quarta-feira, 29 de julho de 2020

COMPETITIVIDADE GARANTIDA

"O regresso das modalidades de pavilhão ao activo está a intensificar-se por estes dias, com muitos atletas a manterem já a sua forma física nas instalações do Sport Lisboa e Benfica.
No andebol, os treinos colectivos vão começar no dia 3 de Agosto, mas já há um trabalho intensivo a ser desenvolvido durante esta semana – de acordo com as normas de segurança definidas pela DGS – por todos os profissionais que vão representar o Clube nas diversas frentes competitivas. Para a nova temporada desportiva, a equipa conta com seis reforços anunciados, todos com experiência adquirida em grandes campeonatos europeus e, por isso, habituados a altos níveis de competitividade.
Sergey Hernández tem 25 anos, é internacional espanhol e destacou-se como guarda-redes na conceituada Liga ASOBAL. Arnau García, de 26 anos, também já foi internacional por Espanha, reforça a lateral esquerda encarnada e vem de três temporadas no categorizado andebol francês. Com experiência também em França, Matic Suholeznik (25 anos) é internacional esloveno e chega para alinhar na posição de pivô. Para as posições de ponta, foram contratados Ole Rahmel (30 anos) e Mahamadou Keita (25 anos). O primeiro atleta é um nome de referência da selecção da Alemanha, joga no lado direito e actuou durante as últimas três épocas no THW Kiel, um dos colossos do andebol da Alemanha. Keita é internacional pelas camadas jovens de França, actua como ponta-esquerda e traz consigo a experiência de alinhar no competitivo campeonato gaulês. O central Lazar Kukic (24 anos) foi o último nome a ser oficializado, é internacional sérvio e chega com experiência no andebol espanhol.
Destacam-se ainda as renovações já conhecidas de Paulo Moreno, João Pais e Bélone Moreira, todos atletas importantes, assim como outros elementos do grupo de trabalho, para uma integração que se espera de sucesso dos novos rostos para a época 2020/21.
Depois do andebol, o hóquei em patins e o futsal serão as equipas que voltarão ao trabalho. Os índices de competitividade estão assegurados em ambas, com o hóquei em patins – que era líder do Campeonato 2019/20 aquando da paragem por causa da pandemia – a manter a sua base. Já foi anunciado o regresso de Danilo Rampulla (avançado de 21 anos) e a continuidade do capitão Valter Neves, que vai para a 17.ª temporada ao serviço do Clube.
No que respeita ao futsal, além das renovações de Diego Roncaglio, Robinho, Fits e Tiago Brito, já foram oficializadas a chegada dos internacionais Nílson (fixo português de 28 anos) e Arthur (ala brasileiro de 26 anos). Sublinhe-se a integração dos jovens da Formação Silvestre Ferreira e Martim Figueira num plantel que estará pronto para corresponder aos pergaminhos do Clube.
No voleibol, a aposta no trabalho que vinha a ser desenvolvido é clara. A pandemia até pode ter travado o trajeto brilhante que a equipa estava a fazer – era líder invicta do Campeonato e estava na fase decisiva da Taça de Portugal –, mas não impediu que a estrutura fosse mantida para perseguir mais conquistas. O treinador Marcel Matz prolongou a sua ligação com o Clube, tal como os atletas Hugo Gaspar, André Lopes, Zelão, Rapha, Marc Honoré, Tiago Violas e Afonso Guerreiro.
O basquetebol, por seu turno, assegurou a permanência da base portuguesa que tinha para a época que se avizinha. As renovações de Arnette Hallman, Fábio Lima e José Silva foram oficializadas e mais novidades – além do já conhecido reforço Scottie Lindsey (extremo de 23 anos) – serão comunicadas até ao início oficial, com a certeza de que será um grupo ambicioso para atacar 2020/21.
O desporto feminino foi e continuará a ser um foco do Clube e as renovações recentes no caso do futsal mostram que as atletas estão em sintonia com a aposta que tem sido feita na modalidade. As capitãs Inês Fernandes, Ana Catarina e Sara Ferreira são referências a nível nacional e internacional, assumindo um papel muito importante na transmissão dos valores para as mais novas. Destacar as renovações também já conhecidas de Maria Pereira e Beatriz Sanheiro e a contratação da jovem internacional Sub-19 Leninha (ala de 18 anos).
O hóquei em patins irá partir com o objectivo de manter a hegemonia na modalidade, tendo já garantido a aquisição da internacional argentina Flor Felamini (avançada de 22 anos), além das jovens de 17 anos Rita Albuquerque (guarda-redes) e Catarina Pedro (avançada). Nota especial ainda para a integração de Inês Severino (defesa/médio), de 14 anos, no plantel sénior.
No voleibol, a equipa irá lutar pela subida ao escalão principal em Setembro e já assegurou a internacional portuguesa Neusa Neto (central de 26 anos) para a nova época. Haverá mais novidades durante o próximo mês, tal como no andebol e no basquetebol, sendo que nesta última modalidade já foi anunciada a contratação do treinador Eugénio Rodrigues.
Em suma, apesar de todo o contexto provocado pela COVID-19, o Clube apetrechou – e está a apetrechar – as suas equipas de pavilhão para que estas lutem pelos triunfos nas várias competições."

