terça-feira, 27 de abril de 2021

CIRCO!



 


"Mais um episódio dignificante para o futebol português protagonizado por Sérgio Conceição e Rui Cerqueira, assessor responsável pela Comunicação do FC Porto e protagonista do triste episódio com o jornalista João Pedro Silva, em 2009, e Duarte Monteiro, há cerca de um mês.
Recordamos que, neste último episódio, o jornalista foi insultado por esta personagem e, como se tal não bastasse, viu-se ainda ameaçado por adeptos do FC Porto, chegando a apagar a sua conta do Twitter, a posteriori, de forma a proteger a sua integridade pessoal.

JÁ VI ISTO EM ALGUM LADO!!!

 



"E que tal dar porrada em jornalistas, tendo como cabecilha o próprio presidente do clube? FC Porto sempre na vanguarda da violência e intimidação.
De relembrar que denunciámos o autor destes actos bárbaros e animalescos em 2019, neste artigo: 
Divulguem esta vergonha. Temos a obrigação de fazer a nossa parte e denunciar esta podridão."

MAIS UMA...!!!



 "Estivemos para não dizer nada hoje porque foi uma das noites mais negras do futebol português e já está a ser difundido em algumas TV’s. Mas não, isto tem mesmo de ser transmitido por todos os canais possíveis. O Calor da Noite é uma Associação Criminosa sem paralelo. São 40 anos disto. Imaginem agora o que não se passará nos bastidores. A impunidade até hoje é que permitiu que se batesse neste fundo. Intervenção do Governo e já!


P.S.-  "Estivemos para não dizer nada hoje porque foi uma das noites mais negras do futebol português e já está a ser difundido em algumas TV’s. Mas não, isto tem mesmo de ser transmitido por todos os canais possíveis. O Calor da Noite é uma Associação Criminosa sem paralelo. São 40 anos disto. Imaginem agora o que não se passará nos bastidores. A impunidade até hoje é que permitiu que se batesse neste fundo. Intervenção do Governo e já! P.S.- O agressor que ataca com a benção do fugitivo de Vigo é Pedro Pinho. Empresário ligado ao Calor da Noite responsável pelo trabalho sujo de bastidores, que inclui alegados pagamentos a jogadores e guarda redes adversários para abrirem as pernas ao Calor da Noite. Repulsa total!" Arquivo da Fruta, in Facebook O agressor que ataca com a benção do fugitivo de Vigo é Pedro Pinho. Empresário ligado ao Calor da Noite responsável pelo trabalho sujo de bastidores, que inclui alegados pagamentos a jogadores e guarda redes adversários para abrirem as pernas ao Calor da Noite. Repulsa total!"

Arquivo da Fruta, in Facebook 

LUCAS MINEIRO | A PEÇA QUE FALTA NA MINA DA LUZ?



 "Com a temporada a terminar começam a surgir os primeiros rumores sobre eventuais transferências com o intuito de reforçar as equipas para a época seguinte. Fala-se, então, no interesse dos encarnados no médio brasileiro Lucas Mineiro, jogador que esta temporada representa o Gil Vicente FC por empréstimo da Associação Chapecoense de Futebol.

