sábado, 30 de março de 2024

UM GRIMALDO SAIU E NÃO HOUVE OUTRO ENTRAR

 


"Quem encontra erros em Grimaldo, no Benfica ou em ambos com a saída do primeiro da Luz falha em ver a legitimidade de todos em escolher caminhos separados

Grimaldo deu nome a uma era no Benfica. Foram sete épocas e meia em que, em 303 jogos, marcou 27 golos e assinou 66 assistências, e sobretudo atingiu a dimensão de um dos melhores laterais da Europa. Uma grandeza só confirmada, na perspetiva dos selecionadores de Espanha, com a saída para uma equipa de topo de uma Big Five, no caso a Bundesliga alemã, embora o Bayer, chamado de forma irónica pelos rivais de Neverkusen e Noiva Eterna, dada a dificuldade em consumar a conquista de títulos, esteja longe das águias quando comparadas as respetivas salas de troféus e museus.
Ao defesa, em Portugal, foram associadas duas ideias principais: a primeira de ser um playmaker encostado atrás e à esquerda; a outra, a de ao gosto de subir pelo terreno, pela linha ou por dentro, acrescerem fragilidades defensivas. A análise variou, consoante a sua participação nos golos marcados ou nos consentidos.
Ainda há dias escrevia sobre Kokçu e a melhor forma de o enquadrar num 11 a fim de lhe extrair o melhor rendimento, e a solução, para mim óbvia, só se encontrará numa resposta coletiva. Junto o mesmo raciocínio a Grimaldo e não é difícil perceber que ainda poderia ter sido mais influente no Estádio da Luz. Nem sempre teve a proteção necessária para poder ser o que realmente era, um desequilibrador nato – Enzo Fernández e Florentino Luís fizeram um trabalho extraordinário na cobertura das subidas dos laterais, tanto à esquerda como à direita, com Gilberto e Alexander Bah, na primeira metade da temporada –, nem teve o complemento mais à frente, que lhe permitisse alternar entre a linha e o corredor interior, resultando numa natural falta de largura coletiva. Na época transata, Aursnes teve de aprender a fazê-lo – e não deixa sempre de ser curioso que o melhor posicionamento do norueguês resulte de uma adaptação – embora privilegiasse zonas mais próximas do eixo.
Curiosamente, com o anúncio da saída de Grimaldo e já depois de ter falhado o húngaro Milos Kerkez e de vários outros nomes terem sido noticiados, como o de Renan Lodi, por exemplo, o Benfica apostou numa opção divergente do que significava o espanhol para o processo de Roger Schmidt. David Jurasék, prevendo-se inicialmente que Aursnes jogasse na posição ideal de falso extremo-esquerdo que o tinha tornado uma das figuras do campeonato anterior, era um lateral todo o terreno de linha, que, em teoria, corrigiria a falta de largura que o conjunto manifestava. Ángel Di María, à direita, entregaria o flanco para Bah, porque viria quase sempre para dentro, e os encarnados poderiam assim espalhar-se melhor no terreno no ataque posicional.
No entanto, o jogo das águias estava demasiado viciado em Grimaldo. Não só a herança era demasiado pesada, como o checo, que ao contrário de Bah, por exemplo, não teve uma almofada como Gilberto e foi colocado de imediato a jogar, apresentou não só deficiências técnicas que ainda dificultavam mais a primeira fase de construção do Benfica, tantas vezes dependente do espanhol, como, mais à frente, os restantes jogadores não trabalhavam as superioridades numéricas o suficiente para privilegiar os movimentos sem bola do reforço. Entretanto, Bernat chegou lesionado, recuperou e voltou a lesionar-se, portanto o plano de um segundo Grimaldo presente como precaução também falhou rotundamente.
Mais à frente na linha cronológica da temporada, Morato cumpriu até se tornar insuficiente e Aursnes deixou o lado direito para ser a melhor opção à esquerda mesmo depois da contratação do jovem Álvaro Carreras, que tem deixado mais dúvidas do que certezas e cujo passado recente o colocava para lá da linha do meio-campo e não assim tão perto da baliza que defendia. Não há dúvidas da pobreza que foi o mercado de transferências das águias nas laterais e o quanto isso hoje as condiciona.
Na Alemanha, Xabi Alonso conseguiu extrair o melhor do compatriota (e de Frimpong, à direita) com uma linha de três centrais, algo que só com Jorge Jesus aconteceu, embora na altura o português fosse mais reativo do que proativo, – Roger Schmidt, quando o tentou, já não tinha o espanhol – e este entregou finalmente as provas que os selecionadores da Roja reclamavam e que não conseguiam extrair de uma liga periférica.
Na entrevista dada há dias a A BOLA, Grimaldo lamenta que o Benfica não tenha apostado em si, alega que gostava de ter continuado e garante que continua a ver todos os encontros, mantendo levantada uma ponte com o emblema que representou mais tempo, a nível sénior, na carreira. Desconheço a tabela de vencimentos do clube, mas de acordo com o que tem sido veiculado, Grimaldo já se encontrava no teto salarial ou perto deste, e para haver fumo branco esse teria de ser quebrado. E não por pouco. É legítimo que o clube tenha procurado outras soluções. O argumento do futebolista é que já é um pouco estranho, mesmo que também não lhe possa ser negada a ambição natural de estar numa liga vários degraus acima da portuguesa. Quererá manter viva a ligação com os adeptos que nem sempre o trataram com justiça, de acordo com o que disse. É que nunca se sabe o futuro.
O problema, lá para os lados da Luz, prende-se essencialmente com o navegar à vista depois de falhada a primeira opção, incompreensível após vários meses com conhecimento do que se iria passar e já depois de o próprio ter anunciado a assinatura pelos alemães. Não se trata de uma posição menor, se é que alguma deva ser desvalorizada, mas de uma função bem para lá da mesma. Grande parte do sofrimento das águias hoje está no momento em que desvalorizaram o que o espanhol lhes dava no relvado sem o conseguirem compensar."

