quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

NAS MEIAS FINAIS...



 Os encarnados venceram o Belenenses SAD por 3-0 e vão disputar com o Estoril um lugar na final da Taça de Portugal.

O Benfica garantiu, esta quinta-feira, um lugar nas meias-finais da Taça de Portugal ao vencer o Belenenses SAD por 3-0, num encontro disputado no Estádio da Luz, Darwin, Rafa e Cervi apontaram os golos da equipa orientada por Jorge Jesus, que hoje deu o seu lugar a João de Deus, devido a uma infeção respiratória.
Na próxima fase da competição, o Benfica medirá forças com o Estoril-Praia, depois de ter eliminado o Marítimo num jogo de loucos. Recorde-se que as meias-finais da Taça de Portugal são disputadas em duas mãos.
Quanto ao onze do Benfica foram promovidas seis alterações em relação ao último encontro com o Nacional. Gilberto, Vertonghen, Grimaldo e Waldschmidt regressaram após infeção por COVID-19 e foram titulares. Gabriel também voltou às opções, ele que não jogava desde 16 de dezembro, tendo-se lesionado e contraído entretanto o novo coronavírus.
O primeiro golo da partida surgiu aos 32 minutos. Após atraso de Gonçalo Silva para André Moreira, este falhou a interceção e deixou a bola à mercê de Darwin Nuñez, que só teve de encostar para o fundo de uma baliza vazia.
Cinco minutos depois, na conversão de um pontapé de canto longo apontado por Grimaldo, Jardel amorteceu de cabeça para o segundo poste, onde apareceu Rafa a finalizar.
O terceiro e último golo do Benfica surgiu já na segunda parte, com Cervi a fechar o marcador. Rafa fletiu para o centro e meteu para a área, Darwin deixou passar e o argentino que, vindo de trás, atirou para a baliza com um excelente toque. Recorde-se que Franco Cervi está perto de rumar a Vigo para reforçar os espanhóis do Celta.
Os quartos de final da prova encerram na sexta-feira, com o SC Braga-Santa Clara e o Gil Vicente-FC Porto.

REGABOFE TOTAL!

 


"É o regabofe total! É o Anti-Benfica todo a bater em mortos, que é o que nós somos neste momento. Mortos e enterrados, à mercê de tudo e de todos. Isto foi apenas nas últimas 48h:
- Pote a apanhar um jogo sendo reincidente em expulsões para poder jogar contra o Benfica
- Ruben Amorim expulso, sendo reincidente em expulsões, apaga apenas multa para se poder sentar no banco contra o Benfica
- Palhinha a ser despenalizado numa decisão sem precedentes para poder jogar contra o Benfica (recordamos amarelo a Otamendi que nem sequer toca no jogador e Conselho de Disciplina recusa despenalização.
- 10 jogadores com covid e mais 2 dezenas do staff, clube obrigado a ir a jogo
- Rui Costa, o árbitro, a vir ao Estádio da Luz fazer uma arbitragem à anos 90, inspirado no seu irmão Paulo Costa e não acontecer nada. Ou melhor, é ainda premiado para ir ajudar o seu clube de coração esta Sexta-feira a passar a eliminatória da Taça de Portugal contra o Gil Vicente. Surreal!
- Ferrari Vermelho, ou Nuno Almeida para os amigos, tem uma caganeira e não chama o árbitro para assinalar o penalti escandaloso do jogador do Nacional por mão na bola.
- Manuel Mota e VAR não vêem o penalti mais escandaloso da época por jogada de voleibol de Corona na área e mandam seguir
- Treinador Jorge Jesus parece um morto vivo em campo e está-se positivamente cagando para se o Benfica ganha ou deixa de ganhar.
- Nuno Tavares anda aos linguados a cães nas redes sociais e ninguém afasta este demente do plantel do Benfica."

COERÊNCIAS (II)!!!



