sábado, 28 de setembro de 2019

FALAR A SÉRIO


"Nesta terça-feira, às vésperas da Assembleia Geral de hoje, o Presidente Luís Filipe Vieira fez um interessante ponto de situação sobre a actualidade do Clube e da Benfica SAD, na extensa entrevista que concedeu à TVI. Em primeiro lugar, porque, como costuma acontecer nas suas escassas intervenções públicas desta natureza, voltou a não se eximir a responder com franca clareza a todas as questões do jornalista; e depois, porque usou de uma constante serenidade e bonomia na análise de todos os temas que lhe foram propostos.
Todos vimos um Presidente muito seguro de si, dos seus conceitos e do rigor do exercício das suas equipas nas áreas desportivas, de gestão e de finanças, de património e de marketing, assim como relativamente aos assuntos decorrentes dos sinistros ataques que criminosamente lançaram sobre nós. Ao reiterar as suas convicções fundamentadas num percurso feito a pulso pelos Benfiquistas e pela estrutura profissional que escolheu, todos constatámos a confiança com que Luís Filipe Vieira encara e nos aponta, com orgulho, o verdadeiro rumo certo para o Futuro do Benfica.
O Sport Lisboa e Benfica representa sempre um apetecível tema de conversa para os players da comunicação social: é o clube português que, de longe, concita o maior número de adeptos e, logo por essa razão e como decorrência, é, naturalmente, a instituição portuguesa que maior cobiça (e mais dedicada inveja...) suscita no universo mais alargado dos adeptos dos assuntos relacionados com o desporto.
E na presente conjuntura, quando é universalmente patenteada e assumida a condição de hegemonia desportiva do Glorioso, enquanto, simultaneamente, o Benfica sem tem visto vilmente atacado de todos os lados adversários sem razão, sem fundamento e através de processos criminosos, naturalmente que o resultado da audimetria dos espaços de emissão dedicados pela TVI à entrevista ao Presidente pulverizou nesse serão a maioria dos registos relativos a todos os debates, todos os noticiários, todas as campanhas eleitorais, todas as novelas e todas as palhaçadas que constatavam na oferta televisiva de todos os canais...
Afinal, nessa noite, alguém falava a sério, acerca de um tema verdadeiramente universal."

José Nuno Martins, in O Benfica

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

ELÉCTRICOS CADA VEZ MAIS VERMELHOS


"Josef seguiu o caminho do pai. Não na morte, claro, que era ainda uma criança. No futebol. Era pobre e jogava descalço. Primeiro nos juniores do Hertha de Viena, depois em clubes menores como Schustek ou o Farbenlutz. E marcava golos. Marcava golos e golos e golos.