sexta-feira, 29 de março de 2024

NEVES COM CABEÇA PARA TUDO, ATÉ PARA MARCAR O GOLO



 Benfica sofrível, novamente com jogo empastado, perante um ‘autocarro’. A angústia dos marcadores nos momentos dos penáltis

O Benfica, na Luz, pôs-se a jeito para sofrer, frente ao lanterna-vermelha Desportivo de Chaves, um dissabor do calibre dos que sofreu contra o Casa Pia e o Farense, que lhe custaram quatro pontos. Chegar ao último minuto com uma vantagem tangencial é patinar em gelo demasiado fino que, por vezes, se quebra. O derradeiro lance da partida com os flavienses, que não teria recuperação possível, aconteceu com um livre lateral favorável aos forasteiros, que fizeram subir a sua força aérea em peso, à procura do empate. Dessa situação nada resultou, mas a verdade é que o Benfica não foi capaz de se blindar, com golos que o protegessem dos insondáveis sortilégios do futebol.
Os penáltis
Por três vezes o Benfica teve oportunidade de se colocar em vantagem (26, 63 e 66 minutos) da marca dos onze metros, e em todas Hugo Souza foi melhor que Di María e Arthur Cabral, este a dobrar. Não fora a péssima execução do argentino, ainda cedo no jogo, e a história da partida podia ter sido outra, com os flavienses a destaparem-se ainda na primeira meia-hora, permitindo mais espaços ao Benfica. Mas como em futebol não há ses, Roger Schmidt foi confrontado, sem surpresa, creio, com dificuldades que são velhas conhecidas na presente temporada, e que radicam no facto de o Benfica pretender ultrapassar muralhas defensivas reforçadas (o Chaves apresentou-se em 4x1x4x1, com linhas muito juntas e bloco baixíssimo, preocupado, acima de tudo, em manter o nulo no placard) com escassa presença na área, com um futebol rendilhado que teve poucos efeitos práticos, e ainda com a agravante de Moreno ter encontrado forma de secar Rafa, que passou ao lado do jogo, retirando-lhe espaços.
A baliza grande
Valeu aos encarnados terem mantido, através de Florentino e João Neves, a equipa bem equilibrada sempre que os flavienses ensaiaram tímidas transições atacantes, e Tomás Araújo ter estado à altura, no que respeita à profundidade dada à defesa, da responsabilidade de substituir António Silva. No mais, foi mais do mesmo, sem oportunidades escandalosas de golo para o Benfica (até as grandes penalidades nasceram de lances inofensivos), e com a equipa a penar, num jogo quase sempre de sentido único, para encontrar uma chave que abrisse o ferrolho transmontano.
Valeu aos encarnados terem atacado, na segunda parte, para aquela que os jogadores há muitas décadas batizaram de baliza grande (a que fica a sul), mas, sobretudo, valeu a execução de fino recorte técnico de João Neves, a pentear um livre lateral tenso batido por Di María. Metaforicamente, o mais baixo dos jogadores encarnados foi o único que teve cabeça para ganhar um jogo que estava muito complicado. Perante a vantagem encarnada, o técnico flaviense, sem mudanças posicionais, começou por refrescar o meio-campo com Pedro Pinho, Sanca e Hélder Morim, respondendo Schmidt apenas com a troca de ponta-de-lança. Mais tarde (82), Moreno jogou as fichas que lhe restavam, desta feita passando o 4x1x4x1 a 4x4x2, dando companhia, na frente de ataque, através do possante Jô Batista, a Héctor Fernández. O treinador do Benfica apostou em João Mário e Kokçu para dar mais solidez ao meio-campo e, até ao final da partida, o ritmo cardíaco dos adeptos encarnados manteve-se muito elevado, mais pelo que o Chaves podia fazer do que por aquilo que fez. Foi, no fim de contas, uma vitorinha justa dos donos da casa.