 


""Conselho de Disciplina da FPF nega recurso do Benfica e Otamendi falha mesmo jogo com Santa Clara"
Num lance em que o defesa do SL Benfica viu o 5º cartão amarelo, após uma falta que não cometeu e que deveria ter ditado antes a expulsão do jogador adversário.
A pressão já está a ser feita para despenalizar o jogador do Sporting CP: "Verissimo assume erro".
Vamos aguardar pelos próximos capítulos: coerência num lance que até falta existiu ou perder a decência de vez?"

COERÊNCIAS (I)!!!

 



""Conselho de Disciplina Confirma o Quarto Amarelo a Otamendi"
Para os mais distraídos, este cartão amarelo por simulação ostensiva do adversário, não foi retirado."

COVID-19 NO SL BENFICA | SERÁ DESTA UMA NOVA APOSTA NA FORMAÇÃO?



 "O surto de Covid-19 que tem afligido a equipa masculina de futebol sénior do Sport Lisboa e Benfica tem provocado uma razia imensa nas escolhas de Jorge Jesus. O timoneiro dos encarnados já afirmou perentoriamente que “vai à luta” com os jogadores que tem – entende-se que se refere aos elementos remanescentes do plantel principal.

Jesus tem dado, então, a entender, que só tem uma quantidade reduzida de homens ao seu dispor. Não é verdade. Ou, pelo menos, não deveria ser essa a forma de ver as coisas. Se para aí estivesse virado – como deveria estar -, Jorge Jesus perceberia que tem muita qualidade futebolística e humana de que se socorrer na equipa B do clube.
João Ferreira tem tido minutos e Gonçalo Ramos e Tiago Araújo têm visto o seu nome várias vezes nos convocados. No entanto, a aposta – há muito por cumprir – na formação não deveria ficar por aqui e o atual surto de Covid-19 poderia e deveria ser o gatilho para uma efetiva aposta nos vários jovens que já demonstram capacidade e maturidade suficientes para serem escolhas de Jorge Jesus.
Filipe Cruz, Rafa Rodrigues, Kalaica, Morato, Ronaldo Camará, Henrique Pereira e, à cabeça, Paulo Bernardo poderiam perfeitamente ser aposta neste momento em que o clube procura suprir as lacunas no plantel causadas pela pandemia. Em condições normais, talvez ainda não se justificasse uma aposta imediata em alguns destes jovens; todavia, as circunstâncias atuais não são, de todo, normais.
Como tal, começa a ser irrisória a falta de coragem para assumir na prática a tão teoricamente badalada “aposta na formação”. As raras subidas de jovens à equipa A têm redundado em pouco mais que nada. Tem-se travado o desenvolvimento de vários jovens, promovendo-as ao plantel principal e dando-lhes cinco minutos “aqui e ali”.
É urgente uma verdadeiramente materializada aposta na formação. Se não for agora, quando?"

PRIMEIRAS PÁGINAS DO LIXO JORNALEIRO


 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

EM MAIS UMA FINAL



 Atiradoras de elite não perdoaram e o Benfica está na final!