Depois de uma temporada aquém do esperado por parte do SL Benfica, principalmente após o investimento que foi feito no verão passado, as contratações neste próximo defeso terão de ser cirúrgicas.
Os gilistas têm opção de compra sobre o jogador na ordem dos 500 mil euros, contudo, terão de cobrir uma eventual proposta se esta for superior a este valor caso queiram contar com o atleta na próxima temporada.
As “águias” seguem, ao que tudo indica, atentamente o jogador e esperam assinar o brasileiro que tem também o interesse do SC Braga, de clubes ingleses, turcos e russos. Contudo, o agente de Lucas Mineiro, Fernando Brito, afirmou que ainda não há qualquer proposta em concreto. O médio leva já dois golos na atual edição da Primeira Liga e é titular indiscutível da equipa de Ricardo Soares.
Lucas Mineiro chegaria à Luz para reforçar o meio campo das “águias”, que contam com inúmeros jogadores de qualidade para a posição. Weigl, Taarabt, Pizzi, Gabriel e ainda Samaris são alguns dos nomes que constam na lista de jogadores para ocupar as posições mais ao centro do terreno de jogo, pelo que Lucas Mineiro teria bastante concorrência por um lugar no onze.
Lucas Mineiro é um médio centro que possui uma grande envergadura (188 cm), mas que ao mesmo tempo é ágil. Tem facilidade em sair a jogar com a bola nos pés e a arranjar linhas de passe, para além de ter uma capacidade de decisão rápida. É um médio canhoto com qualidade acima da média, forte no jogo aéreo, fazendo da sua altura uma vantagem. Pode jogar na posição “8” e “6”, sendo que se sente mais confortável na primeira, mas o SL Benfica tem melhores soluções no seu plantel.
Uma possível contratação do jogador de 25 anos será ou para dar profundidade ao plantel de Jorge Jesus ou então para ser cedido, por empréstimo, a uma outra equipa para ganhar minutos e desenvolver as suas capacidades. Embora seja um bom jogador, Mineiro não me parece ter a qualidade necessária para assumir a titularidade, ou até mesmo um lugar no banco do Sport Lisboa e Benfica, isto porque existem melhores soluções no atual plantel.
O jogador brasileiro tem ainda margem de progressão, pelo que jogar mais uma temporada num clube como o Gil Vicente FC, por exemplo, seria benéfico para o seu desenvolvimento enquanto jogador. A qualidade está claramente lá, mas ainda necessita de aprimorar algumas caraterísticas do seu jogo para dar o próximo passo na sua carreira.
Ainda assim, é expectável que o Sport Lisboa e Benfica tente a contratação deste jogador no início do próximo defeso, sendo que é uma opção “barata” para reforçar o meio campo encarnado."

SL BENFICA 2X1 CD SANTA CLARA: O BANCO MEXEU COM O SISTEMA



 "A Crónica: «Uma Equipa. Dois Sistemas», Será Que Funciona Algum?

Não sou de envolver política no desporto (apesar de estar bem enraizada no mesmo), mas as declarações de Jorge Jesus fez-me lembrar o slogan que se aplica à China (“Um país. Dois sistemas”). O caso do SL Benfica a situação é muito semelhante, contudo, ao invés de ser um sistema económico era um sistema tática. A dúvida da antevisão (a dos três centrais) foi desfeita e também a surpresa de Daniel Ramos era revelada – como se de um chocolate de uma marca da qual todos conhecem… não posso fazer publicidade.
“Uma equipa. Dois sistemas” passou inevitavelmente a ser o slogan encarnado. Também é inegável que o Santa Clara viajou de uma ilha. Ora as evidências estão em cima da mesa e a comparação de hoje, infelizmente política, olharemos para a China e para Taiwan. O jogo estava muito morno e sem nada a acontecer, além do atrevimento açoriano. Faltava algo ao jogo… claro está! Um golo.
Depois de nada ter sido feito para que o Benfica pudesse chegar sequer com perigo à baliza de Marco, houve um golo encarnado. Ninguém conseguiu travar Everton cruzou e foi Carlos Jr. a faturar… na própria baliza. 1-0 aos 26 minutos. O sistema podia nem funcionar em jogo jogado, mas a verdade é que os encarnados iam vencendo. Enfim, coincidências. Não fosse o falhanço inacreditável de Seferovic o resultado podia ser outro, mas manteve-se o resultado ao intervalo.
Na segunda parte, os açorianos tinham entrado mais interventivos e com vontade de esclarecer o resultado que ia permanecendo. Aos 60 minutos, a formação encarnada quase ia dando frutos para… o Santa Clara. Rafael Ramos ia marcando um golaço se não fosse Helton Leite. Porém, o guarda-redes brasileiro do Benfica não teve grandes hipóteses. A insistência deu frutos para os açorianos que fizessem o golo, aos 62 minutos. Lincoln teve bem no corte, Cryzan cruzou atrasado e Anderson Carvalho empatou. Um sistema a colapsar? Continuemos…
Na primeira vez em que realmente tudo correu bem com o trabalho dos laterais, Rafa progrediu bem no terreno e passou a Diogo Gonçalves. O lateral encarnado acompanhou a subida e fez um belo passe atrasado para Chiquinho encostar para a baliza. O sistema pode até não ser muito produtivo, mas era eficaz. Um jogo que contou pelo resultado e não pela exibição. O SL Benfica está a dez pontos do líder da Primeira Liga, Sporting CP, e os açorianos ficam com muitas dificuldades para chegar aos tão ambicionados lugares europeus.

A Figura
Lincoln – Teve uma tarefa complicada aquela que foi confiada ao número dez dos açorianos e esteve ao nível daquilo que foi pedido. O facto de ter de variar de posição em grande parte do jogo trouxe muitos benefícios para si e para a própria equipa. Aliás, é ele quem tem a insistência para o golo solitário do Santa Clara. Foi peça importante para muitas ações que os açorianos tiveram ofensivamente.