Para checo, essa língua bicuda, cheia de ângulos retos e triângulos isósceles, Bican até é um nome redondo. Tal como Huss. Um dia eu estava na velha praça de Praga, de frente para a estátua de Jan Huss, e os meninos jogavam à bola sem vaidade nem metafísica. Porque também não há metafísica numa velha praça que se chama precisamente Velha Praça, ou Staromstské nám, se quiserem encher-lhe o nome com os paralelepípedos que revestem o chão.
Nessa língua que desafia a geometria, Huss soltou um gemido à medida que as chamas iam consumindo o seu corpo e sua propagada heresia: «Svatá prostota!». Santa simplicidade! No lugar onde se ergue a sua estátua, o fogo recusava-se a devorá-lo para desespero do seu algoz, o Bispo de Lodi. Então, uma mulher do povo, movida pelo espírito prático das gentes que sentem ter sempre algo para fazer e recusam o ócio como um pecado, aproximou-se das lentas labaredas inquisitoriais e robusteceu-as com os ramos secos de azevinho que trazia às costas. Talvez nem ela mesmo soubesse porque o fez. Era apenas uma fogueira que não ardia e ela sabia como fazê-la arder. Fê-lo com a mesma santa simplicidade com que os meninos jogavam à bola nessa tarde de Dezembro em que eu estava em Praga e a neve caía do céu, branca e leve, branca e fria, há quanto tempo a não via, e não, meu Deus, não tinha saudades porque ao contrário de Augusto Gil não acredito em Ti, com maiúscula ou seu maiúscula.
Huss foi assassinado e os checos distanciaram-se desse Deus católico, apostólico e romano que mandava assar as almas que punham em causa as suas leis indubitáveis. Era um homem livre e gostaria de ter visto, em redor dos seus pés de bronze, meninos encapuzados correndo atrás de uma bola, soltando bafos de condensação à medida dos seus esforços que faziam perigar as meses das esplanadas praticamente vazias.
O filho de František e Ludmila Bican, Josef, também era checo. Nasceu quase 500 anos após a morte de Jan Huss, em Viena, no Império Áustro-Húngaro, mas a sua família era de Sedlice, na Boémia. František jogou no Hertha de Viena e combateu na I Grande Guerra. Uma vez, durante um jogo, foi atingido por um adversário com uma joelhada na zona dos rins. Desprezou a dor. Não tardou a morrer.
Josef seguiu o caminho do pai. Não na morte, claro, que era ainda uma criança. No futebol. Era pobre e jogava descalço. Primeiro nos juniores do Hertha de Viena, depois em clubes menores como Schustek ou o Farbenlutz. E marcava golos. Marcava golos e golos e golos.
Dizem que nos 406 jogos da sua carreira marcou 607 golos. Mas as contabilidades são tão fiáveis como as palavras. Também me lembrei de Bican, nessa tarde em que vi os meninos correndo atrás da bola sem metafísica na grande praça velha no centro da cidade. E, como recordo sempre um poema qualquer de um poeta qualquer, por causa de tudo o que o meu pai me ensinou acerca de poemas, lembrei-me igualmente de Oldich Mikulášek, poeta checo, que escreveu: «E os homens/Mesmo os mais tristes/Deixavam derreter a neve/Nas sombras dos seus rostos fechados...».
Em 1925, Bican, a quem chamavam Pepi, recebia um schilling por cada golo marcado. Não tardou a ser contratado pelo famoso Rapid de Viena e a ser protagonista de uma polémica transferência para os inimigos do Admira. Era um homem bruto dentro de campo. Abusava dos seus ombros largos e do seu peito ancho, rematava com uma potência inaudita e era obcecado pelas balizas adversárias.
O tempo trouxe consigo o nazismo, e Bican era um homem que prezava muito a liberdade. Foi para Praga, para o Slávia, o seu nome foi escutado por todos os cantos da Europa. Em 11 anos jogou 217 jogos pela equipa da estrela vermelha ao peito e marcou 395 golos. Era o seu destino.
Pepi corria os 100 metros em 10,8 segundos e, por brincadeira, colocava 10 garrafas de cerveja equilibradas na trave de uma baliza deitando-as abaixo com precisão chutando um bola à distância de 25 metros.
O tempo trouxe consigo o comunismo. Antonín Zápotocký, que foi Presidente da República, nunca lhe perdoou a desfeita de ouvir o povo, nas manifestações de Maio, gritar: «Viva Zápotocký!» à mistura com «Viva Josef Bican!».
Josef deixou de ser checo para ser apenas um burguês austríaco, ele que viera da pobreza absoluta. Foi obrigado a sair do pedestal e a jogar em clubes menores como o FC Vítkovice ou o FC Hradec Králové. Nunca lhe perdoaram o espírito aberto do tamanho do seu sorriso. Viveu em Brno onde foi treinador e Mikulášek trovava: «O tempo estava tão belo/Na cidade de Brno/e o velho feiticeiro/cofiava a barba/procurando reparar as injustiças...». Envelheceu vendo passar os elétricos cada vez mais vermelhos."

«SE FAZ SENTIDO O LEMA DO BENFICA, É AGORA»

                                           