Ana Vitória e Cloé Lacasse foram as autoras dos golos que permitiram às águias vencerem o Famalicão nas meias-finais da Taça da Liga 2020/21.
Futebol fluído, mira apontada à baliza adversária e taxa de concretização mais do que suficiente para a equipa feminina do Benfica carimbar o passaporte para a final da Taça da Liga 2020/21. As águias cumpriram, à risca, a estratégia de Filipa Patão e eliminaram o FC Famalicão por (0-3).
Os momentos iniciais começaram de feição para a equipa liderada por Filipa Patão. Mesmo sem poder contar com Andreia Faria – de fora por indicação médica – as águias entraram a todo o vapor e capitalizaram a melhor entrada na partida. Ana Seiça colocou um passe para a profundidade, Cloé Lacasse ligou a mota, avançou pelo flanco esquerdo e colocou a bola para o interior da área. Ana Vitória encontrava-se solta de marcação e, com muita calma, teve tempo para escolher o local para onde queria disparar. O remate cruzado entrou junto ao poste direito e fez balançar, pela primeira vez, as redes adversárias (0-1 aos 2').
O ritmo de jogo abrandou, as duas equipas encaixaram-se nos sistemas táticos, mas continuava a ser o Benfica a criar mais perigo. Aos 13', nova arrancada de Cloé pelo lado esquerdo. A canadiana travou, levantou a cabeça e centrou para o interior da área. Ana Vitória não conseguiu chegar ao esférico, a defensiva famalicense afastou, contudo, a redondinha sobrou para Christy Ucheibe. A média das águias puxou a culatra atrás, desequilbrou-se no pé de apoio e disparou, porém, a bola passou um pouco ao lado do poste direito.
O Clube da Luz, que até então apostava mais nos flancos para criar situações de perigo, assistia agora a um Famalicão que, a pressionar em zonas mais adiantadas, não deixava as atletas encarnadas saírem com tanto à vontade. Aos 28', e através de um livre direto, Gi ganhou nas alturas e cabeceou para a baliza, mas Letícia estava atenta e segurou com tranquilidade.
A chuva começou a cair com mais intensidade em Famalicão, a bola rolava ainda com maior velocidade e os controlos do esférico eram mais complicados. Os duelos a meio-campo estavam bastante intensos, todavia, faltavam as situações de perigo iminente. Antes do apito para o descanso surgiu a melhor oportunidade das visitadas. Gabi ficou encarregue de bater o livre direto, rematou com força e a bola ainda sofreu um desvio na barreira encarnada, mais concretamente de Christy Ucheibe. A trajetória traiu a guardiã, mas a bola bateu no poste direito. Vitória Almeida ainda tentou a recarga, porém, Catarina Amado negou as intenções famalicenses e afastou o perigo da área benfiquista. Ao intervalo: 0-1.
Logo no começo da segunda parte (aos 49'), Pauleta torceu o pé direito e ficou bastante queixosa no relvado. A atleta das águias foi assistida dentro das quatro linhas, mas não apresentou condições para continuar. A camisola 21 ainda tentou voltar a jogo, porém, sem sucesso. Filipa Patão viu-se obrigada a mexer e chamou Francisca "Kika" Nazareth para ir a jogo.
O Benfica acelerou os seus processos e, naquele que foi o primeiro remate efetuado no segundo tempo, fez golo (62'). Nycole utilizou o corpo, protegeu a bola, avançou alguns metros pelo flanco esquerdo, voltou atrás e cruzou rasteiro e atrasado para o centro da área. Cloé Lacasse ajeitou, apontou e disparou para o tento. O esférico levava efeito, passou por entre o corpo de Rute Costa e beijou as redes da baliza (0-2).
