfiquista do coração. Com ele os verdadeiros amantes do futebol sentiam prazer em largos momentos. O toque e o remate, a cabeçada e a arrancada para a baliza, a disponibilidade e a entrega ficam na nossa memória. Um guardou as redes. O outro abalou muitas vezes as redes. Um e outro fizeram muito, e bem, ao futebol português.

12. Este artigo é o último de 2019. Doze meses doze protagonistas. Desejo a todas e todos os leitores um Bom 2020. Mas desejo, também, uma Boa Década. Com a consciência que cada um de nós é um ser que não se repete! Feliz Ano Novo!"

Fernando Seara, in A Bola

"PRESIDENTE TEVE VISÃO E CORAGEM"


FUTEBOL
Um dia depois de o Benfica receber pela segunda vez a distinção de melhor escola de jogadores do mundo, o diretor-geral do futebol de formação falou da aposta levada a cabo por Luís Filipe Vieira.
O Benfica Campus foi considerado, pela segunda vez, a melhor escola de formação do mundo, uma distinção recebida no domingo na gala dos Globe Soccer Awards, no Dubai. Pedro Mil-Homens, diretor-geral da Formação do Clube, sublinhou, em entrevista à BTV, a qualidade decisiva do trabalho efetuado sob a liderança de Luís Filipe Vieira.
"Estou à vontade para elogiar o trabalho que tem vindo a ser feito na formação ao longo de muitos anos. Há um tempo antes desta aposta no futebol de formação no Benfica e um tempo depois. Há que ser dado o crédito ao Presidente e a quem o acompanhou ao longo destes anos. Teve a visão de que era necessária uma alteração estratégica nas políticas do futebol de formação do Benfica, e teve também a coragem de manter o rumo e a sua convicção", salientou.
Se o Benfica ganhou o prémio "Best Academy of the Year", João Félix, formado e projetado no Clube, foi considerado o Jogador Revelação do Ano nos Globe Soccer Awards. Pedro Mil-Homens aproveitou o contexto para enaltecer o trabalho que é feito nos "pequenos Benfica Campus".
"A procura de atletas como João Félix é algo que começa muitos anos antes pelo trabalho de prospeção. É um trabalho muito louvável, feito por muitas pessoas anónimas, mas que têm uma função essencial na procura de jovens jogadores. O trabalho de prospeção continua fora do Benfica Campus e decorre nos Centros de Formação e Treino. O Clube foi pioneiro ao lançar estas unidades. No fundo, são 'pequenos Benfica Campus' espalhados pelo País", explicou.
Relativamente às melhorias que têm sido realizadas no Campus, Pedro Mil-Homens destacou duas áreas que ainda poderão sofrer alterações, nomeadamente as condições de treino para as equipas e a construção do Colégio Internacional do Benfica.
"Nestes últimos dois anos tivemos um upgrade considerável nas nossas instalações. As instalações não fazem nada sozinhas, mas são naturalmente um aspeto importante. O Benfica Campus tem em projeto alguma expansão, nomeadamente acolher melhores condições de treino das equipas. Outra das áreas onde também é possível fazer melhor é na formação escolar com o Colégio Internacional do Benfica", afirmou.
Ao vencer pela segunda vez o prémio de melhor escola de formação do mundo, a responsabilidade do Benfica Campus aumenta? O diretor-geral da formação foi perentório, lembrando que é preciso manter a persistência neste processo.
"A responsabilidade é imediata ao receber uma distinção desta natureza. A dimensão do projeto responsabiliza-nos muito e a única forma de responder positivamente a esta responsabilidade é fazer amanhã melhor do que fizemos hoje. Há que continuar de forma persistente, sabendo que, a cada ano que passa, este processo torna-se mais difícil", vincou.
Ter um onze formado com mais jogadores feitos em casa "é um objetivo de qualquer benfiquista", comentou Pedro Mil-Homens. "A cada ano temos de conseguir 'entregar' jogadores progressivamente mais bem preparados", finalizou.