NA FINAL DA TAÇA DE PORTUGAL



 À conquista da Taça de Portugal!

O Benfica superou o Novasemente (0-6) e está na final da competição, onde vai jogar com o Torreense já neste sábado, 30 de março.
O Benfica ultrapassou, nesta sexta-feira, 29 de março, o Novasemente, por 0-6, no duelo da meia-final da final four da Taça de Portugal feminina de futsal. No sábado, dia 30 (11h00), discute a conquista do troféu com o Torreense na grande final da prova-rainha, em Sines.
Naquele que foi o quarto confronto entre as duas formações em 2023/24, adivinhava-se um duelo de titãs, no Pavilhão Multiusos de Sines, que se apresentou muito bem-composto.
Com um caudal ofensivo assinalável, o primeiro aviso do Benfica surgiria aos 2' pelos pés de Maria Pereira, a atirar ao lado da baliza de Vanessa Carvalho. Mas o golo acabaria por surgir logo no minuto seguinte (3'), com a ala do Benfica a rematar ao ângulo superior direito da baliza do Novasemente. Estava feito o 0-1.
Os primeiros minutos, de muita intensidade, permitiram ao Benfica chegar, novamente, à baliza adversária. Janice, aos 4', atirou para a defesa de Vanessa Carvalho, e Fifó, na recarga, colocou a bola dentro da baliza. Um remate certeiro que viria a ser anulado pela equipa de arbitragem (após consulta das imagens do suporte de vídeo) por considerar que a guarda-redes tinha a bola na mão.
Mas, aos 14', o 0-2 foi mesmo uma realidade. Lance trabalhado na bola parada, com Fifó a repor o esférico em jogo e Janice, de fora da área, a rematar cruzado para o segundo golo da tarde.
O Novasemente ia tentando responder e, aos 18', Lara Neves teve nos pés a oportunidade soberana de reduzir a desvantagem, mas a bola acabaria por esbarrar na malha lateral.
Intervalo no Multiusos de Sines, com o Benfica, em clara superioridade, a recolher aos balneários em vantagem (0-2).
Quatros minutos decorridos da segunda parte, e Inês Fernandes a aumentar a contagem (0-3). Grande lance individual da capitã das encarnadas, que, de pé esquerdo, não deu hipótese à guardiã Vanessa Carvalho. Golaço!
Com a expulsão de Lídia Moreira (Novasemente), aos 32', o Benfica aproveitou a superioridade numérica para chegar ao 0-4. Mais uma assistência de Fifó para o tiro certeiro de Janice.
Perante um Novasemente em sérias dificuldades e a arriscar tudo no 5x4, a formação de Alex Pinto ia aproveitando os espaços e, aos 34', chegaria à mão-cheia de golos (0-5), pelos pés de Fifó.
A apenas um minuto e meio do apito final, Janice desarmou Catarina Lopes e ofereceu o 0-6 a Fifó. Estavam fechadas as contas da segunda meia-final, e o Glorioso está, novamente, no momento das decisões.