O ímpeto ofensivo manteve-se e o Benfica, aos 70', aproveitou. Cloé Lacasse combinou com Kika, a jovem, internacional A por Portugal, esperou a passagem da colega pelas suas costas, respeitou o movimento e, no momento ideal, fez o passe. A relação de Cloé com o golo tem sido perfeita e a avançada voltou a faturar – 16.º golo nas competições oficiais na presente época. Um remate cruzado e rasteiro a não dar a mínima hipótese à guardiã contrária (0-3). Aos 77', Filipa Patão voltou a ter de mexer no seu xadrez tático. Lúcia Alves lesionou-se e teve de sair das quatro linhas. Amélia Silva entrou para o seu lugar.
Marta Cintra ainda rendeu Nycole aos 90', mas as encarnadas foram gerindo, afastaram o perigo quando necessário e iam trocando a bola entre si ao longo de todo o relvado. As atletas do Famalicão corriam atrás do prejuízo, mas sem sucesso. A vitória estava selada e o passaporte para a final da Taça da Liga 2020/21 estava carimbado! Resultado final: 0-3. O conjunto benfiquista – que voltará a entrar em campo no dia 6 de fevereiro (4.ª jornada da 2.ª fase da Liga BPI) diante do Famalicão – aguarda agora para saber quem será o seu adversário no jogo decisivo. Sporting e SC Braga são os intervenientes da outra meia-final que está aprazada para o próximo dia 3 de março.
DECLARAÇÕES
Filipa Patão (treinadora do Benfica): "Antes de mais, dar os parabéns às três equipas que estiveram em campo. Respeitar o Famalicão pelo valor que tem tornou-nos cada vez mais competentes nas nossas tarefas, cumprimo-las à risca tal como fizemos no trabalho durante a semana. Só trouxe frutos pelo respeito e pela forma como trabalhámos para este jogo."
"Temos de dar sempre o máximo e estar sempre presentes em todas as finais, é para isso que o Benfica cá está e é para isso que trabalhamos todos os dias. A equipa tem isso bem em mente, a responsabilidade que este símbolo acarreta e nós não o esquecemos nem por um segundo. Defrontar Braga ou Sporting na final? Tenho preferência de jogar uma final, e o Benfica tem preferência de jogar finais. Independentemente do adversário, sempre me disseram que as finais não são para serem jogadas, são para serem ganhas. É irrelevante o adversário que nos calhe. É mais uma batalha, mais uma final. Quando soubermos quem é o adversário, vamos preparar-nos, mas primeiramente temos de pensar em nós e no que pretendemos ver desenvolvido com o nosso trabalho."
Ana Vitória (jogadora do Benfica): "Estamos muito felizes com a vitória e o acesso à final. Não é novidade para ninguém que as finais são o que o Benfica pretende alcançar, e nós trabalhamos para disputá-las. O foco toma o espaço da euforia da vitória, porque temos uma sequência de jogos muito importante pela frente e temos de pensar já nisso. Foi um jogo dificílimo, mas estamos de parabéns. Superámos todas as adversidades que tivemos de enfrentar e saímos com uma vitória clara."
Famalicão-Benfica, 0-3
FICHA
Local Campo n.º 1 da Academia do FC Famalicão
Onze inicial
do Benfica Letícia, Catarina Amado, Sílvia Rebelo, Ana Seiça, Lúcia Alves (Amélia Silva, 77'),
Pauleta (Francisca "Kika" Nazareth, 55'), Christy Ucheibe, Beatriz Cameirão, Ana
Vitória, Cloé Lacasse e Nycole (Marta Cintra, 90')
Suplentes Dani Neuhaus, Amélia Silva (77'), Beatriz Nogueira, Jolina, Francisca "Kika"
Nazareth (55') e Marta Cintra (90')
Ao intervalo 0-1
Marcadoras
do Benfica Ana Vitória (2') e Cloé Lacasse (62' e 70').