PRIMEIRAS PÁGINAS


domingo, 29 de dezembro de 2019

PORQUE O SEGURO NÃO COBRE FURTOS NEM VANDALISMOS


Num destes dias festivos trazia este jornal na sua primeira página a constatação de um facto singular por parte do jogador Bruno Fernandes. O "capitão" do Sporting "lamenta a propaganda que visa baixar o seu "rendimento". Ora isto da propaganda tem muito que se lhe diga, como o próprio Fernandes sabe muitíssimo bem. E é verdade que o seu rendimento, que não apresenta quebras, bem poderia ter vindo por aí abaixo se o jogador fosse impressionável ou fraco de espírito, o que não é. Até um profissional competentíssimo, como é o seu caso, difícilmente resistiria, como ele resistiu no verão passado, a trés meses de propaganda sem que houvesse um dia em que Bruno Fernandes não estivesse vendido nas primeiras páginas dos jornais portugueses ao Real Madrid, ao Tottenham, ao Barcelona, ao Paris Saint-Germain, ao Bayern Munique, ao Manchester City, ao Borussia Dortmund e ao Manchester United, um de cada vez, lembram-se?
Foi, de facto, um mercado de verão marcado pelo reino da fantasia no que tocou ao simpático Bruno Fernandes. Nem um cêntimo a menos dos 126 milhões que os espanhóis pagaram ao Benfica por Félix! Era o que nas cervejarias, nos transportes públicos, nos escritórios, nas oficinas, em todas as padarias, na banca amiga e nas praias a nação sportinguista exigia ao seu presidente pela venda do jogador que Jorge Jesus foi resgatar ao Calcio. E, durante trés meses a fio, Fernandes esteve "preso por detalhes" na iminência de embarcar para paragens para onde, obviamente, nunca embarcou. 
Nada disto espanta. A rivalidade e a inveja juntas são o diabo. E se o último mercado de verão foi dominado internacionalmente pela venda de João Félix ao Atlético de Madrid, imagine-se só a dimensão do abalo que, nacionalmente, se viu provocado por essa transação luso-espanhola mirabolante. Está agora aí à porta o mercado de inverno e Bruno Fernandes sabe o que o espera. Por isso, antecipando o que vem a caminho, enviou um recado polido ao presidente do Sporting. "Tão cedo não sairá ninguém pelo valor de João Félix", disse. Que é como quem diz, deixem-se de fantasias.
Entretanto, o ex-presidente do Sporting sofreu um delíquio emocional neste Natal porque deu de caras com o presidente do Benfica no papel de convidado de um programa popular de entretenimento
na RTP. E ele, sim ele, que podia tão bem estar lá com o seu à-vontade congénito perante as Câmaras no lugar de Vieira não fosse ter sido destituído e estar agora sujeito ao contratempo de um "julgamento de fantasia" somado aos contratempos de lhe terem cortado o telemóvel  e vandalizado o automóvel ou vice-versa. E, como se tudo isto não bastasse - o Vieira, o tribunal, o telemóvel, o automóvel - o es-presidente ainda constatou que "o seguro não cobre furtos nem vandalismos" o que, pelos vistos, não sabia. Mas devia saber.
Oh, se devia.

Leonor Pinhão, in Record

ENTRAR NO MAR E VIVER


"Dizem que Kahanamoku inventou o surf. Foi campeão olímpico de natação e rival de Tarzan, o homem-macaco