"DEIXE-ME ACABAR !" COM OS PAINÉIS DE ADEPTOS

"Águias, leões, dragões e gatos pardos.

Há quase dez anos, o cirurgião Eduardo Barroso berrava “Deixe-me acabar!” a Fernando Seara, em plena televisão por cabo, no programa Prolongamento. Esta semana, assistimos ao princípio do fim desse tipo de formatos. A SIC e a TVI decidiram acabar com os painéis de adeptos dos três grandes nos seus canais informativos e a decisão tem sido recebida com elogios.
Não há dúvidas que muitos dos conteúdos futebolísticos nos canais de informação prejudicam, lá está, a informação. A partir do momento em que as televisões não acompanham em directo o Conselho Europeu que municiou o Estado português de milhares de milhões para distribuir pela economia, mas têm uma equipa de reportagem no terminal de aeroporto onde vai pousar a aeronave que transporta um treinador, o papel do jornalismo na democracia está em causa. Não só porque a informação relevante para as pessoas decidirem não chega na plenitude ao cidadão, como a futebolização da televisão foi também contribuindo para a futebolização da democracia.
O caso mais descarado parte de um canal que, até agora, parece querer manter estes formatos que agora caem em desgraça. O sucesso de André Ventura não é por acaso. Não foi pela candidatura autárquica apoiada pelo PSD - um erro grave que o partido pagará mais tarde; nem pelo comentário a casos judiciais na mesma estação que Ventura ganhou reconhecimento. Foi o comentário clubístico acéfalo, anti-desportivo e propagandista que tinha na CMTV todas as semanas que o nome de Ventura começou a ser familiar aos portugueses.
Para quem não gosta de futebol, é fácil e compreensível considerar estes programas todos iguais e equitativamente deploráveis, um óbvio desperdício de tempo de antena. Mas a verdade é que nem sempre foram o lamaçal que hoje conhecemos. Apesar de sempre contarem com picardia, desaforo e a ocasional falta de respeito, tudo mudou quando as televisões aceitaram substituir adeptos mais ou menos livres por funcionários das máquinas de propaganda dos clubes. Situo a mudança de paradigma talvez em 2014. A CMTV tinha surgido no mercado, as direcções de informação começavam a transformar os canais de notícias em canais de notícias futebolísticas, os três grandes eram presididos por entusiastas da guerrilha de informação.
Não há dúvida que certos programas, na sua fórmula actual, deviam acabar. Mas parece-me difícil crer que as direções de informação não tivessem em mãos o poder de reconfiguração. Dificilmente se acredita que os diretores não sabiam quem recebia a cartilha, metonímia para as versões da realidade que a comunicação oficial dos clubes queriam propagandear. A decisão de ontem - que me parece conjunta - da SIC e da TVI de acabar com os programas desportivos com representantes de clubes tem um lado meritório, mas também serve para alijar responsabilidades, pondo o ónus da tal toxicidade primeiro nos adeptos, depois nos clubes e, por fim, no desporto - como se as televisões não tivessem promovido, lucrado e tido mais do que tempo para alterarem o tom dos programas.
Se o argumento for retirar programas de adeptos porque são apenas ruído, nada acrescentam ao futebol e não veiculam informações relevantes para o público - e que o tempo que ocupavam seja preenchido por hard news -, tudo bem. Se o plano for substituir os programas de futebol de duas horas e meia por magazines de desporto mais curtos, assertivos e informativos, tudo certo. Agora, se o objectivo for repor estes formatos com painéis de pseudo-independentes, com a mesma duração, o mesmo sequestro do espaço mediático, os mesmos temas, a mesma estultificação do espectador, teremos resolvido zero problemas. Talvez seja mais difícil identificar águias, leões e dragões, mas facilmente nos lembraremos d’O Leopardo. Isto é, da frase mais conhecida da obra de Tomasi di Lampedusa, filmada por Visconti: “se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude”."