O Fora de Jogo
Haris Seferovic – Com as oportunidades claras (porque também foram poucas aquelas que o Benfica criou), tinha de ter saído com os dois golos das oportunidades que teve. Deslumbrou-se do facto de ter marcado um grande golo a jornada passada? Foi um jogador sem grande reação e participou pouco nos processos da equipa. Parece ser um jogador que varia entre o “goleador” e o “vacilo man“.

Análise Tática – SL Benfica
Jorge Jesus não tinha descortinado qual podia ser a tática inicial dos encarnados, mas ao que parece o técnico português quis continuar a aposta nos três centrais. O Benfica apresentou um 3-5-2, o que já começa a ser um novo normal por parte da equipa. Apenas de registar duas alterações no onze inicial em relação à última partida: a entrada de Julian Weigl e de Everton e as consequentes saídas de Gabriel e Adel Taarabt.
Dificuldades dos comandados de Jorge Jesus em conseguir com que os processos ofensivos fossem concretizados. A culpa podia, e devia, ser atribuída aos dois lados, visto que parecia que nada saía bem ao SL Benfica e os açorianos vinham com a lição bem estudada. Pouco jogo interior foi feito por parte das águias que exploravam muito mais as laterais.
As dificuldades continuaram a existir na segunda parte, mas o relaxar dos açorianos na partida levou a que mais vezes os laterais conseguissem ter espaço para cruzar. Foi pelo lado de Diogo Gonçalves que o golo da vitória encarnada, um dos pouco movimentos que resultou com os laterais.

11 Inicial e Pontuações
Helton Leite (6)
Lucas Veríssimo (5)
Jan Vertonghen (5)
Nicolas Otamendi (5)
Alex Grimaldo (5)
Diogo Gonçalves (5)
Julian Weigl (5)
Pizzi (6)
Everton (6)
Rafa Silva (5)
Haris Seferovic (4)
Subs Utilizados
Chiquinho (7)
Darwin Nuñéz (5)
Gilberto (5)
Pedrinho (-)
Luca Waldschmidt (-)

Análise Tática – CD Santa Clara
Os açorianos vieram à capital para jogar igual a si próprios, tal como Daniel Ramos já tinha dito na antevisão à partida. A verdade é que o 4-3-3 do Santa Clara voltou a ser a aposta por parte do técnico da formação de São Miguel. João Afonso acabou por ocupar o lugar no centro da defesa depois de Fábio Cardoso não conseguir prestar contributo à sua equipa devido à acumulação de amarelos.
Apesar de existir uma grande vontade de vontade de manter a imagem natural do Santa Clara, Daniel Ramos prometeu uns pequenos pormenores. Quando se defendia a formação dos Açores trocavam de posições Allano e Lincoln. O número sete ficava responsável pelo lado esquerdo da defesa na ajuda ao lateral Mansur, enquanto que o número dez ajudava na pressão à construção dos encarnados. Nesta situação em específico, o Santa Clara ficava num 5-2-3 enquanto que em ações defensivas o mesmo 4-3-3.
Lincoln e Allano deram uma dupla interessante principalmente a nível atacante em que o Lincoln baixava e arrastava o último central do lado esquerdo e Allano aparecia totalmente sozinho no mesmo lado. Na segunda parte, os açorianos pressionaram mais alto no campo e conseguiram recuperar muitas bolas em zona subida do terreno, uma delas até conseguiu concretizá-la em golo. O relaxar defensivo levou a que sofressem o segundo golo.

11 Inicial e Pontuações
Marco (5)
Rafael Ramos (6)
João Afonso (5)
Mikel Villanueva (5)
Mansur (5)
Hide Morita (6)
Anderson Carvalho (6)
Lincoln (7)
Allano (6)
Cryzan (5)
Carlos Jr. (4)
Subs Utilizados
Rui Costa (5)
Costinha (5)
Jean Patric (-)
Ukra (-)
Nené (-)

BnR na Conferência de Imprensa
SL Benfica
Não foi possível fazer pergunta ao treinador do SL Benfica, Jorge Jesus.