VITÓRIA...



 Supremacia colorida com golos

O Benfica bateu o Portimonense por 2-0 na 5.ª jornada da fase de apuramento para a Taça Revelação.
Regresso às vitórias! A equipa Sub-23 do Benfica enfrentou o Portimonense na 5.ª jornada de apuramento para a Taça Revelação, no Benfica Campus, e fez valer as suas forças, triunfando por 2-0.
Consistente e valoroso em todos os sectores, o Benfica colocou-se na dianteira do marcador ao minuto 6. O avançado David Barrero, na conversão de um pontapé de penálti, disparou de pé direito para o interior das redes (1-0).
As águias dilataram a vantagem aos 43'. Diogo Nascimento esteve perto de faturar à boca da baliza (41'), mas o lateral Guilherme Montoia, num remate de pé esquerdo à entrada da área, bateu mesmo o guarda-redes do Portimonense, definindo o 2-0 com que se chegou ao tempo de intervalo.
A segunda parte começou com o Benfica ao ataque. No seguimento de um lance de bola parada, o central Gonçalo Loureiro (reaparecido em competição ao fim de dez meses) foi derrubado na grande área. Penálti prontamente sinalizado pelo árbitro. A cobrança do castigo máximo (49') ficou por conta de Diogo Nascimento, que enganou o guarda-redes, mas não acertou na baliza (a bola passou rente ao poste direito).
Num jogo sempre muito discutido, as águias criaram mais oportunidades de golo, mas as redes não voltaram a balançar. Vitória por 2-0 dos comandados por Luís Castro, que assim recuperam a liderança (à condição) na fase de apuramento para a Taça Revelação.
DECLARAÇÕES
Luís Castro (treinador do Benfica): "Tivemos oportunidades de golo claríssimas, finalizámos duas. A equipa comportou-se muito bem no processo defensivo, fomos compactos, tivemos uma vitória justa. Será uma semana em que trabalhamos com a cabeça mais limpa porque ganhámos, mas o que queremos está a ser conseguido semana a semana. A equipa B já tem muitos jogadores que começaram aqui, e essas são as nossas vitórias semanais, ao longo do processo, da mesma forma que a equipa B já passou alguns jogadores para a equipa A. É evidente que no campo, num clube como o Benfica, temos de jogar sempre para ganhar."
Guilherme Montoia (jogador do Benfica): "O que esteve na origem da vitória foi a nossa busca pelo golo, a maior eficácia. Estávamos a jogar bem, mas a pecar na finalização, e conseguimos melhorar isso neste jogo, foi o que nos levou à vitória, tal como a coesão como equipa. Fomos muito compactos. O meu golo? Foi uma boa sensação, mas os golos pertencem à equipa, é fruto do trabalho de todos. Sem a qualidade dos meus companheiros, jamais marcaria aquele golo."
Benfica-Portimonense, 2-0
FICHA
Local Benfica Campus, Campo n.º 1
Onze do
Benfica Leo Kokubo, Rafael Rodrigues, António Silva, Gonçalo Loureiro, Guilherme Montoia,
Rafael Brito, Tomás Azevedo (78'), Martim Neto, Henrique Pereira (Pedro Santos, 58'),
Diogo Nascimento (Cher Ndour, 90') e David Barrero (77')
Suplentes Pedro Souza, Gonçalo Negrão, Nuno Félix, Manuel Campos, Hugo Félix, Pedro Santos
(58'), Cher Ndour (90'), Diego Moreira (78') e João Resende (77')
Golos do
Benfica David Barrero (6' gp), Guilherme Montoia (43')

O BAILARINO QUE TINHA O Nº136954



 "Salamo Arouch sobreviveu a Auschwitz à custa de punhos. Pelas suas contas venceu mais de 200 combates.