FUTEBOL
O técnico encarnado perspetivou a 7.ª jornada da Liga NOS, onde o Benfica vai receber o conjunto do V. Setúbal, falou sobre a estratégia e ainda relembrou a importância do lema do Clube: De todos um!
O SL Benfica recebe o Vitória de Setúbal, numa partida marcada para as 19h00 de sábado. Bruno Lage fez a antevisão a este duelo, falou sobre o momento atual da equipa encarnada, do apoio dos adeptos e ainda enalteceu a importância do lema do Clube da Luz: De todos um!
Bruno Lage
O Benfica vai encontrar uma equipa que não sofre golos há quatro jogos. Que Vitória de Setúbal espera encontrar sábado na Luz?
É uma equipa que não tem um registo de golos acentuado, mas, por outro lado tem uma organização defensiva muito forte, a par com as melhores equipas. É um conjunto que vai entrar em campo tentando retardar o máximo possível o nosso golo e com a intenção de criar perigo pelos três homens da frente, que são jogadores com enorme capacidade individual, muito rápidos e que podem marcar golos. Preparámo-nos para isso. Temos de ser pacientes, mas essa paciência não pode implicar uma circulação de bola lenta. Tem de ser uma circulação em velocidade, mas paciente. Temos de retirar os homens dos espaços onde queremos entrar para criarmos as nossas oportunidades de golo.
Bruno Lage
O gesto de pedir calma aos adeptos marcou o final do jogo na Luz para a Taça da Liga. Acha que os adeptos às vezes não têm consciência que a sua manifestação de impaciência pode afetar o rendimento da equipa?
Às vezes estamos ali tão confortáveis a viver o jogo que sinceramente nem me apercebi da manifestação do público nem do meu gesto. Os adeptos são exigentes com a equipa porque o Clube assim os habituou. Nos últimos seis meses, concretamente com as exibições que a equipa foi realizando no Estádio da Luz. Termos atingido os 103 golos, algo que poucas equipas conseguiram igualar. O início de época que nós tivemos a vencer a Supertaça, pela maneira que nós vencemos, e depois a pré-época fantástica que realizámos leva-nos a isso. Leva-nos à exigência daquilo que é a grandeza do Clube e daquilo que estes jogadores nos habituaram. Há que perceber o momento, e este é aquele momento em que cada vez faz mais sentido olharmos para aquilo que é o lema do Benfica: "De todos um". Porque se a equipa precisou dos adeptos quando estávamos a perder por 0-2 com o Rio Ave [16.ª jornada da época 2018/19] e o Benfica do povo estava lá para nos ajudar, se a cinco minutos do fim do jogo com o Moreirense os adeptos estiveram todos lá a apoiar até ao fim, então todos juntos seremos mais fortes. De todos um com o Benfica porque esta equipa vai dar muitas alegrias aos adeptos.
Bruno Lage
Sente, em função dos últimos três jogos, que é necessário fazer uma boa exibição para além do resultado?
Essa é sempre a nossa intenção. A minha forma de trabalhar leva-me a isso. Exigência máxima dos adeptos. Exigência máxima do treinador aos jogadores. Máxima responsabilidade para quem está a trabalhar nesta equipa. De todos um! Apoiem os jogadores, deem-lhes o conforto necessário para que percebam o momento e para que percebam que todos juntos seremos mais fortes. Se faz sentido o lema do Benfica é agora. Percebemos muito bem o caminho que queremos ter, percebemos muito bem aquilo que deixámos de ter de uma época para a outra, percebemos muito bem o tempo que temos de ter para voltar a fazer esse caminho, por isso o que peço é que continuem a apoiar os jogadores.
Bruno Lage
Depois do jogo com o V. Setúbal o Benfica tem uma deslocação longa até São Petersburgo. Já equacionou esta deslocação durante esta semana de trabalho?
É um jogo de cada vez. Nós temos de vencer este jogo porque a sequência de resultados, de exibições e de rendimento é que nos leva ao registo que nós pretendemos. É jogo a jogo.
Bruno Lage
O regresso de Gabriel pode ser também um ponto de viragem para a situação atual do Benfica?
Não gosto de evidenciar ninguém, mas há jogadores, que pelas suas características, trazem coisas ao grupo que nos permitem que o coletivo tenha outros argumentos. Não quer dizer que seja melhor ou pior. Em função daquilo que é jogar com o Gabriel a segundo médio, aquilo que é a característica dele que no momento em que perde a bola, dá passos em frente para ter uma transição defensiva mais eficaz. Isto vai sempre depender da forma como queremos jogar. Tudo é em função daquilo que são as nossas decisões e a nossa estratégia para cada jogo vai sempre ao encontro das características dos nossos jogadores.
A mesma situação é o ter Adel ou Gabriel naquela posição. A construção curta e o jogo anterior por Adel é uma coisa e a construção larga e viragem de jogo de um corredor para o outro pelo Gabriel, é outra, por isso, tendo todos disponíveis e percebendo o que vai acontecendo a cada momento, nós temos condições para ser mais fortes.