CD Santa Clara
BnR: O Allano ficou responsável de ajudar mais no lado direito enquanto que o Lincoln ficava na frente com Carlos Jr e Cryzan. Era este o pequeno pormenor defensivo que falava na antevisão e se esta mudança também tinha uma ideia ofensiva estudado nesta alteração?
Daniel Ramos: Sim, embora já o tenhamos feito ao longo do campeonato. É preciso perceber que há nuances defensivas que nos permitem ficar equilibrados. Há diferença entre defender com uma linha de cinco e outra de defender com quatro e estando com os laterais projetados. Com este sistema do SL Benfica que apresentou hoje [com os três centrais] decidimos arriscar com este sistema tático. Já há bastante tempo atrás temos feito isto com equipas que têm apostado com três defesas e com constroem desta forma. Foi muito mérito nosso a forma como contrariámos o Benfica. Eu nunca vi o Benfica a atrasar tanto a bola para trás como vi durante este jogo. Por isso, tivemos muito mérito e houve essa articulação [entre o médio e o extremo], mas também defendemos o corredor esquerdo, com o Rafael Ramos, Morita e o Anderson, e direto da mesma forma. Já fizemos durante muitas vezes durante este campeonato isto e tivemos grande qualidade."

SUPER LIGA: TAKE ONE



 "Os últimos tempos foram tempos de todos, desde políticos a apresentadores, desde jornalistas a comentadores, desde treinadores a jogadores, aparecerem a construir uma narrativa em torno da Superliga Europeia de Futebol (em desfavor da mesma, entenda-se!). E quase todos – raras foram as excepções – construíram uma narrativa criando um cenário arreigado de verosimilhanças e de lógicas. Inclusivamente assistimos às chamadas manifestações dos adeptos – chamemos-lhes “adeptos” por enquanto…