No Independent havia um jornalista chamado David McKittrick com um jeito supimpa para escrever obituários. Dava vontade de dizer: estou ansioso para ler o meu. No dia 26 de abril de 2009 coube-lhe falar sobre Salamo Arouch, a quem chamavam O Bailarino. Tinha cumprido um belo naco de vida quando a morte o ceifou com 86 anos, em Tel Aviv, Israel. Aliás, há que dizer que dificilmente alguém com a vida que Arouch levou teria chegado a essa idade. «Salamo Arouch was a particularly tough Jewish boxer who needed every ounce of his toughness to stay alive during two years in Auschwitz concentration camp, where hundreds of thousands were put to death», lançava David no início da sua prosa. Sim, na verdade Arouch sobrevivera à custa dos punhos. Ele que até era um meia-leca, não indo além de um metro e sessenta e oito de altura, assim mesmo por extenso, porque era um homem por extenso e foi sempre um resistente por extenso.
Nascido em Salónica, na Grécia, no dia 1 de janeiro de 1923, filho de um estivador que tinha por conta, além dele, mais dois rapazes e quatro raparigas, aos 14 anos já andava pelo porto do mar Egeu carregando e descarregando caixotes dos navios que iam e vinham e o faziam sonhar com uma vida longe da comunidade judaica da qual fazia parte. O tempo passa, e como passa… Quando a II Grande Guerra rebentou, já O Bailarino tirava proveito da sua força bruta nos ringues de boxe, abatendo adversários como quem derruba manequins da montra do Grandella, tendo sido campeão grego de pesos-médios em 1938 e vencedor da mesma categoria no torneio dos países balcânicos. Podia ufanar-se de, em 24 combates, ter vencido todos, com o impressionante pormenor de somar 24 KO. Por essa altura, sentiu que o dever pátrio o chamava e alistou-se no exército grego. As coisas não lhe correram de feição nos campos de batalha. Não tardou a ser feito prisioneiro e os nazis caçaram-lhe a família por inteiro e despacharam-na por via férrea para essa estrumeira da Humanidade que levou o nome de Auschwitz-Birkenau.
No dia 15 de maio de 1943, os Arouch foram recebidos como untermenchen e Salamo ganhou uma tatuagem no braço direito com o n.º 136954. Num abrir e fechar de olhos, arrasaram-lhe a família. Pais e irmãos caíram do céu pardo de Oswiecim em forma de cinzas. Salamo aguentou-se. Os oficiais nazis gostavam de ter boxeurs por conta. Programavam lutas duas ou três vezes por semana e ganhavam boas maquias nas apostas a favor dos seus preferidos em caso de vitória. Esses combates duravam, frequentemente, até à morte de um dos contendores, mas não havia nenhum dos prisioneiros de Auschwitz que não preferisse morrer no ringue do que numa câmara de gás. O Bailarino não fugiu aos escrutínios das bestas do apocalipse alemão. Envolvido na teia sinistra da barbárie, decidiu conquistar o direito à vida através dos punhos. Muitos anos mais tarde, numa entrevista, foi simples na maneira como explanou a sua filosofia: «Ou ganhava ou morria». Ganhou.
Salónica é uma cidade simpática, capital da Macedónia de Alexandre, orgulhosa do seu passado como dominadora do mundo que se estendia da Grécia até à Índia. Durante décadas a fio atraiu muitas famílias judias a ponto de, em 1939, os judeus se contabilizarem em cerca de 47 mil. Em menos de um ano as alimárias de Hitler reduziram esse número à insignificância de 2 mil.
O pijama às riscas e o número tatuado no braço não envergonhavam Salamo. Pelo contrário: encontrou neles uma motivação para a resistência. Os ataques frequentes de disenteria em vez de o abaterem tornavam-no mais duro, mais impiedoso. O seu estilo intrépido fez dele um dos favoritos de vários oficiais da Schutzstaffel que exibiam canalhamente nas fardas o emblema da caveira e ossos. Passou a ser chamado mais vezes ao ringue. Raras eram as semanas em que não o sujeitavam a três combates. O Bailarino de Auschwitz ganhou a tenacidade do aço.
Foi o próprio Salamo que fez as contas: durante os dois anos que passou em Auschwitz realizou mais de duzentos combates. Muitos daqueles homens que venceu e, com isso, atirou para os crematórios, eram seus companheiros de caserna, mas não lhes era dado o privilégio da escolha. Quando um dos boxeurs resistia durante mais tempos aos seus punhos demolidores, um qualquer Obersturmbannführer menos paciente mandava interromper a luta e decidia arbitrariamente o vencedor. Arouch valia demasiado em apostas para ficar do lado dos derrotados, que era o mesmo que dizer do lado dos mortos. «Não houve um único combate em que tivesse participado que terminasse sem que aqueles monstros bêbados e excitados tivessem visto sangue. Era como uma sede incontrolável», recordou Salamo antes de tomar o mesmo caminho dos que vencera. No dia 17 de janeiro de 1945, Salamo foi transferido para Bergen-Belsen. A guerra estava à beira do fim mas os nazis continuaram a explorar a sua força colossal em trabalho escravo. Os seus punhos partiram pedras até ao dia da libertação."