O FIM DO FUTEBOL, O PRINCÍPIO DO DESPORTO

"Confessemos: em Portugal não há notícias, há futebol e uma imensa quantidade de areia para os olhos adormecidos e torpes de uma população alheada.

Creio falar em nome de todas as portuguesas e portugueses ao afirmar a peremptoriedade do fim dos telejornais 20 minutos após o seu começo, quiçá meia hora, para dar lugar ao futebol, não só o nacional mas todo o futebol internacional, seguido de entrevistas a treinadores, jogadores de futebol e mil e um comentadores em estúdio ou em directo.
Confessemos: em Portugal não há notícias, há futebol e uma imensa quantidade de areia para os olhos adormecidos e torpes de uma população alheada.
Alheados do país, da cultura, do ensino, da saúde, dos seus direitos, do futuro e da vida enquanto as televisões insistirem em debitar toneladas de futebol entre antevisões de jornada, jornadas, comentários à jornada e a antevisão da antevisão da jornada seguinte, mais a Taça se Portugal, a Taça da Liga, os Campeões, a Liga Europa, o Europeu e o Campeonato do Mundo.
Assim, naturalmente, congratulamos as recentes decisões da SIC Notícias e TVI em acabar com os programas de futebol com comentadores que representam clubes.
Inevitavelmente, partilho o exemplo inglês, um país preenchido de futebol de norte a sul e onde os principais canais de notícias não dedicam senão cinco minutos ocasionais ao futebol, sem comentários, sem entrevistas, muitas vezes sem golos ou imagens do jogo, somente o pivot diante da câmara a relatar as notícias.
O resto do tempo de antena? É dedicado às outras modalidades, do atletismo à ginástica, do râguebi ao críquete (desporto ainda incompreensível aos olhos deste narrador), sem esquecer o desporto automóvel, o ciclismo, o basquetebol, andebol, vólei, tratando o desporto feminino e masculino por igual e celebrando as conquistas de todos os atletas nacionais, no sentido da promoção do desporto como elemento essencial da cultura de um país.
Se em Inglaterra pretendemos ver um programa de futebol e respectivos comentários, estes estão abundantemente presentes nos canais pagos. Cabe assim ao espectador decidir o que quer ver em função de quanto pretende gastar, mas sempre com a premissa de não ser inundado pelas ilusões do futebol 24 horas por dia, 365 dias por ano.
Infelizmente, ainda não vi iguais notícias da parte da RTP. Pretenderá a RTP tomar uma atitude mais conservadora, mas igualmente aproveitadora desta oportunidade, mantendo-se como o único canal com comentadores que representam clubes?
Ou quererá a RTP aceitar o desafio de dar um passo em frente e, verdadeiramente, democratizar o desporto? Mas o mundo é feito de pequenas conquistas. Enquanto a RTP não se decide, temos o dia ganho e um pouco mais de esperança num futuro onde no céu não habitam apenas as constelações de jogadores de futebol mas todos nós, desportistas e amantes do desporto por igual."

MAIS UM PAGAMENTO FALHADO PELOS LAGARTOS, EM LETRAS PEQUINHAS. SE FOSSE O BENFICA...


terça-feira, 28 de julho de 2020

ÁS DE TRUNFO!!!

"Terá Fontelas Gomes o ás de trunfo?
Depois da utilização de dois ases (Carlos Xistra e Jorge Sousa) nas últimas duas jornadas, falta um jogo para terminar a época e Fontelas Gomes parece estar a guardar o melhor para o fim.
Num ano em que tudo mudou, há coisas que nunca mudam em Portugal.
Artur Soares Dias é o ás de trunfo do #PortoaoColo e muito surpreendidos ficaríamos caso não fosse o escolhido para a Final da Taça de Portugal no sábado. Depois de ter ajudado a virar o Campeonato, terá de ir dar uma ajuda ao clube do coração na Taça.
Terá sido o bolo da festa confeccionado na pastelaria de Artur Soares Dias?"