Identificam-se de imediato duas falácias: a primeira, produto do veiculado pelos ‘media’ e transmitida por pseudo-informados, a segunda pelos que revelam falta de um conhecimento mais profundo do fenómeno desportivo.
O melhor exemplo do funcionamento do capitalismo (liberalismo, neoliberalismo ou coloquem-lhe o rótulo que quiserem) é exactamente o desporto. E é à semelhança do desporto que a sociedade se coloca em marcha. Podemos dizer, na senda de Brohm, Perelman e Redeker, que a sociedade actual é um reflexo do desporto: são os rankings das escolas, são as olimpíadas de toda e qualquer disciplina de ensino, é a quantificação de infectados, de internados e de mortos com os consequentes recordes, é a promoção por meritocracia (com a ausência real de igualdade de oportunidades, um dos mitos do desporto)… e até os juízes (e reparemos que os árbitros de futebol ou de outra qualquer modalidade eram os únicos juízes a ser vaiados, insultados ou mesmo agredidos) e até os juízes, dizíamos, são agora contestados nas suas decisões abertamente nas televisões, nos jornais, nas redes sociais, nas petições. O desporto impõe a nossa ocupação do tempo livre, impõe a nossa maneira de vestir, de calçar, e até somos colonizados pelo vocabulário que, linguisticamente, nos obriga a utilizar – vejamos as novas próximas modalidades no programa dos J. O. em Paris 2024: ‘skateboarding’, ‘sport climbing’, ‘surfing’ e ‘breaking’.
Tudo em prol de uma economia de mercado. E como nos diz Anselm Jaap (1), “a sede de dinheiro nunca pode extinguir-se porque o dinheiro não tem como função satisfazer uma necessidade precisa. A acumulação do valor e, portanto, do dinheiro não se esgota quando a «fome» é saciada, parte de novo e imediatamente para um novo ciclo alargado.”
A formação de uma Superliga Europeia de Futebol não é mais do que o arranque de uma actividade económica formada por operadores societários que cada vez mais apostam neste comércio com base em negócios que nem sempre são os mais transparentes. É fruto de uma ideologia que comanda o mundo, em que aqueles que tudo possuem dominam os muitos que se julgam remediados e os muitíssimos que nada têm. Logo, tudo normal para um grupo bilderberguiano com parceiros como o JP Morgan e a Key Capital Partners.
Vieram a terreiro UEFA e FIFA defender os seus pergaminhos, esquecendo-se que os grandes clubes europeus são controlados por norte-americanos, russos, árabes, chineses, tailandeses e singapurenses, mais interessados no lucro que nos eventuais valores do desporto (Roman Abramovich, Chelsea; Nasser Al-Khelaïfi, Paris Saint-Germain; Sheikh Mansour, Manchester City; Stan Kroenke, Arsenal; Guo Guangchang, Wolverhampton; Vichai Srivaddhanaprabha, Leicester City; Peter Lim, Valência). Mas sobre isto, nada! Sobre os dinheiros associados aos direitos televisivos, nada! Sobre o negócio das apostas desportivas, nada! Sobre os lucros dos intermediários nas transferências dos jogadores, nada! Mas preocupadas com a contrafacção e venda em paralelo de camisolas, cachecóis e bonés dos clubes… Certo é que a Superliga durou apenas dois dias. O caricato, para não dizer a hipocrisia, vem através de Alberto Colombo («O Jogo», 24.04.2021, p.29), secretário-geral adjunto da Associação das Ligas Europeias, ao afirmar que “ao longo dos últimos dias temos assistido à união de toda a comunidade do futebol em torno dos princípios e valores da inclusão, do mérito desportivo e solidariedade.”
O sistema de ligas fechadas proveniente dos Estados Unidos (o arranque deu-se em 1871 com o basebol) – tal como a NFL e a NBA – tem sido apontado como modelo para esta Superliga Europeia. Nada de mais errado! Se nos EUA os campeonatos são disputados sempre pelas mesmas equipas, todos com muito peso económico e grande adesão por parte do público, uma coisa não pode ser descurada: cada uma delas possui pelo menos um patrocinador de traquejo elevado. Se não há promoções ou descidas (ausência do mérito desportivo), também não há critérios desportivos para a entrada de novas equipas mas há critérios económicos e selectivos. Desse modo há a garantia de que estas equipas terão sempre retorno financeiro dadas as autênticas máquinas montadas ao seu redor. Representam grandes cidades e rejeitam outras equipas da mesma cidade para não haver concorrência interna. Por ultimo, estas ligas procuram estender-se para zonas geográficas ainda não abrangidas pelas mesmas de modo a cobrirem o maior número de regiões dos EUA ou até mesmo do Canadá. A Superliga Europeia de Futebol não era compatível com muitos destes requisitos.
E quando Jorge Valdano («A Bola», 25.04.21, p. 32) pergunta se “o povo ainda manda?” surge-nos uma terceira falácia, dado que o mesmo considera que “o povo é o único dono do futebol” e que foi graças a manifestações de rua dos «adeptos» (continuemos a chamá-los assim) que se impediu a continuação deste projecto. Não, o futebol já não é do povo, o futebol é do negócio. O povo vai sendo manipulado, o povo vai-se acomodando…
Quando eram exibidos, nessas manifestações, cartazes com palavras como ‘fans are supporters, not customers’, a perspectiva daqueles que os empunhavam, vítimas já de uma formatação, é exactamente aquela que nos pretendem induzir mas, lamentando desiludi-los, na realidade são consumidores. Consomem ingressos, consomem cachecóis, consomem camisolas, consomem bonés e tarjas, consomem bandeiras, consomem TV, ‘internet’ e electricidade, consomem publicidade que os faz ainda consumir mais e mais e mais... logo, para o grande capital não há interesse em apresentá-los como consumidores mas sim como adeptos. Que ninguém se iluda com o cliché de que foram os «adeptos que salvaram o futebol» porque, na realidade, não foram e são eles que o estão a pagar.
Mesmo quando se aborda a questão da luta «dos pobres contra os ricos», a questão a ser abordada deveria ser precisamente a «dos consumidores enganados contra os ricos» ou a «dos manipulados contra o capital» – o capital precisa deles, o capital forma-os e constrói-os. Logo, a luta «dos pobres contra os ricos» ou os «adeptos, não clientes» não deixa de ser senão uma perpetuação daquilo que nos tem sido inculcado até agora. É a reprodução de que nos falava Bourdieu…
Falácia também quando Daniel Oliveira («Expresso», 23.04.2021, p. 33) afirma que “o clubismo não é alienação, é comunidade. A racionalidade desalmada dos negócios é que aliena as nossas paixões.” A irracionalidade desalmada do lucro é que aliena as nossas paixões e o clubismo não passa de uma outra forma de fundamentalismo.
Independentemente das esferas económicas, políticas e/ou desportivas, assistimos ao nascimento da Euroligue Basketboll (2000) e da International Swimming League (2019)... ligas fechadas… e a Terra continuou a mover-se... e o capital também! Não deixou de haver desportistas explorados, não deixou de haver casos de morte súbita, a violência no desporto não terminou, a morbilidade dos competidores e o fim precoce de carreiras desportivas não desapareceu, alegadamente o doping, a corrupção e as fraudes desportivas continuaram presentes... e continuaram – e continuam – a necessitar do treino intensivo precoce, o tal que motiva a exploração infantil.
Não, não é necessário formar-se uma Superliga Europeia de Futebol até porque já a teremos aí em 2024/25 dado que a UEFA Champions League irá ter um novo formato com 36 clubes participantes. As alterações que se aproximam irão deixar de promover a desigualdade? Deixarão de privilegiar os clubes habituais? Repartirão mais dinheiro pelos mais pequenos? As verbas das transmissões televisivas serão distribuídas equitativamente? Tememos que não. De facto não será uma liga fechada, mas os maiores proventos serão para a UEFA em vez de para os participantes...
Como nos disse Saramago, é preciso sair da ilha para ver a ilha. É um problema de deslocação, é uma questão de nos colocarmos noutro sistema de referência, mas se observarmos o fenómeno a partir de ambos os sistemas compreenderemos melhor o mesmo. Deveria assim o desporto, na esteira de Michel Foucault (2), ser analisado a partir das técnicas e tácticas de dominação e “mostrar como são as relações efectivas de submissão que os sujeitos constroem.”"