CRESCIMENTO SUSTENTADO


Hoje é um dia muito importante na vida associativa do nosso Clube. Às 20h30, com segunda chamada às 21h00, terá início, no pavilhão Fidelidade, a Assembleia Geral para apresentação, discussão e votação do Relatório e Contas do Sport Lisboa e Benfica relativo à temporada 2018/19.
A época passada, no âmbito desportivo, celebrámos o quinto título de campeão nacional de futebol nas últimas seis temporadas. Nas modalidades de pavilhão, regressámos ao título nacional no futsal e no voleibol. E, no atletismo, prolongámos a já longa hegemonia na modalidade, celebrando o nono título consecutivo. Na vertente feminina, além do tricampeonato de futsal e do heptacampeonato de hóquei em patins, assistimos ao regresso das equipas de andebol e voleibol, em que ambas subiram de Divisão, e à estreia, ao fim de 114 anos de vida, no futebol e com retumbante sucesso: promoção ao primeiro escalão, campeão da 2.ª Divisão e vencedor da Taça de Portugal. Verificou-se ainda o reforço do Benfica Olímpico e a conquista de alguns títulos e feitos individuais a nível internacional em modalidades com menor notoriedade.
No plano associativo, entraram 21884 novos sócios. Cerca de dois terços dos novos associados inscreveram-se por via digital, confirmando o acerto do investimento nesta área. Ao nível das receitas, a quotização voltou a atingir um máximo histórico anual com 16,884 milhões de euros (crescimento de 5% relativamente ao ano anterior). Aliás, tratou-se do quinto ano consecutivo de incremento das receitas de quotização do Clube, reforçando a sustentabilidade da expansão do associativismo e evidenciando a dinâmica da captação de novos associados em simultâneo com uma maior capacidade de retenção dos sócios.
Ao nível patrimonial, o destaque vai para a anunciada transferência da Benfica Estádio e da BTV, na sua totalidade, para a esfera do Clube. O Clube estará assim indubitavelmente mais forte e protegido neste aspeto, contrariando a tendência que se vai formando um pouco pelo país e que começa a ser bem visível em alguns dos principais clubes portugueses.
E na componente económico-financeira verificou-se, pelo sexto ano consecutivo, um exercício lucrativo com os diversos excelentes resultados conhecidos e que já tivemos aqui oportunidade de analisar.
Muito haveria mais a destacar, nomeadamente a introdução do novo conceito de Casa do Benfica 2.0, a muito meritória ação da Fundação Benfica, a modernização de práticas de gestão e meios em vários departamentos ou ainda a evolução na área comercial do Clube, entre outros. Portanto, fica o convite para uma leitura atenta do Relatório e Contas e a lembrança, novamente, da realização da Assembleia Geral esta noite. A sua presença é importante!
P.S.: Haverá muito Benfica neste fim-de-semana. O destaque vai, naturalmente, para o desafio ante o V. Setúbal, no sábado às 19h00, no nosso Estádio, relativo à 7.ª jornada do Campeonato Nacional de futebol. No domingo haverá o Benfica – Sporting em futsal, às 14h20. Entre as muitas outras equipas do Benfica que competirão este fim-de-semana, refira-se a realização da Supertaça de Futsal (feminino). A partida será em Ponte de Sor no sábado, às 17h00, frente à Novasemente. #PeloBenfica.
News Benfica, in Sport Lisboa e Benfica

SEMANA PEDAGÓGICA


"Se Cervi ou Pizzi tivessem convertidos dois golos cantados, Bruno Lage teria sido genial a escalar o onze inicial frente ao Leipzig