Kahanamoku tinha um ar pacífico mas não era bom de assoar. Aliás também era pacífico de nascença, mas aí geograficamente, se assim se pode dizer. Veio ao mundo na Hale’akala, depois rebatizada de Aikupika, hoje Arlington Hotel, uma estrutura de dois andares em coral-rosa situada em Honolulu, no Havai, local que forneceu à sociedade muitos proeminentes havaianos. 
Kahanamoku tinha um daqueles nomes que parecem saídos de um livro de Emilio Salgari, o Homero das selvas e cimitarras, pai de Sandokan, o Tigre da Malásia, senhor da ilha de Mompracem: Duke Paoa Kahinu Mokoe Hulikohola Kahanamoku. Ora, um fulano que tem apelidos que chegam para encher meia lista telefónica parece destinado ao mau feitio. O Duke até fica ali meio deslocado, mas era vício de família. Ganhou-o do pai, Duke Halapu, que por sua vez foi assim baptizado pelo bispo Bernice Pauahi em honra do príncipe Alfredo, duque de Edimburgo, quarto filho da rainha Victoria. 
Durante a II Grande Guerra, Duke filho serviu na Polícia Militar. Apesar de estar longe das trincheiras, a mostarda subia-lhe ao nariz com frequência e não era, certamente, em forma de gás. Envolveu-se numa tranquibérnia com um desenhador naval chamado Lloyd Duncan, acusou-o de agredir dois soldados e, invocando a lei marcial imposta no Havai após o ataque a Pearl Harbor, levou-o a tribunal militar e espetou com o insurrecto numa masmorra. Duncan levou o caso ao Supremo Tribunal dos Estados e ganhou. Kahanamoku nunca digeriu a afronta. Ficou-lhe a pesar no estômago como mostarda de Dijon.
Duke jr. era de boas famílias havaianas. Um ohana, gente finíssima. Nunca lhe faltou dinheiro nem tempo livre. Tornou-se um beach boy. Se ainda fosse vivo, Patxi Andion poderia cantar em sua honra: «Sólo él tiene el derecho/de tutearle a la mar
le parieron mar adentro
y se le quedó la sal
lamiéndole los orígenes...».
Mas Patxi Andion acabou de morrer e Kahanamoku caíu no fosso escuro do olvido. Podia ter sido parido no mar, tão irmão foi das ondas. Hoje dizem que criou o surf moderno ao entrar pelas vagas com uma prancha que pesava mais de 50 quilos, cavalgando os picos brancos de espuma como daquela vez em Waikiki, em 1917, equilibrando-se durante três quilómetros no oco do mar, de Castles a Queen’s. Depois, conta a lenda, desembarcou na areia e, para divertir a gente que se juntara para o ver, fez o pino. Era um homem ao contrário.
Duke pai ensinou Kahanamoku a nadar com uma frase: «Entra no mar e sobrevive». Duke filho tornou-se amante da senhora das águas. Cresceu até ao metro e oitenta e cinco e a natureza forneceu-lhe pés e mãos enormes como barbatanas. Em 1912, em Estocolmo, ganhou a medalha de ouro dos 100 metros livres e bateu o recorde do mundo. Em seguida, foi prata nos 200 metros da mesma categoria. A sua tez de ébano reflectia o azul-cloro das piscinas e devolvia-lhe o céu impávido da baía de Honolulu.
Duke continuou pela vida fora a ser um vencedor. Nos Jogos Olímpicos de Antuérpia, em 1920, voltou a ser ouro nos 100 metros livres e na estafeta da mesma distância. O seu maior rival era havaiano como ele, Pua Kelahoa, o único com coragem suficiente para nadar sozinho os 33 quilómetros que separavam as ilhas de Molokai e Oahu. Quatro anos mais tarde, nos Jogos de Paris, Kahanamoku tinha 34 anos. Ao seu lado, no momento do tiro de partida para mais uma prova de 100 metros livres, estava o seu irmão, Samuel. E, em contraste com o ar ensolarado de ambos os filhos do mar, a brancura de um gigante austro-húngaro chamado János Weissmüller.
Duke foi batido por Tarzan. O homem-macaco já lhe tinha tirado o recorde do mundo, percorrendo a distância em 58.6 segundos, e agora tirava-lhe o ouro. Os irmãos Kahanamoku regressaram às ilhas com prata e bronze e devolveram-se ao oceano. Desta vez para sempre.
Hollywood deixou-se fascinar por John Weissmuller, mas não esqueceu Duke Kahamoku. Davam-lhe papéis à medida, de chefe indígena a pirata, tornou-se amigo de Charlie Chaplin e Paulette Goddard, mas nunca lhe deram dinheiro. Longe de casa, trabalhou como gasolineiro e estivador. Contracenou com Henry Fonda e Jack Lemon no filme Mr. Roberts, de John Ford.
Mr. Roberts é um tenente da marinha mercante que faz os impossíveis para que o enviem para o Pacífico lutar contra os japoneses. O papel de Duke foi tão insignificante que aproveitou o chamado do Pacífico para regressar definitivamente a casa. A tempo de, numa noite de tempestade, com a sua prancha, salvar 12 dos 17 tripulantes de um barco de pesca que se afundou ao largo de Honolulu. Dizia: «O mar vai ensinar-te tudo aquilo que precisas de saber».
Depois, ergueram-lhe uma estátua em Waikiki. Diz quem a vê que nunca Kahanamoku esteve tão desoladamente parado."