DECLARAÇÕES
Alex Pinto (treinador do Benfica): "Tivemos um controlo emocional muito grande e, apesar de nos primeiros dois minutos não ter surgido logo o golo, conseguimos manter-nos focados e traçarmos bem o plano de jogo que tínhamos para esta partida. As jogadoras estão de parabéns pela forma rigorosa como conseguiram pôr o plano de jogo em prática. Fomos Benfica, fomos uma equipa com intensidade, controlo de jogo, posse de bola, a criar situações. Também nas bolas paradas tivemos imenso rigor, e isso fez com que saíssemos vencedores. [Sobre a final com o Torreense] Desde o primeiro momento que dizemos que queremos levar o troféu, mas respeitamos muito os adversários. Parabéns ao Torreense por ter chegado à final. Aguardaremos um jogo disputado, onde quem chega a uma final sonha com o erguer de uma Taça. Menosprezar o adversário é o primeiro passo para a derrota, não o faremos."
Janice (pivô do Benfica): "Quero dar os parabéns a esta excelente equipa do Novasemente, que tem feito um campeonato de topo, e estou muito feliz pela nossa vitória. Agora estamos na final, e é a final que vai decidir quem será o grande vencedor. Quero convidar todos os Benfiquistas para que apareçam com tudo para nos apoiar porque os adeptos são fundamentais em cada jogo. Final é final, tanto pode cair para o nosso lado como para o delas."
O Benfica joga a final diante do Torreense – que bateu o Futsal Feijó, após grandes penalidades – neste sábado, 30 de março, às 11h00, também no Pavilhão Multiusos de Sines.
Novasemente-Benfica
0-6
Pavilhão Multiusos de Sines
Cinco inicial do Benfica
Ana Catarina, Inês Fernandes, Fifó, Maria Pereira e Janice
Suplentes
Alexandra Melo, Marta Costa, Dricas, Sara Ferreira, Inês Matos, Leninha, Angélica Alves e Mariana Teixeira
Cinco inicial do Novasemente
Vanessa Carvalho, Júnior, Carol, Lara Neves e Lídia Fortes
Suplentes
Diana Monteiro, Joana Moreira, Tuca, Nancy Freitas, Catarina Lopes, Martinha, Sofia Castro e Mariana Torres
Ao intervalo 0-2
Golos
Benfica: Maria Pereira (3'), Janice (14' e 32'), Inês Fernandes (25') e Fifó (34' e 39')

FAZ O QUE EU DIGO...

 


"Os erros de adolescente de Fábio Paim e os erros sucessivos de Sérgio Conceição. Uma pena