1. Na semana passada, houve um comunicado da SL Benfica - Futebol, SAD, com informação económica e financeira consolidada relativa ao exercício findo a 30 de Junho, realizou-se o primeiro jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões e, por fim, o desafio em Moreira de Cónegos.
Quanto ao primeiro ponto, importa assinalar um conjunto de dados económicos, financeiros e patrimoniais que evidenciam a melhoria sustentada da SAD. Entre os elementos divulgados pelo seu C. Administração, transcrevo um ponto estruturante da actual fase de consolidação: «os rendimentos operacionais (excluindo transacções de direitos de atletas) atingem os 165,7 milhões de euros, o que corresponde ao valor mais elevado de sempre alcançado pela Benfica SAD e representa um crescimento de 36,3% face ao período homólogo; esta evolução nos rendimentos operacionais é principalmente justificada pela entrada em vigor do novo critério de distribuição de prémios nas competições europeias da UEFA, para o ciclo 2018/21, que implicou um aumento generalizado dos valores a distribuir (...)».
No que a este assunto do comunicado diz respeito, começou mal o Benfica desportiva e financeiramente (-2,7 milhões), na partida contra os líderes da Bundesliga, o Leipzig. Depois de duas finais na Liga Europa e de uma boa participação na Champions (quartos-de-final, em 2015/16), nos últimos 13 jogos, entre 2017 e 2019, foram 10 derrotas, 2 vitórias - contra o AEK - e 1 empate. Se, realisticamente, não pode haver a ilusão de um Benfica europeu de alto nível (nesta principal competição), também não pode acontecer este decepcionante desempenho.
Concordo com Bruno Lage quando afirmou que o jogo europeu até nem foi mau e não envergonhou os adeptos. Reconheço que o Leipzig tem maturidade colectiva, precisão de passe, simplicidade de processos e arcaboiço físico diferenciadores. Acho que, ao contrário de anteriores épocas, em que a equipa jogava em inferioridade psíquica e tremideira, tal não foi evidente neste jogo. Houve até ocasiões suficientes para, pelo menos, empatar o jogo. A diferença esteve sobretudo na eficácia. A equipa germânica teve três oportunidades e converteu duas. O Benfica teve quatro ou cinco hipóteses para acabar por fazer um só golo.
O futebol é rico em contingências que mudam a feição ou o resultado de um jogo e, inevitavelmente, a sua avaliação. Foi o caso. Se Cervi ou Pizzi tivessem convertido dois golos cantados, Bruno Lage tinha sido genial e escalar o onze inicial. Assim, logo surgiram, de supetão, as críticas a um artificioso 'estado de pré-crise', tão do agrado de certas audiências. Como ele em recordou, em Fevereiro, contra o Galatasaray em Istambul, a rotação e a aposta em 'jovens do Seixal' foi do mestre para a opinião publicada. Agora tal rotação foi considerada excessiva, deslocada e trocada. Cá para mim, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. André Almeida - de fora, por razões compreensíveis - de fora, por razões compreensíveis - foi bem compensado pelo estreante Tomás Tavares, que não tremeu. Do meio-campo para a frente, as lesões em série têm certamente dificultado a gestão do plantel (Gabriel, Florentino, Gedson, Chiquinho, Vinícius). Visto de fora, apenas a não entrada inicial de Rafa foi surpreendente, ainda que Cervi tenha cumprido, e se tivesse marcado o golo que teve nos pés, outro galo cantaria.
Já aqui o escrevi e volto ao assunto. Sejamos realistas. O plantel é inferior ao da época passada. Jonas não tem manifestamente substituto à altura, reconhecendo que se trata de uma missão impossível ter um seu clone à disposição imediata. Quanto a João Félix, também não enxergo uma alternativa à mesma altura, o que não é de estranhar. E quem entrou no plantel? De Raul de Tomas e Vinícius ainda não há evidências de desempenho que justifiquem os 37 milhões que custaram. Chiquinho foi uma boa aquisição, mas metade da época foi ao ar. É certo que o meio-campo tem mais e melhores soluções, pois conta com um recuperado Taarabt, bem como Florentino a confirmar a sua relevância. Acrescem os três Tavares, cada qual com o seu perfil,mas creio com boas perspectivas já nesta primeira época na equipa principal. Na frente, Jota é um jovem que é capaz do bom e do medíocre em minutos seguidos, que precisa de ter mais consistência, ainda que as oscilações de devam também, em meu entender, a diferentes papéis que tem vindo a desempenhar. Caio Lucas não faz esquecer Salvio. Por fim, Samaris parece não contar, ele que foi precioso na conquista do último campeonato.

2. E chegámos ao sábado à noite. Transcrevo, aqui, o título de um dos jornais de domingo (Jornal de Notícias) que define, com humor e clareza, a vitória do Benfica: «Águia benta. Na terra dos cónegos, o milagre da reviravolta aconteceu ao cair do pano». Foi um jogo reconhecidamente insuficiente. Valeram a fezada de alguns jogadores, um inconformado Rafa, uma boa batata frita de Seferovic descarada por um Jota acabadinho de entrar.
Custa a compreender a maneira como a equipa jogou, sobretudo na primeira parte: lenta lentíssima, parada. Nada o justificava, nem o cansaço, nem o tempo, nem o relvado, nem nada. A segunda parte começa com dois lances de perda infantil da bola, perto da área. O primeiro deu em canto. O segundo deu em golo do Moreirense. Em ambos, se viu uma maneira de estar em jogo que não entendo - expliquem-me! - qual seja a de se passarem estéreis minutos em passes e passinhos entre o guarda-redes e os defesas, ora vai para o lado, ora vai para trás, o que, não raro, dá mau resultado, ou termina com Vlachodimos aflito a mandar a bola para as alturas. Aliás, esta 'mania' não é exclusivamente nas equipas portuguesas, sejam as mais poderosas, sejam as de menor valor.
Acontece que o bem acaba é o que faz história e um campeão também se faz com vitórias bem suadas e felizes. A bom propósito, trata-se da 13.ª vitória consecutiva de Bruno Lage em jogos fora de casa (se não é recorde, anda lá perto). Os minutos finais são sempre o clímax do futebol. Deste vez correu bem ao Benfica, nos escassos 3 minutos de 'desconto', diante dos adeptos que jamais deixaram de apoiar a equipa, como era bem audível na transmissão televisiva. Na semana anterior, correu bem ao Porto nos abundantes minutos de descontos sobre descontos. Ambos de cabeça, no caso do Benfica com cabeça, no caso do Porto na cabeça do Nakajima.