QUINZE MINUTOS À BENFICA

"Boa tarde, jogadores! Antes de mais queria agradecer ao presidente e ao treinador a oportunidade que me deram de falar com vocês, a poucos dias da final da Taça de Portugal. Sou um simples adepto e sócio do clube, mas vou tentar passar-vos tudo o que tenho na alma, bem como o sentir e o pulsar da imensa nação Benfiquista. Foi essa a ideia desta iniciativa e é por isso que estou aqui.
Olho para vocês nos olhos, aqui sentados no balneário e noto a descrença e a falta de confiança. Não levem a mal, mas nota-se a léguas. Eu não sei o que se passou entre vocês esta temporada para a queda que tiveram, mas neste momento nem quero falar disso. Quero-vos falar de um clube muito especial. Sim, do Benfica. O clube que vocês representam. Alguns saberão isto, outros nem tanto, mas vocês têm noção do clube em que estão? Não sabem, não...se vocês soubessem, verdadeiramente...caramba, este clube é tão bonito. Tem uma História tão bonita. Nasceu pobre, com poucas condições e fez-se gigante. E sabem porque se fez gigante? Porque virou uma frente Popular! De uma forma que não tem explicação, o povo apaixonou-se pelo Benfica, identificou-se com algo genuíno e despretensioso. O "Sport Lisboa" que depois também virou "e Benfica" nasceu humilde, e quando se deu por isso era o grande de Portugal e além-fronteiras. Sempre com o amor dos seus adeptos. Sabiam que o antigo Estádio da Luz foi construído pelas suas gentes? Criaram rifas, leilões, doações, tudo e mais alguma coisa para que houvesse dinheiro. E onde não havia dinheiro, havia trabalho. O povo pegava nas enxadas e ia cavar para os terrenos baldios. As pessoas até pagavam para fazer isso! E depois, com presidentes doutores e presidentes operários, houve Eusébio, títulos europeus, hegemonias internas, novas finais europeias e uma série infindável de glória! Mas também de tristeza. Este clube já passou por uma fase muito difícil, quase que fechou portas. Curiosamente foi durante a minha adolescência. Mas sabem do que me lembro sempre desses tempos? É do Benfica ter perdido uma vez 7-0 e no jogo seguinte ter visto no estádio um jovem como eu com uma camisola que dizia "nem que fossem 14!". É que, meus amigos, este clube tropeça, mas não cai. Este clube não desiste, nunca! Há bocado falei de Eusébio...vocês têm noção do que é serem herdeiros de um dos maiores jogadores de todos os tempos? Olhem para essas vossas camisolas...um dia foi o King que a envergou! E fixem isto e nunca se esqueçam, porque é a verdade. Decorem estas palavras e que nunca mais vos saia da memória: Estão preparados? Quando vocês estão em campo, estão milhões de pessoas a sofrer por vocês. Mas não é só em Portugal. É em Angola! Em Moçambique! Em Cabo Verde! Sabiam disso? O Benfica vai a qualquer desses países e é recebido com um amor incalculável. Muitos de vocês já foram a tantos países europeus e alguma vez os adeptos vos falharam? Vocês jogam por um clube que é do norte, do sul, do este e do oeste. É de toda a gente e de toda a parte! Aqui há uns anos o Benfica jogou no Stade de France contra o Lille e, sem exagero, estavam lá 50.000 Benfiquistas. O nosso treinador bicampeão europeu Bèla Guttmann disse de forma perfeita um dia: "Chove? Está frio? Faz calor? Que importa. Nem que o jogo seja no fim do mundo, entre as neves da serra ou no meio das chamas do inferno; por terra...por mar...ou pelo ar, eles aí vão, os adeptos do Benfica, atrás da sua equipa. Grande, incomparável, extraordinária massa associativa!"
E portanto, herdeiros de Eusébio, eu vou-vos pedir um favor. No sábado, quando entrarem em campo, joguem pelo menino de 10 anos que chora quando o seu Benfica perde. Joguem pelo velhinho de 90 anos que desfruta de cada jogo do seu Benfica como se fosse o último. Joguem pelo Benfiquista que mora na cidade do Porto e que no dia seguinte vai ter que os encarar na escola, no emprego ou no café. Joguem pela rapariga e pela mulher que ultrapassa o preconceito e diz "Sim, eu gosto de futebol. Sim, eu gosto do meu Benfica. E sim, eu sinto, entendo e percebo este jogo tão bem ou melhor que tu". Joguem pelo pobre, pelo rico, pelo branco, pelo preto, pelo novo, pelo velho, pelo homem, pela mulher, porque todos fazem parte desta casa. E sim, joguem por vocês! Joguem pela vossa família! Joguem pela cozinheira, pelo apanha-bolas, pelo Pietra, pelo Sr. Shéu. Joguem pelo Sport Lisboa e Benfica! Pelo clube que foi um bastião de democracia durante o fascismo! Que foi cosmopolita no colonialismo! Que foi europeu ainda antes da integração europeia! Que foi interclassista ainda antes do conceito do Estado Social!
Neste clube aprendemos a jogar por nós, a vencer por nós e não contra os outros. Está na nossa génese e dificilmente algum dia irá mudar, mesmo que a gasolina do "contra tudo e contra todos" dê tanta força ao outro lado. Mas eu tenho que vos dizer isto: Preparem-se. Vocês vão para uma guerra. O outro lado odeia-vos. Não sejam meninos. Não sejam anjinhos. Não entrem com sorrisos e palmadinhas nas costas, quando os outros vão entrar de faca nos dentes. Disputem cada bola como se a vossa vida dependesse disso, apoiem os vossos colegas como irmãos de armas e mesmo que sintam dor, cansaço, cãibras...dêem um bocadinho mais. Só mais um bocadinho! Pela glória. Pela História! Para que daqui a muitos anos, possam dizer aos vossos netos: sim, eu joguei naquele clube maravilhoso, eu fui um herdeiro de Eusébio e no dia 1 de Agosto de 2020 fiz milhões de pessoas felizes. Em Portugal, em Angola, em Moçambique, em Cabo Verde, nos Estados Unidos, um pouco por toda a Europa. E por isso, no dia 1 de Agosto de 2020 também o teu avô foi feliz.
Mais uma vez, obrigado a todos os que me permitiram estes 15 minutos com vocês. Do fundo do coração, desejo-vos a melhor das sortes. Sintam na alma a chama imensa! E eu estarei a sofrer por vocês. Estaremos todos!"