Fábio Paim voltou há poucos dias à ordem do dia. Um dos maiores talentos do futebol português passou ao lado de uma grande carreira. Não é uma frase feita, é mesmo a realidade.
Depois de Futre, Figo e Cristiano Ronaldo, para só falar dos maiores forjados nas escolas dos leões, todos consideravam que Fábio Paim seria o próximo grande craque made in Sporting. Com um talento ímpar, o extremo estava talhado para atingir o estrelato. Foi isso que todos pensaram quando rumou ao milionário Chelsea ainda adolescente. Contudo, não estava preparado para abraçar o sucesso, deslumbrou-se com o muito dinheiro e falhou. Em grande.
Foi cometendo erros atrás de erros até que todos os sonhos se desvaneceram. De forma irreversível. ‘Como é possível falhar com tanto talento?’, foi a pergunta que todos fizeram durante anos. A resposta é simples. «Sou um exemplo para o bem e para o mal.» É assim que o próprio explica uma carreira completamente falhada. Hoje, aos 36 anos. Depois de até, durante um percurso muito atribulado, ter acabado na prisão.
Agora encarnada o projeto Faz o que eu digo, não faças o que o que fiz! O objetivo é ajudar os jovens a não cometer os mesmos que ele. Nada mais louvável. Que o exemplo seja seguido. Por todos.
Não são só os jovens que cometem erros. Todos os cometemos. Sérgio Conceição acaba de cometer mais um. Por mais argumentos que apresente, não há justificação para ir pedir explicações em pleno relvado a um árbitro depois de um jogo de crianças. Seja em Portugal, na China ou em.. Espanha. Muito menos porque um filho seja um dos intervenientes. Um treinador tem de ser um exemplo. Dentro e fora do campo. A começar pelo papel de pai.
Sérgio Conceição tem feito um percurso fantástico no FC Porto e o trabalho dele só não é mais louvado dadas as próprias atitudes. Várias. Demasiadas. Sejam com homólogos, jogadores ou árbitros. Uma pena, sem dúvida.
Ainda vai muito tempo. Afinal, começou a carreira de treinador apenas em 2011. Ainda nem pode considerar-se um... adolescente."

LIGAÇÕES PERIGOSAS

 


O treinador do Benfica - Roger Schmidt - concedeu 5 dias de férias, aos jogadores que não foram convocados para as respetivas Seleções Nacionais.

Enquanto "12° jogador" do clube, procurei fazer também os meus 5 dias de férias das redes sociais.
No entanto, e por mais que me tentasse alhear das escandaleiras do futebol que temos, e de tudo o que o envolve, reparei, por exemplo que um treinador, que já por 20 vezes foi expulso do banco de suplentes - nada reincindente, portanto -, decidiu invadir o terreno de jogo, numa partida de sub-9, para tirar satisfações com um árbitro.
Até fico curioso para saber se vai ter moral para continuar a fazer o mesmo em jogos da Liga!
Como dizia um conhecido adepto portista, que trata as redes sociais à cabeçada: se «não morreu ninguém, nem ninguém foi para o hospital, então está tudo bem».
Se cheira a negociata, então é porque é uma negociata. Depois de conhecidas as ligações do candidato a vice-presidente na lista de Pinto da Costa à compra de terrenos onde o atual presidente portista quer construir a Academia do clube, agora, João Kholler aparece ligado a um fundo que se prepara para assumir uma posição maioritária no Estrela da Amadora.
O fundo em questão chama-se Kickoff é está ligado à empresa de João Kholler, designada Quadrantis. Começa agora a perceber-se melhor o que diz André Villas Boas quando garante que, se for eleito, Pinto da Costa acabará por entregar O poder ao seu putativo vice-presidente. O que ajuda a explicar o motivo pelo qual André Villas Boas receia que o FC Porto não esteja a eleger um presidente, mas sim um dono.
De resto, se tudo isto se estas suspeitas se confirmarem, as entidades reguladoras do futebol português terão de atuar na defesa da transparência e verdade desportiva. Já não bastava a ligação entre o Porto e o Portimonense através de um proprietário de um clube que é accionista de referência do outro, como agora se perfila a hipótese de um clube detido por um fundo com ligações a um putativo vice-presidente do FC Porto.




O treinador Campeão Nacional e vencedor da Supertaça foi galardoado com o prémio de treinador do ano do SLBenfica, na Gala Cosme Damião, que este ano comemorou os 120 da existência do clube. Goste-se ou não dele, nada seria mais justo do que este reconhecimento.
Agora que passaram 5 dias de férias, lutemos TODOS JUNTOS pelo 39 e sejamos o 12° jogador que o Sport Lisboa e Benfica necessita.
VIVA O BENFICA
UNIDOS SOMOS MAIS FORTES 🔴⚪🦅

Alberto Mota, in Facebook

quinta-feira, 28 de março de 2024

O MELHOR DISCURSO DA NOITE



 

"ESTE HOMEM RESPIRA BENFICA POR TODOS OS POROS!