O GESTO


"Sporting Clube da Covilhã alinha com apenas oito jogadores para ficar em igualdade numérica com o adversário.

Do Interior deste país, quase sempre tão maltratado a todos os níveis, mas donde nos chegam com frequência coisas boas e notícias de verdadeiros actos de solidariedade, acabamos de ter conhecimento de um gesto a que certamente uma grande parte dos portugueses não teve acesso, mas que fica a constituir um exemplo edificante do que deve ser a solidariedade.
Vamos então à notícia: “Sporting Clube da Covilhã alinha com apenas oito jogadores para ficar em igualdade numérica com o adversário”. Sendo importante o título, convirá não deixar cair alguns importantes pormenores que se lhe seguem.
Pois bem: tratava-se de um jogo de juvenis a disputar entre os covilhanenses e a formação de Vila Velha de Rodão, a contar para a sexta jornada do Campeonato Distrital de Castelo Branco, no qual a equipa da localidade da margem do Tejo não pode contar com mais de oito jogadores, por dificuldades de ordem vária mas, sobretudo, derivadas de lesões e doenças.
Perante tão desagradável situação, o treinador serrano decidiu alinhar também com apenas oito atletas. E mais: porque um jogador de VVRodão se lesionou durante o jogo, o mesmo técnico fez sair um jogador da sua equipa para ficar igualmente com apenas sete.
Interessa pouco o desfecho deste curioso desafio, que até foi muito desnivelado e a favor do Sporting da Covilhã. Será mais importante acrescentar que foram assinaladas quatro faltas e não foi mostrado qualquer cartão. E dizer ainda que os treinadores destas duas equipas dão pelos nomes de José Rosa e João Inácio.
Neste tempo de Natal, em que a solidariedade anda de boca em boca, é importante revelar este gesto, grande gesto, que certamente vai cair no esquecimento sem merecer o destaque que realmente merece.
Não há prémios para gestos destes Senhora Federação Portuguesa de Futebol?
Do Interior veio, mais uma vez, um exemplo edificante…"