COMO QUEBRAR UM RECORDE COM DUAS DÉCADA!

"Há 60 anos, antes de 'Monangambé' ou 'Os Meninos de Huambo', Ruy Mingas trouxe glória ao atletismo benfiquista

Os anos 60 foram uma época gloriosa para o futebol português e também para o atletismo, sinal da crescente qualidade dos atletas. Ao longo da década, foram-se quebrando múltiplos recordes.
No salto em altura, o recorde de 1,88m, com duas décadas de longevidade, esteve à guarda de Guilherme Espírito Santo, desde 25 de Agosto de 1940! Durante vinte anos, os 'apaniguados do atletismo' esperaram por um novo recorde, 'apesar de todas as tentativas, apesar de tantas vezes, em vão'.
De Angola vieram duas promessas: Ruy Mingas para o Benfica e Júlio Fernandes para o Sporting. O despique entre ambos tornou-se 'um dos mais apaixonantes motivos de todas as reuniões de atletismo'. Em pouco tempo, igualaram o resultado de Guilherme Espírito Santo, recobrando 'todas as esperanças naquilo que parecia negar-se'.
Tudo mudou naquele domingo, 19 de Junho, quando em Alvalade se reuniram os atletas do Benfica e do Sporting, juntamente 'com condições atmosféricas favoráveis', para disputar a segunda e última jornada do Campeonato Regional de juniores. Nos pés (ou asas) de Rui Mingas, que saltou 1,90m, o recorde foi finalmente quebrado! Frente ao adversário sportinguista, o novo recordista revelou-se sempre com maior velocidade e 'superior elasticidade, maior desenvoltura e força muscular'. A assistência era pouca, mas mesmo assim 'delirou exuberantemente', e reconheceram Mingas como 'o melhor homem destes «Regionais»'.
Juntamente com Goulão, somaram 42 pontos para o Benfica, contribuindo para uma diferença quase mínima frente ao adversário, que venceu com 'certa dificuldade'. A prova foi renhida, e só ao fim se soube 'a quem pertencia o título de campeão'. Apesar de não ter vencido por três míseros pontos de diferença, o Benfica venceu mais três títulos individuais que o Sporting, atestando a qualidade dos seus atletas. Para além do recorde nacional absoluto no salto em altura, Ruy Mingas venceu o ouro no salto em comprimento e nos 110m barreiras.
O seu irmão Avelino elevaria o recorde para 1,93m, em 1962. Ambos foram importantes políticos angolanos, um como ministro das Finanças, e Ruy, mais tarde, como ministro do Desporto e embaixador de Angola em Portugal.
Guilherme Espírito Santo, 'rendido e resignado, desportivamente, ao poder evolutivo e natural das coisas', sentiu-se feliz por ver o Benfica recordista, tal como os colegas de Ruy Mingas que naquele domingo 'erguiam aos ombros em sinal de triunfo' o novo recordista que, anos depois, ergueu aos ombros a revolução angolana, aprendendo como se ganha uma bandeira, como na sua canção.
Na área 4 - Momentos Únicos do Museu Benfica - Cosme Damião, pode saber mais sobre grandes marcos do atletismo do Clube."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