1. Não preciso elencar aqui o curriculum do Toni enquanto jogador do Benfica. Não há quem não o considere um dos maiores da nossa história.
2. É como treinador que nem sempre reconhecem a Toni o devido valor. Foi sempre chamado, qual bombeiro, em alturas de aflição, mas das duas únicas vezes que treinou a equipa do princípio ao fim da época foi campeão: em 1988-89 (com mais 13 que o Porto se a vitória valesse 3 pontos) e em 1993-94, depois do dramático verão quente de 1993.
3. Mesmo quando foi chamado a meio das épocas para safar problemas, conseguiu obter resultados: substituiu Skovdahl e atingiu a final da Taça dos Campeões (atual Liga dos Campeões) em 1987-88; substituiu Ivic e ganhou a Taça de Portugal em 1992-93.
4. O benfiquismo de Toni fê-lo até aceitar - coisa impensável! - passar de treinador principal a treinador adjunto depois de se sagrar campeão: aconteceu quando aceitou fazer parte da equipa técnica de Erikson para a época 1988-89.
5. Mário Wilson tratava Toni como "o meu filho branco". E Toni não fez a coisa por menos - fez ontem um discurso como só o "pai" Mário Wilson era capaz de fazer: cheio de sentimento, cheio de garra, cheio de emoção, cheio de benfiquismo. E não se esqueceu de fazer uma justíssima referência àqueles que são o mais valioso e mais insubstituível património do Sport Lisboa e Benfica: os seus adeptos! (ver vídeo)
6. Homens como Toni deviam ser chamados a transmitir as suas úteis experiências e o seu enorme benfiquismo a todos os que trabalham no futebol - e não só! - do clube: da formação ao plantel principal - jogadores, técnicos e staff - todos têm muito a aprender com o seu exemplo.
7. Agradeço ao Toni ser seu amigo. Que delícia e que privilégio é ouvi-lo desfiar as suas incríveis memórias do Benfica, as suas incríveis memórias do futebol, as suas incríveis memórias da vida. Parabéns pelo prémio e um forte abraço com Saudações Benfiquistas, meu caro Toni."

A GRANDE TRAMÓIA DOS PARAGUAIOS FUGITIVOS



 "Em Junho de 1932, o Atlanta abriu as portas a um grupelho de 17 jogadores estrangeiros e inconvenientes.