CÃES RAIVOSOS À SOLTA EM MOREIRA DE CÓNEGOS E PIU PIU


 

segunda-feira, 26 de abril de 2021

VITÓRIA SAIU DO BANCO



 O médio foi decisivo ao marcar o segundo golo do Benfica e a dar a vitória aos encarnados sobre o Santa Clara num jogo em que os açorianos venderam muito cara a derrota por 2-1 e só se podem queixar de si (e da sorte) por não saírem da Luz com, pelo menos, um ponto

Por essa estrada, como diria Zeca Afonso, veio Chiquinho e o médio aproveitou para dar um pouco mais de cor a uns encarnados que apareceram muito murchos na ressaca do dia da liberdade. Sem rasgo nem criatividade, podem agradecer a vitória por 2-1 frente ao Santa Clara ao momento infeliz de Carlos Júnior, à falta de mais acerto na finalização e à grande exibição de Helton Leite, que parou quase tudo. Não foi bonito, foi sofrido, mas a operação acabou por ter o resultado pretendido.

Os açorianos fizeram o suficiente para sair com outro resultado da Luz e voltaram a mostrar que a época tranquila que estão a realizar não é fruto do acaso. Bom trabalho de Daniel Ramos que pegou na base de trabalho sólido dos últimos anos para criar uma equipa que joga como tal, e com um conjunto de jogadores que parece sempre saber o que fazer em campo.
A ideia de jogo positiva dos visitantes cedo se mostrou no recinto encarnado e o Benfica foi sempre revelando muitas dificuldades em contrariar o jogo do Santa Clara. As águias entraram em campo com Weigl e Éverton como novidades no onze e com Jorge Jesus a não abdicar do 3-4-3, como de resto tem sido recorrente nos últimos jogos.
À entrada positiva do Santa Clara o Benfica respondeu com a primeira grande oportunidade do jogo, com Pizzi a rematar rente ao poste esquerdo aos 11 minutos após um boa jogada individual. Uma gota no oceano, diga-se, porque os encarnados revelavam-se incapazes de pegar no jogo e, durante boa parte, só deu Santa Clara. Literalmente, como vai perceber no próximo parágrafo.
BALIZA ERRADA
Os açorianos ameaçavam e acabaram por marcar. Com a pequena nota de ter na sido na própria baliza. Incursão de Everton pela direita a passar em velocidade por três jogadores do Santa Clara e a centrar para o meio, onde apareceu a infeliz cabeça de Carlos Júnior a desviar a bola para um autogolo que colocava o Benfica em vantagem completamente contra a corrente do jogo, aos 26 minutos.