3. Na rota europeia, excelente resultado do Sporting de Braga na Inglaterra, no jogo europeu das equipas portuguesas antecipadamente mais complicado. Os outros resultados eram, mais ou menos, o que se esperava. A nossa posição no 'ranking' está agora a aproximar-se do tão almejado lugar ora ocupado pela Rússia, que dá dois lugares directos na Champions e um hipotético terceiro. Para tal, também muito tem contribuído e desempenho das equipas russas, umas já eliminadas, outras com resultados bastante negativos. Realce para o Krasnodar que, depois de ter eliminado o FCP da Champions, levou 6-1 do Olympiakos no conjunto dos dois jogos do play-off e se estreia com uma derrota copiosa (0-5) contra uma equipa helvética. Por associação, tenho presença e declaração de Sérgio Conceição na conferência de imprensa que antecedeu o jogo contra uma equipa também helvética: «é melhor estar a competir para ganhar a Liga Europa, do que ser eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões». Nem nestes momentos, o homem se liberta da sombra do Benfica, credo! Pelo menos implicitamente, já prognosticou, ao fim de uma jornada, o destino dos encarnados (certamente, não se estava a referir a uma eliminação do seu próprio clube numa qualquer fase de grupos...). Só se enganou num ponto que talvez tivesse dado jeito (pelo menos, financeiramente) de FCP: ir à fase de grupos da Liga dos Campeões, ficar em terceiro lugar, e, depois, competir para ganhar a Liga Europa...

Contraluz
- Exemplar: Shéu Han deu uma entrevista à Bola TV reproduzida também neste jornal. Nos tempos conturbados do futebol actual, foi um bálsamo ver (ler) o que o grande benfiquista nos disse. Que saudades tenho de o ver jogar!
- Crime: Segundo a Wikipédia, um black hat («chapéu preto») é um hacker que, além de não respeitar a ética, usa o seu conhecimento para fins ilegais, ilegítimos, criminosos ou maliciosos. Há quem lhe chame cracker. Há crackers que se julgam craques, endeusados sabe-se lá por quem e a troco de quê, defendendo, sem corar, que os fins, para tal tidos como bondosos, justificam quaisquer meios, a não ser para os próprios (os piratas ou os seus defensores). Boa rapaziada, sem dúvida. Com pinta...
- VAR em série...: e vão três seguidas. Expulsão de um infeliz vimaranense no minuto 1, penálti falso em Portimão e, agora, penalidade ensanguentada não assinalada a favor do Santa Clara. Para não VARiar, com mais um árbitro da AF Porto, Rui Oliveira. Tal como no lance de Portimão, espera-se o pedido de desculpas."

Bagão Félix, in A Bola

PRIMEIRAS PÁGINAS: ALVALIXO A FERRO E FOGO


TREINADOR MAS NÃO SANTO


"Será uma lástima se a Champions voltar a ser um caso perdido. Lage e os seus jogadores têm de pensar no que isso dói aos campeões europeus de 1961 e 1962 ainda vivos

Cervi titular com o Leipzig sem um minuto de competição, Cervi de fora no jogo com o Moreirense depois de ter sido titular quatro dias antes com os alemães, tudo é aproveitado para colocar pedras no caminho de Bruno Lage e ensombrar o brilho do seu trabalho.
Nenhuma surpresa quanto a isso. Ele deveria estar preparado para o impacto das derrotas e saber que, mais cedo ou mais tarde, seria contestado e alguém faria emergir a dúvida mais sobre o seu perfil do que sobre a sua competência para assumir o alto cargo de comandante do futebol benfiquista e, através desse enviesado estratagema, atingir o alvo principal que é o projecto do Seixal e o seu extraordinário impulsionador, Luís Filipe Vieira.
Bruno Lage já tinha sido derrotado antes, mas com a nação encarnada e a comunicação social em geral concentradas no objectivo Reconquista, os desaires noutras competições foram encarados como normais acidentes de percurso e, por isso, de irrelevante significado.
O Benfica foi campeão, conquistou o 37.º título, festejou com inebriante entusiasmo por todo o País, diria por todo o Mundo onde vive um português, e a vida continuou em direcção ao 38.º, que é onde estamos, exactamente, neste momento, perante um dado novo, porém: ao 22.º jogo na Liga, Lage perdeu, pela primeira vez, e logo com o FC Porto. Podia ter sido com outro adversário, mas foi com este, o principal rival, e da forma como foi: inquestionável. A partir daqui desencadeou-se um fenómeno curioso.
No essencial, tentou fazer-se crer que a águia entrou em voo desordenado, do qual vai sentir dificuldade em sair devido à impreparação de Lage, produto supremo dessa mania do presidente que vê nos jovens da formação a alavanca que vai devolver à águia o prestígio europeu e mundial que ostentou entre as décadas de 60 e 80 do século passado. Como se não bastasse a ideia louca de Vieira em gerar no Seixal os craques de amanhã, deu-lhe também na cabeça descobrir por lá o treinador que os há de ajudar a crescer.