Nascido em Buenos Aires, a 18 de outubro de 1835, Manuel Pedro de la Quintana Sáenz Gaona chegou à Presidência da República Argentina no ano de 1904. Experiência curta. Dois anos depois dava o lugar a Alejo Julio Argentino Roca Paz, não por vontade própria, não por vontade popular, mas apenas porque a morte, essa incansável Senhora da Gadanha, resolveu levá-lo consigo. A cerimónia de transferência de poderes foi bisonha mas mereceu um gesto amigável dos Estados Unidos que enviaram um navio de estadão de nome Atlanta em representação do seu presidente. O nome caiu bem numa série de moços, na sua maioria estudantes e interessados na política, que logo aí resolveram fundar um clube de futebol com o mesmo nome, o Club Atlético Atlanta. Enfim, na Argentina desse tempo qualquer motivo era bom para se fundar um clube de futebol, mesmo que metesse a morte de um presidente ao barulho.
O Atlanta – que acabaria por se tornar num persistente frequentador da I Divisão (64 épocas, ao todo) – não perdeu a aura de clube de rapazolas. Tanto assim que não tardou a ganhar uma alcunha convincente: Bohemios. Mas vamos dar um salto no tempo e entremos em 1931, o ano em que o futebol argentino entrou prodigamente no profissionalismo. Pelo caminho, a boémia e a estúrdia que era característica dos que dirigiam o clube, acabara por ter custos e os resultados podiam ser simpáticos para boémios de pai e mãe mas pouco interessantes para os adeptos. É então que uma ideia peregrina entrou pelas portas escancaradas do descontentamento: comprar um camião de estrangeiros, quase todos paraguaios e fugitivos da eminente Guerra del Chaco, um conflito bélico entre a Bolívia e o Paraguai, que se estendeu de 1932 a 1935 e originado pela disputa da região do Chaco Boreal, sendo uma das causas a descoberta de petróleo no sopé dos Andes. No mês de junho de 1932, dezassete jogadores estrangeiros, treze deles paraguaios, passaram a vestir a camisola do Atlanta. Um autêntico bacanal!
Antonio Sturla, o presidente do Atlanta, estava com craques argentinos pelas orelhas. Ou, melhor dizendo, pseudo-craques argentinos. Tinha adquirido no princípio da época gente com nome feito, o guarda-redes Octavio Díaz, Juan González, Pascual Molinas, José Bussano e Marcelo Tamalet, todos eles recebidos com um entusiasmo heroico rapidamente levado pelo vento das esperanças vãs à custa de cinco derrotas consecutivas. Resolveu dizer: «Basta!». E vai de trazer o tal contentor de paraguaios fugidos à guerra. Na verdade, Sturla não queria aquela tralha toda de uma vez mas, quando começou a negociar com os chefes de grupo, ouviu o ultimato: «O viajan todos o nadie!». Pensou dois minutos e respondeu: «Que vengan todos!». Foi já com toda aquela malta instalada numa quinta, La Quinta de Merlo, que algumas verdades inconvenientes começaram a vir a lume. Quatro deles, que se diziam jogadores do Atlético Posadas, tinham pouco ou nada de jogadores: eram missionários que encontraram refúgio atrás de uma bola, mesmo não sabendo muito bem o que fazer com ela. O mais conhecido do grupo, o defesa Romildo Etcheverry, não tardou a fugir para os braços do bem mais apetitoso Boca Juniors. Mesmo assim, no primeiro jogo em que os paraguaios vestiram a camisola do Atlanta, frente ao River Plate, cerca de 40 mil pessoas demandaram o estádio para ver os malabaristas trânsfugas. Não viram nenhum e o River ganhou fácil por 3-0. Na jornada seguinte, frente ao Boca Juniors (1-2), assistiram a um espetáculo ainda mais grotesco: além de não lhe darem nem de bico, como gosta de dizer o povoléu, os paraguaios abandonaram o campo a meio da segunda parte acusando o árbitro de estar a roubar o Atlanta por puro racismo. Antonio Sturla não teve outro remédio se não tratar de começar a despachar paraguaios pela borda fora tal como os deixara entrar às pazadas. Espalhou quatro ou cinco por clubes menores, três regressaram a casa, e ficaram apenas Tranquilino Garcete, Porfirio Sosa Largo e Aurelio Munt, ou seja, os que não enganavam ninguém e eram, na verdade, jogadores no autêntico sentido da palavra. Mas a confusão instalara-se como as raízes de um carvalho-roble: durante essa época, o Atlanta utilizou nada menos de 66 jogadores e, mesmo assim, não se safou de ter de jogar a liguilha pela manutenção. Dos que voltaram para o Paraguai pouco ou nada se sabe. Não conseguiram conservar as carreiras. Provavelmente esperavam por eles uma farda e um fuzil. Talvez revelassem mais pontaria com ele do que com os pés."

UMA GRANDE GALA

 


"O destaque desta edição da BNews é a Gala dos 120 anos do Sport Lisboa e Benfica, na qual foram entregues os Galardões Cosme Damião.

1. Mensagens importantes
Na intervenção inicial, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica enalteceu a gloriosa história do Clube ao longo dos 120 anos de vida, motivo de orgulho e inspiração para as conquistas vindouras.
Rui Costa referiu a honra, responsabilidade e ambição inerentes a quem representa e defende o Benfica, vincando a necessidade de união de todos os Benfiquistas e lembrando que, com união, as várias equipas do Clube estão sempre mais próximas das vitórias.
Veja ou reveja no Site Oficial.

2. Distinções merecidas
As escolhas foram difíceis, tantos foram os nomeados em função do muito sucesso alcançado na pretérita temporada e no início da presente.
Os Benfiquistas votaram em Roger Schmidt para Treinador do ano, elegeram António Silva como Futebolista e João Neves como Revelação. A Otamendi coube o Galardão Liderança.
No feminino, as distinções foram para Francisca Nazareth (Futebolista) e Andreia Faria (Revelação), além da equipa de futebol ter sido eleita Modalidade do ano.
O Atleta de Alta Competição mais votado pelos Benfiquistas foi Diogo Ribeiro.
Saiba quem foram os restantes galardoados no Site Oficial.