BENFICA B EMPATA NA COVILHÃ


BOLA TRAIÇOEIRA AO CAIR DO PANO
FUTEBOL
A equipa B do Benfica empatou 2-2 frente ao Covilhã na 14.ª jornada da II Liga.
Em vésperas de fim de ano, o Benfica B disputou neste domingo o último jogo oficial em 2019. As águias empataram a duas bolas frente ao Covilhã na 14.ª jornada da II Liga, no Estádio José dos Santos Pinto.
O Benfica B entrou no jogo a tentar construir ataques, mas o Covilhã impediu que os encarnados subissem muito.
Aos 7’, a equipa serrana chegou à baliza de Fábio Duarte e fez o primeiro golo da partida.
[GOLO: 1-0] Depois de um contra-ataque do Covilhã, o camisola 77, Mica, recebeu a bola dentro de área, rodou, tirou Kalaica do caminho e de pé direito inaugurou o marcador.
Os encarnados tentavam reagir e pressionar a equipa da casa. Apesar das várias tentativas de chegar às redes de Carlos Henriques, o Covilhã mantinha os espaços muito fechados. O jogo seguia a um ritmo morno à passagem do minuto 27.
Aos 32’, o Benfica B chegou pela primeira vez à baliza contrária e não desperdiçou a oportunidade de empatar a partida.
[GOLO: 1-1] Gonçalo Ramos passou para a desmarcação de Daniel dos Anjos, este reagiu rapidamente e encheu o pé direito para o remate, que foi na direção do canto inferior esquerdo da baliza serrana, fazendo assim o golo da igualdade.
O árbitro apitou para o intervalo e as formações foram para os balneários empatadas a uma bola.
A partida recomeçou no Estádio José dos Santos Pinto com um Benfica B mais rápido, ameaçador e a trazer mais dinâmica ao jogo.
Aos 62’, grande oportunidade para Tiago Dantas, que, de primeira, rematou para a defesa atenta de Carlos Henriques.
Dois minutos volvidos (64’) o guardião do Covilhã defendeu um remate cruzado das águias, mas deixou fugir a bola e, na tentativa de a recuperar, derrubou Kevin Csoboth, sendo assinalada grande penalidade a favor dos encarnados.
Nuno Santos foi o jogador escolhido para bater o penálti. Carlos Henriques defendeu o remate atirando a bola contra o poste e impedindo assim o golo da vantagem benfiquista.
À passagem do minuto 70, Gonçalo Ramos teve nos pés a oportunidade de estabelecer a superioridade no marcador. Depois de um passe em desmarcação de Nuno Santos, o camisola 88 esteve cara a cara com Carlos Henriques, mas atirou à figura.
Três minutos depois (73’) foi a vez de a equipa da Serra da Estrela causar perigo. No seguimento de um cruzamento dos anfitriões, Fábio Duarte conseguiu defender e, na recarga, Mica levou a bola à barra da baliza vermelha e branca.
Logo de seguida, Renato Paiva fez a primeira alteração no xadrez benfiquista: saiu Ebuehi para a entrada de João Ferreira.
Aos 78', nova substituição nos encarnados: Umaro Embaló fez a vez de Kevin Csoboth.
O desafio seguia mais intenso e com mais oportunidades. Aos 82', Renato Paiva procedeu a mais uma mudança na equipa, com a saída de Pedro Álvaro e a entrada de Morato.
A faltarem poucos minutos para o final da partida, o Benfica chegou à vantagem.
[GOLO: 1-2] Aos 89', depois de um remate de Daniel dos Anjos a ser travado pela defensiva serrana, o esférico sobrou para Nuno Santos, que de pé direito chutou diretamente para o ângulo superior das redes adversárias, não dando hipótese de defesa e estabelecendo a supremacia no placard.
Já no tempo de compensação, aos 90’+6’, o Covilhã repôs a igualdade no marcador.
[GOLO: 2-2] Daniel Martins lançou o esférico para a área, este sobrou para Bonani, que com um remate que atraiçoou o guardião encarnado Fábio Duarte (depois de bater nas costas de Morato) fechou o resultado com o 2-2.
A equipa B do Benfica soma assim o seu quinto empate consecutivo e na próxima jornada, a 15.ª, enfrenta o Farense, às 11h15 do dia 5 de janeiro, no Algarve.
Renato Paiva (treinador do Benfica B): "Na primeira parte deixámos o Covilhã jogar mais do que queríamos e só conseguimos acertar isto ao intervalo. Na segunda parte corrigimos as questões defensivas, criámos mais dificuldades e a partir daí começámos a jogar com critério, continuámos a acreditar e chegámos ao 1-2. Depois o 2-2 chega numa altura de crença, onde eles estavam a tentar atacar e nós defender. Mas fica o que era esta equipa B do Benfica há uns meses o que é neste momento, que é o mais importante. O crescimento deles é a nossa maior vitória."
Daniel dos Anjos (jogador do Benfica B): "Fizemos um bom jogo. Na primeira eles assumiram os primeiros quinze minutos, mas depois conseguimos equilibrar o jogo e procurámos a vitória praticamente o tempo todo. Os detalhes fazem a diferença e temos de trabalhar para diminuir os erros. A minha atuação é resultado do trabalho de todos e agradeço-lhes por mais um golo."
Covilhã-Benfica B, 2-2
FICHA
Local Estádio José dos Santos Pinto
Onze do Benfica B Fábio Duarte, Ebuehi, Kalaica, Pedro Álvaro, Nuno Tavares, Rafael Brito, Tiago Dantas, Nuno Santos, Gonçalo Ramos, Csoboth e Daniel dos Anjos
Suplentes Diogo Garrido, João Ferreira, Morato, Vukotic, Rodrigo Conceição, Umaro Embaló e Pedro Henrique
Ao intervalo 1-1
Marcadores dos golos do Benfica B Daniel dos Anjos (32') Nuno Santos (89')
Marcha do marcador 1-0; 1-1; 1-2; 2-2
Boletim clínico Nada a assinalar.