Benfica, enfim, no caminho certo - foi este o título de uma das minhas crónicas semanais, há meia dúzia de meses. No caminho certo, porquê? Por Vieira, além de ter sacudido de vez os fantasmas do passado, com argúcia e sensatez, ter também tomado uma das mais importantes decisões no seu ministério ao escolher um treinador verdadeiramente sintonizado com o projecto da formação.
A opinião que hoje defendo é precisamente a mesma. Quando se define um fim é normal que, até alcança-lo, haja avanços e recuos, dúvidas, contradições e correcções, um sem número de medidas que se impõem à medida que o projecto cresce e avança e outros desafios se colocam, sempre numa perspectiva de crescimento que pede respostas concretas e seguras.
O Benfica está a fazer esse caminho, e bem. A evolução é constante e, por isso, além de maior clube de Portugal, será já «demasiado grande para Portugal», como o CEO Domingos Soares de Oliveira defendeu, com hábil oportunidade, em recente entrevista à agência EFE.
O emblema da águia quer expandir a sua dimensão universal, abraçar outros mercados, captar novos patrocinadores, gerar riqueza e consolidar uma estratégia de internacionalização que precisa do sucesso do seu futebol, alicerçado no trabalho realizado numa academia de topo a nível mundial. «Para muitos clubes, a obsessão é o resultado imediato. Nós temos uma situação mista: queremos resultados (ganhar o nosso Campeonato e chegar o mais longe possível na Champions), mas também integrar jovens jogadores», sublinhou Domingos Soares de Oliveira.

Se o futebol continuar a ganhar as coisas ficam mais fáceis e o percurso menos árduo. É a área da responsabilidade de Bruno Lage que nos dez meses como treinador principal decidiu quase sempre bem. Prova disso, as muitas vitórias e a conquista de um título que parecia perdido e que imenso orgulho trouxe à família benfiquista. Além de, com a espontaneidade de um puro, ter promovido novo tipo de comunicação, sem gritos, sem agressões, nem bazófias, apenas com simplicidade e graça e com a intenção que me parece genuína de estabelecer laços de saudável convivência com os restantes actores.
À beira de completar um ano em lugar de tamanha exigência e loucamente invejado, aprendeu, seguramente, que deve evitar as falsas palmadinhas nas costas e acolher as referências encomiásticas a seu respeito com a conveniente distância. Por outro lado, deve ter sempre a consciência plena que é, e só, o treinador do Benfica, evitando cair na tentação de se transformar numa espécie de santo milagreiro com poderes de transformar pedras em ouro.
Louva-se o seu entusiasmo em experimentar, adaptar-se e resolver os problemas do plantel com a gente disponível, mas igualmente com os limites que a lucidez aconselha, porque a qualidade não se inventa. Há ou não e, assim sendo, apesar dos azares das lesões, será uma lástima se a Champions voltar a ser um caso perdido.
Lage e os seus jogadores têm de pensar no que isso dói aos campeões europeus de 61 e 62 ainda vivos."

Fernando Guerra, in A Bola

SÓ FALTARAM GOLOS


"Jogo repartido mas em alta rotação, em especial na segunda parte: muita qualidade

Boas entradas
1. Foi um jogo muito interessante, um pouco à imagem das expectativas: o Vitória foi discutir o jogo à Luz. Entrou melhor no encontro do que o Benfica, foi melhor na primeira parte, embora a partir dos 20 minutos o jogo passasse a ser um pouco mais repartido: o Benfica ajustou posicionamento, aumentou a intensidade da pressão, deixou de ser tão fácil ao Vitória chegar ao último terço de terreno. Na segunda parte, o Benfica foi melhorando sempre um pouco mais, sempre em crescendo.

Encarnados em crescendo
2. Para a melhoria de rendimento do Benfica, creio que foi determinante, numa primeira instância, a alteração no posicionamento de Gedson, para dentro, a vir para o corredor central: trouxe mais pressão na zona e mais critério na circulação de bola. A primeira decisão de Bruno Lage em tentar melhorar o jogo foi, pois, bem conseguida. E depois as substituições. A entrada de Gabriel teve impacto no jogo. Nota-se que ainda vem um pouco lento e um bocado preso. Mas com o seu posicionamento, o Benfica deixou de ter dois jogadores na mesma linha, a queimarem linhas de passe, e passou a ter dois jogadores, Gabriel e Taarabt, em alturas distintas, a controlar melhor as operações no meio. Os seus passes quebraram as linhas de pressão do Vitória e aumentaram ritmo ao jogo, já depois de Rafa, ao ser lançado no jogo, acelerar a velocidade e permitir ao Benfica flanquear o jogo pelos corredores laterais. Estas foram as chaves para o aumento gradual de rendimento do Benfica.