Já se sabe que o futebol tem destas coisas e mesmo a fazer muito pouco por isso, o Benfica podia logo a seguir ter aumentado a vantagem para 2-0. Não tivesse Seferovic feito aquilo que parecia o mais difícil quando tinha a baliza à sua mercê e rematado por cima.
Podia ter sido um jogo diferente, só que a vantagem não aumentou, e o Santa Clara continuou a dominar perante o torpor benfiquista. Os açorianos atacavam com um futebol esclarecido e vistoso de pé para pé, e foram a perder para o intervalo sem ter feito por o merecer. O que poderá ter espicaçado os jogadores para a entrada de rompante na segunda parte em que os encarnados mal conseguiam sair da sua metade do campo.
Com Cryzan e Lincoln em destaque, os remates e as ameaças iam surgindo com naturalidade. Helton Leite mostrava-se seguro e foi com uma grande intervenção que negou o que seria um golo muito bem conseguido de Rafael Ramos, na cobrança de um livre direto aos 59 minutos. O Benfica não conseguia sacudir a inoperância, e na sequência de uma série de passes falhados por Éverton, Jorge Jesus prescindiu do brasileiro para colocar Chiquinho em campo. PRIMEIRO REMATE
O golo parecia estar cada vez mais próximo e acabou mesmo por surgir, desta feita, pelo prisma visitante, na baliza certa. Falha de Otamendi que perde a bola para Lincoln, com este a cruzar de pronto para a entrada da grande área onde apareceu Anderson Carvalho a rematar aos 62 minutos para o fundo das redes encarnadas.
Era o empate merecido e o Benfica parecia estar vulnerável. Do banco, a ansiedade era visível e Jorge Jesus fez entrar Darwin para tentar mexer com a equipa. E, mesmo sem deslumbrar, acabou por conseguir, quando o Benfica voltou a colocar-se em vantagem. Naquele que foi o primeiro remate das águias em toda a segunda parte, Chiquinho também apareceu solto de marcação para converter um cruzamento de Diogo Gonçalves aos 73 minutos e penalizar a boa resposta do Santa Clara.
O segundo golo tirou um pouco de oxigénio aos açorianos, que continuaram mais atacantes, mas sem conseguir impor o domínio e futebol escorreito que demonstravam antes, ao passo que o Benfica conseguia controlar melhor as incidências e libertar-se mais no ataque, apesar da falta de clarividência no último terço continuar a ser uma constante.
Certo é que o marcador não voltou a mexer e o Benfica emerge vitorioso de um jogo muito difícil e em que o Santa Clara pode pensar que merecia algo mais. Chiquinho saiu à rua na hora certa para aumentar a vantagem do Benfica sobre o Braga e esperar para ver o que faz o FC Porto em Moreira de Cónegos.

EMPATE...