BENFICA CAMPUS: A MELHOR ESCOLA DE FORMAÇÃO DO MUNDO


FUTEBOL
Pela segunda vez, o Benfica foi distinguido com o prémio "Best Academy of The Year" na gala dos Globe Soccer Awards, no Dubai.
O Benfica foi distinguido neste domingo com o prémio de melhor escola de formação do mundo em 2019 ("Best Academy of the Year") na 11.ª gala dos Globe Soccer Awards, no Dubai.
Pela segunda vez em quatro anos, e desta feita em conjunto com o Ajax (Holanda), o Clube ganhou o galardão mundial que reconhece a alta qualidade na formação de talentos no Benfica Campus.


"É o mais justo reconhecimento à visão e dimensão do projeto que lançámos, construímos e estamos a desenvolver no Benfica Campus, no Seixal", reagiu o Presidente Luís Filipe Vieira no Site Oficial  do clube
Presidente e Caixa Futebol Campus

"Este reconhecimento como melhor escola de formação do mundo reforça a convicção com que, desde a primeira hora, definimos este projeto como estruturante e absolutamente decisivo para o crescimento e engrandecimento do nosso Clube", destacou ainda Luís Filipe Vieira [ler declaração completa  aqui].
Presente na cerimónia realizada no imponente Madinat Jumeirah, Rui Costa recebeu, em nome da administração da SAD do Benfica, o troféu "Best Academy of the Year" que premeia o trabalho desenvolvido na área do futebol de formação, um dos pilares estratégicos do Clube.

"É uma honra receber este prémio pela segunda vez no Dubai. Comecei a minha carreira de jogador no Benfica, sei que o Clube tem uma história de sucesso no que respeita ao desenvolvimento de jogadores. O trabalho realizado na nossa escola de formação desde 2006 tem sido fenomenal e permitiu-nos ter sucesso dentro e fora do campo. Agradeço ao Presidente e a todas as pessoas que trabalham diariamente no Benfica Campus e que fazem deste projeto um sucesso", elogiou Rui Costa.

O Benfica, recorde-se, repete o reconhecimento mundial obtido em 2015, na 7.ª edição anual dos Globe Soccer Awards, que fazem parte do "grand slam" de atribuição de prémios no futebol, a par da Bola de Ouro e dos "The Best FIFA".
Os vencedores são escolhidos pelo júri do Globe Soccer, um painel composto por especialistas da indústria do futebol que inclui nomes como Fabio Capello, Antonio Conte, Eric Abidal e Luís Figo, entre outros.
O ex-benfiquista João Félix, agora um dos nomes de referência no ataque do Atlético de Madrid, venceu o prémio Jogador Revelação do Ano.