AS PAPOILAS GERMINAVAM-LHE NOS PÉS...


"José Águas teve uma estreia infeliz com a camisola do Benfica, na Tapadinha, frente ao Atlético, no dia 24 de Setembro de 1950 - empate 2-2. Estava à beira de fazer 20 anos e ainda não se habituara às suas novas circunstâncias. Não seria preciso esperar muito: apenas mais uma semana...

Segunda jornada do campeonato nacional de 1950-51. Dia 24 de Setembro de 1950. O Benfica deslocou-se à Tapadinha para defrontar o Atlético. O onze inicial recita-se de cor para os adeptos mais fervorosos: Rosa; Jacinto e Fernandes; Moreira, Félix e Francisco Ferreira; Corona, Arsénio, Águas, Melão e Rosário.
Bem, eu digo que se recitava de cor, mas não é absolutamente exacto. Havia ali um elemento novo, do meio-campo para a frente. Águas: José Pinto de Carvalho dos Santos Águas, de seu nome completo. Estava à beira de completar 20 anos - no dia 9 de Novembro. Pela primeira vez era chamado ao team principal. Uma enorme curiosidade em seu redor. Faltava-se de um cabeceador temível, de um pássaro capaz de voar sobre os centrais adversários e tocar, de cima para baixo, do nada para o golo, as bolas que lhe fossem dirigidas à medida.
'É aquele! É aquele!', apontava um miúdo mais curioso.
A Tapadinha estava cheia, rebentando pelas costuras.
Os jornais da época registavam: 'Assistência avultada e franco ambiente de entusiasmo'.
O início foi rijo. Confronto directo, físico. Ben David dava água pela barba à defesa encarnada. Era um fulano tremendo de força e de vontade. Mas o Benfica tinha aquele trio de centrocampistas impressionante: Fernando Ferreira, Félix e Moreira. Autênticas torres num xadrez táctico que envolveu o adversário numa teia cada vez mais apertada e sufocante.
Águas era vítima de uma marcação homem-a-homem impiedosa por parte de Armindo. Lá de África, tinham chegado notícias sobre um rapaz que marcava golos em barda pela equipa de futebol da empresa Robert Hudson (representante da Ford), do Lobito. Depois jogou no Luso, e a sua fama cresceu até receber um convite do FC Porto, via telefone. José Àguas marimbou-se. 'Amanhã respondo', replicou. E o amanhã foi nunca.