Um encontro bem entretido
3. O empate como resultado final aceita-se, pelo que foi acontecendo no jogo, mas creio que não escandalizaria ninguém se o Vitória tivesse chegado ao golo antes do Benfica: teve, na realidade, excelentes ocasiões de golo. Tenho pena que não tenha havido golos: só faltaram, mesmo os golos. Mas houve duas equipas que quiseram ganhar neste 0-0, que, ao contrário do que sugerem os números, foi um bom jogo. Normalmente, quando há um nulo costuma ser sinónimo de receios e atitude mais conservadora, mas não: foram duas equipas a jogar no risco e a tentar chegar ao golo, e arriscar tudo, bem como os seus técnicos. O que redundou num espectáculo bem entretido. Ivo Vieira também deu, sempre, indicações de querer aumentar a qualidade e ir à procura do domínio. E Lucas Evangelista, que lançou para o encontro na segunda parte, é jogador muito talentoso.

Qualidade sempre a subir
4. Confirmaram-se boas indicações do V. Guimarães, já com 15 jogos esta época. Tanto os minhotos como o Benfica - cuja defesa foi muito previsível na primeira parte, e com dois médios muito juntos, permitiu pressão eficaz ao Vitória - alteraram os onzes e não diminuíram a qualidade do jogo: antes aumentaram-na."

João Carlos Pereira, in A Bola

DERROTA PESADA


BASQUETEBOL
SL Benfica disputa a 2.ª mão da 2.ª ronda de qualificação para a Liga dos Campeões no domingo (18h00).
Sport Lisboa e Benfica e Mornar Bar discutiram, nesta noite de quinta-feira, a 1.ª mão da 2.ª ronda de qualificação para a Liga dos Campeões de Basquetebol. No Pavilhão Fidelidade, os montenegrinos foram mais fortes (68-96)... mas está tudo em aberto na eliminatória!
Ultrapassada a ronda 1 da Champions League, deixando para trás a formação holandesa do Donar Groningen com dois jogos plenos de raça e ambição, nova eliminatória, e precisamente a que vale o acesso à fase de grupos da competição, desta feita frente a uma experiente equipa montenegrina.
E que grande início de partida! Depois de uns primeiros instantes com os visitantes a superiorizarem-se através do jogo exterior, resposta imediata das águias… e que resposta! Jogo interior eficaz e inteligente, com os afundanços a levarem ao rubro os adeptos nas bancadas da Luz. Muito equilíbrio, com a formação comandada por Carlos Lisboa a passar para a frente com cinco minutos jogados (12-11), mantendo a posição até ao cabo do 1.º quarto (24-18). Dez minutos de grande espetacularidade!
RESUMO DO 1.º QUARTO
Reatar e os encarnados mantiveram a atitude, não se atemorizando – bem pelo contrário – face à maior envergadura física e agressividade qb do adversário. Boa entrada, contudo, de pouca duração… a formação orientada por Mihailo Pavicevic reagiu prontamente, aumentou os níveis de intensidade e, a meio do 2.º quarto, saltou para a liderança no marcador (28-29). A partir daqui até ao intervalo, mais Mornar, com a equipa de Montenegro a assumir as despesas do encontro e a superiorizar-se. Ao intervalo, 34-43.
RESUMO DO 2.º QUARTO
Benfica a entrar decidido no 3.º quarto e a encurtar vantagens… Enorme apoio vindo das bancadas, com a Família Benfiquista a dizer presente e os jogadores a responderem em quadra. Dez minutos muito positivos dos encarnados, fruto da clara melhoria nas transições rápidas e na eficácia em geral (58-65).
RESUMO DO 3.º QUARTO
Ora, depois de estarem a 5 pontos de concretizarem a reviravolta, as águias não conseguiram suster o maior poderio do adversário. Nos derradeiros dez minutos, logo a abrir, o Mornar averbou 7 pontos consecutivos e não mais permitiu veleidades aos anfitriões. Ponto a ponto, a vantagem foi-se dilatando, com o desafio a terminar com um 68-96, após um parcial de 10-31 neste último quarto.

Cinco inicial do Benfica: Toure’ Murry, Micah Downs, Betinho, Arnette Hallman e Gary McGhee.
Apesar da derrota, tudo em aberto na eliminatória, que viaja de seguida para Montenegro. O SL Benfica disputa a 2.ª mão da 2.ª ronda de qualificação para a Liga dos Campeões no domingo (18h00 em Portugal Continental), na cidade de Bar, num Pavilhão com capacidade para 3 mil adeptos.

AQUECIMENTO - BTV - 26 SETEMBRO 2019