3. Justas homenagens
Toni foi agraciado com o Galardão Carreira, Pietra foi lembrado com o Galardão Mérito e Dedicação e a Eriksson foi entregue o Galardão Homenagem.
Instituído nesta edição da Gala, o Galardão Fundação foi entregue ao projeto "Benfica Faz Bem". A BTV Experience, uma parceria da BTV e da NOS, mereceu o Galardão Inovação. A Casa do Benfica em Genève também foi distinguida. A Emirates é o Parceiro do ano e a primeira Casa do Benfica 2.0, em Santarém, o Projeto do ano.

4. Atividade das seleções
Foram 8 os futebolistas do plantel da equipa principal do Benfica em representação, ontem, de várias seleções.

5. Um treino diferente
Os comandados de Roger Schmidt contaram com a presença de muitos colaboradores e familiares destes na sessão de treino realizada ontem de manhã.

6. Ambição
Benfica disputa hoje, às 17h45 em Lyon, a 2.ª mão dos quartos de final da Liga dos Campeões de futebol no feminino. Filipa Patão dá conta da mentalidade competitiva da equipa, que acredita poder reverter a desvantagem na eliminatória (1-2 na Luz): "Impossíveis não existem, muito menos no futebol. Só são impossíveis até alguém as tornar possíveis. Temos o nosso valor, também somos uma equipa com qualidade, temos tudo a ganhar e nada a perder. Portanto, vamos com esse espírito para Lyon."

7. Agenda do dia
Hoje há outro jogo. A equipa feminina de andebol recebe, na Luz, a Academia São Pedro do Sul. O apito inicial está marcado para as 19h30.

8. Benfica 1 Minuto
A atividade benfiquista dos últimos dias em 60 segundos.

9. Casa Benfica Belmonte
Esta embaixada do benfiquismo celebrou 20 anos."

ASSUNTOS DE FAMÍLIA

 

A FRENTE EXTERNA

 


"Estamos, pelo terceiro ano consecutivo, nos quartos-de-final de uma competição europeia. Neste século, o Benfica foi o único clube português a consegui-lo, já depois de, entre 2010 e 2014, ter logrado cinco presenças seguidas nesta adiantada fase das provas.

No século anterior, só em mais duas ocasiões tal sucedera: de 1961 a 1963, e de 1992 a 1995.
Globalmente é, pois, a quarta vez que perfazemos este, digamos 'hat-trick'. O FC Porto alcançou-o apenas entre 1993 e 1995, e o Sporting nunca dele sequer se aproximou.
Acresce que esta edição da Liga Europa é, argumentavelmente, a melhor de sempre.
Desde que foi reformulada em 2009, a prova nunca teve, entre os seus últimos oito clubes, quatro antigos campeões. Estão em prova Benfica (2 títulos), Marselha (1 título), Liverpool (6 títulos) e Milan (7 títulos). Mesmo na anterior Taça UEFA, só em 1996 (Bayern, Barcelona, Milan, PSV e Nottingham) e em 2002 (Inter, Milan, Feyenoord, PSV e Dortmund) houve mais ex-campeões continentais nesta fase, ainda assim somando menos títulos entre si.
Estamos também perante a edição com mais equipas dos principais campeonatos europeus, os chamados 'big five'. Na verdade, todas, excepto o Benfica. Entre Liga dos Campeões e Liga Europa, dos 16 emblemas presentes, só o Glorioso não representa esses países (Inglaterra, Espanha, Itália,  Alemanha e França). Já nas duas temporadas anteriores o nosso clube se intrometera de modo singular no meio dos tubarões da Champions. Somos assim os resistentes a uma onda que cada vez mais concentra meios (e vitórias e títulos) nas ligas mais ricas.
Na última década, nenhuma equipa portuguesa chegou a quaisquer meias-finais europeias. Devemos fazer os possíveis, e até os impossíveis, para lá chegar. Depois... logo se verá. Os sonhos não pagam impostos."

Luís Fialho, in O Benfica