Águas afligia-se
Nessa tarde da Tapadinha, Águas afligia-se. Não estava habituado a jogar em campos rehlvados, não lhe ajeitava aos pitons que lhe tornavam as botas mais rijas, menos maleáveis. Tinha chegado a Lisboa pouco antes, no dia 18 de Setembro, e já estava metido no futebol a sério, competitivo, bruto também.
O público não costuma perdoar quem quer que seja quando se sente defraudado nas suas expectativas. Olhavam para aquele rapaz magrinho, espigado, metido entre tantos dos heróis que tinham conquistado a Taça Latina três meses antes, e queriam golos e golos e golos. Afinal, não fora para isso que viera o tal de Águas? Mas nada de anda. Era o homem e as suas circunstâncias, com dizia Ortega y Gasset, e as circunstâncias erguiam-se cruelmente contra ao homem. O Atlético fez 1-0 por Ben David.
Uma revolta cresceu no peito do gigantesco Fernando Ferreira. Os seus gritos contagiavam companheiros e assustavam adversários. Mas logo no início do segundo tempo, 2-0, com autogolo de Félix.
Os benfiquistas, nas bancadas, arrancavam cabelos com o desespero. 'Mas por onde anda esse moço chamado Águas? Quando nos dará algo de diferente que explique o motivo de o temos ido buscar a África e de o treinador lhe dar a titularidade mal chegado que está a Lisboa?' Perguntas a que Águas ainda não estava preparado para responder.
Rosário foge pela lado direito, e não há quem o segure. Vai direito ao guarda-redes Ernesto, chuta com precisão e faz o 2-1. É tempo de arregaçar definitivamente as mangas, agora que a defesa do Atlético treme e vai perdendo a confiança que tinha exibido até então.
Há movimentos perigosos em ambas as grandes áreas. Percebe-se um equilíbrio notório, a qualquer momento surgirá um golo, mas para quem? A fadiga começa a fazer os seus estragos, o relógio não pára, o relógio não pára nunca! Cinco minutos para os três apitos derradeiros. Um último fôlego dos encarnados, indo buscar forças onde elas pareciam esgotadas. José Águas, o jovem José Águas, continua perdido no meio de um desafio de vontades e de garra ao qual não está habituado. Sente-se descoroçoado, mas não há motivos para isso. Os espectadores que, nessa tarde, saíram da Tapadinha frustrados com a sua exibição só terão de esperar mais uma semana. Na jornada a seguir, na goleada face ao SC Braga por 8-2, Águas marcará quatro golos, afastando em definitivo as nuvens negras que pairavam sobre ele como um mau presságio.
85 minutos. Rosário repete o seu golo a papel químico: 2-2.
Nada mais sobra no fundo da alma de 22 jogadores que esgotaram todos os seus recursos. O povo vai descendo devagarinho a tapada, em direcção a Alcântara, comentando as incidências da partida e a exibição sofrível de Águas, o africano. Águas regressa triste ao lar do Benfica. Mas é um homem de fibra. Na sua vontade férrea, os quatro golos que se seguirão em breve já germinam nos seus pés como papoilas num campo de gipsófila."