 Divisão de pontos era o mínimo

Quatro golos no jogo que opôs Benfica B e Penafiel (2-2) na 30.ª jornada da II Liga.
Benfica B e Penafiel enfrentaram-se na 30.ª jornada da II Liga no Benfica Campus e, num jogo com alternâncias no resultado, empataram 2-2.
Os primeiros 45 minutos foram discutidos a um ritmo vivo, mas os vislumbres de golo rarearam. O Benfica B entrou melhor e gizou um lance interessante aos 7', com Umaro Embaló a controlar o esférico perto da grande área penafidelense e depois a fazer um passe venenoso para a zona de finalização, onde o central Capela impediu in extremis o remate do avançado Henrique Araújo.
O conjunto nortenho deu troco no bem tratado relvado do Campo n.º 1 do Benfica Campus e esboçou um par de aproximações perigosas à baliza confiada a Mile Svilar. O guarda-redes belga foi posto à prova num remate de Bruno César aos 32' e correspondeu com uma intervenção valiosa.
Recuperando o ascendente no encontro, o Benfica B (60% de posse de bola na etapa inicial) desenvolveu uma jogada prometedora aos 37', e foi por muito pouco que não resultou em golo: Frimpong cruzou sobre a esquerda e Henrique Araújo cabeceou com pontaria na área, mas o guarda-redes Luís Ribeiro estirou-se e repeliu o esférico para canto.
Já em tempo de compensação (45'+1') surgiu a melhor oportunidade para as águias desfazerem o nulo: Henrique Araújo descaiu para a esquerda e centrou na direção de Tiago Gouveia, que, bem colocado, rematou à barra. Na tentativa de recarga, Martim Neto chutou de pé direito para fora. Ao intervalo: 0-0.
O Benfica B iniciou a segunda parte com uma alteração na equipa: saiu Tomás Araújo, entrou Rafael Brito (baixando Diogo Mendes para defesa-central). E foi das... mãos do novo elemento em campo que nasceu o golo inaugural (48'): Rafael Brito fez um lançamento de linha lateral à direita, longo, para o interior da área, um defensor tentou sacudir o esférico daquela zona, mas a verdade é que a bola ficou à mercê do remate de Tiago Gouveia, que, desta feita, não perdoou (1-0).
O Penafiel igualou o placard ao minuto 68: solicitado em velocidade na asa esquerda, Simão cruzou de pronto e Ronaldo Tavares ganhou o duelo na área, cabeceando para o 1-1.
O Penafiel igualou o placard ao minuto 68: solicitado em velocidade na asa esquerda, Simão cruzou de pronto e Ronaldo Tavares ganhou o duelo na área, cabeceando para o 1-1. Volvidos três minutos, a reviravolta no marcador: de novo Simão a romper na esquerda e a centrar, cabendo a finalização a Pedro Soares, que, de cabeça, deu vantagem aos visitantes (1-2 aos 71').
Jair Tavares, que foi a jogo ao minuto 76 (tal como Luís Lopes), protagonizou um lance rápido aos 81', pelo lado esquerdo, e, com um disparo de pé direito na área, poderia ter empatado o score. No entanto, o guardião Luís Ribeiro deteve o esférico. O Benfica B nunca se conformou com a desvantagem, forçou e, numa insistência após canto na esquerda, rubricou o 2-2 por intermédio de Luís Lopes, num oportuno cabeceamento.
A vitória podia ter pendido para os encarnados aos 90'+4': Jair Tavares cruzou com as medidas certas, sobre o corredor esquerdo, e Henrique Araújo cabeceou com intenção, mas um palmo acima da barra. Resultado final: 2-2.
No domingo, 2 de maio, às 11h15, as jovens águias visitam o reduto da Oliveirense na 31.ª jornada.
DECLARAÇÕES
Nélson Veríssimo (treinador do Benfica B): "Foi um jogo muito difícil, como nós estávamos à espera, o Penafiel com boa equipa, bem orientada pelo Pedro [Ribeiro]. Foi um desafio bastante equilibrado na primeira parte, com oportunidades de golo para as duas equipas, na segunda parte começámos o jogo com o nosso golo, que acabou por nos dar alguma tranquilidade, depois houve um período em que a equipa ficou um pouco mais intranquila, que foi no momento em que sofremos o primeiro golo e logo de seguida o segundo… Quero realçar a reação que a nossa equipa teve perante a dificuldade, de tentar ir à procura de outro resultado que não a derrota. O empate acaba por se ajustar àquilo que foi o comportamento das duas equipas."
Luís Lopes (avançado do Benfica B, "Homem do Jogo"): "Um jogo muito bem disputado, com oportunidades para as duas equipas… Nós demos tudo até ao fim, acreditámos e conseguimos chegar ao empate. [Sobre o golo marcado] Foi um lance trabalhado pela equipa, li bem o lance, calculei onde a bola ia cair e com instinto matador consegui pôr a bola lá dentro. Sabíamos que ia ser um jogo muito difícil, contra um Penafiel que está taco a taco connosco na tabela e penso que o resultado foi justo."
Tiago Gouveia (avançado do Benfica B): "Foi um jogo muito bem disputado entre duas equipas muito competentes. De realçar que estivemos a perder e conseguimos alcançar um empate, mas no geral foi um resultado justo. Todos os jogadores gostam de jogar, ainda por cima neste Clube é espetacular, evoluir aqui todos os dias é muito bom, mas neste momento o que importa é a equipa. Marquei um golo, mas isso pouco ou nada interessou porque a equipa não ganhou e isso é que é sempre o mais importante num jogo como este."
Benfica B-Penafiel
2-2
Benfica Campus (Campo n.º 1)
Onze do Benfica B
Svilar, João Ferreira (Fábio Baptista, 61'), Tomás Araújo (Rafael Brito, 46'), Kalaica, Frimpong, Diogo Mendes, David Tavares, Martim Neto (Luís Lopes, 76'), Umaro Embaló (Kevin Csoboth, 89'), Tiago
Gouveia (Jair Tavares, 76') e Henrique Araújo
Suplentes
Carlos Santos, Fábio Baptista (61'), Gonçalo Loureiro, Rafael Rodrigues, Rafael Brito (46'), Cher Ndour,
Jair Tavares (76'), Kevin Csoboth (89') e Luís Lopes (76')
Ao intervalo 0-0
Golos do Benfica B
Tiago Gouveia (48'), Luís Lopes (90') Boletim clínico Diogo Capitão (status pós-cirúrgico ligamentoplastia do cruzado anterior do joelho esquerdo); Pedro Álvaro (lesão muscular na coxa direita); Daniel dos Anjos (status pós-miocardite aguda pós-infeção por COVID-19); Paulo Bernardo (contusão do tornozelo direito); Pedro Ganchas (lesão do complexo articular do ombro esquerdo); Ilija Vukotic (lesão muscular na coxa direita); Tomás Azevedo (lesão muscular na coxa esquerda);
Sandro Cruz (lesão muscular na coxa esquerda)