Afonso de Melo, in O Benfica

SEMANADA,,,

"1. João Noronha Lopes. Na quinta-feira João Noronha Lopes apresentou a sua candidatura para Presidente do Benfica. Esta candidatura é desde já uma novidade no panorama do futebol português porque pela primeira vez temos um gestor de dimensão internacional a querer ser Presidente de um clube de futebol. Regra geral podemos dividir os candidatos em três tipo de pessoas: empresários de dimensão nacional, políticos ou pessoas ligadas ao futebol. João Noronha Lopes não é nenhum desses. Tem um passado imaculado. O discurso de João Noronha Lopes para já parece ser o que se pede. Gosta de Jorge Jesus, quer uma estratégia para o futebol, quer limitação de mandatos, quer um código de conduta para os membros dos órgãos sociais do clube e não deixa de fora a possibilidade de manter Domingos Soares de Oliveira. A pouca experiência que tem no futebol também creio que seja positiva. Um Presidente de um clube de futebol não tem que contratar jogadores ou despedir treinadores. Os últimos anos têm provado isso. Sempre que um Presidente mete o dedo no assunto, não tem dado bom resultado. Um Presidente de clube de futebol tem que contratar alguém que perceba de futebol e deixar esse tipo de decisões para essa pessoa ou esse grupo de pessoas. Tem de deixar as tecnicalidades para os técnicos e focar-se no plano de futuro do clube. João Noronha Lopes parece-me saber isso. È este o modelo que usa nos Estados Unidos da América e é o modelo que aos poucos vai aparecendo na Europa. Quanto a João Noronha Lopes em específico, gostei do que vi até agora, vamos ver que mais ideias e nomes trará para a mesa.
2. Adidas. As primeiras imagens das camisolas da próxima temporada já estão aí. A camisola até deve ser anunciada algures na próxima semana. Na minha opinião, a nossa camisola principal vai ser a pior camisola principal que já vi do Benfica. Vamos ter uma camisola principal vermelha, com as riscas pretas e o símbolo monocromático em dourado. É horrível. O contrato com a Adidas termina em 2021. Espero que estes sejam os últimos equipamentos que a Adidas desenha para nós. A Puma neste momento tem os melhores equipamentos do mercado. Gostava de ver o Benfica a vestir Puma. Outra boa alternativa seria uma marca chinesa como a Li-Ning ou a Anta, que como toda a China quererão expandir, e provavelmente seriam capazes de oferecer as melhores propostas ao Benfica. O Benfica é um clube recheado de História e a Adidas não tem demonstrado que queira saber disso. A história do clube com a marca é bonita, mas chegou a altura de irmos procurar alguém que nos respeite e honre o nosso passado.
3. Taça da Liga. A Liga vai propor que a Taça da Liga do próximo ano tenha só oito equipas, as seis primeiras classificadas da Liga NOS e as duas primeiras da Segunda Liga após a última jornada de Novembro. Eu gosto do formato desde que não tenha sorteio e se privilegie quem vai nas primeiras posições. A próxima época vai ser muito puxada a nível físico. Os nossos jogadores, por exemplo, vão ter menos de duas semanas de férias. É importante tentar minimizar a sobrecarga de jogos. Este formato permite isso, mas também permite que a competição se realize.
4. Damian Hollis. A segunda passagem do americano por Lisboa foi muito aquém das expectativas. A saída acaba por ser natural. Quanto à composição da equipa, a nível de portugueses, já não deverá haver novidades. Todos os jogadores já renovaram. A nível de americanos, a única contratação para já é Scottie Lindsey. Eric Coleman deverá continuar. Micah Downs ainda não se sabe. Ainda falta anunciar pelo menos dois americanos. Se Downs sair, faltam anunciar três.
5. Novidades no Andebol. A equipa de Andebol oficializou esta semana vários reforços: Arnau Garcia (LE), Ole Rahmel (PD), Matic Suholeznik (Pivot) e Mahamadou Keita (PE). Já tínhamos apresentado o guarda-redes Sergey Hernandez. Falta ainda apresentar Lazar Kukic (Central). A estes jogadores vão se juntar Gustavo Capdeville (GR), Francisco Pereira (Central), João Pais (PE), Carlos Martins (PD), Paulo Moreno (Pivot), Belone Moreira (LD), Kévynn Nyokas (LD), Petar Djordjic (LE), Guilherme Tavares (LD), Pedro Loureiro (Pivot) e Dilan Belalcázar (LE). O plantel em princípio está fechado. O clube decidiu investir muito neste plantel e o resultado parece ser um plantel melhor que o do ano passado. O plantel ainda parece estar a uma distância significativa do Porto, principalmente no capítulo defensivo, visto que Djordjic, Belone e Nyokas não são propriamente especialistas defensivos. Se tivéssemos mais um pivot na linha de Matic, este plantel já poderia discutir qualquer coisa mais. De resto, gosto do facto de não termos um plantel muito grande, dando oportunidade para jogadores como Guilherme Tavares e Dilan Belalcázar (colombiano de 20 anos que fomos buscar o ano passado para a formação) tenham oportunidade por lutar por um lugar no plantel e crescer. Gostava que Joaquim Nazaré, uma das revelações da temporada passada, e Daniel Neves também fizessem parte do plantel. Ambos poderiam ser importantes a dar profundidade ao plantel e têm muita qualidade.
6. Aluguer do Avião. Luís Filipe Vieira fretou para ir ao Brasil e trazer Jorge Jesus e a sua equipa ténica. Havia uma alternativa muito simples: voar em Executiva pela TAP ou outra companhia aérea. Ao todo, só esta operação terá custado cerca de uns 100-200 mil euros à Benfica SAD. O Benfica Clube este ano cortou cerca de 25% do investimento nas modalidades. A maior fatia deste corte deveu-se à quebra de royalties pagos pela SAD ao Clube. Faz-me impressão que ao mesmo tempo que temos cortes históricos nas modalidades, o nosso Presidente tenha gasto este dinheiro todo só para uma viagem que tinha uma solução bastante barata. Este dinheiro daria para trazer um bom reforço para a equipa de Andebol, que vai ter um plantel demasiado curto, por exemplo.
7. Filip Krovinovic. O West Bromwich conseguiu a promoção à Premier League. Krovinovic foi o oitavo jogador mais utilizado da equipa. O jogador terá naturalmente muito mercado. O Benfica está recheado de bons médios centros. Tem se falado em alguns reforços também para essa posição. Não creio que Krovinovic regresse ao Benfica. Mas em princípio não deverão faltar clubes interessados nele. Deve representar um bom encaixe financeiro na ordem dos 10 milhões de euros."

PRIMEIRAS PÁGINAS DO LIXO JORNALEIRO TUGA